
O presidente do Chile, Gabriel Boric, convocou, nesta terça-feira (7), para 17 de dezembro um plebiscito para votar o novo projeto de Constituição do país, redigido por um conselho dominado por forças da direita. O texto deverá substituir a Carta Magna imposta pela ditadura de Pinochet.
“O plebiscito de 17 de dezembro está oficialmente convocado e convido todos os nossos compatriotas a se informarem e participarem, cumprindo o inevitável dever cidadão de votar”, disse Boric, em uma cerimônia em Santiago.
O presidente cumpre o cronograma previsto no segundo processo de mudança da Constituição vivido pelo Chile.
Tudo isso depois de, em outubro de 2020, 78% do eleitorado ter votado a favor de uma mudança na Carta Magna, na esperança de estabelecer as bases para um Estado mais forte nas questões sociais após os protestos que abalaram o país em 2019.
“Começa o tempo definitivo dos cidadãos e cidadãs. Agora, sua voz e decisão são o que importa”, declarou Boric nesta terça-feira.
A coalizão do governo se manifestou contra o novo texto, considerando-o retrógrado em termos de direitos civis e sociais, e por estabelecer claramente instituições privadas de saúde e de previdência.
O primeiro processo de mudança constitucional fracassou nas urnas, em setembro de 2022: 61% do eleitorado rejeitou o texto principalmente por considerá-lo de esquerda radical.
A proposta atual, que será votada em dezembro, foi criticada inclusive pelos democratas-cristãos (centro) como um texto conservador e “ideológico” da direita radical.


