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ONU afirma que o Líbano enfrenta uma catástrofe humanitária

Divulgação/ONU/

A agência da ONU para os refugiados (ACNUR) alertou que o Líbano enfrenta uma catástrofe humanitária, com mais de 1 milhão de pessoas que precisaram fugir das suas casas em decorrência dos ataques israelenses.

Segundo a ACNUR, desde que as Forças de Defesa de Israel (IDF) intensificaram a sua ofensiva no Líbano no início deste mês, em resposta aos mísseis lançados sobre a fronteira pelo grupo xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, cerca de um quinto da população do Líbano foi forçada a se desloca.

Desde que os bombardeios de Israel destruíram várias pontes no sul do Líbano, mais de 150 mil pessoas ficaram isoladas do resto do país, limitando severamente o acesso humanitário”, afirmou Karolina Lindholm Billing, representante do ACNUR no Líbano.

Billing destacou que mesmo em situação de deslocamento, as pessoas já não se sentem seguras, citando um caso em que um ataque israelense atingiu um quarteirão de distância de um abrigo de refugiados. “As famílias vivem em constante medo, e o impacto psicológico, particularmente nas crianças, irá perdurar muito para além do conflito atual“, acrescentou.

O país ainda continua a abrigar um grande número de refugiados sírios e palestinos, com a maioria da população, incluindo libaneses, vivendo em condições de extrema pobreza. Conforme o Ministério da Saúde libanês é um cenário de crise humanitária aguda, com milhares de feridos e um número de vítimas fatais que ultrapassou mil pessoas, entre as quais, pelo menos cem são crianças. Além disso, a ONU aponta que o sistema de saúde está sob forte pressão, com centenas de unidades de saúde sendo afetadas por ataques, o que reduziu intensamente a capacidade de atendimento médico.

Desde 2019, o país enfrenta uma das piores crises financeiras do mundo, com desvalorização extrema da moeda, alto desemprego e falência bancária. O Líbano vive um colapso financeiro e o atual conflito pode reduzir o PIB em até 9,2%, além da pobreza atingir mais de 55% da população. A ONU indica que a guerra agravou ainda mais a situação e aponta que a insegurança alimentar piorou drasticamente, sendo que a distribuição de alimentos e a operação de padarias estão comprometidas, aumentando a fome.

O Líbano depende fortemente de ajuda internacional, com a União Europeia e outras agências da ONU fornecendo assistência humanitária de emergência para suprir a falta de recursos básicos

Enquanto isso, na capital libanesa uma nova leva de fortes ataques aéreos atingiram os subúrbios do sul de Beirute na sexta-feira.

Pelo menos, 10 pessoas morreram, nas últimas horas, vítimas de bombardeios israelenses no sul do Líbano, onde decorre uma operação militar com o objetivo de alcançar uma invasão completa.

Entre estes, cinco profissionais de saúde apos um ataque a uma ambulância em Zoutar Sharqi, Nabatiyeh.

Por outro lado, Israel comunicou que 261 pessoas ficaram feridas nos ataques do Hezbollah nas últimas 24 horas. O Ministério da Saúde israelense informou que desde o início dos ataques iranianos contra o seu território, 5.492 pessoas ficaram feridas dos quais 116 ainda recebem tratamento médico.

Protestos contra Trump devem levar mais de 9 milhões às ruas do EUA

Manifestantes participam do dia nacional de protesto em West Bloomfield, Michigan, nos Estados Unidos/JEFF KOWALSKY/AFP

Mais de 3 mil protestos devem acontecer neste sábado, 28, em todos os 50 Estados dos EUA, em uma manifestação contra o governo do presidente Donald Trump, principalmente em relação à guerra no Irã e às ações da polícia de imigração americana, o ICE. São esperadas mais de 9 milhões de pessoas em todo o país.

St. Paul, uma cidade de Minnesota, será a capital do movimento, que tem sido chamado de “No Kings” (sem reis, em tradução literal). A capital do Estado, Minneapolis, foi o epicentro de dois episódios fatais, em que o ICE matou dois cidadãos americanos a tiros.

Os organizadores disseram que mais de 3,1 mil manifestações devem acontecer pelo país neste sábado. Apenas em St. Paul, são esperadas 100 mil pessoas, incluindo Bruce Springsteen, que interpretará “Streets of Minneapolis”, canção que escreveu em resposta às mortes de Renee Good e Alex Pretti e em homenagem aos milhares de moradores de Minnesota que saíram às ruas durante o inverno americano. A cantora Joan Baez, a atriz Jane Fonda, e o senador democrata Bernie Sanders, além de uma longa lista de outros ativistas e líderes sindicais, devem fazer parte do movimento.

A Casa Branca descartou os protestos em todo o país como produto de “redes de financiamento de esquerda” com pouco apoio público real.

As únicas pessoas que se importam com essas ‘Sessões de Terapia de Desorientação contra Trump’ são os repórteres que são pagos para cobri-las“, disse a porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, em comunicado.

Manifestações também estão planejadas em mais de uma dúzia de outros países, da Europa à América Latina e à Austrália, disse Ezra Levin, codiretor executivo da Indivisible, grupo que lidera os eventos, em uma entrevista. Países com monarquias constitucionais chamam os protestos de “No Tyrants” (Sem Tiranos), disse ele.

Os protestos ocorrem num momento em que os índices de aprovação de Trump oscilam em torno de 40%, e os democratas estão esperançosos de conquistar terreno nas eleições de meio de mandato.

O movimento No Kings já organizou outros protestos no ano passado. Em junho de 2025, no mesmo dia em que Trump agendou um desfile militar em Washington para comemorar o 250º aniversário do Exército, manifestações planejadas ocorreram em cidades por todo o país e, internacionalmente, em países como a Grã-Bretanha o México e a Alemanha. O evento foi batizado de “dia da resistência” contra o que era visto como um abuso de poder por parte de Trump e seus aliados.

Quatro meses depois, mais de sete milhões de pessoas participaram das manifestações do No Kings Day em 18 de outubro em cidades de todos os 50 estados, segundo os organizadores./COM AP E NYT.

Instalação nuclear no Irã é alvo de ataque, diz mídia estatal

A instalação nuclear de Arak, no Irã, foi alvo de um ataque, disseram autoridades iranianas na noite de sexta-feira (27), no horário local, de acordo com a mídia estatal iraniana Fars News.

Um oficial da província de Markazi, no Irã, afirmou que o ataque foi realizado por forças dos EUA e de Israel, acrescentando que não houve vítimas devido a medidas de segurança tomadas com antecedência.

O ataque relatado ocorre pouco depois de o exército israelense emitir um aviso de retirada para civis iranianos localizados a noroeste da cidade de Arak e na Zona Industrial de Khir Abad, áreas próximas à instalação nuclear.

A IDF (Forças de Defesa de Israel) divulgou uma declaração no X em farsi, alertando os civis de que atacariam a infraestrutura militar iraniana na região, sem especificar os alvos exatos.

O exército israelense mais tarde assumiu a responsabilidade pelo ataque ao reator inativo de Arak, citando “tentativas repetidas de reconstrução pelo regime terrorista iraniano”.

O reator de água pesada de Arak ainda estava em construção no ano passado, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Os planos para a construção do reator haviam gerado preocupações em Israel e no Ocidente, pois a água pesada pode ser usada para produzir plutônio, um caminho para uma possível bomba nuclear.

No acordo nuclear do Irã, agora extinto, Teerã concordou em 2015 em modificar os planos de construção da instalação para bloquear a via do plutônio.

Em junho do ano passado, Israel atacou o reator ainda em construção no complexo de Arak durante sua guerra de 12 dias com o Irã. Na época, a AIEA afirmou que o reator não estava operacional e não continha nenhum material nuclear.

Diretor do FBI é alvo de ataque hacker por grupo ligado ao Irã

Kash Patel, diretor do FBI, ouve os comentários do presidente dos EUA, Donald Trump, antes de assinar um Memorando Presidencial no Salão Oval da Casa Branca

Hackers ligados ao Irã afirmaram ter invadido a caixa de e-mails pessoal do diretor do FBI, Kash Patel, e divulgaram na internet fotos do próprio diretor e outros documentos.

Em um site, o grupo Handala Hack Team disse que Patel “agora encontrará seu nome na lista de vítimas de ataques bem-sucedidos”.

Uma autoridade do Departamento de Justiça dos EUA confirmou que o e-mail do diretor foi comprometido e afirmou que o material publicado online parece autêntico.

O FBI não respondeu imediatamente a pedidos de comentário. Os hackers também não se manifestaram após serem procurados.

O grupo Handala, que se apresenta como um coletivo de hackers pró-Palestina, é considerado por especialistas ocidentais como uma possível fachada para operações de ciberinteligência ligadas ao governo iraniano.

Recentemente, o grupo também reivindicou um ataque contra a empresa americana Stryker, que atua na área de dispositivos e serviços médicos, alegando ter apagado um grande volume de dados da companhia.

A Reuters não conseguiu confirmar de forma independente a autenticidade dos e-mails de Patel. No entanto, o endereço pessoal do Gmail que o grupo afirma ter invadido coincide com um e-mail anteriormente associado ao diretor em vazamentos de dados, registrados pela empresa de inteligência da dark web District 4 Labs.

Parte do material divulgado e analisado pela Reuters indica que os conteúdos incluem mensagens pessoais e profissionais trocadas entre 2010 e 2019.

OTAN admite que o Irã possui mísseis que podem atingir aliados


Secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte

/JOHN THYS / AFP

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, declarou que as forças iranianas podem atingir países no centro da Europa.

Rutte lembrou que Teerã já lançou mísseis balísticos contra a base militar dos Estados Unidos e Reino Unido de Diego Garcia, no Oceano Índico, uma zona estratégica no Arquipélago de Chagos, e que era considerada fora do alcance da artilharia iraniana. Apesar de um míssil ter sido interceptado por um navio de guerra dos EUA e o outro ter falhado, o incidente inédito revelou capacidades iranianas de atingir alvos de longo alcance superiores às estimadas.

Sejamos lúcidos e conscientes do fato de que Diego Garcia fica a quatro mil quilômetros do Irã. Por isso, se um míssil iraniano é capaz de atingir Diego Garcia, trata-se de um desenvolvimento relevante, pois significa que o Irã já possui capacidades que são perigosas para os aliados. E podem fazer as contas: são quatro mil quilômetros”, disse.

Mas, o secretário-geral da OTAN tranquilizou os membros da Aliança Atlântica, ao afirmar que a organização está pronta para se defender. “A boa notícia, claro, é que os aliados estão preparados. Podemos nos defender. A OTAN é uma aliança muito forte e viram isso na Turquia com os três mísseis que foram apontados ao país. Gostaria de dizer a todos os cidadãos em território da OTAN que as nossas forças armadas estão empenhadas para garantir que temos o necessário para defender cada centímetro do território aliado”, garantiu.

O Secretário-geral da OTAN também apresentou na quinta-feira (26) o relatório anual da Aliança sobre os investimentos em defesa. De acordo com o documento, todos os aliados atingiram, em 2025, a meta de 2% de investimento em defesa. Rutte destacou que alguns até ultrapassaram a meta e os progressos são notórios.

Em 2025, pela primeira vez, todos os aliados cumpriram a meta acordada em 2014 de investir pelo menos 2% do seu PIB na defesa, e muitos foram muito mais além. De fato, assistimos a um aumento de 20% nos gastos da Europa e do Canadá com a defesa em 2025, em comparação com 2024. Continuar esta tendência crucial será uma prioridade nos próximos anos”, indicou.

Rutte recordou ainda que durante muito tempo, os aliados europeus e do Canadá dependeram excessivamente do poderio militar dos Estados Unidos. “Não assumimos a responsabilidade suficiente pela nossa própria segurança, mas houve uma verdadeira mudança de mentalidade, um reconhecimento coletivo do nosso ambiente de segurança transformado. E como europeu, tenho orgulho no que estamos fazendo. Do tremendo progresso que está sendo feito. Estamos a investir porque é essencial sermos capazes de enfrentar as ameaças que enfrentamos”, apontou.

E, apesar das declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que chamou os aliados europeus de covardes, Mark Rutte elogiou o líder dos EUA.

Os Estados Unidos, sob a presidência de Trump, estão realizando ações fundamentais para a aliança. Garantiu que toda a Aliança atingisse a meta de 2%. Não tenho a certeza se teríamos atingido este objetivo no final do ano passado sem o presidente Trump. E depois, em Haia, acordamos a meta de despesas em 5%. Nem todos os europeus gostam que eu repita isto, mas é verdade: sem Trump, acho que isso não teria acontecido”, concluiu.

ONU exige ‘justiça’ após bombardeio de escola no Irã

Ataques dos EUA e de Israel atingem escola primária feminina em Minab/IRIB TV/AFP

O bombardeio de uma escola iraniana em 28 de fevereiro provocou um “horror profundo”, afirmou nesta sexta-feira (27) o chefe de direitos humanos da ONU, que pediu ao governo dos Estados Unidos que conclua o mais rápido possível a sua investigação e assegure a justiça.

O bombardeio da escola de ensino básico Shajareh Tayyebeh, em Minab, provocou um horror profundo“, declarou Volker Türk ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, antes de acrescentar que “corresponde àqueles que efetuaram o ataque investigar de maneira rápida, imparcial, transparente e exaustiva”.

“Funcionários de alto escalão americanos disseram que o bombardeio está sendo investigado. Peço que o processo seja concluído o mais rápido possível e que suas conclusões sejam tornadas públicas. É preciso fazer justiça pelo terrível dano causado“, insistiu.

Em uma mensagem em vídeo, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou ao Conselho de Direitos Humanos que o ataque não foi um erro, e sim uma operação “calculada” dos Estados Unidos, na qual, segundo ele, morreram “mais de 175 estudantes”.

As declarações contraditórias dos Estados Unidos, que visam justificar seu crime, não podem, de forma alguma, exonerá-los de sua responsabilidade“, declarou o ministro iraniano, que qualificou o ataque de 28 de fevereiro como “um crime de guerra e um crime contra a humanidade”.

O bombardeio aconteceu no primeiro dia da ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.

A AFP não teve acesso ao local para verificar de maneira independente o balanço nem as circunstâncias dos acontecimentos.

Trump prorroga prazo de ataques energéticos ao Irã

O presidente americano, Donald Trump/ Brendan SMIALOWSKI / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (26) que suspendeu os ataques às centrais energéticas do Irã por 10 dias, a pedido do governo iraniano, prorrogando o ultimato que havia estipulado a sua interrupção.

“Conforme solicitado pelo governo iraniano, informo que estou suspendendo os ataques às centrais energéticas por 10 dias, até segunda-feira, 6 de abril. As negociações estão em andamento e, apesar das declarações errôneas em contrário divulgadas pela mídia de notícias falsas e outros, estão progredindo muito bem”, escreveu Trump na sua rede social.

Trump também afirmou que é o Irã que implora para fechar um acordo com os Estados Unidos, mas cabe agora a Teerã convencer Washington a pôr fim à guerra. No entanto, o Irã responde que as exigências de Trump na proposta de 15 pontos para um acordo de paz são inaceitáveis.

Enquanto isso, o diretor-geral da Agencia Internacional de Energia, Rafael Grossi, alertou que os danos do recente ataque em conjunto de Israel e os EUA a central nuclear iraniana de Bushehr podem resultar num grande acidente radiológico que afete uma grande área no Irã e mais além. “É profundamente preocupante os ataques em torno da central”, avisou.

Já a Agência de Notícias da República Islâmica publicou que Ali Akbar Velayati, conselheiro máximo do Líder Supremo do Irã, alertou que qualquer país que participe em ações militares contra o território iraniano sofrerá retaliação. “Qualquer participação numa agressão militar contra o Irã voltará certamente aos participantes como um bumerangue. A geografia do Golfo Pérsico não pode ficar sem consequências“, afirmou.

Por outro lado, o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos, comunicou que Teerã lançou hoje pelo menos 15 mísseis balísticos e 11 drones contra o país. Desde o início da guerra, o emirado afirma que o Irã já disparou 387 mísseis e 1826 drones contra o seu território.

EUA confirmam negociações para acordo de paz com o Irã

Enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff/foto: Patrick T. Fallon/AFP

Nesta quinta-feira (26), o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, confirmou mais uma vez que os Estados Unidos negociam com o Irã através de canais diplomáticos com o Paquistão. “Posso informar hoje que, juntamente com a nossa equipe de política externa, apresentamos uma lista de 15 pontos que constitui a estrutura para um acordo de paz. Esta lista foi distribuída pelo governo paquistanês, que atua como mediador”, disse.

O ministro das Relações Exteriores paquistanês, Ishaq Dar, admitiu que o seu país age como intermediário e que o plano norte-americano de 15 pontos estava sob a análise de Teerã. Em contrapartida, o regime iraniano comunicou que não aceitou a proposta e reagiu com suas exigências para o fim do conflito. Segundo o canal iraniano Press TV, foram destacadas cinco condições para o país acabar com a guerra: fim da agressão e assassinatos; garantias concretas para prevenir a retomada do conflito contra o Irã; pagamento de reparações de guerra; fim da guerra contra o Irã e todos os grupos de resistência no Oriente Médio e o reconhecimento da soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o seu país não tem intenção de negociar, mas sim de continuar a resistir. “A mudança de tom de Washington equivale a um reconhecimento de fracasso após ter exigido anteriormente a rendição incondicional. Então, por que estão falando em negociação agora? O fato de estarem falando em negociação agora é exatamente uma admissão de derrota”, questionou.

O chanceler reconheceu os EUA enviaram diversas mensagens a Teerã nos últimos dias por meio de países amigos, porém observou que essas comunicações não configuram negociações. “O fato de mensagens estarem sendo enviadas e de respondermos com advertências ou declararmos nossas posições não é o que chamamos de negociação ou diálogo; é uma troca de mensagens. Nessas mensagens, ideias foram levantadas e transmitidas às autoridades superiores, e se for necessário tomar uma posição, elas a anunciarão”, enfatizou.

O embaixador do Irã nas Nações Unidas, Ali Bahreini, também avisou que o seu país está pronto para todos os cenários e que os Estados Unidos e Israel estão cometendo um “grande” erro. O diplomata garantiu que o Irão está ganhando a guerra e que forçou os inimigos a recuar nos seus objetivos iniciais. Bahreini ainda disse que o Líder Supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, está seguro e lidera o país, mesmo não tendo sido visto publicamente desde que assumiu o cargo anteriormente ocupado pelo pai.

Enquanto isso, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Levitt, assegurou hoje que as negociações continuam com o governo de Teerã, considerando-as mesmo produtivas. “As negociações com o Irã estão avançando rapidamente, mesmo após Teerã não ter aceitado imediatamente um plano de 15 pontos para encerrar a guerra”, declarou. Mas, Leavitt acrescentou que o presidente Donald Trump estava disposto a desencadear o inferno sobre o Irã se não se chegar a um acordo.

Trump , por sua vez, respondeu que Teerã nega negociações por medo e prometeu ser o pior pesadelo do Irã caso não haja acordo, reiterando que deve abandonar permanentemente suas ambições nucleares e trace um novo caminho para o futuro. “Os iranianos são maus combatentes, mas grandes negociadores e estão implorando por um acordo. Estão derrotados e agora têm a chance de fazer o acordo, mas isso é com eles. Veremos se eles querem fazer isso. Se não quiserem, somos o pior pesadelo deles. Vamos continuar a eliminá-los sem impedimentos“, disse.

No entanto, Witkoff considerou que há sinais fortes de que um acordo com o Irão é possível e que a estrutura, até a data, resultou em mensagens e conversas fortes e positivas. A imprensa mundial já avançou que o plano norte-americano aborda questões como as ambições nucleares de Teerã e o seu programa de mísseis balísticos.

As autoridades da administração Trump, incluindo o vice-presidente dos EUA, JD Vance, adiantaram que trabalham para organizar uma reunião no Paquistão ainda no próximo fim de semana para discutir uma solução para a guerra no Irã.

Já Trump afirmou que o governo iraniano ofereceu e já permitiu a passagem de dez petroleiros pelo Estreito de Ormuz como um “grande presente” nas negociações indiretas com Washington.

Planejamentos militares dos EUA

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, explicou que o que está acontecendo não é uma guerra sem fim, declarando que é campanha decisiva com objetivos claros, que visa destruir as capacidades militares e garantir que o Irã nunca vai conseguir uma arma nuclear. “Será uma guerra para os livros História contarem o puro sucesso americano”, avaliou.

Entretanto, o site Axios noticiou que o Departamento da Defesa dos Estados Unidos já se prepara para diferentes opções de intervenção militar para executar um “golpe final” na guerra contra o Irã, incluindo a participação de forças terrestres. Segundo a mídia, que cita quatro fontes oficiais, o Pentágono estuda invadir ou bloquear a ilha de Kharg, o principal centro de exportação do petróleo iraniano, invadir Larak, uma ilha que ajuda o país a controlar o Estreito de Ormuz, e tomar a ilha de Abu Musa e mais duas outras ilhas menores estratégicas pela sua localização perto da entrada ocidental do estreito.

Além disso, existe a possibilidade de bloquear ou apreender diretamente os navios que exportam petróleo iraniano no lado oriental de Ormuz. As operações militares estão sendo organizadas a poucas horas do fim do prazo de cinco dias que Trump impôs para que Teerã reabrisse o Estreito de Ormuz.

Ônibus cai em rio e deixa ao menos 24 mortos em Bangladesh

Queda de ônibus em rio mata dezenas de passageiros em Bangladesh/ABU SUFIAN JEWEL / AFP

Um grave acidente no terminal de balsas de Daulatdia, em Bangladesh, foi registrado nesta quinta-feira (25). Ao menos 24 pessoas morreram após um ônibus cair no rio Padma. O veículo transportava cerca de 40 pessoas no momento da ocorrência.

De acordo com o portal g1, o resgate das vítimas foi realizado de forma gradual. Em um primeiro momento, dois corpos foram localizados por equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil. Com o avanço das operações e a retirada do ônibus do fundo do rio, novas vítimas foram encontradas dentro do veículo, fazendo o número de mortos subir. Até a última atualização, pelo menos 22 corpos haviam sido retirados da água.

Entre os mortos estão seis homens, 11 mulheres e cinco crianças, conforme informaram autoridades locais. Ainda há preocupação com a possibilidade de mais vítimas, já que nem todos os passageiros foram localizados.

Apesar da gravidade do acidente, parte dos ocupantes conseguiu sobreviver. Segundo a polícia de Bangladesh, ao menos 11 pessoas conseguiram nadar até a margem.

As buscas continuaram durante a noite, mesmo diante de condições consideradas difíceis pelas equipes envolvidas. Um sobrevivente afirmou que aproximadamente 40 pessoas estavam no ônibus no momento da queda.

De acordo com informações preliminares, o veículo chegou ao terminal por volta das 17h e aguardava para embarcar na balsa. Cerca de 15 minutos depois, uma embarcação de pequeno porte atingiu o píer com força. Com o impacto, o motorista perdeu o controle da direção e o ônibus acabou caindo no rio.

Maduro retorna a tribunal em Nova York após captura na Venezuela

Nicolás Maduro
/AFP PHOTO/VENEZUELAN PRESIDENCY/ZURIMAR CAMPOS

O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, comparece nesta quinta-feira (26) perante um tribunal de Nova York pela segunda vez desde sua dramática captura, em 3 de janeiro, durante uma operação militar americana em Caracas.

Maduro, de 63 anos, e sua esposa, Cilia Flores, de 69, estão detidos em uma prisão no Brooklyn há quase três meses.

Eles deixaram a instalação apenas uma vez — em 5 de janeiro — para sua audiência inicial. Naquela ocasião, Maduro declarou-se “prisioneiro de guerra” e alegou inocência em relação às acusações de tráfico de drogas apresentadas contra ele nos Estados Unidos.

Maduro governava a Venezuela desde março de 2013. Após sua queda, a presidência interina foi assumida por Delcy Rodríguez — sua ex-vice-presidente — que, desde então, promoveu uma mudança drástica nas relações com os Estados Unidos.

Maduro é acusado de conspirar para cometer “narcoterrorismo”, importar cocaína e possuir ilegalmente metralhadoras e dispositivos destrutivos.

Durante a audiência desta quinta-feira — agendada para as 11h locais (12h em Brasília) — espera-se que Maduro insista na rejeição da denúncia, enquanto seus advogados debatem quem arcará com seus honorários.

O governo venezuelano tenta efetuar esse pagamento, mas para isso o advogado de Maduro, Barry Pollack, deve obter uma autorização do governo americano.

Pollack alegou ao tribunal que essa exigência de autorização viola o direito constitucional de Maduro à representação legal de sua própria escolha, e exigiu que o caso fosse rejeitado por motivos processuais.

Espera-se um reforço na segurança nas imediações do tribunal.

“Estão muito bem, muito fortes”

Preso no Metropolitan Detention Center (MDC), no Brooklyn, uma penitenciária federal conhecida por suas condições extremas, Maduro permanece sozinho em uma cela, sem acesso à internet ou a jornais.

Chamado por alguns de “presidente” nos corredores, passa o tempo lendo a Bíblia, de acordo com uma fonte próxima ao governo venezuelano. Tem permissão para se comunicar por telefone apenas com sua família e seus advogados, por um tempo máximo de 15 minutos por chamada, segundo essa mesma fonte.

Eles estão muito bem — fortes, muito bem, otimistas e cheios de força“, afirmou na segunda-feira Nicolás Maduro Guerra, filho do líder deposto.

Maduro e Flores foram retirados à força por comandos americanos na madrugada de 3 de janeiro, com o apoio de ataques aéreos contra a capital venezuelana e de um grande deslocamento naval.

Segundo autoridades venezuelanas, pelo menos 83 pessoas morreram e mais de 112 ficaram feridas durante a operação. Nenhum militar americano morreu.

Pressão dos Estados Unidos

Em sua primeira audiência judicial, Maduro adotou um tom desafiador e identificou-se como o presidente da Venezuela.

Sob pressão dos Estados Unidos, Delcy Rodríguez enfrenta dificuldades para liderar um país que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas cuja economia está em ruínas.

A presidente interina aprovou uma lei de anistia para libertar prisioneiros políticos. Ela também reformou a lei de hidrocarbonetos, em conformidade com as exigências dos Estados Unidos para ter acesso à vasta riqueza venezuelana em petróleo e gás.

Neste mês, os Estados Unidos restabeleceram os laços diplomáticos com a Venezuela, sinalizando um degelo após uma ruptura de sete anos.

O caso é presidido pelo juiz Alvin Hellerstein, de 92 anos, renomado por sua longa carreira no Judiciário.

Irã rejeita plano dos EUA e diz que fim da guerra não será definido por Trump

Manifestações no Irã neste quarta (25)/AFP

O Irã rejeitou nesta quarta-feira, 25, o plano proposto pelos Estados Unidos para suspender a guerra no Oriente Médio e afirmou que o fim do conflito não será definido pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

A informação foi confirmada pela emissora estatal iraniana em língua inglesa Press TV, que citou uma fonte não identificada do governo iraniano.

O Irã reagiu negativamente à proposta dos EUA“, disse a Press TV. “A guerra terminará quando o Irã decidir que ela terminará, e não quando Trump decidir que terminará“, acrescentou.

O Irã não divulgou nenhum posicionamento oficial até o momento. O ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araqchi, também não comentou o assunto.

A Press TV informou ainda que o Irã estabeleceu cinco condições para o fim da guerra, que incluem:

O fim da “agressão e dos assassinatos” contra o Irã e seus líderes;

A implementação de um mecanismo robusto que garanta ao Irã que os EUA e Israel não retomarão a guerra;

A indenização pelos danos causados;

O cessar das hostilidades em todas as frentes regionais e contra todos os “grupos de resistência”, em referência a grupos como o Hezbollah;

E o reconhecimento internacional e garantias dos direitos soberanos do Irã sobre o Estreito de Ormuz.

Outras agências de notícias estatais iranianas, como a Mehr e a Tasnim, também divulgaram as informações da Press TV.

As exigências do Irã, no entanto, são contrárias a parte do plano de 15 pontos desenhado por Washington e apresentado ao Irã pelo Paquistão. Segundo dois funcionários paquistaneses, que falaram sob condição de anonimato, a proposta abordava o alívio das sanções contra Teerã, a redução do programa nuclear iraniano a definição de um limite para mísseis e a reabertura do Estreito de Ormuz.

Um funcionário egípcio que participou das negociações afirmou, sob condição de anonimato, que o plano também inclui restrições ao apoio do Irã a grupos armados – o que Teerã sinalizou não aceitar, segundo informações divulgadas pela Press TV.

Um encontro presencial entre negociadores dos EUA e do Irã pode ocorrer na sexta-feira, 27, no Paquistão, de acordo com autoridades egípcias e paquistanesas. Entre os envolvidos nas negociações estão o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, o genro de Trump, Jared Kushner, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance.

Em meio às negociações, Israel e Irã trocaram novos ataques. As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que bombardearam Teerã e Isfahan na tarde desta quarta, enquanto sirenes de alerta de mísseis foram ouvidas em vários pontos de Israel devido a ataques conjuntos do Irã e do Hezbollah.

O Irã também manteve a pressão sobre os vizinhos do Golfo Pérsico. O Ministério da Defesa da Arábia Saudita afirmou ter destruído pelo menos oito drones em uma de suas províncias. No Bahrein, sirenes de alerta de mísseis soaram em diversos locais. Já o Kuwait afirmou ter abatido vários drones, mas disse que um deles atingiu um tanque de combustível no Aeroporto Internacional do Kuwait.

A Marinha do Irã afirmou ainda ter lançado mísseis de cruzeiro contra o porta-aviões americano Abraham Lincoln e advertiu que novos ataques desse tipo podem ocorrer.

Os EUA pretendem reforçar suas tropas no Oriente Médio, com o envio de pelo menos mil soldados da 82ª Divisão Aerotransportada nos próximos dias. A informação foi confirmada por três fontes familiarizadas com o assunto, sob condição de anonimato.

Os paraquedistas são treinados para saltar em áreas hostis ou disputadas para garantir territórios e aeródromos importantes. O Pentágono também planeja o envio de cerca de cinco mil fuzileiros navais adicionais e milhares de marinheiros.

Países do Golfo Pérsico ameaçam retaliar o Irã após novos ataques

Teerã, capital do Irã/ AFP

O risco de retaliação dos Países do Golfo contra o Irã escalou, uma vez que os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein e Catar emitiram um alerta hoje de que, se até o final dessa semana se mantiverem os ataques iranianos, terão uma participação ativa na guerra.

Por outro lado, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse aos Estados Unidos para não ‘testarem’ a determinação de Teerã em defender o seu território. Ghalibaf sinalizou ainda que os serviços de informação do país indicam que “inimigos” planejam ocupar uma ilha iraniana com o apoio de um país regional, que não nomeou. “As forças iranianas monitoram os movimentos inimigos e, se derem qualquer passo, atacaremos infraestruturas vitais nesse país regional em ataques contínuos e implacáveis”, garantiu.

Enquanto o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reiterou que não há negociações em curso com os EUA, ressaltando que o presidente norte-americano Donald Trump “fracassou” nos seus objetivos de guerra, incluindo a vitória rápida e a mudança de regime. “Teerã conseguiu mostrar ao mundo que ninguém pode ameaçar a segurança do Irã”, afirmou, acrescentando uma mensagem aos países vizinhos: “Distanciem-se dos EUA”.

Nesta quarta-feira (25), o Irã lançou uma nova ofensiva contra Israel em várias posições no norte e no centro do país, incluindo a capital Tel Aviv, além de ataques a bases militares usadas pelos Estados Unidos no Kuwait, Bahrein e Jordânia. Na Arábia Saudita, o Ministério da Defesa saudita comunicou também a interceptação de pelo menos quatro drones.

O departamento da aviação civil do Kuwait anunciou ainda que um depósito de combustível do aeroporto internacional se incendiou após ter sido atacado por drones. O local tem sido um alvo frequente desde o inicio da guerra no Oriente Médio. “Segundo as primeiras informações, os danos se limitam a danos materiais e não há vítimas“, disse o órgão na rede social X.

No entanto, horas depois, o exército kuwaitiano informou que o país voltou a ser alvo de ataques com mísseis e drones.

As autoridades do Golfo e o Comando Militar dos EUA para o Oriente Médio contabilizam 36 mortos na região desde o começo da guerra, incluindo 17 civis.

Já o Conselho dos Direitos Humanos da ONU se reúne de emergência nesta quarta-feira (25) para discutir os ataques iranianos e o impacto nos direitos humanos. A Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Kuwait, Omã e Catar apresentaram um projeto de resolução que será submetido à votação pelos membros do Conselho. O texto condena veementemente os ataques do Irã, denuncia as ações de Teerã para bloquear o Estreito de Ormuz e manifesta graves preocupações com as ofensivas contra suas infraestruturas energéticas.

O nosso país não é parte do conflito armado e não participou em qualquer agressão ou ataque militar. Estes ataques iranianos visaram civis e infraestruturas civis, causando numerosas vítimas inocentes“, declarou o embaixador do Bahrein, Abdulla Abdullatif Abdulla.

Por sua vez, a resolução exige que o governo iraniano cesse todos os ataques não provocados contra os Estados do Conselho de Cooperação do Golfo e a Jordânia e que forneça reparação integral por todos os prejuízos e danos causados por atos ilícitos internacionalmente ilegais, mas o documento não menciona Israel e os Estados Unidos.

Em resposta, o representante do Ira no Conselho afirmou que a proposta ignora deliberadamente a guerra de agressão em curso contra o Irã pelo governo norte-americano e israelense.

Enquanto isso, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse que nomeou o diplomata francês Jean Arnault como enviado pessoal para liderar os esforços da organização no atual conflito no Oriente Médio. “Estão em andamento diversas iniciativas para o diálogo e a paz. Elas precisam ter sucesso”, acrescentou.

Gueterres ainda criticou as várias partes que continuam a guerra na região e que o conflito passou dos limites que até os líderes pensariam. “A minha mensagem para o Irã é para parar de atacar os seus vizinhos”, enfatizou.

Já a Casa Branca declarou que trabalha para organizar uma reunião no Paquistão no próximo fim de semana para discutir o fim da guerra, após terem partilhado uma lista de 15 pontos de um acordo de cessar-fogo com o Irã através do governo de Islamabad.

Irã diz que proposta dos EUA não é positiva

Bandeira iraniana em meio aos escombros de prédio residencial destruído em Teerã/Atta Kenare/AFP

Segundo noticiou o canal iraniano Press TV, a resposta inicial do Irã à proposta dos Estados Unidos para pôr fim à guerra não foi positiva e considerou as condições norte-americanas excessivas, mas indicou que o documento ainda continua sob análise do governo.

A emissora também apontou que Teerã só terminará à guerra quando as suas condições forem cumpridas e ainda exige o reconhecimento da sua soberania sobre o Estreito de Ormuz como seu direito natural e legal. De acordo com a Press TV, foram destacadas cinco condições do Irã para acabar com a guerra: fim da agressão e assassinatos; garantias concretas para prevenir a retomada do conflito contra o Irã; pagamento de reparações de guerra; fim da guerra contra o Irã e todos os grupos de resistência no Médio Oriente Médio e o reconhecimento da soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz.

A resposta inicial do regime iraniano foi entregue ao Paquistão, que atua como mediador entre as partes, para ser transmitida a Washington.

O ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, já reagiu à rejeição do plano de cessar-fogo dos EUA por parte do Irã, prometendo esforços para tentar chegar a um ponto de vista comum entre ambos os lados.

O Egito apoia o plano de paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas assinalou que não há nenhum vencedor nesta escalada perigosa.

Porta-voz iraniano afirma que “os EUA estão negociando consigo mesmos”

Um porta-voz militar iraniano afirmou que “os Estados Unidos estão negociando consigo mesmos“, segundo a mídia estatal, nesta quarta-feira (25), um dia depois de o presidente americano Donald Trump ter afirmado que Teerã deseja chegar a um acordo com Washington para encerrar a guerra no Oriente Médio.

Um plano de 15 pontos com o objetivo de pôr fim ao conflito foi elaborado por Washington e enviado a Teerã, disse à Reuters na terça-feira uma pessoa familiarizada com o assunto.

O nível da sua luta interna chegou ao ponto de você negociar consigo mesmo?“, provocou Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando unificado das forças armadas iranianas, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, em tom de deboche à liderança dos EUA.

Pessoas como nós nunca conseguirão se dar bem com pessoas como você“, completou.

Zolfaqari afirmou que os investimentos dos EUA e os preços da energia anteriores à guerra não retornarão enquanto Washington não aceitar que a estabilidade regional é garantida pelas forças armadas iranianas.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.

Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam terem destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.

Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.

Mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos sete mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.

O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvos do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.

Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.

Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, classificando como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.

Trump diz que Irã concordou em nunca ter armas nucleares

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos/ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira (24) que o Irã concordou que nunca possuirá armas nucleares, voltando a afirmar que Washington está realizando negociações com Teerã. De acordo com o republicano, o secretário de Estado, Marco Rubio e o vice-presidente JD Vance estão envolvidos nas conversas.

Pessoas com quem estamos conversando no Irã querem chegar a um acordo“, frisou ele em cerimônia de posse de Markwayne Mullin como secretário de Segurança Interna dos EUA (DHS, em inglês), após a demissão de Kristi Noem.

Trump enfatizou que os EUA já ganharam a guerra e que a infraestrutura do país persa basicamente não existe mais. “Quase tudo que eles têm foi destruído; Estamos ‘passeando’ livremente por Teerã.”

Perguntado sobre o governo iraniano, o republicano comentou que o país possui um novo grupo de líderes e que os EUA verão “como eles se saem”. “Temos um ótimo relacionamento com Arábia Saudita Kuwait e Catar; aliados do Golfo têm sido muito bons“, acrescentou.

Trump ainda pontuou que o Irã fez algo positivo ontem em relação ao Estreito de Ormuz. “Eles nos deram um presente significativo, um prêmio no valor de uma quantia enorme de dinheiro. É algo relacionado ao setor de petróleo e gás e ao Estreito de Ormuz“, disse, acrescentando que não poderia dar mais detalhes ou revelar o que era o presente.

Eleições de meio de mandato

Perguntado à respeito de expectativas antes das eleições de meio de mandato, o presidente norte-americano declarou que os legisladores estão quase chegando a um acordo sobre o shutdown do DHS e que gostaria de trazer a Rússia e a Ucrânia de volta para a mesa de negociações.