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Espanha monta operação para receber cruzeiro com surto de hantavírus nas Ilhas Canárias

Cruzeiro MV Hondius onde foi registrado um surto de hantavírus/AFP

As autoridades espanholas iniciaram nesta sexta-feira, 8, os preparativos para receber os mais de 140 passageiros e tripulantes de um cruzeiro afetado por um surto de hantavírus que segue em direção às Ilhas Canárias. A previsão é que a embarcação chegue no domingo, 10, à ilha espanhola de Tenerife, na costa oeste da África, onde os passageiros serão retirados sob um rígido protocolo sanitário.

Segundo Virginia Barcones, chefe dos serviços de emergência da Espanha, os passageiros serão levados para uma “área completamente isolada e cercada”. Estados Unidos e Reino Unido já concordaram em enviar aeronaves para repatriar seus cidadãos a bordo.

Embora três pessoas tenham morrido desde o início do surto e cinco passageiros que deixaram o navio tenham sido diagnosticados com hantavírus, a operadora Oceanwide Expeditions afirmou nesta sexta-feira que não há atualmente passageiros com sintomas suspeitos a bordo do navio holandês MV Hondius.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera baixo o risco de disseminação do vírus para a população em geral. Também nesta sexta-feira, a entidade informou que uma comissária de bordo que teve contato com uma passageira infectada testou negativo para hantavírus, o que ajudou a reduzir preocupações sobre uma possível transmissão mais ampla da doença.

O risco continua absolutamente baixo. Isso não é uma nova Covid“, afirmou Christian Lindmeier, porta-voz da OMS.

O hantavírus costuma ser transmitido pela inalação de partículas contaminadas por fezes de roedores e, em geral, não apresenta transmissão fácil entre humanos. No entanto, a variante Andes, identificada no surto do cruzeiro, pode, em casos raros, ser transmitida entre pessoas. Os sintomas normalmente aparecem entre uma e oito semanas após a exposição ao vírus.

Autoridades sanitárias em quatro continentes monitoram mais de duas dezenas de passageiros que deixaram o navio antes da confirmação do surto. Equipes de saúde também tentam localizar outras pessoas que possam ter tido contato com esses passageiros.

Passageiros temem reação ao deixarem o navio

Em entrevistas à Associated Press, dois passageiros espanhóis disseram, sob condição de anonimato, que a rotina a bordo segue relativamente tranquila, apesar da tensão causada pelo surto.

Segundo eles, alguns passageiros tentam manter a rotina a bordo, seja lendo em áreas comuns, participando de palestras ou observando a paisagem, sempre usando máscaras e mantendo distanciamento social. Ambos afirmaram, porém, temer a reação das pessoas quando desembarcarem na Espanha.”

Estamos assustados com todas as notícias que estão saindo, com a forma como as pessoas vão nos receber“, disse um dos passageiros. “Somos pessoas normais. Ouvimos que esse seria um cruzeiro de milionários, mas isso está longe da realidade.”

As autoridades espanholas tentaram tranquilizar a população das Ilhas Canárias. Segundo o governo, os passageiros serão retirados do navio em pequenas embarcações e levados a ônibus apenas quando os voos de repatriação estiverem prontos para decolar. O transporte ocorrerá em veículos isolados e monitorados, e as áreas do aeroporto utilizadas pelos passageiros serão temporariamente interditadas.

Cerca de 30 passageiros deixaram o navio em 24 de abril

No dia 24 de abril, quase duas semanas após a primeira morte registrada a bordo, mais de 20 passageiros de ao menos 12 países deixaram o navio sem qualquer monitoramento sanitário, segundo autoridades holandesas e a operadora da embarcação. A confirmação do hantavírus em um passageiro só ocorreu em 2 de maio, informou a OMS.

A comissária da KLM que testou negativo trabalhava em um voo entre Joanesburgo e Amsterdã no dia 25 de abril. Na ocasião, uma passageira holandesa, cujo marido havia morrido no navio, chegou a embarcar, mas precisou deixar a aeronave ainda em Joanesburgo devido ao agravamento de seu estado de saúde. Ela morreu posteriormente.

As autoridades de saúde da Holanda realizam rastreamento dos passageiros que tiveram contato com a mulher antes de sua retirada do voo.

No Reino Unido, autoridades sanitárias informaram nesta sexta-feira que um terceiro cidadão britânico que esteve no cruzeiro é suspeito de ter contraído hantavírus. Ele está na ilha de Tristan da Cunha, território britânico no Atlântico Sul onde o navio fez escala em abril. Não há informações sobre seu estado de saúde.

Na Espanha, uma mulher da província de Alicante apresentou sintomas compatíveis com hantavírus e está sendo submetida a exames. Ela viajou no mesmo voo da passageira holandesa que morreu em Joanesburgo, informou o secretário de Estado da Saúde, Javier Padilla.

Outros dois britânicos que estiveram no navio já tiveram infecção confirmada. Um está hospitalizado na Holanda e outro, na África do Sul.

Na África do Sul, autoridades rastreiam contatos de passageiros que desembarcaram anteriormente do cruzeiro, especialmente pessoas ligadas a um voo realizado em 25 de abril entre a ilha de Santa Helena e Joanesburgo.

Nos Estados Unidos, autoridades acompanham um pequeno número de americanos que já retornaram do cruzeiro, além de pessoas que tiveram contato com eles. Nenhum apresentou sintomas até o momento.

O governo americano enviará uma aeronave para repatriar cerca de 17 cidadãos que permanecem a bordo. Eles serão colocados em quarentena na Unidade Nacional de Quarentena da Universidade de Nebraska e do Nebraska Medicine. Segundo o hospital, nenhum apresenta sintomas.

Os médicos definirão posteriormente a duração da quarentena. A unidade especializada em Omaha já foi utilizada anteriormente para tratar pacientes com Ebola e alguns dos primeiros casos de covid-19 nos Estados Unidos.

“Estamos preparados exatamente para situações como esta”, afirmou Michael Ash, diretor-executivo do Nebraska Medicine.

O governo britânico também informou que irá fretar um avião para retirar do navio cerca de duas dezenas de cidadãos do Reino Unido.

EUA esperam para hoje a resposta do Irã à sua proposta de acordo de paz

O secretário de Estado americano, Marco Rubio/Heather Diehl/Getty Images/AFP

Nesta sexta-feira (08), o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos esperam receber ainda hoje uma resposta do Irã à sua proposta para pôr fim à guerra.

O chefe da diplomacia dos EUA disse que espera que seja uma oferta séria e sobre o bloqueio no Estreito de Ormuz explicou que as forças norte-americanas estão a impedir a entrada e saída de mais de 70 petroleiros nos portos iranianos.

Por sua vez, após a declaração de Rubio, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano anunciou que o governo de Teerã ainda está avaliando a resposta à proposta de Washington.

Segundo publicação da agência de notícias iraniana Fars, foram registrados hoje confrontos esporádicos entre as forças armadas iranianas e navios norte-americanos no Estreito de Ormuz.

Enquanto isso, o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, assegurou que o seu país teve, em todos os momentos do conflito, uma proposta de solução diplomática em cima da mesa, mas que a Casa Branca optou sempre por enveredar por uma ‘aventura militar imprudente’, diz a agência estatal iraniana.

Araghchi acrescentou que os iranianos nunca se vergam sob pressão e condenou os atos de agressão de navios da marinha do EUA sobre os petroleiros iranianos, acusando os incidentes de violações do cessar-fogo.

Papa Leão pede a Deus que inspire líderes mundiais a acalmar tensões

O papa Leão XIV pediu a Deus que inspirasse os líderes mundiais a acalmar as tensões globais e reduzir o ódio em um discurso nesta sexta-feira (8 de maio), para marcar seu primeiro aniversário como chefe da Igreja Católica.

O discurso acontece um dia após ele se encontrar com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, no Vaticano.

Leão XIV, que atraiu a ira do presidente americano, Donald Trump, após criticar a guerra com o Irã, pediu aos fiéis que rezassem para que os governos de todo o mundo se afastassem da violência.

Em uma visita a Pompeia, cidade moderna a cerca de 245 km ao sul de Roma, perto das famosas ruínas de uma erupção vulcânica, o papa disse que se uniria às orações para que Deus começasse a “tocar os corações, acalmando o rancor e os ódios fratricidas e iluminando aqueles que têm responsabilidades especiais no governo”.

Em uma visita a Pompeia, cidade moderna a cerca de 245 km ao sul de Roma, perto das famosas ruínas de uma erupção vulcânica, o papa disse que se uniria às orações para que Deus começasse a “tocar os corações, acalmando o rancor e os ódios fratricidas e iluminando aqueles que têm responsabilidades especiais no governo”.

Leão XIV, o primeiro papa dos EUA, conversou com Rubio na quinta-feira (7) em um clima de tensão com Washington, já que Trump tem repetidamente menosprezado o pontífice nas redes sociais.

O Vaticano afirmou posteriormente que ambos se comprometeram a melhorar suas relações bilaterais, num gesto que fontes internas descreveram como um reconhecimento incomum das tensões sem precedentes.

A embaixada dos EUA junto à Santa Sé declarou na rede social X após o encontro que o pontífice e o secretário americano discutiram “tópicos de interesse mútuo no Hemisfério Ocidental”.

Leão XIV, o então Cardeal Robert Prevost, foi eleito pelos cardeais do mundo para suceder o papa Francisco como líder da Igreja Católica, com seus 1,4 bilhão de fiéis, em 8 de maio de 2025.

Prevost, que passou décadas como missionário e bispo no Peru antes de se tornar papa, manteve um perfil relativamente discreto em seus primeiros 10 meses, mas tem se manifestado veementemente contra a guerra e o despotismo nas últimas semanas.

Em sua mensagem para milhares de pessoas na praça principal de Pompeia, nesta sexta-feira (8), o pontífice lamentou que a paz mundial esteja “ameaçada por tensões internacionais e por uma economia que prefere o comércio de armas ao respeito pela vida humana”.

Ele exortou as pessoas a não se acostumarem com a guerra. “Não podemos nos resignar às imagens de morte que os noticiários nos mostram todos os dias“, disse Leão.

Humor entre Brasil e EUA mudou, diz Amorim após reunião entre Lula e Trump

O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, avaliou à CNN que o “humor mudou” entre Brasil e Estados Unidos após o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump.

Para ele, o saldo da reunião de cerca de três horas foi “muito positivo” e “criou bases políticas para o diálogo em várias frentes”.

É isso que cabe fazer a chefes de Estado. O humor mudou e os acordos virão das conversas entre ministros e técnicos”, disse à CNN.

Para o ex-chanceler brasileiro, que é um dos principais conselheiros do presidente brasileiro, o caminho entre Brasil e Estados Unidos “está pavimentado”.

Após o encontro com Trump, Lula disse que aguarda a derrubada das tarifas dos produtos ainda taxados pelos Estados Unidos. Além disso, afirmou que está disposto a fazer um acordo com os EUA sobre a exploração das terras raras em território brasileiro.

Do lado de Trump, o republicano elogiou Lula e classificou a reunião como positiva, com perspectiva de acordos comerciais em médio prazo.

O encontro entre os dois foi realizado nessa quinta-feira (7), após uma relação conturbada entre Lula e Trump, com trocas de críticas públicas.

EUA esperam que Irã responda hoje sobre proposta de paz

Os Estados Unidos esperam uma resposta nesta sexta-feira (8) do Irã sobre uma proposta em relação à guerra, disse o secretário de Estado americano, Marco Rubio, acrescentando que espera que “seja uma oferta séria“.

Deveríamos saber algo hoje“, afirmou Rubio em uma coletiva de imprensa em Roma.

“Ainda não recebemos nada, até a última hora. O sistema deles ainda está muito fragmentado e disfuncional, o que pode estar dificultando as negociações“, explicou.

O principal diplomata americano observou que esperam que a resposta iraniana seja “algo que possa nos levar a um processo sério de negociação”.

Rubio também mencionou notícias veiculadas durante a noite de que “o Irã estabeleceu ou está tentando estabelecer alguma agência para controlar o tráfego no Estreito“, alertando que “isso seria muito problemático, seria inaceitável”.

Risco de propagação do hantavírus para população é pequeno, diz OMS

Hantavírus: cepa transmissível entre humanos é confirmada em passageiros de cruzeiro/AFP

O risco de propagação do hantavírus para a população é “absolutamente baixo”, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Trata-se de um vírus perigoso, mas unicamente para a pessoa realmente infetada. Quanto ao risco para a população em geral, continua sendo extremamente baixo“, declarou à imprensa em Genebra um porta-voz da OMS, Christian Lindmeier.

O porta-voz destacou que, mesmo entre as pessoas que estavam hospedadas nas mesmas cabines que outra infectada a bordo do cruzeiro MV Hondius, “parece que, em alguns casos, nenhum dos dois está infectado“.

Não se trata de uma nova covid“, insistiu.

O cruzeiro Hondius, da empresa holandesa Oceanwide Expeditions, que registrou um surto de hantavírus entre os passageiros, zarpou em 1º de abril de Ushuaia, no sul da Argentina. No momento, segue para Tenerife, nas Ilhas Canárias, onde deve chegar no domingo.

A OMS contabilizou oito casos vinculados ao foco, três deles confirmados (um morto e dois doentes).

Trump diz que Lula é ‘inteligente’ e um ‘bom homem’ após encontro na Casa Branca

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump/Ricardo Stuckert/PR

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após o encontro de três horas que os dois líderes tiveram na Casa Branca nesta quinta-feira, 7. A jornalistas, o republicano definiu a reunião como “ótima” e descreveu o petista como um homem “bom” e “inteligente“.

Tivemos uma reunião ótima com o presidente do Brasil. Tivemos muitas trocas comerciais e vamos aumentá-las. Conversamos sobre tarifas, conversamos sobre… eles gostariam de ter um alívio tarifário, mas tivemos uma reunião muito boa. Ele (Lula) é um bom homem, um cara inteligente“, disse Trump.

O presidente americano já havia dito, mais cedo, em uma postagem na rede Truth Social, que Lula era uma pessoa dinâmica. “Acabei de encerrar minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico presidente do Brasil. Discutimos diversos assuntos, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião transcorreu muito bem“, escreveu logo após o encontro.

Lula e Trump se encontraram nesta quinta-feira (7) na Casa Branca, em uma reunião que durou cerca de três horas. A conversa entre os dois líderes passou por uma série de assuntos, como tarifaço, crime organizado, terras raras e as relações dos Estados Unidos com países da América Latina.

Eu saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os EUA“, afirmou Lula após a reunião.

Apesar de nenhum acordo ter sido fechado, Lula afirmou que conseguiu uma prorrogação de 30 dias sobre o tarifaço que os EUA querem aplicar ao Brasil. Nesse período, representantes dos dois países devem se reunir para negociar.

Tem uma divergência entre nós que ficou explícita na reunião. Propus 30 dias para que os companheiros possam criar uma solução“, disse Lula, que afirmou estar “positivo” em relação ao tema.

Os EUA haviam imposto 50% de tarifas contra o Brasil – 10% aplicados a todos e 40% adicionais apenas ao Brasil. Os 40% caíram após decisão da Suprema Corte, mas podem retornar caso o país decida reimpor as sobretaxas a partir de julho. Neste encontro, o Brasil conseguiu um respiro de um mês para negociar.

O encontro foi marcado também pela cordialidade. Desde o início, ambos os presidentes apresentaram uma postura diplomática. Trump recebeu Lula em um tapete vermelho e apertou a mão do brasileiro assim que se encontraram.

Ao final, o petista brincou, em tom amistoso, ao dizer que o republicano não poderia impor dificuldades no setor de imigração aos jogadores da Seleção Brasileira que embarcarão para os Estados Unidos para a disputa da Copa do Mundo.

Eu falei para ele: espero que você não venha anular o visto dos jogadores brasileiros. Por favor, não faça isso, porque a gente vai vir aqui para ganhar a Copa do Mundo”, disse Lula, que ainda brincou ao afirmar que tinha feito o presidente dos EUA sorrir: “O presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia“.

Situação no Irã “voltou ao normal” após troca de ataques, diz mídia estatal

A situação se estabilizou após a troca de tiros entre forças americanas e iranianas no Estreito de Ormuz e em suas proximidades nesta quinta-feira (7), informou a mídia estatal iraniana.

Após a troca de tiros nas últimas horas, a situação nas ilhas iranianas e nas cidades costeiras do Estreito de Ormuz voltou ao normal“, afirmou a Press TV.

Até o momento, não há relatos de vítimas civis, informou a IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica), citando um repórter da mídia estatal na província de Hormozgan, no sul do país, que abriga a costa iraniana e as ilhas ao longo do estreito.

Acusação do Irã

O Irã acusou os EUA de violarem o cessar-fogo ao atacarem dois navios no Estreito de Ormuz e áreas civis, informou o comando militar conjunto do país.

Os EUA alvejaram “um petroleiro iraniano que navegava das águas costeiras do Irã perto de Jask em direção ao Estreito de Ormuz, bem como outra embarcação que entrava no Estreito de Ormuz perto do porto emiradense de Fujairah“, disse um porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã em um comunicado divulgado pela mídia estatal.

“Ao mesmo tempo, com a cooperação de alguns países da região, realizaram ataques aéreos contra áreas civis ao longo das costas de Bandar Khamir, Sirik e da Ilha de Qeshm”.

A agência de notícias iraniana Mehr afirmou que explosões também foram ouvidas na área de Bandar Abbas e Qeshm, mas acrescentou que “nenhum órgão oficial comentou sobre a causa desses sons”.

A agência de notícias semioficial Tasnim especulou, citando fontes não identificadas, que os Emirados Árabes Unidos poderiam estar por trás do ataque a Qeshm, mas disse que isso não foi confirmado.

Enquanto isso, o Nour News, um veículo de comunicação afiliado à Guarda Revolucionária Islâmica, disse que um píer de passageiros na ilha de Qeshm teria sido atingido. A agência de notícias iraniana Fars também informou que moradores de Bandar Abbas ouviram sons semelhantes a explosões vindos de várias partes da cidade.

EUA afirmam que ataques foram retaliatórios

Os militares dos EUA disseram ter realizado ataques retaliatórios contra o Irã, visando locais que, segundo eles, foram responsáveis ​​por atacar forças americanas no que chamaram de hostilidades não provocadas por Teerã.

O CENTCOM (Comando Central dos EUA) eliminou ameaças de entrada e atacou instalações militares iranianas responsáveis ​​por atacar forças americanas, incluindo locais de lançamento de mísseis e drones; centros de comando e controle; e nós de inteligência, vigilância e reconhecimento“, disseram os militares em um comunicado.

Eles acrescentaram que o Irã lançou múltiplos mísseis, drones e pequenas embarcações enquanto três destróieres da Marinha dos EUA transitavam pelo Estreito de Ormuz.

EUA atacam Irã e têm navios bombardeados; ofensiva foi violação de cessar-fogo, diz Teerã

Embarcações ancoradas no Estreito de Ormuz/AMIRHOSSEIN KHORGOOEI / ISNA / AFP

Os Estados Unidos realizaram um ataque contra um porto iraniano na ilha de Qeshm e contra o posto de controle naval iraniano de Bandar Kargan, em Minab, de acordo com a jornalista Jennifer Griffin, da Fox News, ecoando relatos anteriores da mídia persa. O avanço militar, contudo, não significa que o cessar-fogo acabou ou que a guerra irá reiniciar, de acordo com oficiais militares ouvidos pela Fox.

Segundo a Fox, o ataque ocorre dois dias depois do Irã supostamente atacar os Emirados Árabes Unidos e “provocar a raiva de países do Golfo“, principalmente da Arábia Saudita, que ficou indignada com o Pentágono pela forma como lidou com os ataques iranianos. Autoridades americanas haviam classificado o ataque como de baixo nível, sem quebrar o acordo de cessar-fogo em vigor.

Contudo, o porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya ligado à Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês), afirmou que os EUA “violaram o cessar-fogo“, de acordo com a iraniana Press TV. Um petroleiro iraniano que navegava em direção ao Estreito de Ormuz foi atacado, assim como outra embarcação que estava próxima ao porto de Fujeira, dos Emirados Árabes Unidos, ainda segundo o pronunciamento.

A PressTV relatou, ainda, que os ataques realizados “contra áreas civis” ao longo das costas de Bandar Khamir, Sirik e da Ilha de Qeshm contaram com a “cooperação de alguns países da região”. A fonte ouvida pela Fox News confirmou que a Arábia Saudita e o Kuwait voltaram a permitir que os EUA utilizassem seu espaço aéreo e suas bases militares para o “Projeto Liberdade“, de escolta de navios pelo Estreito de Ormuz, como relatado anteriormente pelo Wall Street Journal.

A agência iraniana Mehr relatou que a defesa aérea foi ativada a oeste de Teerã, capital do país. Outros ataques foram ouvidos nas proximidades de Bandar Abbas.

O Irã respondeu ao ataque, ainda segundo a PressTV, causando “danos significativos” às embarcações militares dos EUA. Já segundo a agência Tasnim, os iranianos teriam usado mísseis e drones para atingir pelo menos três navios estadunidenses que “fugiram” em direção ao Golfo de Omã.

Chefe da diplomacia dos EUA se encontrou com o Papa

Papa Leão XIV e o Secretario de Estado norte-americano, Marco Rubio/Handout / VATICAN MEDIA / AFP

Nesta quinta-feira (07), o Papa Leão XIV e o Secretario de Estado norte-americano, Marco Rubio, se encontraram e discutiram à porta fechada sobre várias questões, inclusive o Oriente Médio, após as duras críticas do presidente Donald Trump ao pontífice.

O secretário de Estado Marco Rubio se reuniu hoje com Sua Santidade o Papa Leão XIV para discutir a situação no Oriente Médio e temas de interesse mútuo no Hemisfério Ocidental. Analisaram os esforços humanitários em curso no Ocidente e as iniciativas para alcançar uma paz duradoura na região do Oriente Médio. As suas trocas foram um testemunho da forte e contínua parceria entre os Estados Unidos e a Santa Sé em apoio à liberdade religiosa“, comunicou Tommy Pigott, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

Pigott ainda destacou a estreita relação entre os Estados Unidos e a Santa Sé e o seu compromisso compartilhado em promover a paz e a dignidade humana.

Uma fonte do Departamento de Estado revelou à agência de notícias France-Presse (AFP) que a reunião foi amigável e construtiva.

Depois do encontro com o Papa, Rubio também se reuniu com o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin.

Poucos dias antes da visita ao Vaticano, o próprio chefe da diplomacia dos EUA tentou minimizar as declarações de Trump contra o líder da Igreja Católica, mas negou que a viagem a Roma tinha como objetivo amenizar as tensões com a Santa Sé, afirmando que sua ida já estava planejada de antemão. Rubio ainda afirmou antes da reunião que pretendia discutir sobre Cuba com o Papa, enfatizando que Washington tem contribuído com ajuda humanitária à ilha através da Igreja Católica.

No início da semana, Trump afirmou que o Papa está pondo em perigo muitos católicos e muitas pessoas porque não se importava que o Irã tivesse uma arma nuclear.

Por sua vez, ao ser questionado pelos jornalistas, Leão XIV respondeu, como já fez em outras ocasiões, que a missão da Igreja é proclamar o Evangelho e pregar a paz. “Se alguém quiser me criticar por proclamar o Evangelho, que o faça com a verdade“, declarou.

Além disso, o Papa insistiu que a Igreja tem se declarado contra todas as armas nucleares há anos, de acordo com a publicação do Vatican News.

Pix e tarifas: Quais os assuntos econômicos que Trump e Lula devem discutir

Pix e tarifas: Quais os assuntos econômicos que Trump e Lula devem discutir  | Contec Brasil

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump se encontram nesta quinta-feira (7), em Washington, após meses de expectativa de uma agenda exclusiva entre os líderes.

A pauta econômica deve ser um dos focos da reunião, com destaque para Pix e o tarifaço contra produtos importados do Brasil.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, faz parte da comitiva que foi aos Estados Unidos nesta quarta-feira (6). Antes de embarcar, o auxiliar de Lula sinalizou alguns temas que podem estar no debate entre os chefes de Estado.

Há dúvidas nos Estados Unidos em relação ao Pix, por exemplo? Nós estamos à disposição para explicar”, afirmou, e pontou que o governo deve afastar algum lobby indevido que estaja ocorrendo.

Pix e tarifas

No início de abril, o USTR (escritório de representação comercial da Casa Branca) publicou um documento apontando o Pix, projetos de lei que buscam regulamentar redes sociais e até a “taxa das blusinhas” como barreiras impostas pelo Brasil aos interesses americanos no comércio exterior.

A lista de obstáculos se soma a outras reclamações já tradicionais dos Estados Unidos, como lentidão no registro de patentes e problemas na área de propriedade intelectual, as tarifas para importação de etanol, restrições sanitárias para a carne de porco americana e cotas para produções audiovisuais nacionais (a chamada “cota de tela”).

O capítulo dedicado ao Brasil ocupa oito páginas no relatório e endossa pontos já mencionados no âmbito da Seção 301, investigação conduzida pelo USTR que entra em sua reta final nos próximos meses e pode resultar em tarifas específicas contra produtos brasileiros.

“O governo brasileiro impõe uma taxa linear de 60% para todas as encomendas expressas importadas pelo processo de Desembaraço Aduaneiro Simplificado“, afirma um trecho do relatório, acrescentando que o limite é de US$ 100 mil dólares/ano por importador.

Além disso, a Receita Federal estabelece um valor máximo de US$ 10 mil para exportações e US$ 3 mil para importações“, diz o USTR.

O documento também aponta que o Banco Central “criou, detém, opera e regula o Pix, uma plataforma de pagamentos instantâneos’’.

E que partes interessadas dos Estados Unidos ‘’expressaram preocupações de que o BC conceda tratamento preferencial ao Pix, que prejudica os fornecedores de serviços de pagamentos eletrônicos dos EUA’’.

Outro alvo da Casa Branca é o PL 4.675, projeto de lei enviado pelo Palácio do Planalto ao Congresso Nacional em setembro de 2025, que amplia os poderes do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) na regulação econômica de plataformas digitais e para evitar práticas anticoncorrenciais no setor.

Para o USTR, há risco de que empresas americanas sejam “desproporcionalmente” afetadas e sejam multadas pelo Cade em até 20% do faturamento global.

O governo americano também critica o patamar tarifário aplicado pelo Brasil sobre produtos importados como um todo.

Em 2024, segundo o relatório, a alíquota média do Brasil foi de 12,5% para bens industriais e de 9% para bens agrícolas.

Apesar de ter retirado a sobretaxa de grande parte dos produtos brasileiros no fim de novembro, os EUA ainda mantêm barreiras contra segmentos, como como aço, alumínio, cobre e móveis.

Minerais críticos e terras raras

Os minerais críticos e as terras raras – essenciais para tecnologias do futuro, abundantes no Brasil e desejo dos Estados Unidos – também devem ser discutidos. Os recursos são importantes na fabricação de ímãs de alto desempenho, motores elétricos e eletrônicos de consumo.

O principal objetivo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo diplomatas brasileiros, é firmar um acordo com Lula sobre minerais críticos, segundo apuração da CNN Brasil.

Enquanto isso, o governo discute junto ao Congresso um novo marco para o setor e defende regras que garantam a agregação de valor ao mineral nacionalmente.

Para completar, uma mineradora americana, a USA Rare Earth, impactou o mercado e anunciou no fim de abril a compra da brasileira Serra Verde, que explora terras raras, por US$ 2,8 bilhões.

Em fevereiro, o governo dos Estados Unidos propôs ao Brasil um acordo voltado à cooperação em minerais críticos que inclui, entre outros pontos, discussões sobre preços mínimos para esses insumos e investimentos em capacidade de refino e transferência tecnológica ao território nacional, segundo fontes envolvidas diretamente nas negociações e trechos do documento obtidos pela reportagem.

O acordo, segundo fontes, só seria assinado em eventual encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump.

Navio com surto de hantavírus segue para a Espanha; pacientes são hospitalizados na Europa

Hantavírus: cepa transmissível entre humanos é confirmada em passageiros de cruzeiro/AFP

Três pessoas retiradas do navio de cruzeiro devido a um surto de hantavírus foram hospitalizadas em países europeus, enquanto a embarcação navegava, nesta quinta-feira (7), em direção ao arquipélago espanhol das Ilhas Canárias, onde tem previsão de chegada no domingo.

O MV Hondius, de bandeira holandesa, gerou alarme internacional após a morte de três pessoas que estiveram a bordo.

Na manhã desta quinta-feira, o navio estava ao norte de Cabo Verde, de acordo com o site de rastreamento marítimo Marine Traffic, que prevê a chegada da embarcação às Ilhas Canárias no domingo ao meio-dia (horário local).

A ministra da Saúde espanhola, Mónica García, especificou que o navio chegará a Granadilla, na ilha de Tenerife.

O cruzeiro, que fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde, transportava 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades.

O passageiro Ruhi Cenet, um blogueiro turco de 35 anos, disse que o que começou como uma viagem idílica se transformou em caos quando o capitão do navio anunciou a morte de um passageiro em 12 de abril.

Eles nem sequer consideraram a possibilidade de ser uma doença tão contagiosa. Eles não levaram o problema a sério o suficiente“, disse Cenet à AFP.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que retirou três pessoas do navio: dois tripulantes doentes e uma pessoa que teve contato com um dos casos confirmados.

Os três embarcaram em dois voos partindo de Praia, capital de Cabo Verde, com destino à Europa.

Um dos aviões, que transportava duas pessoas que estavam no cruzeiro, pousou na noite de quarta-feira em Amsterdã. Um paciente foi internado em um centro médico universitário em Leiden, nos Países Baixos, e o outro no hospital universitário de Düsseldorf, na Alemanha.

A segunda aeronave, que transportava o terceiro passageiro retirado, pousou na manhã desta quinta-feira em Amsterdã.

Os três pacientes estão em condição estável e um deles é assintomático“, segundo Ann Lindstrand, representante da OMS em Cabo Verde.

Além dessas três pessoas, um homem está hospitalizado em Joanesburgo e outro na Suíça.

Contágio antes de embarcar

Uma especialista da OMS disse à AFP que o primeiro caso de hantavírus detectado no navio não poderia ter ocorrido a bordo ou durante uma escala, já que o período de incubação indica infecção anterior à partida de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril.

Anais Lagand, especialista da OMS em febres hemorrágicas virais, afirmou que o período de incubação do hantavírus varia entre uma e seis semanas, portanto, o primeiro caso “claramente teve exposição antes do embarque” e essa exposição estava, “sem dúvidas, ligada a um roedor”.

O Ministério da Saúde da Argentina anunciou que enviará especialistas à cidade patagônica de Ushuaia para analisar a possível presença do vírus naquela região.

O hantavírus, transmitido por roedores infectados, geralmente por meio de urina, fezes e saliva, é motivo de preocupação para a população após a morte de três pessoas.

Uma das três mortes foi causada por hantavírus, e as outras duas são suspeitas de estarem relacionadas à doença.

Apesar das preocupações com o surto, a situação não é semelhante ao início da pandemia de covid-19, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, à AFP. “O risco para o resto do mundo é baixo“, afirmou.

Após a chegada do navio às Ilhas Canárias, todos os estrangeiros, exceto os que estiverem gravemente doentes, serão levados de volta aos seus países de origem, declarou a ministra espanhola García.

Segundo as autoridades holandesas, dois especialistas em doenças infecciosas acompanham os passageiros durante o restante da viagem.

Os passageiros começaram a apresentar sintomas há um mês. Uma mulher holandesa morreu na África do Sul em 26 de abril, após desembarcar na ilha de Santa Helena, depois da morte do marido a bordo.

A empresa de cruzeiros Oceanwide Expeditions informou nesta quinta-feira que ninguém a bordo do navio apresenta sintomas.

Vírus dos Andes

Especialistas em saúde estão preocupados com o potencial de propagação do surto após a revelação de que a holandesa que morreu havia viajado com sintomas em um voo comercial da ilha britânica de Santa Helena para Joanesburgo.

As autoridades tentam localizar os passageiros do voo que, segundo a companhia aérea sul-africana Airlink, transportava 82 passageiros e seis tripulantes.

Uma comissária de bordo da KLM está sendo testada após apresentar sintomas leves, informou o Ministério da Saúde holandês à AFP nesta quinta-feira.

A operadora do cruzeiro Oceanwide Expeditions também informou que 30 passageiros desembarcaram do navio em Santa Helena em 24 de abril.

Estamos trabalhando para identificar todos os passageiros e tripulantes que embarcaram e desembarcaram nos diversos portos de escala do MV Hondius desde 20 de março“, acrescentou a empresa.

O ministro da Saúde sul-africano, Aaron Motsoaledi, confirmou que os testes detectaram a cepa Andes, a única que pode ser transmitida entre pessoas.

A Suíça também confirmou que a pessoa hospitalizada em Zurique testou positivo para a mesma cepa. O paciente de Zurique eleva para três o número de casos confirmados de hantavírus, além de uma morte e um britânico internado na UTI em Joanesburgo.

Fontes: Joesley Batista ajudou a articular encontro entre Lula e Trump

Joesley teve encontro com Trump antes de aceno a Lula - 25/09/2025 -  Mercado - Folha

O empresário Joesley Batista, da JBS, ajudou a mediar o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, que acontece nesta quinta-feira (7) na Casa Branca.

A informação foi revelada pela agência Reuters e confirmada pela CNN Brasil com fontes a par das negociações.

A reunião entre os chefes de Estado estava prevista para março, mas foi adiada devido à guerra no Oriente Médio.

Joesley Batista é o empresário brasileiro mais próximo da Casa Branca e foi um dos doadores da festa de posse de Trump.

Em janeiro, o empresário teve encontro reservado com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em Caracas.

O conglomerado da família Batista tem interesses comerciais com o país, sobretudo nos setores de alimentos e de energia.

Segundo a CNN Brasil apurou, os dois conversaram sobre a estabilidade do governo provisório, sobre o nível de apoio dado a Delcy pelo regime chavista após a captura de Nicolás Maduro e ainda sobre perspectivas de investimentos na Venezuela.

Gestos de Trump a Lula sinalizam reunião sem ruídos, dizem aliados

Gestos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizam que a reunião de trabalho na Casa Branca, marcada para o fim da manhã de quinta-feira (7), deve ocorrer sem intercorrências, avaliam aliados do petista e integrantes do governo brasileiro.

O histórico de tensões com convidados no Salão Oval, neste mandato do republicano, inclui constrangimentos ao presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e trocas de ofensas com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

Apesar do precedente negativo do anfitrião, interlocutores da Presidência observam que Trump, nos contatos recentes com Lula, pessoalmente ou por telefonema, sempre foi afável e aberto ao diálogo, após a crise gerada pela aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros.

Lula embarcou nesta quarta-feira, por volta de 13h35, para Washington. A visita foi acertada no fim da semana passada por iniciativa do governo americano, que, segundo relatos à CNN, também é um fator tranquilizador para a visita.

Até mesmo a presença de tradutores na reunião de trabalho é mencionada como uma razão para que a tensão não escale no Salão Oval em meio a assuntos difíceis. Ramaphosa e Zelensky conversaram em inglês sem necessidade do tempo da mediação.

Desde que Lula e Trump se falaram por telefone em dezembro do ano passado, as duas equipes mantiveram diálogo permanente não apenas para acertar a agenda, mas também para preparar a pauta da reunião de trabalho.

No cardápio de temas a serem tratados estão o “tarifaço” sobre produtos brasileiros, as investigações americanas sobre o Pix, terras raras e minerais críticos, desmatamento e uma parceria no combate ao crime organizado.

A diplomacia brasileira evita tratar a reunião em clima de confronto e diz se tratar de mais uma etapa do diálogo iniciado em setembro de 2025, quando, nos bastidores da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Trump afirmou ter tido uma “ótima química” com Lula após uma rápida conversa.

Em outubro do ano passado, os dois conversaram por telefone e, no mesmo mês, se encontraram pessoalmente à margem da 47ª Cúpula da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), em Kuala Lumpur, na Malásia. Em dezembro, em novo telefonema, os presidentes trataram do combate ao crime organizado e combinaram uma ida de Lula aos Estados Unidos.

O presidente brasileiro chegou a afirmar que a visita aos EUA ocorreria em março. Porém, de acordo com integrantes do governo Lula, a guerra no Irã, que eclodiu no fim de fevereiro, dificultou a conciliação das agendas.

À espera da reunião na Casa Branca, Lula criticou Trump diversas vezes, condenando guerras, a aplicação de tarifas e o unilateralismo. A postura de defesa da soberania adotada pelo presidente brasileiro ajudou Lula a recuperar popularidade em meio ao tarifaço no ano passado. Para aliados, o enfrentamento com o presidente dos Estados Unidos é uma fórmula que pode ajudar Lula na busca pela reeleição.

Integrantes do governo também minimizam a tensão após a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos), em Orlando, na Flórida. Na avaliação deles, o tema não tem dimensão para ocupar espaço na agenda de trabalho dos dois chefes de Estado.

Na ocasião, a PF (Polícia Federal) afirmou que a detenção foi fruto da parceria entre os dois países. Condenado a 16 anos pela trama golpista, Ramagem, que tem um pedido de asilo político, foi solto dois dias depois. Os Estados Unidos determinaram a saída do delegado federal que atuava junto ao ICE, em Miami, e, como resposta, o Brasil expulsou o agente americano que atuava junto à PF.

Pacientes suspeitos de infecção por hantavírus são retirados de cruzeiro

Vista geral do navio de cruzeiro MV Hondius parado ao largo do porto da Praia, capital de Cabo Verde/ AFP

Os três pacientes suspeitos de diagnóstico de hantavírus que estavam a bordo do cruzeiro MV Hondius foram retirados do navio em Cabo Verde e serão transferidos para a Holanda, anunciou nesta quarta-feira (6) o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Três pacientes com suspeita de infecção por hantavírus acabam de ser retirados do navio e estão a caminho para receber atendimento médico nos Países Baixos, em coordenação com a OMS, o operador do navio e as autoridades nacionais de Cabo Verde, do Reino Unido, da Espanha e dos Países Baixos”, anunciou Tedros Adhanom Ghebreyesus na rede social X.