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Última congregação dos cardeais define perfil necessário do novo papa

Nesta terça-feira (6), véspera do início do conclave, 173 cardeais – sendo 130 eleitores – se reuniram para a 12ª e última congregação.

Segundo comunicado enviado à imprensa pelo Vaticano, entre os principais temas discutidos, “foi reiterada a consciência de que muitas das reformas promovidas pelo Papa Francisco precisam ser continuadas: o combate aos abusos, a transparência econômica, a reorganização da Cúria, a sinodalidade, o compromisso com a paz e o cuidado da criação”.

Também foi delineado o perfil que deve ter o novo papa:

“Capaz de encarnar o rosto de uma Igreja samaritana, próxima às necessidades e feridas da humanidade. Em tempos marcados por guerra, violência e fortes polarizações, há uma forte necessidade de um guia espiritual que ofereça misericórdia, sinodalidade e esperança”.

Cardeais entram em reclusão total nesta terça-feira (6) antes do conclave

Cardeais entram em reclusão total nesta terça-feira (6) antes do conclave |  CNN Brasil

Os cardeais que participarão do conclave secreto para eleger um novo papa católico começaram a se hospedar em dois locais do Vaticano nesta terça-feira (6), onde serão impedidos de ter contato com o mundo exterior enquanto decidem quem deve suceder o papa Francisco.

O conclave começará a portas fechadas na Capela Sistina na tarde desta quarta-feira (7), com todos os cardeais com menos de 80 anos podendo votar em quem deve ser o próximo líder da Igreja de 1,4 bilhão de membros.

A disputa para suceder Francisco, que morreu no mês passado, é vista como aberta.

Embora alguns nomes tenham sido citados como possíveis favoritos, muitos dos 133 cardeais que devem votar no conclave afirmaram não saber quem será o próximo pontífice.

Não tenho nenhuma ideia”, disse o Cardeal Robert McElroy durante uma visita a uma paróquia em Roma na noite de segunda-feira (5).

O processo do conclave é “profundo e misterioso”, continuou McElroy, arcebispo de Washington, D.C. “Não posso dar nenhuma pista sobre quem está por vir”.

Alguns cardeais buscam um novo papa que dê continuidade à iniciativa de Francisco por uma Igreja mais transparente e acolhedora, enquanto outros buscam um aprofundamento em raízes mais tradicionais que valorizam a doutrina.

A escolha de um novo líder

Os conclaves costumam se estender por vários dias, com várias votações realizadas antes que um candidato obtenha a maioria necessária de três quartos para se tornar papa.

Durante o período, os cardeais votantes ficarão hospedados em duas casas do Vaticano e farão o juramento de permanecerem fora de contato com qualquer pessoa que não participe da votação secreta.

Francisco tinha como prioridade nomear cardeais de países que nunca os tiveram antes, como Haiti, Sudão do Sul e Mianmar.

Este conclave será o mais geograficamente diverso nos dois mil anos de história da Igreja Católica, com a participação de clérigos de 70 países.

O cardeal japonês Tarcisio Isao Kikuchi disse ao jornal La Repubblica que muitos dos 23 clérigos da Ásia que votaram no conclave planejavam votar em bloco.

Ele comparou a estratégia deles com a dos 53 cardeais da Europa, conhecidos por votarem com base em países específicos ou outras preferências pessoais.

Nós, asiáticos, provavelmente somos mais unânimes em apoiar um ou dois candidatos… veremos qual nome sairá como o principal candidato”, compartilhou Kikuchi.

Cardeais esperam conclave rápido para demonstrar unidade da Igreja Católica, mas eleitores ‘novos’ podem estender escolha do novo papa

Se os cardeais da Igreja Católica não tiverem escolhido um novo papa até o terceiro dia do conclave, que começa na quarta (7), então as coisas não estarão saindo como planejado.

Conclaves curtos, encerrados em poucos dias, projetam uma imagem de unidade, e a última coisa que os cardeais de vestes vermelhas querem é dar a impressão de que estão divididos e que a Igreja está à deriva após a morte do papa Francisco, no mês passado.

“No máximo três dias”, previu com confiança nesta semana o cardeal salvadorenho Gregorio Rosa Chavez, antes da votação secreta que ocorrerá na Capela Sistina.

A duração média dos últimos 10 conclaves foi de 3,2 dias, e nenhum durou mais de cinco. As duas últimas eleições — em 2005, quando o papa Bento XVI foi escolhido, e em 2013, quando Francisco emergiu vencedor — foram concluídas em apenas dois dias.

O conclave ocorre ao longo de quantas rodadas de votação forem necessárias até que um candidato obtenha uma maioria de dois terços, o que desencadeia a fumaça branca que anuncia ao mundo que um novo papado começou.

“Claramente, quanto mais votações há, mais difícil a situação se tornou. Mas os sinais indicam que eles querem avançar rapidamente”, disse Giovanni Vian, professor de história do cristianismo na Universidade Ca’ Foscari de Veneza.

Alguns dos 133 cardeais esperados na Capela Sistina na quarta-feira são considerados “papáveis” — possíveis papas — há anos. Outros só ganharão destaque durante as atuais reuniões diárias, conhecidas como congregações gerais, nas quais os cardeais discutem o futuro da Igreja.

Quando Francisco morreu, a maioria dos observadores do Vaticano via o cardeal italiano Pietro Parolin e o prelado filipino Luis Antonio Tagle como os principais favoritos, com uma série de outros possíveis candidatos logo atrás.

Os 133 cardeais eleitores estão em Roma para a escolha do sucessor de Francisco

 (Foto: Alberto PIZZOLI / AFP)

Os 133 cardeais eleitores do próximo conclave estão em Roma para eleger o sucessor do papa Francisco e definir o futuro da Igreja de 1,4 bilhão de católicos.

Os chamados “príncipes da Igreja” permanecerão isolados a partir de quarta-feira (7) na Capela Sistina até a eleição do novo pontífice, em uma votação de resultado incerto e sem favoritos.

Progressista, conservador, dogmático… Como será o próximo papa? Analistas e cardeais concordam que não será um revolucionário como o argentino Jorge Bergoglio, que propôs um pontificado de reformas, concentrado nos pobres e nas periferias do mundo.

O primeiro papa latino-americano foi muito popular, mas enfrentou, ao mesmo tempo, resistências dentro da Igreja.

“Mais como Francisco”

O porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, informou nesta segunda-feira que todos os eleitores estão na Itália.

Os cardeais se reunirão em segredo a partir da tarde de quarta-feira e votarão sob os afrescos de Michelangelo até que um candidato conquiste a maioria de dois terços.

Ao mesmo tempo, dezenas de milhares de pessoas na praça de São Pedro e milhões pela televisão permanecerão atentas à pequena chaminé instalada no teto do majestoso templo, à espera de notícias.

Fumaça preta significa um conclave sem consenso e que outra votação acontecerá; fumaça branca, “Habemus papam”.

O Vaticano finaliza os detalhes da eleição, que remonta à Idade Média. Funcionários instalaram nesta segunda-feira as cortinas de veludo vermelho na varanda central da basílica de São Pedro, que serão abertas para a primeira aparição do novo papa.

María de los Ángeles Pérez, uma turista mexicana de 49 anos, disse esperar que o novo papa ajude “os mais pobres, os mais necessitados”.

Mais como Francisco do que como Bento“, disse Aurelius Lie, 36 anos, da Alemanha. “Desde que não seja tão conservador e se deixe influenciar por líderes como (Giorgia) Meloni ou (Donald) Trump”.

O padre canadense Justin Pulikunnel pediu uma “fonte de unidade” para a Igreja “após vários anos de desestabilização e ambiguidade”.

O Vaticano está finalizando os detalhes da eleição, que remonta à Idade Média, na qual os chamados “príncipes da Igreja” organizarão quatro votações diárias: duas pela manhã e duas pela tarde, exceto no primeiro dia, em que apenas uma votação acontece.

As cédulas, atas e notas são queimadas em um fogão para anunciar ao mundo o resultado.

“Politicagem”

Os chamados “príncipes da Igreja” não terão contato com o mundo exterior até a escolha do novo papa: sem telefones, internet, televisão ou a presença de jornalistas.

Eles organizarão quatro votações diárias: duas pela manhã e duas pela tarde, exceto no primeiro dia, em que apenas uma votação acontece.

As cédulas, atas e notas são queimadas em um fogão para anunciar ao mundo o resultado.

Bento XVI foi eleito em quatro votações em 2005; Francisco, em 2013, em cinco. Alguns cardeais afirmaram à imprensa que acreditam que a votação se estenderá por dois, no máximo três dias.

Outros, no entanto, acreditam que precisarão de mais tempo para negociar, encontrar um ponto médio que una “bergoglistas” e conservadores, e permita que um nome alcance os dois terços – 89 votos – necessários para eleger o titular do trono de São Pedro.

Dos italianos Pietro Parolin e Pierbattista Pizzaballa ao maltês Mario Grech, do arcebispo de Marselha Jean-Marc Aveline ao filipino Luis Antonio Tagle, vários nomes emergem como candidatos fortes ao papado, embora em Roma circule o famoso ditado de que “quem entra papa no conclave sai cardeal“.

Não há candidatos oficiais, mas milhões de euros já foram registrados nas casas de apostas.

Ninguém está em campanha, por Deus!“, afirmou em seu podcast o cardeal Timothy Dolan, arcebispo de Nova York. “Conversamos, falamos das pessoas que consideramos promissoras, mas é diferente da politicagem“.

“Muito bonito”

Francisco criou a maioria dos cardeais que votam agora em seu sucessor, muitos procedem da “periferia” do mundo, longe da Europa e historicamente marginalizada pela Igreja em Roma.

Este conclave será o mais internacional da história, com representantes de 70 países dos cinco continentes.

Muitos acabaram de se conhecer nas chamadas congregações gerais organizadas desde a morte do pontífice, reuniões a portas fechadas nas quais os cardeais compartilham pontos de vista sobre as prioridades da Igreja e que permitem aos eleitores formarem uma ideia de possíveis nomes.

O que faço é olhar, escutar, ver pessoas que vêm da Mongólia, que trabalham na Cúria, que estão com os mais pobres na América Latina, na África, é muito bonito“, disse o cardeal chileno Fernando Chomalí. “É a herança de 2.000 anos de vida eclesiástica e também a herança do papa Francisco“, concluiu.

‘Próximo papa não será uma xerox de Francisco. Deus gosta de originais’, diz cardeal brasileiro

 (Foto: EVARISTO SA / AFP)

O cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, afirmou, neste domingo (4), que “o próximo papa não será uma xerox do papa Francisco”. A declaração foi feita a um grupo de jornalistas depois de uma missa que celebrou na igreja de Sant’Andrea al Quirinale, da qual é titular em Roma.

Ao ser perguntado sobre os rumos das congregações gerais, reuniões que os cardeais estão realizando para debater temas e o perfil do próximo papa, Scherer disse: “Vamos deixar-nos surpreender”.

O menino que seria canonizado, Carlo Acutis, dizia que Deus não gosta de fotocópias, gosta de originais. Tem continuidade e descontinuidade: descontinuidade porque não é mais o mesmo papa que está adiante. Agora a continuidade é cuidar da Igreja, da missão da Igreja, as preocupações em relação à evangelização”, afirmou.

Na homilia da missa em sua igreja, o cardeal afirmou que vários cardeais celebraram em suas igrejas titulares pedindo pela alma do papa Francisco e agradecendo pelos frutos de seu pontificado.

Também pediu orações pela realização do conclave: “Agora os cardeais estão por escolher um novo pontífice. Como será? Como se chamará? Tantas são as especulações, e é tudo o que podemos fazer. Todos podem ter a própria ideia sobre quem escolher, mas é importante que seja escolhido aquele que Deus quer, que seja confirmado aquele que o Espírito Santo indica”.

Desde a morte de Francisco no último dia 21, os cardeais tiveram nove congregações gerais, em que abordaram os desafios que o próximo líder da Igreja Católica enfrentará, como abusos sexuais, escândalos financeiros e desafios da unidade e da evangelização.

Cardeal espanhol é opção para continuidade do papa Francisco

 (AFP)

Ángel Fernández Artime e Jorge Bergoglio se conheceram em Buenos Aires, em 2009: o primeiro ainda não era cardeal, o segundo era arcebispo da capital argentina e, quatro anos depois, mudaria seu nome para Francisco.

Fernández tem 64 anos e dedicou boa parte da sua carreira à educação em sua congregação salesiana. “Tive tantos momentos de diálogo com Francisco, que permanece no meu coração“, disse à Rádio Nacional da Espanha (RNE). Ele é um dos cinco espanhois entre os 133 cardeais com poder de voto.

Buscou, de todas as formas, aproximar cada vez mais a Igreja dos mais humildes, dos mais aflitos da humanidade”, descreveu Fernández à agência Info Salesiana. “Um papa que era muito crítico dos abusos de poder, guerras e mortes, um papa que sempre teve uma visão corajosa e profética. Logicamente, nem sempre foi aceito por todos“, acrescentou.

Fernández trabalhou de perto com Francisco. Faz parte do dicastério que cuida da vida consagrada, sediado no Vaticano. Também obteve o título de arcebispo.

Fernández é filho de um pescador da costa de Luanco, nas Astúrias. Trabalhava com seu pai até ser enviado para internatos e, depois, para a Universidade de Valladolid, onde estudou filosofia e pedagogia, antes de se aprofundar na teologia pastoral.

Fernández foi ordenado sacerdote em 1987. Foi professor de uma escola nas Astúrias, delegado pastoral salesiano em León e dirigiu o colégio Dom Bosco Orense, na Galícia. Ele conheceu Bergoglio na Argentina, quando era provincial dos Salesianos. “Nas vezes em que fui ao palácio episcopal, quem abria a porta para mim era o cardeal arcebispo“, lembrou, em entrevista à Info Salesiana.

Vivi ali por cinco anos, como provincial dos salesianos, e ali nos conhecemos. Lembro que ele viajava na linha 1 do metrô quando ainda era de madeira, que visitava as favelas. Era um homem de profunda fé e convicção.”

Fernández trabalhou em missões salesianas focadas na educação de crianças carentes e, ao longo de sua carreira, demonstrou grande capacidade de comunicação com os mais jovens. Foi Francisco que fez com que ele se tornasse cardeal, em 2024, quando era reitor-mor da Congregação Salesiana.

Fernández sempre tenta voltar às Astúrias, onde visitava sua família quando recebeu a notícia da morte de Francisco. Papa salesiano após um papa jesuíta? “Sinceramente, eu descarto“, disse à RNE. “Não porque me subestime, mas porque conheço bastante o perfil dos cardeais, e tem pessoas com uma trajetória maior do que a minha.”

Vaticano acelera os trabalhos para preparar Capela Sistina para o conclave

O trabalho de preparação da Capela Sistina para o conclave que começa na quarta-feira está se acelerando, com a instalação de um piso, um forno ara queimar os votos secretos e a chaminé que comunicará se houver fumaça branca, disse o Vaticano neste sábado (3).
Um vídeo de quase cinco minutos divulgado pelo Vaticano mostra técnicos montando andaimes sob os afrescos de Michelangelo, bem como um piso falso de madeira para pôr as grandes mesas onde se sentarão os 133 cardeais que votarão no conclave.
Outros operários instalaram em um canto da capela o pesado forno que será usado para queimar as cédulas secretas.
O vídeo, datado de sexta-feira, também mostra bombeiros subindo no telhado de telhas para consertar o cano da famosa chaminé que comunicará o resultado do conclave: fumaça branca se os cardeais já tiverem eleito o papa e fumaça preta caso contrário.
As verificações do forno foram realizadas “discretamente” e “em caso de necessidade” um técnico “permanecerá durante todo o período da votação em uma pequena sala técnica perto da Capela Sistina, com um controle remoto do fogão”, explica ele, que agora pode ser ativado eletronicamente.
No total, cinco eletricistas, cinco técnicos e dois floristas permanecerão no local durante todo o conclave.
Depois de fazer o juramento, eles dormirão no Vaticano, “sem contato com suas famílias”.
Alguns deles já participaram de conclaves anteriores, os outros são mais jovens e seus colegas mais experientes “passarão o bastão a eles para o futuro”.
De acordo com Screpanti, os técnicos também estão encarregados de escurecer “todas as janelas do Palácio do Vaticano nas áreas destinadas ao conclave” e desativar “todos os dispositivos tecnológicos e sensores instalados nos últimos anos na Capela Sistina”.
Além disso, “cerca de 200 quartos” estão sendo preparados, com a instalação de “divisórias, portas temporárias e o fechamento temporário de algumas janelas” para proporcionar mais privacidade.
Quanto à mobília, “é o equipamento mínimo necessário: uma cama, uma mesa de cabeceira e um guarda-roupa”, acrescenta Screpanti.

Vaticano instala chaminé na Capela Sistina para o conclave

O Vaticano instalou, nesta sexta-feira (2), a chaminé que anunciará que os cardeais, confinados na Capela Sistina a partir da próxima semana, elegeram o sucessor de Francisco como chefe da Igreja Católica.

Um total de 133 cardeais votarão na próxima quarta-feira, sob os afrescos de Michelangelo, para escolher o novo líder espiritual dos 1,4 bilhão de católicos.

Os chamados “príncipes da Igreja” realizarão quatro votações diárias: duas pela manhã e duas à tarde, exceto no primeiro dia.

E queimarão as cédulas de votação em um forno para anunciar o resultado ao mundo: fumaça preta se não conseguirem atingir a necessária maioria de dois terços; branca se “Habemus papam”.

Dezenas de milhares de pessoas na Praça de São Pedro e milhões de pessoas ao redor do mundo que assistem pela televisão estarão de olho no estreito cilindro marrom, à espera do grande anúncio.

Há uma atmosfera “mais espiritual”, disse Diana Ispego, uma mexicana residente nos Estados Unidos, à AFP, apontando para a lareira.

Desafios

A Capela Sistina tem dois fornos ligados à mesma chaminé, de onde vem a única indicação do que acontece lá dentro.

No mais antigo, são queimadas as cédulas de votação e as notas dos cardeais. O segundo, mais moderno, é usado para anunciar o resultado da votação. Deste último, com a ajuda de produtos químicos, sai a fumaça preta (se os cardeais não chegarem a um acordo) ou fumaça branca, quando um novo papa é eleito.

A chaminé foi instalada por uma brigada de bombeiros da Santa Sé, que subiu até a empena do telhado da majestosa capela. O trabalho passou despercebido pela maioria dos turistas presentes em São Pedro.

A instalação coincidiu com a retomada das congregações gerais nesta sexta-feira, onde cerca de 200 cardeais se reúnem para discutir as prioridades para o futuro desta instituição de 2.000 anos.

Apenas 133 pessoas com menos de 80 anos podem votar.

“O mundo precisa de uma pessoa completamente coerente”, disse o cardeal salvadorenho Gregorio Rosa Chávez, de 82 anos, aos repórteres. “Essas pessoas não são muito comuns no mundo de hoje”.

Oitenta por cento desses eleitores foram criados por Francisco. Muitos vêm da “periferia” do mundo, áreas que durante anos foram marginalizadas pela Igreja Católica.

A maioria das pessoas não se conhece e esses encontros servem como um lugar para ouvir ideias e trocar pontos de vista.

O Vaticano disse que a agenda dessas reuniões abrange tópicos que vão desde abuso sexual infantil na Igreja até as finanças da Santa Sé — todos os grandes desafios para Francisco, que agora será herdado pelo novo papa.

Vaticanistas revelam bastidores do conclave e destacam a força de um cardeal

Durante a eleição do sucessor de Francisco cardeais farão juramento em defesa do direito espiritual e temporal  (Foto: AFP)

Tudo o que acontecer a partir de 7 de maio, quarta-feira, na Capela Sistina, ficará dentro da Capela Sistina. “Nós prometemos, nos comprometemos, nos obrigamos e juramos que qualquer um de nós, pela divina disposição, caso eleito papa, se empenhará a levar a cabo fielmente o munus petrinum (ministério de Pedro) de Pastor da Igreja universal e não deixará de afirmar e defender vigorosamente o direito espiritual e temporal, assim como a liberdade da Santa Sé”, afirmarão os 133 cardeais eleitores, ao repetirem o juramento pronunciado pelo decano do Colégio Cardinalício, cardeal Dom Giovanni Battista Re. “Sobretudo, prometemos e juramos observar com a máxima fidelidade, com todos, tanto laicos quanto clérigos, o segredo sobre tudo que resguarde a eleição do pontífice.” Apesar do segredo previsto pela Constituição Apostólica Universi Dominci Gregis, especialistas falaram sobre as articulações dos cardeais para o voto e sobre o que levam em conta no momento da escolha.

A seis dias da eleição do sucessor de Francisco, o nome do cardeal italiano Petro Parolin ganha força. Alinhado ao jesuíta argentino, o secretário de Estado do Vaticano, de 70 anos, é um experimentado diplomata, mas carece de experiência pastoral. Parolin é o campeão das apostas na casa britânica William Hill. Outro nome muito concorrido entre vaticanistas italianos e jornalistas estrangeiros é o do filipino Luis Tagle. Aos 67 anos, o vice-prefeito do Dicastério da Evangelização ganhou o apelido de “Francisco asiático” por priorizar os pobres e marginalizados. O conservador húngaro Peter Erdo e o progressista italiano Matteo Mairia Zuppi também aparecem entre os papabili.

O filme Conclave, estrelado por Ralph Fiennes, praticamente coincidiu com a morte de Francisco e aguçou a curiosidade da opinião pública. Também em Roma, o vaticanista norte-americano Thomas Reese, explicou ao Correio que os cardeais estão trancados no Vaticano, sem qualquer acesso ao mundo exterior. “Eles votarão em silêncio na Capela Sistina, duas vezes pela manhã duas vezes à tarde. Todas as discussões serão conduzidas do lado de fora da capela“, acrescentou. Mas o que determina o voto de um cardeal? Segundo Reese, cada purpurado tem suas prioridades sobre temas importantes enfrentados pela Igreja Católica. “O eleitor busca alguém que concorde com ele, mas também alguém com quem ele mantenha uma relação pessoal, que o respeite e o escute“, acrescentou.

O norte-americano afirmou que, caso o candidato preferido de um cardeal não obtenha os dois terços dos votos, ele precisa procurar por outro papável, talvez um candidato de compromisso. Na dinâmica do conclave, também existem os chamados “pope makers” (“fazedores de papas”), aqueles cardeais com bastante influência no Colégio Cardinalício que conseguem “puxar” os votos de outros “príncipes da Igreja”.

Especialista em Vaticano, doutor em ciências sociais pela Pontifícia Universidade Gregoriana (em Roma), Filipe Domingues afirmou à reportagem que as articulações pelo voto começaram. “É algo gradual, e eles podem falar disso com mais tranquilidade entre si. Durante o conclave, podem se comunicar, mas somente entre eleitores“. Ele avalia que um dos fatores que influenciam o voto dos cardeais no conclave é a origem.

A gente teve um papa latino-americano, com uma marca muito forte da Igreja da América Latina. Ele trouxe muitas coisas do estilo e da visão de mundo das conferências episcopais da região. Colocar outro latino-americano, em seguida, pode ser um pouco demais. Seria prolongar uma geração de papas da América Latina, embora sejam muito diferentes entre si“, observou.

Outra questão que pode pesar é a idade. Dos cardeais muito jovens, é possível que viverão muito e terão um longo pontificado. “Isso derruba muito a chance de serem eleitos. Não é impossível. Se na dinâmica interna esses nomes aparecem com força, podem ser eleitos, porque dois terços são muitos votos“, disse Domingues. Segundo ele, a Igreja espera um pontificado de 20 a 25 anos de duração. “Uma pessoa muita idosa pode ser o que se chama de ‘papa de transição’, alguém que dará mais tempo para a Igreja refletir e avaliar algumas coisas“, acrescentou, “muitas vezes, um cardeal é visto como ideal, mas ou é muito jovem, ou muito velho.”

Domingues destaca que questões especificas também têm relevância na escolha, como sinodalidade da Igreja Católica, a reforma da Cúria Romana, a Igreja mais próxima do povo e “que toca as feridas do mundo“. “No geral, todos os 133 cardeais eleitores são ortodoxos, estão dentro daquilo que a Igreja prega, caso contrário nem seriam purpurados.” Na opinião dele, a questão da crise financeira na Igreja é um subitem do tema das reformas. “Fala-se de um papa gestor, que saiba gerir. É preciso ver as prioridades e ver quais pessoas se encaixam para atendê-las.”

Duas perguntas para:

Cardeal Arlindo Furtado, 75 anos, eleitor no conclave (Cabo Verde)

Como é a responsabilidade de escolher o sucessor do papa Francisco?

O Espírito Santo iluminará a todos para fazermos, em conjunto, uma escolha para o serviço à Igreja e ao mundo, que precisam da voz e da luz do papa, da palavra do Evangelho. Nós votaremos em consciência. O restante será pelo discernimento apresentado pelo Espírito Santo.”

Qual sua análise do legado de Francisco?

É enorme para o mundo de hoje, tão fragmentado e centrado no egoísmo, onde a humanidade muitas vezes fica descartada. Há tantas fraturas, brigas, guerras e mortes e tantos sofrimentos e conflitos, massacres e genocídio. Falta humanidade, Cristo, Deus e fraternidade. Ele foi campeão desses valores.”

Cardeal Gregório Rosa Chávez, 82 anos, não eleitor no Conclave (El Salvador)

Como observa esse momento do conclave?

A impressão é que o funeral do papa Francisco está marcado por aderir à esperança. Sua herança está muito clara. Queremos conservá-la. A tendência é de que o papa assuma Igreja de Francisco com estilo diferente e pessoa diferente em sua herança.; O Brasil tem muito a ver com o papa. Graças ao Brasil, ele chamou Francisco. É uma Igreja pobre para os pobres.

O conclave estará dividido entre cardeais?

De forma alguma. Há opiniões e simpatias, mas isso não é nada. Isso é algo absolutamente sem importância. Está muito claro, basta vermos o nome e o estilo do papa. Essa será a guia do novo papa. Não influenciará em nada no conclave.”

Em ‘pré-conclave’, cardeais discutem como manter agenda de reformas de Francisco, diz Vaticano

Os cardeais da Igreja Católica retomaram, nesta quarta-feira (30), as reuniões preparatórias para o conclave que ocorrerá na semana que vem. No encontro desta manhã, os clérigos, a ponto de iniciar o processo de escolha de um novo papa, debateram como manter a agenda de reformas da Igreja Católica promovida pelo papa Francisco.

“Entre os vários tópicos discutidos, também se discutiu como as estruturas econômicas podem continuar a apoiar as reformas do papado”, disse o Vaticano, em nota.

Já os cardeais evitaram dar pistas e chegaram e saíram da reunião “pré-conclave” em clima de segredo. O colombinado Jorge Jiménez Carvajal, um dos poucos que falou com a imprensa disse que já há muito diálogo entre os clérigos.

“A atmosfera é muito pacífica e cheia de diálogo”, disse Carvajal, de 83 anos, que não participará do conclave. “Em um conclave, não se fala em pressão ou polarizações”.

Cento e oitenta e um do total de 252 de cardeais da Igreja Católica participaram do encontro — entre os presentes na reunião, 124 eram clérigos que participarão do conclave no qual votarão para escolher um novo papa.

No total 133 cardeais participarão do conclave, mas nove deles ainda não haviam chegado no Vaticano nesta sexta.

Todos cardeais eleitores votam no Conclave, mesmo com limite de 120 superado

Em uma declaração da Congregação dos Cardeais, divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé nesta quarta-feira, 30 de abril, foram esclarecidas duas questões de caráter procedimental debatidas nos últimos dias.

Sobre os cardeais eleitores, a Congregação destacou que o Papa Francisco, ao criar um número de cardeais superior a 120 — limite indicado no número 33 da Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, de São João Paulo II, publicada em 22 de fevereiro de 1996 — “dispensou essa disposição legislativa”. Assim, os cardeais que excedem o número limite, com base na norma 36 da mesma Constituição Apostólica, “adquiriram o direito de eleger o Romano Pontífice a partir do momento de sua criação e publicação”.

O segundo ponto refere-se à decisão do cardeal Giovanni Angelo Becciu de não participar do Conclave, “tendo em vista o bem da Igreja”, mas também para contribuir “com a comunhão e serenidade” da reunião dos cardeais que elegerão o novo Pontífice. “A Congregação dos Cardeais expressa apreço pelo gesto por ele realizado e espera que os órgãos de justiça competentes possam apurar os fatos de forma definitiva.”

Três cardeais ficarão de fora do conclave

Três cardeais não participarão do conclave que elegerá o próximo papa da Igreja Católica. Entre os ausentes está o italiano Giovanni Angelo Becciu, que comunicou a decisão de não participar da votação por vontade própria. Outros dois, o bósnio Vinko Pulji%u0107 e o espanhol Antonio Cañizares, não estarão presentes por motivos de saúde, conforme informou o Vaticano nesta terça-feira (29/4).

A ausência de Becciu tem relação com os desdobramentos de um processo judicial em que foi condenado, em dezembro de 2023, por irregularidades na compra e venda de um prédio em Londres. Na época dos fatos, o cardeal ocupava o cargo de substituto para Assuntos Gerais da Secretaria de Estado do Vaticano, função considerada estratégica dentro da estrutura da Santa Sé.

Mesmo condenado em primeira instância pelo tribunal do Vaticano, Becciu mantém a alegação de inocência. Ele já havia sido afastado do cargo de prefeito da Congregação para as Causas dos Santos em 2020, por decisão do papa Francisco, que também determinou a perda dos chamados “direitos ligados ao cardinalato”, como o de participar de um conclave.

Cardeal condenado e demitido por Francisco diz que não estará no conclave

Um cardeal italiano que foi condenado por peculato e fraude disse nesta terça-feira (29) que não participará do conclave secreto para eleger o novo papa.

O cardeal italiano Angelo Becciu, o mais alto funcionário da Igreja Católica já julgado em um tribunal criminal do Vaticano, disse em uma declaração que não iria participar do conclave.

Becciu foi condenado a cinco anos e meio de prisão por um tribunal do Vaticano em dezembro de 2023. Ele nega todos os delitos e está livre enquanto aguarda um recurso.

“Tendo em coração o bem da Igreja… Decidi obedecer, como sempre fiz, à vontade do Papa Francisco e não entrar no conclave, ainda estando convencido da minha inocência”, disse o cardeal.

Francisco, que morreu em 21 de abril, havia demitido Becciu do alto escalão do Vaticano em 2020 e o acusou de desfalque.

O papa permitiu que Becciu mantivesse seu título eclesiástico e seu apartamento no Vaticano, mas o privou do que o Vaticano disse na época serem “os direitos associados ao cardinalato”.

A redação dessa declaração deixou dúvidas sobre se Becciu ainda poderia entrar no conclave para eleger o sucessor de Francisco.

Os cardeais católicos do mundo, que estão se reunindo esta semana para discutir assuntos gerais que enfrentam a Igreja global antes de votar sobre o novo papa, eram conhecidos por terem discutido o que fazer com o caso de Becciu.

O conclave deve começar em 7 de maio.

Conclave para escolher novo papa começa dia 7 de maio, anuncia Vaticano

O conclave, votação dos cardeais da Igreja Católica para eleger um novo papa, começará dia 7 de maio, anunciou o Vaticano nesta segunda-feira (28).

A decisão foi tomada durante uma reunião de cardeais a portas fechadas nesta segunda, que também decidiu pelo fechamento da Capela Sistina para o público para iniciar os preparativos do conclave. A reunião, chamada Congregação Geral, foi a quinta realizada desde a morte de Francisco.

A votação começará após o final da Novendiales, período de luto de nove dias por conta da morte do papa Francisco que teve início após seu sepultamento, no sábado.

Preparativos na Capela Sistina

O Vaticano fechou a Capela Sistina nesta segunda-feira (28) para a visitação do público e passa a preparar o local para receber o conclave.

Uma das principais tarefas de preparação da capela é a instalação da chaminé, onde as cédulas serão queimadas a votação.

Os visitantes que conseguiram entrar no domingo (27) se consideraram sortudos, já que não há como saber quanto tempo o conclave vai durar e por quanto tempo a Capela Sistina ficará sem visitação.

“Acho que nos sentimos muito sortudos por sermos o último grupo de visitantes a entrar hoje”, disse Sumon Khan, um turista dos Estados Unidos. “Sabem, nossa viagem não teria sido completa sem ver este lugar lindo.”

Quando o novo papa será eleito?

Apesar da data para o conclave ter sido definida, ainda não há uma previsão oficial de quando a Igreja Católica terá um novo papa. Isso acontece por causa do modelo de votação e das regras da eleição.

Durante os dias do Conclave, os cardeais eleitores ficam fechados dentro do Vaticano, em uma área conhecida como “zona de conclave”. Eles também fazem um juramento de segredo absoluto sobre o processo. As votações acontecem dentro da Capela Sistina.

Quantos votos são necessários?
Para ser eleito, um cardeal precisa receber dois terços dos votos, que são secretos e queimados após a contagem. Caso o próximo Conclave realmente reúna 133 cardeais, serão necessários ao menos 89 votos.

Ao todo, até quatro votações podem ser realizadas por dia — duas pela manhã e duas à tarde.
Se, depois do terceiro dia de Conclave, a Igreja continuar sem papa, uma pausa de 24 horas é feita para orações.

Outra pausa pode ser convocada após mais sete votações sem um eleito.
Caso haja 34 votações sem consenso, os dois mais votados da última rodada disputarão uma espécie de “segundo turno”. Ainda assim, será necessário atingir dois terços dos votos para que um deles seja eleito.

Quanto tempo pode durar a votação?

Os Conclaves que elegeram Francisco, em 2013, e Bento XVI, em 2005, foram concluídos em apenas dois dias. De modo geral, as eleições dos últimos 100 anos foram rapidamente resolvidas.

Na história da Igreja como um todo, porém, já houve eleições que duraram semanas — incluindo um episódio no século 13 em que um Conclave demorou mais de dois anos para ser concluído e terminou com a eleição de Gregório X.

No caso do Conclave deste ano, a Santa Sé prorrogou até 31 de maio as credenciais temporárias de jornalistas que cobrem o Vaticano.

O calendário de imprensa da Santa Sé também indica como período de funeral e Conclave as datas entre 21 de abril e 11 de maio. No entanto, essas datas são simbólicas, voltadas à organização da cobertura mundial, e não indicam diretamente o dia em que a eleição será concluída.