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Mídia revela que países do Golfo estudam entrar na guerra contra o Irã

Bandeira iraniana em meio aos escombros de prédio residencial destruído em Teerã/Atta Kenare/AFP

Segundo publicação da agência norte-americana Bloomberg, os países do Golfo Pérsico estão avaliando entrar na guerra contra o Irã, caso o regime de Teerã cumpra as ameaças de atingir suas estruturas críticas como usinas de produção de energia ou instalações de dessalinização, dos quais a população desses países depende para obter água potável.

Fontes disseram à mídia que alguns dos governos da região do Oriente Médio estão saturados com os contínuos ataques com drones e mísseis às suas infraestruturas energéticas, sobretudo a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que são aliados dos Estados Unidos.

De acordo com uma reportagem do jornal The New York Times, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, ainda desafiou o presidente dos Estados Unidos Donald Trump a destruir completamente o governo do Irã durante uma conversa que tiveram sobre o conflito. O NYT diz que fontes afirmaram que Salman considera o Irã uma ameaça constante no Golfo e que somente poderá findar com a queda do atual regime.

As autoridades da Arábia Saudita negaram que tenham sido feitas tais pressões.

Além disso, Mark Rutte, secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), avançou que um grupo de 22 países formado por membros da aliança atlântica e países aliados do Oriente Médio, Oceania e Ásia preparam uma iniciativa para reabrir o Estreito de Ormuz. Rutte diz que a medida visa poder garantir uma navegação segura e livre de navios nesta importante rota marítima, por onde escoa 20% do petróleo mundial assim como fertilizantes entre outros produtos essenciais aos mercados globais, e que se encontra bloqueado pelo Irã desde o começo da guerra.

Já as agências de notícias internacionais também afirmaram que o Pentágono enviará uma nova leva de milhares de soldados para o Oriente Médio, enquanto o Wall Street Journal acrescentou e detalhou que se trata de um contingente de três mil militares de uma unidade de elite do Exército dos EUA.

JD Vance é apontado como negociador de acordo com Irã

 JD Vance/AFP

Fontes diplomáticas disseram às agências de noticias internacionais que as conversações sobre um acordo de paz entre Estados Unidos, Israel e Irã podem começar na próxima semana no Paquistão, que tem tentado se posicionar como mediador. Caso as negociações avancem, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, está sendo apontado como provável negociador-chefe pelo lado norte-americano.

No entanto, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, se recusou hoje a fornecer detalhes sobre uma eventual reunião dos EUA com o Irã ou os seus intermediários já esta semana. “Estas são discussões diplomáticas sensíveis, e os EUA não vão negociar através da imprensa. Esta é uma situação em evolução. A especulação sobre reuniões não deve ser considerada definitiva até ser formalmente anunciada pela Casa Branca”, acrescentou.

Na segunda-feira (23), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores paquistanês, Hussain Andrab, declarou que se ambos os lados concordarem, o Paquistão está sempre pronto para acolher negociações.

Por outro lado, Teerã voltou a negar outra vez que um canal diplomático para conversar com Washington foi aberto. O regime iraniano também acusou EUA de terem atingido infraestruturas energéticas no país na véspera, e que Donald Trump não respeita a pausa de cinco dias que ele mesmo prometeu ontem.

Enquanto isso, o site Politico publicou que a administração Trump estuda a possibilidade do presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, como um potencial parceiro, e até um futuro líder do país. Ghalibaf é avaliado por autoridades norte-americanas como uma opção forte, um parceiro viável que poderia liderar o Irã e negociar com Washington na próxima fase da guerra. Fontes relaram a mídia que Mas, segundo revelaram fontes a mídia, nenhuma decisão foi tomada.

Altos funcionários iranianos e norte-americanos emitiram declarações contraditórias sobre as conversações entre os dois países nos últimos dias.

Zelensky acusa Rússia de fornecer informações ao Irã sobre a guerra no Oriente Médio

Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky/foto: Handout / UKRAINIAN PRESIDENTIAL PRESS SERVICE / AFP

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que os serviços de informação militar do seu país têm provas irrefutáveis de que a Rússia continua a fornecer informações ao governo iraniano. Zelensky alertou que essa atividade poderá prolongar a guerra no Oriente Médio, uma vez que Moscou fornece elementos estratégicos sobre alvos ao Irã.

O líder ucraniano avisou que a comunidade internacional não pode ficar em silêncio e é preciso uma resposta firme.

A Rússia está utilizando as suas próprias capacidades de inteligência de sinais e inteligência eletrônica, assim como parte dos dados obtidos através da cooperação com parceiros no Oriente Médio. Esta é claramente uma atividade destrutiva e deve ser travada, pois só conduz a uma maior desestabilização. Todos os países responsáveis têm interesse em garantir a segurança e prevenir problemas maiores“, disse.

Os mercados já estão reagindo negativamente e isto complicar significativamente a situação dos combustíveis em muitos países. Ao ajudar o regime iraniano a sobreviver e a atacar com maior precisão, a Rússia está efetivamente prolongando a guerra“, acrescentou Zelensky.

Na semana passada, Moscou classificou como notícias falsas uma reportagem do jornal Wall Street Journal, na qual apontava que o Kremlin compartilhava imagens de satélite e tecnologia avançada de drones com Teerã.

Ataques russos em ampla escala

Enquanto isso, o governo de Kiev declarou que pelo menos quatro pessoas morreram e outras 16 ficaram feridas em ataques russos durante a madrugada contra onze regiões do país. A Força Aérea ucraniana comunicou que suas defesas abateram 365 drones e 25 mísseis nesta ampla ofensiva da Rússia.

Desde a noite de segunda-feira, Moscou já lançou mais de 1000 drones contra o território ucraniano e que hoje os ataques ainda prosseguem.

Estes números mostram claramente que é necessária mais proteção para salvar vidas dos ataques russos. É importante continuar a apoiar a Ucrânia. É importante que todos os acordos sobre defesa aérea sejam implementados antecipadamente. E é importante ainda que a Europa seja capaz de produzir o número necessário de mísseis de defesa aérea para se proteger contra quaisquer ameaças”, avisou Zelensky.

No 25º dia da guerra, Irã ataca Israel e países árabes, enquanto israelenses miram Beirute

Tel Aviv após ataque iraniano/ODD ANDERSEN/AFP

O Irã lançou mísseis e drones contra Israel e países árabes do Golfo Pérsico nesta terça-feira, 24, o 25º dia da guerra no Oriente Médio, apesar das declarações da véspera do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que há uma negociação em andamento pelo encerramento do conflito.

O regime iraniano negou qualquer conversa com autoridades americanas e disse que Trump manipulou os mercados com notícias falsas.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também ignorou as declarações do aliado e garantiu que os ataques contra o Irã e o Líbano serão mantidos. “Há mais por vir”, afirmou.

Na madrugada desta terça, o Irã disparou três ondas de mísseis contra Israel. Houve relatos de impactos no norte do país, segundo autoridades israelenses.

Simultaneamente, Israel bombardeou subúrbios de Beirute em busca de alvos do grupo Hezbollah, ligado ao Irã.

Um ataque a um apartamento residencial na capital do Líbano matou pelo menos duas pessoas, segundo o Ministério da Saúde do país.

No Kuwait, linhas de energia foram atingidas por estilhaços de defesa aérea, o que provocou apagões. Sirenes de alerta de mísseis soaram no Bahrein. Já a Arábia Saudita relatou ter destruído 19 drones iranianos. Fonte: Associated Press.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Trump diz que acordo com Irã deve ter 15 pontos; fim do programa nuclear é o mais importante

O presidente dos EUA, Donald Trump. (Foto de SAUL LOEB / AFP)/ AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 23, que Washington e Teerã discutem um plano com cerca de 15 pontos para encerrar a guerra no Oriente Médio, sendo os três primeiros sobre o fim do programa nuclear do Irã.

Tivemos conversas muito produtivas. Vamos ver onde elas nos levam. Temos pontos de concordância importantes – eu diria que quase todos os pontos de concordância“, disse Trump a jornalistas antes de embarcar no Aeroporto Internacional de Palm Beach, na Flórida.

Questionado sobre o número de pontos do acordo, o presidente respondeu que seriam “cerca de 15”, destacando que o Irã não vai ter uma arma nuclear. “Esse é o número um, dois e três.”

As conversas transcorreram, eu diria, perfeitamente. Se eles levarem isso adiante, esse problema, esse conflito, terminará – e acho que terminará de forma muito, muito substancial”, afirmou o republicano.

Trump também disse que representantes dos EUA devem conversar com líderes iranianos ainda nesta segunda-feira por telefone, já que seria difícil organizar um encontro presencial. “Eles querem muito chegar a um acordo, nós também gostaríamos de chegar a um acordo“, acrescentou.

Ele afirmou ainda que seu genro, Jared Kushner, e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, conversaram com um líder iraniano no domingo, 22, mas negou que a pessoa fosse o filho do falecido líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei. “Não tivemos notícias do filho. Todos disseram que houve uma declaração, mas não vimos nada. Não sabemos se ele está vivo”, afirmou.

Horas antes de falar com jornalistas, Trump havia anunciado nas redes sociais que houve avanço nas negociações com o Irã e que determinou a suspensão dos ataques à infraestrutura civil do país por cinco dias.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã, no entanto, sugeriu que o país não dialoga com os EUA sobre o fim da guerra e afirmou que a declaração de Trump faz parte de um esforço para reduzir os preços da energia e ganhar tempo para implementar seus planos militares.

Sim, houve iniciativas de países da região para reduzir as tensões, e nossa resposta a todas elas é clara: não somos nós que iniciamos esta guerra, e todos esses pedidos devem ser direcionados a Washington“, disse a pasta.

Questionado sobre as afirmações, Trump respondeu que “eles vão precisar contratar melhores profissionais de relações públicas”. “Talvez isso não tenha ficado claro. A comunicação, como você sabe, foi completamente destruída. Eles não conseguem se comunicar“, acrescentou.

Irã negou iniciativas diretas com os Estados Unidos sobre a guerra

Presidente dos EUA, Donald Trump; Líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei; e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu/AFP

O governo iraniano negou qualquer diálogo com os Estados Unidos e afirmou que as alegações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após anunciar que está em conversações com Teerã sobre um acordo para o fim da guerra e que fará uma trégua de cinco dias, são uma tentativa de reduzir os preços da energia, um recuo por causa das ameaças feitas pelo Irã e ainda para ganhar tempo para os seus planos militares.

A agência estatal de noticias iraniana também desmentiu a existência de quaisquer negociações com Washington, referindo que a decisão norte-americana de recuar nos ataques à infraestruturas energéticas iranianas foi motivada apenas pela pressão dos mercados financeiros e medo das respostas de Teerã.

Mas, segundo publicou a agência de notícias Mehr, o Ministério das Relações Exteriores do Irã reconheceu que há iniciativas indiretas por meio de países da região para desescalar as tensões do conflito. “A nossa resposta a todas elas é clara: não somos nós que iniciamos esta guerra, e todos estes pedidos devem ser encaminhados para Washington”, declarou a chancelaria.

Já o portal Axios revelou que a Turquia, Egito e Paquistão têm intermediado mensagens entre a Casa Branca e o regime iraniano nos últimos dois dias. A mídia relatou que enviados dos três países mantiveram conversações com o enviado-especial dos EUA, Steve Wiktoff, e com o ministro das Relações Exteriores dos Negócios Estrangeiros do Irã, Abbas Araghchi.

A mediação está em andamento e faz progressos. A discussão é sobre acabar a guerra e resolver todos os assuntos. Esperamos respostas em breve”, disse uma fonte, sob anonimato, ao portal.

Enquanto isso, logo depois da declaração de Trump sobre a pausa, Israel realizou um grande ataque a Teerã. De acordo com o comunicado das Forças de Defesa de Israel (FDI), foram atacados alvos estruturais do país.

Por sua vez, Trump afirmou que existem pontos importantes de acordo com o Irã após negociações que se prolongaram até domingo à noite com dois importantes enviados dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, porém não citou com quem os norte-americanos estavam falando no Irã, especificando somente que se tratava de um líder respeitado e que não é o Líder Supremo Mojtaba Khamenei.

Veremos onde isto nos leva. As negociações correram, diria eu, na perfeição. Diria que, se levarem isto avante, acabará com este problema, com este conflito, e penso que o resolverão de forma muito, muito substancial. Eles querem muito fechar um acordo. Nós também gostaríamos de fechar um acordo. Haverá novas chamadas telefônicas hoje, seguidas de um encontro presencial muito, muito em breve. Vamos fazer um período de cinco dias, vamos ver como corre. Se correr bem, vamos acabar por resolver isto. Caso contrário, vamos continuar a bombardear sem parar”, disse Trump.

Além disso, Trump detalhou que não quer nenhuma bomba nuclear, nenhuma arma nuclear e também que os EUA tomem posse do urânio altamente enriquecido do Irã. “A poeira nuclear. Vamos querer isso. E acho que vamos conseguir. Já concordamos com isso”, adinatou.

Trump reafirmou que havia uma ameaça iminente da parte do Irã, que, entretanto, eles concordarem agora em não ter uma arma nuclear. Ainda acrescentou que não considera a liderança de Mojtaba Khamenei, até porque tem outras ideias. “Talvez uma liderança conjunta. Será uma forma séria de mudança de regime. Mas estamos lidando com pessoas que considero muito razoáveis, muito sólidas. As pessoas que estão lá dentro sabem quem são, são muito respeitadas, e talvez uma delas seja exatamente o que procuramos”, assinalou, sugerindo que pode encontrar um líder como fez na Venezuela.

O líder norte-americano declarou ainda que o Estreito de Ormuz será aberto muito em breve, se as negociações com Teerã continuarem num ritmo acelerado, e que pretende que rota marítima fique sob o controle conjunto dos EUA e do Irã.

Irã ameaça minar Golfo Pérsico caso ilhas do país sejam atacadas

Navios-tanque navegam no Golfo Pérsico, perto do Estreito de Ormuz

O Conselho de Defesa do Irã ameaçou implantar minas marítimas em todo o Golfo Pérsico caso territórios costeiros ou ilhas do país sejam atacados, informou a mídia estatal iraniana nesta segunda-feira (23).

“A única maneira de países que não estão em guerra atravessarem o Estreito de Ormuz é por meio da coordenação com o Irã”, afirmou o comunicado do órgão de segurança de alto nível, segundo a agência de notícias semi-oficial Fars News.

Qualquer tentativa inimiga de atacar costas ou ilhas iranianas” resultará no “minamento de todas as rotas de acesso e linhas de comunicação no Golfo Pérsico e nas costas com diversas minas navais”, declarou o Conselho de Defesa.

Todo o Golfo Pérsico será efetivamente bloqueado, e a responsabilidade por isso recairá sobre quem fizer a ameaça“, acrescentou.

O alerta surge após as Forças Armadas do Irã declararem que fechariam o Estreito de Ormuz e atacariam a infraestrutura regional caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumpra a ameaça de bombardear suas usinas nucleares se a passagem não for reaberta até a noite desta segunda-feira (23).

Trump vê diálogo positivo com Irã e determina suspensão de ataques a instalações de energia

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump/JIM WATSON / AFP

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Washington e Teerã tiveram, nos últimos dois dias, conversas “muito boas e produtivas” a respeito de uma resolução completa e total das hostilidades entre as partes no Oriente Médio. A declaração foi dada nesta segunda-feira (23) em publicação na Truth Social. De acordo com o mandatário americano, o diálogo continuará ao longo da semana.

Com base no teor e no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, instruí o Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias“, escreveu na postagem.

Trump mencionou, no entanto, que a suspensão das ofensivas está sujeita ao sucesso das reuniões e discussões em andamento.

Irã diz que tornará instituições financeiras próximo alvo da guerra contra os EUA

Mais cedo, contudo, o Irã disse que o Estreito de Ormuz estava completamente fechado para embarcações de países

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou neste domingo (22), que instituições financeiras que financiem o orçamento militar dos Estados Unidos se tornarão o próximo alvo legítimo do país persa, em publicação no X.

Os títulos dos Treasuries americanos estão banhados com o sangue iraniano. Ao comprá-los, você está, na prática, comprando um ataque contra seus próprios ativos e infraestrutura“, escreveu ele. “Estamos monitorando seus portfólios, esse é o seu aviso final.”

Em outra publicação, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, rebateu relatos de que o Estreito de Ormuz tenha sido fechado por Teerã. “O Estreito não está fechado. Os navios estão hesitando porque seguradoras temem a guerra cuja escolha de iniciar foi de vocês, e não do Irã”, escreveu no X. Apesar de não citar nominalmente, a postagem se refere aos EUA e a Israel, que deram início à guerra no dia 28 de fevereiro.

O diplomata acrescentou que “nenhuma seguradora ou iraniano será abalado por novas ameaças”, sem dar mais detalhes, e pediu respeito dos americanos e israelenses. “A liberdade de navegação não existe sem liberdade de comércio. Respeite ambos, ou não espere nenhum deles”, disse.

Mais cedo, contudo, o Irã disse que o Estreito de Ormuz estava completamente fechado para embarcações de países “inimigos”.

O regime persa também ameaçou provocar “danos irreversíveis” a alvos de energia, tecnologia e dessalinização de países do Oriente Médio que abriguem bases americanas em retaliação aos EUA, caso o presidente Donald Trump prossiga com a ameaça de atacar instalações de energia do Irã.

Israel ‘intensificará’ operações terrestres no Líbano após atacar ponte-chave

Israel promete intensificar operações terrestres no Líbano/ Foto: KAWNAT HAJU / AFP

O Exército israelense anunciou que “intensificará” sua campanha terrestre contra o movimento pró-iraniano Hezbollah no Líbano e advertiu que se trata de uma operação de longo prazo.

Um correspondente da AFP viu fumaça saindo de uma ponte que foi atingida na região de Tiro.

A operação contra a organização terrorista Hezbollah mal começou (…). Trata-se de uma operação de longo prazo“, afirmou o chefe do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir.

Agora nos preparamos para intensificar as operações terrestres seletivas e os ataques, de acordo com um plano estruturado. Não vamos parar até que a ameaça tenha sido afastada da fronteira e a segurança de longo prazo dos habitantes do norte de Israel seja garantida”, acrescentou.

Mais tarde, o general de brigada Effie Defrin afirmou que estão previstas “mais semanas de combates contra o Irã e o Hezbollah”.

O ministro da Defesa, Israel Katz, havia anunciado que foi dada a ordem de “destruir imediatamente todas as pontes sobre o rio Litani” para “impedir a passagem (…) do Hezbollah e de armas para o sul”.

Segundo a agência nacional libanesa ANI, quatro ataques deixaram a ponte inutilizável.

O presidente libanês, Joseph Aoun, denunciou o bombardeio da ponte porque “constitui uma escalada perigosa e uma violação flagrante da soberania do Líbano“. Para ele, trata-se de “um prelúdio de uma invasão terrestre” e de um “castigo coletivo contra a população civil”.

O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio quando o Hezbollah começou a disparar foguetes contra Israel em 2 de março, para vingar a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei em um ataque israelense-americano no primeiro dia do conflito.

Desde então, Israel realiza represálias com uma campanha de bombardeios sobre o Líbano e avanços terrestres em uma zona ao longo da fronteira, que já causaram milhares de mortos e mais de um milhão de deslocados.

O Hezbollah, por sua vez, lançou salvas de foguetes.

Segundo o ministro da Defesa israelense, o exército também vai “acelerar a destruição das casas libanesas nos vilarejos de contato” na fronteira, “para neutralizar as ameaças que pesam sobre as comunidades israelenses“.

De acordo com a agência ANI, as forças israelenses destruíram “um certo número de casas” no vilarejo de Taybeh.

Horas antes, os serviços de emergência israelenses informaram a morte de uma pessoa perto da fronteira.

O Hezbollah reivindicou um ataque contra soldados, mas o exército israelense abriu uma investigação para determinar se, na verdade, se tratou de fogo amigo.

É a primeira vítima civil na fronteira norte do país desde o início da guerra no começo de março.

Netanyahu diz que Israel seguirá atacando após mais de 100 feridos em ataques: ‘Noite muito difícil’

Socorristas do Magen David Adom, agência ligada a Cruz Vermelha, que ajudam no resgate. — Foto: Redes/X @Mdais

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país continuará a “atacar em todas as frentes” após o que descreveu como uma “noite muito difícil”. Mísseis balísticos iranianos atingiram as cidades de Arad e Dimona, no sul de Israel, neste sábado (21), deixando dezenas de feridos e provocando o fechamento de escolas em todo o país. O número oficial ainda está sendo calculado, mas a agência de notícias AFP estima mais de 100 feridos (esta publicação poderá ser atualizada).

Em seu perfil no X, Netanyahu emitiu um comunicado classificando os eventos como uma “noite muito difícil na batalha pelo nosso futuro”. O premiê informou ter conversado com os prefeitos de Arad e de Dimona para coordenar a resposta à crise.

Continuaremos a atacar nossos inimigos em todas as frentes com determinação”, declarou o primeiro-ministro.

Ele também diz que instruiu o Diretor-Geral de seu escritório a fornecer toda a assistência necessária, mobilizando todos os ministérios do governo para apoiar as regiões afetadas.

Vítimas e resgate

O serviço de emergência associado à Cruz Vermelha, Magen David Adom (MDA) atualizou o balanço de vítimas na área de Arad para 71 feridos. Segundo o porta-voz do MDA (esta publicação poderá ser atualizada):

  • 10 pessoas em estado grave;
  • 13 em estado moderado;
  • 48 com ferimentos leves.

Em Dimona, o impacto de um míssil iraniano deixou mais de 30 feridos. Equipes de resgate permanecem nos locais atingidos realizando buscas por outras possíveis vítimas.

O porta-voz das Forças de Defesa de Israel, Effie Defrin, disse que os mísseis balísticos iranianos que atingiram as cidades de Dimona e Arad, não representam uma nova ameaça e que investigará o evento.

Os sistemas de defesa aérea funcionaram, mas não interceptaram o míssil. Investigaremos o incidente e aprenderemos com ele. Este não é um tipo de munição especial ou desconhecido”, disse ele em uma publicação no X.

Impacto na educação e segurança

Como reflexo direto da ofensiva, o Ministério da Educação anunciou o cancelamento de todas as aulas presenciais em Israel no domingo e na segunda-feira. O ministro Yoav Kisch determinou que o sistema de ensino migre para o aprendizado remoto.

À luz dos ataques em Dimona e Arad, decidi que no domingo e na segunda-feira todas as exceções serão canceladas e nenhum aprendizado presencial será aprovado no sistema educacional, incluindo o cancelamento de exceções para a educação especial”, afirmou Kisch em comunicado.

Netanyahu reforçou o apoio às forças de emergência e pediu que a população siga rigorosamente as instruções do Comando da Frente Interna (Home Front Command).

Trump ameaça Irã e ordena que Estreito de Ormuz seja liberado em 48 horas

Neste sábado (21), o presidente dos Estados Unidos Donald Trump deu um prazo de 48 horas para o Irã abrir completamente o Estreito de Ormuz “sem ameaças” e diz que, caso não ocorra, os americanos vão atacar e destruir as bases energéticas do país.

Em postagem na rede social Truth Social, Trump diz que iniciará os ataques pela maior destas unidades.

Segundo o republicano, o Irã teria até a noite da próxima segunda-feira (23) para liberar a rota marítima no golfo Pérsico.

Estados Unidos e Israel já realizaram um ataque a unidade de energia do país persa neste sábado, que atingiu a instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, segundo a agência de notícias iraniana Tasnim.

Os iranianos também atingiram um prédio na cidade de Dimona, em Israel, que abriga o programa nuclear do país.

A fala de Trump acompanha o tom do ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, que disse que os ataques americanos e israelenses “serão intensificados significativamente” nos próximos dias.

O comércio global acompanha de perto atualizações sobre a rota comercial fechada, com uma declaração conjunta de 22 países expressando disposição em contribuir para os esforços de segurança para navegação no Estreito de Ormuz.

Mais cedo na Truth Social, o presidente dos Estados Unidos disse que os americanos “varreram o Irã do mapa” e que cumpriu seu objetivo semanas antes do previsto.

A liderança deles se foi, a Marinha e Força Aérea deles está morta, eles não tem absolutamente nenhuma defesa e querem fazer um acordo“, publicou Trump.

Musk se oferece para pagar salário de agentes em aeroportos dos EUA durante paralisação orçamentária

Elon Musk é o maior acionista do X/Créditos: AFP

O bilionário Elon Musk se ofereceu, neste sábado (21), para pagar os salários dos agentes de segurança dos aeroportos dos Estados Unidos, que trabalham sem remuneração devido a um bloqueio orçamentário parcial.

A suspensão dos fundos provocou filas mais longas do que o habitual nos controles de segurança dos aeroportos, onde os funcionários da Administração de Segurança no Transporte (TSA, na sigla em inglês) trabalham sem receber salário desde meados de fevereiro.

Gostaria de me oferecer para pagar os salários do pessoal da TSA durante este impasse orçamentário que está afetando negativamente a vida de tantos americanos em aeroportos de todo o país”, escreveu Musk em sua rede social X.

Desde 14 de fevereiro, os recursos para o Departamento de Segurança Interna (DHS) estão congelados devido à disputa entre democratas e republicanos no Congresso sobre as práticas do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE). O DHS é responsável pelos postos de segurança nos aeroportos.

Com essa situação, as faltas entre os agentes aumentaram. Agora é comum que o tempo de espera nesses postos seja de várias horas. Devido ao bloqueio parcial, milhares de funcionários federais do DHS estão em desemprego técnico, enquanto muitos outros, cujas funções são consideradas essenciais, continuam trabalhando. Em ambos os casos, não estão sendo pagos.

Os cerca de 65 mil funcionários da TSA, considerados pessoal essencial, não recebem seu salário integral desde 13 de março. Segundo várias estimativas, o salário anual desses agentes varia de 50 a 60 mil dólares (265 a 319 mil reais), o que representa um orçamento de cerca de 2,5 a 3,5 bilhões de dólares (13,3 a 18,6 bilhões de reais) por ano.

A fortuna de Musk é de cerca de 839 bilhões de dólares (4,46 trilhões de reais), de acordo com o ranking mais recente da revista Forbes, publicado em 10 de março.

Trump ameaça recorrer a agentes do ICE para controle de segurança nos aeroportos

Trump diz que novo líder supremo do Irã não vai durar se não tiver seu apoio. / Foto: Anna Moneymaker / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou neste sábado (21) utilizar agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) nos aeroportos diante da falta de pagamento aos agentes de segurança por um bloqueio orçamentário parcial.

Trump escreveu em sua rede Truth Social que, se os democratas não concordarem imediatamente em liberar os recursos para pagar os funcionários da Administração de Segurança no Transporte (TSA), ele recorrerá ao ICE.

Vou transferir nossos brilhantes e patrióticos agentes do ICE para os aeroportos, onde eles ficarão encarregados da segurança como ninguém jamais viu“, declarou o republicano.

EUA afirma ter destruído instalação iraniana no Estreito de Ormuz

Estreito de Ormuz/Giuseppe Cacace/AFP/Getty Images

O exército americano afirmou, neste sábado (21), ter destruído um bunker iraniano equipado com armas que ameaçavam os envios de petróleo e gás através do estreito de Ormuz, quando os iranianos celebravam o fim do Ramadã sem a presença do líder supremo, Mojtaba Khamenei.

O Irã bloqueia o acesso a Ormuz, uma rota pela qual costumava passar cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos em todo o mundo, em resposta aos ataques realizados pelos Estados Unids e Israel em 28 de fevereiro.

Os confrontos fizeram disparar os preços do petróleo a tal ponto que o barril de Brent do Mar do Norte subiu mais de 50% no último mês e é negociado em torno de US$ 105 (cerca de R$ 555).

O chefe do Comando Militar dos Estados Unidos (Centcom), o almirante Brad Cooper, assegurou neste sábado que aviões de guerra “destruíram” uma instalação subterrânea na costa do Irã que armazenava mísseis de cruzeiro antinavio, lançadores de mísseis móveis e outros equipamentos.

Não apenas destruímos a instalação, como também destruímos locais de apoio de inteligência e repetidores de radar de mísseis que eram utilizados para monitorar os movimentos dos navios“, disse Cooper.

Segundo ele, isso reduziu a capacidade do Irã de “ameaçar a liberdade de navegação no estreito de Ormuz e seus arredores“.

Cerca de vinte países, incluindo Emirados Árabes, Reino Unido, França e Japão se declararam “dispostos a contribuir para os esforços” necessários para a reabertura do estreito.

Quarta semana

Enquanto a guerra entre em sua quarta semana, a intensidade do conflito não diminui.

Na manhã deste sábado, a organização iraniana de energia atômica acusou os Estados Unidos e Israel de terem atacado a instalação subterrânea nuclear de Natanz, no centro do país.

A organização afirmou que não tem conhecimento de “vazamento de materiais radioativos” desse local, equipado com centrífugas subterrâneas capazes de enriquecer urânio para o polêmico programa nuclear iraniano.

O exército israelense respondeu que “não está a par” do suposto ataque. A emissora pública Kan atribui sua autoria aos Estados Unidos.

Por sua vez, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, fez um apelo pela “moderação militar para evitar qualquer risco de acidente nuclear”.

A Rússia, aliada do Irã, declarou que os ataques são “irresponsáveis” e representam “riscos reais de catástrofe em toda região do Oriente Médio”.

As potências ocidentais suspeitam que o Irã tenta desenvolver uma bomba atômica, apesar das suas contínuas negativas. Esse é um dos motivos alegados para os ataques realizados em 28 de fevereiro.

“Não vamos parar”

Israel advertiu que a intensidade dos ataques “aumentará consideravelmente” nos próximos dias.

Não vamos parar até que todos os objetivos da guerra tenham sido alcançados“, disse Israel Katz, ministro de Defesa israelense.

Na sexta-feira, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estão “prestes a alcançar” seus objetivos e preveem “reduzir gradualmente” os “esforços militares” no país, mas descartou um cessar-fogo.

Segundo alguns analistas, o Irã ainda tem capacidade de retaliar.

Poderiam continuar por mais quatro a seis semanas“, prevê Neil Quilliam, especialista em geopolítica do centro Chatham House.

Na sexta-feira, Teerã realizou um ataque “fracassado” contra a base britânico-americana Diego Garcia, situada a 4 mil quilômetros de seu território, segundo uma fonte oficial britânica.

Os mísseis do Irã têm, oficialmente, um alcance limitado a 2 mil quilômetros.

Fim do Ramadã sem Khamenei

Desde o início da guerra, várias figuras do regime iraniano morreram, incluindo o líder supremo Ali Khamenei.

Seu filho, Mojtaba Khamenei, o substituiu, mas não foi visto em público desde sua nomeação.

Não esteve presente neste sábado na oração do Eid al-Fitr, a festa que marca o fim do Ramadã, em Teerã, tradicionalmente liderada pelo líder supremo da república islâmica.

Uma multidão de fiéis se reuniu desde o amanhecer na Grande Mesquita do Imã Khomeini. Em outras cidades, via-se cenas semelhantes.

A guerra se tornou um conflito regional ao se estender às monarquias vizinhas do Golfo, às quais o Irã acusa de permitir que as forças americanas realizem ataques a partir de seus territórios.

O exército iraniano advertiu, neste sábado, aos Emirados Árabes Unidos que responderá com “fortes ataques” a qualquer ofensiva contra as ilhas do Golfo de Abu Musa e Tumb Mayor, controladas por Teerã, mas cuja soberania é reivindicada por Abu Dhabi.

No Iraque, os serviços de inteligênica anunciaram a morte de um oficial em um ataque com drone e, na capital de Bahrein, foram ouvidas várias explosões, verificou um jornalista da AFP.