COR LITÚRGICA: BRANCO
2ª Semana da Páscoa | Sábado
Ao cair da tarde, os discípulos desceram ao mar. Entraram na barca e foram em direção a Cafarnaum, do outro lado do mar. Já estava escuro, e Jesus ainda não tinha vindo ao encontro deles. Soprava um vento forte e o mar estava agitado. Os discípulos tinham remado mais ou menos cinco quilômetros, quando enxergaram Jesus, andando sobre as águas e aproximando-se da barca. E ficaram com medo. Mas Jesus disse: “Sou eu. Não tenhais medo”. Quiseram, então, recolher Jesus na barca, mas imediatamente a barca chegou à margem para onde estavam indo.
Caríssimos irmãos e irmãs, o evangelho de hoje narra um episódio fascinante da vida de Jesus, que revela não apenas seu poder sobre a natureza, mas também a importância da confiança nele, mesmo em meio às tempestades da vida.
Na passagem, após Jesus ter alimentado os cinco mil, ele ordena aos discípulos que entrem no barco e vão adiante dele para Betsaida, enquanto ele despede a multidão. Enquanto os discípulos estão no mar, a noite cai e surge uma grande tempestade. No entanto, Jesus vem até eles caminhando sobre as águas, e quando eles o veem, ficam com medo. Mas Jesus os tranquiliza, dizendo: “Sou eu. Não tenham medo!”.
Essa narrativa é repleta de simbolismo e significado. Primeiramente, mostra o poder divino de Jesus sobre a natureza, caminhando sobre as águas tempestuosas. Isso não apenas demonstra sua divindade, mas também sua autoridade sobre todas as circunstâncias da vida.
Além disso, a reação dos discípulos revela a fragilidade da fé humana. Mesmo tendo testemunhado milagres e ouvido os ensinamentos de Jesus, eles ainda ficam com medo diante da tempestade. Isso nos lembra que, assim como os discípulos, também enfrentamos tempestades em nossa vida — desafios, adversidades, dúvidas. Mas Jesus nos diz as mesmas palavras que disse aos discípulos: “Sou eu. Não tenham medo!”.
Essa passagem nos chama a confiar em Jesus, mesmo quando as circunstâncias parecem sombrias. Ele está conosco em todas as tempestades, e sua presença nos dá coragem e esperança. Ele é a luz que brilha nas trevas, o porto seguro em meio à tempestade.
Nesta segunda semana da Páscoa, gostaria de trazer à luz desta leitura cinco pontes centrais desse evangelho para nossa vida cristã, para intimidade com a fé e caminho à santidade.
1- A presença constante de Jesus: Mesmo quando não o vemos ou sentimos, Jesus está sempre conosco, especialmente em momentos de dificuldade e desespero.
2- O poder divino de Jesus: Jesus demonstra seu poder sobre a natureza, mostrando que é o Filho de Deus com autoridade sobre todas as coisas.
3- A importância da fé: os discípulos, mesmo após testemunhar milagres, ainda lutavam com o medo e a falta de fé. Isso nos lembra da necessidade contínua de fortalecer nossa fé em Jesus.
4- A resposta de Jesus ao medo: quando os discípulos estão com medo, Jesus os tranquiliza. Ele nos diz as mesmas palavras hoje: “Não tenham medo”. Isso nos lembra de confiar em sua presença e cuidado, mesmo nas situações mais difíceis.
5- O chamado para confiar em Jesus: Assim como os discípulos foram chamados a confiar em Jesus em meio à tempestade, somos chamados a confiar nele em todas as circunstâncias da vida.
Que possamos, como os discípulos, reconhecer a presença de Jesus em meio às tempestades da vida e confiar nele com fé inabalável, sabendo que ele é verdadeiramente o Filho de Deus, nosso Salvador e Senhor. Que ele nos conceda a paz que excede todo entendimento, para podermos enfrentar qualquer tempestade com confiança e serenidade.
Celebramos hoje, São Hermenegildo, Padroeiro dos Convertidos, era filho do rei visigodo Leovigildo, e irmão de Recaredo. Educado no arianismo imperante entre os visigodos da Península Ibérica de então (ao contrário da população hispano-romana, que era majoritariamente católica), a sua conversão ao catolicismo fê-lo enfrentar o seu pai e causou uma contenda militar, a qual terminaria na sua captura e execução. Rogai por nós, São Hermenegildo, guiando-nos em nosso constante caminho para conversão. Paz e Bem!
Luiz Guilherme
Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB


