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Médica de Lula diz que ele está ‘excelente’ e que ‘não há necessidade de preocupação’

A chefe da equipe médica da presidência da República, Ana Helena Germoglio, afirmou em entrevista à TV Globo e à GloboNews neste sábado (25) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está “excelente” e que “não há necessidade de preocupação”.

As declarações foram dadas após o presidente ter adiado a viagem que faria para a China no domingo (26).

Segundo a médica, Lula foi diagnosticado com broncopneumonia e realiza tratamento em casa, no Palácio da Alvorada, em Brasília.

“Ele está muito bem. Ele está excelente. Não há necessidade de preocupação. Ele está muito bem de saúde e, como qualquer outro paciente, precisa do repouso moderado, como a gente recomenda”, disse Ana Helena.

Na China, Lula se encontraria com o presidente Xi Jinping, com que trataria de relações comerciais, guerra da Ucrânia e governança global.

Segundo o ex-chanceler Celso Amorim, atual assessor especial de Lula, a nova data para a ida do petista ao país asiático está sendo negociada pelo governo brasileiro com as autoridades chinesas e não foi definida.

Recife registra primeira morte por chikungunya em 2023; vítima é um homem de 33 anos

Aedes aegypti fêmea é a transmissora da febre amarela, dengue, zika e chikungunya no Brasil

A primeira morte por chikungunya registrada no Recife em 2023 foi confirmada pela Secretaria Municipal de Saúde da cidade (Sesau).

De acordo com a pasta, a vítima fatal é um homem de 33 anos, que residia no bairro do Ibura, na Zona Sul da capital pernambucana.

Ele morreu no dia 26 de fevereiro, mas a causa do óbito só foi confirmada neste sábado (25). Segundo a Sesau, a vítima tinha hipertensão e era cardiopata.

O homem, que apresentava tosse seca, febre e sintomas gripais, com hipótese diagnóstica de pneumonia, buscou uma unidade de saúde estadual no dia 21 de fevereiro.

Após o atendimento, ele foi liberado para fazer o tratamento em casa, mas voltou ao local no dia seguinte apresentando tosse com sangue.

O quadro de saúde do homem se agravou quatro dias depois e ele precisou ser transferido para um hospital estadual, onde morreu.

A causa da morte foi confirmada após análise de amostra analisada em laboratório.

Barulho do trânsito pode causar hipertensão, aponta pesquisa

Estudo com mais de 246 mil pessoas mostra, pela primeira vez, como a exposição frequente aos ruídos do tráfego em ruas e estradas leva à pressão alta. Segundo os cientistas chineses, quanto maior a poluição sonora, maior o risco
 (Foto: AFP)

Morar perto de uma via movimentada causa transtornos diversos, como dificuldade para estacionar na própria garagem, trabalhar e dormir. Os problemas podem ser ainda mais sérios, com efeitos sistêmicos. Uma pesquisa publicada, nesta semana, na revista JACC: Advances, um dos periódicos do Journal of the American College of Cardiology, mostra que viver em um local com constante barulho de trânsito desencadeia o aumento da pressão arterial.

O estudo desenvolvido pelo American College of Cardiology e liderado por Jing Huang, professor da Universidade de Pequim, na China, é o primeiro a estabelecer essa relação de causa e efeito, segundo os autores. Investigações anteriores mostraram uma conexão significativa entre o tráfego rodoviário ruidoso e o aumento do risco de hipertensão. Porém, não estava claro quem desempenhava um papel maior: o ruído ou a poluição do ar. “Ficamos um pouco surpresos ao constatar que a associação entre o ruído do tráfego rodoviário e a hipertensão foi robusta mesmo após o ajuste para a poluição do ar”, relata, em nota, Huang.

Para chegar à conclusão, a equipe analisou dados colhidos de mais de 246 mil habitantes do Reino Unido, com idades entre 40 e 69 anos, sem o diagnóstico de pressão alta no início do acompanhamento, que durou, em média, 8,1 anos . O barulho do trânsito próximo a casa dessas pessoas foi estimado com base no endereço residencial e utilizando o Método de Avaliação de Ruído Comum, uma ferramenta europeia.

Os pesquisadores verificaram que pessoas que moravam em locais com barulho de trânsito estavam mais propensas a desenvolverem hipertensão. Segundo Huang, dos 246.477 participantes, 21.140 apresentaram incidência de hipertensão primária, o equivalente a 8,5% da amostra. Também foi observado que esse risco aumentava à medida que elevavam os níveis de barulho ao qual o morador era exposto.“Dos participantes, 6,2% foram expostos a barulho de trânsito com intensidade maior que 65 decibéis, 5,9%, entre 60 e 65 decibéis, 35,9%, entre 55 e 60”, detalha o pesquisador.

Políticas públicas

A associação entre barulho de tráfego e pressão alta se manteve mesmo quando os cientistas consideraram a poluição do ar causada por dióxido de nitrogênio e pequenas partículas. Um ponto chamou a atenção da equipe: os participantes expostos aos dois fenômenos apresentaram risco ainda maior de desenvolver hipertensão. O líder da pesquisa aponta para a importância desse tipo de estudo. “Essas descobertas indicam que a formulação de políticas pode aliviar os impactos adversos do ruído do tráfego rodoviário como um esforço social.”

Em comentário publicado na mesma edição da JACC: Advances, Jiandong Zhang, bolsista de doenças cardiovasculares na Divisão de Cardiologia da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, também indica a aplicabilidade ampliada do estudo. “Os dados demonstrados fornecem evidências de maior qualidade para justificar o potencial de modificar o ruído do tráfego rodoviário e a poluição do ar tanto a nível individual quanto social, na melhoria da saúde cardiovascular”, afirma.

Cardiologista do Hospital Daher, Benedita Ferreira Machado lembra que a hipertensão, doença que acomete cerca de 25% da população brasileira, pode ter causas multifatoriais, como questões genéticas, hábitos de vida e condições socioeconômicas. “Ao contrário do que a maioria pensa, em apenas 5% dos casos ela pode ser secundária a algum problema hormonal ou mesmo ter uma causa específica.”

Com recorde em número de casos, governo entra em alerta contra tuberculose

Com aproximadamente 5 mil mortes pela doença, ministério lança campanha para mudar situação. Principais vítimas vêm da população vulnerável (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O Brasil bateu, em 2021, um vergonhoso recorde mundial: 5 mil mortes por tuberculose. Por causa disso, o Ministério da Saúde lançou, ontem, a Campanha Nacional de Combate à Tuberculose, cujo objetivo é informar a população sobre a gravidade da doença e que o acesso ao tratamento é fácil e ao alcance de todos.

Segundo a pasta, as principais vítimas da tuberculose são as populações consideradas vulneráveis — pessoas em situação de rua, indígenas, refugiados, pessoas com HIV/Aids e a população carcerária. “Entendemos que são populações e grupos populacionais negligenciados. O foco é nas pessoas e não nas doenças”, explicou a ministra Nísia Trindade, no lançamento da campanha.

Casos graves de tuberculose são prevenidos pela vacina BCG, recomendada pelo Calendário Nacional de Vacinação ainda na infância e que pode ser aplicada logo após o nascimento. Até 2018, o índice de imunização se mantinha acima de 95%, mas, desde 2019, a cobertura não passou dos 88%.

Outro foco da campanha são os profissionais de saúde, que nem sempre estão informados sobre a doença, sintomas, formas de transmissão, prevenção, diagnóstico e tratamento. Além de ampliar o acesso ao diagnóstico e às ações de prevenção, Nísia anunciou que Brasil, Índia e Indonésia firmarão o compromisso para ter a tuberculose como uma prioridade para a agenda do G20 — grupo que reúne as 20 maiores economias do planeta.

A tuberculose é a segunda doença infecciosa que mais mata no mundo e apenas 50% dos infectados são diagnosticados, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O Brasil está entre os 30 países com maior índice de transmissão da doença.

De 2021 para 2022, o número de casos aumentou 5% no país e foram detectados 78.057 novos registros positivos ano passado. A incidência também cresceu 1,4%, mesmo depois de ter diminuído aproximadamente 2% nas últimas duas décadas.

Os estados de Amazonas (84,1 casos por 100 mil habitantes), Roraima (75,9/100 mil) e Rio de Janeiro (68,6/100 mil) são os que apresentam maior risco de adoecimento para suas populações. Treze unidades da Federação registraram coeficiente de incidência superior ao nacional — de 36,3/100 mil.

A pandemia de Covid-19 também agravou o cenário da tuberculose, uma vez que provocou a redução de notificações sobre a doença. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a crise sanitária e o novo coronavírus limitaram os testes e o tratamento.

Segundo a médica Grasielle Santana, pneumologista do Hospital Santa Lúcia, a tuberculose é responsável por mais de um milhão de mortes por ano em todo o planeta, daí por que a importância da vacina, do diagnóstico e do tratamento correto. “O desincentivo à imunização tem relação com os não imunizados da tuberculose. Campanhas a favor da conscientização contra tuberculose podem ajudar a melhorar esses índices”, afirmou.

Ela salienta que o diagnóstico precoce é fundamental para iniciar o tratamento no tempo correto e aumentar as chances de cura, principalmente entre a população que tem maior risco para sintomas graves. Grasielle explica que a tuberculose tem o acometimento mais comum no pulmão, mas também pode afetar outros órgãos e sistemas.

“O tratamento é com antibióticos e dura uns seis meses. É gratuito e está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Deve ser realizado acompanhado por equipe multidisciplinar”, observa.

Usar celular por mais de três horas aumenta risco de dores nas costas em adolescentes, mostra estudo

O uso de telas — como celulares e tablets — é comum entre os adolescentes. No entanto, passar algumas horas focado nestas tecnologias pode fazer muito mal para a coluna dos jovens. É o que aponta um estudo publicado na revista científica Healthcare feito por um grupo de pesquisadores brasileiros de várias instituições de ensino.

O trabalho, financiado pela Fapesp, identificou diversos fatores de risco para a saúde da coluna, como o uso de telas por mais de três horas ao dia, a pouca distância entre o equipamento eletrônico e os olhos, a utilização na posição deitada de de barriga para baixo e também na posição sentada.

O foco do estudo foi a chamada dor no meio das costas (thoracic back pain, ou TSP). Foram avaliados 1.628 estudantes de ambos os sexos entre 14 e 18 anos de idade, matriculados no 1º e no 2º ano do Ensino Médio, na área urbana do município de Bauru (SP), que responderam a um questionário entre março e junho de 2017. Destes, 1.393 foram reavaliados em 2018.

A pesquisa constatou que 38,4% dos alunos relataram a TSP tanto em 2017 quanto em 2018. Os cientistas observaram que 10,1% passaram a apresentar as dores apenas em 2018. Os resultados apontam que as meninas são as que mais sofrem com esse incômodo.

Estima-se a TSP que afete de 15% a 35% dos adultos e de 13% a 35% de crianças e adolescentes. Acredita-se que estes números pioram após a pandemia de Covid-19 devido ao aumento de uso de eletrônicos móveis.

Fatores de risco físicos, fisiológicos, psicológicos e comportamentais ou uma combinação destes estão associados à TSP, de acordo com várias investigações. Há também fortes evidências dos efeitos da atividade física, comportamento sedentário e saúde mental na saúde da coluna vertebral. Todos esses fatores foram considerados críticos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em sua mais recente revisão global de evidências e diretrizes.

“Esse trabalho pode ser utilizado para implementar programas de educação em saúde nos diversos níveis escolares, visando capacitar estudantes, professores, funcionários e pais”, diz Alberto de Vitta, doutor em educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com pós-doutorado em saúde pública pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu e um dos autores do artigo, em entrevista à Agência Fapesp. “Isso vai ao encontro de alguns objetivos dos Parâmetros Curriculares Nacionais [PCN], segundo os quais a escola deve assumir a responsabilidade pela educação para a saúde, identificando fatores de risco à saúde pessoal e coletiva no meio em que vivem, intervindo de forma individual ou coletiva sobre os fatores desfavoráveis à saúde e promovendo a adoção de hábitos de autocuidado com respeito às possibilidades e limites do corpo”.

Informações sobre fatores de risco para TSP em estudantes do ensino médio são relevantes porque crianças e adolescentes com dor nas costas são mais inativos, apresentam baixo rendimento acadêmico e apresentam mais problemas psicossociais, aponta o artigo. Além disso, poucos estudos foram realizados em TSP em comparação com a dor lombar e cervical. Uma revisão sistemática de TSP identificou apenas dois estudos prospectivos sobre fatores prognósticos.

Embalagens ocultam parte dos aditivos em alimentos vendidos no Brasil

Embalagens ocultam parte dos aditivos em alimentos vendidos no Brasil

As embalagens de alimentos vendidos no país não têm informações suficientes para esclarecer o consumidor. É o que comprova pesquisa do Instituto de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em parceria com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor.

Com foco nos aditivos alimentares, o estudo constatou falhas e inconformidades nas informações presentes nas listas de ingredientes, o que impede o consumidor de fazer uma escolha segura de alimentos mais saudáveis.

A professora da Uerj e orientadora do estudo, Daniela Canella, explicou que os aditivos são usados em bebidas e alimentos ultraprocessados. Eles modificam as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais do produto e não têm fator nutricional. Presunto, salsicha, pães empacotados, refrigerantes, bebidas lácteas e margarinas fazem parte da enorme lista de industrializados que recebem aditivos intencionalmente desde a fabricação até a embalagem.

A professora alertou que os ultraprocessados estão relacionados a uma série de doenças crônicas, como obesidade, hipertensão, diabetes, câncer, e doença inflamatória intestinal. Com base nas evidências científicas da pesquisa, a orientadora defendeu a necessidade do país ter uma legislação que melhor informe o consumidor.

O que a gente tem hoje é uma regulação que não necessariamente permite que o consumidor conheça tudo que compõe os alimentos que ele está consumindo. Então, no momento da escolha, da tomada de decisão, em alguma medida os consumidores não estão sendo suficientemente informados.

Segundo ela, a pesquisa foi encaminhada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quando ficou pronta, em 2021, mas que não houve diálogo. Agora, acredita que o assunto volte a ser discutido, inclusive com a participação da sociedade civil e de profissionais da saúde.

A gestora de empresas Cíntia Azevedo de Souza, mãe de Bernardo, de 5 anos, disse que sempre lê os rótulos dos alimentos antes de comprar, para evitar que o filho passe mal ao consumir algum produto. “Nunca vivi nenhuma situação de risco, mas já achei substâncias em alguns rótulos, por meio de pesquisas também, que eu nem sabia que tinha ali. Como, por exemplo, jujubas e outros alimentos. E eu não confio em todos os rótulos de alimentos que compro. Acho que não são claros, poderiam ser melhorados, poderiam conter exatamente o que tem em cada produto. Acho que eles escondem alguns [ingredientes]”.

Em nota, a Anvisa informou que considera importante o aprimoramento das regras para declaração dos ingredientes utilizados nos alimentos, incluindo os aditivos alimentares. E que o tema está nas discussões sobre rotulagem geral, cuja regulamentação é harmonizada no Mercosul.

O artigo sobre a pesquisa foi publicado em fevereiro deste ano na Revista de Saúde Pública, periódico científico editado pela Universidade de São Paulo (USP).

Ministério da Saúde deixou vencer 39 milhões de vacinas contra Covid avaliadas em R$ 2 bilhões

Por baixa procura, RS perde 500 mil doses de vacina contra a Covid; carga é  avaliada em R$ 15 milhões | Rio Grande do Sul | G1

O Ministério da Saúde perdeu ao menos 38,9 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19, avaliadas em cerca de R$ 2 bilhões.

Desse total, cerca de 2 milhões de unidades foram descartadas e 31 milhões estão encaminhadas para incineração. Os 5,9 milhões restantes ainda serão encaminhados para descarte, de acordo com o Ministério da Saúde.

Em seu site, a pasta afirma que 399 milhões de doses contra a Covid foram aplicadas até hoje no país.

Integrantes da Saúde culpam o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo acúmulo de doses. Afirmam ainda que estudam doar vacinas a outros países como uma das formas de evitar novas perdas.

A pasta diz, ainda, que 5 milhões de unidades vencem nos próximos 90 dias. E que mais 15 milhões de imunizantes podem ser descartados nos próximos seis meses.

Estados e municípios ainda costumam rejeitar lotes com validade curta. Justamente pelo risco de o produto vencer.

Chikungunya: casos da doença cresceram 110% neste início de ano, diz Ministério da Saúde

Ceará é o estado brasileiro com maior incidência de chikungunya em 2022 -  No Cariri Tem

O número de casos de chikungunya no Brasil aumentaram cerca de 110% até meados de fevereiro, segundo o Ministério da Saúde. O número representa mais do que o dobro de casos em relação ao mesmo período do ano passado, passando de 16.971 para 35.569. Os maiores percentuais de aumento foram observados na região Sudeste, com destaque para os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Tocantins, Bahia, Mato Grosso do Sul e Sergipe também apresentaram altas.

Assim como a dengue e a Zika, a chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Entre os principais sintomas estão a febre alta de início repentino e dores intensas nas articulações — diferença principal entre ela e a dengue. Na primeira a dor é mais intensa e afeta principalmente pés e mãos, geralmente nos tornozelos e pulsos.

Além delas, o paciente ainda pode apresentar dores nas costas, pelo corpo, erupções avermelhadas na pele, dores de cabeça, dor de garganta, calafrios, náuseas, vômitos e diarreias (manifestações do trato gastrointestinal são mais presentes em crianças).

O Ministério ainda divide a doença em três fases evolutivas. A primeira, chamada de febril ou aguda tem duração de 5 a 14 dias. A segunda chamada de pós-aguda tem um curso de até 3 meses e a terceira, que é a mais grave, apelidada de crônica é quando os sintomas persistem por mais de três meses após o início da doença. Em mais de 50% dos casos, a artralgia, ou seja, as dores nas articulações, tornam-se crônicas, podendo persistir por anos.

Governo lança programa de distribuição gratuita de absorvente pelo SUS

Cerca de 8 milhões de pessoas serão beneficiadas pela iniciativa que prevê investimento de R$ 418 milhões por ano

O Ministério da Saúde informou hoje (8) que vai assegurar a oferta de absorventes pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com foco na população que está abaixo da linha da pobreza. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou nesta quarta-feira um decreto que cria o Programa de Proteção e Promoção da Dignidade Menstrual.

De acordo com o ministério, cerca de 8 milhões de pessoas serão beneficiadas pela iniciativa que prevê investimento de R$ 418 milhões por ano.

A nova política segue os critérios do Programa Bolsa Família, incluindo estudantes de baixa renda matriculados em escolas públicas, pessoas em situação de rua ou de vulnerabilidade social extrema.

Também serão atendidas pessoas em situação de privação de liberdade e que cumprem medidas socioeducativas. O ministério acrescentada que o programa, voltado a todas as pessoas que menstruam, alcançará mulheres cisgênero, homens trans, pessoas transmasculinas, pessoas não binárias e intersexo.

Ministério Público

Nesta semana, o Ministério Público Federal (MPF) reforçou um pedido na Justiça para que a União apresentasse plano de distribuição de absorventes a estudantes de baixa renda da rede pública, a mulheres em situação de vulnerabilidade social extrema, a detentas e a jovens em conflito com a lei internadas.

A distribuição é garantida pela Lei Federal 14.214 de 2021, mas o governo anterior foi contra a política. O texto, aprovado pelo Senado em setembro de 2021, foi sancionado pelo então presidente da República, Jair Bolsonaro, que, no entanto, vetou a distribuição gratuita dos absorventes.

O veto presidencial foi derrubado em março do ano seguinte pelo Congresso Nacional. No mesmo mês, Bolsonaro decidiu regulamentar a distribuição. Em novembro, o Ministério da Saúde lançou o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, com a promessa de atender a 4 milhões de mulheres.

Em outubro, a organização não governamental (ONG) Criola há havia entrado com ação na Justiça Federal, pedindo que o governo federal apresentasse, em 15 dias, os planos para distribuição dos absorventes.

“A ideia era desenvolver essa política o mais rápido possível, com a urgência [de] que ela necessitava, visto que as pessoas que serão beneficiadas desta política são pessoas em situação de vulnerabilidade”, lembrou a coordenadora-geral da ONG Criola, Lúcia Xavier.

Ministério da Agricultura investiga suspeita de vaca louca

 (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

O Ministério da Agricultura informou hoje (20) à tarde que está investigando uma suspeita de caso da vaca louca no Brasil. A pasta não informou o local, mas a Agência Brasil apurou que a suspeita ocorre sobre um animal idoso que morreu num pasto no Pará.

“Acerca do caso suspeito de Encefalopatia Espongiforme Bovina (Mal da “vaca louca”), todas as medidas estão sendo adotadas pelos governos. A suspeita já foi submetida a análise laboratorial para a confirmação ou não e, a partir do resultado, serão aplicadas imediatamente as ações cabíveis”, informou o ministério em comunicado.

A morte em pasto aumenta as chances de que o suposto caso de vaca louca tenha se originado de forma “atípica”, espontaneamente na natureza, em vez de ser transmitido pela ingestão de ração animal contaminada. Isso, em tese, reduz as chances de imposições de barreiras comerciais.

Os últimos casos de vaca louca registrados no Brasil ocorreram em 2021, em Minas Gerais e no Mato Grosso. Na ocasião, os casos também foram atípicos, mas a China, maior comprador de carne do Brasil, suspendeu a compra de carne bovina brasileira por três meses, de setembro a dezembro daquele ano.

Até hoje, o Brasil não registrou casos clássicos de vaca louca, provocado pela ingestão de carnes e pedaços de ossos contaminados. Causado por um príon, molécula de proteína sem código genético, o mal da vaca louca é uma doença degenerativa também chamada de encefalite espongiforme bovina. As proteínas modificadas consomem o cérebro do animal, tornando-o comparável a uma esponja.

Além de bois e vacas, a doença acomete búfalos, ovelhas e cabras. A ingestão de carne e de subprodutos dos animais contaminados com os príons provoca, nos seres humanos, a encefalopatia espongiforme transmissível. No fim dos anos 1990, houve um surto de casos de mal da vaca louca em humanos na Grã-Bretanha, que provocou a suspensão do consumo de carne bovina no país por vários meses. Na ocasião, a doença foi transmitida aos seres humanos por meio de bois alimentados com ração animal contaminada.

Número de mortes por leptospirose aumenta mais de 70% nos últimos dois anos

Número de mortes por leptospirose aumenta mais de 70% nos últimos dois anos  | Jornal Nacional | G1

O número de mortes por causa de leptospirose aumentou mais de 70% nos últimos dois anos. A água das enchentes é a principal causa de contaminação.

Quem convive com a difícil realidade da falta de quase tudo, sabe que quando a água suja invade o lugar onde se mora, a saúde fica em perigo.

“Infelizmente tive muito contato com a água. Eu ainda estou com o corpo todo dolorido”, lamenta a cuidadora de idosos Ingrid dos Santos.

As fortes chuvas, os alagamentos, as inundações, as enchentes trazem, no correr da água, o risco da leptospirose. Quem vive em condições precárias de moradia e de saneamento básico também é aquele que costuma ser mais afetado por um problema de saúde pública muitas vezes negligenciado. De 2021 a 2022, o número de casos aumentou 52% e, de mortes, 70%.

“Eu comecei os sintomas com muitas dores nas pernas, mal estar, muita dor de cabeça. Me deu febre também, vômito, diarreia”, enumerou o chefe de cozinha Victor Costa em entrevista no dia 15 de janeiro.

Era leptospirose o que o Victor tinha, depois de uma enchente em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Em União dos Palmares, Alagoas, a doméstica Gilvanete da Silva precisou ser internada em julho do ano passado:

“Essa doença, meu fio, eu saí do pé da cova. Quem teve contato com água assim, tem que se cuidar”.

Os ratos são os principais transmissores da doença. A água da enchente se mistura com a urina do rato, infectado pela bactéria Leptospira. A doença é transmitida, principalmente, quando a água contaminada entra em contato com a boca, os olhos e machucados na pele. E como essa bactéria é muito resistente, o risco não desaparece quando o nível da água baixa, porque ela continua ativa nos resíduos úmidos por bastante tempo.

“Quando você pega uma amostra como essa aqui, em que o barro está embaixo, muitas vezes a gente encontra os microorganismos aqui”, explica a pesquisadora Universidade Municipal de São Caetano do Sul Marta Marcondes.

Na coleta deste verão, a Universidade Municipal de São Caetano encontrou a bactéria nos piscinões de três cidades do ABC paulista. Foi por causa dela que o seu Carlos perdeu o filho Estéfano, aos 25 anos, no Pará.

“Deram alta para ele no mesmo dia e voltou para casa. Piorou, piorou mesmo, e não dava mais “, relembra o pai, Carlos Alberto.

A saída é saneamento, água e sabão, e tratar direito quem acaba doente.

“A leptospirose na sua fase leve pode ser confundida com outras doenças como a dengue e chikungunya. Então, é muito importante que, ao chegar em um posto de saúde, notificar o médico que está te atendendo, que você teve contato com água de enchente. Para que ele possa fazer o diagnóstico de leptospirose e começar com a antibióticoterapia, porque a leptospirose tem cura”, afirma o diretor da Fiocruz em São Paulo, Rodrigo Stabeli.

Lepra: Brasil é um dos países com maior número de casos da doença, alerta OMS

OMS

Apesar dos tratamentos existentes, a lepra continua a infectar milhares de pessoas todos os anos, especialmente em países pobres. Embora pesquisas estejam sendo feitas, poucos laboratórios dedicam recursos a ela.

Em 2022, cerca de 216.000 casos de hanseníase foram detectados em todo o mundo, especialmente no Brasil e na Índia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e persiste como “um problema sério” em 14 países de África, Ásia e América Latina.

Os números podem ser apenas a ponta do iceberg, segundo o médico Bertrand Cauchoix, especialista na doença da Fundação Raoul Follereau, na França.

“Sabemos o número de doentes rastreados, mas não contamos os esquecidos, os não detectados, que poderiam ser muito mais numerosos”, explica.

A lepra, por vezes considerada vergonhosa, tem o triste privilégio de ser uma das 20 doenças tropicais que a OMS considera negligenciadas. Causada pelo bacilo Mycobacterium leprae, a doença, que é transmissível, ataca a pele e os nervos periféricos, com sequelas potencialmente muito graves.

Favorecida pela promiscuidade e pelas precárias condições de vida, a lepra tem um período de incubação muito longo, de até 20 anos, ao qual se acrescenta um atraso no diagnóstico, durante o qual a doença pode continuar a infectar pessoas próximas. Há décadas existe um tratamento médico baseado em três antibióticos.

Mathias Duck, capelão paraguaio de 44 anos, já conhecia a hanseníase por ter trabalhado em um hospital dedicado a pacientes com essa doença, mas quando ele mesmo foi diagnosticado, em 2010, levou “três anos para poder falar sobre livremente”, conforme disse à AFP. Para ele, seis meses de tratamento foram suficientes:

Justiça determina recontratação de médicos cubanos do programa Mais Médicos

Profissionais foram retirados do Brasil no fim de 2018

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região autorizou, em decisão na noite desta sexta-feira (27) obtida pela CNN, a recontratação de profissionais cubanos do Programa Mais Médicos. A medida terá que ser cumprida pelo governo federal.

No fim de 2018, os médicos tiveram que retornar a seu país de origem depois que Cuba decidiu interromper o contrato com o Brasil, como reação a declarações do então recém-eleito presidente, Jair Bolsonaro, de que iria revisar as regras do programa.

Eles integravam a 20ª turma do Mais Médicos, a única desde o início do programa que não foi contemplada com a prorrogação. Na ocasião, Bolsonaro chegou a acusar o governo cubano de cometer irresponsabilidade.

O novo governo já havia manifestado interesse de recomeçar o Mais Médicos. Agora, a decisão judicial acelera etapas porque permite que todos os 1.789 cubanos demitidos no último ciclo sejam recontratados e tenham que retornar ao Brasil

O pedido foi apresentado pela Associação Nacional dos Profissionais Médicos Formados em Instituições Estrangeiras e Intercambistas. A decisão é assinada pelo desembargador Carlos Augusto Pires Brandão, do TRF-1.

Ele entendeu que a liberação é tão importante para os médicos cubanos que terão de ser recontratados, quanto para a saúde pública brasileira, especialmente de regiões de mais difícil acesso.

Uma das características do programa é destinar o efetivo de médicos para áreas mais vulneráveis onde, em via de regra, muito profissional de saúde prefere não trabalhar devido à precariedade, de equipe e insumos.

São Paulo confirma primeiro caso de febre amarela desde 2020

Exames de sangue

O primeiro caso de febre amarela registrada no estado de São Paulo desde 2020 foi confirmado nesta sexta-feira (27) pela Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo. Segundo a secretaria, o caso foi identificado em um homem de 73 anos, morador da zona rural da cidade de Vargem Grande do Sul, no interior do estado. Ele já teve alta hospitalar. Não foi informado se o paciente já havia sido vacinado contra a doença.

A secretaria informou que, junto com a Secretaria Municipal de Saúde, está atualmente realizando uma investigação epidemiológica na cidade.

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda que é causada por um vírus. Esse vírus é transmitido pela picada de um mosquito silvestre, que vive em zona de mata, e não há transmissão direta de pessoa para pessoa. Os sintomas iniciais da febre amarela são febre, calafrios, dor de cabeça intensa, dores nas costas, dores no corpo, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza.

A maioria das pessoas melhora após estes sintomas iniciais. No entanto, segundo o Ministério da Saúde, cerca de 15% podem apresentar um breve período de horas a um dia sem sintomas e, então, desenvolver uma forma mais grave da doença, que pode levar à morte.

Cobertura vacinal
A doença pode ser prevenida por meio de vacina, que está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desde abril de 2017, o Brasil adota o esquema vacinal de apenas uma dose durante toda a vida, medida que está de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). A vacina é a melhor forma de prevenção da doença.

Segundo a Secretaria de Saúde de São Paulo, a cobertura vacinal contra a doença está baixa no estado, em torno de 64%. É importante que a cobertura vacinal seja alta para evitar a possibilidade da doença se alastrar e se transformar em uma epidemia.

Varíola dos Macacos ainda é problema de saúde pública, dizem especialistas da Fiocruz

 (Foto: Reprodução/Freepik)

O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) da Fundação Oswaldo Cruz (/Fiocruz) e a revista científica The Lancet Regional Health Americas lançaram hoje (25) edição especial do encarte Mpox multinacional nas Américas: Lições do Brasil e do México, com artigos sobre a monkeypox ou “varíola dos macacos”, como é popularmente conhecida. A Mpox é uma doença viral e a transmissão entre humanos ocorre principalmente por meio de contato com lesões de pele de pessoas infectadas.

A editora-chefe da revista, Taissa Vila, destacou que embora esteja caminhando para resolução em alguns países, a Mpox ainda é um problema de saúde pública em vários lugares do mundo, como as Américas. Na avaliação da infectologista Beatriz Grinsztejn, chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em HIV/Aids (LapClin Aids) e presidente eleita da Internacional Aids Society (IAS), é importante remeter ao fato de que a Mpox “é uma doença negligenciada em termos de pesquisa e de recursos e tratamentos efetivos”, que poderiam ser disponibilizados, evitando ocorrência elevada e mortes nos países pobres da África. Beatriz lembrou que somente quando chegou à Europa, em meados do ano passado, é que a doença chamou a atenção do mundo, e isso causa vergonha por se ver quantas pessoas lidam com essa doença na África, há décadas.

Segundo a infectologista, a característica de lesões genitais já estava descrita na epidemia na Nigéria, onde a diversidade de opção sexual das pessoas não é aceita. Beatriz Grinsztejn afirmou que a Mpox tem sintonia com as infecções sexualmente transmissíveis (IST), o que leva à possibilidade de agravamento da doença nessas pessoas. E defendeu o combate ao estigma e à discriminação sempre. A Mpox é mais observada entre homens gays e bissexuais.

Áreas de destaque

Para a professora titular do Departamento de Psicologia Social da Universidade de São Paulo (USP), Vera Paiva, cinco áreas não podem ser ignoradas na pandemia da covid-19 e nas pandemias que virão, sem tampouco ignorar a Mpox. A primeira é que estejam associadas a pessoas de segmentos mais vulneráveis. É necessário diferenciar também as estruturas do sistema de saúde; combater mensagens enganosas e imprecisas, a exemplo das fake news (notícias falsas); reduzir a dependência a vacinas e tratamentos estrangeiros e solucionar crise de governança em que se desenrola a luta contra as epidemias. “Ficou claro que desde a Aids e a Covid-19 que esses não são eventos apenas virais”, observou Vera.

Segundo a professora da USP, entre as lições que não se pode esquecer da Covid-19 e outras epidemias é que o número de mortes e adoecimentos depende da política de enfrentamento, que as mortes e adoecimentos ocorrem mais em territórios periféricos empobrecidos, que têm raça, cor, gênero, que crescem mais onde os governos são negligentes em proteger os direitos humanos ou violam o direito à vida e à saúde integral. O crescimento das epidemias confirma marcadores de desigualdade e violação de diretos humanos, indicou.

Conforme reiterou Vera Paiva, será fundamental, diante de qualquer epidemia, que haja combate ao estigma em um primeiro momento, associado à infecção e às pessoas de segmentos mais vulneráveis; combate à infodemia (grande fluxo de informações que se espalham pela internet sobre um assunto específico) imprecisa e enganosa, não só em relação à Mpox, mas a outras epidemias; necessidade de financiamento para o Sistema Único de Saúde (SUS); retomada da ideia de quebra de patentes e produção de vacinas, acabando com a dependência de vacinas e tratamentos estrangeiros. A prevenção deve ser integral para todas as epidemias, pensando nos princípios de direitos humanos. “Esse é o grande desafio”, manifestou.

Casos

A infectologista do INI, Mayara Secco, informou que até o dia 24 de janeiro de 2023, foram confirmados no Brasil 10.711 casos de Mpox, com 11 óbitos. Os estados mais afetados foram São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2022, o INI atendeu 416 casos confirmados no Rio de Janeiro e 402 casos descartados. Neste mês de janeiro, foram atendidos 32 casos, dos quais 22 foram confirmados, 5 descartados e 5 se encontram em investigação.

Para a especialista, a emergência de saúde ainda representa um desafio para o setor da saúde e os 22 casos confirmados em janeiro de 2023 significam uma taxa de positividade alta. A análise dos casos confirmados desde o aparecimento do primeiro paciente revela que os homens cis constituem a maior parcela dos afetados, com 87%, contra 5,5% de mulheres cis. A maior parcela dos afetados está na faixa etária de 30 a 39 anos. Dos confirmados, 97% tiveram relação sexual 30 dias antes do aparecimento dos primeiros sintomas de Mpox. Entre aos pacientes que confirmaram a Mpox no INI/Fiocruz, 51% conviviam com HIV e 30% só tinham uma região do corpo acometida.