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Onda de calor extremo na Europa causa crise energética

Produção de energia nuclear caiu drasticamente devido aos níveis recorde de baixa da água ao longo do rio Danúbio/Foto: DANIEL MIHAILESCU / AFP

Os níveis extremamente baixos dos principais rios da Europa estão afetando a produção de energia, os transportes e os lucros das empresas. O cenário alimenta receios sobre o impacto econômico do calor intenso, da seca e das chuvas irregulares.

A produção de energia nuclear na Hungria e de energia hidroelétrica na Sérvia caiu drasticamente devido aos níveis recorde de baixa da água ao longo do rio Danúbio, que atravessa grandes cidades como Viena, Budapeste e Belgrado no seu percurso da Alemanha até o Mar Negro.

A central nuclear de Paks, que gera quase metade da eletricidade do país, será desligada hoje por causa dos baixos níveis de água no rio Danúbio. Uma situação inédita em 44 anos. Mas, os cinco dias mais difíceis ainda estão por vir“, disse Péter Magyar, primeiro-ministro húngaro.

Na Sérvia, a produção da maior central hidroelétrica do país, Djerdap 1, caiu para 20% da capacidade, uma vez que o canal de navegação junto à central retraiu, expondo bancos de areia e cascalho. A falta de água também afetou os sistemas de refrigeração das centrais termoelétricas a carvão de Kostolac, obrigando a interrupção da produção. “Ao longo dos meses de maio, junho e julho, tivemos a menor produção nas centrais de Djerdap desde que entraram em funcionamento, na década de 1970”, apontou a ministra da Economia sérvia, Dubravka Djedovic Handanovic.

Na Romênia, a empresa estatal de energia nuclear relatou que teve de desligar um dos seus dois reatores no início desta semana pelo mesmo motivo, e é esperado que o segundo siga o mesmo caminho em breve, o que poderá privar o país de um quinto das suas necessidades de eletricidade. As forças navais romenas fizeram uma explosão controlada para desviar um grande volume de água para o Velho Danúbio e para a central nuclear de Cernavod, de forma a ajudar no seu arrefecimento.

A intensa seca no rio Danúbio revelou ainda ossos de um mamute na Bulgária.

A onda de calor que atingiu a Europa Ocidental na semana passada agora se deslocou para o leste, onde os meteorologistas preveem que as temperaturas extremas cheguem a 40°C.

Enquanto isso, as autoridades do Reino Unido declararam que mais de metade de Inglaterra está em situação de seca, após níveis de precipitação mínimos e temperaturas excepcionalmente altas. O Reino Unido enfrenta atualmente a quarta onda de calor generalizada de 2026. “Os rios estão com níveis baixos, os agricultores recolhem as colheitas mais cedo, o risco de incêndio aumenta e milhões vivem sob restrições ao uso da água”, afirmou a Agência do Ambiente britânica.

A França também já precisou reduzir a geração de energia nuclear por causa dos baixos níveis de água e pelo aumento da temperatura dos rios. Além disso, Espanha, França e a Grécia ainda foram atingidas por grandes incêndios florestais, que devastaram milhares de hectares.

De acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia, a Europa é o continente que mais rapidamente aquece no mundo, aquecendo a mais do dobro da média global. “No mês passado, a Europa Ocidental registrou as suas temperaturas mais altas, com o calor extremo e a seca generalizada a contribuírem para a propagação e intensificação de incêndios no território francês e espanhol”, comunicou o Copernicus.

Incêndios florestais mantêm região de Atenas sob ameaça

 Bombeiro tenta conter as chamas na região de Megara, na Grécia/Aris Oikonomou/AFP

Os incêndios que devastaram a região de Atenas há quatro dias continuaram representando uma ameaça nesta segunda-feira (3), apesar da diminuição das rajadas de vento e da intervenção de mais de dez aviões-tanque.

Embora os bombeiros tenham apontado uma ligeira melhoria da situação na manhã desta segunda-feira, o prefeito da cidade de Megara — 30 km a Oeste da capital e um dos principais focos de incêndios — informou sobre uma “reativação do fogo que ocorreu à tarde”.

Apesar de o vento ter enfraquecido na região, em Kandyli ainda há rajadas e correntes geradas pelo ar quente que sobe, e observar-se uma reativação do fogo”, declarou o prefeito de Megara, Panagiotis Margetis, à AFP.

Os principais focos situam-se nas localidades de Kandyli e Agia Skepi, 50 km ao Noroeste de Atenas. Mas “o fogo muda constantemente de direção” e está se aproximando da zona industrial de Megara, o que é “muito perigoso”, acrescentou o prefeito à emissora estatal Ertnews.

A assessoria de imprensa do corpo de bombeiros confirmou na tarde desta segunda-feira à AFP que “o incêndio se intensificou”. No entanto, “isso é normal, já que ainda há focos ativos”, ponderou a mesma fonte.

O fogo fez várias vítimas na Grécia: três bombeiros morreram na semana passada e um piloto e o copiloto de um presidente morreram neste domingo (2) ao colidir com outro aparelho enquanto tentavam apagar o fogo nos arredores de Psatha.

“Uma das piores crises”

Afetada todo o verão por incêndios devido às frequentes ondas de calor e à seca, a Grécia esteve, até então, relativamente a salvo dos grandes incêndios que atingiram, no início da temporada de verão, na França e na Espanha.

Mas em uma semana, mais de 12 mil hectares de florestas e terras agrícolas queimaram neste país que, assim como todo o litoral mediterrâneo, foi duramente afetado pela crise climática, segundos dados publicados pela imprensa, que citam uma análise do observatório europeu Copernicus.

Combate às chamas

Diante do recrudescimento das chamas perto de Megara, que tem mais de 20 mil habitantes e é uma das cidades industriais do oeste de Atenas, os bombeiros continuam “em alerta”.

Graças à diminuição dos ventos, que chegaram a superar os 100 km/h nos últimos dias, treze aviões-tanque puderam decolar cedo nesta segunda-feira para apoiar os 12 helicópteros e os 450 efetivos mobilizados em terra.

“Eu diria que se trata, sem dúvida, de uma das piores crises relacionadas aos incêndios que ocorreram nos últimos 8 ou 10 anos”, declarou à AFP Théodore Giannaros, pesquisador do Observatório Nacional da Grécia.

E o aumento das temperaturas previstas para quarta-feira (5), de até 37 ºC, poderá complicar a situação. “Os combustíveis vão secar ainda mais rapidamente” e “isso os tornarão mais inflamáveis”, anunciou Giannaros.

Milei reitera acusações contra Lula: “é um ladrão, é um corrupto”

Presidente da Argentina, Javier Milei/LUIS ROBAYO / AFP

O presidente da Argentina, Javier Milei, reiterou no domingo (2) as acusações sem evidências contra o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de “ladrão” e “corrupto”, uma semana depois de suas declarações provocarem uma crise diplomática entre as duas maiores economias da América do Sul.

Ele é um ladrão, é um corrupto, foi condenado por roubo e corrupção, esteve preso, por isso também é verdade chamá-lo de presidiário. E não só isso: ele foi solto por uma falha administrativa no procedimento, não por ser inocente“, disse o presidente ultraliberal em entrevista à emissora LN+.

A pergunta é: eu menti?“, afirmou Milei ao ser questionado sobre ter chamado Lula de “ladrão”, embora sem citá-lo nominalmente, durante o evento de oficialização da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para enfrentar o petista nas eleições de outubro.

As declarações de Milei em São Paulo desencadearam uma crise diplomática que começou com a convocação para consultas do embaixador do Brasil na Argentina, em razão “das ofensas proferidas” pelo presidente argentino.

O Brasil também convocou o embaixador argentino para manifestar seu “repúdio” e pedir explicações pelas “agressões” do presidente Milei contra Lula e contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Ao longo da semana, a Argentina tentou reduzir a tensão provocada pelo incidente diplomático.

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, ressaltou que, da parte de seu governo, não há qualquer possibilidade de romper relações com o país vizinho e principal parceiro comercial.

Neste domingo, porém, Milei reafirmou suas declarações de forma direta e enfática, chamando Lula de “ladrão” três vezes seguidas antes de desenvolver críticas e acusações que já havia feito contra o presidente brasileiro em uma entrevista de rádio, sete dias antes.

Milei voltou a acusar, sem apresentar provas, Lula de promover “interferência política” em seu país e na região.

Aos 80 anos, Lula declarou neste domingo estar muito bem ao oficializar sua candidatura a um quarto e último mandato nas eleições de outubro.

Já Milei, embora ainda não tenha lançado oficialmente sua candidatura, intensificou seu discurso de confronto tendo em vista a disputa presidencial de outubro de 2027.

Durante a entrevista, ele repetiu em várias ocasiões que, a respeito de uma possível reeleição, só compete consigo mesmo, ao destacar as conquistas de seu governo.

Milei aplicou fortes cortes nos gastos públicos, que permitiram reduzir a inflação — 161% interanual quando ele assumiu o poder, contra os atuais 33,5% —, mas que afetaram o emprego, a atividade industrial e o consumo.

Socialismo no alvo

Fiel ao seu estilo, o presidente argentino criticou o fato de suas declarações provocarem indignação e defendeu a veracidade de suas palavras. Ele lembrou que, quando é criticado pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, ou pelo presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, não há as mesmas reações de reprovação.

Quando me insultam, tudo bem. Agora, se eu respondo, está errado“, afirmou.

Em outro trecho da entrevista, ele fez duras críticas ao socialismo, em especial às decisões políticas adotadas em parte da Europa em temas como a imigração.

Milei criticou o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, ao ser questionado sobre a crise na cidade autônoma de Ceuta, após uma onda migratória sem precedentes no enclave espanhol no norte da África.

Ele também acusou, sem apresentar evidências, Sánchez de nacionalizar imigrantes para “que votem nele e, digamos, perpetuar sua tirania”.

Na Espanha, os cidadãos votam para eleger os congressistas. Uma vez formado o Parlamento, os deputados escolhem o presidente do Governo.

A Espanha informou no domingo que pelo menos 72 pessoas morreram ao tentar atravessar a fronteira a partir do Marrocos.

A onda migratória em Ceuta abriu uma crise internacional para a Espanha. Os aliados europeus criticam Madri por suas políticas favoráveis à regularização dos migrantes.

Do outro lado do oceano, Milei aproveitou o tema para reiterar sua posição de que os imigrantes deveriam pagar por alguns serviços públicos no país de acolhida.

Sobe para 72 o número de mortos em caos de migrantes na fronteira de Ceuta

O número de mortos na confusão envolvendo a migração em massa de pessoas na última quinta-feira (30) na fronteira de Ceuta, território espanhol no norte ​da África, com o Marrocos chegou a pelo menos ​72 neste domingo (2).

Mais cinco corpos foram encontrados ao longo da costa de Ceuta, disseram as autoridades.

Mais de 50 mil pessoas entraram em Ceuta por terra e mar num fluxo sem precedentes que começou na semana passada, numa das duas únicas fronteiras terrestres da União Europeia com África, causando alarme em todo o bloco.

Mais de 48 mil pessoas voltaram a Marrocos em 48 horas e outras tantas durante o fim de semana, disseram as ​autoridades espanholas.

O representante do governo espanhol em Ceuta, Miguel Ángel Pérez, disse a jornalistas neste ​domingo que, além das 72 mortes, mais de mil pessoas foram atendidas pelos serviços de saúde ⁠desde quinta-feira.

A situação na cidade melhorou consideravelmente, segundo ele, mas ainda há muito a ser feito para restabelecer a normalidade.

Alguns migrantes se ​afogaram ‌e outros foram esmagados ao tentar escalar um quebra-mar e a cerca da fronteira. Muitos foram forçados ⁠a migrar por dificuldades econômicas e incentivados por boatos nas redes sociais.

Patrulhas reforçadas na fronteira

Dói-me profundamente que jovens estejam morrendo no mar. Não é justo que, em 2026, mulheres com crianças de apenas dois meses de idade estejam atravessando ‌o ⁠mar apenas para ‌morrer“, disse Karima Abenaz, uma cidadã francesa em Ceuta com família no Marrocos, contendo as lágrimas.

Em Marrocos, há comida, há tudo o que precisamos“, acrescentou. “Se não tivermos um emprego decente, devemos entrar em greve e exigir ⁠nossos direitos do governo. Não deveríamos estar morrendo no ⁠mar, isso não está certo.

O líder de Ceuta, Juan Jesús Vivas, disse ao jornal El País que o necrotério da cidade ‌recebeu 88 cadáveres, incluindo alguns de pessoas que morreram em tentativas anteriores, menores, de chegar ao território em perigosas travessias noturnas a nado nas últimas duas semanas. Ele afirmou que as autoridades marroquinas também estavam recuperando corpos do mar, mas nenhuma informação oficial estava disponível.

As autoridades reforçaram o patrulhamento policial ‌e militar e, no sábado, instalaram uma barreira flutuante de 500 metros ao largo de Ceuta.

Vinte e dois Estados-membros da UE escreveram uma carta solicitando uma ação coordenada para proteger as fronteiras ⁠externas e outras medidas após o incidente de Ceuta. A Itália suspendeu por um mês o acordo de livre circulação de pessoas com a Espanha dentro do Espaço Schengen.

A Espanha adotou uma postura mais aberta em ​relação aos migrantes do que a maioria dos outros países da UE, introduzindo um programa para conceder residência ​a mais de meio milhão de pessoas sem documentos.

O governo rejeitou as sugestões de que o programa incentivou a entrada descontrolada em Ceuta, afirmando que aqueles que entraram em Ceuta de forma irregular não podiam viajar para a Espanha continental ou para qualquer outro ‌lugar na zona Schengen.

Após cancelar ataque, Trump diz que negociará com o Irã na segunda (3)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as negociações com o Irã serão retomadas na segunda-feira (3), apenas um dia depois de dizer que cancelou um “ataque maciço” contra o país.

Eles sabiam a dimensão do ataque porque o viram sendo preparado. Agora, o que estamos fazendo é conversar com eles por meio de uma negociação. Ela começa amanhã à tarde, e veremos“, disse Trump a jornalistas a bordo do Air Force One neste domingo (2), após passar o fim de semana em seu clube de golfe em Bedminster, Nova Jersey.

Trump afirmou que aliados, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, além do próprio Irã, pediram que ele cancelasse o ataque planejado.

“Estávamos prontos para agir, mas, quando os aliados pediram que cancelássemos, isso nos fez dizer: ‘Bem, vamos ver’. E a razão pela qual eles pediram isso é que acreditam que há um acordo“, disse Trump. “Há um acordo sobre Ormuz, e depois haverá um acordo sobre a questão nuclear, ou o que se pode chamar de desnuclearização do Irã. Eu chamo isso de desnuclearização do Irã.”

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, conversou por telefone com Trump e defendeu uma redução da escalada da guerra, informou a agência estatal saudita neste domingo. Mais cedo, fontes disseram à CNN que o príncipe herdeiro manifestou preocupação com os planos de um possível ataque ao Irã durante a ligação.

Trump se recusou a responder a uma pergunta sobre se o ataque teria como alvo instalações do setor de energia. Ainda assim, reforçou em uma publicação feita no sábado (1º) na Truth Social que os Estados Unidos continuam “armados, preparados e prontos para agir” contra o Irã.

A mídia estatal iraniana negou que o país tenha pedido a Trump que suspendesse os ataques planejados.

“Trump, o tolo, perdeu o fôlego!”, publicou neste domingo a agência semioficial iraniana Fars.

EUA planejam nova onda de ataques contra o Irã; Teerã promete resposta

EUA planejam nova onda de ataques contra o Irã; Teerã promete resposta |  CNN Brasil

Os EUA avaliam lançar uma nova onda de ataques contra o Irã já neste fim de semana, enquanto Teerã afirma ter elaborado um plano de resposta que inclui alvos em Israel e infraestrutura energética americana na região.

Segundo duas autoridades americanas a par dos planos, o governo do presidente americano Donald Trump considera uma nova rodada de bombardeios. A extensão da operação e os alvos não estão claros. As fontes ressaltaram que a ofensiva ainda pode ser cancelada.

Mais cedo na sexta-feira (31), Trump indicou que está disposto a ampliar a campanha militar contra o Irã.

Vamos atingi-los com muita força”, afirmou durante uma reunião de gabinete.

Em algum momento, eles vão dizer: ‘Não aguentamos mais‘”, acrescentou.

De acordo com autoridades americanas, o CENTCOM (Comando Central dos EUA) preparou diferentes opções para uma expansão do conflito, incluindo um bombardeio intenso de duas semanas contra instalações de mísseis iranianas.

Os militares também elaboraram planos para atingir instalações nucleares do país, entre elas o complexo conhecido como “Pickaxe Mountain”, embora a operação não se limite especificamente a esse ponto. Esses preparativos ganharam força nos últimos dias, segundo as autoridades.

Além disso, existem estudos para atacar a infraestrutura energética iraniana. Porém, o governo americano vinha demonstrando cautela quanto a esse tipo de alvo, por receio de que o Irã responda atingindo instalações de energia no Golfo e provoque impactos nos mercados globais.

Questionada sobre os relatos de uma nova ofensiva, a Casa Branca afirmou que Trump não iria “ficar de braços cruzados e permitir que esse comportamento terrorista ocorra”.

O Irã continuará pagando o preço até que aceite negociar de uma maneira que o presidente Trump considere significativa“, disse a secretária de imprensa Karoline Leavitt em um comunicado.

Segundo informações divulgadas pela CBS News, os Estados Unidos e Israel estão discutindo uma campanha conjunta de bombardeios contra a infraestrutura de energia do Irã.

A emissora informou que Trump ainda não deu a autorização final para a operação, que poderia ocorrer neste fim de semana.

Ainda de acordo com a CBS, a campanha seria uma das mais severas já realizadas contra o setor energético iraniano durante a guerra entre os EUA, Israel e o Irã. As discussões incluem concluir os ataques antes da abertura dos mercados financeiros na segunda-feira (3).

Irã promete resposta

A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim informou que, em reação à possível ofensiva dos EUA e de Israel, um alto funcionário de segurança do Irã afirmou que considera os relatos dos ataques um ato de “imprudência”.

Segundo a autoridade, o Irã elaborou um plano abrangente para responder a qualquer ação militar.

Ainda segundo a Tasnim, o plano prevê ataques contra infraestrutura crítica de Israel e contra instalações energéticas dos EUA na região.

EUA planejam novos ataques ao Irã neste fim de semana, dizem autoridades

Os EUA planejam novos ataques ao Irã já neste fim de semana, enquanto o presidente americano Donald Trump busca uma solução para o conflito, segundo duas autoridades americanas a par dos planos.

A extensão exata dos ataques e os possíveis alvos que os EUA poderiam atingir não estavam claros, e ambas as autoridades ressaltaram que a operação poderia ser cancelada.

Ao falar em uma reunião de gabinete mais cedo nesta sexta-feira (31), Trump sinalizou a possibilidade de novos ataques pesados, ao mesmo tempo em que expressou frustração com os esforços diplomáticos que não surtiram o efeito desejado.

Vamos atingi-los com muita força“, disse Trump.

“Em algum momento, eles vão dizer: ‘Não aguentamos mais’“, acrescentou.

O CENTCOM (Comando Central dos EUA) preparou opções e deixou suas forças de prontidão para uma expansão do conflito, incluindo um bombardeio intenso de duas semanas contra instalações de mísseis do Irã.

Também houve planejamento envolvendo opções para atacar instalações do setor energético, disseram as autoridades.

O governo Trump tem demonstrado cautela quanto a atacar a infraestrutura energética do Irã, receando que Teerã possa retaliar contra instalações de infraestrutura no Golfo e provocar um choque nos mercados globais de energia, que já estão sob pressão devido ao conflito.

No início desta semana, o ministro da Defesa de Israel afirmou que a liderança do país desejava atacar a infraestrutura energética iraniana como forma de exercer ainda mais pressão econômica sobre o Irã.

Queremos muito atacar os alvos energéticos do Irã — mas os EUA não estão aprovando isso no momento“, disse Israel Katz. Não há indícios de que Israel participaria de uma nova onda de ataques americanos ao Irã.

Além disso, as forças armadas dos EUA fizeram preparativos para lançar uma série de ataques contra a infraestrutura nuclear iraniana, incluindo o local conhecido como “Pickaxe Mountain”, embora a operação não se limite especificamente a esse ponto. Esses preparativos ganharam força nos últimos dias, segundo as autoridades.

Questionada sobre relatos de que Trump havia ordenado uma nova rodada de ataques para o fim de semana, a Casa Blanca afirmou que o presidente não iria “ficar de braços cruzados e permitir que esse comportamento terrorista ocorra“.

O Irã continuará pagando o preço até que aceite negociar de uma maneira que o presidente Trump considere significativa“, disse a secretária de imprensa Karoline Leavitt em um comunicado.

Espanha diz que 25 mil migrantes voltaram para o Marrocos voluntariamente

CEUTA | Las imágenes de la CRISIS migratoria

O Ministério do Interior da Espanha informou, nesta sexta-feira (31), que pelo menos 25 mil migrantes retornaram de Ceuta para Marrocos até o momento, fazendo a viagem de forma voluntária.

A pasta estima que cerca de 49 mil migrantes cruzaram para o enclave espanhol, no Norte de África, nas últimas 24 horas, enquanto corriam por mar e por terra vindos do Marrocos.

Ao, estima-se que cerca de 60 mil pessoas tenham cruzado a fronteira nos últimos dias, disse Juan Jesús Vivas, prefeito de Ceuta, a jornalistas, nesta sexta-feira, o que representa mais da metade da população do território.

Espanha e Marrocos reforçaram a cerca fronteiriça do território espanhol nesta sexta-feira e aparentemente interromperam as travessias em massa, após a chegada de milhares de pessoas por mar e terra, com pelo menos 34 mortos encontrados.

A travessia em massa para Ceuta, uma faixa de terra controlada pelos espanhóis que se projeta do Marrocos para o Mediterrâneo, causou divisão na Europa, com a Itália ameaçando suspender o programa de fronteiras abertas internas da União Europeia.

Nos portões de entrada de Ceuta, as autoridades marroquinas utilizaram caminhões com canhões de água e repeliram as pessoas. Os restos carbonizados de um ônibus e sete carros podiam ser vistos nas proximidades, resultado dos confrontos com a multidão.

As autoridades espanholas afirmaram que tentariam expulsar aqueles que entraram ilegalmente o mais rápido possível, apesar de uma decisão judicial que impôs novas restrições às regras especiais de “rejeição de fronteira” que permitem expulsões imediatas.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez deveria visitou Ceuta nesta sexta-feira com o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.

Ceuta e Melilla, outra cidade autônoma espanhola no norte de Marrocos, são as únicas cidades da União Europeia com a África que fazem fronteira com o continente. Cada uma delas abriga cerca de 85 mil pessoas.

As duas cidades registram periodicamente aumentos nas tentativas de travessia de migrantes que buscam chegar à Europa, mas a travessia de quase 50 mil pessoas em um único dia parece ser um número sem precedentes. A Espanha descreveu a situação como a maior crise desde pelo menos 2021.

O ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, afirmou nesta sexta-feira (31) que, entre os fatores que contribuíram para o aumento das tentativas de travessia, pode ter sido uma decisão do Supremo Tribunal da Espanha, no início deste mês, que impede a devolução sumária de migrantes interceptados no mar enquanto tentavam chegar a Ceuta ou Melilla, segundo regras especiais.

Migrantes invadem cidade no lado marroquino da fronteira

Torres disse a uma rádio local que o governo espanhol reagiu imediatamente ao fluxo migratório e que procederia ao retorno dos migrantes, respeitando as decisões judiciais e os direitos dos migrantes.

No lado marroquino da fronteira, milhares de migrantes invadiram a cidade de Fnideq durante a noite, apesar do reforço da segurança que frustrou a maioria das tentativas de travessia.

Embora a passagem parecesse bloqueada, grupos se deslocavam ao longo da costa em busca de rotas alternativas à cerca. Alguns se preparavam para nadar.

“Cheguei atrasado”, disse Brahim, de 32 anos, que se identificou apenas pelo primeiro nome. Ele contou que havia chegado de Tânger na esperança de atravessar pelo portão, mas o encontrou praticamente fechado.

Entre os que tentavam atravessar, havia mulheres e crianças, tanto do Marrocos quanto de países da África Subsaariana mais ao sul.

Em uma publicação na rede social X, a associação da Guarda Civil espanhola, AUGC, afirmou que havia poucos policiais no local para monitorar a cerca durante o fluxo migratório de quinta-feira (30), o que os impediu de impedi-lo.

As políticas migratórias exigem uma revisão profunda que leve em conta a realidade da fronteira sul e garanta o respeito à dignidade e aos direitos humanos dos migrantes e refugiados que chegam a Ceuta“, afirmou um comunicado conjunto de diversos grupos locais de apoio a migrantes, acrescentando que os recursos em Ceuta são insuficientes.

Crise migratória na Europa

A migração é uma questão sensível em toda a Europa, onde partidos de direita ganharam força na década que se seguiu à crise de 2015, quando mais de um milhão de pessoas atravessaram o continente, principalmente a pé, em busca de asilo, a maioria fugindo da guerra na Síria.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que seu país está preparado “para intervir com medidas extraordinárias para defender as fronteiras e a segurança dos cidadãos, incluindo a suspensão do Espaço Schengen com a Espanha”, referindo-se à zona de livre circulação interna da União Europeia.

Embora o governo socialista da Espanha afirme manter-se firme em relação às travessias ilegais, alega que os imigrantes contribuem para o fortalecimento da economia e ofereceu uma anistia em massa que permitiu a centenas de milhares de pessoas solicitarem a cidadania no último ano.

As imagens vindas de Ceuta mostram como a decisão do governo de Madri de conceder cidadania espanhola, e consequentemente europeia, a mais de 500 mil imigrantes irregulares é profundamente equivocada e incentiva o tráfico de pessoas“, escreveu o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, respondeu que a mensagem de Tajani era “inapropriada” e afirmou que a Espanha esperava “solidariedade e não demagogia partidária” de seu parceiro. Acrescentou que convocaria o embaixador italiano para protestar.

Nove migrantes morrem ao tentar chegar nandando a Ceuta, enclave espanhol

Imigrantes marroquinos nadam até o exclave espanhol de Ceuta, no norte da África/Antonio Sempere/AFP

Nove migrantes marroquinos morreram ao tentar atravessar o mar a nadoe chegar ao enclave espanhol de Ceuta, território localizado no Norte da África.

Centenas de outros migrantes chegaram ao território nas últimas horas, informou à AFP a delegação do governo espanhol.

Foram recuperados nove corpos” de migrantes, informou uma porta-voz da delegação do governo, sem fornecer mais detalhes.

Zelensky acusa Coreia do Norte de fornecer à Rússia o míssil que matou uma família

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky/SIMON WOHLFAHRT / AFP

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou nesta quinta-feira (30) que o míssil que matou pelo menos seis membros da mesma família em um recente ataque russo pode ter sido fornecido pela Coreia do Norte.

É claro que novas investigações serão realizadas, tudo será verificado, mas, por enquanto, tudo indica que se trata de armamento balístico norte-coreano”, disse ele em seu pronunciamento noturno.

Milhares de imigrantes cruzam fronteira entre Marrocos e Espanha

Milhares de imigrantes cruzam fronteira entre Marrocos e Ceuta, território da Espanha

Imigrantes vindos do Marrocos romperam cercas e entraram em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, nesta quinta-feira (30), após superarem a polícia no quebra-mar da cidade, informou a Guarda Civil da Espanha.

A emissora estatal TVE noticiou nesta quinta que entre 2.000 e 3.000 pessoas haviam realizado a travessia. A Reuters não conseguiu confirmar essas informações de imediato.

Imagens mostram alguns imigrantes chegando a nado pelo lado marroquino. Muitos utilizavam câmaras de ar infláveis ​​e outros dispositivos de flutuação, enquanto outros rompiam um portão na cerca e corriam para dentro da cidade.

A cena se assemelha à travessia ocorrida em maio de 2021, quando cerca de 10 mil pessoas vindas do Marrocos e da África subsaariana entraram no enclave em poucos dias.

Um porta-voz da Guarda Civil afirmou que os imigrantes estavam “entrando em massa pelo mar”, através do quebra-mar de Tarajal, mas não pôde fornecer estimativas de quantas pessoas passaram.

Algumas das pessoas gritavam “Viva a Espanha” ao entrar no território.

Ceuta, juntamente com Melilla, outra cidade autônoma espanhola situada no norte da África, representa a única fronteira terrestre da União Europeia com a África.

Ambas as cidades registram periodicamente picos de tentativas de travessia por parte de imigrantes que buscam chegar à Europa.

Governo quer declarar estado de emergência

O governo da Espanha se destaca por sua postura favorável aos imigrantes, tendo lançado recentemente um programa para conceder status legal a cerca de 500 mil imigrantes sem documentos, gerando uma enorme demanda por solicitações.

Alguns partidos criticaram a iniciativa, argumentando que ela atrairia mais imigrantes para a Espanha. Eles culparam o primeiro-ministro Pedro Sánchez por permitir que a situação em Ceuta atingisse proporções de crise.

Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular, de oposição, afirmou em uma publicação na rede social X que “a situação em Ceuta é desesperadora. O governo não pode ignorar o problema… pois estamos diante de uma crise de segurança nacional”.

Mais cedo nesta quinta-feira, o líder de Ceuta, Juan Jesús Vivas, pediu ao governo nacional que declare estado de emergência devido às chegadas em massa.

O governo regional de Ceuta solicitou, em mensagem no X, que Madri mobilizasse o Exército para garantir a segurança e fechar a fronteira com o Marrocos.

O Ministério da Defesa informou que não havia planos imediatos para mobilizar o Exército.

No início deste mês, a Suprema Corte da Espanha decidiu que imigrantes interceptados no mar ao tentarem chegar a Ceuta ou Melilla não podem ser enviados de volta sumariamente sob o regime especial de rejeição na fronteira vigente nesses enclaves.

O fluxo vinha sendo lento desde a decisão da Suprema Corte, mas hoje houve uma explosão“, disse à Reuters um porta-voz da Guarda Civil.

O Ministério do Interior afirmou estar trabalhando em estreita colaboração com o Marrocos para lidar com o aumento das chegadas irregulares, tendo impedido a entrada ilegal de milhares de migrantes em Ceuta nos últimos dias.

O órgão prometeu deportar imediatamente aqueles que entrarem ilegalmente, atribuindo a redes de tráfico de pessoas a exploração da decisão da Suprema Corte para incentivar a migração sem documentos.

O Ministério do Interior do Marrocos não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

O ativista pelos direitos dos imigrantes Zakaria Zarroqui disse que as pessoas continuavam saindo da cidade marroquina de Fnideq na tentativa de cruzar a fronteira para Ceuta.

A situação permanece fora de controle neste exato momento“, relatou Zarroqui.

Ataques russos deixam oito mortos na Ucrânia

Kiev renovou os apelos para que seus aliados enviem equipamentos de defesa aérea/GENYA SAVILOV / AFP

Oito pessoas morreram, incluindo seis da mesma família, e pelo menos 12 ficaram feridas em bombardeios noturnos russos contra várias regiões da Ucrânia, informaram as autoridades nesta quinta-feira (30).

Um ataque com míssil balístico contra Kryvyi Rig, no centro da Ucrânia, matou seis membros de uma família, incluindo duas menores de idade, segundo as autoridades.

Um míssil balístico Iskander-M, lançado a partir de (a cidade russa de) Voronezh, atingiu diretamente uma residência particular onde vivia uma família numerosa, o que matou duas meninas de 5 e 12 anos, além de quatro adultos“, afirmou no Telegram o comandante da administração militar municipal, Oleksandr Vilkul.

Oito pessoas ficaram feridas no ataque, segundo o conselho de defesa da cidade, que advertiu que o número de vítimas pode aumentar.

Na região de Poltava (leste), uma pessoa morreu em um ataque com drones contra um depósito e pelo menos cinco pessoas ficaram feridas na cidade de Lviv (oeste).

Além disso, uma pessoa morreu nos bombardeios russos contra a capital Kiev, informou a administração militar local.

A Rússia lançou 74 mísseis e 284 drones contra a Ucrânia durante a madrugada de quarta para quinta-feira, afirmaram as autoridades de Kiev.

O terror russo demonstra mais uma vez que a proteção contra a ameaça dos mísseis russos é o mais importante“, afirmou o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, que pediu aos aliados que forneçam mais mísseis balísticos ao país.

A ofensiva aconteceu após uma advertência emitida na noite de quarta-feira por Zelensky, que citou uma “alta probabilidade” de um grande ataque russo durante a noite.

Os russos prepararam um ataque em larga escala há vários dias. Há uma alta probabilidade de que o ataque seja executado esta noite“, afirmou Zelensky na rede social X. Ele voltou a pedir aos aliados o fornecimento de projéteis para o sistema de defesa aérea do país.

Nas últimas semanas, a Rússia intensificou os ataques com mísseis balísticos, que apenas os sistemas Patriot, dos, são capazes de derrubar.

A Ucrânia enfrenta uma grave escassez dos interceptores PAC-3, que se agravou desde a guerra iniciada por Israel e Estados Unidos contra o Irã, em fevereiro.

Inglaterra já soma quase 3 mil mortes relacionadas com a onda de calor

A Inglaterra sofreu uma onda de calor no fim de maio e outra em junho, que provocaram novos recordes de temperatura/SIMON WOHLFAHRT / AFP

A onda de calor que atingiu temperaturas recorde em maio e junho na Inglaterra está associada a quase 3.000 mortes no país, informou nesta quinta-feira (30) a Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA).

O relatório do órgão calcula que ocorreram 2.877 mortes associadas às temperaturas elevadas nos dois meses, quase o dobro do número registrado durante as ondas que afetaram a Inglaterra entre junho e agosto de 2025 (1.504 óbitos).

Embora os números ainda sejam provisórios, eles já se aproximam do recorde anual divulgado pela UKHSA em 2022″, aponta o relatório do órgão governamental, em referência às 2.985 mortes registradas há quatro anos.

O número de mortes para o conjunto do ano de 2026 poderá ser “substancialmente mais elevado“, devido a outros períodos de temperaturas elevadas registrados em julho e que ainda não foram levados em consideração, adverte a UKHSA.

“As 2.877 mortes estimadas associadas ao calor registradas durante os episódios de calor de maio e junho representam um impacto considerável na saúde pública ocorrido no início da temporada de verão“, afirma o órgão governamental.

Assim como outras regiões da Europa, a Inglaterra sofreu uma onda de calor no fim de maio e outra em junho, que provocaram novos recordes de temperatura, com, por exemplo, um pico de 38°C registrado em 26 de junho no leste do país.

O mês de junho foi o mais quente desde o início dos registros meteorológicos em 1884. A onda de calor excepcional provocou o fechamento de escolas, além de transtornos nos transportes.

“Há muitos anos estamos habituados aos períodos de maior pressão de inverno no NHS (o sistema público de saúde). Mas agora constatamos que o calor do verão tem um impacto cada vez mais grave sobre milhares de pessoas“, afirmou a ministra da Saúde, Yvette Cooper.

Ao mesmo tempo, a Inglaterra enfrenta uma ausência excepcional de chuvas. A Agência de Meio Ambiente britânica declarou na quarta-feira estado de seca em pouco mais da metade do território do país.

Os números evidenciam o grave risco que o calor extremo pode representar para a saúde da população“, declarou Ross Thompson, cientista-chefe de saúde pública ambiental da UKHSA.

EUA e Arábia Saudita atacam grupos pró-iranianos no Iraque

Bombardeio dos Estados Unidos no Oriente Médio/Foto por AMMAR AMMAR / AFP

Nesta quarta-feira (29), as forças norte-americanas e súditas lançaram ofensivas em conjunto no Iraque contra milícias do país que são apoiadas pelo Irã, em resposta a ataques contra alvos dos Estados Unidos e instalações petrolíferas da Arábia Saudita.

Os bombardeios atingiram posições das Forças de Mobilização Popular (FMP), uma aliança integrada com membros das forças armadas iraquianas, e matou pelo menos 20 combatentes, segundo comunicado da aliança. As FMP classificaram os ataques como uma agressão dos EUA e da Arábia Saudita, que visaram as suas bases em sete cidades, incluindo a capital Bagdá, causando diversos danos. A coligação alertou sobre uma escalada perigosa contra as instituições oficiais de segurança.

Os ataques norte-americanos e sauditas no leste do Iraque aconteceram após os militares dos EUA afirmarem que as suas defesas aéreas impediram um ataque surpresa iraniano contra as suas tropas na região. O Comando Central dos Estados Unidos anunciou que todos os mísseis iranianos disparados contra as suas forças no Oriente Médio foram interceptados.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ainda prometeu atacar o Irã com força depois deste incidente. Trump revelou que os EUA se coordenaram com o governo do Iraque antes dos ataques à milícia pró-iraniana e não descartou novas ações contra grupos armados na região, que descreveu como um “câncer no mundo”.

A Arábia Saudita também anunciou ontem que as suas defesas aéreas interceptaram quase 30 que tinham como alvo instalações petrolíferas do país. O Ministério da Defesa saudita declarou que não objetivava escalara as tensões, mas que retaliaria qualquer agressão.

Já o novo primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, que chegou ao poder este ano com o apoio da Casa Branca, enfrenta a resistência de algumas facções poderosas. Al-Zaidi convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional iraquiano na sequência do ataque. “A reunião reafirmou a posição firme e de rejeição do governo em relação a todos os atos hostis, independentemente da parte executora ou das justificações invocadas, sublinhando que lidar com e confrontar tal agressão é uma responsabilidade exclusiva do governo iraquiano”, declarou o conselho após a reunião.

Mas, o Kata’ib Hezbollah, grupo paramilitar xiita, pró-Irã que opera no Iraque, disse que uma resposta aos ataques dos EUA e Arábia Saudita contra posições de milícias leais à Guarda Revolucionária no país é inevitável. O grupo garantiu que a reação poderá visar alvos americanos na Arábia Saudita, e estipulou um prazo até 6 de agosto ao governo iraquiano para mostrar que consegue defender a soberania do país.

Por outro lado, uma autoridade da defesa iraniana negou veementemente na emissora estatal IRIB qualquer ligação entre os drones disparados de outros países contra alvos sauditas e que atribuir ataques contra interesses americanos na região ao Irã foi um grande erro de cálculo.

Entretanto, Teerã confirmou ter disparado mísseis balísticos contra instalações militares norte-americanas na Jordânia, argumentando que foi uma resposta às ações agressivas do exército norte-americano e às ameaças das autoridades de Washington

Enquanto persistirem as ameaças contra a República Islâmica do Irã e se mantiverem as ações ilegais e maliciosas das forças norte-americanas contra os nossos interesses, a resistência também continuará”, afirmou a Guarda Revolucionária do Irã.

Líbano e Israel marcam conversações para avançar no acordo de paz

O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, John Kirby, disse que Israel e Líbano estão perto de um acordo de cessar-fogo/foto: NIDAL SOLH/AFP

O governo dos Estados Unidos comunicou que serão realizadas novas conversações entre Israel e o Líbano, na capital italiana, nos dias 4 a 6 de agosto, com mediação de autoridades norte-americanas.

Em Roma, os grupos técnicos se empenharão em fazer avançar a implementação integral do acordo-quadro assinado entre as partes. A experiência adquirida nas primeiras zonas irá nos ajudar a aperfeiçoar a implementação das zonas piloto, para que esta possa ser alargada de forma progressiva“, adiantou um representante do Departamento de Estado dos EUA, em alusão à extensão do processo das “zonas piloto” no território libanês sob o comando do exercito do Líbano.

Além disso, as tratativas do encontro também incluem à resolução de questões fronteiriças pendentes entre os dois lados e à elaboração de um acordo global de paz e segurança.

Entretanto, o exército libanês condenou no último domingo a continuação das operações militares de Israel no sul do Líbano, considerando que isto impede a deslocação para a região, tal como previsto no acordo assinado em junho entre os dois países em Washington.

O acordo celebrado em junho prevê a mobilização do exército libanês em zonas piloto evacuadas pelas forças israelenses, que permanece ocupando uma parte do sul do país. E, apesar do acordo de cessar-fogo nos combates entre Israel e grupo xiita Hezbollah, pró-iraniano, as tropas israelenses continuam a realizar ataques intermitentes no sul.

Já o Hezbollah segue no centro do impasse sobre o controle e desarmamento total das áreas fronteiriças exigido nos entendimentos mediados por Washington.