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Moraes rejeita pedido da DPU e mantém julgamento de Eduardo Bolsonaro para a terça-feira

Eduardo Bolsonaro /(SAUL LOEB / AFP)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, rejeitou um pedido da Defensoria Pública da União (DPU) e manteve para a terça-feira (16), o julgamento da ação penal contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Eduardo responde à acusação de coação no curso do processo.

Segundo a denúncia, ele teria atuado para tentar interferir no andamento da ação que apura a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, processo que resultou na condenação do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL).

Lula chega à França para G7 e se reúne com Macron nesta segunda-feira

Além de encontro com o amigo Macron, a ida do líder petista ao G7 gera expectativa por tarifa dos EUA e veto à carne pela UE/Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta segunda-feira (15) em Évian-les-Bains, na França, para participar da Cúpula do G7, que será realizada entre terça-feira (16) e quarta-feira (17). Embora o Brasil não faça parte do grupo das sete maiores economias industrializadas do mundo, o petista participa do encontro a convite do governo francês. Esta é a décima vez que Lula comparece ao fórum internacional.

Logo após chegar ao país europeu, o presidente iniciou sua agenda de reuniões bilaterais. Um dos encontros realizados hoje foi com o presidente da Suíça, Guy Parmelin. O governo brasileiro, no entanto, não divulgou detalhes sobre os temas discutidos durante a conversa. Ainda nesta segunda, Lula tem reuniões previstas com o presidente da França, Emmanuel Macron, anfitrião da cúpula; com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi; e com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.

Durante os dois dias do encontro, o presidente brasileiro participará das sessões ampliadas do G7, voltadas aos países convidados. Na terça-feira, os debates terão como foco as parcerias internacionais. Já na quarta-feira, as discussões serão concentradas em temas ligados ao crescimento econômico equilibrado e ao avanço da inteligência artificial. Também está prevista uma reunião bilateral com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.

Trump

A participação de Lula ocorre em meio a uma série de temas sensíveis para a política externa brasileira. Um dos principais pontos de atenção é a possibilidade de um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Apesar da expectativa criada nos bastidores diplomáticos, nenhuma reunião foi oficialmente confirmada até o momento. Fontes do governo indicam que não houve pedido formal de nenhum dos dois lados para a realização do encontro.

O eventual diálogo entre Lula e Trump ganha relevância diante das recentes tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Há duas semanas, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) anunciou a intenção de aplicar tarifas de até 25% sobre parte das importações brasileiras. O relatório elaborado pela administração norte-americana aponta supostas práticas consideradas desleais no comércio bilateral e cita, entre outros fatores, o sistema de pagamentos Pix como elemento de concorrência desfavorável para empresas americanas do setor financeiro.

UE

Outro tema que deve mobilizar a diplomacia brasileira durante a semana é o embargo anunciado pela União Europeia a produtos de origem animal do Brasil. O bloco europeu decidiu proibir a importação de carnes, tripas, pescado e mel brasileiros, medida que poderá entrar em vigor a partir de 3 de setembro caso não haja acordo entre as partes.

A expectativa é de que representantes do governo brasileiro aproveitem a presença de autoridades europeias na cúpula para buscar uma solução negociada. Também há expectativa de um encontro entre Lula e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, embora a reunião ainda não conste oficialmente da agenda.

Lula no G7 gera expectativa por tarifa dos Estados Unidos e veto à carne pela UE

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva/EVARISTO SA / AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (14) para a cidade de Évian-les-Bains, na França, onde participará, como convidado, da Cúpula do G7, o fórum que reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta.

É a 10ª vez que Lula participa deste encontro, ao longo de seus três mandatos. São membros plenos do grupo: Canadá, Estados Unidos (EUA), Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão. A União Europeia (UE) também participa como membro institucional.

A ida de Lula acende a expectativa para possíveis interações com o presidente dos EUA, Donald Trump, em um momento de novo tensionamento entre os dois países, duas semanas após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicar a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras.

O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano pelo governo de Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA. Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o WhatsApp Pay.

Até o momento, não houve confirmação sobre uma possível reunião bilateral entre Lula e Trump. Se algum encontro entre os dois líderes ocorrer na França, será pouco mais de um mês da última reunião de ambos, na Casa Branca, em Washington, no início de maio.

Na ocasião, segundo Lula, equipes dos dois governos foram orientadas a apresentar uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e da investigação comercial do USTR, o que efetivamente ainda não aconteceu.

“Isso [encontro entre Lula e Trump] não está definido. Com os Estados Unidos os contatos seguem, por enquanto é o que eu posso dizer, e que estão em andamento de uma forma intensa, desde sempre, e isso continua acontecendo“, afirmou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira (10).

Este também vai ser o primeiro contato entre Lula e Trump após o governo norte-americano passar a designar formalmente as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

O governo brasileiro vinha tentando, nos últimos meses, evitar essa designação por avaliar que isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou para a aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros.

Veto da União Europeia à carne brasileira

Outro foco de atenção na viagem de Lula ao G7 passa pela relação com a União Europeia. Há uma semana, o bloco oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial do dia 5 de junho.

Também não há definição sobre um possível encontro de Lula com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

“Obviamente que eu acho que o recado principal que nós queremos passar aos europeus é que ficamos assim um pouco surpresos da maneira como foi. Nós estamos vendo algumas medidas da União Europeia que nos causam alguma preocupação. E o tom da discussão, se houver, ou em outros momentos, não necessariamente no G7, vai ser esse, com uma certa preocupação por esses últimos desdobramentos e ver o que a gente pode fazer para resolver as questões“, apontou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, que acompanha diretamente as tratativas.

Brasil e Japão

Enquanto não se confirmam as reuniões bilaterais de Lula durante a cúpula do G7, um encontro que já está certo na agenda será com a primeira-ministra do Japão é Sanae Takaichi. Ela fez história ao se tornar a primeira mulher a assumir o principal cargo do Executivo no país asiático, tomando posse em outubro de 2025.

Este será o primeiro encontro oficial entre ambos e há uma expectativa de se abrir negociações em torno de um futuro acordo do Japão com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).

A cúpula do G7 deste ano, presidida pela França, ocorre de 15 a 17 de junho. Além do Brasil, o grupo convidou líderes de outros países importantes, como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito. Outra provável reunião bilateral de Lula deverá ser com o anfitrião do evento, o presidente francês Emmanuel Macron.

Sessões deliberativas

O Itamaraty confirmou que Lula participará de três eventos durante o G7.

O primeiro, no dia 16, é uma sessão de líderes em que o presidente brasileiro discursará sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento. A expectativa é que Lula cobre a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD). A chamada AOD, que no inglês é Official Development Assistance (ODA), refere-se a repasses financeiros realizados pelos países mais industrializados do mundo para promover o bem-estar e o desenvolvimento econômico de países em situação de mais vulnerabilidade.

No dia 17, em outra sessão de líderes, Lula vai abordar o tema do crescimento econômico equilibrado, ocasião em que falará com ênfase sobre a necessidade de reforma da governança global, especialmente instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a própria Organização das Nações Unidas (ONU).

Ainda no dia 17, a comitiva brasileira participará de um almoço que terá como tema central a Inteligência Artificial (IA).

Produtora de filme de Bolsonaro diz que usou R$ 75 milhões de fundo ligado a Eduardo

Trecho do trailer de ‘Dark Horse’/Reprodução

A produtora no Brasil responsável pelo filme ficcional sobre a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, Karina Ferreira Gama, apresentou um laudo pericial declarando que foram gastos R$ 75 milhões na produção de “Dark Horse” e que a totalidade desses valores saiu de um fundo sediado nos Estados Unidos e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

Foi esse mesmo fundo, Havengate, que recebeu cerca de US$ 10,6 milhões (aproximadamente R$ 61 milhões) de aportes do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, solicitados pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O laudo pericial, revelado na sexta-feira (12) pelo site Metrópoles, não diz quem foram os financiadores. De acordo com as informações já tornadas públicas sobre os repasses determinados por Vorcaro, os dados indicam que os recursos do dono do Banco Master bancaram mais de 80% dos custos do filme.

A perícia afirma que a produção do longa no Brasil custou US$ 3 7 milhões (o equivalente a R$ 20,9 milhões), enquanto os custos nos Estados Unidos foram de US$ 9,6 milhões (R$ 54,2 milhões).

A defesa de Karina Gama encomendou o laudo para rebater as suspeitas de um inquérito da Polícia Civil de que um contrato da Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil tenha sido desviado para abastecer a produção do filme. A ONG é de Karina.

O laudo pericial conclui que os recursos usados em “Dark Horse” foram de origem privada e abastecidos pelo fundo Havengate, mas não apresenta detalhes sobre esses financiadores.

“Conforme apurado por esta perícia, o fundo Havengate Development Fund LP celebrou contrato em 24 de fevereiro de 2025 para investimento no filme Dark Horse. Até a data de elaboração deste laudo, o aporte realizado soma US$ 13.393.081,29”, diz o laudo.

As mensagens do celular de Daniel Vorcaro mostram que os pagamentos feitos por ele a pedido de Flávio tiveram como destino esse fundo Havengate e totalizaram ao menos US$ 10,6 milhões. O fundo tinha como representante o escritório de Paulo Calixto, que também é advogado de Eduardo Bolsonaro.

Flávio visita Jair Bolsonaro e diz que ele está bem, após Michelle falar em piora do quadro

Flávio Bolsonaro atribuiu ao presidente Lula a responsabilidade pela decisão da Comissão Europeia de vetar a importação de carne brasileira/Saulo Cruz/Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, visitou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) neste sábado, 13, e disse que o pai está bem. Nesta semana, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro havia relatado uma piora no estado de saúde de Bolsonaro.

“Está bem meu pai, firme e forte, como sempre, dando todo o apoio. Agradecendo a todas orações, preces, rezas”, declarou Flávio.

Ele disse que sua mulher, Fernanda, e as filhas também participaram do encontro. A visita foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Na quarta-feira, Michelle havia dito que Jair Bolsonaro teve de reduzir a medicação, após ter aumento nas crises de soluço.

“A gente já estava no desmame há 3 dias das medicações. Infelizmente, não deu certo. Ele teve uma crise muito forte anteontem. Ontem deu uma trégua à tarde, mas voltou. Então hoje ele não está muito bem, nós estamos com o Dr. Brasil, reformulamos todas as medicações, ele vai passar por alguns exames“, afirmou, na ocasião.

Bolsonaro está em prisão domiciliar temporária desde março.

Alckmin diz aguardar aval do TCU para retomada da Transnordestina em Pernambuco

Foto: Rafael Vieira/DP Foto

Cumprindo agenda em Pernambuco, nesta sexta-feira (12), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) falou sobre a retomada das obras da Transnordestina em Pernambuco e salientou que aguarda a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU). “É natural que o TCU examine o edital, examine o contrato. São vários trechos, esse é o primeiro trecho. Mas o importante é a obra começar, daí terá uma sequência boa”, avaliou Alckmin.

Depoimento aconteceu durante evento de entrega do novo terminal de contêineres do Complexo de Suape, em Ipojuca, no Grande Recife. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), endossou a questão do TCU e apontou que o governo estadual e Ministério dos Transportes estão “tirando todas as dúvidas do TCU” para a continuidade das obras.

“Temos defendido junto ao governo federal, ao presidente Lula, ao ministro George [Santoro] dos Transportes, antes com o Renan [Filho], de que essa é uma obra que já se justifica por si só, que tem demanda de carga”, pontuou a governadora.

No dia 13 de maio deste ano, o TCU determinou que o Ministério dos Transportes e a Infra S.A. suspendesse novos compromissos financeiros relacionados à retomada da construção do ramal, no trecho Salgueiro e Suape. A fiscalização do TCU havia apontado que não existem estudos técnicos, econômicos e ambientais que mostrem que os benefícios sociais do empreendimento superam seus custos.

Raquel Lyra destacou a empresa já está contratada para as obras, a portuguesa ACA (Alberto Couto Alves). Apesar da maioria dos trâmites estarem encaminhados, a governadora afirma que não há prazo para a retomada das obras. “Não há prazo. O que o governo [federal] decidiu, segundo a última conversa que eu tive, não só com ministro dos Transportes, mas também da Casa Civil, é aguardar a decisão dos embargos de declaração, da tomada da decisão do relator do caso no Tribunal de Contas da União”.

Uma obra que se arrasta há anos

As obras na Transnordestina foram iniciadas em 2006. O projeto inicial previa a integração do interior do Nordeste ao portos, facilitando escoamento de grãos, minérios e outros produtos. Contudo, as obras foram paralisadas em 2016.

Em Pernambuco, de acordo com a gestão estadual, as obras devem beneficiar 73 quilômetros da Ferrovia Transnordestina, no trecho entre Custódia e Arcoverde, no Sertão pernambucano.

Lula entrega 18 novos títulos de territórios quilombolas

 Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas da CONAQ, no Espaço Divino Paraíso, em Gama - Brasília - DF./ Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quinta-feira (11), no Distrito Federal, de um encontro de mulheres quilombolas e entregou 18 novos títulos de domínio para nove comunidades em seis estados.

O evento é organizado pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombola (Conaq), reúne cerca de 500 mulheres. Na pauta do encontro, está a luta por proteção territorial e por justiça climática.

Os territórios quilombolas são espaços rurais ou urbanos ocupados por comunidades negras, formadas por descendentes de pessoas escravizadas durante a colonização do Brasil. As áreas entregues finalizam um longo processo de regularização, abrangendo 11,6 mil hectares e beneficiando 1.780 famílias.

Em discurso, Lula lembrou que, historicamente, o Brasil não foi constituído para atender os mais vulneráveis.

“Esse país, durante séculos e séculos, tratou o povo negro, o povo pobre, o povo trabalhador, o povo da periferia como se nós fôssemos uma população inexistente, como se não existíssemos“, disse.

“O fim da escravidão não foi feito para melhorar a vida do povo negro, porque largaram a população na rua, sem emprego, sem saúde, sem educação, sem-terra, sem nada. Largaram para que o povo negro fosse chamado de vagabundo e fosse culpado de todas as mazelas que aconteciam nesse país. Então, recuperar a história da igualdade [racial] é uma luta gigante“, continuou.

Com a entrega dos títulos, segundo a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiavelli, foi alcançada a marca de 74 títulos emitidos na atual gestão de Lula, abrangendo uma área de 93 mil hectares e atendendo 8.317 famílias. O volume representa cerca de 34% de todos os títulos quilombolas já emitidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na história do país.

A ministra destacou sobre a implementação de créditos para fomentar o desenvolvimento e a construção de moradias em uma das maiores comunidades quilombolas do país, o território Kalunga, entre o norte de Goiás e o sul do Tocantins.

“Junto com os títulos, vem o desenvolvimento. Em várias comunidades quilombolas, também já chegaram os créditos do Incra. São créditos que têm fomentado a produção, apoiado as mulheres e permitido a construção e reforma de casas. Hoje, vamos liberar mais R$ 19 milhões em crédito habitação para 200 famílias da comunidade Kalunga“, destacou.

Etapas prévias

Além da entrega de títulos, o governo federal avançou em etapas prévias de regularização fundiária de outros territórios quilombolas, incluindo quatro decretos de interesse social para 333 famílias em cerca de 897 hectares.

Os decretos contemplam os territórios Graciosa (BA), com 156 famílias e área de 606,7 hectares; Tapinoã-Prodígio (RJ), com 32 famílias e área de 114,8 hectares; Maria Joaquina (RJ), com 134 famílias e área de 165,1 hectares; e Morro do Boi (SC), com 11 famílias e área de 10,1 hectares.

Juntos, os processos somam cerca de R$ 14,5 milhões em valores estimados para desapropriação, que será a próxima etapa antes da emissão do título.

“A titulação dos territórios quilombolas é reparação histórica. São mais de 300 anos de escravidão, um crime que não terminou com a abolição, porque a opressão continuou e continua discriminando, continuou e continua o apagamento”, Maria Rosalina dos Santos, coordenadora executiva da Conaq.

Durante o evento, o Incra anunciou a publicação de uma portaria de reconhecimento do território Porto Leocádio (GO), beneficiando 20 famílias em uma área de 1,5 mil hectares. Também serão anunciados cinco novos Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTIDs) para os territórios Brejão dos Aipins (PI), Baía Formosa (RJ), Sapatu (SP), Sítio Grossos (RN) e Engenho da Cruz (BA), contemplando cerca de 800 famílias e aproximadamente 22 mil hectares.

O RTID é um relatório histórico e antropológico da ocupação e define os marcos territoriais da área tradicionalmente ocupada por famílias quilombolas.

Confira a distribuição dos 18 títulos quilombolas concedidos, divididos por território:

Kalunga do Mimoso (Arraias e Paranã/TO): quatro títulos, beneficiando 250 famílias em 4.211 hectares;
Kalunga (Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás/GO): dois títulos para 888 famílias, abrangendo 6.221 hectares;
Invernada dos Negros (Abdon Batista e Campos Novos/SC): cinco títulos para 84 famílias em 111 hectares;
Charco/Juçaral (São Vicente Férrer/MA): três títulos para 137 famílias em 690 hectares;
Mel da Pedreira (Macapá/AP): um título para 14 famílias em 127 hectares;
Nova Batalhinha (Bom Jesus da Lapa/BA): um título para 20 famílias em 67 hectares;
Mata de São Benedito (Itapecuru-Mirim/MA): um título para 35 famílias em 194 hectares;
Piqui/Santa Maria dos Pretos (Itapecuru-Mirim/MA): um título para 352 famílias em 51 hectares.

Proposta de delação de Vorcaro tem acusação de propina de US$ 30 mi a Alcolumbre, diz revista

Pronto para falar: Vorcaro começou a negociar nesta semana com os órgãos de investigação e com o STF sobre a possibilidade de uma delação/Reprodução/Youtube

A segunda proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro teria, segundo relato da revista Veja, uma acusação de pagamento de propina ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Um dos temas que o dono do Banco Master teria oferecido aos investigadores para fechar o acordo menciona uso de conta no exterior para repassar recursos ao senador do Amapá.

De acordo com a revista, o banqueiro teria feito um pagamento de US$ 30 milhões, o equivalente hoje a cerca de R$ 153,5 milhões. A cifra fora depositada numa conta secreta e repassada a Alcolumbre em troca de apoio para assuntos de interesse de Vorcaro. A revista Veja diz que a operação financeira foi feita por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.

Nesta quinta-feira, 11, a Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal manifestação informando ter rejeitado a proposta de delação de Vorcaro. O conteúdo da proposta de acordo do banqueiro ainda está em análise na Procuradoria Geral da República. O procurador-geral, Paulo Gonet, orientou à sua equipe analisar o material com cautela e não tem um prazo definido para finalizar essa análise.

Outro capítulo do acordo de delação, conforme divulgado pela revista, seria destinado a falar sobre negócios do Master com integrantes do governo da Bahia. O citado é o ex-ministro e ex-governador baiano Rui Costa. Não há referência sobre pagamento de propina, mas haveria promessa de relato do banqueiro sobre como ele manteve em funcionamento um sistema de empréstimo consignado vinculado à folha de pagamento dos servidores estaduais.

A primeira proposta apresentada por Vorcaro havia sido rejeitada em 20 de maio. Na ocasião, a PF rejeitou o material, mas a PGR demonstrou disposição em dar prosseguimento às negociações e receber complementos.

INSS tem meta de zerar fila de espera por benefícios até setembro, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse nesta quinta-feira (11), que o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) tem a meta de zerar a fila de espera por benefícios sociais até setembro deste ano, às vésperas das eleições.

“A presidente do INSS prometeu para mim que até o mês de setembro ela vai zerar a famosa fila do INSS de pessoas esperando o benefício“, disse.

Ana Cristina assumiu o cargo em substituição de Gilberto Waller, que foi demitido em 13 de abril deste ano. O tamanho da fila e a demora para analisar pedidos de benefício foi um dos motivos para que ele deixasse o comando do órgão.

Logo que iniciou os trabalhos à frente da presidência do INSS, Ana Cristina disse que sua principal função seria recuperar a confiança da população e que o volume de processos em atraso era de menos de um milhão.

De acordo com ela, a fila do INSS – de 2,7 milhões de pessoas – não condiz com a realidade dos processos em atraso. Para ela é preciso subtrair desse total 1,3 milhão de pedidos novos que entram mensalmente e mais 500 mil processos que dependem de ação dos segurados.

PT protocola pedido de investigação na PF sobre filme de Bolsonaro

PT protocola pedido de investigação na PF sobre filme de Bolsonaro

O Partido dos Trabalhadores (PT) ingressou com pedidos na Polícia Federal, no Supremo Tribunal Federal e no Ministério Público Eleitoral, solicitando investigações sobre o envio de recursos para a produção do filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. A sigla levanta suspeitas de que os recursos podem ter tido outra finalidade.

O partido alega que “há de se convir que é de difícil credibilidade a narrativa de que a integralidade dos recursos destinados por Daniel Vorcaro seria utilizada na produção do filme sobre Jair Bolsonaro”.

A previsão é de que a estreia do filme ocorra em setembro deste ano, durante a campanha eleitoral para o primeiro turno das eleições. Jair Bolsonaro não concorrerá no pleito, mas o filho dele, Flávio Bolsonaro, é pré-candidato a presidente pelo PL.

O PT informou que pediu às autoridades que “investiguem se a produção possui licenças municipais para filmagem, registro na Agência Nacional do Cinema (Ancine), contratos de distribuição, seguro compatível com uma superprodução internacional, cadeia de direitos autorais, documentação de copyright e regularidade trabalhista e migratória de profissionais estrangeiros, como o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh”.

O partido também aponta suspeita de desvio de finalidade e execução irregular de emendas parlamentares voltadas a projetos culturais e organizações não governamentais.

“A investigação mostra-se particularmente necessária para afastar ou confirmar a eventual utilização de recursos públicos, direta ou indiretamente, em atividades com potencial finalidade político-eleitoral”, sustenta a petição da sigla.

A suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o filme Dark Horse, que recebeu recursos do Banco Master, já está em apuração no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, de acordo com integrantes da corporação consultados pelo Correio. As diligências estão avançadas e aguardam decisões importantes, como o fim das tratativas de delação premiada com Daniel Vorcaro.

Governo federal autoriza saída antecipada de servidores nos dias de jogo do Brasil na Copa

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Pronunciamento à Nação. Palácio da Alvorada, Brasília - DF.
?Foto: Ricardo Stuckert / PR/Ricardo Stuckert / PR

O governo federal autorizou os servidores públicos a saírem até três horas mais cedo do trabalho nos dias de jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026. A medida, publicada no Diário Oficial da União (DOU) na quarta-feira, 9, estabelece que as horas deixadas de trabalhar terão de ser compensadas, e os órgãos são obrigados a permanecer em funcionamento durante os jogos.

A norma abrange servidores públicos, empregados públicos, contratados temporários e estagiários em exercício na administração pública federal direta, autárquica e fundacional. Os terceirizados também foram beneficiados.

Os horários de saída variam conforme o início de cada partida. Nos jogos marcados para as 14h, a ausência é permitida a partir das 11h; para jogos às 16h, a partir das 13h; às 17h, a partir das 14h; às 18h, a partir das 15h; e às 19h, a partir das 16h. Para partidas noturnas, a regra vale para quem tem expediente que se estende além do horário de início do jogo: nos jogos às 21h30, a saída é liberada a partir das 18h30, e nos jogos às 22h a partir das 19h.

A compensação das horas não trabalhadas deverá ser feita entre 3 de agosto e 30 de setembro de 2026. Quem não repuser as horas dentro do prazo terá desconto proporcional na remuneração.

Master de Vorcaro captou ao menos R$ 4,4 bilhões em previdências

O banco Master, de Daniel Vorcaro, antes da liquidação, captou ao menos R$ 4,4 bilhões em investimentos de institutos de previdências de estados e municípios, segundo levantamento da CNN Brasil. A maioria deles, conforme investigações da Polícia Federal, sem o Fundo Garantidor de Crédito, mas com promessas altas de retorno.

O maior aporte encontrado até agora foi da Rioprevidência, do estado do Rio de Janeiro, que investiu em um primeiro momento R$ 970 milhões, em 2023. No ano seguinte, investida bilionária que totalizou R$ 3,6 bilhões.

Os dados também mostram aportes de R$ 400 milhões do Amapá, R$ 97 milhões de Maceió (AL), R$ 93 milhões de São Roque (SP), R$ 87 de Cajamar (SP) e R$ 13 milhões de Santo Antônio de Posse (SP).

Há, ainda, outros R$ 154 milhões investidos no Master das previdências dos estados de Goiás, Amazonas e Mato Grosso do Sul.

A descoberta mais recente da Polícia Federal foi um aporte de R$ 3 milhões da previdência de Paulista, no litoral de Pernambuco, em 2024 no banco de Vorcaro. A promessa era de retorno de 7% + IPCA.

A PF apura nesse caso pagamento de propina do Master para os gestores do fundo em troca do investimento milionário.

A CNN já mostrou que a investigação da Compliance Zero detalha uma peregrinação de Vorcaro e seus aliados em cidades e estados para captar recursos de previdências, com aposentadorias e pensões. Dessa forma, dizem investigadores, ele inflou seu patrimônio e do banco.

Em nota, a Prefeitura de Paulista (PE) disse que está à disposição das autoridades, da mesma forma que o instituto de previdência. E que as fraudes apontadas foram em uma gestão passada. A Rioprevidência segue o mesmo posicionamento de colaborar com as investigações.

Toffoli propõe 60 dias de transição para big techs adotarem novas regras

Toffoli propõe 60 dias de transição para big techs adotarem novas regras |  CNN Brasil

O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), anunciou nesta quarta-feira (10) que irá propor um prazo de 60 dias para que as plataformas digitais se adaptem às novas regras de responsabilização por conteúdos publicados por usuários.

Relator de uma das ações sobre o tema, Toffoli iniciou voto no julgamento dos recursos apresentados por empresas de tecnologia contra a decisão tomada pela Corte no ano passado, que ampliou as hipóteses de responsabilização das plataformas por conteúdos ilícitos publicados por usuários.

Um dos recursos analisados foi apresentado pela Meta, controladora do Facebook e do Instagram, que, dentre outros pontos, defendeu a criação de um período de transição antes da entrada em vigor das novas diretrizes.

A empresa argumentou que legislações estrangeiras sobre o tema adotaram prazos de adaptação. Como exemplo, citou o Japão, a União Europeia e o Reino Unido, que concederam, respectivamente, 11, 15 e 17 meses para as empresas ajustarem seus sistemas e força de trabalho.

Os advogados da companhia também argumentaram que o próprio STF costuma prever regras de transição em casos de mudanças regulatórias complexas ou de revisão de entendimentos consolidados, de modo a permitir a adaptação dos setores afetados.

Durante a leitura do relatório sobre o caso nesta quarta, Toffoli adiantou que acolherá o pedido e irá propor um prazo de transição, apesar de significativamente menor que as referências estrangeiras trazidas pela Meta.

Segundo o ministro, a referência utilizada por ele será o ECA Digital, lei aprovada neste ano para ampliar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

A norma, uma das primeiras no país a estabelecer obrigações e sanções diretamente voltadas às plataformas, concedeu 60 dias para que as empresas realizassem as adaptações necessárias.

“Já adianto parte do meu voto para dizer que foi editado, entre a nossa decisão e esse julgamento, o ECA Digital. Nele, foi dado um prazo de 60 dias para as adequações, que até já se exauriu. Portanto, do ponto de vista da realidade concreta, eu vou, ao final, propor o mesmo prazo, que foi de 60 dias, que me pareceu bastante adequado e já está testado“, afirmou.

A proposta do ministro, no entanto, contabiliza apenas um voto nesse sentido. Para que o prazo seja de fato tornado real, ao menos outros cinco ministros precisam concordar com ele.

A sessão desta quarta foi suspensa pelo avançar da hora. Na tarde de quinta-feira (11) o julgamento deverá ser retomado para que Toffoli finalize sua manifestação e para que outros ministros possam votar.

O voto até então

Até então, Toffoli propôs uma série de ajustes na tese fixada pelo Supremo no ano passado. Um dos destaques do voto trata dos tipos de plataformas que continuam protegidos pela regra que exige ordem judicial para responsabilização.

A tese previa que os serviços de e-mail, aplicativos de mensagens privadas e plataformas de videoconferência continuariam sob tal proteção, enquanto outros tipos de plataformas já poderiam ser responsabilizados em caso de omissão após uma notificação que pede remoção de um conteúdo.

Para o ministro, porém, que essa lista de serviços que continuam regidos pela regra que exige ordem judicial para responsabilização deve alcançar uma série de outras plataformas que exerçam baixa ou nenhuma influência sobre a circulação de informações publicadas pelos usuários.

O ministro citou como exemplo a Wikipédia, que pouco interfere na atividade do usuário on-line. Para ele, a atuação da Wikipédia é muito diferente da exercida por redes sociais que coletam dados, utilizam algoritmos de recomendação e promovem conteúdos a usuários. Segundo ele, essas outras redes oferecem riscos maiores aos direitos fundamentais e devem ser tratadas de forma diferente, com regras mais rígidas de responsabilização.

“Se esse provedores possuem atividades diversas, modelos de negocio distintos e funcionalidades que não se equiparam com as mencionadas nos fundamentos dos votos para justificar os déficits de proteção dos direitos fundamentais na internet, principalmente se eles possuem nenhuma ou baixa interferência no fluxo comunicativo e informacional, a rigor, não há razão para excluí-los da incidência do artigo 19 do MCI“, afirmou o ministro.

Toffoli também buscou esclarecer que serviços de e-mail e mensagens privadas só estarão nessa categoria quando se limitarem às comunicações protegidas por sigilo. Se a plataforma passar a impulsionar conteúdos ou inserir publicidade direcionada, poderá ficar sujeita às regras mais rigorosas.

Sede jurídica no país

Outro ponto abordado no voto nesta quarta (10) envolve a exigência de que todas as plataformas tenham representação jurídica no Brasil, prevista na tese aprovada em 2025.

Ao atender a um dos pedidos no recurso, o ministro sugeriu, porém, restringir a obrigação a plataformas com “atuação econômica no país”, dispensando a obrigatoriedade para provedores voltados exclusivamente a finalidades sociais, culturais ou de utilidade pública.

O ponto provocou uma ressalva do ministro Alexandre de Moraes, que já teve embates judiciais com a plataforma X, pertencente ao Elon Musk, sobre o tema. Ele afirmou que plataformas sem fins econômicos também podem ser usadas para a prática de crimes e defendeu cautela para evitar dificuldades na aplicação de decisões judiciais brasileiras.

“Já coloco a minha preocupação com esse ponto porque, hoje, crimes praticados nas redes não são praticados só por aqueles que têm finalidade econômica, são também por aqueles que tem finalidade ideológica. Uma plataforma, por exemplo, com mensagens nazistas sem finalidade econômica, se não tiver aqui uma sede, não tem como a justiça brasileira controlar. E aí passa do 8 pro 80, se não tem sede, acaba tendo que retirar totalmente de circulação do território nacional”, disse o ministro.

Toffoli respondeu que entende a ressalva e que está aberto a rever a proposta durante o debate que se estenderá amanhã.

Moraes autoriza que Flávio, netas e nora visitem Bolsonaro

Moraes autorizou a prisão domiciliar temporária de Bolsonaro, considerando a necessidade de recuperação da saúde fora do ambiente prisional/Sergio Lima/AFP

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (10) que o ex-presidente Jair Bolsonaro receba a visita do filho Flávio Bolsonaro (PL), da nora Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro e das duas netas menores de idade. O encontro está marcado para sábado (13), das 11h às 13h.

“O pedido formulado para autorização de visitas do filho, netas e nora do custodiado, revela-se compatível com as finalidades da prisão domiciliar e com as condições anteriormente fixadas, contribuindo para a manutenção do suporte familiar indispensável ao adequado cumprimento da pena, nas mesmas condições que seria concedida no estabelecimento penitenciário“, afirmou o ministro na decisão.

Moraes determinou que os visitantes serão vistoriados e os aparelhos eletrônicos ficarão com os policiais.

A decisão atende ao pedido protocolado pela defesa na terça-feira, 8, que identificou as visitantes como “integrantes do núcleo familiar próximo” do ex-presidente. As netas são filhas do casal Flávio e Fernanda. Flávio Bolsonaro é pré-candidato à Presidência da República.

Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 24 de março, quando recebeu alta após duas semanas de internação em tratamento intensivo por pneumonia bacteriana. A medida humanitária, concedida pelo próprio Moraes, tem prazo de 90 dias a contar da alta e visa garantir a recuperação completa do ex-presidente.

Ele foi condenado pela Primeira Turma do STF, em setembro de 2025, a 27 anos e 3 meses de prisão por seu papel na tentativa de golpe de Estado. A pena inclui 24 anos e 9 meses de reclusão e 2 anos e 6 meses de detenção, em regime inicialmente fechado.

TCU aprova com ressalvas contas do governo Lula de 2025

Análise das contas do governo Lula foi feita nesta quarta-feira (10) pelo plenário do TCU/Samuel Figueira/TCU

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta quarta-feira (10), por unanimidade, as contas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) referentes a 2025, mas com diversas ressalvas e alertas relacionadas à execução orçamentária e financeira.

Os ministros seguiram na íntegra o parecer do relator das contas da União, Benjamin Zymler, que em seu voto afirmou que “as contas são fidedignas”. Contudo, Zymler apontou problemas no controle de renúncias fiscais e na trajetória da dívida pública, entre outros.

Entre as principais ressalvas indicadas está o empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios, que, na avaliação do relator, foi aprovado pelo governo sem análise técnica adequada. “Não houve um exame adequado do plano de recuperação nem dos riscos fiscais associados à concessão de garantia, pela União, ao empréstimo tomado à Empresa de Correios e Telégrafos”, disse Zymler ao apresentar o resultado do exame nas contas feito pelo corpo técnico do TCU.

As contas foram examinadas em sessão extraordinária na sede do TCU, em Brasília, que contou com a presença de três ministros de governo: Bruno Moretti (Planejamento), Vinícius de Carvalho (Controladoria-Geral da União) e Miriam Belchior (Casa Civil).

Meta fiscal

No relatório, Zymler reconheceu o cumprimento da meta fiscal para 2025, que era de gastos iguais às receitas, com tolerância de 0,25% de déficit. Contudo, ele ressalvou que o déficit do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) ficou em 0,47%, o equivalente a R$ 58,6 bilhões.

Outro ponto ressalvado pelo relator foi o tamanho das despesas que ficaram, por aprovação do Congresso, de fora da meta fiscal formal, na ordem de R$ 48,7 bilhões. Isso prejudica a confiança nas regras fiscais, destacou Zymler.

O corpo técnico do TCU apontou a discrepância entre o esforço fiscal realizado e aquele necessário para estabilizar a trajetória da dívida pública. Segundo cálculos da corte de contas, seria necessário um superávit primário de 1,94% no Governo Central.

Entre os alertas, o relatório apontou, por exemplo, a rigidez na execução orçamentária, com 91,4% dos gastos realizados pelo governo sendo de natureza obrigatória.

Renúncias fiscais

Outro alerta diz respeito ao tamanho das renúncias fiscais, que chegam a R$ 544 bilhões, ou 4,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Desse montante, 47% não têm prazo de vigência, enquanto mais de 47% de 21 das principais politicas não passam por avaliação periódica. Tais renúncias comprometem o esforço para que o governo cumpra a meta fiscal.

O TCU também destacou a pressão sobre as contas públicas exercida pelo patamar elevado da taxa básica de juros da economia, a Selic, que se encontra em 14,5% ao ano e majora o custo da dívida pública.

O parecer aprovado pelo plenário do TCU deverá agora ser encaminhado ao Congresso Nacional, a quem cabe a decisão final sobre a aprovação das contas de governo, ou seja, se elas atendem ao novo arcabouço fiscal.