COR LITÚRGICA: BRANCO
Santos Miguel, Gabriel e Rafael, Arcanjos – Festa | Sexta-feira
Naquele tempo, Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. Jesus disse: “Tu crês porque te disse: ‘Eu te vi debaixo da figueira?’ Coisas maiores que esta verás!” E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. (Jo 1,47-51)
Amados irmãos, que a paz do Senhor e o amor de Maria esteja com todos vocês.
Hoje vamos fazer uma retrospectiva de fatos importantes até chegar a Natanael – o israelita de verdade. Estamos no início do evangelho de João que é considerado o livro dos sinais.
Esta sessão narra a atividade de Jesus junto a seu povo e é chamada de “livro dos sinais”, por estar organizada em torno de sete gestos realizados por Jesus, que indicam quem Ele é e qual o sentido de sua missão. Todas as atividades e proclamações de Jesus estão de alguma forma ligadas a estes sinais. Tornar-se discípulo de Jesus exige compreender o sentido desses sinais e comprometer-se com as exigências que eles vão indicando. A radicalidade do que vai sendo proposto por Jesus conduz a uma tensão crescente com as autoridades religiosas, que no fim decidirão que Ele precisa ser morto.
Começa aqui o relato de uma semana que abre a atividade de Jesus. O ambiente é claro: a atividade de João é questionada pelas autoridades religiosas e políticas de Jerusalém. Mas é a Ele que o povo procura, em busca de alternativas que atendam às suas expectativas de vida e liberdade. É nessa periferia que Jesus aparece, forma o primeiro grupo de discípulos e depois o amplia, com seu deslocamento até a Galileia. Isto é só o começo, mas já está preparado o cenário para que se realizem os sinais por parte de Jesus.
Tudo começa com Joao Batista: ele garante não ser nada daquilo que serão as características do Messias. Seu testemunho é dado diante das autoridades, e indica claramente o ambiente das origens da ação de Jesus: é nas margens da sociedade e da região instituída que João da seu testemunho, aparece Jesus e seus primeiros discípulos são reunidos.
No segundo dia João da testemunho direto sobre Jesus, apresentando-o como filho de Deus, o cordeiro que tira o pecado do mundo. João insiste na identidade diferenciada de Jesus, acentuada sua origem divina e a presença do Espirito Santo nele. Portanto, desde o início Jesus é proclamado como alternativa ao sistema religioso da época, pois Ele é o Cordeiro de Deus, que está no lugar dos animais ofertados no templo de Jerusalém para alcançar o perdão dos pecados.
No dia seguinte dois discípulos de João tornaram-se seguidores de Jesus. Um deles é André, que vai tratar de apresentar seu irmão Pedro a Jesus. O evangelista quer manter desconhecido o nome do outro discípulo de Joao. O que importa é que, a partir desse dia, alguns começam a partilhar a convivência com Jesus. Essa é a graça e o desafio do discipulado, mais do qualquer título ou nome.
Mais um dia, e outros dois discípulos se juntam ao grupo de Jesus: inicialmente Felipe, quer apresenta Jesus a Natanael. Este último manifesta preconceito por causa das origens de Jesus, que vem de Nazaré. Mas Felipe garante que é dele que falam as escrituras judaicas.
Assim, ao final desses quatro dias, Jesus já é visto como Aquele que tem origem divina: é o Cordeiro de Deus, seu filho, o Messias, e aquele a quem se referem os textos judaicos sagrados. Mas isso é só o começo: Jesus se refere ao sonho de Jacó (Gn28,10-22) para se apresentar como ligação entre Deus e a humanidade. É nessa condição que Ele passa a agir: o primeiro dos sinais que Ele realiza acontecera no casamento de Caná, no último e mais importante dia da semana que inaugura a atividade de Jesus, de acordo com este evangelho.
Paz e Bem!
Mauricéia Araújo
Ministra da Eucaristia da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira


