Missa da Noite do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo
(Cor Litúrgica: Branco)
Aconteceu que, naqueles dias, César Augusto publicou um decreto, ordenando o recenseamento de toda a terra. Este primeiro recenseamento foi feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam registrar-se cada um na sua cidade natal. Por ser da família e descendência de Davi, José subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, até a cidade de Davi, chamada Belém, na Judeia, para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Enquanto estavam em Belém, completaram-se os dias para o parto, e Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o enfaixou e o colocou na manjedoura, pois não havia lugar para eles na hospedaria. Naquela região havia pastores que passavam a noite nos campos, tomando conta do seu rebanho. Um anjo do Senhor apareceu aos pastores, a glória do Senhor os envolveu em luz, e eles ficaram com muito medo. O anjo, porém, disse aos pastores: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: Encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura”. E, de repente, juntou-se ao anjo uma multidão da corte celeste. Cantavam louvores a Deus, dizendo: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados”. (Lc 2,1-14)
“Vimos uma grande luz” (Is 9,1). Nesta liturgia, celebramos e provamos o clarão da nossa salvação pela encarnação do Verbo, Aquele que João desde o primeiro domingo do Advento nos apontou como sendo a Luz do mundo. E essa graça, como nos disse Paulo, “é manifestada para todos os homens” (Tt 2,11), também para nós hoje, agora. Fiquemos alegres, meus irmãos! Celebramos o início da nossa salvação, é hoje! Nasceu o Salvador, como anuncia a antífona de aclamação.
A luz da salvação entrou no mundo, mas ainda não encontrou abertura em todos os corações para se fazer presente, ainda como naquela noite em Belém, procura hospedar-se em nossas vidas, você tem um lugar para Jesus em sua casa? Poderia acolhê-lo?
Não tenhamos medo, a luz que Ele nos envolve dissipa nossas mentiras, nossas injustiças, nossos pecados, mostra-nos quem de fato somos… Alegra-te, dizem os anjos aos pobres pastores, alegra-te nos diz agora! Pois o Cristo nasceu. Cantemos junto aos anjos do céu, a realização das promessas, o amor de Deus que não desiste de nós: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amado”. (Lc 2, 14)
Isto vos servirá de sinal, indicou o anjo aos pastores. Hoje também temos inúmeros sinais de sua presença entre nós. Jesus que desde a sua concepção tomou para si a identidade de seu povo, quis encarnar-se no ventre de uma virgem pobre, nascer em Belém a periferia da periferia… seu primeiro berço foi entre animais, um vagante que não fora acolhido, nem visto… hoje continua Jesus a nascer em tantos irmãos e irmãos, desassistidos, com frio e sem teto, continua Jesus a nascer em pobres recém-nascidos em barraco, favelas e palafitas, nas periferias… contanto com presentes de socorro, ou pior, hoje Jesus nem nasce por que é morto ainda no ventre… morto pelo medo, morto pelo sistema que não cuida da vida… vidas que nem chegam a ser registradas, sendo largadas no anonimato dos abortos, largadas nos anonimatos da miséria… Ainda bem que Ele nasceu em nosso meio, basta-nos agora ir a sua gruta e contemplá-lo, porque para estes também foi que Ele veio.
Feliz Natal,
Pe. Gutembergue Lacerda


