
Os depoimentos dos investigados e mensagens periciadas pela investigação mostram que o general Walter Braga Netto seria um dos principais “coordenadores” de uma suposta tentativa de golpe.
Braga Netto foi ministro da Defesa e da Casa Civil, além de candidato a vice-presidente na chapa com Jair Bolsonaro (PL) em 2022.
Sua atuação aponta a apuração da Polícia Federal (PF), se daria em diversas frentes: política, militar e também na agitação das chamadas “milícias digitais” para distribuição de conteúdo falso sobre o sistema eleitoral brasileiro.
Os indícios da participação de Braga Netto, dizem os investigadores, apontam que o general continuou a articulação mesmo após o segundo turno das eleições.
Fontes da PF consideram que Braga Netto tem um “papel relevante” na trama golpista e deve ser um dos indiciados.
Mensagens
Um dos documentos que ligam o general à tentativa de golpe é uma mensagem encaminhada do celular do ex-ajudante de ordens, tenente-coronel Mauro Cid, para o então ministro da Casa Civil, no início de novembro de 2022.
A mensagem, segundo a PF, seria uma minuta “aparentemente assinada por representante de partido político”. Contudo, foi encaminhada com o título “bolsonaro min defesa 06.11-semifinal.docx” para Braga Netto.
Um trecho do texto diz que “novos dados sobrevieram pondo em discussão a higidez do elo entre a manifestação do eleitor e o voto apurado na urna eletrônica”.
Braga Neto também aparece na investigação em mensagens trocadas com Cid, nas quais o general pede ao tenente-coronel que organize uma reunião virtual no dia 12 de novembro de 2022.
Na mensagem, que é transcrita em um dos depoimentos, Braga Netto dá a entender que Jair Bolsonaro participaria do encontro:
“Cid… eu já… ele já ligou pra mim também, tá? E aí, o Presidente me falou que era às 15 horas. Só que tem acertar essa videoconferência”.
Entretanto, o inquérito não apresenta mais detalhes sobre o conteúdo dessa reunião.


