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Candidato taiwanês pró-China reconhece derrota na eleição presidencial

Hou Yu-ih (centro) admite derrota e felicita o vencedor das eleições

O candidato do principal partido da oposição em Taiwan, o Kuomintang, favorável a uma aproximação com a China, admitiu neste sábado (13) sua derrota na eleição presidencial.

“Respeito a decisão final do povo taiwanês” e “felicito Lai Ching-te (candidato adversário) e Hsiao Bi-khim (colega de chapa) por sua eleição”, declarou Hou Yuh-ih aos seus partidários.

Foco de tensão entre as duas maiores economias do mundo, a ilha autogovernada de Taiwan foi às urnas neste sábado para decidir quem será o seu presidente durante os próximos quatro anos. O candidato governista do Partido Democrático Progressista (PDP), William Lai, lidera as pesquisas cinco pontos à frente de Hou Yu-ih, candidato de oposição do Partido Nacionalista (Kuomintang), segundo dados do agregador de pesquisas eleitorais da revista britânica The Economist.

Taiwan é um território com um governo distinto da China continental desde 1949, quando os nacionalistas sob comando de Chiang Kai-shek se refugiaram na ilha após a derrota para os comunistas de Mao Tsé-tung na Revolução Chinesa. Porém, o governo chinês considera que a ilha é parte do seu território e reiteradamente afirma que a sua incorporação é um processo inevitável. Diante dessas tensões, a relação de Taiwan com a China tem um grande peso eleitoral, e as duas candidaturas se dividem em como melhor lidar com essa situação.

“A visão do Kuomintang prioriza as relações com a China, enquanto a abordagem do PDP enfatiza o aprofundamento dos laços de Taiwan com democracias na comunidade internacional, em especial com os Estados Unidos”, disse ao Globo, por e-mail, Amanda Hsiao, analista sênior para a China do centro de estudos Crisis Group.

Candidato da situação, William Lai é o atual vice da presidente Tsai Ing-wen. Durante seus oito anos de mandato, Tsai adotou uma política de aproximação com os Estados Unidos e distanciou-se da China. Seu governo enfatizou políticas de valorização da identidade nacional taiwanesa e reforçou a sua capacidade militar, incluindo o aumento do serviço militar obrigatório de quatro meses para um ano.

Neste período, a China e Taiwan encerraram seus canais de comunicação oficiais, e o governo da ilha perdeu o reconhecimento formal de sete países que passaram a ser aliados da China. Atualmente, só 13 países com assento na ONU ainda reconhecem a República da China, nome oficial de Taiwan. Os demais países, incluindo Brasil e Estados Unidos, não a reconhecem oficialmente.

Lai tem prometido manter a política externa promovida por Tsai. O maior sinal nesse sentido foi a escolha de Hsiao Bi-khim como sua vice. Representante de Taiwan nos EUA entre 2020 e 2023, ela foi alvo de uma série de sanções por parte da China.

Apesar dessa escolha e da promessa de continuidade, Lai diz estar aberto ao diálogo com o governo chinês durante seu mandato. “A nossa porta estará sempre aberta para compromissos com Pequim sobre os princípios da igualdade e da dignidade”, disse Lai em entrevista coletiva na última semana.

Durante a campanha eleitoral, o candidato da oposição enfatizou diversas vezes que mais um mandato do PDP poderia levar ao crescimento das tensões no Estreito de Taiwan de maneira irreversível. Hou Yu-Ih lembrou do histórico do PDP, e do próprio Lai, junto ao movimento pela independência de Taiwan no passado.

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