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Em ofício, Itamaraty admite risco de ação militar dos EUA no Brasil

O Ministério das Relações Exteriores respondeu na última semana a questionamentos da Câmara dos Deputados sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

O ofício assinado pelo chanceler Mauro Vieira na última quarta-feira (1º) esclarece as perguntas feitas pelo deputado federal Evair de Melo (Republicanos-ES) por meio de um Requerimento de Informação, aprovado em maio, após o anúncio do governo americano.

Sobre a avaliação da pasta acerca dos impactos diplomáticos, econômicos e reputacionais para o país, o documento aponta que a classificação “não trará benefícios concretos para a cooperação internacional entre EUA e Brasil no enfrentamento do crime organizado”.

Segundo a resposta do governo, a classificação das facções como “organizações criminosas transnacionais” por Washington já permitiria a cooperação na troca de informações e outras ações de combate ao crime.

O Itamaraty também alerta para o risco de implicações para cidadãos brasileiros e para a possibilidade de ações militares dos EUA no Brasil.

“Tal aplicação pode ocorrer com amplo grau de discricionariedade, dada a amplitude dos termos adotados na legislação de contraterrorismo daquele país, com sérias possibilidades de implicações para cidadãos brasileiros nos planos financeiro, migratório e penal. Finalmente, há a possibilidade de uso de força militar dos Estados Unidos em território brasileiro“, destaca o ofício.

Outro ponto de questionamento pelos parlamentares foi sobre as respostas brasileiras oficiais à decisão americana. Na réplica, Vieira explica que, por não ter ocorrido qualquer tipo de comunicação formal do governo americano devido ao caráter unilateral do parecer, uma resposta brasileira não ocorreu por não ser necessária.

O documento ainda aponta que o Itamaraty tem buscado mostrar, por vias diplomáticas, “a prioridade atribuída pelo governo brasileiro à segurança pública e ao combate ao crime organizado. Além disso, é ressaltada a necessidade da cooperação internacional no combate ao crime organizado“.

“Tal esforço baseia-se no reconhecimento da existência de dimensão transnacional do crime organizado e do fato de que não será possível ao país enfrentá-lo de forma efetiva sem a cooperação com outros países e organizações internacionais“, completa.

Moraes determina que Exército entregue a PF oito armas de Jair Bolsonaro

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Exército entregue à Polícia Federal oito armas registradas em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na semana passada, ao autorizar a prorrogação da prisão domiciliar de Bolsonaro, o ministro havia determinado a apreensão dos armamentos do ex-presidente.

A defesa de Bolsonaro informou que oito armas estavam no Comando do Batalhão de Polícia do Exército em Brasília. A lista de armamentos que serão entregues inclui cinco pistolas, duas espingardas e um fuzil.

Os advogados solicitaram permissão para transportá-las, mas Moraes determinou que a entrega dos armamentos fosse realizada diretamente entre Exército e Polícia Federal.

PGR pede que Flávio Bolsonaro seja ouvido por calúnia contra Lula

Flávio Bolsonaro (PL-RJ)/Andressa Anholete/Agência Senado

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu nesta segunda-feira (6) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja ouvido no inquérito no qual o parlamentar é acusado do crime de calúnia contra o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

O parecer foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da investigação.

Gonet citou a legislação penal e disse que Flávio pode apresentar retratação de suas falas, possibilidade que pode isentá-lo de eventual condenação.

Para o procurador, o caso deve retornar à PF para que o parlamentar seja ouvido.

“Remanesce a necessidade de oitiva do Sr. Flávio Nantes Bolsonaro, medida de especial relevância, sobretudo em razão da possibilidade de retratação, capaz de isentar o investigado de pena“, afirmou Gonet.

O caso trata da postagem feita por Flávio na rede social X, no dia 3 de janeiro deste ano, quando o ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro foi capturado pelos Estados Unidos.

Na publicação, o senador declarou que “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas“.

No mês passado, a PF encerrou o inquérito que apurou o caso e concluiu que o senador cometeu calúnia contra o presidente.

Após a divulgação do relatório final da investigação, a Agência Brasil entrou em contato com a assessoria de Flávio Bolsonaro, mas não obteve retorno. O espaço está aberto para manifestação.

Paulo Câmara não descarta voltar a disputar eleições e diz que estará “sempre disponível” para servir

Paulo Câmara diz que fará oposição responsável - Blog da Folha - Folha PE

O ex-governador de Pernambuco e atual presidente do Banco do Nordeste (BNB), Paulo Câmara, afirmou que não descarta voltar a disputar um cargo eletivo no futuro. Em entrevista ao Blog do Alberes Xavier e à Rede Pernambuco de Rádios, concedida diretamente do seu gabinete, em Fortaleza (CE), ele disse que sua prioridade é concluir o mandato à frente da instituição financeira até o fim de 2026, mas ressaltou que seguirá “sempre disponível” para contribuir com a vida pública.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de voltar a disputar as eleições, seja para a Câmara dos Deputados ou para o Senado, Paulo Câmara afirmou que continua sendo um agente político, embora não trate esse tema como prioridade neste momento.

“Eu sou um ator político. A partir do momento que você disputa um mandato, você se torna político. Eu respeito muito a política, mas acho que cumpri um papel importante e me sinto realizado por ter sido governador de Pernambuco. Hoje, a minha missão é finalizar 2026 como presidente do Banco do Nordeste e fazer com que o banco tenha os melhores resultados”, afirmou.

Sem confirmar qualquer projeto eleitoral, o ex-governador deixou aberta a possibilidade de retornar às urnas após concluir sua gestão no BNB. “A partir de 2027 é outra dinâmica, são outras questões que podem aparecer e a gente vai estar sempre disponível”, declarou.

Paulo Câmara também destacou que sua trajetória sempre esteve ligada ao serviço público. Auditor do Tribunal de Contas de Pernambuco, ele lembrou que está cedido à presidência do Banco do Nordeste e afirmou que pretende continuar contribuindo com a gestão pública, independentemente da função que venha a exercer.

“Escolhi para a vida ser servidor público. É o que aprendi a fazer desde 1995. Pretendo continuar na gestão pública naquilo que for importante e que possa contribuir para o meu estado, para o Nordeste e para o Brasil”, concluiu.

Carlos visita Bolsonaro em domiciliar e diz que pai “está ciente de tudo”

O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) visitou o ex-presidente Jair Bolsonaro neste sábado (4) e afirmou que o pai está ciente do atual cenário político a poucos meses das eleições de 2026.

“Ele está ciente de tudo o que se passa aqui fora, embora esteja, obviamente, impedido de acessar conversas nas redes sociais. Anteriormente, recebeu a visita do meu irmão Flávio Bolsonaro e disse que a conversa foi muito boa e tranquila. Perguntou também sobre meu irmão e seu filho, Eduardo Bolsonaro, pois eles não podem ter contato. Disse a ele que segue trabalhando como sempre”, escreveu Carlos nas redes sociais.

As visitas ocorreram em meio a atritos entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os apoiadores da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência neste ano. Michelle chegou a anunciar a saída do comando do PL Mulher na última semana após expor a crise com Flávio em vídeo publicado nas redes sociais.

Nos últimos dias, a ex-primeira-dama também foi criticada pela base bolsonarista por elogiar programa lançado por Lula para a comunidade surda.

Bolsonaro está em prisão domiciliar humanitária em Brasília desde março deste ano. Após ser condenado por tentativa de golpe de Estado e ficar dois meses preso na Papudinha, o ex-presidente passou a cumprir a pena de 27 anos de prisão em casa por razões de saúde, após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

“Olhei para meu pai sem camisa e lembramos de muitos momentos bacanas. Ver um homem preso sem ter cometido qualquer crime é algo que estraçalha o coração, mas me mantive forte e alcancei meu objetivo: ele ficou feliz”, completou Carlos, que também pretende lançar candidatura para o Senado por Santa Catarina neste ano.

Moraes manteve a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro na sexta-feira (3) após o prazo previsto na primeira decisão, em março, chegar ao fim. O ministro determinou ainda a apreensão de uma pistola e a revogação das demais armas de fogo registradas no nome do ex-presidente. Os equipamentos devem ser entregues à PF (Polícia Federal) na próxima semana.

Os filhos Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro têm autorização para visitar o pai, desde que isso ocorra “nas mesmas condições legais do estabelecimento prisional, ou seja, às quartas-feiras e aos sábados, em um dos seguintes horários: 8h às 10h, 11h às 13h e 14h às 16h”.

Os advogados podem visitar Bolsonaro diariamente, por 30 minutos, entre 8h20 e 18h, mas precisam se revezar. Como Flávio foi incluído na defesa do ex-presidente, ele também pode visitar o pai na condição de advogado.

Datafolha: direita ultrapassa esquerda entre eleitores pela 1ª vez desde 2014

 /Crysli Viana/DP Foto

A identificação dos brasileiros com a direita superou a da esquerda pela primeira vez desde 2014, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, 3. O levantamento, feito sob a gestão Lula, aponta 44% dos brasileiros classificados à direita ou centro-direita, ante 39% à esquerda ou centro-esquerda – diferença de cinco pontos porcentuais, fora da margem de erro de dois pontos.

A classificação resulta de questionário com questões sobre valores sociais, culturais e econômicos – dez de comportamento, envolvendo temas como armas, pobreza, criminalidade, homossexualidade e religião, e seis de economia, sobre impostos, leis trabalhistas e atuação do Estado.

Em 2014, quando sob a Presidência de Dilma Rousseff (PT), a direita reunia 45% de identificação, contra 35% da esquerda – uma diferença ainda maior do que a registrada agora. De lá para cá, houve um empate técnico, em 2017, com 40% à direita e 41% à esquerda.

Já em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, a esquerda somava 49%, e a direita, 34%.

Naquele ano, direita e esquerda estavam tecnicamente empatadas no eixo comportamental, com 39% e 42%, respectivamente. A mudança em relação à 2022 se concentra justamente nesse eixo: agora a direita soma 52%, ante 29% da esquerda e 20% do centro.

Parcela que aponta preguiça como causa da pobreza quase dobrou

A maior alteração entre as perguntas comportamentais ocorreu na visão sobre pobreza. Em 2022, 76% atribuíam a pobreza à falta de oportunidades iguais, ante 22% que a associavam à preguiça de quem não quer trabalhar. Hoje, a parcela que aponta a preguiça como causa quase dobrou, para 40%, enquanto a que credita a pobreza à falta de oportunidades caiu para 58%.

Houve também deslocamentos em temas de segurança e costumes. Em 2022, 63% defendiam a proibição da posse de armas e 35% apoiavam o direito de possuir arma legalizada. Hoje, esses porcentuais são de 55% e 41%, respectivamente.

Na divisão em cinco grupos, 15% dos entrevistados foram classificados à direita, 29% na centro-direita, 17% no centro, 26% na centro-esquerda e 13% à esquerda. Em 2022, os porcentuais eram, na mesma ordem, 9%, 24%, 17%, 32% e 17%. Ou seja, houve crescimento tanto na direita (de 9% para 15%) quanto na centro-direita (de 24% para 29%), enquanto a centro-esquerda recuou de 32% para 26% e a esquerda, de 17% para 13%. O centro permaneceu estável, em 17%.

A pesquisa foi realizada de forma presencial nos dias 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios. A margem de erro máxima para o total da amostra é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95% – as margens são maiores nos recortes da população. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.

Moraes mantém Jair Bolsonaro em prisão domiciliar e revoga porte de arma apreendida em blitz

 Former Brazilian President Jair Bolsonaro stands at the garage of his residence in Brasilia on September 11, 2025. A Brazilian judge on September 10 returned the first not-guilty vote in the coup-plotting trial of former president Jair Bolsonaro, shifting all eyes on the last two of his colleagues left to vote following two guilty findings. The 70-year-old far-right ex-leader risks a prison sentence of more than 40 years if found guilty of seeking to claw back power after his defeat in 2022 elections to leftist Luiz Inacio Lula da Silva (Photo by Sergio Lima / AFP)/Foto: Sergio Lima / AFP

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira (3) prorrogar o prazo da prisão domiciliar concedida ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Bolsonaro continuará sob o monitoramento de tornozeleira eletrônica e só poderá receber visitas com autorização do ministro, que é relator do caso.

O ex-presidente também está proibido de usar celular e acessar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros, além de gravar vídeos para a internet. Agentes da Polícia Militar do Distrito Federal vão fazer a segurança da casa para evitar fuga.

No ano passado, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão no processo de trama golpista. Em seguida, após passar por uma cirurgia, ele ganhou o direito de cumprir prisão domiciliar temporária por 90 dias. O ex-presidente se recupera de uma pneumonia bacteriana.

O prazo de 90 dias começou a contar no dia 27 de março e terminou em 25 de maio.

Armas

Moraes também determinou a suspensão do porte de arma de Bolsonaro e a apreensão de dez pistolas e espingardas que estão registradas em nome do ex-presidente.

A defesa terá prazo de 48 horas para entregar o armamento à Polícia Federal (PF).

A decisão foi motivada pela repercussão do caso da apreensão de uma arma com um dos seus seguranças particulares.

Apesar de a Polícia Civil do Distrito Federal não ter indiciado o ex-presidente, por entender que a arma está legalizada e que Bolsonaro não cometeu nenhum crime, o ministro entendeu que as armas devem ser apreendidas.

“O descumprimento das regras da prisão domiciliar humanitária temporária ou de qualquer uma das medidas cautelares implicará na sua revogação e ao retorno imediato ao regime fechado”, ressaltou Moraes.

Falta grave

Moraes também reconheceu que Bolsonaro não cometeu falta grave relacionada com a apreensão da arma com seu segurança. A falta grave poderia permitir o retorno do ex-presidente para o presídio da Papudinha, em Brasília, em regime fechado.

“Inexistindo a prática de qualquer falta grave durante o período em que o custodiado encontra-se em prisão domiciliar humanitária, não permanecem presentes os fatores impeditivos indicados”, argumentou.

Moraes não fixou um prazo para o término da prisão domiciliar.

PF nega influência eleitoral em investigação sobre fraudes do INSS

Prédio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em Brasília

A PF (Polícia Federal) negou nesta sexta-feira (3) que haja qualquer influência do calendário eleitoral no andamento da operação Sem Desconto, que investiga o esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.

Em conversa com jornalistas, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que o caso segue os trâmites normais de uma investigação policial e é conduzido com imparcialidade, dentro da responsabilidade institucional.

Segundo ele, outras investigações que envolvem crimes mais complexos e que possuem pessoas presas preventivamente precisam ser prioridade por exigência legal.

Rodrigues também ressaltou que a operação conta com a maior equipe de investigação da Polícia Federal e que todos os encaminhamentos têm sido realizados acompanhados pelo Ministério Público e pelo relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro André Mendonça.

O diretor-executivo da PF, William Murad, também rejeitou a hipótese de que a corporação esteja atrasando diligências por motivos eleitorais ou por falta de pessoal.

“Temos mais de 40 mil investigações em curso. Há uma priorização de investigações complexas. É inverdade que a PF não consegue concluir por escassez de recursos humanos ou para não priorizar [o caso] por questão eleitoral. Isso não condiz com a realidade”, declarou.

No início desta semana, a PF pediu ao ministro André Mendonça mais tempo para finalizar o inquérito da operação Sem Desconto. No ofício enviado ao magistrado, a PF detalha que ainda não conseguiu analisar todo o material apreendido desde a primeira fase, em abril do ano passado.

A resposta da PF se deve a uma cobrança de Mendonça, que determinou à PF que concluísse em até 60 dias a avaliação do material encontrado em celulares, HDs e pen drives dos presos pela operação e daqueles que foram alvos de mandados de busca e apreensão.

A cobrança foi motivada após uma avaliação do gabinete do ministro do STF de que as investigações do INSS estariam lentas e com acúmulos de pedidos das defesas dos presos para revogação da prisão com base no período estabelecido por lei. A CNN apurou que há mais de 14 pedidos pendentes.

Pessoas próximas ao ministro apontam que as investigações do caso Master, que teve sua primeira operação sete meses depois à do INSS, estão mais avançadas e com menos itens na fila de análise da perícia.

No começo de junho, a PF afirmou que conseguiria analisar o material apreendido dos presos preventivos do INSS em 30 dias, mas precisaria de até seis meses para avaliar os itens do restante dos investigados.

Esta nova etapa solicitada pela PF, por exemplo, inclui a análise sobre as quebras dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), autorizadas pelo ministro ainda em fevereiro.

Os alvos desse inquérito ainda incluem ex-dirigentes do INSS, como o ex-presidente Alessandro Stefanutto, empresários, dirigentes de sindicatos e associações, além de políticos e servidores públicos.

Mendonça ainda não respondeu o pedido da PF, mas a tendência é que concorde em dar mais prazo para o fim das diligências, estabelecendo uma data limite para a corporação finalizar os trabalhos.

Durigan: preocupa interferência dos EUA em investigação sobre facções do Brasil

Dario Durigan, ministro da Fazenda/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que preocupa a interferência da gestão de Donald Trump nas investigações sobre organizações criminosas brasileiras. Ele destacou que o Brasil tem compromisso com o combate a essas organizações e pessoas físicas e empresas já estavam sendo investigadas pelo País.

“Essas organizações são, de fato, muito ruins e causam terror social no Brasil. E aí, o que a gente fica com dúvida, tanto nós quanto a população brasileira, é o que será feito com isso. E esse espaço de ataque, esse espaço de interferência dos Estados Unidos no Brasil, sem que a gente saiba exatamente o que se pretende com isso, é o que nos preocupa“, afirmou o ministro, em entrevista concedida nesta manhã ao portal g1.

Mais cedo, a direção da Polícia Federal (PF) afirmou que a operação deflagrada nesta sexta-feira (3), contra brasileiros sancionados pelos Estados Unidos por elos com a facção criminosa PCC já tinha sido planejada antes de a facção ter sido declarada como organização terrorista.

Os investigadores disseram, porém, que precisaram antecipar o cumprimento da operação por causa da divulgação das sanções dos Estados Unidos a esses alvos, por receio de fuga.

“Essas pessoas físicas e essas empresas já estavam sendo investigadas no Brasil, pela Polícia Federal, pela Receita (Federal). A gente já sabia, não tem novidade. Hoje mesmo a polícia faz uma operação, quer dizer que a investigação já estava em curso há um tempo“, completou o ministro.

Segundo Durigan, já houve troca de informações e o Brasil segue interessado nesse compartilhamento. “A própria autoridade brasileira informou ao governo dos Estados Unidos o que se passava aqui. Não tem novidade para a gente, que já estava investigando e punindo essas pessoas e essas empresas“, prosseguiu o ministro.

A ação da PF nesta sexta-feira teve como alvos os empresários Stella Stefanie Nunes e Victor Henrique de Oliveira Shimada, os primeiros brasileiros sancionados pelos Estados Unidos desde que o governo de Donald Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais.

Defesa de Bolsonaro cita PGR e pede que Moraes mantenha prisão domiciliar

Jair Bolsonaro/Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A defesa de Jair Bolsonaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), que afaste qualquer falta grave no episódio da arma do ex-presidente apreendida em blitz. O documento anexado aos autos nesta quinta-feira (2) pede a manutenção da prisão domiciliar. Como argumento, os advogados citam parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) de quarta-feira (1º).

O texto da defesa foi protocolado em resposta a despacho de Moraes, que havia determinado a manifestação das partes sobre o relatório final do inquérito policial que apura o caso, conduzido pela 17ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal.

Segundo a defesa, as conclusões da autoridade policial convergem com os argumentos já apresentados por Bolsonaro. O inquérito reconheceu que o ex-presidente possuía registro válido da arma de fogo e que não havia restrições conhecidas que impedissem sua guarda regular na residência. Com base nisso, a polícia afastou a materialidade e a conduta dolosa de eventual crime atribuível a Bolsonaro.

As investigações também apontaram que a retirada do armamento de casa partiu de iniciativa exclusiva do servidor Estácio Leite da Silva Filho. Não haveria elemento, segundo o inquérito, que permita concluir que Bolsonaro determinou ou autorizou o transporte da arma para fora do imóvel.

Os advogados citam que a PGR considerou não haver falta disciplinar e se manifestou pelo prosseguimento da prisão domiciliar.

A defesa reitera ainda que Bolsonaro não tem interesse na restituição da arma apreendida, ponto já informado anteriormente nos autos e também registrado pela PGR.

Diante disso, os advogados pedem que Moraes reconheça que os elementos do inquérito reforçam a tese da defesa e afaste de forma definitiva qualquer cogitação de falta grave. Também pedem pela manutenção da prisão nos moldes atuais considerando, inclusive, as razões médicas.

Ação dos EUA contra o PCC: ‘Não afeta o Brasil, mas soberania tem de ser respeitada’, diz Silva

Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça/Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, amenizou o tom sobre as medidas anunciadas pelos Estados Unidos que sancionaram dois brasileiros, três empresas baseadas no Brasil e uma empresa portuguesa por suposta ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). As sanções foram formalizadas nessa quarta-feira (1°) pelo Departamento do Tesouro americano.

Segundo o ministro, a decisão tomada pelo governo norte-americano de Donald Trump não afeta o Brasil. “Essa designação específica somente produz efeitos no âmbito dos Estados Unidos. Não tem nenhuma repercussão de extraterritorialidade. Todas as nações devem aprofundar e sofisticar os seus mecanismos de combate ao crime organizado, desde que essa soberania do outro País seja respeitada”.

A declaração do ministro foi dada após a inauguração do Escritório Nacional Antifacção (ENA), em São Paulo. Esta foi a primeira sanção de Washington contra brasileiros ou empresas do Brasil após o governo Trump classificar facções do País como organizações terroristas. Logo após a divulgação da sanção, o Ministério da Justiça já havia publicado nota afirmando que a medida dos EUA gerava ‘preocupação’.

“A decisão não surpreende o governo brasileiro: trata-se de desdobramento que já se antevia, após a classificação do PCC pelos Estados Unidos como organização terrorista estrangeira. Ainda assim, medidas unilaterais suscitam preocupação, uma vez que podem ser sucedidas por providências ainda mais gravosas, adotadas à margem dos mecanismos ordinários de cooperação internacional”, afirmou o ministério.

Na quarta à noite, o ministro avaliou que, mesmo com a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, a medida não altera a estratégia brasileira em relação ao combate ao crime organizado.

“Essas designações, inclusive, foram obtidas com parte de pesquisa feita no Brasil e isto é algo normal das relações entre os Estados. O que não se pode transigir é com nenhuma ranhura da soberania. Fora disso, o Brasil continuará aperfeiçoando seus mecanismos de cooperação policial internacional e também de cooperação judicial”, afirmou.

Já o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, disse que os Estados Unidos têm autonomia para definir suas estratégias de combate às facções criminosas. No entanto, isso não pode ultrapassar o limite da soberania brasileira.

“Os Estados Unidos é um País soberano, pode ter a sua autonomia para definir da melhor maneira. A grande questão é respeitar a nossa soberania, respeitar o ordenamento jurídico brasileiro e sempre estaremos à disposição para cooperar com qualquer que seja os países e os organismos que queiram enfrentar o crime organizado“, disse.

Primeira sanção dos EUA pós-classificação

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira, 1º, sanções contra Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pelo Tesouro como líder do núcleo paulista da rede e elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais. De acordo com o comunicado, Shimada teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em diversas cidades americanas, utilizando criptomoedas para transferir os valores ao Brasil.

Também foi sancionada Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira descrita como colaboradora próxima de Shimada. A reportagem tenta contato com a defesa dos alvos da sanção.

STF e PF avançam em investigações sobre possíveis irregularidades do filme ‘Dark Horse’

O ator norte-americano Jim Caviezel interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme 'Dark Horse'/Divulgação

Dois processos envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, sobre a carreira política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tiveram desdobramentos nos últimos dias. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça pediu nesta terça-feira (30) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre notícia-crime que aponta que recursos destinados à produção podem ter sido usados para financiar a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.

O parecer do Ministério Público Federal é o que embasa a decisão do STF sobre se há elementos para abrir um inquérito ou se o caso deve ser arquivado. Em outra frente, a Polícia Federal (PF) abriu inquérito para apurar se houve direcionamento de emendas parlamentares para entidades ligadas à produção do filme. Este processo está sob a relatoria do ministro Flávio Dino no Supremo.

Em maio, o Intercept Brasil publicou gravações nas quais o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicita recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para custear “Dark Horse”. Parte do valor de R$ 134 milhões negociado entre a família Bolsonaro e o banqueiro foi transferida para um fundo sediado no Texas, onde Eduardo mora, e do qual o advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado, é um dos controladores.

A notícia-crime que pede apuração sobre a suposta relação de Flávio com Vorcaro e a estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Inicialmente a ação foi distribuída ao ministro Alexandre de Moraes porque Lindbergh pediu a ampliação do escopo do inquérito que investiga atuação de Eduardo contra autoridades brasileiras, do qual Moraes é relator, para incluir também a conduta de Flávio.

Após parecer da PGR, o presidente do STF Edson Fachin decidiu redistribuí-la a Mendonça devido aos fatos narrados guardarem maior relação com a investigação sobre as fraudes do Master, da qual Mendonça já é relator. Já o caso relatado por Flávio Dino apura o envio de R$ 2 milhões em emendas parlamentares, por Mário Frias, a uma ONG de Karina Ferreira da Gama, dona da produtora do filme de Bolsonaro. A justificativa das emendas aponta o financiamento de dois projetos sociais.

A investigação foi aberta após pedido da deputada Tabata Amaral (PSB-SP). O gabinete da parlamentar apontou ligação entre empresas de Karina e suspeitas de que as emendas poderiam estar beneficiando ao filme sobre Bolsonaro. O ministro impôs grau 3 de sigilo às investigações, que permite que apenas ele e as partes tenham acesso ao conteúdo.

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, 1º, o diretor geral da PF Andrei Passos Rodrigues disse que inquérito para apurar os fatos foi aberto na última sexta-feira, 26, após autorização do STF.

Lula reage à carta de Flávio sobre tarifaço dos EUA: ‘É inaceitável o entreguismo’

Lula e Flávio Bolsonaro/Marcelo Camargo/Agência Brasil e Evaristo Sá/AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) respondeu à carta enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) afirmando que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) quer se “submeter aos interesses” americanos com entreguismo.

“É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano. Nós sempre vamos dialogar de igual pra igual com qualquer nação do mundo“, disse Lula no X.

Lula chamou de “mais uma atitude de traidores da Pátria” o pedido de Flávio para que a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros por supostas práticas comerciais desleais sejam adiadas para depois da eleição presidencial brasileira. “Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois“, disse.

Na postagem no X, Lula voltou a creditar à família Bolsonaro o início da crise tarifária com os Estados Unidos. No final do texto, o presidente disse que a soberania brasileira é inegociável e que o Brasil não está à venda.

O presidente também atacou Flávio, afirmando que um eventual fim do Mercosul seria um “ataque ao interesse do povo brasileiro”.

“Defender o fim do Mercosul, o bloco econômico mais importante da América Latina e que acaba de firmar um acordo histórico com a União Europeia, é outro ataque ao interesse do povo brasileiro“, disse.

Lula disse também que a família Bolsonaro quer ceder o Pix para os Estados Unidos e disse que isso não será permitido. “É uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele“, declarou.

Nesta quinta, Flávio enviou uma carta ao USTR pedindo a suspensão imediata da tarifa de 25%. Reunindo reportagens, o senador disse que a taxação passou a ser explorada politicamente pelo governo. O senador declarou no documento que a medida foi convertida em uma acusação de traição ao País. “As tarifas propostas recompensariam exatamente os infratores que pretendem punir“, afirma o documento do senador.

Na carta, a equipe de Flávio reuniu reportagens para sustentar que a tarifa passou a ser explorada politicamente pelo governo. Segundo o senador, a medida foi convertida em uma acusação de traição contra a oposição.

Na mesma carta, Flávio relatou aos o envolvimento de diversas autoridades ligadas ao governo Lula com o escândalo do Banco Master. Ocultou, porém, a própria relação que manteve com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Flávio tratou diretamente com Vorcaro, dono do Banco Master, o repasse de R$ 134 milhões para financiar um filme biográfico sobre o pai, Jair Bolsonaro.

No documento enviado aos EUA, ele classifica o escândalo como a “maior fraude bancária da história do país” e aponta proximidade entre o controlador do banco e o que chama de aparato governista.

PGR decide que não negociará nova proposta de delação com Vorcaro

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

A PGR (Procuradoria-Geral da República) decidiu encerrar de vez as negociações para um acordo de delação premiada com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A CNN apurou que a PGR informou à defesa do investigado que não haverá nova proposta, após a rejeição da segunda sugestão apresentada por Vorcaro.

Na avaliação da PGR, a colaboração não atende aos requisitos mínimos para um acordo. Para auxiliares de Paulo Gonet, Vorcaro não tem admitido os crimes previstos pela investigação. Para que uma delação avance, o investigado precisa assumir a própria participação em delitos, apresentar informações comprováveis sem tentar isentar terceiros envolvidos.

Além de assumir compromisso de reparar os danos causados, com devolução dos valores obtidos de forma ilícita. Nenhum dos critérios mencionados pelo entorno de Gonet foi apresentado por Vorcaro.

A manifestação da PGR acompanha o entendimento da Polícia Federal, que considerou irrelevante a última proposta por não ter trazido elementos inéditos para as apurações, continha muitos relatos baseados em “ouvi dizer”, sem provas que os sustentassem. A investigação disse ainda que Vorcaro não previa garantias de ressarcimento dos recursos que teriam sido desviados.

Antes da decisão definitiva da PGR, Vorcaro esperava a substituição de um dos advogados responsáveis pelas negociações na tentativa de destravar o acordo. Ainda assim, a Procuradoria sinalizou que não pretende reabrir as tratativas nas condições atuais.

Valdemar: Michelle “parece” não querer participar da campanha presidencial de Flávio

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro/Reprodução/Redes Sociais

O presidente nacional do PL Valdemar Costa Neto afirmou nesta quinta-feira (2) que Michelle Bolsonaro (PL) “parece” não querer participar da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo ele, a ex-primeira-dama também pode abrir mão de disputar uma vaga ao Senado nas eleições deste ano.

Na semana passada, Michelle publicou vídeos em que expôs conflito com o enteado e se disse “humilhada por ele“. Na última terça-feira (30), após uma reunião de cerca de duas horas com Valdemar, ela anunciou sua saída do PL Mulher, em que era presidente.

De acordo com o presidente da sigla, a situação “está resolvida”. “Flávio está tocando a campanha para frente, a Michelle resolveu sair da presidência do PL Mulher e nós estamos tocando a nossa vida”, disse em entrevista à Rádio Gaúcha. Ele minimizou as chances de uma eventual participação dela na campanha: “Parece, eu sinto, que ela não quer participar.“

A saída do cargo foi classificada por ele como “uma perda“. “Conversei com ela, ela me disse que queria sair da presidência do partido. Não tenho o que fazer. E (disse) que talvez não fosse candidata a senadora.” Valdemar elogiou o carisma e o trabalho da ex-primeira-dama à frente do PL Mulher. “Não sei se outra mulher teria condições de fazer“, disse.

Críticas a vídeo

Por outro lado, o presidente do PL criticou Michelle por compartilhar um vídeo do ex-governador do Rio Anthony Garotinho (Republicanos) sobre festas promovidas por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, insinuando a participação de Flávio nos eventos. “Ela fez muito mal de pôr o vídeo do Garotinho. O Garotinho não tem credibilidade nenhuma“, afirmou Costa Neto.

Valdemar também comentou o envolvimento de Flávio com Vorcaro, exposto em revelações de que ele pediu dinheiro ao banqueiro para o filme sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Perguntado sobre as chances de que novos fatos comprometedores sejam divulgados, o presidente do partido disse ter convicção de que isso não ocorrerá. “Eu converso todo dia com o Flávio. Todo dia falam alguma coisa que vai aparecer isso, vai aparecer aquilo. É tudo conversa”, disse.