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Guerra no Irã interrompe produção de hélio no Catar e ameaça cadeias de suprimento global

O Catar, que está sobre o maior campo de gás natural do mundo, produz cerca de 30% do fornecimento global de hélio, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA/ Foto: AFP

O ataque do Irã nesta semana à instalação de exportação de gás natural do Catar ameaça não apenas os mercados mundiais de energia, mas também as cadeias de suprimento tecnológico global, pois o hélio que produz é crucial para uma variedade de indústrias avançadas. O hélio é um insumo chave na fabricação de chips, foguetes espaciais e imagens médicas.

O Catar fornece um terço do hélio mundial, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA, mas o país teve que interromper a produção logo após a eclosão da guerra há três semanas.

Os últimos ataques iranianos contra a infraestrutura de produção de energia da região aumentaram as preocupações com o fornecimento, com a empresa estatal de gás do Catar dizendo que reduziria as exportações de hélio em 14%.

O papel do Catar no fornecimento de hélio

O Catar, que está sobre o maior campo de gás natural do mundo, produz cerca de 30% do fornecimento global de hélio, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA.

O hélio do Catar é produzido em sua instalação de Ras Laffan, a maior planta de gás natural liquefeito do mundo. Mas a empresa estatal de energia QatarGas interrompeu a produção de GNL e “produtos associados” em 2 de março devido aos ataques de drones do Irã e dois dias depois declarou força maior, o que significa que não pode fornecer clientes contratados devido a circunstâncias além de seu controle.

Após Ras Laffan ser atingida novamente por mais ataques iranianos na quarta e quinta-feira, a QatarGas relatou danos “extensos” que levarão anos para serem reparados e reduzirão as exportações anuais de hélio em 14%.

Os preços do hélio estão subindo

Os preços à vista do hélio dobraram desde que a crise eclodiu e provavelmente subirão ainda mais, disse Kornbluth. Mas o comércio à vista representa apenas cerca de 2% do mercado total em tempos normais, disse ele. O hélio é uma commodity pouco negociada e é vendido principalmente por meio de contratos de longo prazo.

Ainda assim, os preços dos contratos “podem subir muito“, disse Kornbluth. “Há muito espaço para aumento de preço se isso for uma interrupção prolongada.”

Kornbluth disse que a escassez ainda não atingiu, porque os contêineres de hélio que teriam sido preenchidos quando o conflito eclodiu no início de março ainda levariam várias semanas para chegar à Ásia.

O hélio é essencial para a fabricação de semicondutores, incluindo os chips de ponta usados para modelos de inteligência artificial produzidos em fábricas de fabricação asiáticas.

A indústria médica usa hélio para resfriar ímãs supercondutores que alimentam máquinas de ressonância magnética.

E a indústria espacial usa hélio para purgar tanques de combustível de foguetes, uma demanda que deve crescer devido a lançamentos mais frequentes por empresas como SpaceX e Blue Origin. Fonte: Associated Press

Irã lança nova onda de mísseis sobre a Cisjordânia e Tel Aviv

Mísseis foram avistados sobre a Cisjordânia e Tel Aviv nesta sexta-feira (20), enquanto o Irã disparava mais uma onda de mísseis contra a região.

Projéteis podiam ser vistos através das nuvens no céu de Tel Aviv, enquanto sirenes de alerta aéreo soavam por toda a cidade.

Não houve relatos de vítimas, informou o serviço de ambulâncias israelense.

O Irã lançou inúmeros ataques com mísseis contra Israel ao longo desta sexta-feira, obrigando milhões de pessoas a buscar abrigo. Pelo menos três ficaram levemente feridas e danos foram registrados em vários locais, segundo as autoridades israelenses.

Mais cedo, ainda na sexta-feira, o Irã atacou uma refinaria de petróleo no Kuwait e Israel matou um porta-voz da Guarda Revolucionária Iraniana, enquanto a guerra se aproxima da marca de três semanas.

Trump diz que não quer cessar-fogo com Irã agora e minimiza impacto do fechamento de Ormuz

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump/JIM WATSON / AFP

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na tarde desta sexta-feira, 20, que não quer um cessar-fogo com o Irã no Oriente Médio, embora esteja aberto a dialogar com autoridades americanas. “Não fazemos um cessar-fogo quando estamos vencendo e o outro lado está destruído“, disse, em comentários para repórteres.

O republicano também minimizou o impacto do fechamento do Estreito de Ormuz por Teerã. “Tudo o que eles estão fazendo é obstruir a passagem, mas, do ponto de vista militar, o Irã está acabado“, defendeu, repetindo que o país persa não possui mais marinha, forças militares ou lideranças. De acordo com ele, os EUA ainda possuem muitas munições e tropas para finalizar seus objetivos militares no Oriente Médio.

Apesar disso, Trump voltou a se contradizer sobre a necessidade de apoio de aliados para reabrir o estreito. O presidente americano disse que é uma “manobra simples” reabrir Ormuz, mas que exige uma grande frota de navios e por isso os EUA buscam ajuda de outros países. “Mas não deve levar muito para o Estreito de Ormuz se reabrir sozinho agora que o Irã está acabado“, afirmou. “Estamos fazendo um bom trabalho, mas seria bom se a China, o Japão e outros países que precisam do petróleo de lá se envolvessem.”

O republicano ainda reiterou críticas contra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), alegando que mesmo que a aliança militar não queira ajudar os americanos, “outros querem“. “Estou surpreso que a Otan tenha dito não para nós, porque sempre dissemos sim para eles“, apontou, observando ainda que os países-membros estão entre os mais dependentes de importações de combustível que passam por Ormuz.

Segundo Trump, até mesmo o Congresso dos Estados Unidos estaria insatisfeito com a recusa da aliança militar em se engajar nas ações no Oriente Médio.

O mandatário destacou particularmente o que classificou como demora do Reino Unido em permitir que os americanos utilizassem suas bases militares na região. “Deveriam ter sido rápidos“, pontuou.

EUA vão enviar mais tropas militares para o Oriente Médio

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos/ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

De acordo com a mídia norte-americana, os Estados Unidos vão enviar mais tropas de fuzileiros navais para o Oriente Médio.

Apesar do presidente dos EUA, Donald Trump, ter negado na véspera novos contingentes de militares para a região, fontes sob anonimato revelaram ao jornal New York Times, que cerca de 2.500 fuzileiros navais e três navios de guerra adicionais serão destacados no próximo mês para o Oriente Médio.

Especialistas também avaliam a possibilidade de uma possível operação terrestre no Irã após três semanas de combates.

Até o momento, a Casa Branca e o Pentágono não se pronunciaram sobre o assunto.

*Em atualização

Israel anuncia mais ataques contra o Irã; Netanyahu fala em país prestes a ser “dizimado”

Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu/ALEX KOLOMOISKY / POOL / AFP

Israel lançou nesta sexta-feira (20) novos bombardeios contra o Irã, país que, segundo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, está prestes a ser “dizimado”, apesar dos ataques com mísseis e drones da República Islâmica que continuam abalando seus vizinhos do Golfo.

Estamos vencendo a guerra e o Irã está sendo dizimado“, disse Netanyahu na quinta-feira, em uma entrevista coletiva exibida na televisão, durante a qual destacou que Teerã já “não tem mais a capacidade de enriquecer urânio e não tem mais a capacidade de produzir mísseis balísticos”.

Acredito que esta guerra terminará muito mais rápido do que as pessoas imaginam“, acrescentou, sem definir um prazo.

No 21º dia de guerra, as declarações, percebidas como tranquilizadoras, acalmaram os mercados.

Wall Street fechou em queda moderada na quinta-feira e o petróleo voltou a registrar leve queda, com o barril de Brent do Mar do Norte, a referência internacional, negociado a 107 dólares.

Na guerra, que se tornou regional, os ataques prosseguiam nesta sexta-feira, dia em que o Irã celebra o Noruz, o Ano Novo persa, e muitos países muçulmanos comemoram a Festa do Fim do Jejum.

O Irã, país de maioria xiita, marcou para sábado a última festividade para marcar o fim do Ramadã.

Refinaria atacada no Kuwait

O Golfo continua sendo alvo de ataques com mísseis e drones: os Emirados Árabes Unidos anunciaram que responderam a ataques com foguetes, a Arábia Saudita informou que interceptou vários drones, em particular no leste do país, e o Bahrein afirmou que controlou o incêndio em um depósito provocado por estilhaços procedentes de uma “agressão iraniana“.

No Kuwait, uma refinaria, que já havia sido bombardeada na quinta-feira, sofreu um novo ataque com drones, o que provocou um incêndio e o fechamento de várias unidades do complexo.

Em retaliação à ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel desde 28 de fevereiro, o Irã atacou os interesses de Washington nos países do Golfo e as instalações de energia, o que alimenta os temores de perturbações na economia mundial.

O preço do gás na Europa disparou na quinta-feira, levando o índice TTF holandês, referência no continente, a níveis que não eram registrados desde 2023.

O Catar calculou que sua capacidade de exportação de gás natural liquefeito (GNL) foi reduzida em 17% após os recentes ataques contra sua principal usina de produção, em Ras Laffan.

A ofensiva iraniana foi uma resposta aos ataques de Israel contra a instalação marítima de South Pars/North Dome, a maior reserva de gás conhecida do mundo, compartilhada por Irã e Catar.

O presidente americano, Donald Trump, pediu a Israel que interrompa os ataques contra as infraestruturas de energia do Irã, e Netanyahu disse que atenderia à solicitação.

Ao mesmo tempo, o mandatário republicano também ameaçou destruir “a totalidade do campo” de South Pars/North Dome se o Irã prosseguisse com os ataques.

O Irã respondeu que não demonstrará “nenhuma moderação” caso as infraestruturas de energia sejam atacadas novamente, segundo o chanceler da República Islâmica, Abbas Araghchi.

Nossa resposta ao ataque israelense contra nossas infraestruturas mobilizou apenas uma FRAÇÃO do nosso poder”, disse.

Pedido de moratória aos ataques

Reunidos em um encontro de cúpula em Bruxelas, os líderes da União Europeia (UE) pediram uma “moratória” aos ataques contra infraestruturas de energia e hídricas, com um apelo à “máxima moderação“.

Após um apelo dos Estados Unidos que inicialmente não recebeu resposta, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Holanda e Japão anunciaram que estão “dispostos a contribuir“, quando chegar o momento, aos esforços para garantir a navegação no Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica para o petróleo e o gás mundiais, bloqueada de fato pelo Irã.

Contudo, Paris, Roma e Berlim destacaram que uma participação só é possível com o fim dos combates.

O presidente francês, Emmanuel Macron, mencionou a possibilidade de uma futura missão, no âmbito da ONU, após o fim das hostilidades.

Para acalmar o mercado de petróleo, os países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) começaram a liberar suas reservas estratégicas: no total, serão disponibilizados 426 milhões de barris, a maioria de petróleo bruto.

Novos ataques no Líbano

No Líbano, arrastado para a guerra em 2 de março pelos ataques do movimento pró-iraniano Hezbollah contra Israel, a agência oficial de notícias local informou nesta sexta-feira novos bombardeios das forças do Estado hebreu contra cidades do sul.

Caças do inimigo israelense lançaram ataques ao amanhecer contra as localidades de Bafliyeh e Hanine, nos distritos de Tiro e Bint Jbeil“, informou a Agência Nacional de Notícias, que também citou ataques contra outras cinco localidades.

Na quinta-feira, o presidente libanês Joseph Aoun voltou a pedir uma trégua e negociações com Israel, por ocasião da visita do chefe da diplomacia francesa, Jean-Noël Barrot, que pretende viajar a Israel nesta sexta-feira.

Trump chama aliados da Otan de ‘covardes’ por postura na guerra contra o Irã

O presidente americano, Donald Trump/ Brendan SMIALOWSKI / AFP

O presidente americano, Donald Trump qualificou, nesta sexta-feira (20), os aliados dos Estados Unidos na Otan como “covardes” por não atenderem à sua exigência de ajuda militar contra o Irã para controlar a rota marítima do Estreito de Ormuz.

COVARDES, E NÓS NOS LEMBRAREMOS!“, publicou em sua plataforma Truth Social.

Os aliados dos Estados Unidos “não querem ajudar a abrir o Estreito de Ormuz, uma manobra militar simples que é a única razão dos altos preços do petróleo. Tão fácil de executar para eles, com tão pouco risco“, escreveu.

Trump assegurou, nesta semana, em diferentes declarações, que os Estados Unidos não precisam da ajuda militar de ninguém para liberar o Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, exigiu que os aliados contribuam para o esforço, já que a alta dos preços de petróleo, causada pelo bloqueio iraniano, afeta o mundo todo.

Seis grandes potências internacionais, entre elas Reino Unido, França, Alemanha e Japão, disseram na quinta-feira (19) que estão dispostas a “contribuir para os esforços apropriados” a fim de garantir a livre passagem pelo Estreito de Ormuz.

Mas não se comprometeram formalmente com nenhuma missão nesta via fluvial crucial, enquanto outros aliados, como Alemanha e Itália, descartaram qualquer operação sem uma trégua na guerra do Oriente Médio.

Nenhum dos países aos quais Trump pediu ajuda foi consultado antes da missão americana-israelense começar.

Irã declara que o inimigo foi derrotado e ameaça atacar turistas de Israel e EUA

Líder supremo Mojtaba Khamenei afirma que Irã desferiu 'golpe fulminante' no inimigo/ARIF ALI / AFP

Nesta sexta-feira (20), o novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, declarou a vitória sobre os inimigos da República Islâmica na guerra contra os Estados Unidos e Israel, em uma mensagem escrita para o Ano Novo Persa, Nowruz.

O aiatolá Mojtaba Khamenei fez as declarações num comunicado enviado ao presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, no qual também afirmou que os inimigos do país não devem viver em segurança, ameaçando inclusive destinos de turistas israelenses e norte-americanos. “De agora em diante, centros turísticos e de lazer ao redor do mundo serão inseguros para os inimigos’, disse Sardar Shekarchi, porta-voz do Exército.

De acordo com a agência estatal de notícias ISNA, a retaliação é devida ao assassinato de altos funcionários do governo e de alguns comandantes do governo iraniano. “Estamos de olho em seus covardes funcionários e comandantes, seus pilotos e seus soldados, e não demorará muito para que os arrastemos para fora de seus esconderijos e abrigos, em total humilhação e desonra, para infligir à punição que suas ações malditas merecem. A partir de agora, nem mesmo os parques, centros turísticos, áreas de lazer e destinos turísticos em qualquer parte do mundo não serão seguros para os inimigos de Teerã”, diz o texto.

A mensagem do Líder Supremo ainda aponta que num novo ano persa será de economia resiliente, unidade nacional e segurança nacional, segundo noticiou a televisão estatal iraniana. Mojtaba acrescentou, além disso, acreditar no fortalecimento das relações com os países vizinhos.

Forças israelenses atacam alvos iranianos a leste de Teerã

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As IDF (Forças de Defesa de Israel) afirmaram na sexta-feira (20) que começaram a atacar alvos iranianos na área de Nur, a leste de Teerã.

O governador de Bandar Lengeh, na província iraniana de Hormozgan, também afirmou que, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao porto da cidade, 16 embarcações civis e comerciais pegaram fogo.

A mídia iraniana também informou que a República Islâmica disparou mísseis em direção ao sul e ao centro de Israel, com sirenes soando na região na manhã desta sexta-feira.

Os ataques trocados estão ocorrendo durante o Nowruz, ou Ano Novo Persa, que normalmente é um período de família, renovação e promessa de novos começos. Este ano, no entanto, está marcado por guerra e conflito.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Alli Khamenei, em Teerã.

Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam terem destruindo dezenas de navios no país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.

Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.

Mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos sete mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.

O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvos do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.

Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fara mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.

Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, classificado como “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.

Hungria diz que manterá bloqueio do empréstimo da União Europa para a Ucrânia

O premier da Hungria, Viktor Orban. Foto: Dieter Nagl/AFP/Arquivos/

Os líderes da União Europeia discutiram hoje no Conselho Europeu o empréstimo de 90 bilhões à Ucrânia, que já foi aprovado anteriormente numa cúpula dos membros do bloco em dezembro.

Entretanto, a Hungria, embora o tenha aprovado na ocasião da reunião no ano passado, agora mantém o bloqueio de pacotes de ajuda a Kiev, o que representa um impasse aos dirigentes da UE.

O primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán recusou mais uma vez a suspendê-lo e disse que a decisão do seu governo de bloquear o empréstimo é juridicamente sustentada. Orbán avisou que não aprovará nem fundos ou qualquer medida a favor da Ucrânia enquanto o seu país não receber petróleo, ressaltando que é uma ‘questão existencial’ para o governo de Budapeste.

A Hungria acusa Kiev de dificultar propositadamente a transferência de petróleo para o seu país através do oleoduto de Druzhba, algo que a Ucrânia nega. “A posição húngara é muito simples: estamos disponíveis para apoiar a Ucrânia assim que recebermos o petróleo que eles estão bloqueando”, alertou Orbán.

O oleoduto russo Druzhba é uma das maiores redes de oleodutos do mundo e representa, atualmente, uma linha energética essencial, apesar de controversa, para a Hungria e alguns países da Europa Central, como a Eslováquia, que mantêm uma forte dependência do petróleo da Rússia. Por outro lado, a Ucrânia atribuiu à paralisação de Druzhba, desde o final de janeiro, a um ataque russo com drones que danificou as infraestruturas. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já prometeu reparar o oleoduto o mais rapidamente possível, após pressão da UE que ofereceu também ajuda técnica e financeira para isso. Segundo Zelensky, as reparações estão em andamento, com estimativas de que o fluxo de petróleo possa ser restabelecido em meados de abril a maio, desde que não haja novos ataques.

Por outro lado, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, declarou que a decisão do governo húngaro em bloquear o empréstimo da UE não é aceitável e constitui uma violação do princípio da cooperação leal entre os Estados-membros, consagrado nos Tratados, tendo em conta ainda que Budapeste o tinha aprovado em dezembro. “O governo húngaro tem de respeitar o empréstimo já acordado pelo Conselho Europeu”, afirmou.

Costa, além disso, destacou que a reparação do oleoduto de Druzhba é uma questão diferente, separada do empréstimo e que já está avançando. Mas, o presidente do Conselho Europeu também condenou as recentes declarações de Zelensky, que ameaçou dar as coordenadas da localização de Orbán a forças ucranianas se mantiver o bloqueio. “São inaceitáveis e não ajudam ninguém: nem a Ucrânia, nem a UE, nem a Hungria”, considerou.

Já Zelensky garantiu que o bloqueio do pacote de 90 bilhões de euros da UE é crítico para a Ucrânia, uma vez que o país enfrenta uma situação muito difícil no conflito contra a Rússia.

O líder ucraniano também anunciou hoje que uma delegação de Kiev vai se encontrar no próximo sábado com os enviados da Casa Branca nos Estados Unidos para retomar o processo de negociações da guerra na Ucrânia. “Já era tempo de pôr fim à pausa nas conversações entre Kiev e Moscou, promovidas por Washington” apontou.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acrescentou que Moscou espera que a pausa termine e que possa ser realizada mais uma rodada de negociações.

Estas negociações trilaterais passaram para segundo plano desde o início da ofensiva lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Secretário da Defesa dos EUA pede mais 200 bilhões para guerra

 US Defense Secretary Pete Hegseth (L) and US President Donald Trump leave after a press conference during a North Atlantic Treaty Organization (NATO) Heads of State and Government summit in The Hague on June 25, 2025./ NICOLAS TUCAT / AFP

O secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, anunciou hoje que o Pentágono vai solicitar ao Congresso dos Estados Unidos cerca de 200 bilhões de dólares adicionais para financiar a guerra contra o Irã.

O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou o valor como um pequeno preço a pagar para fornecer às Forças Armadas tudo o que precisam e grandes quantidades de munições. Mas, negou que no país falte armamento, argumentando que o governo está sendo criterioso com os seus gastos. “Estamos pedindo por vários motivos, que vão além até do que estamos a discutir sobre o Irã. Munições em particular, no que diz respeito ao armamento de alta qualidade, temos bastantes, mas estamos a preservá-las. Queremos estar na melhor forma possível, a melhor forma em que já estivemos. É um pequeno preço a pagar para garantir que nos mantemos no topo”, indicou.

Hegseth justificou que o valor, aprovado pela Casa Branca, objetiva assegurar recursos para as operações em curso e futuras no conflito, que já entrou na terceira semana. “Voltaremos ao Congresso e aos nossos representantes para garantir que temos financiamento adequado. Um investimento desta magnitude tem precisamente este propósito: repor todo o material militar usado. É preciso dinheiro para matar os bandidos“, afirmou.

O jornal The Washington Post reportou que o montante que será pedido representa um aumento substancial no orçamento anual do Departamento de Defesa, que ronda os 900 bilhões de dólares, o mais alto até então.

De acordo com estimativas do Pentágono, compartilhadas com o Congresso e citadas pelo jornal The New York Times, os EUA gastaram mais de 11,3 bilhões de dólares nos primeiros seis dias da guerra contra o Irã.

O Pentágono também declarou que o Comando Central dos EUA avança cada vez mais em território iraniano, mas Hegseth recusou dizer aos jornalistas quando ou como a guerra poderá terminar. “A decisão final caberá ao presidente. Portanto, não há prazo definido. Mas estamos no caminho certo. Os objetivos dos EUA permanecem inalterados, dentro do previsto e em conformidade com o plano“, afirmou.

No entanto, a liberação dos 200 bilhões de dólares precisa tramitar e ser aprovado no Congresso, que deve encontrar resistência por parte de alguns deputados que são contra o conflito. Uma vez, que alguns republicanos moderados, que são fundamentais para a aprovação deste orçamento, já expressaram ceticismo em relação ao pedido.

É consideravelmente maior do que eu imaginava, mas não sei como está discriminado“, disse a senadora Susan Collins, republicana do Maine e presidente da Comissão de Orçamento da Câmara.

A senadora Lisa Murkowski, republicana do Alasca, disse que a Administração Trump deve fazer um esforço mais concentrado para dialogar com o Congresso sobre a guerra antes que tal pedido pudesse ser aprovado. “Não se pode simplesmente chegar aqui com uma fatura e dizer paguem isto e esperar ter uma grande cooperação daqui para frente”, apontou.

Irã confirma a morte do seu ministro da Inteligência

Ministro da Inteligência do Irã, Esmail Khatib (ao centro)/ATTA KENARE / AFP

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, confirmou a morte do ministro da Inteligência do país, Esmail Khatib.

O assassinato covarde dos meus queridos colegas Esmail Khatib, Ali Larijani e Aziz Nasirzadeh, juntamente com alguns dos seus familiares e pessoal, nos deixou de coração partido”, escreveu Pezeshkian na rede social X, mencionando ainda o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã e o ministro da Defesa, que foram mortos em ataques israelenses anteriores.

O novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, também fez um comunicado, no qual diz que irá retaliar os assassinatos. “Aqueles que são hostis ao Islã devem saber que o derramamento deste sangue só o fortalecerá o sistema islâmico, e, naturalmente, todo o sangue tem o seu preço, que os assassinos criminosos destes mártires terão em breve de pagar”, prometeu na declaração.

O governo de Teerã, além disso, anunciou hoje que Israel e os Estados Unidos atacaram uma importante instalação de gás iraniana no Golfo Pérsico, a maior do mundo, provocando um incêndio. “Há instantes, algumas partes das instalações de gás da refinaria estratégica South Pars, situada na cidade portuária de Bandar Kangan, foram atingidas por projéteis do inimigo americano-sionista”, declarou a televisão estatal iraniana.

O imenso campo de gás de South Pars/North Dome é a maior reserva de gás conhecida no mundo, que o Irã compartilha com o Catar, uma instalação que fornece cerca de 70% do gás natural consumido no Irã.

Por outro lado, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que a intensidade dos ataques vão aumentar. “Neste dia, são esperadas surpresas significativas em todas as frentes, que intensificarão a guerra que estamos travando contra o Irã e o Hezbollah no Líbano”, indicou.

Katz acrescentou que ele e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu autorizaram as Forças de Defesa de Israel a eliminar qualquer figura sênior iraniana sem necessidade de aprovação adicional.

Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que quer acabar com o que resta do Estado terrorista iraniano.

Irã promete resposta “decisiva” após morte de Ali Larijani e lança mísseis contra Israel

O chefe de segurança do Irã, Ali Larijani/ANWAR AMRO/AFP

O Irã prometeu nesta quarta-feira (18) uma resposta “decisiva” para vingar a morte de seu chefe de Segurança, Ali Larijani, e lançou uma série de mísseis contra Israel, país que acusou de matar o funcionário de alto escalão em um bombardeio aéreo.

Os mísseis iranianos mataram duas pessoas perto da cidade israelense de Tel Aviv, enquanto países do Golfo interceptaram foguetes e drones lançados contra alvos que incluem bases americanas na região.

O Irã organizará nesta quarta-feira os funerais de Larijani e de Gholamreza Soleimani, comandante da milícia Basij, que também morreu em um ataque israelense, segundo as agências de notícias Fars e Tasnim.

Larijani é a figura de maior destaque da República Islâmica eliminada desde que Israel e Estados Unidos atacaram o Irã em 28 de fevereiro, quando mataram o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, desencadeando a guerra no Oriente Médio.

“A resposta iraniana ao assassinato do secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional será decisiva”, afirmou em um comunicado o comandante do Exército iraniano, Amir Hatami, que prometeu vingança.

Desde o início da guerra, o Irã ataca interesses americanos, instalações do setor de energia e infraestruturas civis dos países vizinhos do Golfo e mantém um bloqueio sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo e gás do planeta.

Com a cotação do barril do petróleo ao redor de 100 dólares, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, advertiu nesta quarta-feira que a “onda de consequências (da guerra) está apenas começando e afetará a todos“.

Para reabrir a passagem pelo Estreito de Ormuz, as forças americanas lançaram algumas de suas bombas mais pesadas contra instalações de mísseis no Irã.

Os Estados Unidos lançaram várias bombas de 2.250 quilos, avaliadas em 288.000 dólares cada, contra as instalações militares iranianas que impedem a passagem de petroleiros pelo estreito, anunciou o Comando Central americano.

O presidente americano, Donald Trump, criticou na terça-feira os aliados de seu país, que estabeleceram distância da guerra e descartam a possibilidade de ajudar a escoltar petroleiros pelo estreito.

Mas também afirmou em sua plataforma Truth Social que o Exército americano não depende dos aliados. “NÃO PRECISAMOS DA AJUDA DE NINGUÉM“, escreveu Trump.

À procura de Khamenei

A Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, anunciou em um comunicado que lançou mísseis nesta quarta-feira contra o centro de Israel “em vingança pelo sangue do mártir Ali Larijani e de seus companheiros”.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, criticou duramente Israel pelos “assassinatos políticos” de autoridades iranianas, que chamou de “atividades ilegais, fora das leis normais da guerra”.

O Exército israelense afirmou que está determinado a “localizar, encontrar e neutralizar” o novo guia supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, que não aparece em público desde sua designação há mais de uma semana.

Não sabemos nada sobre Mojtaba Khamenei, não o escutamos, não o vemos, mas podemos dizer algo: vamos rastreá-lo, encontrá-lo e neutralizá-lo“, declarou o porta-voz militar israelense Effie Defrin.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, insistiu em acabar com a República Islâmica, embora Trump não tenha se comprometido com esse objetivo.

Mortes perto de Tel Aviv

Em Israel, duas pessoas morreram após uma onda de mísseis lançados pelo Irã. Os ataques provocaram muitos danos perto de Tel Aviv.

Nos Estados Unidos, Trump recebeu a notícia da renúncia do diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo (NCTC), Joseph Kent, que alegou não poder, “em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã”.

Trump declarou que a demissão é “algo bom”, ao chamar Kent de alguém “muito fraco na área de segurança”.

No Oriente Médio, o Líbano virou outra frente de batalha desde que o movimento pró-iraniano Hezbollah atacou Israel em 2 de março para vingar a morte do líder supremo Ali Khamenei.

Desde então, 912 pessoas morreram no país, que registra mais de um milhão de deslocados.

Em Sidon, no sul do Líbano, muitos deslocados dormem em seus carros diante da falta de abrigos.

Todos os dias chegam muitas pessoas em busca de refúgio, mas não temos mais espaço“, disse Jihan Kaisi, diretora de uma ONG que administra uma escola transformada em abrigo, onde mais de 1.100 pessoas vivem em condições difíceis.

Israel anuncia que ministro da Inteligência do Irã foi morto

Ministro da Inteligência do Irã, Esmail Khatib/ATTA KENARE/AFP

O ministro da Defesa de Israel afirmou nesta quarta-feira (18) que o exército israelense matou o ministro da Inteligência do Irã, Esmail Khatib.

Israel Katz anunciou a morte de Khatib e disse que “surpresas significativas são esperadas ao longo deste dia em todas as frentes“, sem dar mais detalhes.

A morte de Khatib ocorre um dia após Israel ter matado o alto funcionário de segurança iraniano Ali Larijani e o chefe da força paramilitar Basij, composta por voluntários da Guarda Revolucionária.

O Departamento do Tesouro dos EUA havia sancionado Khatib em 2022, devido ao Ministério da Inteligência “envolver-se em atividades cibernéticas contra os Estados Unidos e seus aliados”.

Khatib “dirige várias redes de agentes de ameaças cibernéticas envolvidos em espionagem cibernética e ataques de ransomware em apoio aos objetivos políticos do Irã“, disse o Tesouro na época.

O Tesouro também chamou o Ministério da Inteligência do Irã, em outra rodada de sanções, de “um dos principais serviços de segurança do governo iraniano, responsável por graves abusos dos direitos humanos”.

Sob sua liderança, o (Ministério da Inteligência) reprimiu um grande número de defensores dos direitos humanos, ativistas dos direitos das mulheres, jornalistas, cineastas e membros de grupos religiosos minoritários“, afirmou.

O Ministério da Inteligência “também perseguiu agressivamente indivíduos que relatam abusos e violações dos direitos humanos no Irã, bem como suas famílias, e submeteu detidos à tortura em centros de detenção secretos durante seu mandato“, segundo o Tesouro americano. Fonte: Associated Press.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Colômbia denuncia suposto bombardeio do Equador em plena crise diplomática

Gustavo Petro, presidente da Colômbia, e Daniel Noboa, presidente do Equador/RAUL ARBOLEDA / AFP

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, denunciou, nesta terça-feira (17), que uma “bomba” não detonada foi encontrada em território colombiano, muito perto da fronteira com o Equador. Moradores da região afirmaram à AFP que estão “apavorados”.

A “bomba (…) caiu a cem metros da casa de uma família camponesa empobrecida“, disse Petro no X, incluindo em sua publicação imagens do explosivo em meio a plantações de folhas de coca.

Camponeses da região confirmaram à AFP esta versão, em meio a uma guerra comercial e tarifária entre os dois países, que escala dia a dia.

Noboa, por sua vez, diz que essas acusações são “falsas” e acusa a Colômbia de não fazer o suficiente no combate aos grupos armados na fronteira, que depois cruzam para o Equador, onde a violência do narcotráfico atinge níveis históricos.

“Estávamos todos apavorados, quer dizer, assustados, e preocupados que, de repente, esses aparelhos fossem explodir e pudessem tirar nossas vidas”, disse o camponês Julián Imbacuán em conversa por telefone com a AFP.

O morador do pequeno povoado de El Amarradero, no município de Ipiales, disse que a bomba caiu “pertinho da casa, a cerca de 50 a 60 metros” e que mais tarde encontrou o artefato sem explodir.

Imagens compartilhadas com a AFP mostram camponeses ao redor da bomba de aviação de 250 quilos e, bem perto, a cratera que ela deixou após a queda.

Especialistas consultados consideram que se trata de uma “bomba de queda livre” tipo MK, geralmente fabricada no Brasil e nos Estados Unidos. Estas bombas não são teleguiadas e caem por efeito da gravidade.

O ministro da Defesa da Colômbia, Pedro Sánchez, pediu que os moradores se mantenham afastados da área.

“Não é plausível”

O suposto ataque ocorre no momento em que o Equador lança uma dura ofensiva de duas semanas com estritos toques de recolher para tentar subjugar os cartéis com o apoio dos Estados Unidos.

O Equador está “bombardeando os locais que serviam de esconderijo” para grupos criminosos “em grande parte colombianos, que o próprio governo deles permitiu que se infiltrassem em nosso país por descuido com sua fronteira”, afirmou Noboa no X, em alusão ao presidente colombiano.

Aliado fiel de Washington na região, o governo equatoriano atacou na semana passada um campo de treinamento de uma dissidência das Farc na província equatoriana fronteiriça de Sucumbíos (nordeste).

“Presidente Petro, suas declarações são falsas; estamos atuando em nosso território, não no seu”, escreveu Noboa sobre a denúncia de Petro.

O Equador faz parte do “Escudo das Américas”, uma aliança de 17 países do continente criada pelo presidente americano, Donald Trump, para enfrentar ameaças à segurança.

Equador e Colômbia compartilham uma fronteira de cerca de 600 quilômetros por onde circulam guerrilhas colombianas e organizações criminosas de ambos os países dedicadas ao tráfico de drogas, armas e pessoas, além do garimpo ilegal.

“Há 27 corpos carbonizados e a explicação não é plausível”, respondeu Petro, sem especificar se se tratam de pessoas que morreram recentemente.

A AFP entrou em contato com o Exército, que não pôde responder sobre a origem dos corpos mencionados pelo presidente.

Em 2008, Equador e Colômbia estiveram à beira de um conflito após um bombardeio do então presidente colombiano Álvaro Uribe em território equatoriano, no qual morreu um dos comandantes da extinta guerrilha das Farc.

Que “não volte a acontecer”

Segundo Imbacuán, tudo ocorreu em 3 de março e “de uma hora pra outra”.

“Chegaram (…) uns três aviões, mais ou menos, do lado do Equador, e soltaram esses artefatos, e alguns conseguiram sim explodir, mas do lado do Equador”, contou.

Em campos políticos opostos, Petro e Noboa elevam o tom em meio à disputa tarifária que começou em fevereiro por iniciativa do Equador e afeta as importações, a cooperação energética e o transporte de petróleo entre os dois países.

Mais cedo, a chanceler equatoriana, Gabriela Sommerfeld, disse que Equador e Colômbia participarão em breve de “uma mesa de diálogo por meio da Comunidade Andina” de Nações, visando “retomar as conversas”.

“Estamos pedindo à Colômbia que aumente suas capacidades de controle de fronteira (…) para poder reduzir o nível de violência e insegurança”, insistiu Sommerfeld em entrevista ao canal Teleamazonas. Essa é a condição do Equador para pôr fim à guerra tarifária.

Por sua vez, o camponês só pede que “essas coisas não voltem a acontecer”.

“Como é que vão vir aqui atentar contra a vida de civis que estão trabalhando tranquilamente?”, pergunta.