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Prefeitura do Recife é alvo de nova denúncia de desmatamento em área embargada

CPRH faz monitoramento da antiga Vila da Aeronáutica, em Boa Viagem/Foto: Divulgação

A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) recebeu, neste domingo (17), uma nova denúncia de desmatamento irregular no terreno da antiga Vila da Aeronáutica, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. A infração ocorreu menos de 24 horas depois do embargo aplicado no sábado (16), quando a Prefeitura do Recife foi multada em R$ 500 mil por iniciar obras de preparação do terreno sem as licenças necessárias.

De acordo com a CPRH, a vistoria realizada neste domingo confirmou a continuidade das alterações na área embargada, o que configura descumprimento da Lei Estadual N° 14.249/2010. A legislação prevê medidas como novos embargos, suspensões e multas em casos de reincidência.

O primeiro embargo foi determinado após constatação de que o desmatamento e a preparação do solo para construção de um conjunto habitacional vinculado ao programa Minha Casa Minha Vida estavam sendo realizados sem a documentação exigida. Apesar disso, a CPRH identificou que os trabalhos prosseguiram neste domingo, caracterizando ruptura da interdição.

A área, considerada estratégica e sensívei do ponto de vista ambiental, permanece sob monitoramento da CPRH, que informou que novas medidas administrativas serão tomadas diante do descumprimento da ordem. Até o momento, a Prefeitura do Recife não se manifestou sobre a reincidência da infração.

Em nota, a Prefeitura do Recife esclareceu que não há qualquer descumprimento por parte do município nas ações de preparação do terreno onde serão construídos os conjuntos habitacionais Vila Aeronáutica I e II. A gestão municipal reiterou que considera a ação de órgãos estaduais arbitrária, uma vez que todo o licenciamento para a intervenção seguiu rigorosamente os trâmites legais previstos.

Segundo a Prefeitura, o trabalho de preparação do terreno foi licenciado pela Secretaria Executiva de Licenciamento Ambiental do Recife, dentro da legislação vigente.

Os conjuntos habitacionais Vila Aeronáutica I e II iriam garantir moradia a mais de 2,6 mil pessoas e são fruto de parceria com o Governo Federal, pelo programa Minha Casa Minha Vida, com investimentos totais de R$ 90 milhões. Como compensação ambiental, seria feito o plantio de 268 árvores — o dobro do que foi removido no terreno — seguindo as diretrizes do Manual de Arborização do município.

A Prefeitura também destacou que o terreno foi escolhido por sua infraestrutura, próximo a estação de metrô, terminal de ônibus e corredores de transporte, e que fiscalizações anteriores atestaram a regularidade dos licenciamentos e serviços a serem executados.

‘Empresas como a Petrobras têm que deixar de ser apenas de exploração de petróleo’, diz Marina Silva

Empresas como a Petrobras têm que deixar de ser apenas de exploração de  petróleo', diz Marina Silva

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que o atual debate sobre a política energética no Brasil aponta que empresas como a Petrobras precisam deixar de ser apenas de exploração de petróleo e investir mais em energia limpa e renovável.

A análise da ministra foi feita enquanto avaliava o atual cenário da matriz energética brasileira e a possibilidade de exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Em entrevista exclusiva ao g1, Marina ainda avaliou perspectivas para a COP30 e a exploração de terras raras, entre outros temas.

Para a ministra, a Licença Ambiental Especial (LAE) – desenhada para viabilizar megaempreendimentos como exploração de petróleo e mineração – não compromete a segurança ambiental, apesar de ambientalistas afirmarem que a LAE vai facilitar que sejam concedidas aprovações para exploração do petróleo na Foz do Amazonas.

Marina defende que os vetos parciais no texto do PL do licenciamento e novas propostas do governo garantirão a avaliação correta dos pedidos. Na visão da ministra, o licenciamento para exploração de petróleo na margem equatorial será técnico e não resultará, por si só, em uma ordem para extração.

“Não é o Ministério do Meio Ambiente que decide se vai ou não vai explorar petróleo. Quem toma essa decisão não é nem o presidente Lula. Quem toma essa decisão é o Conselho Nacional de Política Energética”, afirmou Marina.

“O debate no Conselho Nacional de Política Energética, no meu entendimento, e tenho certeza que o presidente não discorda, é que empresas como a Petrobras têm que deixar de ser apenas uma empresa de exploração de petróleo e se tornar uma empresa de geração de energia e fazer mais e mais investimento em energia limpa e renovável”, afirmou Marina.

Governo divulga imagem do Curupira, símbolo da COP30

Governo divulga imagem do Curupira, “mascote” da COP30 – Portal Conecta AM

A gestão da COP30 divulgou nesta terça-feira (1º) a imagem do personagem escolhido como símbolo do evento: o curupira, lenda do folclore brasileiro que atua como guardião das florestas. O menino com cabelo de fogo e pés virados para trás compõe a identidade visual do evento, que ocorrerá em Belém (PA), entre 10 e 21 de novembro.

A Conferência das Partes (COP30) marca os dez anos do Acordo de Paris, que determinou metas nacionais e internacionais para limitar o aquecimento da Terra. Para a organização, o curupira “reflete o compromisso da presidência brasileira em solidificar ações de redução das emissões dos gases que provocam o aquecimento da Terra”, afirma nota.

Em carta à comunidade internacional, o presidente da COP 30, André Corrêa do Lago, defende que as florestas serão um “tópico central” nas discussões do evento.

“Quando nos reunirmos na Amazônia brasileira em novembro, devemos ouvir atentamente a ciência mais avançada e reavaliar o papel extraordinário já desempenhado pelas florestas e pelas pessoas que as preservam e delas dependem. As florestas podem nos fazer ganhar tempo na ação climática durante uma janela de oportunidade que se está fechando rapidamente”, afirma o embaixador.

Personagem

Curupira vem da língua indígena tupi-guarani, em que “curumim” significa menino e “pira” corpo. O personagem é muito presente na tradição amazônica e associado à proteção das matas e dos animais, especialmente contra a caça. Os pés virados ao contrário são uma artimanha usada para confundir aqueles que tentam seguir seus passos.

Segundo a organização do evento, a primeira referência ao Curupira na história brasileira foi feita pelo padre José de Anchieta, em 1560, em uma carta feita em São Vicente, no litoral da cidade de São Paulo. O jesuíta veio ao Brasil introduzir o catolicismo na cultura indígena e, para isso, escrevia poesias e peças de teatro. Em um desses textos, ele descreveu que os indígenas temiam muito essa figura folclórica e faziam oferendas para não serem atacados.

Demanda da China por gelatina coloca jumentos em risco de extinção

Jumentos/Proteção Animal Mundial

Animais associados ao sertão brasileiro, os jumentos (Equus asinus) têm uma longa história de relação com os seres humanos. Sua domesticação ocorreu há cerca de 7 mil anos e, desde então, eles têm sido usados para auxiliar o trabalho humano. A tradição cristã, inclusive, atribui ao jumento o papel de carregar Jesus Cristo, em sua entrada triunfal em Jerusalém, uma semana antes de sua crucificação.

A relação entre homens e essa espécie de equino, congênere dos cavalos, fez sua população chegar a milhões, distribuída por vários países, inclusive o Brasil.

O costume chinês de consumir uma gelatina medicinal chamada eijao – remédio preparado com a pele dos jumentos – representa ameaça à existência desses animais, uma vez que a demanda pelo produto tem crescido ano após ano.

Especialistas estão reunidos em Maceió para debater formas de preservar os animais. Um dos alertas do 3º Workshop Jumentos do Brasil, que termina neste sábado (28), é o grande risco de extinção da espécie no país nos próximos anos.

Segundo a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, de 1996 a 2025, o Brasil perdeu 94% de seu rebanho de asininos, que são os burros, bestas e jumentos.

A preocupação não é nova. Em 2021, um estudo publicado na Revista Brasileira de Pesquisa Veterinária e Ciência Animal, da Universidade de São Paulo (USP), alertou que o Brasil não tem fazendas de reprodução de jumentos e que, no atual ritmo de abate, a população local entraria em extinção.

Em 2024, um relatório da The Donkey Sanctuary, organização internacional voltada à proteção desses animais, mostrou que a demanda por pele de jumentos cresceu 160% de 2016 a 2021. Em 2021, para atender à demanda pelo ejiao, o remédio, foi necessário o abate de 5,6 milhões de indivíduos.

A estimativa é que a demanda continue crescendo e que, em 2027, serão abatidos 6,8 milhões de jumentos. O comércio, segundo a Donkey Sanctuary, ameaça não apenas o rebanho no Brasil, mas em todo o mundo.

“A situação do Brasil e do mundo em relação ao jumento é assustadora”, resumiu o professor do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal da USP Adroaldo Zanella, durante o evento de Maceió. “É uma questão que provoca preocupações no mundo inteiro.”

Danos à saúde do animal

Estudo publicado em março deste ano por pesquisadores brasileiros, no periódico Animals, constatou que o abate para atender à demanda chinesa não só coloca em risco a existência dos jumentos no Brasil como também apresenta situação de prejuízo ao bem-estar destes animais.

O estudo concluiu que não existe uma cadeia de produção de jumentos no Brasil e que a atividade de criação e abate é dominada pelo abuso dos animais. Estudo feito com mais de 100 asininos constatou que eles apresentam sinais de abandono, má-nutrição e maus tratos.

A organização The Donkey Sanctuary alerta que o manejo e abate, geralmente feitos sem regulamentação ou com pouca preocupação sanitária.

“Todas as vezes que animais são transportados dentro e através de fronteiras nacionais, existe um risco de que esses animais levarão, e consequentemente, espalharão, doenças que são danosas aos humanos (zoonoses) e aos animais”, informa o relatório da Donkey Sanctuary.

Impacto social

Especialistas apontam que o fim da espécie trará impactos sociais, principalmente para famílias de agricultores familiares que dependem do animal nas plantações.

“[Os jumentos] Atuam em locais de difícil acesso, como lavouras de cacau em pequenas propriedades, mas além de sua função econômica, têm ainda outros potenciais. São, ainda, excelentes animais de criação para companhia, pois, embora sejam grandes, são muito dóceis e inteligentes”, destaca a médica-veterinária Patrícia Tatemoto, que coordena a campanha da The Donkey Sanctuary no Brasil.

Ela acrescenta que a gestação dos jumentos dura 12 meses e o tempo de maturação para o abate em torno de 3 anos, o que eleva os custos para criação em fazendas.

Uma das alternativas para substituir o colágeno medicinal originário da pele do jumento é fabricá-lo em laboratório, a partir de culturas celulares. No entanto, o desenvolvimento ainda está restrito a grandes companhias.

“Estudos já apontam alternativas tecnológicas promissoras, como a fermentação de precisão, capaz de produzir colágeno em laboratório sem a necessidade de exploração animal. Investir nessas inovações é essencial para proteger a espécie e promover práticas mais sustentáveis, inclusive sob a perspectiva socioeconômica”, relata o engenheiro agrônomo e doutor em Economia Aplicada da USP, Roberto Arruda, em nota.

Países como Quênia, Nigéria e Tanzânia adotaram medidas restritivas ao abate dos jumentos. No Brasil, dois projetos de lei tramitam para proibir a matança da espécie para comércio de carne: um na Câmara dos Deputados e outro na Assembleia Legislativa da Bahia.

Uma campanha na internet pede o fim do abate do animal.

PL da Devastação: mobilização nas redes convoca protestos

Área devastada/Divulgação/Ibama

Neste domingo (1º/6), milhares de pessoas em 15 capitais brasileiras devem se reunir em manifestações contra o Projeto de Lei 2.159/2021, conhecido como PL da Devastação. A medida, que institui a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, flexibiliza concessão de licenciamentos ambientais para obras de potencial degradação do meio ambiente e cria a Licença Ambiental por Adesão e Compromisso (LAC), onde o próprio empresário pode autodeclarar o empreendimento como viável, mesmo sem a qualificação necessária.

O movimento de pressão contra a medida é articulado pela Rede Converge Brasil em parceria com organizações da sociedade civil em vários pontos do país. No Recife (PE), a mobilização acontece em outra data, na próxima quinta-feira (5/6), às 13h, na Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco (Alepe).

Confira as capitais que promovem protestos neste domingo:

Brasília — 10h no Eixão do Lazer, altura da 207 Norte
Aracaju (SE) — 16h na Praia da Cinelândia, em Atalaia
Belém (PA) — 9h, Praça da República
Curitiba (PR) — Largo da Ordem (Ruínas), às 9h
Florianópolis (SC) — 11h, na Ponte Hercílio Luz
Goiânia (GO) — 16h, Praça Universitária
João Pessoa (PB) — 15h, Busto Tamandaré
Maceió (AL) — Rua Fechada da Ponta Verde, 8h30
Manaus (AM) — 9h, em frente à Praça da Matriz
Minas Gerais — 9h, na Praça da Liberdade
Porto Alegre (SP) — Arcos da Redenção, 10h
Rio de Janeiro (RJ) — 9H30, Praia Vermelha
Salvador (BA — 10h, Farol da Barra
São Paulo (SP) — Às 14h em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp)
Teresina (PI) — Avenida Dep. Paulo Ferraz/BR 226, às 16h.

Outras cidades também aderiram ao movimento, como Santos e Ubatuba, em São Paulo, e Uberlândia (MG). Em Alto Paraíso de Goiás (GO), as manifestações iniciam às 9h30, em frente a praça do Centro de Apoio ao Turista (CAT).

Quase todos os biomas registraram redução do desmatamento em 2024

Na comparação com 2023, a redução foi de 32,4% na área desmatada/Foto: FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL

Cinco dos seis biomas brasileiros tiveram redução no desmatamento em 2024, segundo o Mapbiomas. A exceção foi a Mata Atlântica, que se manteve praticamente estável em relação a 2023.

Os dados consolidados foram lançados nesta quarta-feira (14), na apresentação do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD).

Na comparação entre os dois anos, o Pantanal e o Pampa foram os biomas que apresentaram a maior redução das áreas desmatadas. O Cerrado aparece em terceiro lugar, seguido da Amazônia e da Caatinga. A Mata Atlântica teve um crescimento de 2%.

Desmatamento registrado em 2024, na comparação com 2023:

  • Pantanal – redução de 58,6%
  • Pampa – redução de 42,1%
  • Cerrado – redução de 41,2%
  • Amazônia – redução de 16,8%
  • Caatinga – redução de 13,4%
  • Mata Atlântica – crescimento de 2%

Em 2024, mais de 89% da área desmatada no país integram a Amazônia ou o Cerrado. As formações savânicas foram as áreas mais desmatadas e responderam por 52,4% de todo o desmatamento no país. As formações florestais representaram outros 43,7%.

Segundo Tasso Azevedo, coordenador geral do Mapbiomas, um dos dados monitorados pela instituição é a perda de vegetação nativa por causa de eventos extremos climáticos, e esse foi o motivo de a Mata Atlântica não ter acompanhado a diminuição do desmatamento observada nos demais biomas.

Se não tivesse os desmatamentos que foram computados por conta dos eventos extremos, o desmatamento teria sido 20% menor”, explica.

Área desmatada

Ao todo, foram desmatados em 2024 no Brasil 1.242.079 hectares e foram registrados 60.983 alertas no território nacional. Na comparação com 2023, a redução foi de 32,4% na área desmatada e 26,9% sobre os alertas de desmatamento.

Em 2024, por dia, a área média desmatada foi de 3.403 hectares e 141,8 hectares por hora. Dia 21 de junho, quando 3.542 hectares de vegetação nativa foram desmatados em 24 horas, foi o dia que registrou maior desmatamento no ano passado. No Cerrado, o ritmo da perda foi mais intenso: 1.786 hectares ao dia.

Na avaliação dos pesquisadores, esse resultado pode refletir três mudanças observadas nesse período.

Nesses últimos anos, foram construídos planos de enfrentamento ao desmatamento para todos os biomas, o que não havia antes. Outra questão é que aumentou a participação dos estados nas ações em relação ao desmatamento, em termo de atuarem mais nos embargos e autuações feitas pelo Ibama. O terceiro fator é a questão do crédito rural. Houve um aumento do uso desses dados para a concessão de crédito rural”, explica Tasso.

Apesar das reduções, em 2024, pelo segundo ano consecutivo, o Cerrado foi o bioma que registrou maior área desmatada no país com a subtração de mais de 652 mil hectares de vegetação nativa.

Essa mudança ocorreu pela primeira vez em 2023. A gente sempre teve historicamente o desmatamento concentrado em regiões da Amazônia. Esse ano, os dois biomas tiveram uma redução, mas ainda manteve o padrão anterior, porque o desmatamento do Cerrado foi maior que o da Amazônia”, alerta Marcos Rosa, coordenador técnico do Mapbiomas.

Quase 30% dos antibióticos consumidos por humanos viram poluentes de rios, indica estudo

Visão | Uma em cada 4 pessoas não segue indicações de prescrição de  antibióticos

Um estudo que levantou dados globais sobre a poluição gerada pelos antibióticos indica que mais de 8.500 toneladas das moléculas que compõem essas drogas contra infecções bacterianas estão indo parar em rios do mundo após serem administradas a humanos. O volume é equivalente a 29% do total consumido desses fármacos.

O trabalho, liderado pela cientista brasileira Heloisa Ehalt Macedo, da Universidade McGill (Montreal, Canadá), foi realizado com base em dados de padrão de consumo desses medicamentos no mundo todo. A projeção dos cientistas foi validada com amostras de esgoto coletadas em 877 locais diferentes do planeta, e mostra um cenário preocupante, que está relacionado com o surgimento de bactérias resistentes a medicamentos.

“A presença de antibióticos em águas superficiais representa riscos aos ecossistemas aquáticos e à saúde humana devido à sua toxicidade e influência na resistência antimicrobiana”, afirmaram os pesquisadores no estudo, publicado pela revista PNAS Nexus, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

Por ser eliminada via fezes e fluidos corporais, essa poluição farmacológica é difícil de controlar, porque as moléculas demoram a se decompor naturalmente no esgoto.

“Após consumidos por humanos e serem apenas parcialmente metabolizados, os resíduos de antibióticos são excretados e passam por processos complexos de acumulação e decomposição ao longo de seu caminho, indo dos resíduos líquidos das cidades até aos sistemas naturais dos rios”, afirmam os cientistas.

A presença da droga nesses ambientes propensos à proliferação de microrganismos torna mais provável que variantes resistentes de bactérias surjam, via mutação e evolução.

Esse problema já era conhecido por cientistas e já gerou um grande volume de literatura científica. O que Macedo e seus colegas conseguiram fazer agora é a primeira estimativa global do efluxo de antibióticos por uso humano.

— A ideia do modelo é servir como um ponto de partida com estimativas para avaliar a dimensão do problema em diferentes locais. Em cada um desses hotspots, de qualquer maneira, é preciso tirar amostras e fazer a medição para confirmar — diz a cientista.

A pesquisa foi feita com base nos 21 tipos de antimicrobianos mais usados no mundo, que juntos representam cerca de 90% do consumo dessa classe de medicamentos. A amoxicilina, que é hoje o antibiótico mais usado em tratamentos iniciais, é aquele mais encontrado nos rios, mas a constatação é menos óbvia do que parece.

— Estudos de laboratório mostraram que a amoxicilina se degrada de maneira relativamente fácil no ambiente, mas o volume de consumo é tão alto que mesmo assim a presença dela nos rios é grande — diz Macedo.

A cientista afirma que, além disso, seu trabalho é por definição uma subestimativa do problema global, porque o uso veterinário de antibióticos, sobretudo na produção pecuária, também é extenso. O trabalho, além disso, mostra que os antibióticos não param nas bacias fluviais, porque oceanos e lagos também estão sendo contaminados, com cerca de 11% da carga de antibióticos usados anualmente (3.300 toneladas).

Essa outra ponta do problema é um custo ambiental menos conhecido, mas a redução da biodiversidade microbiana pela presença dessas drogas é algo que pode impactar a saúde de peixes e algas.

Brasil registra queda de 14% em desmatamento na Mata Atlântica, diz estudo

Brasil registra queda de 14% em desmatamento na Mata Atlântica, diz estudo  | CNN Brasil

A Mata Atlântica teve queda de 14% no desmatamento em 2024, mas ainda está em alerta para questões do clima e para população em torno do bioma.

Os dados foram apresentados pela SOS Mata Atlântica, com base em levantamento dos dois principais sistemas de monitoramento da região, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e o SAD (Sistema de Alertas de Desmatamento).

Segundo o SAD, além da queda de 14%, há também diminuição no total de alertas, que caiu de 7.396 para 5.693, em áreas de mata madura, apesar do número, houve um aumento no tamanho das regiões com desmatamentos de 11,2 para 12,5 hectares, o que aponta uma forte pressão para eventos maiores.

“Em outras palavras, o desmatamento ainda representa uma grande ameaça para o futuro da Mata Atlântica. E esse é também o futuro de todos nós, já que o bioma abriga cerca de 70% da população brasileira e sustenta mais de 80% do PIB nacional. No contexto das crises globais do clima e da biodiversidade, das tragédias ambientais e das recorrentes crises hídricas no Brasil, a degradação da Mata Atlântica amplia o risco de colapso dos serviços ecossistêmicos essenciais à nossa qualidade de vida, à segurança alimentar e à economia do país”, afirma Luís Fernando Guedes Pinto, Diretor executivo da SOS Mata Atlântica.

Dados por estado

De acordo com a pesquisa, Piauí e Bahia lideram o ranking estadual de desmatamento. Na Bahia, embora o total tenha caído 37% em relação ao ano anterior, a destruição de matas maduras passou de 2.456 para 4.717 hectares.

No Piauí, o movimento foi inverso ao do estado baiano, a área total desmatada cresceu 44%, chegando a 26.030 hectares.

Os estados que tradicionalmente concentram grandes perdas, como o Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais mantêm a tendência de queda verificada nos anos anteriores.

O monitoramento abordou as questões enfrentadas pelo Rio Grande do Sul, que teve um salto causado devido aos deslizamentos em decorrência das chuvas que ocorreram em maio de 2024. As enchentes do ano passado responderam pela maior parte dos 3.307 hectares desmatados no ano passado.

Principal causa para o desmatamento no bioma

A expansão da agropecuária em áreas privadas é o principal vetor de desmatamento da Mata Atlântica, respondendo pela ampla maioria dos alertas em 2024.

Embora as reduções monitoradas nos últimos dois anos, as grandes derrubadas permaneceram estáveis, o que elevou a área média suprimida por evento. Os levantamentos mostram que, só no ano passado, mais de 70% das áreas desmatadas estavam localizadas em terras privadas ou em áreas sem registro fundiário formal.

Mesmo com os avanços no monitoramento e na fiscalização em fragmentos menores, a dinâmica de conversão de grandes áreas permanece ativa. Dentro deste contexto é necessário reforçar o fortalecimento dos sistemas de monitoramento, e a necessidade de transparência nos dados estaduais de autorização de desmatamento.

Ibama multa 242 pessoas por incêndios criminosos em 2024

O Ibama também informou que está mantendo e ampliando a presença de equipes de patrulhamento em campo nas áreas mais críticas (foto: Arquivo/Valter Campanato/Agência Brasil
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Os incêndios florestais que devastaram mais de 30 milhões de hectares no país, ao longo do ano passado, foram causados, em grande medida, por atividades criminosas. É o que aponta o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que emitiu autuações contra centenas de pessoas.

O Ibama identificou e está punindo 242 pessoas por conta desses grandes incêndios criminosos em 2024. Outros casos ainda estão sob análise. Esses 242 incluem multas e outras medidas administrativas que somam mais de R$ 460 milhões“, afirmou nesta quinta-feira (8) o diretor de Proteção Ambiental da autarquia, Jair Schmitt, em coletiva de imprensa para apresentar dados sobre desmatamento e incêndios nos primeiros meses de 2025.

Uma das ações que nós estamos fazendo em relação à prevenção é identificando áreas propriedades de maior risco desses incêndios e estamos fazendo notificações eletrônicas, notificações por edital, para que os proprietários adotem medidas e saibam que o Ibama está monitorando“, acrescentou o diretor.

A autarquia ambiental também informou que está mantendo e ampliando a presença de equipes de patrulhamento em campo nas áreas mais críticas.

Seca extrema

O volume de queimadas no ano passado superou em 79% o tamanho do território incendiado no ano anterior, equivalente a uma área do tamanho da Itália, segundo apurou o MapBiomas. O quadro foi agravado, na avaliação de técnicos do governo federal, pela seca extrema que afetou o país, especialmente na Região Norte.

Foram dois anos seguidos de seca grave na Amazônia. Isso tem a ver com os efeitos das mudanças climáticas, o El Niño com o aquecimento do Atlântico Norte, seca na Amazônia, a floresta fica mais vulnerável, e aí os incêndios foram de magnitude muito maior“, explicou o secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, André Lima.

Redução

Já nos dados de 2025, segundo o secretário, se observa redução de até 70% nos focos de calor da Amazônia, entre janeiro e abril, e queda de mais de 90% dos focos de calor no Pantanal, os dois biomas mais castigados nos últimos anos.

Apesar da situação climática mais favorável, o governo verificou um aumento dos focos de desmatamento tanto na Amazônia quanto no Cerrado no último mês de abril, o que acendeu um alerta para adoção de medidas que possam reverter o cenário, que ainda é de redução dos indicadores, em termos acumulados.

Maior tubarão do mundo é filmado no litoral de São Paulo

Tubarão-baleia é registrado em Ilhabela, em SP (foto: Reprodução/Instagram)

No dia 5 de março, o casal de biólogos Daniel Munhoz e Larissa Uema registrou um encontro com o tubarão-baleia, considerado o maior tubarão do mundo, em Ilhabela, litoral de São Paulo.

De acordo com os instrutores de mergulho, “esses animais mantêm a cadeia alimentar de todo o oceano estável e saudável apenas com sua existência. Seus hábitos naturalmente fazem parte de um ciclo complexo que deixam tudo funcionando e consequentemente vivo.”

O animal é inofensivo aos humanos, segundo Daniel, que descreveu o momento do mergulho. “Estar cara a cara com esse bicho traz uma sensação que nada criado pelo homem consegue trazer. Enquanto não colocarmos nosso foco na natureza e na nossa sobrevivência, estaremos fadados à tristeza e a um futuro terrível.”

Em entrevista ao portal CNN, Larissa destacou que o tubarão-baleia não é um predador de topo de cadeia como outros da espécie, sendo um exemplo para desmistificar um grupo “injustiçado pela maioria da população.”

Conforme a agência estadunidense Bureau of Ocean Energy Management (BOEM), o tubarão-baleia é um dos maiores peixes vivos no oceano atualmente, chegando a mais de 18 metros de comprimento. O animal se alimenta de plânctons e pequenos peixes por meio de uma boca localizada na parte frontal da cabeça, que utiliza para sugar a água e filtrar para capturar as presas. A dieta deste animal auxilia no controle de oxigênio na água.

O tubarão-baleia é caracterizado pela pele cinza escura com manchas cinzas claras ou brancas, combinação que difere de um animal para o outro. O peixe também é migratório, podendo habitar em todas as águas tropicais e temperadas quentes, salvo as do Mediterrâneo. Ele migra de acordo com a disponibilidade de alimento no local e mudanças sazonais na temperatura da água.

Os dejetos do tubarão-baleia ainda fornecem nutrientes essenciais para a flora marinha, como nitrogênio e fósforo, promovedores do crescimento do fitoplâncton. De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), a espécie está classificada como “em perigo” de extinção.

Brasil reduz 70% da área queimada no primeiro trimestre de 2025

 (Foto: Agência Santarém)

Nos três primeiros meses de 2025, a extensão de todas as áreas atingidas por queimadas no país somou 912,9 mil hectares. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram registrados 2,1 milhões de hectares, houve uma redução de 70% no território nacional atingido pelo fogo.

Do total das áreas queimadas 78% são de vegetação nativa, sendo que 43% do que foi consumido pelo fogo eram de formação campestre.

Entre os estados brasileiros, Roraima foi o que mais queimou nesses três meses, somando 415,7 mil hectares. O Pará foi o segundo mais atingido, com 208,6 mil hectares queimados e o Maranhão perdeu 123,8 mil hectares para o fogo, sendo o terceiro na lista. Entre as cidades, Pacaraima e Normandia, ambas em Roraima, foram as mais afetadas, com 121,5 mil e 119,1 mil hectares, respectivamente.

Segundo o pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) Felipe Martenexen, Roraima vivencia sua estação seca no início do ano, o que torna o estado particularmente vulnerável às queimadas nesse período. “Os dados do primeiro trimestre de 2025 refletem essa sazonalidade climática, com Roraima despontando como o principal foco de fogo no país”, explica

Os números foram divulgados nesta quarta-feira (16) e são do Monitor do Fogo, uma ferramenta do MapBiomas que utiliza imagens de satélite para mapear cicatrizes de fogo em todo o país.

A ocorrência do período de chuvas contribui para essa diminuição das queimadas. No entanto, o Cerrado se destacou com a maior área queimada no primeiro trimestre em comparação aos últimos anos, o que reforça a necessidade de estratégias específicas de prevenção e combate ao fogo de cada bioma”, alerta a pesquisadora do Mapbiomas Fogo, Vera Arruda.

Biomas

Entre janeiro e março de 2025, o Cerrado teve aumento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior, Foram 91,7 mil hectares queimados, ficando 106% acima da média histórica desde 2019.

Também cresceram em área atingida pelo fogo a Mata Atlântica e o Pampa. Em relação a 2024, as áreas queimadas aumentaram 7% e 1,4%, respectivamente. Enquanto a Mata Atlântica teve 18,8 mil hectares atingidos, o Pampa teve 6,6 mil hectares queimados.

A Amazônia, apesar de ter registrado queda de 72% na área queimada em relação aos três primeiros meses de 2024, foi o bioma mais atingido em extensão no mesmo período de 2025. Foram 774 mil hectares queimados, representando 78% do total nacional.

É importante entendermos que a estação seca de 2025, que se aproxima, possivelmente ainda será forte, o que pode reverter essa condição de redução” diz a diretora de Ciência do Ipam e coordenadora do Mapbiomas Fogo.

O Pantanal e a Caatinga também observaram redução nas suas áreas queimadas durante os três primeiros meses de 2025. Eles tiveram, respectivamente, 10,9 e 10 mil hectares atingidos pelo fogo, que representaram reduções de 86% e 8% em relação ao mesmo período de 2024,

Março

No último mês do primeiro trimestre deste ano, o fogo alcançou 106,6 mil hectares do país, o equivalente a 10% da área total queimada nos meses analisados. Na comparação com março de 2024, foram 674,9 mil hectares a menos queimados, o que representa redução de 86%.

Do total no mês, a Amazônia queimou 55,1 mil hectares; o Cerrado, 37,8 mil hectares, a Caatinga 2,2 mil hectares, Mata Atlântica, 9,2 mil hectares, o Pampa 1,5 mil hectares e o Pantanal, 561 hectares.

Temperatura mundial permanece em níveis historicamente elevados em março

 (Foto: YASUYOSHI CHIBA / AFP)

As temperaturas permaneceram em níveis historicamente elevados em março, o que prolonga uma onda planetária de calor de quase dois anos, informou nesta terça-feira (8) o programa europeu de observação climática Copernicus.

Com a média de 14,06°C, março de 2025 foi apenas 0,08°C mais frio que o recorde registrado em março de 2024 e levemente mais quente do que o mesmo mês de 2016, segundo o Copernicus.

Os dois episódios anteriores ocorreram durante um momento intenso do fenômeno El Niño, enquanto 2025 registra o fenômeno La Niña, a fase oposta do ciclo, sinônimo de uma influência de resfriamento.

Na Europa, foi o mês de março mais quente já registrado, segundo o boletim mensal do observatório climático.

No conjunto do planeta, este foi o segundo março mais quente nos registros do Copernicus, o que confirma uma sequência mensal de calor recorde ou quase recorde iniciada em julho de 2023.

Desde então, cada mês foi pelo menos 1,5ºC mais quente do que a média antes da revolução industrial, quando a humanidade começou a queimar carvão, petróleo e gás em larga escala.

A temperatura de março ficou 1,6ºC acima da era pré-industrial, prolongando um clima tão extremo que os cientistas ainda tentam encontrar uma explicação.

Que ainda estejamos 1,6ºC acima da era pré-industrial é realmente notável“, afirmou Friederike Otto, especialista do Instituto Grantham de Mudança Climática do Imperial College de Londres.

Estamos firmemente nas mãos da mudança climática provocada pelos humanos“, declarou à AFP.

Continuamos com temperaturas extremamente altas“, afirmou Robert Vautard, copresidente do grupo de trabalho sobre climatologia do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

“É uma situação excepcional”, afirma à AFP, “porque normalmente as temperaturas diminuem claramente após dois anos de El Niño”, o fenômeno natural que eleva temporariamente as temperaturas mundiais e cujo último episódio remonta a 2023-2024.

Devemos, no entanto, evitar reagir de forma exagerada a flutuações ou ausências de flutuações, e aguardar explicações sobre os fenômenos que podem ter se sobreposto ao aquecimento provocado pela humanidade“, alerta Robert Vautard, pois as temperaturas estão “sujeitas a importantes variações naturais interanuais ou decenais“.

Bilhões de medições

Os cientistas alertam que cada fração de grau de aquecimento global aumenta a intensidade e frequência de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, chuvas fortes e secas.

O calor mundial fez de 2023 e 2024 os anos mais quentes já registrados.

O programa Copernicus da UE utiliza bilhões de medições de satélites, navios, aviões e estações climáticas para fazer seus cálculos.

Os registros datam de 1940, mas outras fontes de informação climática permitem aos cientistas ampliar suas conclusões com o uso de evidências muito anteriores.

Segundo o IPCC, o mundo está a caminho de superar de forma duradoura o limite de 1,5°C no início da década de 2030. Ou até mesmo antes do fim da década, segundo estudos recentes.

Os cientistas afirmam que o período atual pode ser o mais quente na Terra nos últimos 125.000 anos.

Prefeitura de Afogados inicia trabalho de revitalização de nascentes

A Prefeitura de Afogados da Ingazeira iniciou nesta quarta (26), o trabalho de revitalização das nascentes e olhos d’água do município. A ação começou pela comunidade da Carapuça, com a participação de professores e alunos da Escola Municipal Levino Cândido.

“Precisamos fazer com que nossa caatinga volte a ser produtora de água. Para isso, é fundamental revitalizarmos nossas nascentes e reflorestarmos as águas do seu entorno. Esse é a primeira de uma série de ações que iremos desenvolver em nosso território, visando mitigar o processo de desertificação do pedaço que nos cabe desse semiárido, aqui em Afogados da Ingazeira,” destacou o Secretário de meio-ambiente de Afogados, Adelmo Santos. A ação ocorre no mês de março, onde é celebrada a semana mundial das águas.

A Prefeitura irá atualizar o mapeamento de todas as áreas de nascentes e olhos d’água de Afogados. O reflorestamento será realizado em outras áreas degradadas, além das nascentes. Na cidade, a secretaria está planejando um amplo programa de arborização. Tudo com espécies nativas da caatinga. Na Carapuça, foram plantadas 142 mudas de espécies como angico, ipê, umburana de cheiro, bálsamo, jurema, pata de vaca, mulungu, maniçoba, dentre outras.

Coordenada pelo Secretário de meio-ambiente de Afogados, Adelmo Santos, a ação contou com a parceria das Secretarias municipais de agricultura e educação. O evento contou com as presenças da diretora da escola, Silvana Bezerra; vereadora Lucineide do Sindicato; José Matias, Presidente do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Afogados da Ingazeira e Seba Pereira, Presidente da associação de agricultores da Carapuça. A diocese de Afogados enviou os seminaristas estagiários Carlos Antônio, Jacson Douglas e Walter Rocha, representando o Bispo Dom Limacêdo Antônio.

“Essa é uma ação importantíssima e que vai refletir no nosso futuro. Para que daqui a cinco, dez anos, nós tenhamos um espaço regenerado, com a revitalização da área do entorno da nascente. É uma ação pioneira, do ponto de vista da gestão municipal, e que nós iremos ampliar para outras comunidades rurais,” destacou o vice-prefeito Daniel Valadares. Daniel também lembrou que o Prefeito Sandrinho Palmeira já autorizou a compra de dez mil mudas de espécies nativas da caatinga, para serem usadas tanto nas ações de reflorestamento quanto nas de arborização da área urbana.

Mega secas aumentam no mundo, e Brasil fica no top 10 das mais severas; veja mapa

Moradores transportam água potável de Humaitá para a comunidade de Paraizinho, ao longo do rio Madeira, um afluente do rio Amazonas, durante a estação seca no Amazonas, em 8 de setembro de 2024. — Foto: Edmar Barros/AP

Um estudo recente publicado na revista científica “Science” revelou que as mega secas – períodos de seca que duram pelo menos dois anos – têm se tornado mais frequentes, quentes e devastadoras ao redor do mundo nas últimas quatro décadas.

A pesquisa, inédita por analisar essas secas prolongadas em escala global e seus impactos, examinou dados de 1980 a 2018 e identificou mais de 13 mil eventos do tipo no período. O Brasil apareceu duas vezes entre os dez casos mais graves.

Essas secas prolongadas não são exatamente um ‘evento meteorológico’, mas algo que ocorre de forma mais sutil, ao longo de um período maior e em uma área mais extensa”, explica ao g1 Simone Fatichi, autor do estudo e pesquisador do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Nacional de Singapura.

Elas devem ser vistas como períodos anômalos prolongados e amplamente distribuídos, caracterizados principalmente pela redução da precipitação, embora em alguns casos também envolvam um aumento na demanda atmosférica por água”, acrescenta Fatichi.

A tendência é confirmada pelo mais recente relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), publicado nesta última semana, que aponta a continuidade e intensificação de fenômenos de seca no Brasil.

ENTENDA: Em anos recentes, o país tem enfrentado condições climáticas extremas, incluindo a mega seca de 2024, que afetou quase 60% do território nacional, a mais intensa e generalizada da história do Brasil. A situação é agravada por fatores como o aquecimento global, a deflorestação e eventos climáticos naturais, como El Niño.

E a seca tem impactado severamente regiões como a Amazônia e o Pantanal. Em 2023, o Pantanal registrou uma redução de 61% em sua área coberta por água em comparação com a média histórica desde 1985, tornando-se um dos biomas mais afetados.

Além disso, a Amazônia enfrentou um recorde de seca no mesmo ano, que se agravou em 2024, com um aumento de 2000% na área afetada por seca extrema.

Duas regiões brasileiras entre as mais atingidas

A pesquisa revela que a chamada Amazônia Sul-Ocidental, que abrange parte dos estados do Acre, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso, além de porções da Bolívia e Peru, enfrentou uma mega seca devastadora de 2010 a 2018.

Esta região figura como a 7ª mais grave do mundo no período estudado. No período, a seca prolongada causou o secamento de rios importantes como o Madeira, Negro e Solimões, que atingiram níveis historicamente baixos.

Comunidades ribeirinhas também ficaram isoladas quando os rios, que servem como principais vias de transporte e subsistência, se tornaram intransitáveis em vários trechos.

Durante esses oito anos, a vegetação amazônica sofreu um estresse hídrico severo, aumentando significativamente a vulnerabilidade da floresta aos incêndios.

Em 2015 e 2016, no auge da seca, foram registrados aumentos de até 30% nos focos de queimadas comparados à média histórica da região.

Já na região Leste do Brasil, o estudo identifica como a 9ª mega seca mais severa do mundo aquela ocorrida entre 2014 e 2017, afetando principalmente os estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.

Na época, uma crise hídrica sem precedentes atingiu a região mais populosa e economicamente ativa do país.

O Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de água para cerca de 9 milhões de pessoas na Grande São Paulo, chegou a operar com o chamado “volume morto” (reserva abaixo do nível das comportas) em 2015, atingindo menos de 5% de sua capacidade.

Em Minas Gerais, reservatórios importantes como o de Furnas chegaram a níveis críticos, afetando não apenas o abastecimento urbano, mas também a geração de energia, já que a região concentra importantes usinas hidrelétricas.

No Rio de Janeiro, o Sistema Paraíba do Sul, vital para o abastecimento da região metropolitana, sofreu uma redução drástica de vazão.

Já no Espírito Santo, rios como o Jucu e Santa Maria da Vitória, fundamentais para o abastecimento da Grande Vitória, registraram níveis alarmantes.

Maior iceberg do mundo parece ter encalhado, poupando santuário marinho de eventual colisão

O maior iceberg do mundo parece ter encalhado a mais de 70 quilômetros de Geórgia do sul, poupando a ilha britânica de uma potencial colisão, anunciou o grupo de pesquisa British Antarctic Survey nesta terça-feira (4). O local é considerado um santuário da vida marinha, um importante local de reprodução de vida selvagem.

A colossal geleira, conhecida como A23a, com uma área de 3.360 quilômetros quadrados e um peso de quase um bilhão de toneladas, estava se dirigindo para o norte da Antártica em direção à Ilha Geórgia do Sul desde dezembro, impulsionada por poderosas correntes oceânicas.

Isso gerou temores de que ele pudesse colidir ou encalhar em águas mais rasas perto da ilha, o que poderia interromper o suprimento de alimentos para pinguins bebês e focas.

O iceberg está preso a 73 quilômetros da ilha desde 1º de março, de acordo com uma declaração do British Antarctic Survey.

“Se o iceberg continuar encalhado, esperamos que não afete significativamente a vida selvagem local”, prevê o oceanógrafo Andrew Meijers, responsável pelo monitoramento por satélite do A23.

“Nas últimas décadas, os inúmeros icebergs que seguiram essa rota pelo Oceano Antártico se fragmentaram, se dispersaram e acabaram derretendo rapidamente”, explica ele.

“No entanto, à medida que o iceberg se quebra em pedaços menores, as operações de pesca na região se tornam mais difíceis ou potencialmente perigosas”, acrescenta Meijers.