
Pesquisa AtlasIntel/Arko Advice obtida em primeira mão pela CNN aponta como principal fator de rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o “envolvimento ou conivência com corrupção”, enquanto um “governo parecido com o de Jair Bolsonaro” é o motivo mais apontado por quem rejeita o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O levantamento, chamado “Raízes da Rejeição”, foi feito para investigar com mais profundidade as motivações de decisão de voto do eleitorado brasileiro em um ambiente de alta polarização e engajamento – 82,6% dos entrevistados disseram acompanhar política “muito de perto (todos os dias)”, ante 15,3% que o fazem “de vez em quando”.
No ranking de políticos mais rejeitados, o presidente é o único com mais de 50% de respostas quando o entrevistado pode escolher apenas um nome – em outros levantamentos, esse tipo de pergunta pode surgir como de múltipla escolha.
Lula aparece com 50,6%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 24%, e Jair Bolsonaro, com 16,3%. Abaixo dos 10%, surgem o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), com 5,9%, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), com 1,2%, completando a lista dos cinco mais citados.
Lula e a percepção sobre corrupção
Ao questionar os eleitores sobre os fatores de rejeição a um determinado pré-candidato, a pesquisa mostra que 85,9% dos que não votariam em Lula de jeito nenhum apontam o fato de o presidente “estar envolvido ou ser conivente com corrupção” como principal motivo.
O segundo fator, com 45,7%, é “querer a população dependente do Estado” e, em terceiro, “representar um projeto de poder autoritário ou antidemocrático”, com 33,2%. Entre quem rejeita Lula, 30,3% votaram no petista antes de 2014; 7,5%, recentemente; e 62,3% disseram nunca ter votado no PT.
Família Bolsonaro e a condução da pandemia
No caso de Flávio, o principal fator de rejeição é o eleitor “não querer um governo parecido com o de Jair Bolsonaro”, com 74,4%.
Em seguida, com 62,7%, aparecem a percepção de o senador “estar envolvido ou ser conivente com corrupção” e, com 47,2%, “representar um projeto de poder autoritário ou antidemocrático”.
A pesquisa mostra ainda que “erros na condução da pandemia” da Covid-19, com 28,6%, é a razão mais forte para quem votou no ex-presidente não querer escolher o filho dele, mais do que a imagem de “autoritarismo ou caos institucional”, com 18,7%.
Segundo o estudo, 82,5% de quem rejeita Flávio nunca votou em Jair Bolsonaro, ante 10,2% que ajudaram a eleger o ex-presidente em 2018; 5,6% que disseram ter votado nas duas últimas eleições (2018 e 2022); e 1,9% que votou apenas há quatro anos.
Caiado e a associação ao bolsonarismo
O estudo também buscou identificar os fatores de rejeição ao ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, anunciado na segunda-feira (30) como pré-candidato do PSD à Presidência.
A “associação com o bolsonarismo” foi o motivo mais escolhido, com 53,2%, seguido pela imagem de “governar para os ricos”, com 29,6%; e o desconhecimento (“não conheço bem”), com 24,8%.
O levantamento foi feito antes que Caiado fosse confirmado como pré-candidato do PSD à Presidência.


