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PSB indica João Campos para equipe de transição de Lula

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou os nomes que vão compor sua equipe de transição de governo. Os partidos aliados do petista fizeram indicação de nomes políticos para o time, além das indicações técnicas.

Um dos nomes indicados foi o do prefeito do Recife, João Campos (PSB). Ele e o ex-governador Márcio França foram os nomes escolhidos pelo PSB para compor o grupo.

A escolha visaria contemplar os estados que o partido possui maior força: Pernambuco e São Paulo. França é, inclusive, cotado para assumir uma pasta na Esplanada dos Ministérios. As informações são da Folha de Pernambuco.

Costa Neto anuncia que PL fará oposição ao governo Lula

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta terça-feira (8) que o partido fará oposição ao governo do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a partir do ano que vem. Sigla à qual o presidente Jair Bolsonaro é filiado e pelo qual tentou a reeleição em 2022, o PL apoiou Lula e esteve na base de apoio do petista quando ele foi presidente, entre 2003 e 2010.

Nas eleições de 2022, impulsionado pelo bolsonarismo e tendo como candidatos nomes ligados ao presidente da República, o PL foi o partido que mais elegeu deputados federais (99). Também terá a maior bancada do Senado em 2023 (15 cadeiras ao todo).

Em entrevista coletiva nesta terça, Costa Neto apontou que “a maioria dos deputados e senadores escolhida pela nação são defensores dos mesmos ideais que o PL defende” e que esses valores “foram glorificados” com a chegada Bolsonaro ao partido.

“Portanto o PL não renunciará às suas bandeiras de ideias, será oposição aos valores comunistas e socialistas, será oposição ao futuro presidente”, disse Costa Neto, que é ex-deputado federal.

Em dezembro de 2013, Costa Neto foi preso após ter sido condenado a sete anos e dez meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, dentro do processo que ficou conhecido como “mensalão”.

Costa Neto foi questionado se o PL reconhece a vitória de Lula. Ele evitou responder diretamente, apesar de pouco antes ter dito que fará oposição ao novo presidente.

“Difícil, vamos ter que esperar o relatório do Exército amanhã. Temos diversos questionamentos que fizemos ao TSE, vamos esperar essas respostas”, disse o presidente do PL.

Alckmin nomeia coordenadores e anuncia grupos de transição para economia e assistência social

André Lara Resende, Guilherme Mello, Nelson Barbosa e Persio Arida estarão na equipe de transição para o governo Lula

O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) assinou nesta terça-feira (8) três portarias que marcam o início formal dos trabalhos da transição de governo em Brasília. Uma das portarias nomeia um “conselho político”, com representantes dos partidos que formaram a coligação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e novas siglas que se juntaram ao grupo após a eleição.

Serão membros desse conselho: Antonio Brito (PSD), Carlos Siqueira (PSB), Daniel Tourinho (Agir), Felipe Espírito Santo (Pros), Gleisi Hoffmann (PT), Guilherme Ítalo (Avante), Jeferson Coriteac (Solidariedade), José Luiz Penna (PV), Juliano Medeiros (PSOL), Luciana Santos (PC do B), Wesley Diogenes (Rede) e Wolnei Queiroz (PDT).

Outra portaria nomeia três coordenadores para a transição:

Aloizio Mercadante, coordenador do grupo técnico do gabinete;
Floriano Pesaro, coordenador-executivo do gabinete;
Gleisi Hoffmann, coordenadora da articulação política do gabinete de transição.

Alckmin também anunciou os componentes de dois grupos técnicos: o de economia e o de assistência social.

Economia

André Lara Resende: um dos idealizadores do Plano Real. Presidiu o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no governo Fernanda Henrique Cardoso.
Persio Arida: Também é um dos pais do Plano Real. Foi presidente do BNDES entre 1993 e 1994 e do Banco Central em 1995.
Guilherme Mello: professor de economia e coordenador do programa de pós graduação em desenvolvimento econômico da Unicamp. Foi assessor econômico da campanha de Lula.
Nelson Barbosa: ex-ministro do Planejamento e ex-ministro da Fazenda no governo Dilma Rousseff.

Assistência social

Simone Tebet: senadora pelo MDB e terceira colocada no primeiro turno das eleições presidenciais. No segundo turno, anunciou apoio a Lula e participou ativamente da campanha do petista. Defende propostas como instituir uma poupança de R$ 5 mil para alunos que concluírem o ensino médio e tirar do teto de gastos despesas para zerar filas no SUS.
Márcia Lopes: assistente social e professora, com atuação na área social nos governos do PT. Foi ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome no governo Dilma Rousseff entre 2010 e 2011.
Tereza Campello: economista e professora universitária, com atuação em gestões do PT na área social. Também comandou o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome entre 2011 e 2016 na gestão de Dilma.
André Quintão: é deputado estadual pelo PT em Minas Gerais. Assiste social e sociólogo, foi secretário de Desenvolvimento Social de Belo Horizonte (1994-1996) e secretário do Trabalho e Desenvolvimento Social (2015-2016) de Minas Gerais. Foi vice na chapa de Alexandre Kalil ao governo de Minas.

“O presidente Lula deixou claro que os que vão participar da transição não têm relação direta com ministério, com governo. Podem participar, podem não participar, mas são questões bastante distintas. Esse é um trabalho de 50 dias”, disse Alckmin.

Questionado sobre as alterações necessárias no projeto do Orçamento de 2023 para cumprir promessas de campanha da chapa com Lula, Geraldo Alckmin disse que o formato do projeto e os valores ainda serão definidos nos próximos dias.

Dois meses de transição
Os trabalhos acontecem no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), espaço destinado a abrigar a equipe que vai preparar as primeiras medidas a serem adotadas pelo governo do presidente eleito Lula.

Alckmin é o coordenador-geral da equipe de transição. O local, que fica a cerca de sete quilômetros do Palácio do Planalto, abriga transições de governo desde 2002.

Por lei, o futuro governo tem direito a 50 cargos remunerados para a equipe de transição, mas também pode contar com trabalhadores voluntários. O PT estima que mais de 100 pessoas atuarão no CCBB até a posse de Lula, em 1º de janeiro de 2023.

O atual governo montou a estrutura no CCBB com gabinetes para Lula, Alckmin e outras 15 autoridades, além de salas de reunião e área de coworking.

Alckmin deve participar também das discussões da equipe de Lula com parlamentares, para abrir espaço no Orçamento de 2023 capaz de bancar promessas do presidente eleito, como a manutenção do Auxílio Brasil em R$ 600.

    PEC da Transição: Equipe de Lula estuda tirar Bolsa Família do teto e pagar adicional de R$ 150

    A equipe do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia tirar todo o Bolsa Família da regra do teto de gastos, que trava as despesas federais. Isso permitiria o cumprimento de duas promessas de Lula: manter o benefício em R$ 600 e pagar, ainda em janeiro, R$ 150 a mais por criança de 0 a 6 anos de famílias que recebem Auxilio Brasil, programa que será rebatizado para Bolsa Família na gestão petista.

    O PT estima que haja pelo menos 8,8 milhões de crianças elegíveis ao benefício e que serão necessários R$ 18 bilhões no Orçamento para garantir o pagamento.

    Outros R$ 52 bilhões são necessários para financiar os R$ 600 mensais do benefício — pela proposta do governo de Jair Bolsonaro (PL), o benefício mensal do Auxílio Brasil cairia dos atuais R$ 600 para R$ 400 a partir de 2023, devido a falta de previsão orçamentária.

    O presidente, que perdeu a reeleição, chegou a prometer que manteria o atual patamar do benefício, mas nunca explicou como faria essa promessa caber no orçamento.

    O orçamento de 2023 destina R$ 105 bilhões ao Auxílio Brasil de R$ 400 mensais. Pelas contas da equipe de Lula, manter os atuais R$ 600 em todo próximo ano levaria este gasto extra de R$ 52 bilhões, ou seja, totalizando R$ 157 bilhões.

    Para começar a pagar em janeiro os R$ 150 mensais a cada criança menor de seis anos, serão necessários mais R$ 18 bilhões. Isso daria uma conta total de R$ 175 bilhões, ou seja, R$ 70 bilhões a mais que o previsto na proposta de orçamento.

    Ao tirar todo o novo Bolsa Família turbinado do Orçamento — ou seja, os R$ 175 bilhões —, a equipe de Lula estima que pode resolver outros problemas, pois esta medida liberaria os R$ 105 bilhões hoje previstos para o Auxílio Brasil para outras destinações, como o aumento real do salário mínimo (acima da inflação), recomposição do Farmácia Popular e do Programa de merenda escolar, além de investimentos.

    O relator do Orçamento, senador Marcelo Castro (MDB-PI), dizia que seriam necessário pelo menos R$ 100 bilhões no Orçamento. Depois, petistas passaram a falar na necessidade de até R$ 200 bilhões, número que agora foi reduzido para R$ 175 bilhões. Porém, se investimentos ficarem fora do teto, a chance é de o número ficar mais próximo de R$ 200 bilhões.

    Entretanto, há uma corrente do PT que defende que, além do novo Bolsa Família, os investimentos também fiquem fora do teto de gastos.

    O líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes (PT-MG), defendeu nesta segunda-feira retirar o Bolsa Família do teto de gastos, regra fiscal que impede o crescimento de despesas acima da inflação do ano anterior.

    Lopes propõe que esta proposta já seja debatida na proposta de emenda à Constituição (PEC) da Transição, que busca abrir espaço no orçamento de 2023 para as promessas do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silvia.

    “Os que votaram no Bolsonaro defenderam R$ 600. Os que votaram no presidente Lula defenderam R$ 600. Todos afirmaram que seria R$ 600. (…) É muito legítimo você tirar de qualquer regra fiscal, do passado ou do futuro, a transferência de renda. É um amadurecimento das leis de responsabilidade fiscal no Brasil extraordinário. Você está dizendo que a lei de responsabilidade fiscal tem que levar em consideração as metas sociais. É o início de um debate sobre de combinar a lei de responsabilidade fiscal e metas sociais” afirmou o deputado ao deixar uma reunião com a bancada do PT para debater justamente o trâmite da PEC da Transição.

    O vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin virá a Brasília nesta terça-feira com a minuta aprovada com Lula, que pode conter alguma alteração em relação ao esboço que estava sendo discutido na noite de segunda-feira, em São Paulo, para debater a proposta com os parlamentares.

    Alckmin anuncia que Simone Tebet colaborará na transição na área de desenvolvimento social

    O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) anunciou nesta terça-feira (8) que a senadora Simone Tebet (MDB) vai colaborar com a equipe de transição de governo que cuidará da área de desenvolvimento social.

    Alckmin, que é o coordenador da transição do governo Jair Bolsonaro para o do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez o anúncio após encontro com Tebet em Brasília.

    Na eleição, Tebet foi candidata a presidente da República e ficou em terceiro lugar. No segundo turno, anunciou apoio a Lula contra Bolsonaro e participou ativamente da campanha do petista.

    “Temos dois desafios grandes: um economia, e o outro social. E eles não disputam, eles são sinérgicos. Eles se somam, eles se complementam, eles não são excludentes. É preciso ter uma agenda de eficiência econômica e de competitividade, e de outro lado uma rede de proteção social que é extremamente importante. Então, a Simone, com a sua experiência, e com a sensibilidade, a força da mulher, vai trabalhar conosco na área do desenvolvimento social, que é uma área importantíssima”, disse Alckmin.

    “Qual é o grande fim desse projeto que se sagrou vencedor nas urnas? É a pauta social. E é disso que nós temos que tratar. Da fome, da geração de emprego, renda, e de recursos para fazer políticas públicas, habitação, melhoria na área da saúde, da educação. Então, nessa divisão não poderia ter outra opção a não ser escolher desenvolvimento social e isso foi acatado pelo vice-presidente e nós vamos colaborar”, disse Tebet.

    “Nós temos praticamente 40 dias de trabalho intenso para poder não só avaliar, fazer um diagnóstico do que aconteceu nesses três anos e meio no governo Bolsonaro. E, a partir daí, apresentar alternativas para o próximo governo”, completou ela.

    Ministério
    A senadora é cotada para compor o ministério do governo de Lula. Segundo Alckmin, porém, a participação de Tebet na transição não significa indicação ministerial.

    “O presidente Lula tem dito que a transição e o ministério – claro que ela tem expertise, experiência, espírito público para ser ministra de qualquer área – mas não tem relação entre transição e ministério, são coisas diferentes”, disse Alckmin.

    O vice-presidente eleito também disse que hoje serão anunciados outros nomes que vão compor a equipe de transição.

    “Nós vamos fazendo gradualmente. E aí, hoje, nós já vamos anunciar alguns nomes”, disse.

    Após férias na Bahia, Lula participa de reuniões com a equipe de transição

    Depois de dias de descanso na Bahia, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa de reuniões com a equipe de transição de governo, nesta segunda-feira (7), a partir das 10h, em São Paulo (SP). O foco está na manutenção do auxílio de R$ 600, retomando o Bolsa Família. O valor não está assegurado no Orçamento de 2023, e o desafio é negociar os ajustes com o Congresso Nacional. Lula vai tomar posse em 1º de janeiro de 2023.

    Esta semana, ele desembarcará em Brasília para uma intensa agenda com autoridades do Legislativo e do Judiciário. Lula chegará à capital federal ao lado do vice-presidente eleito e coordenador da transição, Geraldo Alckmin (PSB), e de ampla comitiva.

    O petista tem reuniões previstas com os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, e com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes. Será a primeira agenda oficial com Lira, que até então se posicionou como aliado de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro (PL).

    A transição em Brasília começará com reuniões marcadas no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), espaço em Brasília a cerca de 7 km do Palácio do Planalto.

    O CCBB abriga exposições, shows e cinema durante o ano. Desde 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez, o local é cedido para a equipe de transição de governo. Em 2018, foi lá que a equipe nomeada por Bolsonaro se reuniu com integrantes da gestão de Michel Temer (MDB). Lula também transferiu seu governo para lá em 2009, durante reforma do Palácio do Planalto.

    Avaliação das contas

    O chefe da transição é Alckmin. Assim como Lula, ele terá seu próprio gabinete instalado nas salas de reunião do CCBB. Também haverá um espaço de reuniões e algumas salas para as equipes técnicas.

    A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, visitou o local na última sexta-feira, acompanhada do coordenador do programa de governo da campanha, Aloizio Mercadante, e de parlamentares do partido, e disse que serão necessários os dois andares do prédio, já que haverá pessoas trabalhando como voluntárias.

    O governo eleito deve indicar 50 nomes para avaliar as contas e os programas do atual governo, além de debater a viabilidade de promessas de campanha. Esses nomes serão divididos em grupos temáticos. O ex-ministro da Educação Fernando Haddad, por exemplo, vai liderar reuniões com colaboradores na área. A ideia é reunir sugestões de diversos setores incluindo fundações, parlamentares, organizações do terceiro setor e entidades representativas da educação.

    Nem todos os participantes vão compor a equipe de transição, mas fornecerão subsídios para o grupo da linha de frente. A sistematização das sugestões dos colaboradores ficará sob responsabilidade de Henrique Paim, ex-ministro da Educação durante o governo Dilma Rousseff e braço direito de Fernando Haddad. Não há definição, no entanto, de que Paim será o coordenador da transição nesta área.

    Área de educação

    Entre os que foram chamados para a equipe da área de educação estão quadros do PT, como a senadora eleita Teresa Leitão, a deputada federal Rosa Neide e Heleno Araújo, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Também há representantes ligados a fundações como Neca Setubal, pessoa de confiança da ex-ministra Marina Silva (Rede); e a organizações do terceiro setor, como Daniel Cara, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

    Embora esteja à frente das discussões, Haddad tem deixado claro a interlocutores quer não quer assumir a área novamente. A pasta é uma das mais caras ao PT e uma das vitrines dos governos de Lula e Dilma.

    Esbarrão derruba retrato de Temer no dia de reunião de transição no Planalto

    No mesmo dia em que coordenadores da equipe de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram ao Planalto, nesta quinta-feira (3), para tratar da transição de governo, o quadro oficial do ex-presidente Michel Temer (MDB), desafeto dos petistas, foi derrubado sem querer por um integrante da imprensa e quebrou.

    Integrantes do PT acusam Temer de ter ajudado na articulação para o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Ele assumiu o governo após o impedimento da petista.

    Pouco antes da chegada da equipe de Lula, algumas pessoas ficaram amontoadas perto do local onde haveria uma entrevista a jornalistas. Atrás há uma galeria com os quadros de todos os presidentes da República, uma sequência de fotos preto e branco dos ex-ocupantes do cargo. A foto de Jair Bolsonaro, o presidente em exercício, é colorida.

    Nesse momento, algum profissional de imprensa esbarrou de forma não intencional no quadro de Temer, que caiu e teve seu vidro quebrado. O quadro depois foi recolocado, mas ainda com uma rachadura.

    A equipe do governo eleito realizou na tarde desta quinta-feira (3) a primeira reunião com integrantes da gestão Bolsonaro, para dar início às atividades de transição.

    Bolsonaro terá cargo no PL após deixar a Presidência

    O presidente Jair Bolsonaro vai ter um cargo no PL, partido ao qual é filiado, após deixar a Presidência da República, no dia 1º de janeiro. O acerto foi feito com o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. Bolsonaro e Costa Neto conversaram na segunda-feira (31) sobre o futuro do presidente.

    A derrota de Bolsonaro para Lula (PT) no segundo turno foi a primeira vez que o atual presidente perdeu uma eleição na vida. Desde 1988, ele vinha conseguindo se eleger para os mandatos que disputou. 2023 será o primeiro ano em mais de três décadas em que Bolsonaro não terá mandato.

    O fato de Bolsonaro perder o foro privilegiado foi um dos principais motivos para ele buscar o cargo no PL. O presidente busca contar também com o corpo de advogados do partido.

    No PL, Bolsonaro atuará como consultor. Ele deverá ter um escritório político, a partir do qual vai organizar uma oposição ao governo Lula. Valdemar estuda ceder uma sala em um conjunto de edifícios na parte central de Brasília para servir de base para o presidente.

    Também pesa para Bolsonaro ficar em Brasília a proximidade com seus filhos Flávio Bolsonaro, senador, e Eduardo Bolsonaro, deputado, que continuarão morando na capital.

    O avanço da negociação com o PL em torno desse cargo contribuiu para Bolsonaro ter feito, na terça-feira (1º), dois dias após a eleição, o pronunciamento em que sinalizou o início da transição de governo e garantiu cumprir a Constituição.

    Aliados de Bolsonaro querem opções para entrega da faixa a Lula

    Assessores do presidente Jair Bolsonaro (PL) já começaram a discutir a entrega da faixa presidencial. O ato é um dos momentos mais fortes da posse presidencial, no dia 1º de janeiro, que acontece no parlatório do Palácio do Planalto, geralmente na frente de uma multidão que acompanha o momento na Praça dos Três Poderes.

    Na terça (1º), um assessor presidencial chegou a sugerir a parlamentares de partidos de centro, no Palácio do Planalto, que a entrega da faixa poderia se dar dentro do Planalto, sem que fosse acompanhada pelas câmeras e pela multidão — de modo que Bolsonaro não aparecesse para seus apoiadores mais radicais como alguém que tenha aceitado a regra do jogo pacificamente.

    Essa ideia foi logo questionada pelos parlamentares, que disseram que Lula (PT) não aceitaria o ato.

    Outra ideia foi levantada: a de que a faixa poderia ser passada pelo vice-presidente Hamilton Mourão, que foi eleito senador pelo Rio Grande do Sul.

    A proposta foi vista como a mais factível. O próprio Mourão deu declarações favoráveis à transição democrática e chegou a telefonar para o vice de Lula, Geraldo Alckmin, convidando-o a conhecer a residência oficial da vice-presidência, o Palácio do Jaburu.

    Na terça (1º), questionado sobre a passagem de faixa, Mourão disse ter “quase certeza” de que Bolsonaro irá passar a faixa para Lula.

    No Palácio da Alvorada, ainda no campo das possibilidades para o dia 1º de janeiro, fontes afirmam que Bolsonaro cogita sair do país ou pelo menos viajar para fora de Brasília, para não ter que cumprir o ritual.

    Bolsonaristas organizaram bloqueios em grupos nas redes sociais; PF apura responsáveis

    Blog do Valdo Cruz

    As investigações da Polícia Federal sobre bloqueios de estradas mostram que eles não foram espontâneos, mas organizados pelas redes sociais em grupos de bolsonaristas nos aplicativos de mensagens Whatsapp e Telegram.

    Segundo o blog apurou, vários desses grupos já foram bloqueados e, depois de solucionado o problema das interdições de estradas no país, as pessoas que articularam os protestos serão identificadas.

    Os atos são considerados antidemocráticos e inconstitucionais. As pessoas que participaram da organização dos protestos serão alvo de processo e podem até ser presas por atentarem contra a democracia. Investigadores da PF acreditam que por trás dos grupos há financiadores dos protestos.

    Durante o encontro com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (1º), o presidente Jair Bolsonaro (PL) condenou os bloqueios e disse que eles não eram “orgânicos”, mas “espontâneos”.

    Não é, no entanto, o que as investigações estão levantando. As apurações apontam para a existência de uma organização dos protestos. E que até parlamentares bolsonaristas podem estar envolvidos na operação para questionar o resultado das urnas, embora o próprio presidente Bolsonaro já tenha admitido a derrota.

    Ministro da Infraestrutura diz em nota que fluxo tem que ser liberado em vias bloqueados

    O ministro da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, divulgou uma nota na noite desta terça-feira (1º) em que defende que sejam liberados os pontos de bloqueios nas rodovias federais e estaduais, motivados por protestos contra o resultado das urnas no segundo turno.

    “Trabalhamos para que a livre circulação de pessoas e veículos seja retomada o quanto antes. Além de assegurar o direito de ir e vir de nossa população, é fundamental manter o funcionamento de serviços essenciais e o transporte rodoviário de cargas, de forma que não haja qualquer tipo de desabastecimento em nosso país”, diz trecho do comunicado.

    Sampaio dirige-se aos manifestantes e pede “apoio” para que seja garantida a “circulação em nossas rodovias de medicamentos, insumos, bens e combustíveis”. E diz que o ministério tem monitorado a situação com a Polícia Rodoviária Federal e “mantido trata para resolução da questão”.

    “O governo federal, como um todo, está atento à situação em nossas estradas e no seu impacto sobre o funcionamento de outras áreas essenciais ao Brasil”, diz o texto.

    Lula escolhe Geraldo Alckmin para coordenar a equipe de transição

    O presidente eleito Lula (PT) escolheu o seu vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), para coordenar a equipe de transição. O martelo foi batido na manhã desta terça-feira (1º) em uma reunião com Gleisi Hoffmann, presidente do PT, Alozio Mercadante, responsável por elaborar o seu plano de governo, e outros integrantes cúpula petista em um hotel na capital paulista.

    Alckmin comandará uma equipe com 50 nomes, que mesclará quadros técnicos e políticos para dialogar com integrantes do governo de Jair Bolsonaro (PL), derrotado na busca pela reeleição. O blog da Ana Flor havia antecipado o nome de Alckmin para liderar a transição.

    Os principais líderes do PT e dos partidos da coligação que elegeu Lula devem compor o grupo. A equipe de transição despachará do prédio do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), em Brasília.

    Mercadante, que coordenou o programa de governo na campanha, e Gleisi, que foi a coordenadora-geral, estavam cotados para comandar o grupo. Houve especulações de que poderia ser uma coordenação dividida entre Alckmin. No entanto, eles integram o grupo, mas não dividem o comando com o vice-presidente eleito.

    “Nós vamos começar as tratativas na quinta-feira (3). Nós já estamos pensando, mas na quinta-feira a gente começa a fazer essa composição [da equipe de transição]”, afirmou Gleisi, em São Paulo, após o anúncio da equipe. “Nossa proposta é ir para Brasília, já ter uma reunião presencial com quem for a parte do governo que vai fazer essa transição para que a gente já possa colocar em operação a equipe de transição.”

    Segundo um dirigente petista, Lula disse a interlocutores, em tom informal, que quem for escolhido para ser coordenador não vai chefiar um ministério.

    Em governos anteriores do PT, o coordenador acabou se tornando ministro de peso. É o caso de Antonio Palocci, que coordenou a transição no primeiro mandato, em 2002, e virou ministro da Fazenda.

    Há dúvidas se Alckmin será escolhido para ocupar alguma pasta. Segundo dirigentes petistas, se Alckmin ocupar um ministério de grande porte, como a Fazenda, Lula teria dificuldades em eventualmente demiti-lo. Por outro lado, dar uma pasta de menor peso para Alckmin poderia passar uma mensagem de desprestígio.

    Lula diz que conversou com dezenas de chefes de estado: ‘estamos voltando ao mundo’

    O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, em seu perfil no Twitter, nesta terça-feira (1º), ter conversado com diversos chefes de Estado e que o Brasil está “voltando para o mundo”.

    Ontem conversei com dezenas de chefes de estado. Todos querem ampliar as parcerias e trabalho conjunto com o Brasil no comércio, na questão do clima e nos grandes temas globais. Estamos voltando ao mundo.

    Após ser eleito com 50,9% dos votos válidos no último domingo (30), Lula recebeu felicitações de diversos líderes mundiais, como Joe Biden (EUA), Emmanuel Macron (França), Gabriel Boric (Chile), Luis Alberto Lacalle Pou (Uruguai), Andrés Manuel López Obrador (México), Justin Trudeau (Canadá), Narendra Modi (Índia), Xi Jinping (China), Pedro Sánchez (Espanha), Isaac Herzog (Israel), Marcelo Rebelo de Sousa (Presidente de Portugal) e outros.

    Além das felicitações, Lula também recebeu a indicação de que a Noruega retomará a ajuda financeira contra o desmatamento da Amazônia no Brasil, congelada durante a gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno.

    O ministro norueguês do Meio Ambiente fez o anúncio nesta segunda (31), menos de 24h após a vitória de Lula.

    Biden, dos Estados Unidos, ligou para Lula ainda nesta segunda para cumprimentar o petista. A ligação durou cerca de 20 minutos, segundo o governo americano. Biden disse que os EUA estão montando uma equipe para discutir o que pode ser feito em conjunto com o Brasil quando Lula assumir o cargo em janeiro.

    De acordo com uma nota do governo dos EUA, durante a conversa Biden elogiou a força das instituições democráticas brasileiras após eleições livres, justas e confiáveis

    Campanha de Lula liga para ministro da Casa Civil para tratar da transição de governo

    O coordenador de Comunicação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, Edinho Silva, e a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, ligaram nesta segunda-feira (31) para o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, para tratar da transição de governo.

    Edinho divulgou nota em que falou sobre a conversa. Ele disse que ligou para Ciro Nogueira a pedido do próprio ministro.

    “Mantive contato na tarde desta segunda-feira com o Ministro da Casa Civil Ciro Nogueira, a pedido do próprio, que de imediato se dispôs a conduzir o processo de transição representando o atual governo Bolsonaro”, afirmou Edinho, que também é prefeito de Araraquara.

    Edinho classificou a postura de Nogueira como “republicana e democrática”.

    “De imediato, repassei a informação para a deputada federal Gleisi Hoffmann, nossa coordenadora da campanha Lula presidente, para que os encaminhamentos necessários fossem combinados. Ressalto aqui a postura republicana e democrática do ministro Ciro Nogueira”, completou.

    Gleisi Hoffmann
    Depois de receber o retorno de Edinho, a deputada Gleisi Hoffmann ligou para Ciro Nogueira. Segundo ela, o ministro reforçou a disposição em ajudar na transição e disse que aguarda uma indicação do presidente Jair Bolsonaro sobre quem será o coordenador desse processo.

    Gleisi afirmou que a equipe do presidente eleito lula também está escolhendo nomes para atuar na transição. De acordo com a presidente do PT, “foram algus passos para construir essa ponte de comunicação”.

    A transição de governo é prevista em lei. O presidente eleito tem direito a montar uma equipe que, junto com a administração que está de saída, acompanha dados do governo e traça estratégias para o início do mandato, que começa no dia 1º de janeiro.

    Lula foi declarado vencedor das eleições pelo TSE às 19h57 do domingo (30). Na noite desta segunda, 24 horas depois, o presidente Jair Bolsonaro ainda não havia se manifestado sobre o resultado e nem ligou para Lula. Tradicionalmente, candidatos derrotados costumam ligar para os vencedores.

    Alckmin e Mourão conversam por telefone e tratam da transição no Jaburu

    O vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, conversou por telefone nesta segunda-feira (31) com o vice-presidente, Hamilton Mourão, numa sinalização de que a transição no Palácio do Jaburu começou antes do que a passagem de bastão no Palácio da Alvorada.

    Alckmin ligou para Mourão para agradecer uma mensagem de texto enviada pelo atual morador do Jaburu.

    Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PL) segue em silêncio após a derrota nas urnas no último domingo (30), seu vice se antecipou e enviou uma mensagem de texto para Alckmin.

    Tradicionalmente, candidatos derrotados ligam para o adversário e fazem uma declaração pública reconhecendo a vitória do oponente. Em 2018, por exemplo, o então candidato do PT Fernando Haddad reconheceu a vitória de Bolsonaro ainda no domingo à noite.

    Na mensagem, Mourão se colocou à disposição de Alckmin para realizar a transição de governo e chegou a convidá-lo a ir até a residência oficial dos vices, em Brasília.