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UE oficializa decisão de vetar importação de carne do Brasil a partir de setembro

Carne bovina/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A União Europeia confirmou na sexta-feira, 5, o veto para a compra de carnes do Brasil a partir de 3 de setembro. De acordo com comunicado assinado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, a medida atinge bovinos, equídeos (cavalos), aves, aquicultura (peixes), mel e tripas.

Em maio, a UE já havia retirado o Brasil de uma lista de países aptos a realizar a exportação desses produtos para o bloco. Os países europeus exigem que o Brasil dê garantias adicionais do cumprimento do regulamento de uso de antimicrobianos – como antibióticos, por exemplo – nas criações.

Segundo o documento, o Brasil não chegou a apresentar as informações que garantem que medidas sanitárias eficazes tenham sido implementadas. O Brasil exporta cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em proteínas à UE.

Procurados, os Ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores do Brasil não haviam se manifestado até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

“A Comissão não recebeu informações que garantam que o Brasil aplicou as medidas necessárias para assegurar o cumprimento, até 3 de setembro de 2026, dos requisitos estabelecidos no artigo 3º do Regulamento Delegado (UE) 2023/905 relativamente a estas categorias“, diz documento publicado no Jornal Oficial da União Europeia.

A menção relativamente a bovinos, equídeos, aves de capoeira, aquicultura, mel e tripas deverá, por conseguinte, ser suprimida no anexo do presente regulamento“, complementa o texto.

No final de maio, o governo brasileiro apresentou informações adicionais sobre as questões sanitárias envolvendo a exportação desses produtos. Uma reunião chegou a ser realizada entre a equipe técnica do Ministério da Agricultura e a Direção Geral da Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia (DG Santé), apurou o Estadão.

No encontro virtual, segundo interlocutores, o Brasil apresentou parte das informações adicionais exigidas pelo bloco europeu. Outra remessa de documentos e informações estava sendo preparada mas não havia prazo para o envio.

As novas garantias precisavam comprovar que o governo brasileiro era capaz de atestar que as carnes enviadas ao bloco cumprem o regulamento de antimicrobianos, lançado em 2023.

As informações, de cunho sanitário, respondem a critérios já indicados em documentos anteriores enviados pela UE ao Brasil, segundo interlocutores que acompanham as tratativas.

As exigências vão no sentido de o Brasil comprovar que pode assegurar que as proteínas e produtos de origem animal exportados ao bloco, sobretudo a carne bovina, não são produzidos com uso de determinados antimicrobianos.

As questões envolvem a segregação da produção e que o governo assegure os protocolos privados quanto ao uso de antimicrobianos sobretudo antibióticos promotores de crescimento. Na prática, produtores e indústria precisam assegurar que não usam os produtos especificados, e o governo, por sua vez, garantir a fiscalização quanto ao não uso e de que o setor privado cumpre as normas.

Em novas sanções, EUA miram empresa de mineração e presidente de Cuba

Bandeira de Cuba/Foto: AFP

Os Estados Unidos (EUA) publicaram novas sanções econômicas contra Cuba mirando empresas do setor de mineração, turismo e o presidente da Ilha, Miguel Díaz-Canel. As novas medidas se somam a outras centenas que tentam estrangular economicamente o país e forçar uma troca de governo em Havana.

O Departamento de Tesouro dos EUA incluiu, nessa quinta-feira (4), na lista de entidades sancionadas a Amistur Cuba, empresa de turismo da ilha, e a Minera la Victoria, joint venture formada pela empresa de mineração de ouro cubana Geominera em parceria com a australiana Antilles Gold.

No mesmo dia, o presidente dos EUA Donald Trump alegou que Cuba quer que a Casa Branca cuide da ilha.

Vamos cuidar de Cuba depois de terminar com o Irã, talvez seja possível investir lá”, disse Trump a jornalistas.

Em comunicado nas redes sociais, o secretário de Estado Marco Rubio disse que qualquer pessoa que forneça serviços as entidades sancionais correm o risco de também serem sancionadas.

Bancos estrangeiros e outras empresas que forneçam serviços a essas entidades devem congelar essas atividades. A Administração Trump não tolerará mais regimes marxistas radicais em nosso hemisfério”, disse Rubio.

Os EUA ainda sancionaram o presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel, sua esposa, Lis Cuesta Peraza, seu filho, Manuel Anido Custa, e outros funcionários ligados ao governo de Havana. Entre eles, um filho e um neto do ex-presidente de Cuba Raúl Castro, Alejandro Castro Espin e Raul Alejandro Castro Calis, respectivamente.

Outras entidades que foram alvos dos EUA são o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba; o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP); e os Comitês para Defesa da Revolução (CDR).

“Todas as transações e negociações realizadas por pessoas dos EUA ou pessoas dentro (ou em trânsito) pelos Estados Unidos que envolvam quaisquer bens ou interesses em bens de pessoas designadas ou bloqueadas são proibidas”, diz a nota do Escritório responsável pelas sanções dos EUA (OFAC).

Cuba reage

O presidente de Cuba Miguel Díaz-Canel disse que as falas do presidente Trump são uma ameaça ao país e criticou as novas medidas unilaterais que “prejudicam o povo”.

A agressividade e a perversão do governo ianque colidirão com nossa determinação de enfrentar os piores cenários e resistir ao ataque imperial”, disse Canel em uma rede social.

O ministro das relações exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, destacou que a inclusão de pessoas, empresas e entidades em uma “lista ilegítima” de sanções demonstra o plano de intervenção na ilha.

Toda ação dos EUA com o objetivo de criar um cenário de conflito entre os dois países está fadada ao fracasso. Toda ameaça à independência e soberania de Cuba será enfrentada com ainda mais união e determinação por parte do nosso povo”, comentou em uma rede social.

Rodríguez ainda desmentiu o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio que disse que o governo Trump não bloquearia a entrada de petróleo em Cuba.

Ele parece esquecer intencionalmente a Ordem Executiva 14380, de 29 de janeiro de 2026, elaborada por ele mesmo e assinada pelo seu Presidente, que autorizou a imposição de tarifas punitivas contra importações de países que fornecem petróleo a Cuba direta ou indiretamente”, afirmou.

Bloqueio econômico

O bloqueio econômico contra Cuba, que já dura quase 70 anos, foi endurecido pela atual administração da Casa Branca no final de 2025, a partir das restrições navais impostas à Venezuela.

Em janeiro de 2026, os EUA ameaçaram sancionar quem vender petróleo à Cuba. A nova medida levou o país de 11 milhões de habitantes a ficar três meses sem receber uma gota de petróleo.

As medidas da Casa Branca têm causado aumento dos apagões, a elevação dos preços de produtos básicos, a redução do transporte público e da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado. Para moradores de Havana consultados pela Agência Brasil, esse é o pior momento do país.

Hezbollah rejeita acordo de cessar-fogo no Líbano e exige retirada de Israel

 A picture taken along the Israel-Lebanon border shows rockets being fired from southern Lebanon towards Israel on March 3, 2026. Israel on March 3, ordered the military to take control of more positions inside Lebanon to create a buffer zone, as the Lebanese army pulled back some of its forces after Hezbollah attacked Israeli bases in support of its backer, Iran. Lebanon was drawn into the regional war a day earlier after an initial rocket attack on Israel by Hezbollah, which said it wanted to "avenge" the killing of Iranian supreme leader Ayatollah Ali Khamenei during the US-Israeli strikes. (Photo by Jalaa MAREY / AFP)
      Caption/ AFP

O Hezbollah, grupo islamista libanês em guerra com Israel, rejeitou nesta quinta-feira (4) o acordo de cessar-fogo condicional anunciado na véspera em Washington e exigiu, em vez disso, uma trégua abrangente e a retirada total das forças israelenses do Líbano.

O cessar-fogo deve ser global”, afirmou o chefe do movimento, Naim Qassem, ao exigir que “o inimigo israelense” não tenha “liberdade para matar”.

A formação pró-iraniana arrastou o Líbano para a guerra no início de março, ao atacar Israel para vingar o então líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto nos bombardeios israelenses-americanos de 28 de fevereiro que desencadearam uma guerra regional.

Na tentativa de pôr fim às hostilidades, as autoridades libanesas iniciaram negociações com Israel sob os auspícios de Washington, pela primeira vez em décadas entre esses dois países, que não mantêm relações diplomáticas. Mas o Hezbollah se opõe.

Ao término de uma quarta sessão de negociações na quarta-feira, foi anunciado um novo acordo, já que a trégua em vigor desde 17 de abril nunca foi respeitada.

O que foi anunciado prevê uma cessação das hostilidades condicionada à interrupção total dos disparos do Hezbollah e constitui, segundo o presidente libanês, Joseph Aoun, “a última oportunidade para alcançar um cessar-fogo global e definitivo” com Israel.

“Fim à farsa”

Mas Qassem pediu ao governo libanês que “ponha fim à farsa e à humilhação das negociações diretas” com Israel.

O líder do Hezbollah ressaltou que não haverá “segurança” para o norte de Israel “sem segurança para as aldeias” do sul do Líbano, enquanto o acordo prevê, por enquanto, a manutenção dos disparos e das operações do Exército israelense na região.

Nesta quinta-feira, bombardeios israelenses deixaram oito mortos e oito feridos, entre eles mulheres e crianças, no sul e no leste do país, segundo o Ministério da Saúde libanês. O Exército israelense informou, por sua vez, que um soldado “caiu em combate” no sul do país vizinho.

Os libaneses foram chamados por Israel a evacuar a área situada entre a fronteira israelense e o rio Litani, cerca de 40 km mais ao norte, já que as tropas “continuam atacando” nessa região infraestruturas do Hezbollah.

Prever “a cessação dos disparos por parte do Hezbollah e a retirada dos combatentes da resistência (…) do sul, enquanto a agressão continua” equivale a “uma rendição e uma derrota, que servem aos objetivos do inimigo”, afirmou Qassem.

O Hezbollah comunicou formalmente às autoridades libanesas sua rejeição ao acordo, indicou à AFP um de seus dirigentes sob condição de anonimato.

Apesar dessa rejeição, o governo libanês anunciou o próximo deslocamento do Exército para “zonas-piloto” do sul. Mas a população permanece cética.

Não é a primeira vez que um cessar-fogo é anunciado e Israel o viola“, disse à AFP Mohammad Chamsedin, de 56 anos, que fugiu de sua casa na periferia sul de Beirute.

No Sul do Líbano, um capacete azul sérvio morreu, a sétima morte nas fileiras da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul) desde o início de março.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou esse “assassinato” e pediu o respeito ao cessar-fogo, segundo seu porta-voz.

“Duro revés”

Os bombardeios israelenses no Líbano causaram mais de 3.500 mortos e deslocaram mais de um milhão de pessoas desde 2 de março, quando começaram as hostilidades, segundo as autoridades libanesas.

Do lado israelense, 27 soldados e um prestador de serviços civil morreram no Líbano, após o anúncio nesta quinta-feira de uma nova vítima fatal.

A situação na frente libanesa condiciona as negociações entre Washington e Teerã para encerrar a guerra que eclodiu em fevereiro em todo o Oriente Médio. Teerã exige que qualquer acordo inclua um cessar-fogo no Líbano e a retirada das tropas israelenses.

Apoiar a resistência no Líbano é dever de cada um de nós“, escreveu o general Esmail Qaani, responsável pela Força Quds, o braço de operações externas da Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã.

E, apesar de o presidente americano Donald Trump parecer otimista, as negociações estão estagnadas e os ataques continuam de forma esporádica no Golfo.

O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou nesta quinta-feira, em uma declaração escrita, que os Estados Unidos e Israel buscam “a divisão” de seu país após terem sofrido um “duro revés” na guerra.

O dirigente não é visto em público desde os ataques que mataram seu pai e antecessor, Ali Khamenei, nos quais, segundo os Estados Unidos e Israel, ele ficou ferido.

Senado dos EUA aprova US$ 70 bilhões para a ofensiva migratória de Trump

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos/JIM WATSON / AFP

O Senado dos Estados Unidos aprovou 70 bilhões de dólares (352 bilhões de reais) em financiamento para a campanha de Donald Trump de fiscalização da imigração, após um dia de votação sobre várias emendas que evidenciaram as divisões entre os republicanos em relação a outras propostas políticas do presidente.

O projeto de lei financiaria o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e a Patrulha da Fronteira pelo restante do mandato de Trump, dando ao líder republicano uma vitória significativa em uma de suas principais bandeiras após meses de disputas legislativas.

A medida agora segue para a Câmara dos Representantes, onde os líderes republicanos planejam analisá-la no início da próxima semana e enviá-la para a sanção de Trump.

A votação ocorre após uma paralisação parcial recorde do Departamento de Segurança Interna (DHS) no início deste ano, quando os democratas se recusaram a apoiar novos fundos para a fiscalização da imigração sem restrições, que incluíam táticas como batidas policiais e o uso de máscaras por agentes.

Os republicanos rejeitaram essas exigências, optando, em vez disso, por financiar o ICE e a Patrulha da Fronteira por meio do processo acelerado de “reconciliação orçamentária”, que lhes permite contornar a oposição democrata, desde que mantenham seus próprios membros unidos.

A votação no Senado ocorreu após uma sessão de maratona na quinta-feira, que envolveu votações sobre várias emendas.

Câmara dos EUA aprova medida que limita ação militar no Irã, em revés para Trump

A resolução com poderes de guerra é destinada a interromper a ação militar americana contra o Irã/Kawnat Haju/AFP

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou na noite de quarta-feira (3) uma resolução de poderes de guerra destinada a interromper a ação militar americana contra o Irã, em um revés político ao presidente Donald Trump. A medida foi aprovada por 215 votos a 208, com apoio de quatro republicanos que se juntaram aos democratas, apesar de o presidente afirmar que o Congresso tenta limitar sua atuação “no meio das negociações finais” para encerrar o conflito.

O texto ainda precisa passar pelo Senado e enfrenta incertezas quanto à sua efetividade, já que Trump deve vetar qualquer tentativa do Congresso de restringir sua autoridade como comandante em chefe das Forças Armadas. Ainda assim, a votação representa um sinal do crescente desconforto no Congresso com o conflito, iniciado há três meses.

Em publicação na Truth Social na manhã desta quinta-feira, 4, Trump classificou a votação como “sem sentido” e criticou os quatro republicanos que apoiaram a medida. Segundo ele, os parlamentares agiram “no meio das negociações finais” para encerrar a guerra com o Irã. O presidente afirmou ainda que os democratas são movidos pela “Síndrome de Perturbação por Trump” e acusou os republicanos dissidentes de buscarem apenas “holofotes”.

A votação ocorre em meio à ampliação das críticas à estratégia da Casa Branca no Oriente Médio. Trump havia feito campanha prometendo reduzir o envolvimento dos EUA em conflitos externos, mas a guerra com o Irã recolocou a região no centro da política externa americana.

Desde que os EUA se juntaram a Israel nos ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, o conflito provocou turbulências nos mercados de energia. Teerã tem conseguido interromper parcialmente a navegação no Estreito de Ormuz.

O presidente da Câmara, Mike Johnson, afirmou que Trump está trabalhando com aliados para reabrir plenamente a passagem marítima e retomar o fluxo comercial. Embora um cessar-fogo tenha sido anunciado em abril, os confrontos e as negociações para um acordo duradouro seguem instáveis.

Durante audiência na Câmara, o secretário de Estado, Marco Rubio criticou a resolução. Segundo ele, sua aprovação poderia levar os iranianos a concluir que as “mãos do governo estarão atadas“, reduzindo os incentivos para um acordo diplomático.

Líder supremo do Irã diz que EUA foram derrotados na guerra e estão ‘sofrendo humilhação profunda’

O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, participa de uma reunião em Teerã, Irã, em 18 de julho de 2016 — Foto: Amir Kholousi/ISNA/WANA via Reuters

Líder supremo do Irã diz que EUA foram derrotados na guerra e estão ‘sofrendo humilhação profunda’

Um dia após o presidente norte-americano, Donald Trump, falar em um encontro entre eles, Khamenei disse que os EUA foram derrotados na guerra e acusou o país de tentar reverter isso semeando “desespero, medo, desconfiança e discórdia”.

O aiatolá, que assumiu o cargo de líder iraniano após a morte do pai no primeiro dia de guerra, e ainda não fez nenhuma aparição pública, também atacou Israel, que chamou de “base militar” construída pelos EUA.

O governo israelense fez os primeiros ataques contra o Irã ao lado das tropas americanas e, essa semana, intensificou suas operações no Líbano para combater o Hezbollah, grupo extremista libanês apoiado pelo regime de Teerã.

O imperialismo, liderado pelos EUA, construiu uma base militar chamada Israel ao longo dos últimos 80 anos. E eles não aceitam a existência de um Irã forte e independente na fronteira leste da falsa e ilegítima geografia de “Israel Maior”—isto é, a leste do rio Eufrates. O imperialismo está disposto a fazer qualquer coisa para impedir o progresso do Irã“, disse.

Trump falou em encontro com Khamenei

Em entrevista a um podcast nesta quarta-feira (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã “concordou em não ter armas nucleares” e anunciou que gostaria de conhecer Motjaba Khamenei.

Em meio a um momento tenso nas negociações entre os dois países, com várias violações do cessar-fogo de ambos os lados, Trump disse que Khamenei está envolvido nas negociações do acordo de paz e que eles irão se ver “em algum momento”.

Ele está envolvido, com certeza. Acho que eles têm muito respeito por ele. Gostaria de conhecê-lo. Provavelmente nos encontraremos em algum momento, dependendo de como tudo se desenrolar“, declarou.

O presidente norte-americano se mostrou otimista com o andamento das conversas entre os dois países. Falou que “a situação está evoluindo rapidamente”:

O Irã é um grande sucesso. Veremos o que acontece. Estamos trabalhando em um acordo, e se isso acontecer, ótimo. Se não acontecer, tudo bem também. Faremos de outra maneira“.

Apesar das declarações de Trump, pouco antes, o conselheiro militar de Khamenei, Mohsen Rezaei, fez um post na rede social X que aparentemente contradiz suas declarações.

Após bombardeios dos EUA a um petroleiro iraniano e à ilha iraniana de Qeshm, que desencadearam ataques retaliatórios do Irã contra o Kuwait e o Bahrein, nesta quarta, Rezaei fez ameaças:

Cada tiro disparado e cada ataque serão respondidos com uma enxurrada de mísseis e drones. O agressor será punido rapidamente“.

O vai e vem das negociações de paz

Há três dias, na segunda-feira (1º), Trump falou que os EUA e o Irã deveriam chegar a um acordo para estender o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz na próxima semana em entrevista à emissora ABC News.

Trump disse que conseguiu contornar um contratempo, após o Irã ameaçar suspender as negociações por causa da troca de ataques entre Israel e o grupo extremista Hezbollah, no Líbano. Ainda segundo o presidente, as conversas com o Irã estão em “ritmo rápido”.

“Então, conversei com o Hezbollah e disse para não dispararem, e conversei com Bibi [o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu] e disse para não dispararem, e ambos pararam de atacar um ao outro“, disse.

O Irã condicionou qualquer trégua com os Estados Unidos à implementação de um cessar-fogo efetivo no Líbano. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, disse nesta segunda-feira que o fim dos ataques é essencial para as negociações de paz.

“Insistimos que um cessar-fogo no Líbano é uma condição essencial para qualquer acordo destinado a acabar com a guerra”.

O porta-voz também acusou os EUA de continuarem violando o cessar-fogo com Teerã. Segundo ele, o Irã não hesitará em adotar todas as medidas que considerar necessárias para defender a segurança nacional.

Irã e Estados Unidos estão em cessar-fogo desde 7 de abril. Os dois países chegaram a trocar ataques pontuais nas últimas semanas. Enquanto isso, o Estreito de Ormuz — por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo — continua fechado para navegação.

O principal ponto de disputa nas negociações atuais é o programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos exigem que Teerã se comprometa a nunca desenvolver armas nucleares. Já o Irã afirma que o tema não está em discussão no momento.

Trump ‘rompe trégua com Lula’ e causa ‘tempestade’ no Brasil: o que disse a imprensa internacional sobre tarifas

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante uma coletiva de imprensa na Embaixada do Brasil após seu encontro na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington, DC, em 7 de maio de 2026. — Foto: AFP

As recentes medidas do governo dos Estados Unidos de ameaçar o Brasil com novas tarifas e de classificar facções brasileiras de “terroristas” romperam uma “trégua” entre os presidentes Lula e Donald Trump e provocaram uma “tempestade política” pré-eleição, analisou o jornal britânico Financial Times em reportagem publicada nesta quarta-feira (3).

Os dois anúncios romperam uma trégua que Lula e Trump pareciam ter estabelecido após a imposição de tarifas no ano passado — uma das maiores alíquotas sob a política comercial de Trump”, diz a reportagem assinada por repórteres em Brasília e Londres.

O “FT” associou as medidas a “um esforço de lobby por parte de um importante candidato presidencial brasileiro“, referindo-se ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se encontrou com Trump na Casa Branca pouco antes dos anúncios mirando o Brasil.

A tentativa de Flávio, segue o FT, é de “se alinhar com políticos pró-Trump que venceram várias eleições recentes na América Latina”.

Em 28 de maio, os EUA anunciaram que estavam designando o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, uma medida defendida pela família Bolsonaro há mais de um ano e rejeitada pelo governo Lula, que teme intervenções militares americanas no país.

Já na terça-feira (2) o governo americano anunciou a nova proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, criticando o Pix e práticas do governo brasileiro “irrazoáveis” que “oneram ou restringem o comércio dos EUA”.

O jornal britânico escreve que “Trump desencadeou uma tempestade política”, levando o presidente Lula a usar as medidas recentes para atacar Flávio Bolsonaro, a quem acusou de trair o país ao incentivar a política americana. O FT também conta que Lula rotulou as novas tarifas como “TariFlávio”.

Em análise atribuída ao consultor político Thomas Traumann, o jornal lembra que a oposição de Lula ao primeiro tarifaço “o tornou mais popular“, assim como o líder canadense Mark Carney, que venceu a eleição fazendo uma campanha de enfrentamento contra os Estados Unidos.

O FT ressalta, no entanto, que Flávio foi “colocado na defensiva pela proposta de tarifas“, citando o vídeo em que o pré-candidato diz que pediu a Trump para não impor novas taxas.

A reportagem também avalia que Trump “não tomou partido abertamente na campanha eleitoral brasileira de outubro“, mas que uma série de sinais “foram amplamente interpretados no Brasil como indícios de apoio a Bolsonaro“.

Na terça, Trump divulgou uma foto sua com Flávio Bolsonaro, classificando-o de “um jovem inteligente que ama seu país”.

Segundo Traumann disse ao jornal, o conjunto de declarações e medidas também mostram que os EUA “querem interferir na eleição brasileira contra a reeleição do presidente Lula”.

Israel e Líbano concordam com a implementação de um novo cessar-fogo

Soldados libaneses e equipes de resposta a emergências estão no local de um ataque de drone israelense que, segundo relatos, matou os passageiros de um veículo na rodovia Khaldeh, na entrada sul de Beirute, em 3 de junho de 2026./ AFP

Líbano e Israel informaram nesta quarta-feira (3) que concordaram com a implementação de um cessar-fogo após negociações em Washington destinadas a encerrar o conflito que se intensificou em paralelo à guerra no Irã.

O cessar-fogo está condicionado a uma interrupção completa dos disparos por parte da milícia Hezbollah, alinhada ao Irã, e à evacuação de todos os seus agentes do Setor Sul do Litani, segundo uma declaração conjunta divulgada com os Estados Unidos.

As duas partes concordaram, com a orientação dos Estados Unidos em avançar rapidamente na criação de zonas-piloto nas quais as Forças Armadas Libanesas terão controle exclusivo do território, excluindo todos os atores não estatais”, diz o comunicado.

Israel e Líbano já haviam concordado anteriormente com o fim das hostilidades em abril, que depois foi estendida em maio, mas a troca de ataques continuou. Um acordo mediado pelos EUA, anunciado na última segunda-feira, levou Israel a recuar de atacar os subúrbios do sul de Beirute controlados pelo Hezbollah e o grupo apoiado pelo Irã a interromper ataques transfronteiriços.

Os dois países voltarão a se reunir para novas conversas políticas e relacionadas à segurança durante a semana de 22 de junho, com vistas a um acordo abrangente, de acordo com a declaração.

Leia íntegra da declaração conjunta sobre cessar-fogo entre Israel e Líbano

Líbano e Israel concordaram com um cessar-fogo nesta quarta-feira (3), após as negociações mediadas pelos EUA em Washington, que iniciaram na terça-feira (2).

O anúncio da trégua foi feito por meio de uma declaração conjunta divulgada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Segundo o comunicado divulgado pelo governo americano, ambos os países concordaram com a “cessação completa dos disparos do Hezbollah e a remoção de todos os seus membros do setor sul de Litano“.

Ainda de acordo com o documento, as nações concordaram em retomar as discussões na semana de 22 de junho, com objetivo de alcançar um “acordo abrangente“.

As discussões ocorrem em meio a contínuos ataques entre Israel e o Hezbollah e à ameaça de escalada por parte do governo de Benjamin Netanyahu.

Netanyahu afirmou na segunda-feira (1º) que as forças armadas israelenses continuariam atacando o sul do Líbano “como planejado“, horas depois do presidente Donald Trump declarar que as forças israelenses não avançariam sobre Beirute.

Uma conversa telefônica entre os dois líderes na segunda-feira (1º) tornou-se acalorada, segundo pessoas familiarizadas com a conversa, com o presidente americano pressionando seu homólogo a reduzir os planos de operações no Líbano.

Trump também afirmou na segunda-feira que conversou por telefone com “representantes dos líderes do Hezbollah, e eles concordaram em parar de atirar em Israel”.

Leia a íntegra do texto

Os Estados Unidos convocaram a quarta reunião trilateral de alto nível entre representantes israelenses e libaneses nos dias 2 e 3 de junho de 2026.

Como resultado das negociações lideradas pelos EUA, Israel e Líbano concordaram com a implementação de um cessar-fogo. O cessar-fogo está condicionado à completa cessação dos disparos do Hezbollah e à evacuação de todos os operativos do Hezbollah do Setor Sul de Litani.

Os dois lados concordaram, sob a orientação dos Estados Unidos, em avançar rapidamente na criação de zonas-piloto nas quais as Forças Armadas Libanesas assumirão o controle exclusivo do território, excluindo todos os atores não estatais.

Essas medidas permitirão o progresso rumo a um acordo abrangente de paz e segurança.

Todos os países reafirmaram que o futuro da relação entre Israel e Líbano deve ser decidido pelos dois governos soberanos. Rejeitaram qualquer tentativa, por parte de qualquer Estado ou ator não estatal, de manter o futuro do Líbano como refém.

Israel e Líbano reafirmaram que não têm intenções hostis um para com o outro e se comprometeram a continuar as negociações diretas para construir confiança, resolver todas as questões pendentes e trabalhar em direção a um acordo abrangente entre os dois países.

As delegações discutiram uma estrutura de segurança, com base nas discussões realizadas no Pentágono em 29 de maio, visando garantir de forma sustentável a soberania, a segurança e a integridade territorial do Líbano e de Israel. Isso inclui o desmantelamento de grupos armados não estatais e a prevenção de seu ressurgimento.

Todas as partes condenaram os ataques do Irã contra países da região e as atividades em curso que minam a estabilidade em todo o Oriente Médio, seja por meio do apoio a grupos armados ou por quaisquer outros atos de agressão.

Os Estados Unidos reiteraram seu apoio contínuo a ambos os governos no exercício de sua soberania. Reafirmaram que qualquer acordo para cessar as hostilidades deve ser alcançado diretamente entre os dois governos, com a intermediação dos Estados Unidos, e não por meio de qualquer via paralela. Os Estados Unidos reiteraram sua intenção de apoiar as Forças Armadas Libanesas, com o objetivo de aprimorar sua capacidade e permitir o exercício efetivo da soberania em todo o território libanês. Enfatizaram a declaração do Secretário Rubio, de 2 de junho, de que o Hezbollah não é apenas um inimigo de Israel e dos Estados Unidos, mas sim um inimigo do Líbano.

Israel reafirmou que sua segurança e o respeito à sua integridade territorial só podem ser alcançados por meio do desarmamento do Hezbollah e do desmantelamento de sua infraestrutura em todo o Líbano. Ressaltaram a importância de negociações diretas sob a liderança dos Estados Unidos para resolver todas as questões pendentes e alcançar paz e segurança duradouras.

O Líbano reafirmou a necessidade de respeito mútuo às fronteiras internacionalmente reconhecidas, a urgência da plena implementação da cessação das hostilidades, ressaltando os princípios da integridade territorial e da plena soberania estatal. O Líbano comprometeu-se a fortalecer a capacidade das Forças Armadas Libanesas, com o apoio dos EUA, para exercer controle efetivo em todo o país.

As duas partes concordaram em retomar as discussões políticas e de segurança na semana de 22 de junho, com vistas a alcançar um acordo abrangente. Os Estados Unidos concordaram em continuar facilitando a comunicação entre as partes nesse ínterim.

Trump diz que negociações com Irã podem ser concluídas “neste fim de semana”

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump/ AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (3) que as negociações com o Irã estão indo “muito bem” e que podem ser concluídas “neste fim de semana“, embora também não tenha descartado a possibilidade de fracassarem.

Ouvi dizer que a negociação está indo muito bem“, declarou a jornalistas no Salão Oval.

Trump já havia afirmado na sexta-feira passada que tomaria sua “decisão final” sobre as negociações, mas o fim de semana transcorreu sem qualquer resultado oficial.

Posteriormente, os dois países trocaram ataques no Estreito de Ormuz, que também atingiram países vizinhos, como o Kuwait, apesar do cessar-fogo.

“Nessa parte do mundo, um cessar-fogo significa que se atira de forma um pouco mais moderada”, ironizou o presidente.

Trump diz que o Irã concordou em não possuir armas nucleares

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump/Foto: ALEX BRANDON / POOL / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou hoje que Teerã concordou em não possuir armas nucleares e que o Líder Supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, está envolvido nas negociações com Washington.

Eles já concordaram que não vão possuir armas nucleares“, sublinhou Trump, além de ter descartado forças norte-americanas em território iraniano devido ao sucesso das operações militares realizadas nos últimos meses no país. “Não precisamos de tropas em terra agora. Bem, nós conseguimos, sabe, dizimamos grande parte das suas Forças Armadas apenas com bombardeios. Não colocamos ninguém em solo iraniano. Não queremos fazer isso se puder evitar“, acrescentou o presidente.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, já havia adiantado ontem numa audiência da comissão do Senado que as negociações sobre o programa nuclear do Irã serão altamente técnicas e poderão demorar meses, sendo que essa fase dependeria da reabertura do Estreito de Ormuz.

O chefe da diplomacia dos EUA indicou que Teerã concordou em negociar aspectos do seu programa nuclear, mas não forneceu detalhes e ressaltou que quaisquer negociações não eram garantia de que, em última análise, conduzam a um acordo que seja aceitável para o Senado ou para o povo americano. “Em primeiro lugar, o Irã deve anunciar que o estreito está aberto, sem tarifas, e que irá remover as minas e não disparar contra navios. Os EUA não ofereceram o alívio das sanções ao Irã pela abertura do estreito”, declarou Rubio.

O secretario de Estado também mencionou que o aiatolá Mojtaba Khamenei está vivo e que há sinais de que se está envolvido cada vez mais nas negociações.

Mojtaba não foi visto ainda em público desde que sucedeu ao pai, morto num ataque durante a guerra. Rubio disse estar confiante de que o atual líder ainda está vivo, apesar dos inúmeros relatos de que também teria ficado gravemente ferido em uma ofensiva dos EUA. “Imagino que, tendo em conta o que aconteceu com vários líderes deste regime, expor-se publicamente não seja algo recomendado internamente. Penso que há indícios de que ele está se envolvendo cada vez mais nas negociações, embora todas as suas comunicações tenham sido por escrito e através de intermediários“, pontuou.

Enquanto isso, agências iranianas relataram que o funeral do falecido líder supremo, Ali Khamenei, esta sendo planejado para meados deste mês e deve durar cerca de três dias.

Trump reduz impacto de tarifas para aliados comerciais, mas o Brasil não está incluso

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump/JIM WATSON / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criou exceções temporárias dentro do regime tarifário da Seção 232, mecanismo da legislação comercial americana usado para impor tarifas por razões de segurança nacional, para determinados produtos derivados de aço e alumínio. A medida beneficia parceiros como Argentina, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Suíça, Liechtenstein, Equador, El Salvador, Guatemala e os países da União Europeia (UE), segundo proclamação que será publicada na quinta-feira, 4, no Federal Register, o diário oficial dos EUA.

Pelas novas regras, uma série de equipamentos industriais móveis como empilhadeiras, tratores para uso não agrícola, escavadeiras e guindastes móveis, ficará sujeita a uma tarifa adicional de 25%. No entanto, para os países e blocos contemplados pela exceção, a alíquota efetiva será limitada a 15%, considerando a tarifa já aplicada ao produto. Se a tarifa vigente for igual ou superior a 15%, não haverá cobrança adicional.

O governo norte-americano também reservou tratamento diferenciado para Canadá e México. No caso de produtos elegíveis ao acordo comercial USMCA, a tarifa de 25% incidirá apenas sobre o conteúdo não produzido nos Estados Unidos. Ainda assim, o decreto estabelece que a carga tarifária efetiva não poderá ficar abaixo de 15%.

Segundo a Casa Branca, a medida busca acomodar as necessidades de setores que dependem de equipamentos agrícolas, máquinas industriais e produtos relacionados, sem comprometer os objetivos de segurança nacional que embasam as tarifas sobre aço alumínio e cobre.

As flexibilizações têm caráter temporário. O texto determina que o regime especial entrará em vigor em 8 de junho e permanecerá válido até 31 de dezembro de 2027. A partir de 1º de janeiro de 2028, os produtos abrangidos voltarão às tarifas previstas na proclamação anterior, salvo nova decisão do governo norte-americano.

A proclamação também reduz de 95% para 85% o porcentual mínimo de conteúdo americano necessário para que determinados produtos sejam considerados fabricados integralmente com aço, alumínio ou cobre dos Estados Unidos.

UE afirma que novas propostas tarifárias dos EUA são ‘injustificadas’

Bandeiras da União Europeia em frente ao Banco Central Europeu, na Alemanha/KIRILL KUDRYAVTSEV / AFP

A União Europeia (UE) afirmou nesta quarta-feira (3) que considera “injustificadas” as novas tarifas propostas pelos Estados Unidos, anunciadas após uma investigação sobre bens supostamente produzidos com trabalho forçado.

Na terça-feira, 2, o escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) informou que pretende impor tarifas adicionais de 10% sobre importações de bens da UE e de outras cinco economias, citando o que classificou como falha em “aplicar de forma efetiva a proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado”. Para outras 54 economias, incluindo China e Índia, a alíquota proposta é maior, de 12,5%.

O porta-voz de Comércio da UE, Olof Gill, disse que o bloco analisará cuidadosamente as conclusões da investigação norte-americana e as medidas sugeridas, e que seguirá em diálogo com o governo Trump.

Ainda assim, a UE considera que tarifas impostas com base nesses fundamentos são injustificadas”, afirmou. “Como deixamos claro de forma consistente ao longo desse processo, a UE compartilha plenamente as preocupações dos EUA com o trabalho forçado e continua totalmente comprometida em erradicá-lo das cadeias globais de suprimentos por meio de ações concretas.” Fonte: Dow Jones Newswires.

Israel e Hezbollah trocam ataques apesar da trégua anunciada por Trump

 A picture taken along the Israel-Lebanon border shows rockets being fired from southern Lebanon towards Israel on March 3, 2026. Israel on March 3, ordered the military to take control of more positions inside Lebanon to create a buffer zone, as the Lebanese army pulled back some of its forces after Hezbollah attacked Israeli bases in support of its backer, Iran. Lebanon was drawn into the regional war a day earlier after an initial rocket attack on Israel by Hezbollah, which said it wanted to "avenge" the killing of Iranian supreme leader Ayatollah Ali Khamenei during the US-Israeli strikes. (Photo by Jalaa MAREY / AFP)
      Caption/ AFP

Segundo a agência oficial de notícias libanesa (NNA), as forças israelenses e o grupo xiita libanês Hezbollah continuaram hoje os confrontos no sul do Líbano, apesar das garantias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que tinha obtido um compromisso de uma trégua de ambos os lados.

O exército israelense atacou cerca de 20 locais no sul do Líbano. As tropas de Israel lançaram uma série de ataques contra a cidade libanesa de Nabatieh e outras cidades vizinhas, região onde intensificou a sua ofensiva nos últimos dias, tendo cruzado o rio Litani, que era a anterior demarcação das operações militares no sul do Líbano”, relatou a NNA.

As forças israelenses inclusive estão a poucos quilômetros a sul de Nabatieh, após terem tomado no domingo a fortaleza medieval de Beaufort, também do lado norte do rio Litani.

Por outro lado, o Hezbollah reivindicou vários ataques contra os militares israelenses que ocupam parte do sul do Líbano, mas não mencionou qualquer ofensiva contra o norte de Israel, enquanto o governo de Tel Aviv afirma que foram interceptados dois projéteis.

O canal Al Manar, do Hezbollah, noticiou nesta terça-feira que o grupo militante recebeu duas propostas de cessar-fogo dos EUA para pôr fim aos combates com Israel e admitiu que está sendo discutida a proposta apresentada pelo presidente Trump, embora insista que esta deve implicar um cessar-fogo total e inclusivo. “Não aceitaremos qualquer acordo parcial de cessar-fogo. O inimigo sionista deve saber que qualquer agressão contra os subúrbios do sul de Beirute poderá provocar uma resposta mais forte por parte do Hezbollah”, avisou Mahmoud Qomati, um alto membro do grupo.

Já o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que os Estados Unidos validaram o princípio segundo o qual Israel atacará os subúrbios do sul da capital libanesa, bastião do Hezbollah, caso o grupo vise o território israelense.

Por sua vez, uma nova reunião de negociações entre responsáveis israelenses e libaneses começou hoje na capital norte-americana, com a mediação dos EUA. As discussões em curso decorrem num contexto de ofensivas contínuas entre Israel e o Hezbollah e da ameaça de escalada por parte do governo de Benjamin Netanyahu. A série de ataques ameaça comprometer e colocar em risco as negociações entre os EUA e o Irã, que chegou a suspendê-las caso o cessar-fogo no Líbano continuasse a ser sistematicamente violado e não integrasse o seu acordo de paz com as autoridades dos EUA. Mas, Trump negou Trump, negou que tenha havido um interrupção das negociações com Teerã devido à ofensiva israelense no Líbano e indicou que as conversações permanecem.

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, apoiou à retomada das negociações em Washington, manifestando que as conversações são um caminho para o regresso dos civis às suas casas, após as ordens de evacuação de Israel terem levado centenas de milhares de pessoas a fugir do sul do Líbano, antecipando-se aos ataques israelenses. “O que continua sendo necessário é consolidar o cessar-fogo em todo o Líbano. Reitero que as negociações são a opção menos onerosa para o Líbano e para os libaneses“, escreveu Salam na rede social X.

O governo do Líbano não é aliado do Hezbollah, não participa militarmente do conflito e defende o desarmamento do grupo. No entanto, ao mesmo tempo, quer que Israel desocupe o território libanês e seja firmado um acordo nos moldes do armistício de 1949, com os dois países respeitando as respectivas fronteiras.

Irã exige ação da ONU contra Israel

O Irã acusou o Conselho de Segurança da ONU de falhar na responsabilização de Israel e exigiu a adoção de medidas punitivas e vinculativas contra o país. O vice-chanceler iraniano, Kazem Gharibabadi, garantiu que a crise no Oriente Médio resulta dos crimes e da impunidade de Israel e considerou insuficientes as condenações internacionais. “O Conselho de Segurança deve ir além de expressar preocupação e emitir apelos gerais, e adotar decisões punitivas e vinculativas contra o regime sionista. O direito internacional não é defendido através de condenações de baixo custo e ineficazes“, apontou

Gharibabadi acusou ainda os EUA de terem um papel direto na gestão das ações israelenses, em alusão alegação de Trump de ter dissuadido Netanyahu de lançar um grande ataque a Beirute. “Se a decisão de atacar a capital de um Estado independente pode ser alterada com um único telefonema, a questão principal é: por que razão meses de violações do cessar-fogo, agressões contra o Líbano, a deslocação da sua população e ameaças à soberania deste país, apoiadas pelo apoio político e militar ocidental, continuaram inabaláveis”, contestou.

Rubio diz que Brasil é exceção em América Latina “cheia de aliados dos EUA”

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, presta depoimento durante uma audiência do Comitê de Relações Exteriores do Senado no Edifício de Escritórios do Senado Dirksen, em 2 de junho de 2026, em Washington, DC.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou, nesta terça-feira (2), que o Brasil é uma exceção em uma região repleta de aliados dos Estados Unidos.

A declaração foi dada durante um depoimento do chefe da diplomacia dos EUA ao Comitê de Relações Exteriores do Senado.

Agora temos neste hemisfério uma coalizão de países amigos – mais de uma dezena – que se alinharam para trabalhar não apenas nas questões de segurança que todos temos em comum, mas também na prosperidade econômica, que andam de mãos dadas“, afirmou Rubio.

É uma história impressionante a de que, basicamente, com exceção da Nicarágua, de Cuba, obviamente da Venezuela, que continua com alguns desafios, e claro, do Brasil, embora eles estejam no meio de um ciclo eleitoral“, acrescentou o secretário do governo Trump.

Ele também citou o “atual governo da Colômbia” e disse que o presidente Gustavo Petro “tem sido problemático“.

Mas, de modo geral, é agora uma região repleta de aliados americanos, de líderes amigáveis aos EUA e de uma direção favorável aos EUA“, concluiu.

Rubio argumentou que os Estados Unidos agora tem que “operacionalizar isso em ações após 20 anos de negligência, nos quais a China e outras potências globais se intrometeram em nosso Hemisfério Ocidental em detrimento não apenas dos interesses nacionais americanos, mas também, a nosso ver, em detrimento do próprio povo desses países”.

Lula critica Rubio: “Anti-América Latina e não gosta do Brasil”

Enquanto Rubio prestava depoimento ao Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participava de um evento na cidade de Catalão, em Goiás, e fez críticas ao o secretário de Estado dos EUA durante seu discurso.

A declaração surgiu enquanto o presidente comentava o anúncio do Escritório Comercial dos EUA, que propôs taxar em 25% as importações brasileiras.

Faz pouco tempo que eu fui aos Estados Unidos. Eu tive 3 horas de conversa com o presidente Trump. O tal do Marco Rubio, que é o chefe de Departamento de Estado, que é o anti-América Latina, que é o inimigo mortal de Cuba, que é o inimigo mortal de vários países latino-americanos. Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil“, disse Lula.