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Tribunal do Trabalho usa cordel para explicar linguagem complicada dos processos

Obra procura explicar em linguagens simples conceitos rebuscados próprios da linguagem do direito (Divulgação)

Se você não entende palavras como “exordial”, “autos conclusos”, “prolação” ou “periculum in mora”, não é por limitação sua, mas pela forma complicada como a Justiça escreve. Para começar a mudar essa situação, o Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6) está realizando um projeto chamado Linguagem Simples. O objetivo é a utilização de um português contemporâneo, sem palavras muito antigas, de uso raro, pertencentes apenas à área do direito e sem expressões latinas.

Uma das iniciativas é a tradução da complicada linguagem judicial num cordel. A publicação vai ser lançada na segunda-feira (17), às 12h, na sede do Tribunal Regional do Trabalho de Pernambuco, no Cais do Apolo, 739, Bairro do Recife. O folheto tem capa do famoso xilogravurista J. Borges e versos do poeta Eugenio Jerônimo, que é servidor do Tribunal.

A obra procura explicar em linguagens simples conceitos rebuscados próprios da linguagem do direito. No cordel, o poeta traduz, por exemplo, o conceito de “autos conclusos”, desta maneira:

Autos conclusos a gente

Pode assim traduzir

A papelada tá pronta

Pra justiça decidir.

De acordo com a juíza coordenadora da Escola Judicial do TRT-6, Wiviane Souza o projeto de linguagem simples é muito importante para aproximar a sociedade do Poder Judiciário.

“Utilizar a linguagem jurídica de forma enxuta, clara e direta é eficiente. É preciso que a população que busca a Justiça entenda as sentenças, decisões e para isso é necessário que toda a comunidade jurídica evite jargões e o juridiquês”, esclarece a juíza.

Dentro dessa mesma linha, o Tribunal lançou em março de 2024 a cartilha Linguagem Simples.
(https://www.trt6.jus.br/portal/sites/default/files/documents/cartilha_linguagem_simples_versao_final.pdf) Também vem promovendo palestras, cursos e oficinas sobre o tema, para construir uma cultura da linguagem descomplicada.
O uso da linguagem simples é uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aos tribunais do país.
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