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Número de mortos em terremotos na Venezuela chega a quase 4.500

 /AFP

O número de mortos nos terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho subiu neste domingo para 4.490, enquanto mais de 19.500 pessoas se alojavam em acampamentos provisórios, segundo um balanço divulgado pelo governo em suas redes sociais. O número de feridos se manteve em 16.740.

Os terremotos afetaram Caracas e, principalmente, o estado vizinho de La Guaira, onde acampamentos de famílias desabrigadas se espalhavam por estádios, praças e calçadas. Voluntários venezuelanos e estrangeiros prestavam atendimento médico em unidades instaladas em áreas abertas e distribuíam alimentos.

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, não mencionou o número de desaparecidos, uma cifra que pode chegar a 50.000, segundo a ONU. Ele disse ontem que 315 pessoas ainda não haviam sido identificadas até a véspera, o que representa “7% do total de mortos”.

O presidente da Assembleia negou que o governo vá suspender as buscas por corpos, em meio ao temor das famílias de que os escombros comecem a ser removidos de forma indiscriminada.

ONU expressa preocupação com escalada de ataques EUA-Irã; Teerã alega direto à autodefesa

Procissão funerária no Irã./WAKIL KOHSAR / AFP

Diante da escalada de ataques entre Estados Unidos e Irã, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, expressou preocupação e defendeu que os ataques devem ser cessados. Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse que os ataques às bases militares norte-americanas “constituem um exercício legítimo e legal de seu direito inerente à autodefesa sob o direito internacional”.

Os dois porta-vozes se manifestaram através da rede social X na tarde deste domingo. Guterres afirmou que “um retorno a hostilidades em grande escala teria consequências catastróficas – para os povos da região, para a paz e a segurança internacionais e para a economia global”, pedindo que os dois países em guerra retomem as negociações.

Já Baghaei disse que o Irã não ataca, e que os bombardeios recentes são uma “continuação de um ato de agressão flagrante e não provocado iniciado em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel“, disse na postagem.

A escalada se intensificou e, há pouco, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, na sigla em inglês) afirmou que as forças americanas começaram a lançar mais ataques contra o Irã, a partir das 18h (horário de Brasília), a fim de continuar degradando a capacidade de Teerã de atacar marinheiros civis e navios comerciais que transitam livremente pelo Estreito de Ormuz.

EUA lançam nova rodada de ataques contra o Irã no Estreito de Ormuz

O CENTCOM (Comando Central dos Estados Unidos) informou que começou a lançar a terceira rodada de ataques contra o Irã desta semana.

Segundo o comunicado publicado no X, a nova ofensiva acontece depois que a IRGC (Guarda Revolucionária do Irã) “atacou de forma flagrante o navio M/V GFS Galaxy, um porta-contêineres de bandeira do Chipre que transitava pelo Estreito de Ormuz.”

O comunicado diz, ainda, que um tripulante civil está desaparecido, e a embarcação não consegue prosseguir viagem devido a um incêndio a bordo e a graves danos na casa de máquinas.

O CENTCOM acrescentou que “o Irã recebeu mais uma oportunidade de demonstrar o cumprimento do Memorando de Entendimento – que instituiu um cessar-fogo provisório – após ter sido responsabilizado por ataques anteriores contra embarcações comerciais, mas novamente falhou.”

O comunicado conclui dizendo que em resposta, “os Estados Unidos estão impondo um alto custo ao continuar reduzindo a capacidade do Irã de atacar livremente marinheiros civis e navios comerciais que transitam pelo Estreito. Os ataques estão sendo realizados sob a orientação do comandante em chefe” [o presidente Donald Trump].

Fechamento por tempo indeterminado

Mais cedo, a IRGC informou que havia fechado a via marítima após “disparar um tiro de advertência contra uma embarcação que tentava utilizar uma rota não autorizada para trafegar”.

A agência de notícias semi-oficial Tasnim, ligada À IRGC, disse que a guarda iraniana condenou o que classificou como “interferência externa de potências estrangeiras”, na forma de várias embarcações que tentavam cruzar o Estreito por “rotas não autorizadas”.

O comunicado citado pela Tasnim diz, ainda, que “diante da situação precária causada por essa interferência ilegal de partes externas, o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até novo aviso e até que a interferência regional dos Estados Unidos cesse”, diz o comunicado. “Nenhuma embarcação ou navio militar terá permissão para passar.”

Trump diz ter deixado ordem para atacar Irã caso seja assassinado

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump/ AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter deixado ordens para uma ofensiva militar de grandes proporções contra o Irã caso Teerã cumpra as ameaças de assassiná-lo. Na prática, porém, o governo americano não dispõe de um mecanismo legal que autorize uma retaliação automática após a morte do presidente.

Nesse cenário, a transferência de poder seria regida pela 25ª Emenda à Constituição e pela Lei de Sucessão Presidencial de 1947. O vice-presidente JD Vance assumiria imediatamente a Presidência e o comando das Forças Armadas, com autoridade para decidir sobre qualquer resposta militar. Ele poderia seguir a orientação de Trump, adotar outra forma de retaliação ou optar por não executá-la.

“Os Estados Unidos nunca utilizaram um mecanismo automático desse tipo, por uma série de razões”, disse Garrett M. Graff, autor de um livro sobre os planos de continuidade do governo americano em situações de catástrofe. Segundo ele, mesmo que Trump tenha deixado ordens prévias, a autoridade para determinar um ataque passaria imediatamente ao vice-presidente ou ao sucessor designado.

Trump escreveu neste sábado (11) em sua rede social que o Irã fez ameaças de assassiná-lo e afirmou que “mil mísseis estão prontos e apontados para a República Islâmica do Irã, com milhares de outros que seriam lançados imediatamente caso o governo iraniano leve a ameaça adiante”. O presidente não mencionou o uso de armas nucleares.

Horas depois, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que o país continuará buscando vingança pela morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, morto nos ataques americanos e israelenses que deram início à guerra em fevereiro. “Essa vingança é a vontade de nossa nação e certamente será levada adiante”, disse em pronunciamento transmitido pela televisão estatal iraniana.

O Wall Street Journal informou nesta semana que Israel alertou autoridades americanas sobre novos planos iranianos para matar Trump. A Casa Branca não comentou a reportagem, mas o presidente fez referência às ameaças durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), na Turquia. “Eles querem eliminar o líder dos Estados Unidos, que sou eu”, afirmou. Questionado depois sobre o tema a bordo do Air Force One, Trump respondeu: “Sou o número um na lista deles.”

Ameaças iranianas contra Trump e outras autoridades americanas não são inéditas. Em 2022, o governo de Joe Biden advertiu Teerã de que ataques contra cidadãos dos Estados Unidos teriam consequências graves, após a revelação de um plano para assassinar John Bolton, ex-assessor de segurança nacional de Trump. Em 2024, durante a campanha presidencial, autoridades americanas voltaram a alertar o Irã e afirmaram que um ataque contra Trump seria considerado um ato de guerra.

Presidente da Venezuela agradece apoio do Brasil

 /Foto: Reuters/Ricardo Arduengo/Proibida reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, conversaram na tarde desta sexta-feira (10) pelo telefone. O tema da conversa foi os terremotos que atingiram o país vizinho no final de junho e deixou mais de 4 mil mortos.

Na conversa, Delcy agradeceu a Lula pela ajuda prestada pelo governo brasileiro. O Brasil enviou medicamentos e insumos médicos, como seringas, luvas, máscaras, gazes e ataduras.

A Marinha do Brasil também montou um hospital de campanha na cidade de La Guaira, local mais atingido, onde fez mais de mil atendimentos médicos e cirurgias de baixa complexidade.

Lula reiterou à presidente venezuelana a disposição do Brasil de continuar contribuindo para a reconstrução do país e de apoiar a população daquele país.

Delcy disse que a Venezuela se prepara para reconstruir as áreas atingidas, com foco na construção de casas para as famílias que ficaram desabrigadas.

Incêndio na Espanha causa mais de dez mortos e 23 desaparecidos

Incêndio causou a morte de 12 pessoas em Almería, região do sul da Espanha./JOSE JORDAN / AFP

Um incêndio florestal que começou na quinta-feira em Los Gallardos, na região de Almería, no sul de Espanha, causou pelo menos 12 mortos, oito feridos, sendo que quatro estão em estado grave, além de pelo menos 23 desaparecidos.

De acordo com autoridades espanholas da Andaluzia, a indicação é de que a maioria das vítimas é estrangeira. Elas tentaram abandonar o local do fogo por um percurso diferente da via de evacuação designada e foram alcançadas pelas chamas. Quatro morreram dentro de um veículo, enquanto outras sete foram encontradas sem vida depois de, aparentemente, terem abandonado os seus carros para tentarem fugir a pé.

As vítimas foram surpreendidas por um incêndio de propagação extremamente rápida numa zona de terreno complexo e com casas dispersas na encosta”, disseram as autoridades, acrescentando que foi necessário evacuar várias localidades com a retirada de mais de mil pessoas.

As primeiras investigações apontam para a queda de um cabo elétrico como causa do incêndio, que já é considerado como o maior registrado em Almería. Por sua vez, a

principal empresa fornecedora de eletricidade da área afirma que a linha elétrica assinalada como a origem do incêndio não pertence à sua rede. A região da Andaluzia atravessa no momento uma onda de calor extremo, associada ainda a ventos fortes que alimentaram a velocidade do fogo.

O governo regional da Andaluzia informou que a Unidade Militar de Emergência (UME) mobilizou 200 agentes e 70 viaturas de diversos tipos para auxiliar nos esforços de combate ao incêndio na região.

EUA atacam o Irã, que anuncia medidas de represália e denuncia “crime de guerra”

Ataques contra o Irã/Comando Central Militar dos EUA via AFPTV/AFP

Novos combates eclodiram entre Estados Unidos e Irã nesta quinta-feira (9), antes do enterro do líder supremo Ali Khamenei, com Teerã atacando aliados de Washington na região e bombardeios americanos que atingiram o perímetro de uma usina nuclear iraniana.

Esses ataques americanos, apesar de um protocolo de acordo firmado entre os dois beligerantes em 17 de junho, deixaram 17 mortos, segundo autoridades iranianas. O Irã desafia Washington com sua intenção de cobrar pedágio dos navios que transitam pelo Estreito de Ormuz, algo que não fez antes dos ataques israelenses e americanos de 28 de fevereiro, que desencadearam o atual conflito.

A República Islâmica afirmou que havia retomado seus ataques contra alvos americanos no Kuwait, Bahrein e Catar, enquanto soavam sirenes na Jordânia — outro aliado dos Estados Unidos —, onde o Exército disse ter interceptado oito mísseis lançados a partir do Irã.

Os confrontos ocorreram enquanto o Irã se prepararam para enterrar Khamenei, que morreu junto com familiares próximos no primeiro dia da guerra contra o Irã.

No último de seis dias de cerimônias fúnebres, o enterro de Khamenei nesta quinta-feira (9) em sua cidade natal, Mashhad, tem sido acompanhado de perto em busca de sinais de seu filho Mojtaba Khamenei, que ainda não apareceu em público desde sua nomeação como sucessor de seu pai como líder supremo.

Multidões de homens e mulheres vestidos de preto, muitos clamando por vingança, se concentraram entre faixas com palavras de ordem como “haverá sangue”, informaram correspondentes da AFP.

Israel alerta que está pronto para atacar o Irã

Os Estados Unidos atacaram o perímetro da única usina nuclear civil do Irã com um bombardeio de televisão nesta quinta-feira, informou a estatal iraniana, citando o vice-governador da província de Bushehr.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que os ataques americanos ocorreram como alvo de infraestruturas civis, incluindo pontes ferroviárias, e classificou os bombardeios como um “crime flagrante de guerra”.

Autoridades militares dos Estados Unidos afirmaram que os ataques desta quinta-feira atingiram aproximadamente 90 alvos militares iranianos, incluindo sistemas de defesa aérea e depósitos de mísseis e drones.

O Exército iraniano afirmou ter atacado com drones um sistema interceptador de mísseis Patriot no Kuwait, um sistema de alerta antecipado no Catar e depósitos de combustível no Bahrein, como parte de suas operações contra bases americanas na região.

Um alto funcionário da Defesa dos EUA afirmou que as amostras de mísseis e drones lançados pelo Irã não causaram danos ou prejuízos significativos ao pessoal americano.

Enquanto isso, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que seu país está pronto para retomar a operação militar contra o Irã “pela terceira vez, se necessário. Se tivermos que fazer isso de novo, agora, e com ainda mais força.

“À noite foi pior”

Os bombardeios atribuídos ao Irã contra pelo menos três navios nos últimos dias desencadearam uma ofensiva dos Estados Unidos contra alvos iranianos na terça-feira.

Na cidade portuária iraniana de Bandar Abbas, Badriyeh, uma dona de casa de 44 anos, relatou que o barulho foi muito alto nas últimas duas noites. “À noite foi pior e as janelas de várias casas foram quebradas”, disse ela à AFP.

A Guarda Revolucionária do Irã acusou os Estados Unidos de um “esforço para ofuscar” o funeral de Khamenei com seus ataques às pontes ferroviárias, que provocaram a suspensão dos serviços de trem.

As despedidas de Khamenei, que governou o Irã por mais de três décadas, ofereceram algumas pistas sobre a configuração da nova liderança, que buscaram mostrar uma frente unida entre as figuras políticas e militares.

Como demonstração das demonstrações de segurança, pelo menos um avião de combate escoltou o avião que transportou o caixão de Khamenei até seu enterro final em Mashhad, segundas imagens divulgadas na página oficial do líder supremo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou seu antigo avião presidencial, o Air Force One, para deixar a Turquia após uma cúpula de Otan, em vez de seu novo avião apresentado pelo Catar, decisão que o The New York Times revelou como uma medida de segurança no contexto atual.

Trump declarou que o cessar-fogo com o Irã estava “encerrado”, mas deixou a porta aberta para novas conversas.

Irã diz que disparou 10 mísseis contra base dos EUA na Jordânia

O IRGC (Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica) anunciou que disparou dez mísseis balísticos contra uma base dos Estados Unidos na Jordânia nesta quinta-feira (9).

Os militares iranianos informaram que o alvo era a base militar de Azraq, no norte do país, também conhecida como Base Aérea Muwaffaq Salti.

As Forças Armadas dos EUA estabeleceram uma presença significativa no local durante o conflito com o Irã.

Se as Forças Armadas dos EUA repetirem sua agressão, outras bases americanas na região não serão poupadas de ataques pesados“, afirmou o IRGC.

Não há relatos de danos ou vítimas.

Todos os mísseis foram “interceptados e neutralizados”, disse o porta-voz do governo da Jordânia, Mohammad Al-Momani, na rede social X.

As valentes Forças Armadas da Jordânia estão em alerta máximo, prontas para enfrentar qualquer ameaça ao Reino, e estão empenhando todos os esforços para garantir a segurança da nação e de seus cidadãos“, escreveu Al-Momani.

Trump diz que o Irã ligou pedindo um acordo após ataques dos EUA

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8), que o Irã ligou para ele pedindo um acordo após repetidos ataques dos EUA na região, mas que não sabe se eles são “merecedores” disso.

Eles ligaram há pouco tempo; querem muito fazer um acordo“, disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One, no retorno da cúpula da Otan em Ancara, na Turquia.

Eu só não sei se eles são merecedores de um acordo”, acrescentou.

Mais cedo na quarta-feira, Trump declarou encerrado o cessar-fogo entre as duas nações, depois que o Irã atingiu várias embarcações no Estreito de Ormuz e os EUA retaliaram.

Toda vez que eles nos atingem, nós revidamos com 20 ataques“, disse Trump.

Após o CENTCOM (Comando Central dos EUA) anunciar ataques adicionais contra o Irã, Trump ameaçou que as ações militares se tornariam “muito piores” caso o Irã lançasse mais ataques.

Trump sugere que EUA podem tomar Ilha de Kharg, no Irã, e confirma ataque

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez novas ameaças contra o Irã nesta quarta-feira (8), destacando que pode atacar e até tomar a Ilha de Kharg, um importante centro de exportação de petróleo iraniano.

Atacamos a Ilha Kharg ontem à noite e destruímos uma parte. Eu disse: ‘Não mexam no petróleo, porque talvez a gente tome a Ilha Kharg‘”, afirmou Trump, citando o que falou aos militares dos EUA.

Eu disse: ‘Não atinjam os dutos, atinjam apenas todo o resto’. E eles atingiram. Podem atingir novamente hoje à noite“, adicionou.

Antes da reunião bilateral com Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, Trump reforçou as ameaças de novos ataques, alertando que poderia fazer uma grande ofensiva.

Após os comentários do líder americano sobre a Ilha de Kharg, Ebrahim Rezaei, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, rebateu a ameaça.

“Venha — estamos à sua espera — e prometemos que nenhum soldado americano retornará com vida”, disse Rezaei.

Ali Akbar Velayati, ex-ministro das Relações Exteriores do Irã, também criticou a “mais recente escalada“, afirmando no X que o Irã já havia “alertado anteriormente que ‘a região não é lugar para apostas políticas de nações pequenas‘” e que o país “está com o dedo no gatilho para limpar a região”.

Por que a Ilha de Kharg é tão importante?

A Ilha de Kharg é uma formação de corais localizada a apenas 25 quilômetros da costa do Irã, no Golfo Pérsico.

Quase todos os dias, milhões de barris de petróleo bruto jorram dos principais campos petrolíferos do Irã – incluindo Ahvaz, Marun e Gachsaran – por meio de oleodutos até a ilha, conhecida entre os iranianos como a “Ilha Proibida” devido ao rígido controle militar.

A ilha tem sido fundamental para a economia do Irã há muito tempo. Autoridades da Casa Branca acreditam que tomar a ilha “levaria totalmente à falência” a IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã), informou a CNN no início deste ano.

Trump ameaça cortar relação comercial com a Espanha

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos/JIM WATSON / AFP

O presidente Donald Trump criticou nesta quarta-feira (8) a Espanha, que acusa de não gastar o suficiente em Defesa e de não ter cedido suas bases militares para a campanha contra o Irã, e afirmou que os Estados Unidos “vão cortar todo o comércio” com Madri.

A Espanha é uma causa perdida. Não queremos mais relações comerciais com a Espanha“, disse Trump ao chegar à reunião de cúpula da Aliança Atlântica em Ancara.

Ao seu lado, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, defendeu a Espanha ao destacar o “grande passo dado no ano passado” em relação aos seus gastos militares.

Trump afirma que está ‘muito irritado’ com a Otan e distrubui críticas

Presidente dos EUA, Donald Trump/Filip SINGER/POOL/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou nesta quarta-feira (8) “muito irritado” à reunião de cúpula da Otan em Ancara e distribuiu críticas para todos os lados, com ataques à soberania dinamarquesa da Groenlândia, aos gastos militares da Espanha e ao que considera falta de ajuda dos aliados na guerra contra o Irã.

Em uma conversa com a imprensa ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, antes da abertura formal da cúpula na capital da Turquia, o presidente republicano não poupou ninguém.

“Estou muito irritado com a Otan“, disse aos jornalistas. “Não estou satisfeito com a Otan pelo que fizeram com a Groenlândia, e não estou satisfeito com a Otan porque não quiseram nos ajudar com o principal Estado patrocinador do terrorismo, que é o Irã. Não estavam dispostos a nos ajudar”, afirmou.

O americano critica reiteradamente os parceiros ocidentais por não o apoiarem na guerra que, em conjunto com Israel, iniciou em 28 de fevereiro contra o Irã.

Também voltou a destacar a questão da Groenlândia, uma imensa ilha ártica sob soberania da Dinamarca que, segundo ele, os Estados Unidos precisam para garantir sua segurança.

A Groenlândia é um grande problema para nós“, declarou, antes de acrescentar que a ilha, onde Washington já dispõe de uma base militar, é “muito importante para os Estados Unidos, mas não é importante para a Dinamarca“.

“Precisamos dela para a proteção do mundo, não apenas dos Estados Unidos. Não ajuda a Dinamarca, mas nos ajuda”, completou.

A Groenlândia, é claro, não está à venda“, declarou mais cedo à imprensa a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen.

No início do ano, a ameaça de Trump de tomar a Groenlândia à força colocou a Aliança Atlântica, da qual a Dinamarca é um Estado-membro, em uma situação difícil.

Após várias semanas de retórica agressiva, Trump baixou o tom e anunciou, em janeiro, um acordo sobre a Groenlândia com o secretário-geral da Otan, cujos detalhes continuam difusos.

O presidente americano também voltou a criticar a Espanha, que, segundo ele, não gasta o suficiente em Defesa e negou o uso de duas bases neste ano durante a guerra israelense-americana contra o Irã.

A Espanha é uma causa perdida. Não queremos mais relações comerciais com a Espanha”, disse Trump. “Não participam, não pagam“, acrescentou.

Na cúpula da Otan em Haia no ano passado, a Espanha foi o único país que não assumiu o compromisso comum de elevar os gastos em defesa para 5% do PIB nacional até 2035, adotado sob pressão de Washington.

Desde então, Trump critica a Espanha e ameaça adotar medidas de retaliação comercial. No entanto, na relação com os Estados Unidos, é a UE, por meio da Comissão Europeia, que negocia as condições.

Uma fonte do governo espanhol, liderado pelo primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez, disse que o país recebe “com tranquilidade e normalidade” as críticas de Trump.

Nosso país mantém uma relação social, cultural e econômica magnífica com os Estados Unidos e não é nossa intenção que isso mude“, afirmou a fonte, que lembrou que a relação comercial dos Estados Unidos com a União Europeia “não pode ser particularizada a nenhum Estado-membro”.

Irã condena ataques dos EUA e diz que responsabilidade por tensões é de Washington

Teerã, capital do Irã./AFP

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que a responsabilidade pelas “perigosas consequências” da recente escalada de tensão com os Estados Unidos recai sobre “o regime traiçoeiro” de Washington. Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, 8, Teerã condenou veementemente “os ataques agressivos e as repetidas violações” por parte dos americanos.

As poderosas Forças Armadas da República Islâmica do Irã, como já demonstraram repetidamente, não hesitarão em defender a integridade territorial, a soberania nacional e a segurança nacional do Irã contra a agressão militar americana, em conformidade com o Artigo 51 da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU), e também atacarão a origem e a fonte da agressão“, diz o comunicado.

O ministério afirma ainda que os ataques contra o Irã, a decisão de revogar a licença para a venda de petróleo iraniano, a violação de acordos no Estreito de Ormuz e a continuidade da agressão militar de Israel contra o Líbano “tornaram ineficazes partes importantes e fundamentais do memorando de entendimento sobre o fim da guerra”.

O comunicado diz também que os demais países do Golfo Pérsico possuem a obrigação jurídica internacional de impedir que os agressores usem seu território e instalações para realizar atos de violência contra o Irã e que a cooperação com os americanos constitui cumplicidade.

Terremoto: governo da Venezuela pretende reabrir aeroporto em “breve”

Vista aérea de Caraballeda após o terremoto na Venezuela. Cidade fica no estado de La Guaira/ Miguel Medina/Pool/AFP

O governo da Venezuela pretende reabrir “em breve” o principal aeroporto do país para voos comerciais, após os fortes terremotos de 24 de junho que deixaram mais de 3.500 mortos e milhares de feridos.

A presidente interina, Delcy Rodríguez, informou, nesta terça-feira (7), em uma mensagem no Telegram, a “ativação imediata de um plano alternativo que permitirá retomar, em breve, os voos comerciais na pista paralela” do aeroporto.

A presidente tinha dito no sábado que estava “em contato” com alguns países que iriam “ajudar na recuperação” do aeroporto, sem dar mais detalhes. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía, que atende Caracas, fica em La Guaira, o marco zero do duplo terremoto de magnitude 7,2 e 7,5, que prejudica os escombros de edifícios residenciais.

Retroescavadeiras removeram montanhas de entulho nesse estado costeiro, de onde várias equipes estrangeiras de resgate já se retiraram por não encontrarem sinais de vida quase duas semanas após os tremores.

Nos arredores de um prédio na área de Caraballeda, máquinas cavavam em meio às ruínas em busca de corpos. Para Lázaro Rubio, é seu “dever” ficar até encontrar sua esposa e suas duas enteadas, que estão soterradas.

Até que recuperaremos os corpos, não vamos nos mexer daqui”, afirma Rubio, de 66 anos. “Se no nível do maquinário a resposta tivesse sido melhor, isto teria sido diferente”, lamenta.

Delcy Rodríguez defende uma resposta do governo à emergência, muito criticada pelas insuficiências de socorristas e de maquinário até a chegada das brigadas internacionais. As Aeronaves do Exército dos Estados Unidos sobrevoam uma área com frequência e pousam na pista do aeroporto de Maiquetía, parcialmente aberta para voos humanitários e com danos consideráveis em sua infraestrutura.

“Apoio” dos EUA

Rodríguez assumiu o poder na Venezuela após a queda do presidente deposto Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em janeiro. Desde então, governa sob forte pressão de Washington, que afirma estar à frente da administração do país petrolífero.

Militares e especialistas americanos colaboram na reabertura do aeroporto para facilitar a entrega de suprimentos e equipamentos.

Em entrevista coletiva por telefone, o encarregado de negócios dos Estados Unidos, John Barrett, disse que as autoridades americanas já estão em conversas com companhias aéreas do país para retomar os voos comerciais.

“Ainda há trabalho a ser feito na infraestrutura para dar suporte às operações comerciais no aeroporto”, afirmou Barrett, sem estimar um dado.

O chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, general Francis Donovan, afirmou na mesma entrevista que militares americanos colaboram no “controle do tráfego aéreo” para “garantir pousos seguros”, além de atuar nas operações terrestres de carga no aeroporto.

Cerca de dois mil militares americanos foram mobilizados para a região em resposta ao desastre. Além disso, o navio USS Fort Lauderdale está atraído no porto de La Guaira para auxiliar na entrega de ajuda humanitária.

“Alto risco”

O governo contabiliza que quase 18 milhões de pessoas perderam suas casas e que mais de 800 edifícios foram afetados e 200 mais colapsaram pelos terremotos, entre os mais fortes e devastadores da América Latina.

Muitos sobreviventes estão alojados em abrigos precários montados em parques, sem perspectiva de futuro.

No clube de férias Los Caracas, no extremo leste da costa de La Guaira, os trabalhadores instalaram, nesta terça-feira, 250 grandes barracas azuis enviadas da China.

Quadras de base e campos de futebol ao longo do estado têm sido ocupadas por barracas e tendas improvisadas, uma imagem que se repete inclusive nos arredores de prédios e em ruas com rachaduras.

Estefany Suárez, de 31 anos, vive com os dois filhos pequenos em uma barraca montada ao ar livre no setor de Caraballeda, duramente impactada pelos sismos. Sua casa, explicada, ficou em “alto risco”.

Saquearam os supermercados, então não abrem mais. Estão fazendo fraldas, o que é bom“, consola-se Suárez em um ponto de ações de produtos como sabonetes, toalhas e brinquedos.

As Nações Unidas estimaram os prejuízos em 6,7 bilhões de dólares (R$ 34,65 bilhões), o equivalente a 6% do PIB do país, mergulhando há anos em uma grave crise.

O governo não informou o número de desaparecidos, embora a ONU estima que eles possam chegar a 50 mil.

EUA retomam ataques contra o Irã após ações contra embarcações no Estreito de Ormuz

O Irã realiza desde o fim de semana as cerimônias fúnebres para Ali Khamenei./AFP PHOTO / SATELLITE IMAGE ©2026 VANTOR

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, na sigla em inglês) informou a noite desta terça-feira, 7, que as forças americanas estão conduzindo uma série de ataques contra o Irã, em resposta às ações iranianas contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz.

Os ataques dos EUA são uma resposta a ataques iranianos contra três embarcações comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz. A agressão demonstrada pelo Irã foi injustificada, perigosa e uma clara violação do cessar-fogo“, escreveu o Centcom em publicação no X.

Poucos minutos antes do comunicado, a Axios havia adiantado que operações americanas estavam em andamento no estreito, em meio a relatos da mídia iraniana sobre barulhos de explosões. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse hoje estar perplexo com as acusações de ataques iranianos no Estreito de Ormuz, enquanto alertava que navios que utilizam rotas não coordenadas enfrentam riscos.

Os ataques ocorrem depois que o Departamento do Tesouro dos EUA revogou nesta tarde a autorização para produção, distribuição e venda do petróleo bruto e produtos petroquímicos com origem no Irã, citando os ataques a embarcações em Ormuz. O Irã realiza desde o fim de semana as cerimônias fúnebres para Ali Khamenei, o líder supremo do país que foi morto no início do ataque lançado pelos Estados Unidos e por Israel, no fim de fevereiro.