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Após prorrogar prazo, Venezuela termina horário de votação de referendo sobre anexação de região da Guiana

Votação de referendo de Essequibo termina na Venezuela

Os eleitores venezuelanos votaram neste domingo (3) em um referendo sobre a província de Essequibo, um território rico em hidrocarbonetos maior que a Grécia que pertence à Guiana, embora seja reivindicado pela Venezuela desde 1841.

A votação começou às 6h locais (7h, em Brasília) e iria até às 18h (19h, em Brasília), mas o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país decidiu prorrogar o prazo até 20h no horário local (21h, em Brasília).

Foram chamados a votar 20,7 milhões de venezuelanos de uma população de quase 30 milhões. Os resultados devem ser divulgados ainda nesta segunda-feira (4). O referendo é “consultivo” e não há número mínimo de votos para sua aprovação.

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, no entanto, têm encorajado os eleitores venezuelanos a aprovarem o referendo de 5 perguntas. Já a Guiana considera que o referendo é um primeiro passo para a anexação do seu território.

“O primeiro efeito que a voz poderosa e unida da Venezuela deveria ter é sentar-se com o presidente da Guiana e voltar ao acordo de Genebra”, disse Maduro ao votar neste domingo, fazendo uma referência ao tratado firmado pelo Reino Unido e o país em 1966 que reconhecia a reivindicação da Venezuela e determinava que venezuelanos e guianenses formassem uma comissão para resolver a questão.

“Esse plebiscito já está aprovado, pois os venezuelanos não vão votar contra. A questão é se a consequência disso será uma ação para a anexação de Essequibo ou não”, afirma Carmona, o professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra.

O petróleo na região agravou a disputa, porque a Venezuela argumenta que a Guiana está comercializando blocos que não são dela.

Por fim, há a situação política da Venezuela. Depois de anos em crise, o país espera uma melhora econômica com a retirada das sanções. Uma das medidas que os Estados Unidos impuseram para retirar as sanções é a realização de eleições presidenciais limpas em 2024. Vive-se um clima de pré-campanha na Venezuela, e esse assunto é uma questão nacional do país há séculos, une todo mundo, mesmo a oposição não ousa falar contra a questão de Essequibo.

“Nicolás Maduro, o presidente da Venezuela, não colocaria em risco a recuperação da economia que poderá ser alcançada com o fim das sanções à indústria petrolífera em função de que uma campanha militar que levaria a um confronto não só com Guiana, mas muito provavelmente com outras potências extraregionais, que poderiam levar ao retorno das sanções, anulando a possibilidade da recuperação econômica”, diz Carmona.

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