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Remédio injetável que previne HIV pode entrar no SUS até o fim o ano

Ministro Alexandre Padilha afirmou que o governo está negociando com a farmacêutica GSK, produtora do cabontegravir/FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL

O Sistema Único de Saúde (SUS) pode começar a oferecer ainda este ano uma nova forma de profilaxia pré-exposição (PreP), aplicada por injeção, para a prevenção do HIV. Trata-se do medicamento cabotegravir, que impede a replicação do vírus de forma prolongada e pode ser tomado a cada dois meses.

O pedido de inclusão vai ser encaminhado pelo Ministério da Saúde à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec) na semana que vem. A Conitec é um colegiado independente que precisa avaliar aspectos como o custo-benefício da oferta de novos tratamentos pelos serviços públicos, antes que eles sejam incluídos no rol do SUS.

A comissão pode recomendar ou não a inclusão, mas a decisão final cabe ao Ministério. De acordo com o Ministro da Saúde Alexandre Padilha, o governo ainda está negociando com a farmacêutica GSK, produtora do cabontegravir, o custo final do medicamento e quantas doses serão compradas, mas a empresa fez uma oferta com “preço adequado”.

“Nós vemos com muita esperança as novas tecnologias de proteção prolongada, mas exigimos que elas sejam oferecidas, sobretudo aos sistemas nacionais de saúde, com os preços adequados, não preços estratosféricos”, declarou o ministro em uma coletiva de imprensa antes da abertura do 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro.

Lenacapavir

Ainda segundo Padilha, esse custo foi determinante para escolha da PreP injetável que o governo pretende oferecer. Um outro medicamento, chamado lenacapavir, concede proteção ainda mais prolongada, por seis meses, mas foi ofertado por um valor inviável, disse o ministro.

“Mesmo o Brasil se dispondo a pagar até 10 vezes o valor que foi oferecido a países similares ao nosso, como Indonésia e Tailândia, a indústria ainda disse que não pode oferecer para o sistema nacional público com esse valor. Então nós não pagaremos. Não vamos drenar o recurso dos impostos dos cidadãos brasileiros pelo interesse de lucro de uma empresa”

Apesar de ter sido um dos países onde o medicamento foi testado, o Brasil ficou de fora do acordo de licenciamento voluntário assinado pela farmacêutica Gilead, que autorizou seis empresas a produzirem versões genéricas do lenacapavir para distribuição em 120 países.

A medida foi criticada por outros participantes da Conferência, incluindo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), porque o lenacapavir é considerado peça central para o fim da epidemia de Aids, e as organizações envolvidas com o tema defendem que o acesso ao medicamento seja ampliado em todo o mundo.

A farmacêutica declarou em nota que compartilha a urgência de ampliar o acesso ao lenacapavir em toda a América Latina e o Caribe, mas que “para os países fora do território de licenciamento voluntário, como o Brasil, continua buscando caminhos sustentáveis de acesso de longo prazo, alinhados às condições do mercado local e às prioridades de saúde pública”

Ainda de acordo com a nota divulgada pela Gilead após as declarações dadas no evento, “o Brasil é uma das prioridades entre os países avaliados como potenciais parceiros de Fabricação”. Por isso a farmacêutica assinou um memorando de entendimento com a Fundação Oswaldo Cruz, “para explorar potenciais oportunidades de transferência de tecnologia que possam apoiar o acesso no Brasil e em toda a região.”

PreP oral

O Sistema Único de Saúde já oferece a PreP, mas em versão oral, sob a forma de comprimidos que precisam ser tomados diariamente. Mais de 350 mil pessoas já tiveram acesso ao medicamento que também tem eficácia comprovada.

A principal vantagem da Prep injetável sobre a versão oral é a adesão ao tratamento, já que os comprimidos precisam ser tomados todos os dias para garantir seu efeito. Estudo da Fiocruz, feito com 1,4 mil pessoas, em seis cidades brasileiras, mostrou que 83% delas preferiram a injeção.

Além disso, 94% dos participantes compareceram ao serviço de saúde para tomar as injeções no prazo correto, o que garantiu que elas permanecessem protegidas ao longo do tratamento. Nenhum deles foi infectado pelo vírus.

Outro estudo de vida real divulgado pelas farmacêuticas ViiV Healthcare e GSK, que desenvolveram o medicamento, demonstrou alta eficácia, com taxa anual de infecção pelo HIV de apenas 0,1%.

HIV: dois novos casos de cura são anunciados; total chega a 13

Médicos anunciaram nesta segunda-feira (27) dois novos casos de possível cura do HIV. Os pacientes interromperam o uso de antirretrovirais e, desde então, o vírus não voltou a ser detectado nos exames.

Um deles, conhecido como paciente de Kansas City, cidade mais populosa do estado do Missouri (EUA), está há 14 meses sem os medicamentos.

O outro, que também tinha histórico de hepatite B, completou 12 meses sem tratamento contra o HIV e sem carga viral detectável.

ENTENDA: Uma carga viral detectável ocorre quando um exame encontra HIV no sangue em quantidade suficiente para ser medida. Já a carga viral indetectável significa que o vírus está em um nível tão baixo que o teste não consegue medi-lo. Quando esse resultado é mantido durante o tratamento, não há transmissão por relações sexuais.

Com os dois anúncios, sobe então de 11 para 13 o número de casos de cura ou remissão do HIV contabilizados pela Sociedade Internacional de Aids (IAS).

Os novos casos serão apresentados na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, evento da entidade que acontece nesta semana no Rio de Janeiro.

O paciente de Kansas City é um homem de 21 anos que recebeu o diagnóstico de HIV e de uma forma agressiva de leucemia em 2018. Antes de começar o tratamento, ele tinha mais de 2 milhões de cópias do vírus por mililitro de sangue e uma quantidade muito baixa de células de defesa.

Em outubro de 2020, ele recebeu células-tronco de uma doadora sem parentesco, mas totalmente compatível. A doadora tinha duas cópias de uma mutação rara chamada CCR5-delta32, que impede que as formas mais comuns do HIV usem uma das principais portas de entrada das células.

Após o transplante, o paciente teve complicações e precisou receber um reforço de células-tronco. Os antirretrovirais foram suspensos em fevereiro de 2025 e, 14 meses depois, os exames continuavam sem encontrar o vírus no sangue nem células com HIV capazes de reiniciar a infecção.

O segundo paciente recebeu células-tronco de um doador que também tinha duas cópias da mutação CCR5-delta32. O caso era considerado mais complexo porque a pessoa tinha diferentes formas do HIV, capazes de usar mais de uma porta para entrar nas células.

Os medicamentos foram suspensos pouco mais de quatro anos após o transplante. Depois de 12 meses, o HIV continuava indetectável, e os pesquisadores não encontraram vírus capaz de se multiplicar nem material genético completo do HIV em amostras do intestino.

A interrupção dos remédios, porém, fez a hepatite B voltar a se multiplicar em apenas 25 dias, já que parte dos antirretrovirais também controlava esse vírus.

Dá para dizer que uma pessoa foi curada do HIV?

Os dois novos casos ainda são tratados como possíveis curas porque o tempo sem medicamentos é relativamente curto. Os pesquisadores precisam acompanhar os pacientes por mais tempo para verificar se o HIV realmente não voltará.

O termo mais adequado, segundo Ricardo Diaz, infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é “remissão sustentada do HIV sem antirretrovirais”.

“Isso quer dizer que você tira o tratamento e o vírus não volta. Em algumas pessoas, a gente tem evidências muito fortes de que realmente o vírus não existe mais”, explica.

Não há, porém, um único exame capaz de verificar todas as partes do corpo e garantir que nenhuma célula infectada permaneceu escondida. Por isso, mesmo nos casos mais antigos, os pacientes continuam sendo acompanhados.

Diaz afirma que é preciso esperar pelo menos dois anos sem medicamentos para que as evidências de remissão fiquem mais fortes. A interrupção dos antirretrovirais não deve ser tentada fora de estudos, porque, na maioria das pessoas, o HIV volta a se multiplicar rapidamente.

Como foram os outros casos de “cura”?

Antes dos dois novos anúncios, a IAS contabilizava 11 casos após transplantes de células-tronco. Veja detalhes de cada caso abaixo:

Paciente de Berlim, 2009: esse foi o primeiro caso reconhecido de cura do HIV. Timothy Ray Brown tinha 40 anos quando fez o transplante para tratar uma leucemia e permaneceu sem os remédios e sem o retorno do vírus.
Paciente de Londres, 2019: dez anos depois, Adam Castillejo, de 37 anos, tornou-se o segundo caso confirmado. Ele passou por um transplante para tratar um linfoma e continuou sem o HIV após suspender o tratamento.
Paciente de Düsseldorf, 2023: Marc Franke, de 53 anos, fez um transplante por causa de uma leucemia. Anos depois, interrompeu os antirretrovirais e o vírus não voltou a ser detectado.
Paciente de Nova York, 2023: uma mulher com leucemia foi a primeira a alcançar remissão do HIV após um transplante que usou sangue de cordão umbilical e células de um doador adulto.
Paciente City of Hope, 2023: Paul Edmonds tinha 63 anos e vivia com HIV havia mais de três décadas quando fez o transplante. O caso mostrou que a remissão também pode ocorrer em pacientes mais velhos.
Paciente de Genebra, 2024: um homem de 53 anos que entrou em remissão mesmo após receber células de um doador sem a mutação que costuma dificultar a infecção pelo HIV.
Segundo paciente de Berlim, 2024: nesse caso, o paciente e o doador tinham apenas uma cópia da mutação de proteção. Ainda assim, o HIV não voltou após a suspensão dos medicamentos.
Paciente de Marselha, 2024: uma mulher na faixa dos 50 anos alcançou remissão depois de um transplante feito para tratar uma leucemia.
Paciente de Oslo, 2025: um homem de 58 anos recebeu células do próprio irmão para tratar uma doença grave do sangue. Depois, suspendeu os antirretrovirais e continuou sem carga viral detectável.
Paciente de Chicago, 2025: nesse registro, um homem de 67 anos voltou a apresentar carga viral detectável após interromper o tratamento pela primeira vez. Os remédios foram retomados e, depois de uma nova suspensão, o vírus não voltou a se multiplicar.
Paciente de Toronto, 2026: um homem de 62 anos fez um transplante para tratar uma leucemia. Quando o caso foi apresentado em congresso, ele estava havia dez meses sem antirretrovirais e sem carga viral detectável.

Todos esses receberam os transplantes para tratar leucemias, linfomas ou outras doenças graves do sangue. Os procedimentos não foram feitos como tratamento contra o HIV, mas acabaram substituindo grande parte das células de defesa dos pacientes por células do doador.

Na maioria dos casos, os doadores tinham duas cópias da mutação CCR5-delta32, uma característica que torna as novas células resistentes às formas mais comuns do HIV e reduz a possibilidade de o vírus voltar a se espalhar.

A mutação, porém, não explica tudo. O paciente de Genebra alcançou a remissão mesmo recebendo células sem essa proteção. Já no segundo caso de Berlim, o doador tinha apenas uma cópia da alteração genética.

Segundo Sharon Lewin, infectologista e ex-presidente da IAS, provavelmente há vários mecanismos atuando ao mesmo tempo nesses casos.

O tratamento aplicado antes do transplante elimina parte das células infectadas, as novas células podem atacar as que restaram e, quando carregam a mutação, ficam mais resistentes ao HIV.

“Quando as células do doador não têm o CCR5, isso funciona como um impulso adicional para aumentar a possibilidade de cura”, afirmou Lewin ao g1.

O que são os “controladores de elite” do HIV e qual a diferença entre os casos de cura?

Os controladores de elite são pessoas que conseguem manter o HIV em níveis muito baixos sem tomar antirretrovirais. Nelas, o próprio sistema de defesa controla a multiplicação do vírus e evita a perda das células responsáveis pela imunidade.

Isso não significa necessariamente que o HIV foi eliminado. O vírus pode continuar escondido em algumas células, mas não consegue se multiplicar em quantidade suficiente para aparecer nos exames comuns ou prejudicar a saúde.

Nos casos de remissão após transplantes, o processo é diferente. Os pacientes passaram por um tratamento intenso que destruiu parte das células antigas e reconstruiu o sistema de defesa com células de outra pessoa.

As evidências indicam que isso reduziu drasticamente os esconderijos do HIV no organismo.

Por que o HIV é tão difícil de curar?

O HIV consegue inserir seu material genético dentro das células de defesa. Algumas dessas células ficam adormecidas e podem permanecer assim durante anos, sem produzir novas partículas do vírus.

Os antirretrovirais impedem que o HIV se multiplique, mas não conseguem retirar o material viral que já está escondido dentro dessas células. Esse conjunto de células infectadas é chamado de reservatório viral.

Quando o tratamento é interrompido, uma dessas células pode voltar a produzir o vírus e reiniciar a infecção. Em geral, isso ocorre em poucas semanas.

A dificuldade aumenta porque o HIV não fica apenas no sangue. Ele também pode permanecer escondido nos gânglios, no intestino, no sistema nervoso e em outros tecidos, que são mais difíceis de examinar.

Quando teremos uma cura acessível para grande parte da população?

Os transplantes provam que é possível alcançar a remissão, mas não podem ser oferecidos como tratamento comum contra o HIV. Eles podem causar infecções graves, rejeição das células, danos a órgãos e até a morte.

Por isso, o procedimento só é indicado para pessoas que precisam dele para combater doenças graves do sangue. Para quem vive com HIV e responde bem aos antirretrovirais, os riscos seriam muito maiores do que qualquer possível benefício.

Os cientistas tentam agora reproduzir os efeitos positivos dos transplantes de forma mais segura. Entre as estratégias estudadas estão anticorpos, medicamentos que reforçam o sistema de defesa e terapias genéticas capazes de tornar as células resistentes ao HIV.

Lewin acredita que uma cura sem transplante será possível. Estudos com anticorpos e medicamentos que estimulam a imunidade já permitiram que alguns participantes mantivessem o vírus controlado após suspender os antirretrovirais.

“Precisamos fazer com que mais pessoas respondam e que esse controle seja melhor e mais duradouro”, afirma.

As terapias genéticas também apresentam resultados promissores, mas ainda principalmente em animais.

Não existe uma previsão segura de quando uma cura simples, de baixo risco e disponível em larga escala chegará à população. Até lá, os antirretrovirais continuam sendo a forma comprovada de manter o HIV indetectável e impedir a transmissão sexual.

Pesquisa mostra que vacinação diminuiu prevalência de HPV entre jovens

O Ministério da Saúde destaca que a vacina é segura e consiste em uma das medidas mais eficazes de prevenção. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press/Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

A prevalência dos principais tipos de HPV caiu quase à metade no Brasil após a vacinação, aponta o maior estudo sobre a eficácia do imunizante já realizado na América Latina.

Dados coletados em 2016 e 2017 mostram que 14,98% dos participantes já tinham sido infectados por pelo menos um dos quatro tipos cobertos pela vacina. Já nas amostras coletadas entre 2020 e 2023, essa proporção ficou em 7,95%.

A pesquisa Pop-Brasil foi realizada pelo Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde. Na primeira fase, foram analisadas amostras de 6.388 participantes não vacinados de ambos os sexos. Já na segunda fase, foram mais de 10 mil participantes, vacinados e não vacinados. As amostras foram coletadas em unidades de saúde.

Nos dois períodos, o foco foram os jovens de 16 a 25 anos, como explica a médica epidemiologista e líder da pesquisa Eliana Wendland:

“Essa faixa etária é a que tem a maior prevalência de HPV, porque é o início da atividade sexual. Essa faixa etária também foi escolhida porque todo mundo ali já deveria ter sido vacinado”

Infelizmente, não foi isso o que aconteceu. Entre as meninas e mulheres da pesquisa, apenas 61,8% estavam vacinadas, e a proporção foi ainda menor entre os participantes do sexo masculino: 31,1%. A taxa de cobertura ideal é de 90%.

Ainda assim, a vacina comprovou o seu potencial. Entre as meninas e mulheres, a prevalência dos tipos de HPV cobertos pelo imunizante foi de 15,6% na primeira fase, quando apenas pessoas não vacinadas participaram da pesquisa. Já na segunda fase, a detecção do vírus entre as participantes vacinadas caiu para 3,1%.

De acordo com Eliana, a pesquisa verificou ainda que o imunizante já foi capaz de produzir um certo “efeito rebanho”:

“Nós também percebemos nas meninas um efeito populacional da vacinação. Mesmo entre aquelas que não foram vacinadas, nós tivemos uma diminuição da prevalência de HPV.”

Isso acontece porque a vacinação em altas coberturas diminui a circulação dos agentes causadores de doença, protegendo indiretamente toda a população. Na parcela de meninas e mulheres não vacinadas, a prevalência dos quatro tipos de HPV combatidos pela vacina foi de 10,5% na segunda fase da pesquisa.

Já entre os homens, a prevalência desses subtipos do vírus caiu de 13,8% para 4,6% entre os vacinados, mas não houve mudança estatisticamente significativa entre os participantes não vacinados da segunda fase. De acordo com Eliana, a explicação é a baixa cobertura vacinal desse público.

“Esse achado não é inesperado, uma vez que os meninos costumam receber menos incentivo à vacinação contra o HPV do que as meninas, em parte porque o vírus ainda é amplamente percebido como uma causa predominantemente do câncer do colo do útero“, destaca a prévia do artigo que será publicado na revista npj Vaccines com os resultados da pesquisa.

Vacinação eficaz

Outro dado reforça o poder e a importância da vacina é que, entre as duas fases da pesquisa, a prevalência geral de HPV na população, considerando todos os subtipos existentes, subiu de 46,7% para 56,6%, ao contrário do que aconteceu com os quatro subtipos combatidos pelo imunizante.

A pesquisa também encontrou evidências de que o esquema atual oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de apenas uma dose, é eficaz, porque não encontrou diferença na prevalência do vírus comparando pessoas vacinadas com uma, duas ou três doses.

A vacinação contra o HPV pelo Sistema Único de Saúde começou em 2014, apenas com meninas, mas passou a englobar também os meninos a partir de 2017, com algumas mudanças na faixa etária ao longo dos anos. Em 2024, o esquema básico mudou de duas doses para uma.

Hoje, o público-alvo são todas as crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de alguns públicos adultos vulneráveis, como imunossuprimidos, vítimas de violência sexual, usuários de profilaxia pré-exposição para prevenção do HPV e pessoas que já tiveram lesões precursoras no colo do útero.

O HPV, sigla para papilomavírus humano, é o principal causador do câncer do colo do útero, mas também pode provocar a doença em outros órgãos como pênis, ânus e garganta. Nem todo subtipo do vírus têm potencial cancerígeno, mas a vacina disponível no sistema público protege contra os quatro principais tipos oncogênicos.

Pernambuco receberá mais de 20 mil tubetes de insulina glargina para pacientes do SUS

Pernambuco vai receber mais de 20 mil tubetes de insulina glargina /Foto: Divulfação

Pernambuco receberá 20.563 tubetes de insulina glargina e 5.618 canetas reutilizáveis para aplicação do medicamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A distribuição faz parte da transição gradual promovida pelo Ministério da Saúde para substituir a insulina NPH pela glargina em grupos específicos de pacientes com diabetes.

Segundo o Ministério da Saúde, o medicamento será destinado a pessoas de 2 a 18 anos incompletos com diabetes tipo 1 e a pacientes com 70 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou tipo 2, após avaliação clínica e prescrição médica. A entrega dos insumos aos estados está prevista para os próximos dias, com a expectativa de que toda a distribuição nacional seja concluída até o fim do mês.

A insulina glargina é considerada uma opção de ação prolongada e, em muitos casos, pode ser aplicada uma vez ao dia. A mudança busca proporcionar maior estabilidade no controle da glicemia e reduzir episódios de hipoglicemia, contribuindo para a continuidade do tratamento.

O acesso ao medicamento será feito pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). O paciente ou seus responsáveis devem procurar a unidade de referência com a receita médica emitida e carimbada. A equipe de saúde fará a avaliação do caso e, quando indicada, realizará a substituição da insulina NPH pela glargina.

Além do medicamento, os pacientes receberão uma caneta reutilizável para aplicação, com validade de três anos, e as agulhas necessárias para o uso. As unidades também deverão orientar sobre a técnica correta de aplicação e o armazenamento da insulina.

A mudança integra uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), iniciativa que permite a produção nacional do medicamento e busca ampliar a segurança no abastecimento do SUS. A transição para a nova insulina será feita de forma gradual na atenção primária em todo o país.

SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento no país/Agência de Notícias da Aids/Divulgação

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a transferência de tecnologia para produzir o principal remédio utilizado para o tratamento do HIV no Brasil, o antiretroviral dolutegravir, que é distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento no país.

O medicamento foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa de pesquisa para prevenção e tratamento para HIV pertencente à biofarmacêutica GSK. Em 2020, ambas assinaram um contrato com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fiocruz para nacionalizar progressivamente a produção do remédio e distribuí-lo ao SUS.

Desde então, Farmanguinhos vem realizando investimentos para adaptar sua planta fabril, adquirir novos equipamentos, capacitar seus profissionais e promover estruturação técnica, regulatória e operacional para garantir a internalização da produção. Este processo acaba de ser concluído, e o início do fornecimento ao SUS depende apenas da liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Desde 2022, o instituto da Fiocruz já faz a distribuição para o SUS dos remédios produzidos em fábricas da GSK. Mais de 739 milhões de cápsulas já foram fornecidas para a saúde pública desta forma. Em 2025, Farmanguinhos também assumiu as análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento.

Três lotes do remédio já foram fabricados e validados pelo instituto e poderão ser distribuídos para o SUS, assim que a liberação da Anvisa for expedida. Paralelamente, o instituto trabalha na validação da metologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo.

O acordo de transferência de tecnologia inclui mais uma etapa: a internalização da produção do dolutegravir em combinação com outra substância, a lamivudina. Esse formato também é distribuído pelo SUS. A expectativa é que essa produção comece a ser feita por Farmaguinhos no ano que vem.

Medicamento recomendado pela OMS

Dolutegravir é um dos principais medicamentos utilizados no tratamento para HIV em todo o mundo. Ele age inibindo a enzima integrase, o que impede a replicação do vírus dentro das células de defesa do organismo. Além de ser altamente eficaz, reduzindo a carga viral a níveis indetectáveis, ele melhora a imunidade e impede a progressão para a AIDS, com poucos efeitos colaterais.

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o medicamento como opção preferencial para tratamento de primeira e segunda linha em todas as populações, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar.

Pernambuco registra mais de 9 mil picadas de escorpião em seis meses; média é de 51 casos por dia

Picadas de escorpião saltam 163% em 10 anos no Brasil; saiba o que fazer

Um perigo silencioso que pode estar escondido dentro de sapatos, em pilhas de entulho ou em outros locais das residências, a picada de escorpião pode provocar desde dor intensa até a morte, principalmente entre crianças e idosos, grupos mais suscetíveis ao envenenamento sistêmico grave.

Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), 9.125 pessoas foram picadas por escorpiões entre janeiro e junho de 2026. O número representa uma média de quase 51 casos por dia. Em comparação com o mesmo período de 2025, houve uma redução de 94 ocorrências, já que, no ano passado, foram registrados 9.219 casos nos seis primeiros meses do ano.

Apesar da leve queda no comparativo semestral, um recorte dos últimos três anos mostra tendência de aumento nos registros. Em 2025, Pernambuco contabilizou 19.608 casos; em 2024, foram 15.884; e, em 2023, 15.703 ocorrências.

As picadas de escorpião representam maior risco para crianças, idosos e gestantes, que devem procurar atendimento médico imediatamente após o acidente.

Para os demais pacientes, a necessidade de atendimento dependerá da intensidade da dor e do surgimento de sintomas como febre, inchaço e mal-estar. Outra orientação é evitar a automedicação, pois alguns medicamentos podem mascarar sintomas ou agravar o quadro.

SUS volta a aplicar duas doses de reforço da vacina contra a pólio

Crianças recebiam três doses da vacina injetável conta a poliomielite e, depois, duas doses de reforço com a vacina oral/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A partir de agosto, todas as crianças de 4 anos vão receber mais uma dose de reforço da vacina contra a poliomielite. Com isso, o Sistema Único de Saúde (SUS) volta a oferecer o esquema que era feito até 2024, mas agora exclusivamente com a vacina injetável.

Até aquele ano, todas as crianças recebiam três doses da vacina injetável, feita com o vírus inativado. E, posteriormente, duas doses de reforço com a vacina oral, de vírus enfraquecido, a famosa gotinha.

No entanto, como em situações muito raras, o vírus atenuado da vacina oral pode sofrer mutações e provocar a doença, o Ministério da Saúde decidiu utilizar exclusivamente a vacina injetável, suprimindo a segunda dose de reforço.

Com a mudança mais recente, o esquema volta a ser:

  • Três doses aos 2, 4 e 6 meses para conferir proteção básica;
  • Duas doses de reforço aos 15 meses e aos 4 anos de idade, para complementar a prevenção.

Nas cinco ocasiões serão aplicadas a vacina inativada injetável. Todas as crianças menores de 5 anos que não tiverem recebido as cinco doses devem ser levadas ao posto de saúde para verificar a necessidade de atualização vacinal.

A mudança no esquema de vacinação foi decidida após reunião da Câmara Técnica Assessora em Imunizações e comunicada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) em uma nota técnica na semana passada. Ela passa a valer a partir do dia 3 de agosto.

A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBI), Isabela Ballalai, explica que o reforço é necessário porque a proteção conferida pela vacina cai com o passar do tempo. Logo, as doses adicionais garantem que ela permaneça alta.

“A pólio está controlada entre nós. No entanto, a situação mundial vem apresentando surtos localizados que preocupam e aumentam o risco de chegar ao país. Então é melhor manter o esquema de dois reforços. Este é o padrão da Organização Mundial de Saúde”, complementa.

Ainda de acordo com Isabela Ballalai, a vacina é recomendada aos menores de 5 anos porque essa é a faixa etária que têm maior risco de desenvolver quadros graves após a infecção pelo vírus. No entanto, em situações de surto, os adultos também podem ser vacinados.

O Brasil não registra casos de poliomielite há 37 anos e em 1994 recebeu o certificado de área livre de circulação do vírus. No entanto, apesar de estar erradicado em grande parte do globo, o vírus da polio ainda circula em alguns países e a vacinação é a única forma de prevenir a doença e evitar que ela volte a causar surtos, como foi no passado.

Entre os anos de 1968 e 1989 o Brasil registrou mais de 26 mil infecções por pólio. Geralmente o vírus causa sintomas leves, mas ele pode atingir o sistema nervoso central e causar paralisia e morte. Por isso, a poliomielite também é chamada de “paralisia infantil”.

Epidemia de ebola se propaga rapidamente no Congo, alerta OMS

Vista geral do cemitério de Nyamurongo, localizado no bairro de Ndibakodu, República Democrática do Congo/Jospin Mwisha / AFP

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta sexta-feira (19) que a epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) se propaga rapidamente, apesar do aumento dos esforços para combater o vírus.

Segundo a OMS, as equipes de saúde ainda correm contra o tempo para enfrentar o agravamento da situação no nordeste do país.

“O surto continua grave” e está “evoluindo muito rápido“, declarou Marie-Roseline Belizaire, responsável por emergências para a África na OMS, que alertou para uma “transmissão acelerada“.

O surto foi declarado em 15 de maio, embora a transmissão da rara cepa Bundibugyo do vírus tenha passado despercebida durante algum tempo.

De acordo com o último relatório da OMS, até agora foram confirmados 896 casos na RDC, incluindo 232 mortes, com 21 novos casos registrados nas últimas 24 horas.

O surto se concentra na província de Ituri, assolada pelo conflito, que acumula mais de 90% dos casos conhecidos, embora também tenha se espalhado para as províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul.

Belizaire afirmou que a epidemia avança com tanta rapidez que as equipes são obrigadas a acelerar a resposta para não perder o ritmo.

No entanto, houve aumento da disponibilidade de leitos de tratamento para pacientes com ebola, de zero para mais de 500.

As equipes de vigilância agora investigam quase 400 alertas diários e podem realizar mais de 2.000 testes por dia.

Também foram intensificados os esforços para rastrear os contatos de casos conhecidos, que já alcançam 75% do total.

A OMS indicou que é necessário localizar 95% dos contatos para controlar o surto.

O ebola se propaga por contato próximo com fluidos corporais infectados, e uma melhor detecção permite que as equipes de resposta realizem enterros seguros e dignos, reduzindo, assim, o “risco muito elevado” associado ao manejo de corpos infectados por familiares.

Vacina da Covid reduz risco de infarto e AVC em idosos, aponta estudo

Vacina da Covid reduz risco de infarto e AVC em idosos, aponta estudo

Da Folha de São Paulo

Estudo publicado na última segunda-feira (15) no JAMA Internal Medicine mostrou que a vacina atualizada contra a Covid-19 reduziu em cerca de 38% o risco de eventos cardiovasculares graves associados à doença, como infarto, AVC (acidente vascular cerebral), insuficiência cardíaca e morte com origem cardiovascular, em comparação a pessoas que receberam apenas a vacina da gripe.

Os pesquisadores do Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos e da Universidade Washington em St. Louis analisaram os prontuários eletrônicos de mais de 1 milhão de veteranos de guerra americanos que receberam a vacina contra gripe entre setembro e dezembro de 2024.

Desse total, 349.085 tomaram também a vacina contra Covid no mesmo dia. Essa comparação, segundo a pesquisa, foi feita para reduzir o “viés do vacinado saudável”, que pressupõe que pessoas que se vacinam tendem a ter comportamentos de saúde melhores em geral.

Os participantes receberam as formulações 2024-2025 das vacinas Moderna (65,4%) e Pfizer-BioNTech (34,1%), entre outras, como Novavax (0,5%). O estudo foi financiado pelo Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA, e os autores declararam não ter conflito de interesses.

Os participantes foram acompanhados por até oito meses. Durante esse período, os pesquisadores registraram quatro desfechos cardiovasculares graves relacionados à Covid: morte por evento cardiovascular, infarto agudo do miocárdio, AVC e internação por insuficiência cardíaca.

Os resultados mostram que o benefício foi especialmente significativo entre pessoas com mais de 75 anos, grupo com queda de 50,7% dos eventos cardiovasculares.

Nos demais grupos os resultados não foram estatisticamente significativos, ou seja, não é possível afirmar com segurança que a vacina da Covid protegeu essas faixas etárias contra episódios cardiovasculares. A média de idade dos participantes era de 70 anos.

De acordo com o estudo, a cada 10 mil pessoas vacinadas, dois eventos cardiovasculares graves associados à Covid foram evitados, em comparação ao grupo que não tomou a vacina. Os pesquisadores destacam que, ao considerar todos os eventos cardiovasculares -não apenas os confirmadamente ligados à Covid-, o número sobe para cerca de 24 eventos evitados para cada 10 mil pessoas.

Em uma população de 1 milhão de pessoas, os autores estimam que a vacinação poderia evitar cerca de 1.580 mortes e 2.370 eventos cardiovasculares adversos em oito meses.

O estudo enfatiza que a eficácia relativa da vacina foi estatisticamente significativa nos subgrupos com e sem comorbidades. Ainda assim, o benefício absoluto foi substancialmente maior em indivíduos com doenças pré-existentes, como doença cardiovascular, doença renal crônica, doença pulmonar crônica, diabetes e imunossupressão.

Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que essa projeção deve ser interpretada com cautela, dado o caráter observacional do estudo e o fato de ter sido realizado apenas com veteranos americanos, uma população predominantemente branca, masculina e com idade avançada.

Os autores também pontuam que a eficácia da vacina atual é menor do que a registrada nos primeiros anos da pandemia, o que atribuem à evolução do vírus, à imunidade adquirida por infecções anteriores e à maior dificuldade de detectar infecções em um cenário em que os testes são realizados com menos frequência.

Por que a vacina protege o coração?
A pesquisa indica que a infecção pelo SARS-CoV-2 desencadeia processos inflamatórios e de coagulação que danificam os vasos sanguíneos e aumentam o risco de formação de trombos, que são coágulos que podem provocar infarto ou AVC. Ao reduzir a gravidade da infecção, a vacina reduz esses mecanismos de dano vascular.

Os pesquisadores alertam, ainda, que o benefício sobre eventos cardiovasculares de outras causas foi muito maior do que o observado nos casos comprovadamente associados à Covid. Para os autores, isso indica que uma parcela significativa das complicações cardiovasculares provocadas pelo vírus ocorre em pessoas que não chegam a testar positivo para a doença.

Secretaria de Saúde de SP investiga novo caso suspeito de ebola

Até o momento, não há confirmação laboratorial de doença pelo vírus ebola. As análises estão sendo conduzidas pelo Instituto Adolfo Lutz/PABLO JACOB/GOVERNO DE SP

Um novo caso suspeito de ebola está sendo investigado pela Secretaria de Estado da Saúde e pelo Centro de Vigilância Epidemiológica Professor Alexandre Vranjac (CVE-SP).

Segundo a secretaria, a paciente é uma brasileira de 31 anos que esteve recentemente a trabalho na província de Kivu do Norte, no leste da República Democrática do Congo. O país passa por um surto da doença, classificado pela Organização Mundial da Saúde como de importância internacional.

Ela desembarcou no Brasil no dia 6 de junho e nesta terça-feira (9) começou a apresentar sintomas como diarreia e febre, procurando um serviço particular de saúde. Nesta madrugada (10), ela foi transferida para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas (IIER), referência nacional para casos suspeitos ou confirmados da doença.

Segundo a secretaria, a paciente está estável e permanece em leito de isolamento, seguindo os protocolos de biossegurança previstos para esse tipo de situação. Um teste rápido para malária já foi realizado, que deu resultado negativo.

Até o momento, não há confirmação laboratorial de doença pelo vírus ebola. As análises estão sendo conduzidas pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL).

Este é o segundo caso suspeito de ebola no estado de São Paulo. O primeiro caso, referente a um homem de 37 anos procedente da República Democrática do Congo, foi investigado e descartado para ebola.

As análises para esse paciente detectaram a presença de uma bactéria causadora da meningite meningocócica. Segundo a secretaria, esse paciente segue internado no Emílio Ribas, com evolução favorável do quadro de saúde.

Ebola

A doença pelo vírus ebola é uma grave infecção transmitida de pessoa para pessoa. A infecção ocorre por contato direto ou indireto com sangue, fluidos corporais ou secreções (fezes, urina, saliva, sêmen) de pessoas infectadas, mas somente quando estas apresentam sintomas. O vírus não é transmitido pelo ar.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a doença geralmente apresenta alta taxa de mortalidade, mas no atual surto de ebola, essa taxa varia entre 55% e 60%.

O vírus ebola surgiu pela primeira vez em 1976 em uma aldeia próxima ao rio Ebola, na República Democrática do Congo (antigo Zaire). Desde sua detecção, vários surtos da doença ocorreram em diferentes partes da África.

Até este momento, não houve confirmação de casos de ebola no Brasil.

Investigação sobre vacina contra dengue do Burantan não tem prazo para ser concluída, diz governo

Vacina contra a dengue do Instituto Butantan/Walterson Rosa/MS

Não há prazo definido para que a investigação que envolve a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan seja concluída, afirmaram representantes do Ministério da Saúde, em coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (8).

O imunizante teve a aplicação suspensa temporariamente pelo governo federal após três pessoas apresentarem reações graves, com internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Duas vieram a óbito.

Segundo o Ministério da Saúde, enquanto rapidez nas análises é cobrada, o processo seguirá os protocolos de segurança e farmacovigilância adotados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O número de cidades que receberam a vacina durante a campanha, iniciada em janeiro deste ano, não foi divulgado.

Ao todo, segundo dados repassados pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), foram aplicadas 501.044 doses da vacina entre janeiro e 30 de maio deste ano.

Casos Graves

De acordo com o Ministério da Saúde, foram identificadas 3.703 notificações de pessoas que apresentaram sintomas similares aos da dengue após a vacinação.

Entre esses registros, 42 casos apresentaram sinais de alerta, como dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos, tendo três casos chamado a atenção das autoridades sanitárias e passado a ser investigados.

Caso 1

Mulher, de 39 anos, apresentou febre, mialgia e náuseas seis dias após receber a vacina, evoluindo para sintomas de dengue grave, com choque e necessidade de UTI. Recebeu alta.

Caso 2

Mulher, de 48 anos, desenvolveu sintomas de dengue grave, com comprometimento neurológico (meningoencefalite) 19 dias após a vacinação. Foi a óbito.

Caso 3

Homem, de 58 anos, iniciou quadro febril cinco dias após a vacinação, evoluindo rapidamente para sintomas de dengue grave, com choque refratário. Foi a óbito.

Confira o pronunciamento do Instituto Butantan:

“O Instituto Butantan informa que, seguindo orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, a vacinação contra a dengue será, de maneira preventiva, temporariamente interrompida para reavaliação da estratégia vacinal.

No momento, profissionais de saúde estavam sendo vacinados. A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação.

O Instituto Butantan mantém seu compromisso e rigor absoluto com a ciência e a saúde da população e irá seguir trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados. Cabe ressaltar que a vacina teve eficácia global de 79,6% e 89% contra a dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população.

O Instituto Butantan, como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada em breve, com toda a tranquilidade para a população atendida pelo SUS. O Instituto Butantan reafirma seu compromisso de entregar produtos seguros e eficazes para enfrentamento de problemas de saúde pública brasileira pelo SUS.”

No epicentro do ebola, profissionais de saúde trabalham com pouca remuneração e quase sem descanso

Um profissional de saúde desinfeta uma ambulância no centro de tratamento de Mongbwalu que transportou um paciente com suspeita de ebola em Mongbwalu, no Congo, na sexta-feira, 5 de junho de 2026 — Foto: AP/Moses Sawasawa

O Dr. Richard Lokudu, diretor médico do Hospital Geral de Referência de Mongbwalu, recebeu pouca ou nenhuma compensação pelo trabalho que realiza na linha de frente de um dos surtos mais letais de ebola já registrados no Congo.

Lokudu e vários de seus colegas passam o dia inteiro no hospital atendendo um fluxo crescente de pacientes. As notificações de casos suspeitos chegam até mesmo tarde da noite.

“Não recebi minha ajuda de custo e o que aconteceu com outras pessoas também pode acontecer comigo”, disse Lokudu à Associated Press. “Apesar de todas as medidas de prevenção e controle de infecções que estamos implementando, não sabemos o que pode acontecer.”

As autoridades de saúde acreditam que o surto, que pegou a região leste do Congo de surpresa após se espalhar silenciosamente por semanas sem ser detectado, começou na movimentada área de mineração de Mongbwalu, na província de Ituri.

Mineração favorece a disseminação do vírus

Mongbwalu tornou-se o epicentro da rara variante Bundibugyo do ebola.

A cidade atrai grande número de trabalhadores que atuam em minas de ouro, cercadas por poças lamacentas, galerias estreitas e cavernas. Eles vivem em áreas de baixa renda, incluindo acampamentos superlotados, e têm pouco acesso a protocolos adequados de saúde.

Essas condições aumentam a possibilidade de transmissão da doença, que se espalha por meio do contato próximo com fluidos corporais de pessoas doentes ou falecidas, como suor, sangue, fezes e vômito.

Também há um ceticismo generalizado em relação à doença, o que dificulta ainda mais o trabalho de Lokudu e seus colegas. Alguns profissionais de saúde e equipes de resposta já morreram em decorrência da infecção.

“Uma coisa é estar longe e ouvir as estatísticas sendo divulgadas; outra é ver o que está acontecendo no terreno, que é enorme”, afirmou Lokudu. “As pessoas estão sacrificando seu descanso e conforto por essa causa. Deve haver reconhecimento de que elas merecem ser remuneradas. Esses trabalhadores deveriam receber seus salários regularmente.”

O governo congolês não respondeu a um pedido de comentário da AP.

Recursos mínimos disponíveis

As autoridades congolesas divulgaram novos números no domingo, informando que havia 488 casos confirmados e 86 mortes até sexta-feira (5). Na quinta-feira, o país registrou 71 novos casos em apenas um dia, o que, segundo as autoridades, é um sinal de “transmissão comunitária ativa”.

Na vizinha Uganda, foram confirmados 19 casos e duas mortes.

A variante Bundibugyo não possui vacinas nem tratamentos aprovados, por isso os profissionais de saúde têm se concentrado no tratamento dos sintomas. O governo informou que pelo menos cinco pessoas se recuperaram da doença desde que o surto foi oficialmente confirmado pelo Ministério da Saúde do Congo, em 15 de maio.

Segundo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, a doença “teve uma grande vantagem inicial”. Os hospitais da região não conseguiam testar corretamente o tipo de ebola que já circulava havia várias semanas antes da confirmação oficial.

Os profissionais de saúde estão lidando com a doença com recursos mínimos, enquanto organizações humanitárias correm para levar ajuda à região. Máscaras, luvas, botas e medicamentos estiveram em falta nos primeiros momentos do surto.

“Houve uma deterioração do sistema de saúde”, afirmou Heather Kerr. “Não houve investimento suficiente no sistema de saúde, e isso acontece há anos.”

Condições dos profissionais de saúde

“Durante a primeira semana, nem sequer tivemos tempo de voltar para casa para comer. Na segunda semana foi a mesma coisa. Comemos apenas uma vez por dia, o equivalente ao café da manhã, mas à noite”, contou Alice Bamuhinga, enfermeira do hospital de Mongbwalu.

Mesmo com o ceticismo generalizado e o descumprimento de protocolos sanitários, muitos moradores da cidade estão começando a perceber a gravidade da situação.

Asero Jeanne, de 52 anos, tinha cinco filhos. Dois deles morreram da doença em um intervalo de apenas duas semanas. Quando sua filha adoeceu, a família acreditou que fosse malária, e vizinhos recomendaram que evitassem o hospital, dizendo que “qualquer pessoa que fosse para lá morreria imediatamente”, relatou Jeanne.

A filha morreu após três semanas alternando entre hospitais e a própria casa. Dias depois, um filho também faleceu. Em seguida, Jeanne adoeceu.

“Vi cerca de 20 pessoas morrerem”, disse ela. “Vi todas sendo levadas ao necrotério, mas Deus está permitindo que eu saia daqui viva. Sou grata aos médicos.”

ONU apresenta plano de combate

Na sexta-feira, Tedros lançou um plano de US$ 518 milhões para combater o surto, afirmando que “conter o ebola depende de compromisso político, financiamento sustentável e da confiança e participação das comunidades”.

Os esforços para conter a doença também foram prejudicados pelo conflito entre o governo congolês e o grupo rebelde M23, apoiado por Ruanda, além de ataques promovidos por militantes islâmicos.

Para os profissionais que atuam na linha de frente do surto, o trabalho se tornou ainda mais difícil à medida que a doença se espalha mais rapidamente do que a capacidade atual de atendimento.

“Apesar dos alertas que recebemos e das equipes que temos disponíveis, não temos meios para nos deslocar até o campo”, afirmou Lokudu. “Como resultado, há alertas que não conseguimos investigar.”

Secretaria de Saúde alerta para baixa adesão à vacinação contra influenza em Afogados

18ª Campanha Nacional de Vacinação Contra Influenza | Prefeitura Municipal  de Vacaria.

Durante o Debate das Dez, dentro do Manhã Total desta segunda-feira (01), na Rádio Pajeú, o secretário de Saúde de Afogados da Ingazeira, Artur Amorim, demonstrou preocupação com a baixa adesão dos grupos prioritários à campanha de vacinação contra a influenza no município.

Segundo o secretário, a cobertura vacinal está em 72%, abaixo da meta de 90% estabelecida para idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas. A baixa procura desses públicos tem dificultado o avanço da estratégia de imunização para a população em geral.

Artur Amorim informou ainda que a Secretaria de Saúde deverá ampliar a vacinação para todos os públicos nos próximos dias, dependendo da chegada de uma nova remessa de vacinas ao município.

Casos suspeitos de ebola em SP e no Rio têm diagnóstico de meningite e malária, mas doença segue sob investigação

Testes — Foto: IOC-Fiocruz

Dois casos suspeitos de ebola no Brasil tiveram diagnósticos para meningite e malária neste sábado (30), mas a doença segue sob investigação.

Os pacientes são homens que passaram recentemente pela República Democrática do Congo e por Uganda, os únicos países com casos de ebola.

Eles apresentaram sintomas para doenças infecciosas, foram isolados em hospitais das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro e seguem monitorados pelas autoridades de saúde.

O paciente em São Paulo, que testou positivo para meningite, é um imigrante da República Democrática do Congo e foi internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. A suspeita de ebola não foi descartada porque exames específicos só devem ficar prontos na segunda-feira (1º).

No Rio de Janeiro, o caso de um viajante belga que esteve em Uganda está sendo investigado pela Secretaria Municipal de Saúde, pela Secretaria de Estado de Saúde e pelo Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz.

HPV leva a 7,5 mil mortes anuais por câncer no Brasil

Vacinação contra HPV e exame Papanicolau são principais armas contra tumor no colo do útero/Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os cânceres causados por HPV provocaram cerca de 7,5 mil mortes e 29 mil hospitalizações anuais no Brasil, e 85% dos afetados são mulheres. A maioria desses casos é considerada prevenível, com a identificação das chamadas lesões precursoras, que podem ser tratadas antes que se tornem câncer e, principalmente, com vacinação.

Os dados fazem parte de um estudo publicado na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics, que analisou dados oficiais do Ministério da Saúde. O objetivo foi identificar as tendências de hospitalização e mortalidade, por isso a análise englobou o período de 2011 a 2019, anterior à pandemia de covid-19, que impactou diversos indicadores de saúde.

De acordo com a líder do estudo, a diretora executiva de Pesquisa de Dados de Mundo Real da farmacêutica MSD, Cintia Parellada, um dos destaques é o alerta a respeito dos diversos tipos de câncer que o HPV pode causar. Para chegar aos resultados, os pesquisadores coletaram todas as ocorrências e estimaram quantas foram causadas pelo vírus, considerando as proporções consolidadas pela literatura médica.

O câncer de colo do útero permanece como a maior preocupação, correspondendo a 74,3% das hospitalizações e 77,3% das mortes ocorridas no período analisado. Mas isso significa que um a cada quatro pacientes desenvolveu a doença em outro local, somando mais de 50 mil hospitalizações.

“O foco no colo do útero pode passar uma falsa percepção de que só a mulher tem que se vacinar. Mas, na verdade, o HPV é responsável por oito tipos de cânceres, que atingem mulheres e homens: colo do útero, vagina, vulva, ânus e pênis, e orofaringe, laringe e cavidade oral, que são os cânceres de cabeça e pescoço“, complementa a diretora executiva.

O câncer anal foi o tipo que apresentou maior aumento nas ocorrências, de 3,1% nas hospitalizações e de 10,9% na mortalidade. Homens que fazem sexo com homens e pessoas imunosuprimidas são especialmente vulneráveis.

Cintia também chama a atenção para o fato dos cânceres de cabeça e pescoço acometerem quatro vezes mais homens do que mulheres.

“Nos países que já conseguiram atacar o problema do câncer do colo do útero, o problema do HPV está maior nos homens por causa disso. E nesse tipo de câncer não existe lesão precursora que possas ser tratada. A prevenção é apenas a vacinação“, alerta a médica.

O estudo também mostra uma tendência preocupante com relação ao câncer do colo do útero. De 2011 a 2016, as hospitalizações caíram 4,7%, mas, de 2016 a 2019, o movimento foi o inverso, com crescimento de 3,9%. A mortalidade apresentou o mesmo padrão, com queda de 0,7% no primeiro período e alta de 1,5% no segundo.

Outro dado preocupante vem da análise etária. Enquanto todos os outros tipos começam a ter maior incidência a partir dos 40 ou 50 anos, no caso do câncer de colo do útero, as hospitalizações já são expressivas a partir dos 30. A a média de idade das pacientes é de 47 anos, pelo menos dez a menos do que nos outros tipos de câncer. A idade média das pessoas que morreram pela doença também é menor: 56 anos.

“Hoje o câncer do colo do útero é o câncer que mais mata mulheres em idade reprodutiva e é o que tem maior nível de incidência [nessa faixa etária]. A gente sabe que apenas 40% das mulheres fazem o papanicolau de maneira periódica como é recomendado. Então, elas são diagnosticadas quando já têm um tumor invasivo”, reforça Cintia.

O papanicolau ou exame preventivo é o procedimento ginecológico que deve ser feito periodicamente para detectar a presença do HPV ou de lesões precursoras no colo uterino, possibilitando que a paciente seja acompanhada com mais cautela ou receba o tratamento, em caso de lesões, evitando que elas evoluam para câncer.

No ano passado, o Ministério da Saúde atualizou as diretrizes para esse exame de rastreamento. Agora, todas as mulheres e outras pessoas com útero, entre 25 e 64 anos, devem fazer o teste DNA-HPV oncogênico, que detecta não somente a presença do vírus, como também identifica de que tipo ele é, já que apenas alguns tem potencial cancerígeno.

Em caso negativo, o exame só precisa ser repetido depois de cinco anos. Em caso positivo, a paciente deve ser encaminhada para outros exames, para confirmar ou descartar lesões ou o câncer já instalado, e realizar o tratamento. As autoridades de saúde acreditam que, com rastreamento organizado, tratamento oportuno e vacinações com alta cobertura, o câncer de colo do útero pode ser eliminado em 20 anos.

Cintia Parellada reforça que apesar dos desfechos agressivos, este é um tipo de câncer que oferece grande oportunidade de prevenção. “Depois que uma pessoa se infecta, ela demora dois anos para ter a lesão precursora. E da lesão precursora até o câncer, esse caminho pode ser de dez anos.”

Por outro lado, isso também demonstra a importância da vacinação precoce. “Uma pessoa que começou a atividade sexual com 15 anos, quando ela chega nos 30, já pode ter o câncer do colo do útero“, alerta.

A vacina contra o HPV foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2014, e estudos já mostram que ela ajudou a reduzir a incidência de câncer e das lesões precursoras. No entanto, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta que mais de 19 mil novos casos serão diagnosticados por ano no país, durante o período 2026-2028, um aumento de 14% em comparação ao triênio anterior.

A vacina é recomendada a todas as crianças e adolescentes, de 9 a 14 anos, porque sua eficácia é maior se for tomada antes do início da vida sexual. O Ministério da Saúde está com uma campanha vigente de resgate vacinal para todos os jovens de até 19 anos que não foram vacinados na idade correta.

Além disso, também devem receber a vacina: pessoas imunodeprimidas, vítimas de abuso sexual, pessoas com papilomatose respiratória recorrente, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e pacientes que já tiveram lesões pré-cancerosas de alto grau. Para outros públicos, a vacina está disponível em serviços privados de saúde.