Search

Que se prenda a minha língua ao céu da boca, se de ti Jerusalém, eu me esquecer!

Cor Litúrgica: Verde

12º Semana do Tempo Comum | Sexta-feira


1 Tendo Jesus descido do monte, numerosas multidões o seguiam. 2 Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. 3 Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fica limpo”. No mesmo instante, o homem ficou curado da lepra. 4 Então Jesus lhe disse: “Olha, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote, e faze a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho para eles”. (Mt 8,1-4).

Amados irmãos e irmãs que a paz do Senhor e o amor de Maria esteja com todos vocês.

A ação de Jesus é ao mesmo tempo expressão da sua misericórdia para com quem sofre, e de oposição às pessoas e estruturas que produzem a marginalização sofrida pelos leprosos, por razões de saúde e religião. Daí não basta dizer que o leproso está purificado: será preciso desafiar o sistema político e religioso que mantém tanta gente no abandono e no desprezo. Ao desafiar o sistema político e religioso, o próprio Jesus será visto como impuro, e terá que ficar fora da cidade. No entanto, os marginalizados continuam a procura-lo.

Tenham todos uma abençoada sexta-feira!


Mauricéia Araújo

Ministra da Eucaristia da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

O Senhor preferiu Jerusalém por sua morada

Cor Litúrgica: Verde

11º Semana do Tempo Comum | Sexta-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 19 “Não junteis tesouros aqui na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e os ladrões assaltam e roubam. 20 Ao contrário, juntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça e a ferrugem destroem, nem os ladrões assaltam e roubam. 21 Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. 22 O olho é a lâmpada do corpo. Se o teu olho é sadio, todo o teu corpo ficará iluminado. 23 Se o teu olho está doente, todo o teu corpo ficará na escuridão. Ora, se a luz que existe em ti é escuridão, como será grande a escuridão”. (Mt 6,19-23).

Amados irmãos e irmãs que a paz do Senhor e o amor de Maria esteja com todos vocês.

É fundamental saber onde se encontra o coração, a sede das decisões humanas. Está focado nos valores propostos pela sociedade? Ou é sensível á justiça de Deus, que ele quer ver reinando na terra? Um olho bom é aquele que reflete a vontade de Deus acolhida no coração para que o caminho seja iluminado.

Tenham todos uma abençoada sexta-feira!


Mauricéia Araújo

Ministra da Eucaristia da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

O amor do Senhor Deus por quem o teme, é de sempre e perdura para sempre

Cor Litúrgica: Branco

Sagrado Coração de Jesus | Solenidade | Sexta-feira


25 Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27 Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28 Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. 29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30 Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mt 11,25-30).

Amados irmãos e irmãs que a paz do Senhor e o amor de Maria esteja com todos vocês.

Deve surpreender que, em sua oração, Jesus agradeça ao Pai porque sábios e entendidos não compreendam sua mensagem sobre o Reino e a justiça de Deus! Se a entendessem, tratariam de desvirtuá-la e moldá-la de acordo com os próprios interesses. Quem a compreende são os pobres, as ovelhas sem pastor que escutam a voz do Espírito. Eles descobrem que a mensagem do Messias é de libertação dos pesos que impedem a vida plena e dificultam o acesso a Deus.

Tenham todos uma abençoada sexta-feira!


Mauricéia Araújo

Ministra da Eucaristia da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Os que amam vossa lei, têm grande paz!

Cor Litúrgica: Vermelho

São Bonifácio, bispo e mártir | Memória | Sexta-feira


Naquele tempo, 35 Jesus ensinava no Templo, dizendo: “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? 36 O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. 37 Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?” E uma grande multidão o escutava com prazer. (Mc 12,35-37).

Amados irmãos e irmãs que a paz do Senhor e o amor de Maria esteja com todos vocês.

Jesus rejeita que o Messias deva agir como um novo Davi, tratando de restaurar realezas e recuperar poderes e privilégios. Com isso, questiona também esperanças populares, como a que manifestou em Mc11,9. O caminho do Messias é outro, como o texto do Evangelho vem mostrando.

Tenham todos uma abençoada sexta-feira!


Mauricéia Araújo

Ministra da Eucaristia da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

O Senhor pôs o seu trono lá nos céus

Cor Litúrgica: Branco

7ª Semana da Páscoa | Sexta-feira


Jesus manifestou-se aos seus discípulos 15 e, depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros”. 16 E disse de novo a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro disse: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas”. 17 Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas. 18 Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”. 19 Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou: “Segue-me”. (Jo 21,15-19).

Amados irmãos e irmãs, que a paz do Senhor e amor de Maria esteja sempre com todos vocês.

Apesar de não corresponder plenamente à intensidade do amor pedida por Jesus, Pedro recebe dele a tarefa de cuidar das ovelhas, ou seja, dos membros da comunidade. Mas fica claro que as ovelhas não lhe pertencem; ele exercerá bem sua função se tiver plena consciência de que o pastor é o Ressuscitado: é a fidelidade a ele e à sua obra que tanto Pedro (e todos os que exercem na comunidade ministérios de liderança) quanto as ovelhas encontrarão a fonte e o sustento de seu testemunho. A figura do discípulo amado, que acompanha o diálogo entre Pedro e Jesus, está aí para deixar claro o que é o essencial: fazer parte da comunidade dos discípulos seguidores de Jesus.

Tenham todos uma abençoada Sexta-Feira!


Mauricéia Araújo

Ministra da Eucaristia da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

O Senhor é o grande Rei de toda a terra

Cor Litúrgica: Branco

6ª Semana da Páscoa | Sexta-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20 “Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. 21 A mulher, quando deve dar à luz, fica angustiada porque chegou a sua hora; mas, depois que a criança nasceu, ela já não se lembra dos sofrimentos, por causa da alegria de um homem ter vindo ao mundo. 22 Também vós agora sentis tristeza, mas eu hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria. 23a Naquele dia, não me perguntareis mais nada”. (Jo 16,20-23a).

Amados irmãos e irmãs, que a paz do Senhor e o amor de Maria esteja sempre com todos vocês.

A presença do Espírito na vida da comunidade não acontece apenas para consolação e conforto. É por meio dele que a comunidade terá o entendimento a respeito do mundo e das realidades de pecado e morte que existem nele. E o mais importante: a comunidade assumirá como tarefa sua a denúncia dessas situações, indo até as raízes delas para desmascará-las.

A morte de Jesus e os conflitos com a sociedade ao redor são causas de aflição na comunidade. Mas isso não pode destruir a esperança, que se alimenta da presença permanente do Ressuscitado. Ela sabe em quem apostou: reconhece a origem divina de Jesus, seu retorno para junto do Pai, e está convencida de que a obra que ele realizou no mundo significa a vitória sobre os esquemas da sociedade que produzem dor e morte. Esta certeza lhe dá a confiança necessária para permanecer fiel e manter o testemunho que deve dar, mesmo diante das perseguições.

Uma abençoada Sexta-Feira a todos!


Mauricéia Araújo

Ministra da Eucaristia da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Vou louvar-vos, Senhor, entre os povos

Cor Litúrgica: Branco

5ª Semana da Páscoa | Sexta-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12 “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. 13 Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. 14 Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15 Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. 16 Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que, então, pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. 17 Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros”. (Jo 15,12-17).

Amados irmãos e irmãs que a paz do Senhor e o amor de Maria esteja com todos vocês.

O amor entre os irmãos é necessário inclusive para que a comunidade possa enfrentar as hostilidades que vêm de fora. Os esquemas dominantes da sociedade e seus promotores não podem aceitar o testemunho da comunidade seguidora de Jesus. O que vai fortifica-la é a certeza de que o que ela estará sofrendo já aconteceu anteriormente ao mesmo Jesus. O martírio é a expressão mais radical da fidelidade ao evangelho.

Tenham todos uma abençoada sexta-feira!


Mauricéia Araújo

Ministra da Eucaristia da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Tu és meu Filho, e eu hoje te gerei!

Cor Litúrgica: Branco

4ª Semana da Páscoa | Sexta-feira


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1 “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. 2 Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós, 3 e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. 4 E para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. 5 Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” 6 Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”. (Jo 14,1-6).

Amados irmãos e irmãs que a paz do Senhor e o amor de Maria esteja com todos vocês.

Jesus é ao mesmo tempo o caminho que conduz ao Pai e o meio pelo qual o Pai é conhecido.
Isso se deve ao fato de que a obra que Jesus realiza é aquela que ele viu o Pai fazer. A prática de Jesus revela quem Jesus é, e junto com isso revela o ser Pai: essa prática mostra como ambos são unidos. É pela contemplação e entendimento do sentido das obras de Jesus que se estabelece o compromisso com ele, e dessa maneira o acesso ao Pai.

Tenham todos uma abençoada sexta-feira.

São José rogai por nós!


Mauricéia Araújo

Ministra da Eucaristia da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Ide, por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho

Cor Litúrgica: Branco

3ª Semana da Páscoa | Sexta-feira


Naquele tempo, 52 os judeus discutiam entre si, dizendo: “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?” 53 Então Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55 Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida. 56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57 Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim o que me come viverá por causa de mim. 58 Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre”. 59 Assim falou Jesus, ensinando na sinagoga em Cafarnaum. (Jo 6,52-59).

Amados irmãos e irmãs que a paz do Senhor e o amor de Maria esteja com todos vocês.

O sinal dos pães e peixes partilhados vai alcançando sentidos cada vez mais profundos e desafiadores: o próprio Jesus pode apresentar-se a si mesmo como alimento. É o compromisso dele com a vida concreta das pessoas que o leva a esse dom radical:a oferta de sua carne e sangue. Fortificada dessa maneira com Jesus, Palavra de Deus feita carne, a comunidade pode comprometer-se com a vida que ele veio trazer ao mundo.

Um abençoada sexta-feira a todos!


Mauricéia Araújo

Ministra da Eucaristia da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Ao Senhor eu peço apenas uma coisa: habitar no santuário do Senhor

Cor Litúrgica: Branco

2ª Semana da Páscoa | Sexta-feira


Naquele tempo, 1 Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. 2 Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. 3 Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com os seus discípulos. 4 Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. 5 Levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?” 6 Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. 7 Filipe respondeu: “Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um”. 8 Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: 9 “Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?” 10 Jesus disse: “Fazei sentar as pessoas”. Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens. 11 Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. 12 Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!” 13 Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. 14 Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: “Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo”. 15 Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte. (Jo 6,1-15).

Amados irmãos e irmãs, que a paz do Senhor e o amor de Maria estejam sempre com todos vocês.

A Páscoa que Jesus celebra com seus discípulos e com a multidão carente mostra-o como novo Moisés, comprometido com a vida e a liberdade de seu povo. A fartura do momento leva ao reconhecimento dele como o Profeta esperado. Mas não se esperem soluções fáceis: não ajuda muito saber quem Jesus é, se se projetam nele expectativas que não são coerentes com o projeto que ele está apresentando. Por isso Jesus se retira. Esta Páscoa não é mais celebrada em Jerusalém, junto ao templo: a nova comunidade congregada em torno de Jesus adora o pai “em espírito e verdade”.

Tenham todos uma abençoada sexta-feira!


Mauricéia Araújo

Ministra da Eucaristia da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

A pedra que os pedreiros rejeitaram, tornou-se agora a pedra angular

Cor Litúrgica: Branco

Oitava da Páscoa | Sexta-feira


Naquele tempo, 1 Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: 2 Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. 3 Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Também vamos contigo”. Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. 4 Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. 5 Então Jesus disse: “Moços, tendes alguma coisa para comer?” Responderam: “Não”. 6 Jesus disse-lhes: “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”. Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. 7 Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. 8 Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. 9 Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão. 10 Jesus disse-lhes: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”. 11 Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. 12 Jesus disse-lhes: “Vinde comer”. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. 13 Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe. 14 Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos. (Jo 21,1-14).

Amados irmãos e irmãs, que a paz do Senhor e o amor de Maria esteja sempre com todos vocês.

Este capítulo foi escrito depois que o Evangelho já tinha ficado pronto e circulava no meio da comunidade. Seu conteúdo insiste nos princípios que deverão orientar a missão e o testemunho cristão no mundo.

A comunidade cristã tem como desafio dirigir seu testemunho aos seres humanos. Mas para isso não deve basear-se em qualquer critério ou apoio que não seja a confiança em Jesus e a escuta de sua palavra. A meta é criar uma experiência comunitária da fé, que pela partilha faz a memória da presença do Senhor e transmite ao mundo uma nova forma de pensar e organizar a vida.

Tenham todos uma abençoada Sexta-feira!


Mauricéia Araújo

Ministra da Eucaristia da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito

Cor Litúrgica: Vermelho

Paixão do Senhor | Sexta-feira


Narrador 1: Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo João.

Naquele tempo, 1Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia aí um jardim, onde ele entrou com os discípulos. 2Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus costumava reunir-se aí com os seus discípulos. 3Judas levou consigo um destacamento de soldados e alguns guardas dos sumos sacerdotes e fariseus, e chegou ali com lanternas, tochas e armas. 4Então Jesus, consciente de tudo o que ia acontecer, saiu ao encontro deles e disse:

Pres.: “A quem procurais?”

Narrador 1: 5Responderam:

Ass.: “A Jesus, o Nazareno”.

Narrador 1: Ele disse:

Pres.: “Sou eu”.

Narrador 1: Judas, o traidor, estava junto com eles. 6Quando Jesus disse: “Sou eu”, eles recuaram e caíram por terra. 7De novo lhes perguntou:

Pres.: “A quem procurais?”

Narrador 1: Eles responderam:

Ass.: “A Jesus, o Nazareno”.

Narrador 1: 8Jesus respondeu:

Pres.: “Já vos disse que sou eu. Se é a mim que procurais, então deixai que estes se retirem”.

Narrador 1: 9Assim se realizava a palavra que Jesus tinha dito:

Pres.: “Não perdi nenhum daqueles que me confiaste”.

Narrador 2: 10Simão Pedro, que trazia uma espada consigo, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O nome do servo era Malco. 11Então Jesus disse a Pedro:

Pres.: “Guarda a tua espada na bainha. Não vou beber o cálice que o Pai me deu?”

Narrador 1: 12Então, os soldados, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram. 13Conduziram-no primeiro a Anás, que era o sogro de Caifás, o Sumo Sacerdote naquele ano. 14Foi Caifás que deu aos judeus o conselho:

Leitor 1: “É preferível que um só morra pelo povo”.

Narrador 2: 15Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Esse discípulo era conhecido do Sumo Sacerdote e entrou com Jesus no pátio do Sumo Sacerdote. 16Pedro ficou fora, perto da porta. Então o outro discípulo, que era conhecido do Sumo Sacerdote, saiu, conversou com a encarregada da porta e levou Pedro para dentro. 17A criada que guardava a porta disse a Pedro:

Ass.: “Não pertences também tu aos discípulos desse homem?”

Narrador 2: Ele respondeu:

Leitor 2: “Não”.

Narrador 2: 18Os empregados e os guardas fizeram uma fogueira e estavam se aquecendo, pois fazia frio. Pedro ficou com eles, aquecendo-se. 19Entretanto, o Sumo Sacerdote interrogou Jesus a respeito de seus discípulos e de seu ensinamento. 20Jesus lhe respondeu:

Pres.: “Eu falei às claras ao mundo. Ensinei sempre na sinagoga e no Templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada falei às escondidas. 21Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que falei; eles sabem o que eu disse”.

Narrador 2: 22Quando Jesus falou isso, um dos guardas que ali estava deu-lhe uma bofetada, dizendo:

Leitor 1: “É assim que respondes ao Sumo Sacerdote?”

Narrador 2: 23Respondeu-lhe Jesus:

Pres.: “Se respondi mal, mostra em quê; mas, se falei bem, por que me bates?”

Narrador 1: 24Então, Anás enviou Jesus amarrado para Caifás, o Sumo Sacerdote. 25Simão Pedro continuava lá, em pé, aquecendo-se. Disseram-lhe:

Leitor 2: “Não és tu, também, um dos discípulos dele?”

Narrador 1: Pedro negou:

Leitor 1: “Não!”

Narrador 1: 26Então um dos empregados do Sumo Sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha cortado a orelha, disse:

Leitor 2: “Será que não te vi no jardim com ele?”

Narrador 2: 27Novamente Pedro negou. E na mesma hora, o galo cantou. 28De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador. Era de manhã cedo. Eles mesmos não entraram no palácio, para não ficarem impuros e poderem comer a páscoa. 29Então Pilatos saiu ao encontro deles e disse:

Leitor 1: “Que acusação apresentais contra este homem?”

Narrador 2: 30Eles responderam:

Ass.: “Se não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti!”

Narrador 2: 31Pilatos disse:

Leitor 2: “Tomai-o vós mesmos e julgai-o de acordo com a vossa lei”.

Narrador 2: Os judeus lhe responderam:

Ass.: “Nós não podemos condenar ninguém à morte”.

Narrador 1: 32Assim se realizava o que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer. 33Então Pilatos entrou de novo no palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe:

Leitor 1: “Tu és o rei dos judeus?”

Narrador 1: 34Jesus respondeu:

Pres.: “Estás dizendo isso por ti mesmo ou outros te disseram isto de mim?”

Narrador 1: 35Pilatos falou:

Leitor 2: “Por acaso, sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?”.

Narrador 1: 36Jesus respondeu:

Pres.: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”.

Narrador 1: 37Pilatos disse a Jesus:

Leitor 1: “Então, tu és rei?”

Narrador 1: Jesus respondeu:

Pres.: “Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.

Narrador 1: 38Pilatos disse a Jesus:

Leitor 2: “O que é a verdade?”

Narrador 2: Ao dizer isso, Pilatos saiu ao encontro dos judeus, e disse-lhes:

Leitor 1: “Eu não encontro nenhuma culpa nele. 39Mas existe entre vós um costume, que pela Páscoa eu vos solte um preso. Quereis que vos solte o rei dos Judeus?”

Narrador 2: 40Então, começaram a gritar de novo:

Ass.: “Este não, mas Barrabás!”

Narrador 2: Barrabás era um bandido. 19,1Então Pilatos mandou flagelar Jesus.

Ass.: 2Os soldados teceram uma coroa de espinhos e a colocaram na cabeça de Jesus.

Narrador 2: Vestiram-no com um manto vermelho, 3aproximavam-se dele e diziam:

Ass.: “Viva o rei dos judeus!”

Narrador 2: E davam-lhe bofetadas. 4Pilatos saiu de novo e disse aos judeus:

Leitor 1: “Olhai, eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que não encontro nele crime algum”.

Narrador 1: 5Então Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto vermelho. Pilatos disse-lhes:

Leitor 1: “Eis o homem!”

Narrador 1: 6Quando viram Jesus, os sumos sacerdotes e os guardas começaram a gritar:

Ass.: “Crucifica-o! Crucifica-o!”

Narrador 1: Pilatos respondeu:

Leitor 1: “Levai-o vós mesmos para o crucificar, pois eu não encontro nele crime algum”.

Narrador 1: 7Os judeus responderam:

Ass.: “Nós temos uma Lei, e, segundo esta Lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus”.

Narrador 2: 8Ao ouvir estas palavras, Pilatos ficou com mais medo ainda. 9Entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus:

Leitor 1: “De onde és tu?”

Narrador 2: Jesus ficou calado. 10Então Pilatos disse:

Leitor 1: “Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar?”

Narrador 2: 11Jesus respondeu:

Pres.: “Tu não terias autoridade alguma sobre mim, se ela não te fosse dada do alto. Quem me entregou a ti, portanto, tem culpa maior”.

Narrador 2: 12Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus. Mas os judeus gritavam:

Ass.: “Se soltas este homem, não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César”.

Narrador 1: 13Ouvindo essas palavras, Pilatos levou Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado “Pavimento”, em hebraico Gábata”. 14Era o dia da preparação da Páscoa, por volta do meio-dia. Pilatos disse aos judeus:

Leitor 2: “Eis o vosso rei!”

Narrador 1: 15Eles, porém, gritavam:

Ass.: “Fora! Fora! Crucifica-o!”

Narrador 1: Pilatos disse:

Leitor 1: “Hei de crucificar o vosso rei?”

Narrador 1: Os sumos sacerdotes responderam:

Ass.: “Não temos outro rei senão César”.

Narrador 2: 16Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, e eles o levaram. 17Jesus tomou a cruz sobre si e saiu para o lugar chamado Calvário”, em hebraico “Gólgota”. 18Ali o crucificaram, com outros dois: um de cada lado, e Jesus no meio. 19Pilatos mandou ainda escrever um letreiro e colocá-lo na cruz; nele estava escrito:

Ass.: “Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus”.

Narrador 2: 20Muitos judeus puderam ver o letreiro, porque o lugar em que Jesus foi crucificado ficava perto da cidade. O letreiro estava escrito em hebraico, latim e grego. 21Então os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos:

Ass.: “Não escrevas ‘O Rei dos Judeus’, mas sim o que ele disse: ‘Eu sou o Rei dos judeus’”.

Narrador 2: 22Pilatos respondeu:

Ass.: “O que escrevi, está escrito”.

Narrador 2: 23Depois que crucificaram Jesus, os soldados repartiram a sua roupa em quatro partes, uma parte para cada soldado. Quanto à túnica, esta era tecida sem costura, em peça única de alto abaixo. 24Disseram então entre si:

Ass.: “Não vamos dividir a túnica. Tiremos a sorte para ver de quem será”.

Narrador 2: Assim se cumpria a Escritura que diz:

Ass.: “Repartiram entre si as minhas vestes e lançaram sorte sobre a minha túnica”.

Narrador 1: Assim procederam os soldados. 25Perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. 26Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe:

Pres.: “Mulher, este é o teu filho”.

Narrador 1: 27Depois disse ao discípulo:

Pres.: “Esta é a tua mãe”.

Narrador 1: Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo. 28Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse:

Pres.: “Tenho sede”.

Narrador 1: 29Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. 30Ele tomou o vinagre e disse:

Pres.: “Tudo está consumado”.

Narrador 1: E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

(Todos se ajoelham – Silêncio.)

Narrador 2: 31Era o dia da preparação para a Páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene. Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz. 32Os soldados foram e quebraram as pernas de um e, depois, do outro que foram crucificados com Jesus. 33Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; 34mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. 35Aquele que viu, dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que fala a verdade, para que vós também acrediteis. 36Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz:

Ass.: “Não quebrarão nenhum dos seus ossos”.

Narrador 2: 37E outra Escritura ainda diz:

Ass.: “Olharão para aquele que transpassaram”.

Narrador 1: 38Depois disso, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus — mas às escondidas, por medo dos judeus —, pediu a Pilatos para tirar o corpo de Jesus. Pilatos consentiu. Então José veio tirar o corpo de Jesus. 39Chegou também Nicodemos, o mesmo que tinha ido de noite encontrar-se com Jesus. Levou uns trinta quilos de perfume feito de mirra e aloés. 40Então tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no, com os aromas, em faixas de linho, como os judeus costumam sepultar.

Narrador 2: 41No lugar onde Jesus foi crucificado, havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. 42Por causa da preparação da Páscoa, e como o túmulo estava perto, foi ali que colocaram Jesus. (Jo 18,1 – 19,42).

Amados irmãos e irmãs, que a paz do Senhor e o amor de Maria esteja com todos vocês.

Tudo começa num jardim, e faz lembrar aquele do Gênesis, onde o primeiro casal humano foi seduzido pelo poder do mal. Jesus entra no jardim para enfrentar o mal que vem na forma do poder militar romano em aliança com as lideranças religiosas. Estas forças jugam estar vencendo; o que não sabem é que este caminho é assumido livremente por Jesus, na entrega amoroso de sua vida, e desse modo ele retorna para junto do pai.

Enquanto Jesus enfrenta corajosamente as interrogações feitas pelas autoridades religiosas, nada escondendo a respeito de sua atividade, Pedro nega ser seu discípulo, e isso por três vezes. O problema é o passado: Jesus o recupera e deixa claro o sentido de sua ação; Pedro o esconde, com medo das consequências que o compromisso com Jesus pode trazer.

Jesus se confronta com o representante maior do poder do mal. Em Pilatos se faz presente a força imperial romana, com o que ela tem de cinismo e descaso para com os homens e mulheres dominados por sua violência brutal. A postura de Jesus é de desafio, e ao final tanto Pilatos quanto as autoridades religiosas se veem desmascarados, pois estão preocupados apenas com a manutenção de seus próprios privilégios. Ao mesmo tempo que a figura de Jesus vai crescendo em Majestade, dignidade e liberdade, a de Pilatos se mostrará fraca, cínica, covarde, manipuladora e manipulável ao mesmo tempo.

Confirma-se que o poder religioso e o poder político atuam como parceiros. As autoridades judaicas aparecem obedientes às leis e normas rituais. Pilatos quer ver-se livre de um problema que inicialmente lhe parece não ter a ver com seus interesses. O que eles não sabem é que seus modos de ser e exercer o poder estão por se desmascarados.

Jesus evitou se aclamado rei pela multidão que fora alimentada de pães e peixes. Mas diante do representante do poder maior que existia então, ele confirma que é rei. Mas o seu modo de reinar não é o dos poderosos; não está baseado na força e na violência, mas na verdade, que é justiça e fidelidade. Com esse reinado Jesus confronta os poderes do mundo; consciente disso, a comunidade cristã não se sujeitará nem se aliará a qualquer procedimento que expresse os modos de ação dos poderes estabelecidos. A escolha de Barrabás só vem deixar mais clara a incompatibilidade entre o reinado de Jesus e a ação dos poderosos desde mundo.

Enquanto vai se mostrando mais claramente que a realeza de Jesus nada tem a ver com privilégios, hierarquias e honras mundanas, vai também caindo a máscara daqueles que exercem o poder. Pilatos, mesmo impressionado com a postura de Jesus, mostra a leviandade do poder que representa ao mandar executar aquele que imaginava poder soltar. Os chefes religiosos judeus, para ficarem bem com o poder maior de Roma, traem a fidelidade devida a César. O rei Jesus assiste á desmoralização do poder arrogante, que se desmancha diante dele, mostrando a própria falsidade e perversidade.

Nas palavras de Jesus no alto da cruz se mostra o sentido que a sua morte tem para a comunidade de fé. Primeiramente ele faz de sua mãe a mãe do discípulo, e com isso indica que as expectativas de renovação cultivadas pelo povo de Israel são realizadas e podem ser vividas na nova comunidade de discípulos do crucificado. Além disso, declara-se que se vê realizado aquilo que a Escritura dizia a respeito do Messias: a cruz não deve ser vista como fruto do acaso ou de um engano, mas como a expressão maior da entrega que Jesus faz de sua própria vida. Com a afirmação categórica de que tudo se cumpriu, e de que da obra que lhe cabia nada deixou de ser feito, Jesus comunica o Espírito, que deverá guiar a comunidade no caminho da verdade e da fidelidade. Em Jesus o mundo está vencido: esta mensagem tem alcance universal; por isso a realeza dele é comunicada de todas as maneiras, para que todas as pessoas tenham possibilidade de conhecer e formar o novo povo de Deus, para além de todas as barreiras.

A morte de Jesus não é o fim. Mesmo depois de ocorrida, nela as palavras da Escritura se veem confirmadas. Do lado de Jesus saem água e sangue, para a vida de seus seguidores. Essa realidade, por mais estranha que pareça, é digna de crédito, e será testemunhada pelas as diversas gerações a comunidade cristã. O sepultamento de Jesus acontece como convém a um rei: num túmulo novo. Mas o principal é que este túmulo se encontra no meio de um jardim. Jesus volta ao lugar onde tinha entrado para encarar diretamente o poder do mal. Ele venceu, deixando à comunidade de seus seguidores a mostra do amor até as últimas consequências e um novo caminho de vida, sem as seduções oferecidas pelo mundo.

Tenham todos uma abençoada sexta-feira!
SILENCIO!


Mauricéia Araújo

Ministra da Eucaristia da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Do coração atribulado está perto o Senhor

Cor Litúrgica: Roxo

4ª Semana da Quaresma | Sexta-feira


Naquele tempo, 1 Jesus andava percorrendo a Galileia. Evitava andar pela Judeia, porque os judeus procuravam matá-lo. 2 Entretanto, aproximava-se a festa judaica das Tendas. 10 Quando seus irmãos já tinham subido, então também ele subiu para a festa, não publicamente mas sim, como que às escondidas. 25 Alguns habitantes de Jerusalém disseram então: “Não é este a quem procuram matar? 26 Eis que fala em público e nada lhe dizem. Será que, na verdade, as autoridades reconheceram que ele é o Messias? 27 Mas este, nós sabemos donde é. O Cristo, quando vier, ninguém saberá donde ele é”. 28 Em alta voz, Jesus ensinava no Templo, dizendo: “Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis, 29 mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e ele foi quem me enviou”. 30 Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora. (Jo 7,1-2.10.25-30).

Amados irmãos e irmãs, que a paz do Senhor e o amor de Maria esteja com todos vocês.

Os ensinamentos e tradições religiosas oferecem segurança ao povo e às autoridades, mas não ao reconhecimento do Messias. É preciso ultrapassar as aparências e os preconceitos, para acolher Jesus que vem de Deus e a ele vai voltar. E ainda: os sinais, entendidos em sua profundidade, mostram o sentido da obra de Jesus e sua sintonia com o Pai.

Na festa das Tendas se recordavam milagres do passado, como o dom da água em pleno deserto, por meio de Moisés. Aqui é o próprio Jesus que se apresenta como a água que sacia plenamente as necessidades humanas. É preciso arriscar, ir além das aparências e das certezas estabelecidas, para encontrar o Messias e aderir a ele.

Tenham todos uma abençoada sexta-feira!


Mauricéia Araújo

Ministra da Eucaristia da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!

Cor Litúrgica: Roxo

3ª Semana da Quaresma | Sexta-feira


Naquele tempo, 28b um mestre da Lei, aproximou-se de Jesus e perguntou: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” 29 Jesus respondeu: “O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. 30 Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! 31 O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes”. 32 O mestre da Lei disse a Jesus: “Muito bem, Mestre! Na verdade, é como disseste: Ele é o único Deus e não existe outro além dele. 33 Amá-lo de todo o coração, de toda a mente, e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios”. 34 Jesus viu que ele tinha respondido com inteligência, e disse: “Tu não estás longe do Reino de Deus”. E ninguém mais tinha coragem de fazer perguntas a Jesus. (Mc 12,28b-34).

Amados irmãos e irmãs, que a paz do Senhor e o amor de Maria esteja com todos vocês.

Jesus surpreende com sua resposta, definindo a única atitude com dois lados que não se podem separar: o amor a Deus e ao próximo. Por esse movimento, cada ser humano sai de si, tanto para proclamar a grandeza e a bondade do Criador, diante de quem reconhece a própria pequenez e limitação, quanto para estabelecer relações de fraternidade e justiça com os semelhantes. O amor a Deus e ao próximo vale mais que todas as manifestações religiosas. O doutor da Lei parece ter entendido e concordado. Mas não basta: é necessário comprometer-se com aquilo que se afirma.

Tenham todos uma abençoada sexta-feira!


Mauricéia Araújo

Ministra da Eucaristia da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Lembrai sempre as maravilhas do Senhor!

Cor Litúrgica: Roxo

2ª Semana da Quaresma | Sexta-feira


Naquele tempo, dirigindo-se Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, disse-lhes: 33 “Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro. 34 Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos. 35 Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram. 36 O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. 37 Finalmente, o proprietário, enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho eles vão respeitar’. 38 Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!’ 39 Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram. 40 Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?” 41 Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo”. 42 Então Jesus lhes disse: “Vós nunca lestes nas Escrituras: ‘a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?’ 43 Por isso eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”. 45 Os sumos sacerdotes e fariseus ouviram as parábolas de Jesus, e compreenderam que estava falando deles. 46 Procuraram prendê-lo, mas ficaram com medo das multidões, pois elas consideravam Jesus um profeta. (Mt 21,33-43.45-46).

Amados irmãos e irmãs que a paz do Senhor e o amor de Maria esteja com todos vocês.

É de Jesus tomar a iniciativa. As autoridades de Jerusalém, em geral grandes proprietários de terras, são denunciadas como aqueles agricultores que se mostram gananciosos e assassinos, e avançam a qualquer custo sobre o que não lhes pertence. A morte de Jesus é compreendida na sequência da eliminação de tantos enviados de Deus, chegando a João Batista. E o estabelecimento do próprio Jesus como a pedra angular tira toda a legitimidade do projeto que essas autoridades representam.

Tenham todos uma abençoada sexta-feira!


Mauricéia Araújo

Ministra da Eucaristia da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.