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Supertufão atinge ilhas dos EUA no Pacífico e deixa milhares sem energia elétrica

 Destruição após a passagem do supertufão Bavi em Guam, nos EUA/Yuichi Yamazaki/AFP

Dezenas de milhares de pessoas ficaram sem energia elétrica nesta terça-feira (7) em Guam e nas Ilhas Marianas do Norte, após a passagem de um supertufão Bavi pelos territórios insulares dos Estados Unidos no Oceano Pacífico, mas não há registro de mortes. A pequena ilha de Rota, nas Marianas do Norte, foi a mais atingida na segunda-feira (6) pelo supertufão.

O ventos de até 290 km/h derrubaram árvores e postes da rede de energia elétrica na ilha. O abastecimento de água também foi interrompido. A prefeita de Rota, Aubry Hocog, afirmou que duas pessoas ficaram levemente feridas, mas “não há notícias de mortes”.

Ela destacou que mais de “50% da ilha sofreu danos, e pode haver mais“, e advertiu que restabelecer completamente o fornecimento de energia elétrica pode levar “de dois a três meses“.

Masum Dhali, um morador de Rota de 24 anos, informou que “muitas casas sofreram danos graves, com incontáveis telhados arrancados”, e disse que na ilha “não há eletricidade, água potável, nem serviço de telefonia móvel”.

Saipan e Tinian, as principais ilhas das Marianas do Norte, também ficaram sem energia, assim como partes da vizinha Guam, outro território americano que abriga bases militares, informaram as autoridades. Cerca de 40 mil pessoas vivem no arquipélago das Marianas e cerca de 170 mil na ilha vizinha de Guam.

Coca-Cola, eBay e Tesla pedem que EUA não tarifem produtos brasileiros

Presidente dos EUA, Donald Trump, em 22 de maio de 2026

Coca-Cola, eBay e Tesla se manifestaram contrárias à medida do governo dos Estados Unidos de propor uma tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros, anunciada em junho deste ano, com base na seção 301.

O USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA, em inglês) abriu um espaço em seu portal para receber comentários sobre a medida e o prazo para envio das manifestações terminou em 1º de julho.

A Seção 301 é um dispositivo legal que permite aos americanos impor tarifas coercitivas sobre mercadorias de países cujas atividades estariam supostamente prejudicando o setor comercial dos Estados Unidos.

O governo Trump justificou a taxação em razão de “políticas e práticas relacionadas ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal”.

As empresas contrárias à resolução alegam que este novo tarifaço pode trazer ônus a curto prazo nas cadeias de produção e, além disso, que a medida também prejudica os americanos em detrimento dos investigados.

A Coca-Cola pediu ao USTR que mantenha “a isenção proposta para insumos de laranja originários do Brasil” e que adicione “exclusão equivalente ou um regime de transição” para insumos de limão brasileiros usados nas cadeias de suprimento de bebidas.

A gigante de bebidas argumenta que, sem os produtos importados do Brasil, a indústria teria que voltar a buscar novos fornecedores, o que levaria ao aumento de custos e à revalidação de uma série de procedimentos, como revisão de segurança alimentar, testes de produtos, entre outras medidas.

“A substituição de fornecedores não ocorre de forma imediata“, afirma a Coca-Cola.

A empresa argumenta ainda que a produção de insumos cítricos por parte dos produtores locais, ou seja, dos próprios americanos, tem tido safras prejudicadas por doenças, efeitos climáticos e mudanças no uso da terra.

Dessa forma, não se pode presumir que a produção doméstica seja capaz de substituir o fornecimento qualificado proveniente do Brasil dentro de prazos comercialmente viáveis“, afirma a indústria.

Outro ponto apresentado pela Coca-Cola foi a queda da produção de laranjas pelos produtores locais.

A Flórida, cita a empresa, produzia 242 milhões de caixas na safra 2003/2004, mas apresentou uma queda nas últimas décadas, até atingir 12 milhões de caixas na safra 2025/2026.

O Brasil tornou-se uma fonte complementar essencial diante da significativa queda da produção norte-americana de laranja“, disse a empresa, que reforçou que o fornecimento brasileiro “tem ajudado a suprir essa lacuna para os fabricantes de suco de laranja nos Estados Unidos”.

A Tesla, montadora de veículos elétricos de Elon Musk, disse em seu comentário enviado ao USTR que apoia medidas que vão na direção da reindustrialização americana e da construção de cadeias de suprimento resilientes nos Estados Unidos no longo prazo – um dos efeitos esperados da imposição da tarifa.

Mas salientou: “Essa transição levará tempo“.

A Tesla explica que alguns insumos ainda não podem ser obtidos nos Estados Unidos em escala suficiente para permitir uma manufatura norte-americana competitiva sem depender do acesso a “cadeias internacionais de suprimento já estabelecidas, incluindo determinadas peças e componentes fornecidos pelo Brasil”.

Na conclusão de seu comentário, a montadora de Musk sugeriu que o USTR considere os impactos sobre os fabricantes americanos e exclua os insumos provenientes do Brasil, “que são necessários para a produção industrial“, da lista de produtos alvo do aumento tarifário.

Uma medida tarifária que deixe de considerar o ritmo da diversificação das cadeias de suprimento – ou que imponha restrições mais rapidamente do que as alternativas domésticas consigam expandir sua capacidade de forma realista – corre o risco de causar impactos significativos para a indústria e os consumidores dos Estados Unidos“, afirma a Tesla.

Um dos maiores sites de comércio eletrônico do mundo também se manifestou.

O eBay sugeriu que o USTR modificasse a proposta para isentar produtos “de segunda mão, usados e seminovos de quaisquer tarifas impostas no âmbito da investigação da Seção 301″.

A empresa argumenta que a tarifa imposta a produtos revendidos não atinge o objetivo de punir os fabricantes investigados.

Um bem já foi comprado, utilizado e revendido – muitas vezes por diversos proprietários ao longo de vários anos. Uma tarifa imposta no momento da revenda no mercado secundário não gera qualquer sinal econômico que alcance o fabricante original, muito menos qualquer prática brasileira de distorção da concorrência relacionada à fabricação inicial do produto“, diz o eBay.

A tarifa penaliza a revenda do bem, e não sua produção”, acrescenta.

A plataforma afirma que determinar tarifas sobre itens comercializados após a produção prejudica o mercado de revendedores, “que não tiveram qualquer participação na produção desses bens de segunda mão”.

Esses revendedores podem optar por deixar de exportar para os Estados Unidos, enquanto os consumidores norte-americanos tenderiam a comprar produtos novos, que podem, inclusive, ter sido produzidos sob as condições de distorção identificadas pelo USTR nesta investigação. Como consequência, a demanda por produtos novos pode aumentar, tornando a política ineficaz para eliminar as práticas brasileiras subjacentes que são alvo desta investigação“, afirmou o eBay.

Em meio a bloqueio dos EUA, novo apagão generalizado atinge Cuba

Bandeira de Cuba/Foto: AFP

Cuba sofreu nesta segunda-feira (6) mais um apagão generalizado, o terceiro nos últimos desde janeiro deste ano e o oitavo desde o fim de 2024, em um contexto de crise energética agravada pelo bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos.

A estatal União Elétrica de Cuba (UNE) informou na rede social X que as causas da “desconexão total” do sistema elétrico nacional, que afeta toda a ilha de 9,6 milhões de habitantes, estão sendo investigadas.

O envelhecimento da infraestrutura elétrica, somado ao bloqueio petrolífero americano em vigor desde janeiro, faz com que os cubanos enfrentem cortes diários de energia de cerca de 30 horas em Havana e de vários dias consecutivos no interior do país.

Ao todo, tínhamos três ou quatro horas de eletricidade por dia. Então o maior impacto agora é que você não sabe quando voltará a ter esse pouquinho de luz“, declarou à AFP Meybol Font, trabalhadora autônoma de 51 anos. “É angustiante viver assim“, acrescentou.

A geração de eletricidade em Cuba depende principalmente de sete usinas termelétricas obsoletas, algumas com mais de 40 anos de operação, sujeitas a falhas frequentes e interrupções para manutenção. O sistema também conta com geradores de reserva abastecidos por diesel importado.

A usina Antonio Guiteras, principal do país, localizada no Oeste da ilha, está parada há vários dias devido a uma falha técnica. Desde o início do ano, a instalação registrou mais de 15 paralisações por problemas operacionais.

“Não conseguimos trabalhar”

Cuba atravessa uma grave crise econômica marcada pela escassez de alimentos e medicamentos e pela inflação elevada. Os apagões se intensificaram desde que o governo de Donald Trump interrompeu os envios de petróleo da Venezuela, principal fornecedora da ilha, e ameaçou impor sanções a outros países que comercializem combustível com Havana.

Um programador de 24 anos que trabalha para uma empresa privada de desenvolvimento de software em Havana Velha retornava para casa frustrado. “Não há wi-fi, não há eletricidade, não conseguimos trabalhar”, afirmou à AFP o jovem, que preferiu não se identificar.

Desde janeiro, Trump aprovou uma série de sanções contra entidades e dirigentes cubanos e autorizou apenas um navio petroleiro russo a atracar na ilha, transportando 100 mil toneladas de petróleo.

O presidente americano considera Cuba, localizada a cerca de 150 quilômetros da Flórida, uma “ameaça extraordinária” à segurança nacional dos Estados Unidos e já ameaçou diversas vezes assumir o controle da ilha.

Sob pressão econômica, Havana adotou em meados de junho um pacote de medidas inéditas favoráveis à economia de mercado, representando uma mudança significativa para o modelo adotado desde a implantação do comunismo há quase 70 anos.

Debate na ONU

Cuba solicitou para terça-feira uma sessão especial da Assembleia Geral da ONU para discutir as sanções americanas.

O chanceler Bruno Rodríguez afirmou nesta segunda-feira que Washington tenta impedir que a Assembleia se pronuncie sobre o impacto do bloqueio petrolífero e de outras sanções impostas à ilha.

O governo dos EUA tenta impedir que a Assembleia Geral da ONU se pronuncie. Pressiona governos e busca coagir a vontade soberana dos Estados-membros“, escreveu Rodríguez no X.

Para que o debate seja aberto, é necessária uma votação dos países-membros.

A iniciativa se soma à discussão anual que a Assembleia Geral realiza há 34 anos sobre o embargo americano contra Cuba.

Em 2025, a resolução favorável ao fim do embargo recebeu 165 votos a favor, sete contra e 12 abstenções, o menor apoio registrado em uma década.

Chile registra terremotos próximos à sua área costeira, no Pacífico

Vista aérea de Valparaíso, Chile/Guy Wenborne/Wikipedia/Creative Commons

Um terremoto de magnitude 5,2 foi registrado em águas próximas ao Chile, nesta segunda-feira (6). O registro, desta tarde, provocou uma sequência de tremores na área próxima à cidade portuária de Valparaíso, banhada pelo Pacífico.

Apesar da atividade sísmica, as autoridades não emitiram alerta de tsunami. O epicentro do principal abalo foi localizado a 33 quilômetros a noroeste de Quintero, a uma profundidade de 26 quilômetros. A informação é do Centro Sismológico Nacional (CSN) do país.

Um novo tremor, de magnitude 4,6, atingiu a mesma região cerca de três minutos após o primeiro. Depois, às 12h31 no horário local, um terceiro abalo, de magnitude 2,8, foi registrado. A sequência manteve a atividade sísmica concentrada na faixa costeira da região chilena.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) mediu que os dois principais tremores tiveram magnitude 5,1 e 4,8. Não há, até o momento, relatos de vítimas ou danos estruturais na região relacionados aos abalos.

China testa míssil balístico lançado de submarino e alerta países vizinhos

A China realizou nesta segunda-feira (6) um raro teste de um míssil balístico lançado por submarino no Oceano Pacífico, gerando críticas da Nova Zelândia e da Austrália por ações que, segundo elas, ameaçavam a paz e a estabilidade na região.

Um submarino da Marinha do Exército de Libertação Popular “lançou um míssil estratégico carregando uma ogiva falsa em direção ao alto mar relevante do Oceano Pacífico, que pousou precisamente dentro das águas designadas”, disse um comunicado do capitão Wang Xuemeng, porta-voz da Marinha do ELP.

Este teste de lançamento fez parte da rotina do cronograma anual de treinamento militar da China”, disse Wang, acrescentando que as “nações envolvidas” foram informadas com antecedência sobre o exercício.

A operação estava em conformidade com o direito e as práticas internacionais, sem visar nenhum país ou objetivo específico”, afirmou o capitão. A CNN solicitou um comentário ao Ministério da Defesa da China sobre o teste. Pequim não informou que tipo de míssil foi testado.

A Marinha do ELP (Exército de Libertação Popular) opera dois tipos de mísseis balísticos lançados a partir de submarinos: o JL-2 e o JL-3.

Este último possui alcance suficiente para atingir o território continental dos Estados Unidos a partir de águas próximas à costa da China, incluindo o Mar do Sul da China, segundo especialistas em mísseis.

O principal submarino lançador de mísseis balísticos da China é o Tipo 094, também conhecido como classe Jin; o país opera seis unidades dessa classe.

Pequim raramente divulga seus testes de mísseis, mas, de acordo com o Projeto de Defesa contra Mísseis do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), o JL-3 foi testado pela primeira vez em 2018 e, posteriormente, mais uma vez um ano depois.

“Indesejável e preocupante”

O ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, afirmou que a China disparou o míssil na segunda-feira em direção a águas da Zona Livre de Armas Nucleares do Pacífico Sul, estabelecida em 1986 pelo Tratado de Rarotonga. A China assinou os protocolos II e III do pacto em 1987.

O Protocolo II determina que os signatários não utilizem nem ameacem utilizar armas nucleares contra outras nações ou seus territórios dentro da zona; o Protocolo III proíbe testes nucleares na região.

Mais cedo hoje, a China nos informou sobre seus planos de lançar um míssil balístico de longo alcance no Pacífico Sul”, disse Peters.

A Nova Zelândia considera esse um desdobramento indesejável e preocupante. Nós, assim como nossos vizinhos de outros países do Pacífico, não temos interesse em que a China utilize o Pacífico Sul como local de testes para capacidades de mísseis”, afirmou o ministro.

Peters, da Nova Zelândia, afirmou que o teste chinês trouxe à tona lembranças de 2024, quando o Exército de Libertação Popular realizou um teste de lançamento de um míssil balístico intercontinental na região.

Nós, como região, não devemos ficar de braços cruzados e permitir que tais testes se tornem normalizados ou rotineiros”, continuou ele.

No entanto, testes de mísseis são rotina para as potências nucleares.

Por exemplo, a Marinha dos EUA realizou, em setembro passado, quatro testes de seu míssil balístico Trident — lançado de submarino — ao largo da costa da Flórida, segundo um comunicado à imprensa.

A Índia testou um míssil balístico lançado por submarino em dezembro, e a Rússia realizou um teste de lançamento desse tipo de míssil em outubro passado.

A China vem expandindo sua frota de submarinos de propulsão nuclear como parte de um reforço geral de suas forças nucleares.

O teste mais recente de um míssil balístico intercontinental (ICBM) lançado pela China em direção ao Pacífico ocorreu em setembro de 2024, quando o país disparou um míssil DF-31B com capacidade nuclear da Ilha de Hainan, no Mar do Sul da China, em direção a águas abertas do Pacífico, próximo à Polinésia Francesa.

Foi o primeiro teste chinês de um ICBM em oceano aberto em 44 anos.

O relatório do Departamento de Defesa dos EUA afirma que a China geralmente realiza testes de mísseis dentro de suas próprias fronteiras, observando que, em dezembro de 2024, lançou vários mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) em rápida sucessão a partir de uma base de treinamento no oeste do país, “indicando a capacidade de lançar rapidamente múltiplos ICBMs baseados em silos”.

O relatório de dezembro de 2025 do Departamento de Defesa dos EUA sobre o poder militar da China afirma que o ELP encara tais testes como “uma opção para operações de dissuasão nuclear de média a alta intensidade”.

Delcy completa seis meses no poder em meio à maior crise na Venezuela

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, completa seis meses no poder neste domingo (5) em meio à maior crise de seu governo.

Enquanto enfrenta críticas pela resposta aos terremotos que atingiram o país em 24 de junho, Rodríguez continua contando com o apoio dos Estados Unidos, fator que analistas consideram determinante para a estabilidade do governo e para o futuro político venezuelano.

Rodríguez assumiu formalmente a Presidência interina da Venezuela na noite de 5 de janeiro, dois dias após o então presidente Nicolás Maduro ser capturado em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos em Caracas e em outras cidades do país. Durante a cerimônia de posse, ela condenou a captura de Maduro e prometeu fazer da Venezuela “uma nação livre, soberana e independente”.

Naquele momento, o país vivia um ambiente de forte polarização. Enquanto parte da população rejeitava a entrada de tropas norte-americanas em território venezuelano para prender Maduro, outros comemoravam sua saída do poder por enxergarem na mudança uma oportunidade para transformações políticas.

Seis meses depois, a tensão voltou a crescer, desta vez em razão da resposta do governo aos fortes terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho. Até este sábado (4), os tremores haviam deixado 2.954 mortos, mais de 16 mil feridos e mais de 16 mil desabrigados.

Dentro e fora da Venezuela, muitos cidadãos consideram que as autoridades reagiram de forma lenta e insuficiente à tragédia. Rodríguez rejeita essas críticas.

Analistas ouvidos pela CNN afirmam que esta representa a maior prova enfrentada pelo governo interino. Para eles, o desfecho da crise ainda é incerto e dependerá, em grande parte, das decisões dos Estados Unidos, que atualmente exercem forte influência sobre a Venezuela.

“Delcy Rodríguez enfrenta agora o maior teste de sua liderança. Ao mesmo tempo, a indignação pública está aumentando por causa da má gestão e da resposta lenta. Mas, em regimes autoritários, crises como essa frequentemente fortalecem quem está no poder”, afirmou Imdat Oner, pesquisador da Universidade Internacional da Flórida.

Segundo Oner, a presidente interina pode utilizar as medidas de emergência para concentrar ainda mais autoridade, reforçar a segurança e adiar reformas políticas sob o argumento de garantir estabilidade e reconstrução.

Phil Gunson, analista do International Crisis Group, afirmou que, além da resposta imediata ao desastre, o governo enfrentará o desafio da recuperação econômica e da reconstrução das áreas devastadas.

“O desafio imediato é enorme, mas também há o problema da recuperação econômica e da reconstrução da região devastada. Isso exigirá muito dinheiro que o governo não possui”, disse.

Reformas limitadas e aproximação com os EUA

Antes dos terremotos, o governo de Delcy Rodríguez alternava sinais de abertura política com iniciativas voltadas à preservação do controle do poder, segundo o pesquisador venezuelano Carlos Torrealba, do Instituto de Pesquisas Sociais da Universidade Nacional Autônoma do México.

Entre essas medidas estiveram o anúncio da libertação de um número significativo de presos e, posteriormente, a promoção de uma lei de anistia para pessoas detidas por crimes relacionados a acontecimentos políticos das últimas duas décadas.

Organizações de direitos humanos reconheceram alguns avanços, mas criticaram a lentidão dos processos e o fato de muitos beneficiados continuarem respondendo a acusações, o que permitiria novas detenções.

De acordo com a organização Foro Penal, até 22 de junho havia 373 presos por motivos políticos na Venezuela, sendo 348 homens e 25 mulheres.

Outro aspecto marcante do governo interino foi a aproximação com os Estados Unidos. Após a captura de Maduro, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, apresentou um plano dividido em três etapas para a Venezuela: estabilização, recuperação e transição.

Embora tenha condenado a operação que levou à captura de Maduro, Delcy Rodríguez declarou estar disposta a construir uma nova relação de colaboração e respeito com Washington. O presidente Donald Trump elogiou a presidente interina e destacou a cooperação entre os dois governos.

Essa aproximação se refletiu em diversas iniciativas. A estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) anunciou negociações com os Estados Unidos para a venda de petróleo. Em seguida, a Assembleia Nacional aprovou uma nova lei de hidrocarbonetos, abrindo o setor para investimentos estrangeiros, além de medidas semelhantes para a mineração.

Em fevereiro, Rodríguez recebeu em Caracas o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright. Em março, foi a vez do secretário do Interior, Doug Burgum, visita marcada pelo anúncio da retomada das relações diplomáticas entre os dois países, rompidas desde 2019.

Analistas avaliam que esses movimentos demonstram o forte interesse norte-americano na Venezuela, especialmente na área econômica, e não identificam sinais de mudança dessa postura no curto prazo, apesar das pressões da oposição liderada por María Corina Machado.

Segundo Torrealba, antes dos terremotos alguns opositores viam como um possível avanço rumo à transição política a reunião entre Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão de Delcy Rodríguez, e Dinorah Figuera, ex-presidente da Assembleia Nacional eleita em 2015.

Na avaliação do pesquisador, porém, os terremotos interromperam qualquer processo de negociação que pudesse estar em andamento.

Terremotos ampliam fragilidade do Estado

Os terremotos de 24 de junho estão entre os maiores desastres naturais da história da Venezuela. Além das vítimas, centenas de edifícios foram danificados e os prejuízos econômicos são estimados em cerca de 6% do PIB (Produto Interno Bruto) do país, segundo o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

Especialistas afirmam que a tragédia expôs a fragilidade das instituições venezuelanas após 25 anos de governos chavistas.

“O Estado não tem condições de responder. Faltam orçamento, pessoal, planejamento, liderança, equipamentos e máquinas pesadas”, afirmou Gunson.

Em entrevista coletiva realizada na quinta-feira, Delcy Rodríguez rejeitou as críticas à atuação do governo. Segundo ela, 4 mil agentes foram mobilizados nas primeiras 24 horas após os terremotos e, pouco depois, o contingente chegou a 19 mil integrantes, com apoio de equipes internacionais de resgate.

Oposição pressiona, mas Washington mantém apoio

Em meio à crise, a líder opositora María Corina Machado intensificou as críticas ao governo e afirmou que as autoridades impediram seu retorno ao país para participar das ações de assistência às vítimas.

“Não se trata de mim. Somos milhares, milhões que queremos estar juntos, um povo de luto que precisa se consolar unido”, afirmou em vídeo divulgado em 29 de junho.

Os Estados Unidos, no entanto, demonstraram não apoiar um retorno de Machado neste momento. Em resposta à CNN, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que Washington está concentrado na resposta aos terremotos e que inserir questões políticas sensíveis agora seria contraproducente.

Para Gunson, essa posição mostra que os Estados Unidos não consideram o grupo liderado por María Corina Machado uma alternativa viável para governar a Venezuela.

Na avaliação de Oner, muitos venezuelanos acreditavam que a resposta considerada insuficiente aos terremotos faria Washington rever seu apoio a Delcy Rodríguez, mas isso não ocorreu.

Segundo o pesquisador, a prioridade dos Estados Unidos continua sendo preservar a estabilidade da Venezuela e proteger seus interesses econômicos e petrolíferos.

“Delcy sabe como tornar seu governo útil para Washington ao atender às demandas dos Estados Unidos. Isso torna provável que a Casa Branca continue apoiando seu governo enquanto promove reformas limitadas e cooperação, sem pressionar seriamente por eleições ou por uma transição democrática completa em um futuro próximo”, afirmou. “Por enquanto, uma transição política está fora do horizonte.”

Venezuelanos aceitam uso de máquinas pesadas para recuperar corpos de vítimas de terremoto

 /MIGUEL MEDINA/AFP

Familiares de pessoas que ficaram presas sob os escombros de prédios na Venezuela aceitaram, neste sábado (4), o uso de máquinas pesadas na recuperação de corpos nos edifícios colapsados após os terremotos ocorridos há dez dias.

Voluntários venezuelanos seguem trabalhando nos imóveis que desabaram com a esperança de encontrar sobreviventes no estado de La Guaira, marco-zero dos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 de 24 de junho, que deixaram quase três mil mortos. Eles atuam, inclusive, nas mesmas edificações onde socorristas internacionais não encontraram sinais de vida.

Uma cortina vermelha pende de uma barra exposta em meio aos escombros da residência Vista Mar. É um sinal de que, debaixo está o corpo de Heberth Hernández, de 79 anos. A alguns metros dali, uma retroescavadeira continua removendo os escombros da estrutura nos trabalhos de busca e resgate.

“Já o localizamos, já está visto, mas tem muitos escombros em cima e precisamos de colaboração” para poder tirar o que tem em cima para tirá-lo”, diz Ruth Silva, amiga de Heberth.

“Sinto tristeza por ver uma pessoa tão próxima dentro destes escombros e não poder fazer nada humanamente para poder recuperá-lo”, lamenta Silva.

No local, vários socorristas da Defesa Civil descansam debaixo de um toldo, onde médicos lhes fornecem um polivitamínico por via venosa. Eles esperam que as máquinas façam o seu trabalho e seja possível localizar algum corpo para ativar a operação de recuperação.

Autoridades e empresas mobilizaram, neste sábado, escavadeiras, retroescavadeiras e caminhões para demolir os edifícios colapsados ou severamente comprometidos, e avançar na remoção dos escombros.

Com o trabalho das máquinas, “penso que sim, vão conseguir. Além disso, seria o melhor porque de verdade que todos estes dias, desde que começou tudo isto, tem sido um processo bastante difícil, exaustivo”, disse Susana Graterol, de 47 anos, em um prédio colapsado no setor de Playa Grande, em La Guaira.

“Nós, os familiares, precisamos ter um encerramento”, assegura Graterol. Dez de seus vizinhos ainda não puderam ser recuperados.

Centenas de edifícios e casas foram marcadas nas áreas devastadas com as letras “DM”, que indicam que devem ser demolidos.

Cápsula, concurso e discurso de Trump marcam os 250 anos dos EUA

Cápsula, concurso e discurso de Trump marcam os 250 anos dos EUA | CNN  Brasil

Os Estados Unidos comemoram neste sábado (4) o 250º aniversário de sua independência com uma série de eventos espalhados por todo o território nacional. Em Washington, Donald Trump celebra a data com um comício político no National Mall, que deve encerrar as comemorações e tem sido amplamente criticado como divisivo.

A correspondente Mariana Janjácomo, presente no local, descreveu um ambiente de grande movimentação popular, apesar do calor intenso. “São 4 horas da tarde aqui em Washington, sensação térmica de 40 graus Celsius, está muito quente”, relatou a jornalista, que observou socorristas atendendo diversas pessoas que passaram mal devido às altas temperaturas.

Great American State Fair e réplica polêmica

No National Mall, onde o gramado em frente ao Capitólio serve de palco para as festividades, foi instalada a chamada Great American State Fair, uma feira com estandes representando cada um dos 50 estados norte-americanos.

Entre as atrações, chama atenção uma réplica do arco que Trump pretende construir em Washington — obra descrita pela correspondente como “uma construção super polêmica” —, além de uma roda gigante. Estandes de comida e bebida completam o cenário, com muitos visitantes usando sombrinhas para se proteger do sol forte.

Celebrações em Filadélfia e Nova York

Na Filadélfia, cidade onde a Declaração de Independência do Reino Unido foi assinada há 250 anos, em 4 de julho de 1776, as comemorações incluíram um inusitado concurso de sósias de Benjamin Franklin. Trinta pessoas se fantasiaram do histórico personagem, considerado um dos pais fundadores dos Estados Unidos, e centenas de pessoas compareceram para julgar a melhor fantasia.

A vencedora foi Kaya Burgess, de 25 anos, que reutilizou uma fantasia de Halloween inspirada no musical Hamilton para participar da competição. O evento foi organizado por um estudante da Universidade Johns Hopkins, que distribuiu panfletos pela cidade para divulgá-lo.

Também na Filadélfia, uma cápsula do tempo contendo itens representativos de todos os 50 estados americanos foi enterrada no Independence Mall. O objetivo é que o conteúdo seja aberto somente quando o país completar 500 anos de existência. A cápsula foi projetada para repelir água e construída para durar dois séculos e meio.

Entre os itens guardados estão uma placa de aço inoxidável de Nova Jersey e anotações manuscritas de 12 moradores de Delaware sobre o significado do primeiro estado para eles. Uma instalação de arte baseada em uma charge de Benjamin Franklin será colocada sobre o local do enterramento. Em Nova York, a Marinha norte-americana realizou um sobrevoo sobre o porto da cidade, com caças deixando rastros de fumaça nas cores vermelho, branco e azul da bandeira americana.

Putin parabeniza Trump pelos 250 anos

Entre os líderes mundiais que parabenizaram os Estados Unidos pela data, destacou-se Vladimir Putin. Em uma carta publicada pelo Kremlin, Putin se dirigiu a Trump como “caro Donald” e afirmou que a assinatura da Declaração de Independência Americana foi “um marco importante na história mundial”. O líder russo também mencionou a parceria entre Estados Unidos e Rússia durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, concluindo com a declaração de que está “confiante que uma relação mutuamente benéfica entre os dois países é de interesse de todo o mundo”.

Onda de calor sufocante atinge a costa leste dos Estados Unidos

Temperaturas escaldantes e alta umidade atingiram diversas regiões dos Estados Unidos/Angela Weiss/AFP

Mais de 150 milhões de pessoas sofrem nesta sexta-feira (3) com temperaturas sufocantes no leste dos Estados Unidos, em meio à Copa do Mundo e as celebrações do 250º aniversário da independência nacional. Enquanto o país comemora um feriado que antecede seu Dia Nacional, o 4 de julho, as autoridades alertam sobre as temperaturas extremas que são esperadas em várias cidades importantes.

Prevê-se que a sensação térmica alcance os 40ºC em Boston e na Filadélfia, e os 45ºC em Nova York e na capital, Washington D.C, no nordeste dos Estados Unidos. “Este nível de calor pode ser mortal para quem não tiver ar-condicionado adequado e não se mantiver adequadamente hidratado”, advertiu o Serviço Meteorológico Nacional (NWS) do estado de Nova York.

Esta “perigosa onda de calor sem precedentes” afeta a metade oriental dos Estados Unidos desde o meio da semana e se espera que continue até o sábado, dia do 250º aniversário da declaração de independência do país.

No Brooklyn, Daniel Jefferson, de 39 anos, trabalha duro apesar do calor, descarregando caixas de comida no porão de um restaurante. “Não vivíamos algo assim em Nova York há muito tempo”, declarou o entregador, reclamando do calor “absolutamente insuportável” que o está “esgotando”.

4 de julho e Copa ameaçados

Em Washington D.C., está em risco a realização de um grande show das festividades de 4 de julho em frente ao Capitólio.

Ao meio-dia desta sexta, uma jovem sofreu uma insolação enquanto fazia fila para entrar na feira organizada para a ocasião na ampla esplanada do National Mall. “Ela já é a trigésima pessoa” atendida, indicaram socorristas.

As piscinas públicas estão lotadas. “Faz um calor sufocante e não há para onde ir”, disse à AFP Anya Gellerman, de 26 anos, enquanto fazia fila em uma piscina com uma caixa térmica na mão.

Os guardas nacionais mobilizados pelo presidente Donald Trump na capital patrulham como podem.

Refugiado à sombra em um parque, Lee Hernández, um militar porto-riquenho, tentava se refrescar. Está acostumado a temperaturas tropicais, mas esta onda de calor lhe parece “ainda pior”, diz à AFP. E os quase “15 quilos” de equipamento que carrega nas costas, entre colete à prova de balas e arma, não ajudam.

As temperaturas mal baixaram durante a noite. Essa onda de calor deve bater novos recordes em algumas regiões, segundo os meteorologistas. Ela poderá afetar a Copa do Mundo da Fifa, que é sediada conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México.

Embora alguns estádios tenham teto e ar-condicionado (em Atlanta, Dallas, Los Angeles), outros não, como o da Filadélfia, onde Paraguai e França se enfrentarão no sábado pelas oitavas de final.

Antes disso, as seleções de Argentina e Cabo Verde já poderiam sentir os efeitos desse calor sufocante em Miami, onde o estádio tem um grande teto, mas não possui ar-condicionado.

Às 18h locais, início da partida, esperava-se uma sensação térmica de 38ºC, segundo as previsões.

Problemas na rede elétrica

Embora a maioria dos prédios nos Estados Unidos contem com sistemas de ar-condicionado e refrigeração, as ondas de calor causam mais mortes no país do que os furacões e as inundações.

Esse episódio preocupa as autoridades por sua duração e intensidade, mas também pelas altas temperaturas noturnas que podem afetar a saúde das pessoas vulneráveis e danificar a infraestrutura.

Na quinta-feira, a rede elétrica do estado de Nova York enfrentou problemas e as autoridades pediram aos residentes que reduzissem imediatamente seu consumo para evitar cortes de luz.

Em todo o mundo, as ondas de calor são cada vez mais intensas e frequentes devido às mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis.

A onda de calor recorde que atingiu recentemente grande parte da Europa é um claro exemplo disso.

Nesta sexta, as autoridades meteorológicas dos Estados Unidos alertaram para a possibilidade de uma nova onda de calor extrema que pode afetar o oeste do país a partir de meados de julho.

Calor extremo provocou milhares de mortes na França e Bélgica no final de junho

Praia de Bordeaux Lac, na França, lotada de banhistas / AFP

A intensa onda de calor que sufocou a Europa no final de junho provocou mais de 3.000 mortes adicionais entre França e Bélgica, segundo os balanços provisórios divulgados nesta sexta-feira (3), quando se espera uma nova alta das temperaturas.

É a mais intensa já registrada na Europa, com temperaturas que teriam sido praticamente impossíveis no mês de junho sem as mudanças climáticas, segundo os meteorologistas da World Weather Attribution.

Dois terços dos habitantes da Europa, ou seja, cerca de 410 milhões de pessoas, enfrentaram pelo menos uma vez temperaturas acima de 35 ºC entre 15 e 30 de junho, segundo uma análise da AFP.

Alemanha, Polônia, Eslováquia, República Tcheca e Hungria registaram recordes absolutos de temperatura, enquanto o Reino Unido e a Suíça tiveram o seu mês de junho mais quente, assim como a França.

As autoridades começaram a divulgar os números de mortos. Na França, o total subiu quase 30% na semana passada, o que corresponde a 2.025 mortes adicionais em relação à semana anterior, segundo a agência de saúde pública.

A estimativa se baseia apenas nos certificados eletrônicos de óbito, que representam pouco mais da metade das mortes no país e, por isso, segundo a agência, este número é “sem dúvida inferior ao real“.

O aumento de mortes “sem precedentes” na Bélgica foi de 39%, 1.222 a mais entre 18 e 29 de junho, de acordo com o governo federal belga.

A Espanha já atribuiu ao menos 1.028 mortes ao calor em junho, o dobro que no mesmo mês de 2025, segundo dados divulgados na quarta-feira pelo Instituto de Salud Carlos III.

Pessoas idosas, especialmente vulneráveis

A tendência parece se confirmar na última onda de calor. Quase metade dos óbitos na Bélgica, ou seja, 530, correspondia a pessoas de 85 anos ou mais, segundo o balanço provisório das autoridades.

Na França, “embora haja um aumento entre os 45 e 64 anos que é claramente visível, o número de mortes entre os maiores de 65 anos representa a maior parte“, segundo a agência de saúde pública.

As mortes não são as únicas consequências das ondas de calor, que vêm ganhando intensidade e frequência na Europa.

O calor extremo também agrava fenômenos como a seca e os incêndios, e afeta as colheitas agrícolas.

Centenas de bombeiros continuavam lutando contra as chamas nesta sexta-feira, no sul da França, após estabilizar um incêndio perto da fronteira com a Espanha e conter o avanço do fogo mais importante da temporada, perto de Narbona, que já devastou cerca de 950 hectares.

A região do Vêneto, no nordeste da Itália, declarou estado de emergência na quinta-feira devido à seca que a atinge, enquanto a vizinha Lombardia se preocupa com as consequências da falta de água para sua agricultura.

Terremotos na Venezuela: Organizações denunciam que governo dificulta ajuda

As buscas por desaparecidos na Venezuela continuam uma semana após os terremotos mortais que atingiram o país.

A “janela de ouro” para conseguir encontrar vítimas ainda vivas diminui a cada dia, mas resgates ainda são realizados. Nesta quinta-feira (2), socorristas salvaram um homem que passou oito dias sob escombros.

Equipes internacionais foram ao país para auxiliar nas operações, incluindo grupos brasileiros.

Um dos principais problemas na área dos desastres é o deslocamento, com trânsito extremamente intenso.

Mas, além dos desafios logísticos, alguns desses grupos de ajuda denunciam que o governo venezuelano proibiu a entrada de equipes ou dificulta o trabalho de operadores que já estão no país.

Organizações criticam governo da Venezuela

A Amavex, uma organização beneficente criada nos Estados Unidos, publicou nas redes sociais que bombeiros venezuelanos relataram que foram impedidos de acessar locais de operação.

As imagens mostram um bloqueio feito pela Polícia Nacional Bolivariana e um dos bombeiros discutindo com um agente.

Quando vidas estão em risco, não pode haver obstáculos. A prioridade deve ser salvar vidas, auxiliar as vítimas e apoiar aqueles que realizam o trabalho mais árduo”, destacou a organização.

A ISAR Germany afirmou no domingo (28) que a equipe médica de emergência que comandaria teve autorização de entrada negada, “apesar de a Venezuela ter sinalizado anteriormente a necessidade de apoio médico internacional”.

Citando a OMS e a ONU, a organização alemã afirmou que o Ministério da Saúde da Venezuela “decidiu, em cima da hora, não permitir a entrada de unidades de ajuda médica internacional no país neste momento (até 28 de junho de 2026)“.

A equipe incluiria 41 especialistas voluntários para resposta a desastres e estava pronta para voar para a Venezuela, assim como equipamentos.

Não há informações sobre se a equipe conseguiu entrar na Venezuela.

Além disso, Francisco Lermanda, representante da equipe de resgate Topos de Chile relatou à imprensa venezuelana na segunda-feira (29) que militares do país estão interrompendo esforços de busca para exigir documentos de identificação, suspeitando que os socorristas possam ser espiões.

Ao Monitoreamos, Lermanda alegou que um soldado foi questionado por um integrante da equipe de ajuda, pontuando que tinha ordens para verificar os resgatistas periodicamente.

A CNN Brasil tenta contato com o governo venezuelano sobre os relatos das organizações de ajuda e aguarda resposta.

Venezuela decreta sete dias de luto oficial pelas vítimas dos terremotos

Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, visitando área afetada pelo terremoto/ AFP

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou nesta quarta-feira (1º) uma semana de luto nacional pelo duplo terremoto de 24 de junho, que deixou quase 2.000 mortos e cerca de 50.000 desaparecidos.

“A alma da Venezuela está dilacerada pelas perdas humanas causadas pelos terremotos devastadores. (…) Em homenagem à memória das vítimas, decidi declarar sete (7) dias de Luto Nacional, a partir das 18h00 de hoje”, escreveu Rodríguez em sua conta no Telegram.

Mortos

Um D pintado com tinta spray aparece na fachada de um dos prédios destruídos pelos dois terremotos que atingiram a Venezuela há uma semana. A letra enterra as esperanças de encontrar sobreviventes sob os escombros.

Ela significa “deceased” (morto) e faz parte da nomenclatura internacional respaldada pelas Nações Unidas para operações de busca e resgate após terremotos.

Ataque israelense mata mãe e bebê e fere 12 pessoas em Gaza

Destruição após ataque israelense na Faixa de Gaza /OMAR AL-QATTAA / AFP

Um ataque israelense na noite de segunda-feira (29) no campo de refugiados em Al-Mawasi, na cidade de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, matou Sawar Abu Draz, de um ano, e a sua mãe, Diana Abu Draz, de 23 anos, e feriu outras 12 pessoas.

A ofensiva causou um extenso incêndio que também destruiu cerca de 100 tendas onde viviam milhares de palestinos deslocados. Apesar de um acordo de cessar-fogo vigente desde outubro passado, operações militares pontuais e bombardeios continuam ocorrendo no enclave, em um momento em que as Nações Unidas acusaram Israel de alvejar crianças. Uma comissão internacional independente da ONU divulgou recentemente um relatório, no qual denuncia que as forças israelenses visaram crianças deliberadamente e de cometer genocídio na Faixa de Gaza. O governo israelense, por outro lado, negou, e classificou as alegações como uma “farsa difamatória”.

Grave situação humanitária em meio ao silêncio do mundo

Embora a situação em Gaza pareça ter desaparecido das manchetes da mídia internacional, a maioria da população permanece deslocada, carente de ajuda humanitária e sofrendo com o bloqueio israelense. Mais de 50 mil pessoas precisam de reabilitação urgente e a longo prazo, de acordo com o último relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Mas o acesso aos cuidados não é garantido, uma vez que os poucos serviços que a fornecem estão gravemente sobrecarregados. A Organização Mundial da Saúde estimou que cerca de 50 mil tem ferimentos permanentes, sendo uma em cada quatro crianças. Os ferimentos graves incluem lesões nos membros, amputações, lesões na medula espinhal, queimaduras e traumatismo craniano.

Nenhuma instalação de reabilitação está totalmente operacional, o acesso a cuidados especializados é limitado e persistem a grave escassez de equipamentos, geradores de emergência, próteses, medicamentos e auxílios devido às restrições de importação”, diz o OCHA.

Os dados oficiais indicam que Gaza tem o maior número de crianças amputadas na história moderna. Desde o início do conflito, mais de 64 mil crianças foram mortas ou gravemente feridas. O impacto da guerra na população infantil atingiu proporções catastróficas, traçando um quadro trágico que afeta quase todas da região. Além disso, 56 mil ficaram órfãs e um milhão de crianças se encontra em extrema necessidade de assistência humanitária, apoio psicológico e cuidados médicos.

O OCHA descreve que as condições de vida da população são terríveis e precárias há mais de dois anos e exposta a riscos contínuos a saúde, sobretudo as infecções, com uma calamidade sanitária e ambiental sem precedentes. A crise hídrica é particularmente grave, com o abastecimento de água potável extremamente limitado e as áreas marinhas comprometidas. O ar está cada vez mais poluído, as doenças respiratórias estão aumentando e dioxinas, substâncias altamente tóxicas e cancerígenas, estão sendo liberadas. A Faixa de Gaza perdeu 97% de suas plantações de árvores, 95% de seus arbustos e 82% de suas safras anuais, tornando impossível a produção de alimentos em larga escala. Nesse contexto, mais de 500 mil pessoas estão em situação de penúria.

Enquanto isso, a OCHA aponta que os ataques contra áreas residenciais continuam. Pelo menos quase mil pessoas foram mortas por ataques israelenses desde que o acordo de cessar-fogo em entrou em vigor.

As Forças de Defesa de Israel mantêm o controle e a ocupação de mais da metade da área do enclave, mas reduziu as linhas de combate pós-trégua.

Israel planeja construir assentamentos judeus em Gaza

Segundo o ministro israelense Bezalel Smotrich, Israel pretende iniciar imediatamente a construção de três assentamentos na Faixa de Gaza. “A Administração de Assentamentos, sob a minha direção no Ministério da Defesa, concluiu o seu planejamento e estamos prontos para estabelecer três colônias imediatamente, assim que recebermos luz verde do primeiro-ministro“, declarou.

Líder da ala radical e extremista do governo de Benjamin Netanyahu, Smotrich acrescentou que Israel deve completar a conquista do território restante em Gaza, derrotar o Hamas e estabelecer um cinturão de colônias judaicas.

Mais de 6.400 pessoas foram resgatadas após terremotos na Venezuela

Milhares de pessoas necessitam urgentemente de alimentos e abrigo na Venezuela/Foto: FEDERICO PARRA / POOL / AFP

Um total de 6.461 pessoas foram resgatadas após o duplo terremoto de 24 de junho na Venezuela, sendo o caso mais recente o de uma criança de dois anos, segundo o último balanço oficial divulgado nesta terça-feira (30).

Se somarmos a isso as 13.400 ou 13.500 pessoas que conseguiram sair por conta própria ou foram ajudadas por amigos e familiares, podemos chegar a um total de 19.861 pessoas salvas em La Guaira“, o epicentro da tragédia causada pelos terremotos, declarou o presidente do Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.

Alimentos

A ajuda humanitária na Venezuela começa a se concentrar na urgência de fornecer alimentos e abrigo para dezenas de milhares de pessoas que estão nas ruas após o duplo terremoto que deixou 1.943 mortos e um número assustador de desaparecidos.

No estado de La Guaira, a região mais devastada, a escassez de alimentos é “generalizada”, os serviços básicos foram paralisados e a conectividade está interrompida, alertou nesta terça-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Terremotos danificaram ou destruíram quase 59 mil edifícios na Venezuela, estima Nasa

Vista aérea de Caraballeda após o terremoto na Venezuela. Cidade fica no estado de La Guaira/ Miguel Medina/Pool/AFP

Mais de 58.000 edifícios provavelmente foram danificados ou destruídos pelos terremotos que abalaram o norte da Venezuela, segundo uma avaliação preliminar de dados de satélite publicada pela Nasa (agência espacial dos Estados Unidos).

Pelo menos 1.700 pessoas morreram e dezenas de milhares continuam desaparecidas após dois potentes tremores consecutivos, de 7,2 e 7,5 graus de magnitude, registrados na semana passada, os mais fortes no país sul-americano em mais de um século.

É provável que aproximadamente 58.870 edifícios tenham sido danificados ou destruídos em toda a região afetada“, afirmam na avaliação os pesquisadores Corey Scher e Jamon Van Den Hoek, da Universidade Estadual de Oregon.

Os cientistas analisaram imagens de radar de alta resolução do satélite Sentinel-1, da Agência Espacial Europeia (ESA), registradas em 25 de junho, um dia após os terremotos.

Esta é uma avaliação preliminar e rápida. Reflete uma mudança abrupta na superfície, consistente com danos“, escreveram os pesquisadores. O número deve ser interpretado apenas como um indicador e não foi verificado em campo.

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, informou na segunda-feira que 855 infraestruturas apresentaram danos, das quais 189 sofreram “desabamento total”.

A Nasa afirmou que seus satélites estavam “prestando apoio fundamental, captando imagens e dados para ajudar as equipes em campo a avaliar os impactos e orientar os esforços de resposta“.

Marines dos Estados Unidos colocaram novamente em operação, na segunda-feira (29), o porto de La Guaira, a área mais devastada pelos dois terremotos, para acelerar a chegada de ajuda à medida que a Venezuela se despede de seus mortos.

Edifícios transformados em montanhas de escombros são alvos de operações das equipes de resgate e voluntários na esperança de encontrar sobreviventes, uma possibilidade remota cinco dias após a tragédia.