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Envolto no caso Master, Flávio critica PT após operação da PF contra Jaques Wagner

Flávio Bolsonaro (PL-RJ)/Andressa Anholete/Agência Senado

O senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou o PT após a operação da Polícia Federal (PF) contra o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), em novo desdobramento do caso Master. Segundo as investigações, há indícios de que o senador tenha recebido propinas de Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro.

“Escândalo envolvendo o PT é como a incompetência do governo Lula: não tem como esconder“, disse Flávio Bolsonaro em publicação no X (antigo Twitter). Ao criticar Wagner e o PT nesta quinta-feira (18), Flávio também voltou a pedir pela CPMI do Master.

Embora critique a citação a um petista nas investigações, o próprio Flávio Bolsonaro está envolto no caso Master, ainda que não seja formalmente acusado ou investigado. No mês passado, o site Intercept Brasil revelou que o senador pediu dinheiro a Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, cujo roteiro é inspirado na vida do pai.

Além do pedido de dinheiro ao ex-dono do Master, Flávio Bolsonaro foi à casa de Vorcaro em dezembro do ano passado, enquanto ele estava cumprindo medidas cautelares após ser liberado da primeira vez em que foi preso. Segundo o senador, a visita ocorreu para colocar um “Ponto final” em sua relação com o ex-banqueiro.

Desde que sua relação com Vorcaro foi revelada, Flávio Bolsonaro passou a defender a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso Master. Porém, como mostrou o Estadão, o senador não apoiou todos os pedidos de investigação parlamentar sobre o caso.

Dos cinco requerimentos de investigação que buscam signatários no Senado, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro apoiou apenas dois. Esse fato vai de encontro à versão do próprio senador, que alegou ter apoiado todas as iniciativas do gênero.

Jaques Wagner vai conseguir “se explicar e se defender”, diz ministro da Fazenda

 Dario Durigan, Ministro da Fazenda / Washington Costa/MF

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quinta-feira (18), acreditar que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), vai conseguir “se explicar e se defender” após ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal.

“Eu estou muito tranquilo com isso e acho que o senador Jaques Wagner vai prestar os esclarecimentos devidos à Justiça“, disse o ministro, durante entrevista ao portal Metrópoles.

A Polícia Federal cumpre nesta manhã mandados de busca e apreensão contra o Wagner, em uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master e ao dono da instituição, Daniel Vorcaro. Um ex-sócio do ex-banqueiro, o baiano Augusto Lima, também é alvo.

A PF suspeita que Wagner recebeu um imóvel e pagamento de propina por meio de uma empresa ligada a um dos seus familiares. A estrutura teria sido utilizada para ocultar vantagens indevidas supostamente pagas no contexto das fraudes investigadas na Compliance Zero.

Wagner foi governador da Bahia entre 2007 e 2014, quando implementou o Credcesta, um sistema de crédito consignado para servidores públicos ligado à Cesta do Povo, uma rede de supermercados do governo do Estado. O Credcesta foi, posteriormente, levado para o Banco Master por Augusto Lima e se tornou um dos principais ativos do banco.

Respondendo a uma pergunta sobre o tema, Durigan disse que a situação de Wagner é “muito diferente” de pessoas que atuaram para aumentar o limite do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), em uma crítica ao senador e ex-ministro do governo Bolsonaro Ciro Nogueira (PP-PI), que também é investigado no esquema.

Durigan voltou a afirmar que o escândalo do Master foi gestado no período em que o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto chefiou a autoridade monetária (2019-2024). A autorização para que Vorcaro tomasse o controle do banco ocorreu em 2019 e a expansão do negócio ocorreu desta data até 2024, disse ele.

Vorcaro pagava R$ 400 mil por mês à “Turma” por informações e ameaças

Daniel Vorcaro

Relatórios preliminares da PF (Polícia Federal) indicam que Daniel Vorcaro, dono do Banco Mater, usava intermediários para pagar R$ 400 mil por mês a um grupo formado por policiais, milicianos e bicheiros para a obtenção de informações sigilosas, monitoramento de investigações e intimidação contra pessoas consideradas desafetas do banqueiro.

As conclusões constam de documentos produzidos no âmbito da Operação Compliance Zero, que foram tornadas públicas pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal) na última terça-feira (16).

Segundo a PF, o grupo, conhecido como “A Turma”, era liderado pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva e atuava sob coordenação de Felipe Mourão, apelidado de “Sicário” nas conversas apreendidas pelos investigadores.

Ainda segundo as apurações, Felipe Mourão e Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, eram os operadores financeiros responsáveis por parte dos pagamentos efetuados ao núcleo criminoso.

De acordo com a corporação, o grupo tinha como atribuições levantar informações sobre inquéritos policiais e processos judiciais, inclusive sob sigilo, acessar dados em sistemas restritos e intimidar pessoas que ofereciam algum tipo de ameaça a Vorcaro. Ainda segundo a PF, o grupo continuou atuando ativamente mesmo após as deflagrações da primeira e da segunda fase da Operação Compliance Zero.

Até o momento, os investigadores identificaram como integrantes do grupo os policiais federais Marilson Roseno da Silva, Sebastião Monteiro Júnior e Anderson Wander da Silva Lima, além do operador do jogo do bicho Manoel Mendes Rodrigues. A PF afirma haver indícios de que o núcleo contava ainda com outros quatro a seis integrantes não identificados.

A investigação aponta que “A Turma” recebia R$ 400 mil por mês, que era dividido entre os integrantes. Segundo a PF, os recursos eram repassados pela empresa King Participações Imobiliárias Ltda., de propriedade de Felipe Mourão, após transferências de aproximadamente R$ 1 milhão mensais oriundas de empresas ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro, especialmente a Super Empreendimentos e Participações S.A.

Com isso, PF estima que o grupo possa ter recebido cerca de R$ 9,6 milhões entre 2023 e 2025. Segundo mensagens apreendidas, em certas ocasiões, o banqueiro também recompensava os “funcionários” com bônus.

Eduardo Bolsonaro pede volta de sanções contra Moraes um dia após condenação no STF

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro sugeriu negociação do Brasil com os EUA/Alan Santos/PR

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pediu ao presidente norte-americano, Donald Trump, a retomada de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF). O filho de Jair Bolsonaro foi condenado na terça-feira, 16, por coação no curso do processo da trama golpista. A corte determinou prisão de quatro anos e dois meses, em regime semiaberto, e multa de R$ 165 mil.

“Presidente Trump, por favor, retome a Magnitsky“, disse Eduardo em vídeo publicado no X. Moraes já foi sancionado com base na Lei Magnitsky no ano passado, mas Trump recuou meses depois.

Na gravação, Eduardo aparece falando em inglês, dentro de um carro, e afirma estar em Dallas, no Texas.

No texto da postagem, ele reitera o pedido. “Por favor, reimponha sanções contra esta figura autoritária. As mesmas pessoas que me perseguem hoje também desprezam tudo pelo que sua administração se posiciona: liberdade de expressão, democracia e o Estado de Direito”.

Eduardo afirma desconhecer os detalhes do processo, dizendo que tudo o que sabe vem da imprensa e das redes sociais, pois não teria sido intimado nos Estados Unidos. Também afirma ser vítima de uma perseguição devido a sua relação com autoridades americanas.

Além disso, o ex-deputado afirmou que será anistiado, assim como Jair Bolsonaro, caso seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seja eleito.

“Vamos eleger em outubro Flávio Bolsonaro presidente do Brasil para resgatar nossa boa relação não só com os Estados Unidos, mas com as democracias ao redor do mundo“, afirma.

Para justificar o pedido de sanções, Eduardo elenca uma série de ações de Moraes: o congelamento das contas do Starlink no Brasil a detenção do assessor americano Jason Miller em aeroporto e a expedição de mandados contra cidadãos americanos que publicavam no X a partir do território dos EUA. Relembrou, ainda, a decisão da corte italiana sobre a extradição de Carla Zambelli.

As declarações de Eduardo ocorreram no mesmo dia em que Donald Trump, durante a cúpula do G7, falou sobre a condenação.

“Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Acabei de me despedir dele e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque ele fez uma declaração no Texas. Eles o prenderam, ou querem prendê-lo“, afirmou.

Trump fez confusão com os nomes dos filhos do presidente Jair Bolsonaro. Quem concorre, na verdade, é Flávio. Eduardo é quem foi condenado à prisão. Não existe um “Bolsonaro Jr”.

O presidente americano também disse que o Brasil está “perigoso politicamente“. A fala provocou reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Pra mim ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, afinal, gosto não se discute. Só não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são problema do Brasil”, afirmou o petista.

Ciro Nogueira recebeu ao menos R$ 6 milhões em mesadas de Vorcaro, diz PF

Ciro Nogueira recebeu ao menos R$ 6 milhões em mesadas de Vorcaro, diz PF |  CNN Brasil

A PF (Polícia Federal) apontou que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu ao menos R$ 6 milhões em pagamentos do então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, entre 2024 e 2025.

A informação consta nos autos do processo que apura uma suposta fraude financeira na atuação do banco e que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) sob relatoria do ministro André Mendonça.

Segundo a PF, Vorcaro e Ciro Nogueira mantinham uma relação marcada pela “convergência de interesses ilícitos” e pela obtenção de vantagens mútuas.

Os investigadores afirmam que o banqueiro teria transferido ao senador valores mensais de ao menos R$ 300 mil durante 20 meses, o que elevaria o total dos repasses para pelo menos R$ 6 milhões.

Além da “mesada”, Ciro também teria obtido um “benefício econômico direto” de pelo menos R$ 468 mil em despesas com viagens e refeições no exterior custeadas por Vorcaro.

Entre os episódios citados está uma viagem a Courchevel, tradicional estação de esqui nos Alpes franceses. Nos dias 21 e 22 de janeiro de 2025, Vorcaro teria arcado com R$ 122.112 em gastos de Ciro em dois restaurantes da região. A investigação também aponta despesas com hospedagem e alimentação do senador em cidades como Nova York, Paris e Lisboa.

Segundo a PF, o valor estimada não inclui custos com voos particulares utilizados em ao menos três viagens internacionais de ida e volta ao Brasil, nem em dois deslocamentos realizados dentro dos Estados Unidos.

“Tal vínculo de amizade transcende a mera relação pessoal, revelando-se, na verdade, uma relação funcional e instrumental, estruturada a partir da convergência de interesses ilícitos e orientada pelo benefício mútuo extraído por cada um dos envolvidos“, diz a PF.

As despesas, segundo a PF, reforçam a tese de que Ciro recebia vantagens indevidas para atender a interesses de Vorcaro no Senado. A investigação mostrou, por exemplo, que minutas de propostas legilativas eram elaboradas por uma equipe de Vorcaro e enviadas a Ciro, para que ele as apresentasse no Congresso.

Uma delas é a chamada “emenda Master”, que propunha aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), beneficiando diretamente o Master, que usava a garantia para atrair investidores. ar.

A CNN procurou a defesa de Ciro Nogueira para comentar as conclusões da investigação. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

Lula, em conversa na cúpula do G7: “Eu nunca fui esquerdista”

Presidente Lula na cúpula do G7/ Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (17), durante uma conversa no G7, que “nunca” foi um “esquerdista“. Também “fez campanha” para o sistema eleitoral brasileiro de eleição e disse que a Organização das Nações Unidas (ONU) deveria adotar o modelo de votação.

Essas falas ocorreram em uma conversa com o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, e com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva. Apesar de a conversa ser reservada, a chegada dos líderes para a reunião do G7, em Évian-les-Bains, na França, estava sendo transmitida e a conversa pôde ser ouvida ao fundo.

Lula fazia uma digressão sobre a presença de líderes de direita e esquerda nos principais países do ocidente. Falou que a direita liderou esses países por muito mais tempo e chegou à conclusão de que “o mundo não é de esquerda“.

“Ou seja, o que isso prova? Que o mundo não é de esquerda (risos). O mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade“, afirmou.

Georgieva, então, disse: “Mas quando você foi presidente pela primeira vez, todo mundo esperava que você fosse um esquerdista, e você não foi”.

Lula respondeu, contando uma história sobre não ter conseguido ir à Rússia nos anos 1980: “Mas eu nunca fui esquerdista. Veja, eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, tinha uma relação com o sindicalismo italiano, com a UGT espanhola. Em 1980, eu tinha um congresso na Rússia em que fui convidado e não fui para a Rússia porque estava condenado pela lei de segurança nacional. Fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade e passei a ser tratado como anticomunista”.

Urnas eletrônicas

Antes disso, Lula falava a Merz e a Georgieva sobre o sistema brasileiro de votação. O presidente explicou, passo a passo, como a eleição acontece – como o eleitor se dirige à urna, os itens proibidos para a votação, quais os candidatos nos quais votam etc.

“A eleição no Brasil é muito rápida. A eleição termina às 17h e às 19h já temos os resultados de 160 milhões de votos. Eu não sei porque a ONU não adota o sistema eletrônico como orientação aos outros países“, disse Lula. Merz respondeu que “na Alemanha nós não temos” isso, em tom bem-humorado.

O presidente brasileiro disse aos dois que “em 30 segundos ele (eleitor) vota”. Tentou passar para os dois a simplicidade com que se dá a votação no Brasil. Falou também sobre a campanha eleitoral, disse que ela é curta e que há “quatro ou cinco candidatos” na disputa presidencial. Afirmou que ele é “o único eleito três vezes e possivelmente o único eleito quatro vezes”.

A conversa aconteceu antes da reunião do G7 nesta quarta-feira, na França. Lula participou do encontro como convidado.

Relatório da PF expõe articulação e influência de Vorcaro no meio político

Caso Master revela um sistema que está todo apodrecido

Determinada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a quebra de sigilo sob parte da investigação da PF (Polícia Federal) contra o grupo de Daniel Vorcaro evidenciou as ligações pessoais e econômicas do dono do antigo Banco Master com a classe política. Há provas que demonstram a profundidade da influência do ex-banqueiro, indo desde o pagamento de viagens para destinos europeus a parlamentares até informações privilegiadas vindas de funcionários públicos do alto escalão.

Segundo os relatórios da PF, a relação mais direta de Daniel Vorcaro com um político teria ocorrido junto ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). A apuração indicou que o parlamentar teve um “benefício econômico direto” de ao menos R$ 468 mil em viagens e jantares em quatro países pagos pelo ex-banqueiro. O empresário também teria realizado repasses mensais de, no mínimo, R$ 300 mil ao longo de aproximadamente 20 meses, totalizando ao menos R$ 6 milhões.

Um exemplo notável ocorreu em Courchevel, nos Alpes franceses, nos dias 21 e 22 de janeiro de 2025. O então controlador do Master teria bancado R$ 122.112,00 em despesas do senador em dois restaurantes que têm as montanhas como vista. Haveria ainda repasses para desembolsar hospedagem e alimentação em Nova York e Paris.

De acordo com os investigadores, o valor total não leva em consideração gastos com voos privados, realizados em ao menos três oportunidades em deslocamentos internacionais de entrada e saída do Brasil, bem como em duas ocasiões em voos internos nos Estados Unidos.

“Tal vínculo de amizade transcende a mera relação pessoal, revelando-se, na verdade, uma relação funcional e instrumental, estruturada a partir da convergência de interesses ilícitos e orientada pelo benefício mútuo extraído por cada um dos envolvidos“, sustenta a Polícia Federal.

A situação não ficaria restrita aos passeios do parlamentar. A PF afirma, em relatório de inquérito preliminar, que Vorcaro tinha uma atuação conjunta com Ciro Nogueira em projetos de lei de interesse do banqueiro, em uma relação marcada pela “convergência de interesses ilícitos” e pelo benefício mútuo.

Conversas de novembro de 2023 mostram que Vorcaro determinou a retirada de envelopes na residência do senador que, supostamente, continham minutas de projetos legislativos. Os documentos teriam sido levados a um escritório indicado pelo banqueiro para revisão e, posteriormente, entregues a um assessor lotado no gabinete do político.

A CNN buscou manifestações da defesa de Ciro Nogueira. Não houve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.

Evento em Lisboa

Além disso, conversas encontradas pela PF no celular de Daniel Vorcaro mostram que ele solicitou reservas ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e ao senador Ciro Nogueira, em um hotel de Lisboa, Portugal, em junho de 2024, para um encontro com políticos na cidade portuguesa.

Segundo as investigações, o antigo dono do Banco Master enviou uma mensagem para Léo Serrano, identificado como um dos intermediários das operações de Vorcaro, em 18 de junho daquele ano. Ele solicita um quarto para ele próprio, além de “Ciro” e “Hugo”. A PF alega que os nomes mencionados se referem, de fato, aos parlamentares.

Dias depois, Serrano responde a demanda e diz: “Ciro e Hugo cada um tem uma JR. Suite”. O quarto teria sido reservado no hotel Four Seasons, de acordo com as investigações.

Na sequência, o intermediário pergunta se o ex-banqueiro tinha acesso ao que chamou de “lista de homens”. Vorcaro repassa, então, uma relação de nomes e acrescenta que os demais convidados seriam informados posteriormente. “A lista apresentada por Daniel Bueno Vorcaro demonstra que as referências a ‘Ciro e Hugo’, para os quais foi solicitada a reserva de quartos, dizem respeito a Ciro Nogueira e Hugo Motta“, afirma a PF.

Na tarde dessa terça-feira (16), o presidente da Câmara dos Deputados se manifestou sobre o assunto em uma fala à imprensa. Motta disse que participou de um “evento corporativo” e que tem “muita tranquilidade”.

“Não via problemas porque é um evento corporativo, eu participei esse ano como presidente da Câmara. Tudo está sendo apurado. Eu sempre fui a favor da transparência e as investigações vão acontecer“, declarou o deputado.

Influência no BC

A investigação aponta que a influência de Vorcaro conseguiu atingir o BC (Banco Central), por onde soube de uma reunião sigilosa entre a Polícia Federal e o BC sobre as investigações envolvendo o Banco Master.

Vorcaro também sabia em que vara as irregularidades do Master seriam julgadas inicialmente – antes do caso ser transferido para o STF – e qual o nome do juiz responsável pelo processo até então. Quando interrogado em audiência determinada pelo Supremo, em dezembro do ano passado, sobre como obteve tal informação, ele respondeu apenas que soube após publicação na imprensa.

Entretanto, segundo investigação da PF, foi o próprio ex-banqueiro quem vazou as informações para um jornalista. Em prints divulgados na petição, o repórter teria recebido dinheiro de Vorcaro para publicar informações de interesse do então banqueiro.

Além disso, mensagens indicam que um ex-diretor do BC alertou o dono do Banco Master sobre a reação negativa do mercado à chamada “emenda Master”. Apresentada pelo senador Ciro Nogueira, a proposta previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), medida que favoreceria o modelo de negócios do Banco Master.

Tentativa de acionar PF e PGR

O relatório preliminar da corporação policial indica que o ex-banqueiro buscou contato com os diretores da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, e da PGR (Procuradoria Geral da República), Paulo Gonet, pouco antes de sua prisão.

Conforme a peça, pouco antes de sua primeira prisão, em novembro de 2025, Vorcaro pediu que um interlocutor reforçasse com os diretores para que os subordinados das corporações não praticassem “alguma sacanagem”, senão iria “tudo pro saco”.

O conteúdo obtido pela investigação estava no bloco de notas do ex-banqueiro e o interlocutor não teve sua identidade revelada.

Segundo a nota encontrada no celular de Daniel Vorcaro, ele recebeu informações confidenciais por parte de amigos de dentro do Banco Central que “ficaram preocupados” com a pressão feita pela Polícia Federal e pelo Ministério Público contra o BC, antes da deflagração da Operação Compliance Zero.

O ex-banqueiro mantinha desde julho de 2025 um mapeamento sobre todas as investigações que pudessem envolver as fraudes do agora liquidado Banco Master. Foi por meio desse meio ilegal que Vorcaro teve acesso aos documentos iniciais que resultaram na Operação Compliance Zero, ainda em novembro do ano passado, ocasião em que foi preso pela primeira vez.

O ex-banqueiro foi solto dias depois. A partir da contextualização dos envolvidos, Vorcaro passou a monitorar autoridades para tentar influenciar agentes públicos em seu favor.

Segunda Turma do STF mantém prisões de pai e primo de Vorcaro

Henrique Vorcaro, pai do dono do Master, foi preso em uma das fases da operação/Reprodução/Redes Sociais

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (16) manter as prisões do pai do banqueiro Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, e do primo dele, Felipe Vorcaro.

De acordo com as investigações, Henrique e Felipe auxiliavam Vorcaro na ocultação de recursos do esquema de fraudes no sistema financeiro por meio do Banco Master.

Por 3 votos a 1, a turma referendou a decisão individual do ministro André Mendonça, relator do caso, que determinou as prisões.

Além de Mendonça, os votos pela manutenção das prisões foram proferidos pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Gilmar Mendes ficou vencido e votou pela concessão de prisão domiciliar ao pai de Vorcaro.

Dias Toffoli se declarou impedido e não participou do julgamento. No início deste ano, o ministro assumiu que é sócio do Resort Tayayá, que foi comprado por um fundo de investimento controlado pelo Banco Master.

No dia 14 de maio, os dois acusados foram alvo da sexta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investiga fraudes financeiras no Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal (GDF). A defesa dos acusados afirmou que a prisão é desnecessária.

Lula debate com líderes europeus sobre vetos a produtos brasileiros

Presidente Lula se reuniu com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa/Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta terça-feira (16) com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, para pedir a revisão das restrições a produtos brasileiros, incluindo carne e materiais siderúrgicos.

O encontro ocorreu em Évian, na França, onde o presidente do Brasil participa como convidado da Cúpula do G7, grupo formado por Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá e União Europeia.

Segundo Lula, em postagem nas redes sociais, o Itamaraty vai trabalhar em conjunto com funcionários da Comissão Europeia “para identificar as dificuldades” em relação aos produtos.

“Nos comprometemos a buscar soluções que contemplem as preocupações europeias, seja de ordem sanitária, fitossanitária e de proteção da sua indústria de aço, bem como os legítimos interesses exportadores do Brasil, em consonância com o acordo Mercosul-União Europeia”, escreveu o presidente.

Veto a partir de setembro

A União Europeia decidiu proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil no último dia 6. O veto entraria em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

A decisão foi anunciada em maio, depois da entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias do bloco, especialmente a de não utilizar, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

PGR pede condenação de Eduardo Bolsonaro por coação no STF

Eduardo Bolsonaro em Plenário

O subprocurador-geral da República Antônio Edílio defendeu nesta terça-feira (16), no julgamento da Primeira Turma do STF, a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo crime de coação no curso do processo.

A PGR descartou a preliminar de que o julgamento não poderia prosseguir em razão da ausência do réu nos Estados Unidos, argumentando que Eduardo Bolsonaro tem pleno conhecimento da ação penal movida contra ele.

No mérito, o subprocurador sustentou que as ameaças do ex-parlamentar saíram do papel. Como exemplos, citou a suspensão de vistos internacionais de oito dos onze ministros do STF pela Secretaria de Estado americana, em 18 de julho de 2025, e a imposição de sobretaxas dos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Edílio apontou ainda a aplicação, em 30 de julho de 2025, de sanções previstas na Lei Magnitsky ao relator da ação penal, medida que Eduardo Bolsonaro havia antecipado publicamente e celebrado nas redes sociais.

Segundo o subprocurador, o próprio denunciado reivindicou a autoria das articulações que resultaram nas sanções, em postagens nas redes sociais.

Vorcaro bancou viagens de Ciro a Paris, NY, Lisboa e Courchevel, diz PF

A Polícia Federal afirmou, em relatório enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal), que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) teve um “benefício econômico direto” de ao menos R$ 468 mil em viagens e jantares em quatro países pagos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O documento foi enviado ao ministro André Mendonça, relator da investigação sobre as fraudes de Vorcaro e do Banco Master, no dia 20 de março deste ano. O senador foi alvo de busca e apreensão pela PF no início de maio.

A informação foi tornada pública nesta terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça, pouco depois de o ministro Gilmar Mendes marcar o julgamento sobre a prisão de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo de Daniel, respectivamente. Gilmar havia pedido vista e, quando a análise do caso foi iniciada, Mendonça mantinha a íntegra da apuração sob sigilo.

A PF estima, com base na análise de mensagens, invoices e registros de conversão cambial, que Ciro Nogueira teria recebido ao menos R$ 468.721,78 em viagens e jantares pagos por Vorcaro em quatro países:

  • No restaurante GIGI, em Paris, em 13 de abril de 2024, o desembolso registrado foi de USD 1.981,12, convertido para R$ 10.175,82;
    Em Nova York, em maio de 2024, a PF identificou pagamento de seis diárias no Hotel Park Hyatt New York, de 12 a 18 de maio, com valor unitário de US$ 4.791,24 (R$ 24.583,37) e valor total de US$ 47.779,80 (R$ 245.153,37);
  • Em Lisboa, em junho de 2024, a reserva de cinco diárias em JR. SUITE atribuída a Ciro Nogueira no Hotel Four Seasons totalizou R$ 91.280,59, correspondendo a um custo diário aproximado de R$ 18.256,12.
  • Em Courchevel, nos Alpes franceses, nos dias 21 e 22 de janeiro de 2025, as despesas identificadas em restaurantes somaram R$ 122.112,00, sendo R$ 63.600,00 no La Soucoupe e R$ 58.512,00 no Le Tremplin

De acordo com os investigadores, o valor total não leva em consideração gastos com voos privados, realizados em ao menos três oportunidades em deslocamentos internacionais de entrada e saída do Brasil, bem como em duas ocasiões em voos internos nos Estados Unidos.

Os investigadores afirmam ainda terem identificado registros em listas de pagamentos e diálogos que fazem referência a destinatário identificado como Ciro, “em valores vultosos”.

A PF diz que, embora demandem cautela adicional em razão da existência de homônimo, os registros “reforçam o cenário de circulação financeira associada ao investigado” Ciro Nogueira.

A CNN Brasil procurou Ciro Nogueira e ainda obteve resposta. O espaço segue aberto.

“Relação instrumental”

A PF elenca as despesas de Ciro Nogueira pagas por Daniel Vorcaro para reforçar a tese da corporação de que existia uma “relação pessoal estreita, contínua e marcada por elevado grau de intimidade entre o empresário e o senador”.

“Tal vínculo de amizade transcende a mera relação pessoal, revelando-se, na verdade, uma relação funcional e instrumental, estruturada a partir da convergência de interesses ilícitos e orientada pelo benefício mútuo extraído por cada um dos envolvidos“, sustentam os investigadores.

“A análise revelou indícios robustos, convergentes e reiterados da concessão de vantagens patrimoniais e financeiras indevidas em favor do senador Ciro Nogueira, concedidas direta ou indiretamente por Daniel Bueno Vorcaro e por pessoas e empresas a ele vinculadas, configurando um padrão contínuo de benefícios incompatível com relações pessoais ou negociais regulares“, diz a PF.

Irmã de Sicário disse que poderia “acabar com a família” de Vorcaro

Irmã de Sicário enviou recados a pai de Vorcaro: 'Tenho material para acabar  com a família inteira' - Estadão

A PF (Polícia Federal) afirma que Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, ameaçou “acabar com a família” de Daniel Vorcaro e que aliados do ex-banqueiro atuaram para comprar seu silêncio.

A PF identificou conversas em celulares de investigados e, em uma delas, Joana diz que poderia revelar documentos que acabariam com Vorcaro e sua família. A informação está em documento elaborado pela polícia e encaminhado ao STF (Supremo Tribunal Federal).

A corte julgará nesta terça-feira (16) se mantém a prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel. O relator, ministro André Mendonça, retirou o sigilo do caso e tornou público o relatório da PF.

A polícia afirma que Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo e que seria braço direito de Henrique Vorcaro, atuou para comprar o silêncio de Joana.

A irmã de Sicário cobrou pessoas próximas a Vorcaro por estar passando dificuldades financeiras e disse que estava “desesperada”.

Juntamente com sua mãe, Joana chegou a se encontrar em 26 de abril com Manolo, que relatou a Henrique o encontro.

“‘Henrique boa noite, estamos conversando com a mãe aqui (…) vamos passar os contratos dos ativos pertinentes ao nosso amigo, no nome dela mãe, para resolver a questão, amanhã dr André já entrará em contato com o dr Thiago para alinhar isso”, diz.

Ela, porém, continuou com as ameaças. Segundo a investigação, em 7 de maio, ela enviou a Manolo uma notícia sobre a prisão do primo do ex-banqueiro, Felipe Vorcaro.

‘”Já foi o filho, o genro, hoje o sobrinho, no que depender de mim, HV será o próximo. Domingo já coloco tudo no Fantástico e no Cabrini dessa família’ maldita!!!“, diz Joana. A mensagem foi interceptada pela PF, que entende que HV seria uma referência a Henrique Vorcaro.

Alexandre de Moraes dá 24 horas para Bolsonaro explicar arma apreendida em blitz

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (16) que a defesa do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro preste esclarecimentos, no prazo de 24 horas, sobre uma arma de fogo de propriedade de Bolsonaro apreendida em uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) na noite da última segunda-feira (15).

O ex-presidente está em prisão domiciliar desde o dia 24 de março, quando deixou o Hospital DF Star, em Brasília, após ser internado para tratar um quadro de pneumonia bacteriana.

De acordo com a decisão de Moraes, a arma foi apreendida às 23h30 da segunda (15), quando um Honda Civic foi parado em um ponto de bloqueio no Pistão Norte, em Taguatinga. Na abordagem, o motorista se identificou como servidor do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) e disse que a arma pertencia ao ex-presidente.

Durante a blitz, também foi localizado um carregador sobressalente da pistola, modelo Glock 9 milímetros (mm). O motorista foi conduzido até uma delegacia, onde afirmou que a arma lhe foi entregue em razão de uma pane. Em depoimento, ele relatou ainda que retirou a pistola no próprio dia 15 com a finalidade de realizar o reparo e que o armamento seria devolvido no dia seguinte.

O que Moraes pede na decisão?

Na decisão, Moraes pede que a defesa de Bolsonaro esclareça a razão pela qual o ex-presidente mantinha uma arma de fogo em casa, com carregador sobressalente, e porque, às vésperas do encerramento do período de 90 dias concedido à título de prisão domiciliar humanitária, o condenado solicitou a realização de reparo no armamento.

O ministro pede ainda que o tenente-coronel Allenson Nascimento Lopes, comandante do 19º Batalhão da PMDF e responsável pelas medidas de segurança do regime domiciliar humanitário, esclareça se a ordem judicial de revista nos carros que saem da residência de Bolsonaro – inclusive em veículos oficiais que fazem a segurança do ex-presidente – está sendo cumprida integralmente.

Antes da decisão que autorizou a prisão domiciliar, Bolsonaro cumpria pena no 19° Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O local é conhecido como Papudinha. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão na ação penal da trama golpista.

G7: Brasil lidera mobilização global para definir preparação para futuras pandemias

Organização Mundial de Saúde /Foto: Fabrice Coffini/AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, divulgaram, nesta segunda-feira (15/04) na França, uma carta aberta para os países participantes do G7.

O documento convoca os líderes das maiores economias do mundo a apoiarem a conclusão do Acordo Global sobre Pandemias. O Brasil preside as negociações sobre o anexo de Acesso a Patógenos e Partilha de Benefícios (PABS), etapa essencial para que os países possam ratificar e colocar o acordo, aprovado em 2025, em vigor.

Com isso, será possível converter os aprendizados deixados pela pandemia de Covid-19 em mecanismos permanentes de preparação, prevenção e resposta a futuras emergências sanitárias.

“O mundo precisa terminar o que começou”, diz a carta, salientando que uma próxima pandemia não vai esperar, em referência aos estudos avaliados por cientistas de há 25% de probabilidade de uma nova pandemia ocorrer na próxima década.

“Fizemos uma promessa aos milhões que perdemos e às famílias que ainda sentem a sua falta. Que sejamos a geração que cumpre essa promessa”, traz um trecho da carta.

Ministério da Saúde

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou da articulação da carta junto à OMS. O objetivo é definir o quanto antes as regras para o compartilhamento rápido de informações sobre vírus, bactérias e outros agentes com potencial pandêmico.

Com o Acordo Global sobre Pandemias em vigor, se torna mais rápido o compartilhamento de informações sobre vacinas, medicamentos, testes diagnósticos e outras tecnologias em situações de emergência.

“O Sistema de Acesso a Patógenos e Partilha de Benefícios (PABS, na sigla em inglês) baseia-se num acordo diálogo simples e justo: aqueles que partilham rapidamente patógenos com potencial pandêmico devem poder confiar que as vacinas e os tratamentos resultantes dessa partilha também chegarão às suas comunidades”, diz a carta.

A próxima rodada de conversas sobre o anexo deve acontecer em julho. Na última reunião de negociação, em maio, os países não conseguiram chegar a um acordo sobre como compartilhar informações e benefícios.

Segundo a OMS e outras entidades, cerca de 20 milhões de pessoas morreram durante a pandemia de Covid-19. O Fundo Monetário Internacional estimou um prejuízo de mais de US$ 13 trilhões em perdas de produção.

“Com essa carta, o Brasil e a OMS buscam evitar a repetição das desigualdades observadas durante a Covid-19. Concluir essa parte fundamental do acordo representa um passo estratégico para fortalecer a segurança sanitária global”, afirma o ministro Alexandre Padilha.

“Esperamos que essa reunião do G7, com a presença do presidente Lula, possa sensibilizar os líderes mundiais”.

PGR diz ser contra domiciliar a Vorcaro e que local de prisão cabe ao STF

Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou nesta segunda-feira (15) contra a concessão de prisão domiciliar ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A manifestação foi encaminhada pelo procurador-geral ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribhnal Federal). Gonet também se posicionou contra a nova versão da proposta de delação premiada de Vorcaro.

Gonet sustenta em seu parecer que não houve fatos novos que justificassem a alteração do regime domiciliar do ex-banqueiro desde que a Segunda Turma do STF determinou a manutenção de sua prisão.

Na avaliação de Gonet, cabe ao tribunal definir o local de cumprimento da prisão preventiva, levando em conta o risco que o ex-banqueiro oferece.

Na semana passada, ao rejeitar pela segunda vez a proposta de delação de Vorcaro, a Polícia Federal sugeriu a Mendonça que o ex-banqueiro deixe a cela da superintendência da corporação em Brasília.

Vorcaro permanecia na superintendência da PF para articular os termos da proposta de delação premiada que vinha sendo negociada com a corporação e com a PGR.

Ele está atualmente em uma sala especial com ar-condicionado, banheiro privativo, frigobar, armário e janela para o jardim da corporação.