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Moraes manda prender ex-assessor de Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão de Marcelo Câmara, um dos réus da trama golpista e ex-assessor do ex-presidente da República Jair Bolsonaro.

Segundo Moraes, Câmara descumpriu uma medida cautelar que o proibia de usar redes sociais.

Ontem, o advogado de Câmara, Eduardo Kuntz, informou ao Supremo que foi procurado pelo ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, por meio das redes sociais.

Papa Leão 14 pede paz a Israel e Irã: ‘A guerra é sempre uma derrota’

Estas foram as palavras pronunciadas pelo Papa Leão XIV no final da Audiência Geral, desta quarta-feira (18), realizada na Praça São Pedro.

Em seu apelo, o Pontífice disse ainda que “devemos rejeitar como tentação o fascínio das armas poderosas e sofisticadas”.

Na realidade, como a guerra atual utiliza armas científicas de todos os tipos, sua atrocidade ameaça levar os combatentes a uma barbárie muito maior do que a de tempos passados.

“Por isso, em nome da dignidade humana e do direito internacional”, disse ainda Leão XIV, “repito aos responsáveis ​​o que o Papa Francisco costumava dizer”:

‘A guerra é sempre uma derrota!’ E com Pio XII: ‘Nada se perde com a paz. Tudo pode ser perdido com a guerra’.

Em sua saudação em italiano, o Papa recordou a Solenidade de Corpus Christi celebrada na quinta-feira, 19 de junho.

Que a festa de Corpus Christi, que celebraremos amanhã, nos ofereça a oportunidade de aprofundar nossa fé e nosso amor pela Eucaristia.

Na saudação em língua portuguesa, o Papa convidou a ter “cuidado para não esquecer o nosso papel na economia da salvação. Deus, com a sua graça, é o grande protagonista, mas o Senhor conta com a nossa ativa colaboração para nos curar de todas as enfermidades físicas ou espirituais”.

Dom Dorival Souza Barreto Júnior é o novo bispo da Diocese de Januária

O Santo Padre nomeou bispo da Diocese de Januária dom Dorival Souza Barreto Júnior, transferindo-o da Sé titular de Tindari e do ofício de auxiliar de São Salvador da Bahia.

Dom Dorival Souza Barreto Júnior nasceu em 10 de abril de 1964 em Jequié, na homônima Diocese, no Estado da Bahia.

Concluiu seus estudos em Filosofia pela Universidade Católica do Salvador-BA e em Teologia pelo Instituto Superior de Teologia da Arquidiocese Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro-RJ. Obteve a Licenciatura em Liturgia pelo Pontifício Ateneu de Santo Anselmo, em Roma, e o Doutorado em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma.

Em 10 de março de 1988 foi ordenado sacerdote e incardinado na Arquidiocese Metropolitana de Montes Claros.

Exerceu os seguintes cargos: vigário paroquial de São João Batista em Montes Claros-MG e de Senhor do Bonfim em Engenheiro Navarro-MG; administrador paroquial de Santo Antônio da Boa Vista em São João da Ponte-MG; pároco de Nossa Senhora da Consolação, Nossa Senhora da Conceição e São José e da Catedral Metropolitana; chanceler da Cúria arquidiocesana; tesoureiro arquidiocesano; vigário forâneo; membro do Conselho Presbiteral, do Colégio de Consultores, do Conselho Pastoral e do Conselho para os Assuntos Econômicos; professor do Seminário arquidiocesano de Montes Claros-MG e do Seminário arquidiocesano de Diamantina-MG.

Em 4 de novembro de 2020, foi nomeado bispo titular de Tindari e auxiliar de São Salvador da Bahia, recebendo a ordenação episcopal em 3 de janeiro de 2021.

Na Conferência Episcopal Brasileira, é secretário do Regional Nordeste 3 e membro da Comissão Episcopal para a Liturgia.

Dom Limacedo comunica mudanças no clero da diocese

O bispo da Diocese de Afogados da Ingazeira, Dom Limacêdo Antônio da Silva, anunciou, nesta quarta-feira, 18 de junho, mudanças em algumas paróquias do território diocesano.

O padre Daniel Gomes de Souza, que exercia a função de administrador paroquial da Paróquia de São José, na cidade de Ingazeira, deixará a função para vivenciar um ano sabático.

Para assumir a administração da Paróquia de São José, foi designado o padre Osmar Soares de Freitas, atualmente vigário paroquial da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, em Serra Talhada. A posse canônica do padre Osmar está marcada para o dia 1º de julho.

Com a mudança, o padre Severino Correia da Silva, da Diocese de Nazaré da Mata, foi nomeado para a função de vigário paroquial em Serra Talhada, onde será acolhido no próximo dia 3 de julho.

As alterações fazem parte do processo de organização pastoral da Diocese e visam fortalecer as comunidades atendidas, conforme as necessidades pastorais identificadas por Dom Limacêdo.

Presidente do Irã diz que país não busca desenvolver armas nucleares

O Irã não pretende desenvolver armas nucleares, mas buscará seu direito à energia e pesquisa nuclear, disse o presidente Masoud Pezeshkian nesta segunda-feira (16), reiterando o edito religioso do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, contra armas de destruição em massa.

As informações são da mídia estatal do país.

Pezeshkian ainda citou que o país não procurou a guerra e nem começou o conflito com Israel.

Ataques iranianos

A Guarda Revolucionária do Irã revelou, nesta segunda-feira, que sua nova onda de ataques ultrapassou os sistemas de defesa de Israel.

Ao menos três pessoas foram mortas, de acordo com o serviço nacional de emergência de Israel, Magen David Adom (MDA).

Os mísseis atingiram vários locais no centro e litoral de Israel, incluindo prédios residenciais. O MDA informou que atendeu quatro ocorrências e que dezenas de pessoas foram levadas a hospitais na região central.

As mortes adicionais elevam o total de mortos em Israel para 17 desde que os dois países começaram a trocar disparos de mísseis na sexta-feira (13).

Pelo menos 224 pessoas foram mortas e 1.277 hospitalizadas no Irã desde o início das hostilidades, informou o Ministério da Saúde do país no domingo, conforme citado pela mídia oficial iraniana.

Ministro da Defesa israelense: Moradores de Teerã pagarão o preço em breve

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse nesta segunda-feira(16) que os moradores de Teerã “pagarão o preço em breve“, depois que mísseis iranianos atingiram Tel Aviv e a cidade portuária de Haifa antes do amanhecer, matando pelo menos cinco pessoas.

Cinco pessoas foram mortas na última rodada de ataques com mísseis lançados pelo Irã, de acordo com o serviço nacional de emergência de Israel, Magen David Adom (MDA).

Os mísseis atingiram vários locais no centro e litoral de Israel, incluindo prédios residenciais. O MDA informou que atendeu quatro ocorrências e que dezenas de pessoas foram levadas a hospitais na região central.

As mortes adicionais elevam o total de mortos em Israel para 22 desde que os dois países começaram a trocar disparos de mísseis na sexta-feira (13).

Pelo menos 224 pessoas foram mortas e 1.277 hospitalizadas no Irã desde o início das hostilidades, informou o Ministério da Saúde do país no domingo, conforme citado pela mídia oficial iraniana.

Moraes revoga prisão preventiva de Gilson Machado

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou a prisão do ex-ministro do Turismo Gilson Machado, alvo de operação da Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (13).

A decisão substitui a prisão preventiva por outras medidas cautelares, como a apresentação quinzenal à Justiça, o cancelamento do passaporte e a proibição do contato com outros investigados.

O relator afirmou que, com as diligências já realizadas pela PF (como a apreensão de celulares, já encaminhados à perícia, e a oitiva do próprio ex-ministro), não há mais necessidade de manter a preventiva.

Na audiência de custódia, a mesma sugestão havia sido feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que defendeu a substituição da prisão por “medidas menos gravosas”.

Na decisão, o ministro do STF diz que a preventiva foi uma medida cautelar “extrema”, cuja eficácia já se demonstrou suficiente para este primeiro momento da investigação.

Moraes ponderou, entretanto, que “existem indícios suficientes” de que Machado teria auxiliado o tenente-coronel Mauro Cid “com a finalidade de se furtar da aplicação da lei penal”.

Isso porque a ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado está próxima de ser encerrada, com julgamento previsto para os próximos meses e uma forte tendência à condenação dos réus – entre eles, Cid.

Segundo a defesa de Machado, o alvará de soltura já foi emitido e os advogados já estão a caminho do presídio Cotel, em Abreu e Lima (PE), para tentar liberá-lo ainda nesta sexta.

Caso o ex-ministro descumpra alguma das medidas cautelares alternativas, ele poderá ter a prisão preventiva novamente decretada, segundo alerta Moraes na decisão.

Em nota, Gilson Machado Filho, filho do ex-ministro, disse receber a notícia com alívio e afirmou que a revogação “é uma resposta àqueles que sempre acreditaram na sua honestidade”.

“Procedimento foi um sucesso”, diz Daniel sobre saúde de Totonho Valadares

O vice-prefeito de Afogados da Ingazeira, Daniel Valadares, atualizou o estado de saúde do seu pai, o ex-prefeito Totonho Valadares, durante participação no programa A Tarde é Sua, apresentado por Alyson Nascimento, na Rádio Pajeú.

Segundo Daniel, Totonho enfrentou uma espera de mais de 30 dias para realizar o procedimento de implantação do marca-passo. Nesse período, também foi diagnosticado com pneumonia, o que exigiu cuidados adicionais.

Na última segunda-feira, Totonho foi internado no PROCAP para se preparar para a cirurgia, realizada na quarta-feira.

“O procedimento foi um sucesso”, informou Daniel, destacando que o pai se recupera bem após a intervenção.

Papa Leão XIV marca data da canonização de Carlo Acutis, o primeiro santo da geração millennial

A canonização do primeiro santo católico da geração millennial, Carlo Acutis, acontecerá no dia 7 de setembro, anunciou o Papa Leão nesta sexta-feira (13), de acordo com a agência de notícias Reuters.

Acutis, um jovem ítalo-britânico que morreu de leucemia em 2006, aos 15 anos, seria canonizado em 27 de abril, mas o evento foi suspenso após a morte do Papa Francisco.

O Papa Leão anunciou a nova data durante uma reunião com cardeais para discutir causas de canonização, realizada nesta sexta-feira.

Carlo Acutis foi beatificado em 2020, depois que a Igreja reconheceu como primeiro milagre a cura de um menino no Brasil. Veja mais abaixo sobre o milagre.

Acutis cresceu em uma família rica — o pai italiano era financista de um banco inglês, o avô dono de uma grande seguradora no norte da Itália. Mas, desde cedo, escolheu o caminho da caridade: aos nove anos, Carlo já levava cobertores, roupas e comida para pessoas em situação de rua, em Milão.

“Ele ajudava as crianças que tinham dificuldades nos estudos, que eram alvo de bullying, fazia apostolado com os velhos, com os doentes, com os deficientes, servia em cozinhas comunitárias, dedicava-se ao ensino do catecismo,” conta a mãe Antonia Salzan, ao Fantástico, em abril deste ano.

Milagre no Brasil

A história da ligação com o Brasil começou anos antes, em 2011, quando o padre Marcelo Tenório viajou à Itália e conheceu Dona Antonia, mãe de Carlo.

“Eu fui na casa onde o Carlo morou, e ela artesanalmente, com a tesoura, cortou um pedaço da camisa do Carlo, uma camisa que ele tinha lá,” relata o padre Marcelo.

Assim que retornou, o padre, que é responsável pela Capela de Nossa Senhora Aparecida, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, passou a expor o pedaço de pano.

“Eu comecei a expor a relíquia todo dia 12 de outubro, que é o dia da morte do Carlo, e é o dia da Nossa Senhora Aparecida,” explica o padre.

Em 2013, numa celebração de 12 de outubro. um menino de três anos, com um grave problema de saúde que provocava vômitos constantes, veio acompanhado da família para pedir a cura. O toque na relíquia transformou a vida dele.

“Primeiro eu, aí ele tocou pra parar de vomitar,” responde a avó.

A família conta o que aconteceu em seguida. “Ele chegou em casa pedindo comida. E comeu um pratinho de caldinho de feijão com arroz. Todo faceiro. E não vomitou,” diz a avó. “Desde então, nunca mais”.

Matheus, hoje com quinze anos, tinha uma má formação no sistema digestivo: o pâncreas anular. Parte do tecido pancreático circundava todo o intestino dele, por fora, causando uma compressão, e tudo o que comia acabava voltando para o estômago, causando o vômito.

A única possibilidade para a cura era a cirurgia, que não era indicada para o menino. Por isso, a médica dele também ficou surpresa, na época.

Desde que o milagre foi reconhecido pelo Vaticano, fiéis de todo o Brasil passaram a visitar a capela em busca de graças e bênçãos.

A segunda cura atribuída a Carlo Acutis, necessária para a canonização, foi de uma jovem da Costa Rica, que sofreu um traumatismo craniano grave em 2022.

Pequim celebra primeira nomeação de bispo chinês do pontificado de Leão XIV

Pequim celebrou nesta quinta-feira (12) o avanço nas relações com o Vaticano após a primeira nomeação de um bispo chinês do pontificado de Leão XIV, uma demonstração da vontade do papa americano de prosseguir com um acordo polêmico alcançado por Santa Sé e China em 2018.

O Vaticano expressou “satisfação” na quarta-feira, depois que as autoridades chinesas reconhecerem a nomeação de Giuseppe Lin Yuntuan, de 73 anos, como bispo auxiliar de Fuzhou, capital da província de Fujian. O pontífice fez a nomeação em 5 de junho.

O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que a nomeação do primeiro bispo chinês do pontificado de Leão XIV “melhora o entendimento e a confiança mútua por meio do diálogo construtivo“.

“A China está disposta a colaborar com o Vaticano para promover uma relação melhor e contínua entre a China e o Vaticano“, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian.

Vaticano e China não têm relações diplomáticas formais porque a Santa Sé reconhece Taiwan, uma ilha com governo próprio, mas que Pequim considera parte de seu território.

Em 2018, Santa Sé e China chegaram a um acordo histórico que estabelece que as partes têm voz na nomeação dos bispos na China, onde existem quase 12 milhões de católicos.

O acordo, cujo conteúdo não é público, gerou críticas dentro da Igreja. Alguns líderes religiosos consideram que permite ao Partido Comunista Chinês exercer controle absoluto sobre os católicos chineses.

Anderson Torres alega no STF que sempre disse a Bolsonaro que não havia fraude nas urnas

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Anderson Torres foi cobrado nesta terça-feira, 10, pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), a explicar os questionamentos às urnas que fez na reunião ministerial de 5 de julho de 2022. Torres está sendo interrogado na ação penal da trama golpista.

Em sua defesa, o ex-ministro negou ter encontrado indícios de fraude nas urnas e declarou que todas as opiniões que emitiu foram baseadas nas recomendações de segurança feitas por peritos da Polícia Federal (PF).

“Eu nunca questionei a lisura do processo eleitoral. Todas as minhas falas são em relação às sugestões de melhorias que os peritos trouxeram naqueles documentos”, argumentou.

O ex-ministro afirmou também que, quando questionado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e por outras autoridades do governo, sempre defendeu que não havia pairava nenhuma suspeita sobre o sistema de votação.

“Tecnicamente falando nós não temos nada que aponte fraude nas urnas. Nunca chegou essa notícia até mim. E quando era questionado pelo presidente ou por qualquer autoridade eu sempre passei isso. Que nós não tínhamos tecnicamente nada a dizer sobre as urnas eletrônicas.”

Torres participou da transmissão ao vivo feita por Bolsonaro no dia 29 de julho de 2021, no Palácio da Alvorada, que segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) marca o início da trama golpista. Na live, Bolsonaro fez acusações sem provas contra as urnas e a segurança do processo eleitoral.

Na reunião ministerial, Torres também atacou o Supremo Tribunal Federal. A Moraes, o ex-ministro justificou que era um momento “muito acirrado na relação entre o Executivo e o Judiciário”.

“Eu fui um dos que mais me esforcei para que essa relação não se esbagaçasse. Eu tentei de todas as formas manter o diálogo, mas eu sentia uma pressão muito grande”, declarou.

Anderson Torres também precisou explicar por que não trouxe o celular quando se entregou à PF para ser preso preventivamente em janeiro de 2023, após os atos golpistas na Praça dos Três Poderes. Na época, ele era secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, mas estava de férias com a família nos Estados Unidos.

Torres alega que perdeu o aparelho e que isso prejudicou sua defesa. “Foi momento mais duro da minha vida. Saí daqui como secretário de segurança e saiu minha prisão. Isso me deixou completamente transtornado. Eu perdi equilíbrio completamente com aquela notícia da prisão”, desabafou. “Eu não tinha nada a esconder. Tanto que forneci a senha da nuvem do celular à Polícia Federal.”

Almirante Garnier nega ter colocado tropas à disposição de Bolsonaro para o golpe

O ex-comandante da Marinha almirante Almir Garnier, negou nesta terça-feira, 10, ter colocado as tropas à disposição o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o golpe. “Eu nunca usei essa expressão (colocar as tropas à disposição)”, declarou. “Eu nunca disponibilizei tropas para ações dessa natureza.”

É a primeira vez que Garnier presta depoimento sobre a trama golpista. Na fase de inquérito, ele fez uso do direito ao silêncio e não respondeu às perguntas da Polícia Federal.

Ao ser questionado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que conduz o interrogatório, o ex-comandante da Marinha chamou a versão de “ilação”.

“O presidente não abriu a palavra a nós. Ele fez as considerações dele, expressou o que pareciam para mim mais preocupações e análise de possibilidades do que propriamente uma intenção de conduzir alguma coisa em uma certa direção”, disse Garnier.

Os ex-comandantes do Exército Marco Antônio Freire Gomes e da Aeronáutica Carlos Almeida Baptista Júnior afirmaram em seus depoimentos que Garnier apoiou as intenções golpistas de Bolsonaro.

O assunto teria sido tratado em uma reunião no Palácio do Alvorada no dia 7 de dezembro de 2022. Estavam presentes os chefes das Forças Armadas e o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, além de Bolsonaro.

Garnier confirmou o encontro e afirmou que os principais temas tratados foram os acampamentos de bolsonaristas próximo a instalações das Forças Armadas e “considerações acerca do processo eleitoral”. O almirante negou que a prisão de autoridades tenha sido abordada na reunião.

“Houve uma apresentação de alguns tópicos de considerações que poderiam levar, talvez, não foi decidido isso naquele dia, à decretação de uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem) ou de necessidades adicionais, principalmente visando a segurança pública”, afirmou.

O almirante negou que Bolsonaro tenha apresentado uma minuta de decreto com medidas golpistas.

“Eu não vi minuta, eu vi uma apresentação na tela de um computador. Havia uma telão onde algumas informações eram apresentadas na tela. Quando o senhor fala minuta eu penso em papel, eu não recebi esse tipo de documento.”

Em seu interrogatório, Garnier afirmou que segue “à risca” a hierarquia e que, como subordinado de Bolsonaro, só poderia questionar uma ordem “flagrantemente ilegal”, o que segundo ele não ocorreu.

“Até que isso aconteça, para mim ilações, discussões… Eu era comandante da Marinha. Não era assessor político do presidente. Eu me ative ao meu papel institucional”, defendeu.

“O estatuto dos militares não faculta ao militar ficar inventando, tendo ilações, ou criticando coisas que estão na cabeça de outrem, principalmente se esse outrem for o seu chefe” acrescentou.

Em 14 de dezembro de 2022 houve uma nova reunião entre os comandantes das Forças Armadas e Paulo Sérgio no Ministério da Defesa. Neste encontro, o ministro da defesa teria apresentado uma minuta golpista, segundo Freire Gomes e Baptista Júnior.

Almir Garnier alegou que estava atrasado e, quando chegou ao encontro, a reunião tinha acabado.

“Quando entrei já percebi que tinha havido algum tipo de desentendimento, alguma discussão anterior tinha acontecido. E a reunião foi encerrada. O ministro não abriu nenhuma pauta adicional, parecia estar chateado com o desenrolar da conversa, e a reunião foi encerrada.”

O ex-chefe da Marinha afirmou também que Bolsonaro colocava os comandantes das Forças Armadas “a par das questões legais” sobre a condução da Justiça Eleitoral, inclusive as ações em conjunto com o PL. O partido do ex-presidente foi multado em R$ 22,9 milhões por questionar de má-fé o resultado das eleições e pedir a anulação de parte dos votos do segundo turno.

Questionado sobre o desfile de carros blindados da Marinha nas imediações do Palácio do Planalto, em agosto de 2021, durante a análise da PEC do voto impresso, Garnier afirmou que o evento já estava previsto antes de a Câmara dos Deputados marcar a votação e que foi uma “coincidência”.

Em 2023, após as eleições presidenciais, Garnier rompeu uma tradição e se recusou a participar da cerimônia de passagem do comando para o sucessor, Márcio Sampaio Olsen. Em seu interrogatório, ele justificou que, em razão do clima de polarização, havia se comprometido a transferir o comando ainda no governo Bolsonaro. Como a cerimônia foi marcada para depois do final do mandato, ele preferiu não participar. O almirante defendeu, no entanto, que fez “toda a passagem de comando institucional”.

Trama golpista: Cid confirma ter repassado a kid preto dinheiro entregue por Braga Netto

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, confirmou nesta segunda-feira (9) que repassou ao major Rafael de Oliveira uma caixa de vinho com dinheiro vivo.

A entrega foi feita a pedido de Walter Souza Braga Netto, candidato a vice na chapa de Bolsonaro em 2022, que deu o dinheiro a Cid.

Cid fez a confirmação durante interrogatório no processo penal contra o chamado “núcleo crucial” da trama golpista. Delator, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro foi o primeiro a depor. Ele, o ex-presidente e outros seis réus faziam parte do núcleo crucial, segundo a Procuradoria-Geral da República.

O major Rafael de Oliveira integra o grupo conhecido como “kids pretos”, que são militares das Forças Especiais do Exército.

Rafael de Oliveira e outros “kids pretos” são suspeitos de integrar um grupo armado que planejava a morte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes. O plano foi batizado de “Punhal Verde e Amarelo”.

Relator do processo penal, Alexandre de Moraes questionou Cid sobre o repasse desse recurso.

Cid reafirmou o que já havia dito durante depoimento de delação premiada. Ele contou que recebeu o dinheiro de Braga Netto e repassou ao major de Oliveira. Os recursos, segundo Cid, estavam armazenados em uma caixa de vinho.

O delator da trama golpista disse não saber a quantia que constava da embalagem, que foi entregue no Palácio da Alvorada ao kid preto.

“Depois, o espaço temporal eu não me recordo, o general Braga Netto trouxe uma quantia em dinheiro, que eu não sei precisar quanto foi. Mas com certeza não foi R$ 100 mil, até pelo volume, não era tanto, que foi passado para o major de Oliveira, no próprio Alvorada”, disse.

“Fui eu que passei esse dinheiro. Eu recebi do general Braga Netto no Palácio da Alvorada. Estava em uma caixa de vinho, uma botelha, ai depois, se bobear no mesmo dia, eu passei para o Major de Oliveira”, completou Cid.

Segundo o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, antes de receber o dinheiro de Braga Netto, ele foi até o general e perguntou se o PL, partido de Braga Netto e de Jair Bolsonaro, poderia ajudar com recursos para acampamentos de apoiadores do ex-presidente.

Braga Netto indicou o contato de um tesoureiro da agremiação política, que disse a Cid que o partido não poderia ajudar manifestantes.

Na sequência, Cid contou que Braga Netto apareceu com os recursos, que foram repassados ao major de Oliveira. Questionado sobre a origem do dinheiro, o ex-ajudante de ordens disse que seria do “pessoal do agronegócio”.

Encontrar fraude nas urnas sempre foi a ‘grande preocupação’ de Bolsonaro, diz Cid

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), afirmou nesta segunda-feira (9) que a “grande preocupação” do ex-presidente “sempre foi” encontrar fraude nas urnas eletrônicas.

Cid deu a declaração durante interrogatório no processo penal contra o chamado “núcleo crucial” da trama golpista.

Delator, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro foi o primeiro a depor. Ele, o ex-presidente e outros seis réus faziam parte do “núcleo crucial”, segundo a Procuradoria-Geral da República.

“A grande preocupação do presidente, no meu ponto de vista, sempre foi encontrar uma fraude nas urnas, né, coisa que sempre foi muito ostensivo dentro da opinião do presidente. Ele sempre buscou uma fraude nas urnas”, afirmou Cid.

O ex-ajudante de ordens fez a declaração após ser questionado pelo seu próprio advogado, Cezar Bittencourt, que perguntou:

“O presidente chegou a manifestar o desejo de se manter no poder mesmo após o resultado das urnas?”.

Pressão de Bolsonaro sobre ministro da Defesa

Também nesta segunda-feira, Cid confirmou que o ex-presidente pressionou, em 2022, o então ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira em relação a um relatório das Forças Armadas sobre a lisura do processo eletrônico de votação.

Indagado sobre o relatório por Alexandre de Moraes, o ex-ajudante de ordens confirmou que Bolsonaro queria um documento “duro” contra as urnas eletrônicas.

As Forças Armadas indicaram representantes para participar de uma comissão de fiscalização das eleições, organizada pelo Tribunal Superior Eleitoral. O relatório entregue pelos militares não apontou fraudes no sistema eleitoral.

O documento, porém, não descartou a possibilidade de falhas, mesmo sem evidências concretas sobre suposta vulnerabilidade do sistema. O TSE, a Polícia Federal e outras entidades atestam a segurança do processo eletrônico de votação.

Cid confirmou que Paulo Sérgio, após as eleições, já estava com um relatório pronto sobre as urnas e que estava com uma reunião marcada no Tribunal Superior Eleitoral para entregar as conclusões, mas que desmarcou o compromisso por pressão de Jair Bolsonaro.

Lula critica redução de apoio ao desenvolvimento de países mais pobres

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, neste domingo (8), a redução da assistência financeira de países mais ricos para apoiar o desenvolvimento econômico, ambiental e social de países mais pobres. Segundo Lula, em 2024, a Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD) caiu 7%, enquanto as despesas militares cresceram 9,4%.

“Isso mostra que não falta dinheiro. O que falta é disposição e compromisso político para financiar”, disse Lula em sua participação no Fórum de Economia e Finanças Azuis, em Mônaco.

A AOD é definida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como a ajuda oficial que visa promover o bem-estar econômico e social nos países em desenvolvimento, com o objetivo principal de alívio da pobreza. A assistência inclui tanto financiamento como a concessão de empréstimos, subvenções e outros recursos, diretamente pelos países ou por organismos multilaterais. É uma ferramenta importante para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Lula está em visita oficial à França e, hoje, participou desse fórum que tem objetivo de identificar e mobilizar soluções para apoiar a chamada economia azul – atividades econômicas marinhas e costeiras – e conservar os ecossistemas marinhos. Em seu discurso, o brasileiro lembrou que os oceanos também não recebem o “devido reconhecimento pelo que nos proporciona”.

“O ODS 14, dedicado à conservação e ao uso sustentável dos recursos marinhos, é um dos objetivos com menor financiamento de toda a Agenda 2030. O déficit para sua implementação é estimado em US$ 150 bilhões por ano”, destacou.

Enquanto isso, segundo o presidente, além de cumprir a função de principal regulador climático, pelo mar trafegam mais de 80% do comércio internacional e 97% das redes mundiais de dados, com uma geração econômica anual de US$ 2,6 trilhões. “Se fosse um país, o oceano ocuparia a quinta posição entre as maiores economias do mundo”, afirmou.

Segundo ele, é preciso concluir o instrumento vinculante para acabar com a poluição por plástico nos oceanos e avançar na ratificação do novo tratado para a biodiversidade nas águas internacionais. Lula lembrou também que a adoção, pela Organização Marítima Internacional, das metas vinculantes para zerar as emissões de carbono na navegação até 2050 promete multiplicar a demanda por energias renováveis e reduziria a dependência global de combustíveis fósseis.

Problema crônico

Para o presidente Lula, a insuficiência de recursos é um problema crônico de várias iniciativas multilaterais. Ele citou a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2024 (COP29), em Baku no Azerbaijão, que teve resultados aquém do esperado.

O evento foi criticado por não ter cumprido as expectativas de um acordo robusto sobre financiamento climático. A nova meta de financiamento de US$ 300 bilhões anuais até 2035, embora um avanço em relação ao antigo acordo de US$ 100 bilhões, ficou aquém das necessidades e da solicitação de US$ 1,3 trilhão dos países em desenvolvimento, que pediam financiamento para adaptação e mitigação das mudanças climáticas.

Segundo Lula, a presidência brasileira da COP30, que ocorrerá em Belém, em novembro deste ano, quer reverter esse quadro. “O planeta não aguenta mais promessas não cumpridas. Não há saída isolada para os desafios que requerem ação coletiva”, reforçou.

O presidente lembrou ainda que países em desenvolvimento dependem mais da economia azul do que as nações industrializadas, segundo dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Nesse sentido, a elevação do nível do mar e os eventos climáticos extremos das cidades costeiras vitimam sempre os mais vulneráveis.

“Entre os 33 países da América Latina e Caribe, 23 possuem mais território marítimo do que terrestre. A África detém 13 milhões de quilômetros quadrados de território marítimo; isso equivale à soma do território continental da União Europeia e dos Estados Unidos. Tornar a economia azul mais forte, diversa e sustentável contribui para a prosperidade do mundo em desenvolvimento”, disse Lula.

Para ele, as instituições financeiras internacionais têm um papel central a cumprir e é preciso também desburocratizar o acesso a fundos climáticos. “Insistimos na necessidade de contar com bancos multilaterais melhores, maiores e mais eficazes. Instrumentos como a troca de dívida por desenvolvimento e a emissão de direitos especiais de saque podem mobilizar recursos valiosos”, sugeriu.

Às autoridades do fórum, Lula falou sobre as iniciativas brasileiras, como o programa Bolsa Verde, que transfere renda para mais de 12 mil famílias que ajudam a preservar unidades de conservação marinhas; os US$ 70 milhões na carteira de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social dedicada à economia azul; e o financiamento de projetos de planejamento espacial marinho, conservação costeira e descarbonização da frota naval e infraestrutura portuária.

Agenda

Ainda neste domingo, Lula tem encontros privados com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e com a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), Audrey Azoulay.

Na segunda-feira (9), ele cumpre os últimos compromissos na França, entre eles, a participação na 3ª Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos (UNOC 3), em Nice.