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Polícia Federal investiga desvio de quase R$ 1 milhão da Caixa

 /Divulgação/Polícia Federal

A Operação Sem Remorso foi deflagrada na manhã desta terça-feira (24) pela Polícia Federal (PF). O objetivo é apurar o crime de peculato envolvendo o desvio de recursos da Caixa Federal.

As investigações indicam que o suspeito teria causado um prejuízo estimado em quase R$ 1 milhão, considerando valores atualizados entre janeiro e agosto de 2022.

Durante a ação, policiais federais cumpriram mandado de busca na residência do investigado no município de Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, onde foram apreendidos documentos, um aparelho celular e um carro de luxo.

A PF informou que, com o material apreendido, “dará continuidade às investigações para esclarecer completamente os fatos e identificar outros possíveis envolvidos nas fraudes“.

Três detentos que fugiram de penitenciária em Minas Gerais são recapturados

Três dos quatro detentos que haviam fugido da Penitenciária de Formiga, na região centro-oeste de Minas Gerais, foram capturados neste domingo (30), segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

Segundo a secretaria, Victor Hugo de Souza Pereira, Marcirlei Ferreira Neto e Nicolas dos Santos Gonçalves foram recapturados por policiais penais no distrito de Betânia, na cidade de Pedra do Indaiá, na mesma região. Marcos Vinicius da Silva, de 28 anos, segue foragido.

Os detentos fugiram na noite de quinta-feira (27). Imagens de câmeras de segurança flagraram o grupo correndo pelas ruas da cidade logo após a fuga.

De acordo com informações repassadas à Rádio Itatiaia por fontes das forças de segurança, os quatro detentos teriam escapado pelo teto do pavilhão 2, da Penitenciária de Formiga, ala onde ficam presos considerados de alta periculosidade.

Em nota, a Sejusp informou que um procedimento interno de investigação foi aberto, para averiguar as circunstâncias e eventuais responsabilidades relativas à fuga dos quatro detentos.

Polícia do RJ relata à Justiça cenário de guerra na Operação Contenção

Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro/Tomaz Silva/Agência Brasil

A Polícia Civil do Rio de Janeiro relatou à Justiça um “cenário de guerra” durante a Operação Contenção, realizada no dia 28 de outubro, para o cumprimento de mandados de prisão contra pessoas que seriam ligadas à organização criminosa Comando Vermelho.

O relato está em um relatório circunstanciado elaborado pela Policia Civil e enviado à 42ª Vara Criminal da Capital, responsável pela emissão dos mandados que basearam a operação, que deixou 121 mortos.

“Cumpre salientar, preliminarmente, que a ação deflagrada se deu em um cenário de guerra e alta complexidade operacional, conforme amplamente divulgado pela mídia”, diz o relatório.

A polícia relatou que o trabalho do cumprimento dos mandados de prisão e de busca a apreensão precisou ser interrompido devido ao intenso tiroteio. Os policiais afirmaram que várias equipes foram atacadas simultaneamente e não conseguiram cumprir todos os mandados.

“Diversas equipes precisaram deixar a comunidade em razão de prisões em flagrante delito e apreensões diversas, o que ensejou uma mudança de planejamento para assegurar a integridade das equipes que permaneceram no teatro de operações”, afirmou a polícia.

A corporação também anexou uma lista com sete endereços em que houve prisões e apreensões de drogas ou insumos para fabricação, além de telefones celulares, cadernos com a anotações e computadores.

Em outros 27 endereços, os alvos não foram encontrados, nada de ilícito foi achado ou os locais que não foram localizados devido ao tiroteio.

“Os demais objetivos restaram prejudicados no cumprimento dos mandados, tendo em vista que o terreno se encontrava muito instável, com diversas equipes policiais sendo atacadas simultaneamente, resultando na morte de policiais, bem como no ferimento de diversos níveis de gravidade”, completou o relatório.

Uma cópia do relatório também foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo conhecido como ADPF das Favelas – Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635.

Na ação, a Corte já determinou diversas medidas para redução da letalidade durante operações em comunidades do Rio de Janeiro. Moraes é o relator temporário da ação.

Sete líderes do Comando Vermelho vão para prisões federais

Muralhas nos presídios federais: medida de segurança anunciada após fuga em  Mossoró já existe em Brasília; veja FOTOS | Distrito Federal | G1

O juiz titular da Vara de Execuções Penais (VEP) do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Rafael Estrela Nóbrega, decidiu transferir para presídios federais sete dos dez presos que, segundo o governo do Rio, atuam no crime organizado de dentro da cadeia e são lideranças da facção Comando Vermelho.

Os presos que serão transferidos são: Arnaldo da Silva Dias, o “Naldinho”; Carlos Vinicius Lírio da Silva, o “Cabeça do Sabão”; Eliezer Miranda Joaquim, o “Criam”; Fabrício de Melo Jesus, o “Bicinho”; Marco Antônio Pereira Firmino da Silva, o “My Thor”; Alexander de Jesus Carlos, o “Choque”; e Roberto de Souza Brito, o “Irmão Metralha”.

Em relação a Wagner Teixeira Carlos e Leonardo Farinazzo Pampuri, o “Léo Barrão”, o juízo da VEP requereu que, no prazo de cinco dias, a Secretaria de Polícia Civil do Rio de Janeiro encaminhe mais informações que permitam fundamentar a transferência, de acordo com os dispositivos da Lei 11.671, de 8 de maio de 2008.

Já o processo relativo ao cabo da Marinha, Riam Maurício Tavares Mota, que foi o 10º relacionado na lista da Secretaria da Polícia Civil, está no juízo de organização criminosa, dependendo, ainda, de julgamento. O militar das Forças Armadas foi preso sob acusação de operar drones para o Comando Vermelho.

Em 2023, Riam foi preso pela Polícia Federal dentro de um quartel em Niterói, na região metropolitana do Rio. Ele foi apontado como responsável por desenvolver dispositivos capazes de acoplar granadas aos drones e por treinar criminosos para o uso dos equipamentos durante ataques a grupos rivais.

A requisição para a transferência dos presos ocorreu após a realização da Operação Contenção, pelas polícias civil e militar, que resultou na morte de 121 pessoas, entre eles dois policiais civis e dois militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Os presos permanecem em presídio de segurança máxima do estado do Rio até a transferência para um presídio federal.

CV, PCC e GDE: Preso em Exu já teve nome ligado a três facções diferentes

Momento da prisão de Wendel Martins Vieira em Exu./Foto: Divulgação/PCPE

Na última quinta-feira (30), forças de segurança de Pernambuco e Ceará prenderam Wendel Martins Vieira, conhecido como “Mac”, de 27 anos, em um sítio de Exu, no Sertão de Pernambuco. Segundo a Polícia Civil, ele é suspeito de liderar a facção criminosa Comando Vermelho (CV) em Fortaleza.

O Diario de Pernambuco apurou, entretanto, que essa é a terceira facção atribuída ao suspeito, que já tinha outras passagens pela cadeia. Em investigações anteriores, realizadas apenas nos últimos cinco anos, Mac é citado pela polícia ora como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), ora dos Guardiões do Estado (GDE) – grupos criminosos que rivalizam com o CV.

À Justiça, a Polícia Civil de Pernambuco afirmou, após a prisão na semana passada, que Mac é um “indivíduo de alta periculosidade” e estaria envolvido em homicídios e tráfico de drogas. Também haveria indícios de que “ocupa posição de liderança na organização criminosa denominada ‘Comando Vermelho’”.

A informação foi reiterada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) em audiência de custódia. De acordo com a promotoria, o mandado de prisão contra o suspeito decorre de investigação que o aponta como integrante do CV. Pela facção, ele é suspeito de chefiar atividades criminosas no bairro Bom Jardim, na capital cearense.

PCC

Em março de 2020, Mac já havia sido preso em flagrante por estar em posse de uma pistola, então de uso restrito, em Fortaleza. Na ocasião, o suspeito tinha o nome associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), rival histórico do CV.

Por esse caso, ele foi condenado a quatro anos de reclusão, em regime aberto, no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). A sentença foi proferida em 18 de dezembro de 2020.

O suposto envolvimento de Mac com o PCC está citado na sentença, à qual a reportagem teve acesso. Um trecho do documento também destaca o depoimento de um policial, segundo o qual o preso teria confessado ser integrante de “facção criminosa” – sem, no entanto, especificar qual.

“Naquela ocasião, uma equipe da brigada militar recebeu uma denúncia de que um indivíduo, denominado por ‘Wendel’, integrante da facção criminosa PCC, estaria na posse de armas de fogo, na companhia de outros três comparsas, sendo tal pessoa, responsável por alugar armas de fogo a outros integrantes da mesma facção criminosa”, diz a sentença.

GDE

Mac é acusado, ainda, de participar de um ataque que matou Marlisson Saraiva Rodrigues e feriu outras três pessoas em Bom Jardim, em Fortaleza, no fim de 2024.

Nesse processo, o suspeito foi denunciado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) por homicídio qualificado. Segundo a promotoria cearense, Mac e os comparsas seriam integrantes da facção Guardiões do Estado (GDE), oriunda do Ceará, que disputa territórios justamente com o CV.

O MPCE aponta, ainda, que o crime teria acontecido porque a vítima havia “rasgado a camisa” – termo usado no mundo do crime para indicar que alguém trocou de facção. “[O ataque foi] motivado pela migração da vítima Marlisson da facção Guardiões do Estado (GDE) para o Comando Vermelho (CV), fato considerado afrontoso pela GDE”, relata.

Segundo os autos, a comunidade onde ocorreram os crimes era anteriormente dominada pela facção GDE, porém teria sido tomada pelo CV. “Desde então a região tem sido alvo de constantes ataques por membros da facção Guardiões do Estado (GDE), vindo da ‘Favela dos Canos'”.

Fato incomum

Para o professor Luiz Fábio Paiva, coordenador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (UFC), a suposta trajetória de Wendel, que teria migrado por três facções diferentes em pouco tempo, é “incomum”.

“Há muito essa coisa do laço de fidelidade. Quando você ‘rasga a camisa’, isso muitas vezes traz implicações, custando até a sua vida, porque aquele grupo que você era vinculado busca se vingar”, diz Paiva.

O pesquisador, entretanto, destaca o cenário fragmentado de facções no Ceará – o que, em tese, facilitaria a mudança entre grupos.

“A gente sempre teve uma lógica muito fragmentada. Algumas frentes aparecem e desaparecem”, explica. “O cara muitas vezes está em um território em que há mudança de controle e vai, estrategicamente, rasgar a camisa para poder se vincular ao grupo no controle.”

Para o pesquisador, há ainda a possibilidade de as investigações policiais serem frágeis na hora de identificar em qual facção, de fato, atua um criminoso.

“A investigação é sempre prejudicada. Você [o criminoso] dizer que é de uma facção pode incidir em um agravante [aumento de pena], então o comum é que você esconda sua vinculação. A investigação está sempre tentando lidar com algo que as pessoas querem esconder”, afirma.

A reportagem procurou as polícias Civil de Pernambuco e do Ceará para questionar se haveria indícios de que Mac trocou de facções nos últimos cinco anos ou se houve algum erro no apontamento de qual grupo criminoso ele faria parte.

A Polícia Civil de Pernambuco reiterou apenas ter realizado a prisão do suspeito, sem responder as indagações. Até a publicação da reportagem, a Polícia Civil do Ceará não respondeu.

PCPE pede à Justiça a transferência do líder do Comando Vermelho em Fortaleza para unidade segurança máxima

PCPE pede à Justiça a transferência do líder do Comando Vermelho em  Fortaleza para unidade segurança máxima | Diario de Pernambuco - Rumo aos  200 anos

A Polícia Civil de Pernambuco pediu ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) a transferência de Wendel Martins Vieira, líder do Comando Vermelho em Fortaleza, preso na última quinta-feira (30), em Exu, Sertão do estado, para uma unidade de segurança máxima próxima à capital cearense, ou para o Presídio de Salgueiro.

Segundo o delegado da Polícia Civil de Exu, José Andrade Mota Neto, “a manutenção do autuado na Cadeia Pública de Exu/PE apresenta risco considerável à segurança e à ordem pública, uma vez que o estabelecimento não dispõe de estrutura nem de alas adequadas para a custódia de indivíduo com tal perfil, o que compromete a segurança dos agentes e dos demais detentos.”

O delegado sugere, como primeira opção, que Wendel, conhecido por Mac, seja transferido para a uma prisão de segurança máxima próximo de Fortaleza, devido ao seu envolvimento com grupo criminoso Comando Vermelho na região metropolitana da capital cearense.

“Diante desse contexto, requer-se a Vossa Excelência que conste expressamente o local de custódia do autuado, sugerindo-se unidade prisional de segurança máxima situada nas proximidades de Fortaleza/CE, por se tratar de medida mais adequada à gravidade do caso e à periculosidade do custodiado.

Caso não seja esse o entendimento de Vossa Excelência, requer-se, subsidiariamente, o encaminhamento do preso para o Presídio de Salgueiro/PE ou para outra unidade prisional dotada de estrutura compatível para a custódia de lideranças de organizações criminosas.”

O delegado encaminhou a solicitação à Justiça após o preso passar por audiência de custódia e não ser definida a cadeia em que deveria ficar detido.

O caso

Na última quinta-feira (30), uma ação conjunta das polícias civis de Pernambuco e do Ceará prendeu Wendel “Mac”, em uma casa na Zona Rural de Exu, no Sertão do estado.

Líder do Comando Vermelho (CV) na Região Metropolitana de Fortaleza, ele estava foragido.

Conforme o jornal cearense Diário do Nordeste, existem registros criminais em nome de Wendel deste 2018, já tendo sido expedido mandado de prisão preventiva contra o suspeito pelos crimes de receptação, integrar organização criminosa, homicídio, tráfico de drogas, associação para o tráfico e outros.

Últimos corpos de mortos em operação no Rio deixam o IML

Famílias em luto denunciam execuções ilegais
/Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

As últimas famílias dos mortos na Operação Contenção, do governo do Estado do Rio de Janeiro, no início desta semana, nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte, começam a deixar o Instituto Médico Legal (IML), no centro da cidade do Rio de Janeiro. Até ontem (31), a Polícia Civil informou que faltavam ser identificados apenas 8 corpos.

Os familiares relatam alívio pelo fim da peregrinação atrás de filhos, primos e netos, mas também indignação com a tragédia.

Grávida de poucos meses, Karine Beatriz de 26 anos, esteve no IML para reconhecer o corpo do esposo, Wagner Nunes Santana, pai de seu bebê, após três dias de busca na mata. Na sexta, ela contou que ele foi retirado de dentro de um lago na Serra da Misericórdia, na Penha.

“Após três dias de buscas consegui localizar o corpo, mas alívio eu só vou ter com repostas para as perguntar que não vão calar: “de onde vem pena de morte, se existe presídio, presídio é apenas enfeite? Até quando vai isso? “, questionou o governo, sobre a alta letalidade das operações no Rio, nos últimos anos. “Temos crianças assustadas, uma comunidade abalada, é muita dor”, desabafou.

Ela contou que, independente das razões que levaram o esposo para o crime, o companheiro era um pai de família, trabalhador, responsável pelo sustento da casa e o cuidado.

“Independente dos erros dele, ele era trabalhador, era família, semana passada, estava ajudando a erguer uma casa na comunidade, ajudou a fazer o ‘cabelo maluco’ da minha filha. Tenho uma filha de 9 anos, que não era filha dele e ele fez o cabelo dela para escola, levou para brincar, sabe, são momentos que não vão voltar,” explicou.

O corpo de Wagner foi retirado de um lago com um tiro na testa, segundo Karine. A polícia não esclareceu as circunstâncias do assassinato. Ela, conta que esteve desde os primeiros dias na mata e também denuncia execuções na ação.

“Eles não vieram prender ninguém, eles foram para matar. É até mesmo quem se entregou, eles mataram. Eu procurei, desde o primeiro dia, eu procurei um por um. Não sei o que fizeram, mas enterro vai ter de ser caixão fechado”, relatou.

De acordo com o balanço mais recente sobre a Operação Contenção, de sexta-feira, 99 pessoas já tinham sido identificadas pelo IML. Do total, 42 tinham mandado de prisão pendente e 78 tinham envolvimento com o crime. 13 eram oriundos de outros estados, como Pará, Bahia e Amazonas, além de Ceara, Paraíba e Espírito Santo.

O governo do Estado justificou a operação como forma de conter a expansão do Comando Vermelho, mesmo que não tenha conseguido cumprir os mandados contra os principais chefes da facção. Segundo a nota enviada à imprensa, as investigações indicavam que integrantes do grupo recebiam instruções em armamento, tiro, uso de explosivos e táticas de combate nas localidades visadas.

O trabalho também revelou que o fluxo de caixa da facção nessas áreas movimentava cerca de 10 toneladas de drogas por mês. “Tanto o Alemão quanto a Penha serviam como polos de abastecimento, distribuindo drogas e armas para outras comunidades controladas pelo grupo criminoso”.

Apesar dos questionamentos sobre a eficácia e os custos da operação para a cidade do Rio, que parou na terça-feira, mas não conseguiu prender os principais chefes do crime e retomar o controle do território, pelo Estado, ao lado da alta letalidade, o governador Cláudio Castro defendeu a ação:

“Tendo em vista estes resultados, a gente vê que o trabalho de investigação e inteligência foi adequado, todos perigosos e com ficha criminal. Também, pela identificação das origens desses ‘narcoterroristas’, reforço a importância da integração com os estados. Em breve, vamos entregar os relatórios completos para as autoridades competentes”, disse o governador Castro, em nota, ontem.

Quaest: 64% dos moradores do RJ aprovam megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha

Polícia prendeu mais de 80 suspeitos — Foto: Mauro Pimentel/AFP

Uma pesquisa realizada pelo instituto Genial/Quaest nesse sábado (1) revelou que 64% dos moradores do estado do Rio de Janeiro aprovaram a megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na semana passada.

A megaoperação das polícias Civil e Militar terminou com 121 mortos, incluindo quatro policiais. A operação, que foi a mais letal da história do estado e mobilizou centenas de agentes das forças de segurança, foi amplamente divulgada e conhecida por 98% dos entrevistados.

A pesquisa foi feita entre os dias 30 e 31 de outubro, por meio de entrevistas domiciliares presenciais. Ao todo, foram ouvidas 1,5 mil pessoas com 16 anos ou mais, residentes em diferentes regiões do estado. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Apenas 27% da população desaprovou a ação policial. Segundo a pesquisa, 6% responderam que nem aprovam, nem desaprovam. E 3% responderam não saber opinar ou não quiseram responder.

Além da aprovação à operação, 73% dos entrevistados acreditam que a polícia deve realizar ações semelhantes em outras comunidades, morros e favelas do estado. Entre os homens, esse apoio chega a 85%, enquanto entre as mulheres é de 62%.

Governo do Rio identificou 99 mortos em megaoperação; 78 tinham passagem pela polícia

Corpos são vistos enfileirados na Praça São Lucas, na favela Vila Cruzeiro, no complexo da Penha, Rio de Janeiro (Pablo PORCIUNCULA / AFP)

Dos 117 suspeitos mortos na Operação Contenção, realizada pela polícia do Rio de Janeiro, nos Complexos do Alemão e da Penha, na terça-feira (28), 99 corpos já foram identificados, conforme informou a Cúpula da Segurança Pública do Rio de Janeiro nesta sexta-feira (31).

De acordo com o Secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ), dos mortos já identificados, 78 tinham histórico criminal. Destes, 42 tinham mandado de prisão em aberto.

Segundo informações do G1, entre os chefes mortos na operação estão:

-DG, chefe do tráfico na Bahia (BA);
-FB, chefe do tráfico na Bahia (BA);
– Mazola, chefe do tráfico em Feira de Santana (BA);
– PP, chefe do tráfico do Pará (PA);
– Chico Rato, chefe do tráfico em Manaus (AM);
– Gringo, chefe do tráfico em Manaus (AM);
– Russo, chefe do tráfico em Vitória (Espírito Santo);
– Fernando Henrique dos Santos, chefe do tráfico em Goiás (GO);
– Rodinha, chefe do tráfico em Itaberaí (GO).

Dos mortos que foram identificados, 39 não são do Rio de Janeiro. Deles, 13 são do Pará, 7 do Amazonas, 6 da Bahia, 4 do Ceará, 4 de Goiás, 3 do Espírito Santo, 1 do Mato Grosso e 1 da Paraíba.

O governo do Rio montou uma força-tarefa no Instituto Médico-Legal Afrânio Peixoto, na região central da cidade, para a necropsia dos homens que morreram durante a operação. Com informações do Estadão Conteúdo.

Operação no Rio: Governo federal envia projeto antifacção ao Congresso

Projeto Antifacção cria a modalidade qualificada do crime, facilita ações contra empresas usadas pelo crime organizado e regula a gravação de conversas entre criminosos e advogados dentro da prisão /AFP

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou, nesta sexta-feira (31/10), ao Congresso Nacional o projeto de lei antifacção com o objetivo de combater grupos criminosos. A ação do Executivo ocorre dias após a megaoperação feita pelas polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, que deixou ao menos 121 mortos.

Junto à repercussão da operação, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), estabeleceu nesta semana que dará prioridade à votação da proposta que mira grupos criminosos como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A expectativa do governo Lula é acelerar a tramitação no Congresso Nacional. O chefe do Planalto teria sido orientado pelo ministro da Secretaria de Comunicação do Planalto, Sidônio Pereira, que argumentou por um retorno mais rápido do que a PEC da Segurança Pública.

O projeto Antifacção cria a modalidade qualificada desse crime, facilita ações contra empresas usadas pelo crime organizado e regula a gravação de conversas entre criminosos e advogados dentro da prisão. Com isso, passa a ser considerado hediondo, o que significa que será inafiançável e não poderá ser perdoado por indulto.

O texto também prevê uma série de mudanças na Lei de Execução Penal para endurecer medidas contra os envolvidos, além de melhorar o combate ao crime organizado e investigações sobre lavagem de dinheiro. Há ainda a previsão de pena de 12 a 30 anos de prisão, em caso de homicídio praticado a mando de uma facção.

Mães de mortos questionam operação no Rio: “Arrancaram o braço dele”

Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro/Tomaz Silva/Agência Brasil

Na manhã desta quarta-feira (29), a cena dos corpos enfileirados na Praça São Lucas, no complexo da Penha, correram o Brasil e o mundo. Ao lado das dezenas de homens mortos durante a Operação Contenção, realizada ontem (28) pelas polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, estavam familiares, em sua maioria mulheres. Mães, irmãs e esposas que choravam ao redor dos corpos e questionavam a ação do Estado.

Uma delas era Elieci Santana, 58 anos, dona de casa. Ela conta que o filho Fábio Francisco Santana, de 36 anos, mandou mensagem dizendo que estava se entregando e compartilhando sua localização.

“Meu filho se entregou, saiu algemado. E arrancaram o braço dele no lugar da algema”, diz.

O relato de que muitos foram mortos mesmo depois de terem sido rendidos era comum entre as famílias que acompanhavam a movimentação na praça. Os corpos foram trazidos pelos próprios moradores, na caçamba dos carros, durante a madrugada.

A confeiteira Tauã Brito, cujo filho Wellington morreu durante a operação, diz que muitos ainda estavam vivos ontem na mata, apesar de baleados.

“Ontem eu fui lá no Getúlio [Hospital Getúlio Vargas] pedir para subirem com a gente, para gente poder salvar esses meninos. Ninguém podia subir. Eles estavam vivos”, afirma.

Segundo ela, os moradores começaram a entrar na mata para procurar os feridos somente à noite, depois que a polícia tinha ido embora.

“Ficamos lá, cada um caçando seus filhos, seus parentes. Isso aí está certo para o governo?”, questiona.

Emocionada, Tauã disse à reportagem que só queria tirar o filho do meio da rua.

“Não vai dar em nada. A verdade é essa. Porque aqui tem um montão de gente chorando, mas lá fora tem um montão de gente aplaudindo. Isso que eles fizeram foi uma chacina”, lamentou.

Castro pede, e governo autoriza transferência de dez presos do Rio para presídios federais

Ofício enviado por Castro, em janeiro, pedindo ajuda ao governo federal — Foto: Reprodução

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), pediu ao governo federal dez vagas em presídios federais de segurança máxima e recebeu a autorização para a transferência de presos que lideram organizações criminosas no Rio.

O pedido foi feito na tarde desta terça-feira (28) e já foi autorizado pelo governo federal.

O governador Cláudio Castro queria viajar ao Distrito Federal para discutir a crise de segurança no estado, mas a avaliação em Brasília foi de que ele deveria permanecer no Estado.

Foi decidido que os ministros Rui Costa, da Casa Civil; Ricardo Lewandowski, da Justiça; e o diretor-executivo da Polícia Federal, William Murad, irão ao Rio de Janeiro na quarta-feira (29) para discutir ações conjuntas de inteligência.

Quatro policiais foram mortos em megaoperação contra o CV no Rio

Policiais durante a Operação Contenção na favela Vila Cruzeiro, no complexo da Penha, no Rio de Janeiro/ MAURO PIMENTEL / AFP

A megaoperação deflagrada pelas policias Civil e Militar do Estado do Rio de Janeiro nos complexos do Alemão e da Penha contra o Comando Vermelho (CV) deixou 64 mortos, incluindo quatro policiais, na manhã desta terça-feira, 28. A operação, considerada a mais letal da história do Estado do Rio de Janeiro mobilizou cerca de 2,5 mil policiais civis e militares.

Integrantes do Batalhão de Operações Policiais (Bope), os sargentos Cleiton Serafim Gonçalves, de 42 anos, e Heber Carvalho da Fonseca, 39, faleceram durante confronto com criminosos. Os dois foram encaminhados ao Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiram.

Segundo o Bope, Serafim foi baleado na região do abdômen. Ele ingressou na Corporação em 2008. “O Sargento Serafim dedicou sua vida ao serviço público, honrando a farda com coragem, lealdade e compromisso inabalável com a segurança da sociedade. Seu sacrifício representa a mais nobre expressão do dever policial: proteger e servir, mesmo diante do maior dos riscos. Que seu exemplo de bravura e dedicação permaneça vivo na memória de todos nós”, afirmou o batalhão em comunicado nas redes sociais. Ele deixa esposa e uma filha.

A instituição também lamentou a morte de Fonseca, que ingressou na corporação em 2011. “Sargento Heber dedicou sua vida ao cumprimento do dever e deixa um legado de coragem, lealdade e compromisso com a missão policial militar. Sua ausência será sentida por todos que tiveram a honra de conhecê-lo”, diz o texto. Ele deixa esposa, dois filhos e um enteado.

Ainda não há confirmação sobre o horário e o local do sepultamento dos militares.

Outros dois policiais civis também morreram durante a operação. Marcos Vinicius Cardoso Carvalho, de 51 anos, conhecido como Máskara, foi baleado e encaminhado ao Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu aos ferimentos. Carvalho chefiava o setor de investigações do 53ª DP (Mesquita).

O policial Rodrigo Velloso Cabral, 34, lotado no 39ª DP (Pavuna) também morreu logo após chegar ao hospital. A delegacia da Pavuna fica localizada numa das áreas mais violentas da capital. Ele estava há apenas dois meses na instituição.

“A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro lamenta profundamente a perda de nossos heróis, que deram suas vidas em defesa da sociedade durante a Megaoperação Contenção, na Zona Norte do Rio”, afirmou a corporação em nota.

Ao todo, oito agentes foram feridos durante a operação, segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado.

Comando Vermelho lança bombas por drones no Rio em retaliação a operação da polícia

Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha/MAURO PIMENTEL / AFP

O Comando Vermelho lançou bombas por meio de drones em retaliação à megaoperação contra a facção no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28). Vídeos divulgados pela Polícia Civil mostram o momento das explosões.

Ao todo, o Ministério Público do RJ denunciou 67 pessoas pelo crime de associação para o tráfico, e três homens também foram denunciados por tortura, dentre eles, Edgar, conhecido como Doca apontado como operador e responsável pela expansão da facção.

Em coletiva no início desta tarde, o governador Cláudio Castro (PL) afirmou que 31 fuzis foram apreendidos na operação.

“Estamos em estado de atenção e alerta para possíveis retaliações. Então, a polícia está toda na rua e todos os batalhões estão em prontidão. Já temos relatos deles tentarem fechar a Avenida Brasil, tentarem fechar outras vias para desviar.”

A ação, que também conta com o apoio de promotores do Ministério Público Estadual, foi deflagrada a partir de mais de um ano de investigação e mandados de busca e apreensão e de prisão obtidos pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).

“A Operação Contenção visa capturar lideranças criminosas do Rio e de outros Estados e combater a expansão territorial do Comando Vermelho. Os dois complexos abrigam 26 comunidades”, disse a Polícia Civil do Rio.

Policiais militares do Comando de Operações Especiais e das unidades operacionais da PM da capital e região metropolitana participam das ações.

Já a Polícia Civil mobilizou agentes de todas as delegacias especializadas, distritais, da CORE, do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro e da Subsecretaria de Inteligência.

A Operação Contenção é reforçada com tecnologia avançada, incluindo drones, dois helicópteros, 32 blindados terrestres, 12 veículos de demolição do Núcleo de Apoio às Operações Especiais da Polícia Militar e ambulâncias para resgate.

Secretário do Rio cita ‘Estado de Guerra’; ‘é ‘impossível’ combater crime organizado sozinho’

Policiais escoltam suspeitos presos durante a Operação Contenção para fora da favela da Vila Cruzeiro, no complexo da Penha, no Rio de Janeiro/Mauro PIMENTEL/AFP

O secretário da Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, disse nesta terça-feira, 28, em entrevista à TV Globo, que o Estado não tem condições de enfrentar sozinho o crime organizado. Ele ainda afirmou que o governo solicitou ajuda federal em uma operação anterior contra o Comando Vermelho (CV), mas teve o pedido negado.

A polícia do Rio realiza uma megaoperação contra a facção. Segundo o governo, o CV lançou bombas por meio de drones em retaliação. Vídeos divulgados pela Polícia Civil mostram o momento das explosões. Ao menos dois policiais e 18 criminosos foram mortos. 81 foram presos.

“São aproximadamente 9 milhões de metros quadrados de desordem. Casas construídas de forma irregular, becos que é impossível fazer o patrulhamento. Isso causa risco maior à população e obviamente aos policiais. Esses criminosos dominaram essa região. Hoje, por exemplo, utilizaram drones lançando artefatos explosivos contra os policiais e a população. Essa é a realidade esse Estado de Guerra que a gente vive no Rio de Janeiro”, disse Victor Santos.

“Sozinho ninguém consegue fazer nada. São quase 1900 favelas no Rio de Janeiro. Nós somos o quarto menor Estado, mas o terceiro mais populoso. 600 fuzis apreendidos na mão de criminosos. É um diagnóstico muito ruim do Rio de Janeiro. E o Estado vem fazendo esse papel de combate sozinho há anos. É importante, sim, que o Estado, a prefeitura e a União sentem à mesa, sem ideologia”, completou o secretário.

Governador lamenta falta de auxílio

Em entrevista coletiva no início da tarde, o governador Cláudio Castro também lamentou a falta de apoio de outras esferas de poder.

“As nossas polícias estão sozinhas. É uma operação maior do que a de 2010 e, infelizmente, dessa vez, como ao longo desse mandato inteiro, não temos o auxílio nem de blindados, nem de nenhum agente das forças federais, nem de segurança, nem de defesa. A gente sozinho nessa luta. Estamos fazendo a maior operação da história do Rio de Janeiro”, afirmou Castro.

Questionado se o governo estadual pediu ajuda ao governo federal para a operação desta terça-feira, Castro disse que não foi solicitado nenhum apoio “desta vez” porque já houve três negativas de ajuda ao Estado.

“Não foram pedidas dessa vez, porque nós já tivemos três negativas. Nós já entendemos que a política é de não é ceder. Falam que tem que ter GLO (Garantia da Lei da Ordem), que tem que ter isso, que tem que ter aquilo, que podiam emprestar o blindado e depois não podiam mais emprestar porque o servidor que opera o blindado é um servidor federal. O presidente já falou que ele é contra GLO. A gente entendeu que a realidade é essa e a gente não vai ficar chorando pelos cantos”, afirmou.

Ao todo, o Ministério Público do RJ denunciou 67 pessoas pelo crime de associação para o tráfico, e três homens também foram denunciados por tortura, dentre eles, Edgar, conhecido como Doca apontado como operador e responsável pela expansão da facção.

A ação, que também conta com o apoio de promotores do Ministério Público Estadual, foi deflagrada a partir de mais de um ano de investigação e mandados de busca e apreensão e de prisão obtidos pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).

“A Operação Contenção visa capturar lideranças criminosas do Rio e de outros Estados e combater a expansão territorial do Comando Vermelho. Os dois complexos abrigam 26 comunidades”, disse a Polícia Civil do Rio.

Policiais militares do Comando de Operações Especiais e das unidades operacionais da PM da capital e região metropolitana participam das ações.

Já a Polícia Civil mobilizou agentes de todas as delegacias especializadas, distritais, da CORE, do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro e da Subsecretaria de Inteligência.

A Operação Contenção é reforçada com tecnologia avançada, incluindo drones, dois helicópteros, 32 blindados terrestres, 12 veículos de demolição do Núcleo de Apoio às Operações Especiais da PM e ambulâncias para resgate.