/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2024/C/o/2nRAerS06jVhrgxwjIow/fotojet-2024-09-03t093038.665.jpg)
Na primeira manifestação após Edmundo González ter deixado a Venezuela, o presidente Nicolás Maduro reafirmou sua vitória na eleição presidencial nesta segunda-feira (9) e disse que “o país está em paz”.
Em programa na TV estatal venezuelana, Maduro comparou o impasse com a oposição, encabeçada por González e por María Corina Machado, com um jogo de xadrez, e disse que “o jogo se deu em condição de igualdade”.
“Jogamos limpo e ganhamos limpo. Ganhamos no sentido da paz do país. Hoje o país está tranquilo e aplaude o que aconteceu”, disse o presidente, que foi aplaudido pelos presentes.
Maduro responsabilizava os opositores pelas manifestações que tomaram as ruas da Venezuela após a eleição, que deixou dezenas de mortos e gerou diversas prisões. Segundo o presidente, com a ida de González à Espanha, os desejos do opositor de “paz e harmonia para o país” serão respeitados e que “a paz reinará acima de tudo”.
O presidente venezuelano também disse que “respeita” a decisão tomada por Edmundo González de deixar a Venezuela. “Todo o meu respeito pela decisão que tomou. Posso dizer ao embaixador González Urrutia, com quem tenho entrado em choque desde 29 de julho, que entendo o passo que ele deu e o respeito”, afirmou Maduro. Em tom de despedida, o governante desejou ao opositor tudo de bom “em sua nova vida”.
A viagem de González à Espanha foi feita com autorização do governo venezuelano, segundo a vice-presidente do país. A saída do candidato gerou críticas, entre a oposição, de que a saída de González pode enfraquecer o movimento— os opositores afirmam ter vencido as eleições, apesar de a Justiça eleitoral ter declarado vitória de Maduro. As atas eleitorais, espécies de boletins de urna, não foram divulgadas pelo governo.
Maduro disse que a saída de González foi negociada e faz parte de sua ética como presidente, mas não revelou detalhes das tratativas. “Tenho muitos defeitos, mas um dos valores que pratico é a palavra. Conduzi esse processo coletivamente com uma equipe, mas em cunho pessoal também. Tenho palavra para cumprir os acordos e também para guardar os segredos. Me reservo ao direito constitucional do segredo de estado”, disse.
“Tudo foi feito de maneira impecável. (…) Sempre jogamos limpo”, afirmou Maduro.
Candidato de oposição que enfrentou Maduro nas urnas em 28 de julho, Edmundo González tinha um mandado de prisão contra ele a pedido do Ministério Público do país –alinhado ao chavismo. O pedido de prisão foi feito porque o candidato não compareceu a convocações do MP para dar depoimento em investigação do órgão contra ele –havia o temor de que ele fosse preso caso se apresentasse.
O candidato de oposição é investigado pelo MP pela publicação de um site com cerca de 80% das atas eleitorais coletadas pela oposição. Maduro foi decretado vencedor pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE), mas divulgou as atas até o momento. O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que ratificou a vitória do presidente, proibiu a publicação dos documentos. Tanto o CNE quanto o TSJ são alinhados a Maduro.
González e Corina Machado estão escondidos desde a eleição, com raras aparições públicas –a líder da oposição compareceu a dois protestos contra o governo, e González, a um. Maduro já havia dito que os dois “têm que estar atrás das grades”.


