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Em mensagens, Castro e Vorcaro se chamavam de “amigo” e “irmão”

O relatório da Polícia Federal sobre a investigação da RioPrevidência reproduz conversas entre o ex-governador Cláudio Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro em que eles se chamavam de “irmão” e de “amigo”.

As trocas de mensagens, recuperadas pela força policial no telefone celular do empresário preso, mostram que Vorcaro elogiava o talento musical do então governador, como em uma apresentação de Ação de Graças, em 2024.

Na época, Castro, que é autor de dois álbuns de canções católicas, viralizou nas redes sociais com uma versão da música “Sou um Milagre“, da banda Voz da Verdade.

“Canta demais. Arrebentou”, elogia Vorcaro.

“Você é meu amigo. Não conta“, responde Castro.

A investigação aponta que a relação entre Castro e Vorcaro era “pessoal e espúria” e que o empresário “geralmente arcava com despesas de eventos para os quais o governador era convidado ou participava”.

Um dos exemplos é uma feijoada, em março de 2025, no Rio de Janeiro, em que Vorcaro convidou Castro.

“Fala meu irmão. Tudo bem? Vamos nos ver essa semana algum dia! Amanhã vou fazer uma feijoada, se puder ir com a esposa”, escreveu Vorcaro.

Castro pediu, então, o endereço do encontro e informou que compareceria. “Fala, irmão. Manda o endereço que vou sim. Te dou um abraço lá”, respondeu.

O documento de 386 páginas, ao qual a CNN teve acesso, detalha conversas e encontros entre Castro e Vorcaro para investimentos do RioPrevidência no Banco Master, o que gerou um rombo financeiro no instituto estadual.

Senadores apresentam PEC alternativa à da Câmara sobre escala 6 x 1

Um grupo de 36 senadores da oposição protocolou no Senado Federal, na madrugada desta quinta-feira (28), uma proposta de emenda à Constituição (PEC) alternativa ao texto aprovado horas antes pela Câmara dos Deputados sobre o fim da escala 6×1.

A proposta, registrada oficialmente como PEC 12/2026, é encabeçada por parlamentares ligados ao setor produtivo e conta com assinaturas de nomes do PL, entre eles o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro.

O texto altera o artigo 7º da Constituição Federal para permitir que definições sobre jornada e escala de trabalho sejam estabelecidas mediante acordo individual entre empregado e empregador, convenção coletiva ou “livre pactuação contratual direta”.

Na prática, a proposta constitucionaliza princípios já previstos na reforma trabalhista de 2017 e se contrapõe ao texto aprovado pela Câmara, que reduz a jornada sem prever alteração proporcional nos salários.

A minuta da PEC, elaborada no gabinete do senador Rogério Marinho, estabelece que o contrato individual poderá prevalecer sobre instrumentos de negociação coletiva em determinadas situações. O texto afirma:

“É garantida a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo individual, convenção coletiva de trabalho ou livre pactuação contratual direta entre empregado e empregador, inclusive por hora trabalhada, prevalecendo o disposto em contrato individual de trabalho sobre os instrumentos de negociação coletiva.”

Outro ponto central da proposta vincula o valor da hora trabalhada ao salário mínimo nacional ou ao piso salarial da categoria de forma proporcional à carga horária exercida. Pela redação apresentada, direitos trabalhistas como férias, 13º salário, FGTS e demais benefícios também passariam a ser calculados proporcionalmente às horas efetivamente trabalhadas.

Na justificativa, os autores afirmam que a proposta busca “ampliar a liberdade e autonomia do trabalhador na escolha de sua jornada de trabalho” e permitir maior flexibilidade nas relações trabalhistas.

Além da apresentação da PEC alternativa, senadores da oposição articulam estratégias regimentais para retardar a tramitação da proposta aprovada pela Câmara no Senado Federal.

Lula diz que fim da escala 6×1 é ‘conquista histórica e civilizatória’

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)/Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada de trabalho 6×1 pela Câmara, na noite da quarta-feira, 27, é uma “conquista histórica e civilizatória“.

“Mais do que horas no relógio, estamos devolvendo aos trabalhadores e trabalhadoras o direito ao convívio com a família. Ao descanso. À vida além do trabalho. As duas folgas semanais significam mais tempo para estudar, se divertir, cuidar da saúde e ver os filhos crescerem“, disse o presidente, em publicação na rede social X, no fim da noite de quarta-feira.

“É uma vitória sobretudo das mulheres que, historicamente e injustamente, enfrentam jornada superior, desigual. Uma medida que só foi possível graças à imensa mobilização da sociedade.“

Lula ainda agradeceu ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e aos “parlamentares que construíram ampla maioria na Câmara”.

“A proposta agora segue para o Senado. Seguiremos trabalhando intensamente pela sua aprovação definitiva“, afirmou o presidente.

A PEC foi aprovada em dois turnos na Câmara, por 472 votos a favor e 22 contrários na primeira votação e 461 a 19 na segunda. Apenas os partidos Novo e Missão recomendaram a rejeição da matéria.

O texto prevê uma transição de até 14 meses para a jornada ser reduzida de 44 para 40 horas semanais e, entre outras mudanças, estabelece dois dias de repouso semanal remunerado um dos quais deve ser preferencialmente aos domingos.

Flávio se encontra com vice de Trump e secretário de Estado dos EUA

Flávio Bolsonaro se encontra com vice de Trump e secretário de Estado | G1

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) se encontrou nesta quarta-feira (27) com o vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance, e com o secretário de Estado do país, Marco Rubio, durante sua viagem a Washington.

Nas redes sociais, Flávio publicou uma foto ao lado de Rubio com a legenda: “Seguimos fortalecendo relações internacionais, defendendo a liberdade, a democracia e os valores que unem milhões de brasileiros e americanos“.

Segundo o pré-candidato do PL à Presidência, o vice-presidente dos Estados Unidos teria perguntado sobre liberdade de expressão e de imprensa no Brasil.

“Foi uma preocupação dele, partindo dele, é o perfil dele. Desde que ele se elegeu vice-presidente. Inclusive, eu lembro no primeiro discurso dele na Europa, foi tratando dessa forma”, afirmou. “A gente apenas atualizou que o governo Lula tinha acabado de publicar dois decretos, que obviamente eram ameaça à liberdade de expressão, o que nos preocupava muito.”

Flávio afirmou que o encontro com Marco Rubio durou cerca de 30 minutos. Ainda segundo o senador, seus encontros com o governo de Donald Trump são prova de que os Estados Unidos estão preocupados “com o que tá acontecendo no Brasil, com os rumos que o país tá tomando, mas obviamente, sem se comprometer”.

Questionado pela CNN Brasil por que a Casa Branca não se manifestou sobre seu encontro com Trump na véspera, Flavio respondeu: “Olha, eu não sei. Eu sei que eu estou muito honrado de, como senador da República, um pré-candidato à Presidência da República, ser recebido pelas mais altas autoridades da maior democracia do mundo”.

Segundo o senador, Trump também decidiu não designar as facções criminosas do Brasil como grupos terroristas a pedido de Lula. “Acho que [foi] em função disso, mas nós pudemos ali externar a importância de que isso acontecesse, porque infelizmente viraram organizações com tentáculos pra fora das fronteiras do Brasil, incluindo Europa, Estados Unidos, e eles têm a consciência disso.“

Integrantes do governo Lula já afirmaram anteriormente que a classicação de facções criminosas como grupos terroristas é uma “plantação” do bolsonarismo, assim como a pressão pelo tarifaço em 2025. Confrontado com a alegação, Flavio não respondeu diretamente, mas disse que Lula não liga para segurança pública e por isso “houve essa intenção de um trabalho em conjunto com os Estados Unidos a partir do ano que vem”.

Plenário da Câmara inicia análise da PEC que põe fim à escala 6×1

Plenário da Câmara/Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O plenário da Câmara iniciou na noite desta quarta-feira, 27, a discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que acaba com a escala de trabalho 6×1. Mais cedo, o relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), que estabelece o limite de 40 horas semanais, foi aprovado por comissão especial.

Maior partido de oposição, o PL anunciou que defenderá um destaque – sugestão – para dar preferência ao texto que define uma carga máxima de 36 horas. A ideia é rejeitada por partidos como PP e União Brasil. Segundo governistas, a sugestão do PL serve como uma forma de tumultuar a votação.

Nunes Marques abre prazo para PGR opinar sobre pedido de revisão da condenação de Bolsonaro

Ex-presidente Jair Bolsonaro /Ton Molina/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques concedeu nesta quarta-feira, 27, prazo de 20 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo da tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro cumpre pena em regime domiciliar por motivos de saúde.

A ação foi protocolada pelos advogados do ex-presidente no dia 8 de maio e busca reverter a condenação. Relator do caso, Nunes Marques afirmou que ampliou o prazo previsto no Código de Processo Penal para o parecer da PGR – de 10 dias – em razão da “complexidade do feito”.

“Diante da complexidade do feito, que envolve o julgamento de ex-presidente da República, entendo necessário estender o prazo previsto para manifestação do Ministério Público Federal”, escreveu.

No pedido apresentado ao STF, a defesa questiona a competência da Primeira Turma da Corte para conduzir o julgamento e alega que o caso deveria ter sido analisado pelo plenário do Supremo.

Entre os pedidos feitos ao STF, estão a anulação integral do processo e a absolvição de Bolsonaro de todos os crimes pelos quais foi condenado: organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União.

Segundo a defesa, não houve demonstração concreta de participação individual de Bolsonaro nem atos executórios que comprovassem tentativa de depor o governo democraticamente eleito com o uso de violência ou grave ameaça.

Os defensores também argumentam que não há provas de autoria, participação, instigação ou vínculo subjetivo de Bolsonaro com os executores dos ataques às sedes dos Três Poderes nos atos de 8 de janeiro de 2023.

O documento, que tem 90 páginas, requer autorização para apresentar e usar todas as provas permitidas pela lei para tentar comprovar os argumentos da defesa no processo.

A revisão criminal é um instrumento jurídico usado para contestar condenações já transitadas em julgado, quando não há mais possibilidade de recurso. A medida é considerada excepcional e depende da demonstração de erro judiciário no julgamento original. No caso do ex-presidente, o trânsito em julgado ocorreu em novembro do ano passado.

Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma da Corte, formada pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Conforme determina o regimento interno do Supremo, a revisão criminal deverá ser julgada pela Segunda Turma, composta por André Mendonça e Nunes Marques, ambos indicados por Bolsonaro, além de Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Luiz Fux.

Eduardo tratou sobre filme com Vorcaro e pediu para enviar ‘máximo’ de recursos aos EUA

Ex-deputado Federal Eduardo Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro/Mário Agra/Câmara dos Deputados e Divulgação

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tratou sobre o financiamento do filme Dark Horse com o banqueiro Daniel Vorcaro dono do Banco Master, por intermediação de Thiago Miranda, sócio do Portal Leo Dias. De acordo com mensagens divulgadas nesta quarta-feira (27) pelo site Intercept Brasil, ele deu orientações sobre como facilitar o envio de dinheiro aos Estados Unidos para a produção sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos“, disse Eduardo em mensagem para Miranda, conforme publicou o site.

“Meu receio é que você seja solícito, bom coração, mas tenha essa dificuldade. Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?“, escreveu.

Eduardo também disse a Miranda que o corretor de Imóveis Altieris Santana estava à disposição para se reunir “com quem quer que seja”. Santana é um dos controladores do Havengate Development Fund LP (fundo sediado no Texas), ao lado advogado Paulo Calixto – ligado a Eduardo.

Parte do valor de R$ 134 milhões negociado para filme entre a família Bolsonaro e Vorcaro foi transferida para esse fundo pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas do dono do Master.

O Intercept Brasil procurou Altieris Santana, Paulo Calixto, Thiago Miranda e a defesa de Daniel Vorcaro, mas não recebeu respostas.

Eduardo está nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, quando foi ao país para tentar uma interferência do governo de Donald Trump no julgamento da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro foi condenado na Corte a 27 anos e três meses de prisão.

A reportagem do Intercept esteve na casa em que o ex-deputado está morando nos EUA. O imóvel está localizado em Southlake, no Texas. O repórter foi atendido na residência por Heloísa, mulher de Eduardo Bolsonaro. Ela disse que o marido não estava em casa e que eles não dariam entrevista.

Na semana passada, Eduardo gravou um vídeo dizendo que havia comunicado à polícia sobre um homem que estava rondando a casa dele.

Ainda segundo o site, a residência tinha um anúncio de aluguel no valor de cerca de R$ 30 mil por mês até fevereiro de 2025. O imóvel, que tem quatro quartos e piscina, pertence o Bunce Family Trust, um fundo familiar privado registrado em nome dos administradores legais Christopher Bunce e Natalie Bunce, desde 2019. Eles não foram localizados pela reportagem.

PF investiga repasses de Vorcaro

Como mostrou o Estadão, a Polícia Federal investiga os acertos de pagamento entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, que pediu dinheiro ao banqueiro para o filme.

Uma das linhas de apuração a ser verificada é se os recursos foram desviados para um fundo sediado no Texas ligado ao ex-deputado e usado para custear a permanência dele no país, já que o STF havia bloqueado contas e dificultado o recebimento de recursos nos EUA.

Ele também reconheceu ter constado como produtor-executivo num contrato antigo com a produtora responsável pelo filme Dark Horse, posição da qual teria saído posteriormente, ao se mudar para os Estados Unidos, limitando-se a ceder os direitos autorais – uma vez que foi representado por um ator no longa.

Escala 6×1: Túlio Gadelha diz que deputados do PL querem “enganar o trabalhador”

Deputado federal Túlio Gadêlha /Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Durante a sessão da comissão especial da Câmara dos Deputados realizada nesta quarta-feira (27), que analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, o deputado federal pernambucano Túlio Gadelha (PSD-PE) afirmou que parlamentares do PL estariam tentando “enganar o trabalhador brasileiro”.

“O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, ontem à noite (26), teve a desfaçatez, a hipocrisia, a cara de pau de dizer que defende a jornada 4×3. Isso é tirar onda com a cara do trabalhador brasileiro. Isso é uma vergonha. Eles estão subestimando a inteligência do povo”, declarou.

De acordo com Gadelha, para quem acompanha a política brasileira de fora, o posicionamento da oposição pode parecer uma reviravolta. “Essa Casa às vezes nos surpreende. Mas temos que ser francos com os trabalhadores. Esses deputados sempre foram contra o trabalhador, contra os direitos trabalhistas”, afirmou.

O deputado também citou falas dos parlamentares Marco Feliciano, Zé Trovão e Julia Zanatta, todos filiados ao Partido Liberal. “Todos com discursos falaciosos, querendo enganar o trabalhador. Isso é uma vergonha. A gente precisa denunciar esses deputados e o que sempre fizeram para atrapalhar um projeto tão importante quanto esse”, disse.

A sessão deve se estender até as 17h. O texto em discussão unifica duas propostas em tramitação e estabelece a redução gradual da jornada de trabalho no país, além do fim da escala em que o empregado trabalha seis dias e folga um.

Escala 6×1: Relator da PEC pede que deputados retirem destaques que acabam com transição

Segundo o relator, deputado Leo Prates, é preciso

O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6×1, deputado Leo Prates (Republicanos-PB), pediu aos deputados Hildo Rocha (MDB-MA), Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara dos Deputados, que retirem os destaques apresentados ao seu substitutivo.

Hildo e Sóstenes querem suprimir do texto o prazo de 60 dias para que a PEC entre em vigor após sua promulgação. Já Melchionna sugere a retirada da parte que prevê que contratos já firmados pela administração pública e dependam diretamente de mão de obra, como serviços terceirizados, tenham de passar por aditivos contratuais para recompor o equilíbrio econômico-financeiro após a redução da jornada de trabalho.

“Nós estamos fazendo, praticamente, sem transição. Nós precisamos ter adequação de arrumação“, declarou Prates durante a sessão da comissão especial que analisa a proposta.

Hugo Motta pauta votação da PEC que põe fim à escala 6×1 para esta quarta (27)

Comissão especial sobre PEC do fim da escala 6x1 /Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), incluiu na pauta do plenário desta quarta-feira, 27, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que acaba com a jornada 6X1 e estabelece um limite de 40 horas semanais. O texto, porém, ainda depende de aprovação de comissão especial.

Na manhã desta quarta (27), Câmara dos Deputados realizou uma sessão no plenário da Casa de apenas 8 minutos para permitir a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala de trabalho 6×1 ainda nesta quarta, na comissão especial que analisa o tema.

A sessão foi aberta às 8h03, pelo deputado Charles Fernandes (PSD-BA), e teve apenas o pronunciamento do deputado Jorge Solla (PT-BA), em defesa da votação da redução da jornada de trabalho. Às 8h11, Fernandes encerrou os trabalhos e convocou outra reunião deliberativa no plenário para às 15h desta quarta-feira.

Embora curta, a sessão serviu para contar o prazo do pedido de vista apresentado pela oposição em relação ao relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) sobre a PEC da escala 6×1. Com isso, o texto pode ser analisado pela comissão especial, em reunião que está prevista para às 10h30.

Pedro Campos articula audiência pública na Câmara para evitar perda de R$ 146 milhões em saneamento no Sertão de Pernambuco

Após Governo de Pernambuco abrir mão de R$ 146 milhões, parlamentar articula junto ao governo federal para investimentos serem garantidos

BRASÍLIA – A Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional (CINDRE) da Câmara dos Deputados realiza, hoje (27/05), audiência pública para debater os recursos da desestatização da Eletrobras voltados para revitalização da Bacia do São Francisco. A reunião, requerida pelo deputado federal Pedro Campos(PSB-PE), tem como objetivo de debater soluções para evitar que Pernambuco perca R$ 146 milhões em investimentos imediatos para obras de saneamento básico em municípios do Sertão e Agreste.

Os investimentos, oriundos do Fundo de Revitalização da Bacia do Rio São Francisco, seriam destinados a obras imediatas em 16 cidades pernambucanas, mas foram cancelados pelo Comitê Gestor do Fundo sob a justificativa de que a concessão dos serviços de saneamento no estado tornaria os investimentos desnecessários.

“Estamos falando de mais de R$ 140 milhões que podem garantir saneamento, saúde e dignidade para o povo pernambucano. Existe mais de R$ 1 bilhão na conta de revitalização do Rio São Francisco destinado justamente para investimentos como esse. Não faz sentido abrir mão desses recursos”, afirmou o parlamentar.

A audiência será realizada no Plenário 15 da Câmara dos Deputados e reunirá representantes do Governo Federal, gestores municipais, órgãos de controle e especialistas para discutir alternativas que garantam a manutenção dos investimentos.

Entre os participantes confirmados estão Giuseppe Vieira, secretário nacional de Segurança Hídrica do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR); José Almir Cirilo, secretário de Recursos Hídricos e Saneamento de Pernambuco; Cláudio Ademar, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF); Samir Felipe, secretário executivo da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas de Sergipe (SEMAC-SE); além do prefeito Sandrinho Palmeira, de Afogados da Ingazeira (PE).

Pedro Campos questionou o desinteresse do governo Raquel Lyra em relação a esses recursos e afirmou que os mesmos podem acelerar a implantação de sistemas de esgotamento sanitário, independentemente da concessão realizada no estado.

Entre os municípios que seriam contemplados estão Petrolândia, com cerca de R$ 18 milhões previstos; Ibimirim, com aproximadamente R$ 26 milhões; e Afogados da Ingazeira, com mais de R$ 25 milhões destinados a obras de saneamento.

O deputado informou que já esteve em reuniões com a Casa Civil e com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional para solicitar a revisão da decisão. Segundo ele, caso os investimentos sejam mantidos com recursos federais, haverá redução da pressão tarifária sobre a população, uma vez que a futura concessionária deixaria de arcar com parte das obras previstas.

“A compensação para o cidadão precisa ser a diminuição da tarifa. Se o investimento já pode ser feito com recurso público disponível, não há justificativa para que essa conta pese no bolso do povo do Sertão”, destacou.

O parlamentar comentou a sua articulação. “O Sertão não pode esperar décadas por obras que já possuem recurso garantido. Estamos mobilizando prefeitos, dialogando com o Governo Federal e cobrando participação do Governo do Estado para impedir esse retrocesso”, concluiu Pedro Campos.

CONFIRA A LISTA CIDADES PERNAMBUCANAS PREJUDICADAS

1. Afogados da Ingazeira – R$ 25,0 milhões
2. Araripina – R$ 2,8 milhões
3. Belém do São Francisco – R$ 13,9 milhões
4. Bodocó – R$ 4,2 milhões
5. Buíque – R$ 6,0 milhões
6. Calumbi – R$ 7,5 milhões
7. Exu – R$ 5,1 milhões
8. Ibimirim – R$ 26,6 milhões
9. Iguaracy – R$ 11,8 milhões
10. Moreilândia – R$ 2,5 milhões
11. Ouricuri – R$ 2,5 milhões
12. Petrolândia – R$ 18,0 milhões
13. Santa Terezinha – R$ 4,4 milhões
14. Sertânia – R$ 2,2 milhões
15. Tabira – R$ 8,0 milhões
16. Trindade – R$ 5,8 milhões

SERVIÇO

Audiência Pública na CINDRE

Em pauta: Recursos da desestatização da Eletrobras voltados para revitalização da Bacia do São Francisco

📍 Plenário 15 – Anexo II da Câmara dos Deputados
🕤 9h30 > 10h40
Transmissão pela página da CINDRE: https://www.camara.leg.br/evento-legislativo/82144

Líder do PL diz que partido votará fim da 6×1 e pedirá escala 4×3

Sóstenes

O líder do PL (Partido Liberal) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que o partido votará nesta quarta-feira (27) pelo fim da escala de trabalho 6×1 e apresentará destaque em defesa da jornada 4×3.

“Já que querem ajudar o trabalhador, eu quero ver amanhã os petistas botando a sua digital. Nós vamos votar o fim da escala 6×1 para aprovar como destaque, de preferência, a jornada de quatro dias trabalhados para o trabalhador descansar três. É isto que amanhã nós apresentaremos ao plenário desta Casa“, disse Sóstenes em discurso na tribuna da Câmara na terça-feira (26).

A comissão especial que discute a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da 6×1 deve votar nesta quarta-feira o parecer do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA). O texto propõe reduzir a jornada atual de 44 horas para 40 horas depois de 14 meses da aprovação da emenda constitucional.

Após uma semana de atraso no cronograma, Prates apresentou seu relatório na última segunda-feira (25). No entanto, um pedido de vista do deputado Mauricio Marcon (PL-RS) adiou a votação.

Para que fossem cumpridas duas sessões em plenário e a votação fosse retomada, a Câmara realizou na manhã de hoje uma sessão de oito minutos.

A reunião foi presidida pelo deputado Charles Fernandes (PSD-BA). Não foram realizadas votações. O deputado Jorge Solla (PT-BA) foi o único a discursar na tribuna da Casa e falou em defesa da redução da jornada de trabalho.

A ideia é que uma vez analisada na comissão especial, a matéria siga para votação no plenário da Câmara ainda hoje.

Erika Hilton critica decisão do PL

Autora da proposta que reduz a jornada de trabalho, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) criticou à CNN Brasil a mudança de posição do PL.

“É mais uma manobra do partido que foi o tempo todo contrário à matéria e trabalhou para não avançar o texto“, declarou Erika.

A parlamentar ressaltou que os deputados de oposição têm sido cobrados pela sociedade sobre o assunto e que se trata, na visão dela, de uma “tentativa de limpar a própria barra”.

“Vamos ver se manterão essa posição até o final, mas isso é claramente uma manobra para tentar atrasar a votação que já está acordada”, concluiu.

Aliados de Flávio veem efeito limitado de Trump na crise envolvendo Vorcaro

O senador Flávio Bolsonaro ao lado do presidente Donald Trump

Aliados do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto, comemoraram o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (26), mas reconhecem que o gesto do líder republicano pode ter efeito limitado na crise desencadeada pelos contatos com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O ponto positivo, na avaliação de interlocutores do senador, é demonstrar que a família Bolsonaro, de fato, tem acesso à Casa Branca e, portanto, uma oportunidade para se reequilibrar no jogo após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reunir por três horas, incluindo um almoço, com o presidente americano no dia 7 de maio.

Porém, interlocutores de Flávio no Congresso receiam que a visita não tenha capacidade de virar o noticiário sobre a relação de Flávio com o ex-banqueiro e afastar os questionamentos acerca do uso de recursos do Master na produção do filme “Dark Horse”, ficção sobre a vida de Jair Bolsonaro.

Desde que o Intercept Brasil revelou que Flávio pediu patrocínio ao ex-banqueiro, o senador viu Lula ultrapassá-lo nas pesquisas de intenção de voto. O receio no entorno do parlamentar é que uma reação demore a acontecer.

A ida de Flávio à Casa Branca, acompanhado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do empresário Paulo Figueiredo, foi o primeiro suspiro na pré-campanha após uma sequência de fatos negativos para o grupo do filho do ex-presidente.

O primeiro revés foi a operação da PF (Polícia Federal) contra o senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, no dia 7 de maio, por suspeita de beneficiar o Banco Master no Congresso Nacional mediante pagamento.

Uma semana depois, o Intercept Brasil revelou mensagens e áudio de Flávio pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse” sobre a vida de Jair Bolsonaro. O senador, até então, negava contato com o ex-banqueiro. Recuos e contradições sobre o uso do dinheiro para a produção aumentaram a crise.

No meio do desgaste e da queda nas pesquisas de intenção de voto, Flávio trocou sua equipe de marketing e busca uma nova estratégia para reagir e não ver o presidente Lula disparar na dianteira.

Ao mesmo tempo, em um período de 11 dias, o ex-governador do Rio Cláudio Castro, pré-candidato do PL ao Senado no Rio, foi alvo de duas operações da PF no reduto eleitoral da família Bolsonaro.

Na primeira vez, em 15 de maio, Castro foi abordado pelos policiais na Operação Sem Refino, que investiga fraudes fiscais do Grupo Refit. De acordo com a investigação, o então governador teria atuado para blindar e favorecer Ricardo Magro, dono do conglomerado de combustíveis.

Já nesta terça-feira (26), Castro amanheceu com a PF em sua casa por suspeita de aportes irregulares de R$ 3,7 bilhões da Rioprevidência, que gere os benefícios de aposentados e pensionistas do Rio, no Banco Master.

Como mostrou a CNN, o governo Lula e o PT decidiram ignorar o encontro entre Flávio e Trump. Aliados do presidente brasileiro afirmam que a visita não passou de uma “tietagem explícita”.

O entendimento tanto no Palácio do Planalto quanto no partido é que comentar a conversa entre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e o líder republicano ajuda Flávio a desviar o foco da crise desencadeada pela revelação dos contatos com o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do liquidado Banco Master.

Câmara faz sessão de 8 minutos para viabilizar votação da 6×1 em comissão

Plenário da Câmara

A Câmara dos Deputados teve na manhã desta quarta-feira (27) sessão rápida no plenário da Casa para destravar a votação do fim da escala 6×1 na comissão especial.

A reunião no plenário durou apenas oito minutos. Foi presidida pelo deputado Charles Fernandes (PSD-BA) e contou apenas com discursos. Não foram realizadas votações. O deputado Jorge Solla (PT-BA) foi o único a discursar na tribuna e falou em defesa da redução da jornada de trabalho.

O parecer da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o fim da escala 6×1 foi apresentado na segunda-feira (25) pelo relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA). O texto, no entanto, foi alvo de pedido de vista (mais tempo para análise), solicitado pela oposição.

O prazo da vista considera duas sessões de plenário. Para isso, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou sessões deliberativas na tarde de terça-feira (26) e na manhã desta quarta.

A comissão especial da PEC 6×1 tem reunião prevista nesta manhã para a votação da proposta. Se for aprovada, a expectativa é que a matéria seja analisada no plenário já nesta quarta ou na manhã de quinta-feira (28).

Uma nova sessão do plenário está prevista para a tarde desta quarta, a partir de 15h.

Hugo Motta e a base governista têm pressa para votar a proposta, avaliada como um ativo eleitoral.

O parecer, acordado com o governo, prevê uma redução de duas horas na jornada de trabalho e dois dias de descanso após 60 dias da promulgação da nova regra. Depois de um ano, o texto prevê mais duas horas de diminuição na carga horária semanal para chegar às 40 horas.

Geraldo Alckmin: ideia de fim da jornada 6×1 não tem relação com as eleições

Segundo vice-presidente, há uma tendência mundial de ter uma redução de jornada de trabalho/Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira, 26, que a ideia do governo de acabar com a jornada de trabalho 6×1 não tem relação com as eleições. Segundo ele, a Câmara dos Deputados fez um bom entendimento, com uma transição para a redução da jornada, em texto aprovado na segunda-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Ele conversou com jornalistas depois de visitar uma concessionária de carros elétricos na capital federal para conhecer o modelo de automóvel que entraria no novo programa de crédito para motoristas de aplicativo e taxistas.

“Na realidade, isso não tem relação especificamente com eleição. Há uma tendência mundial de redução de jornada de trabalho, eu fui constituinte em 1988 e a jornada veio para 44 horas, estamos falando de 38 anos depois. Há uma tendência mundial de ter uma redução de jornada”, afirmou.

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz de 44 para 40 horas semanais da jornada de trabalho teve seu relatório lido na segunda, mas a votação foi adiada por conta de um pedido de vistas. Alckmin elogiou o texto, que prevê uma transição menor, de 44 para 42 horas, chegando às 40 horas apenas em 2027.

“Eu acho que é uma medida correta e que foi feito um bom entendimento. Nós vamos implantar metade, duas horas agora, e redução de outras duas daqui um ano. Eu acho que é um bom entendimento“, completou o vice-presidente.