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Todo aquele que faz a vontade de Deus

COR LITÚRGICA: BRANCO

Apresentação de Nossa Senhora – Memória | Terça-feira


Naquele tempo, enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”. Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. (Mt 12,46-50)

Queridos irmãos e irmãs, hoje a Igreja celebra a memória litúrgica da Apresentação de Nossa Senhora. Vamos entender brevemente a que se refere:

História
Essa memória litúrgica recorda, segundo os Evangelhos apócrifos, o dia em que Maria, ainda criança, vai ao templo de Jerusalém para se consagrar a Deus. Os manuscritos não canônicos, contam que Joaquim e Ana, por muito tempo, não tinham filhos, até que nasceu Maria, a qual desde a sua concepção imaculada se dedicou total e livremente à Deus, impelida pelo Espírito Santo. Tanto no Oriente quanto no Ocidente, observamos esta celebração mariana nascendo do meio do povo e sendo acolhida, com tamanha sabedoria, pela Liturgia Católica. Por isso, essa festa aparece no Missal Romano a partir de 1505, através do qual se busca exaltar Jesus em nome daquela que muito bem soube fazê-lo em vida.

Reflexão do Evangelho
Muito diferente do que algumas pessoas mal-intencionadas interpretam, essa perícope do Evangelho de Marcos não quer mostrar nenhum sentimento de desprezo da parte de Jesus aos seus familiares e, de modo, especial a sua mãe. Jesus, pelo contrário, usa da ocasião como uma rica oportunidade de expandir a compreensão daqueles que O seguiam sobre a ideia de familiaridade. 

Entendamos que, no contexto do qual falamos, a sociedade era marcada pela homogeneidade, onde o de fora, o estrangeiro, o diferente era impuro… Inclusive a exaltação do nome da família era algo muito importante por fatores econômicos, ocorrendo mesmo dos casamentos se darem apenas com pessoas próximas com a intenção de se manter certa “pureza” entre as famílias.

Então, Jesus, com seu gesto, expande não só a sua família, mas também estabelece um novo critério sobre o sentido de família que não diz respeito só à consanguinidade, mas à realização da vontade de Deus, como um “telos”, uma finalidade, um propósito de vida. Assim, para além do cumprimento de um preceito, este propósito deve ser algo permanente e com consequências, não apenas momentâneo.

Agora, sejamos humildes o suficiente para nos fazermos a seguinte pergunta: “Dentre os seres humanos que já passaram nessa terra, quem mais e melhor realizou a vontade de Deus? Quem melhor viveu o propósito de Deus? Quem, de forma mais plena, assumiu, até os fins últimos, os riscos de fazer a vontade de Deus?

Tempo para pensar

Pois bem, espero que tenha chegado a mesma conclusão que os pais da Igreja, que a Sagrada Tradição e o Magistério… Maria foi esse ser humano! Ela cumpriu, assumiu, viveu, se integrou inteiramente à vontade de Deus. Ora, é ela mesma que diz: “Faça-se em mim, conforme a tua vontade!”.

Agora vejamos o que foi que o anjo lhe falou: “Feliz és tu…”. De fato, Maria é feliz, é bem-aventurada, e com ela também nós nos alegramos por sua firme convicção em deixar realizar-se nela a vontade de Deus, e também nós buscamos aperfeiçoar diariamente. Deveríamos aprender com atenção a fazer o mesmo que Maria. Em um mundo onde cada vez mais o exagero pelo subjetivismo toma espaço, onde cada vez mais o “eu” é mais forte que o “nós”, onde a minha vontade sobressai até mesmo a necessidade do outro, o exemplo de Maria é provocativo.

Para concluir essa reflexão, quero lançar um olhar sobre essa atitude de Jesus, em expandir para nós a possibilidade de entrarmos para sua família, para a família do céu, a família de Deus! Somos a todo instante provocados por Deus a nos reaproximar da sua vontade que é perfeita, que é completa. A grande tarefa é essa, abrir mão da minha vontade…


Pe. Gutembergue Lacerda

Sacerdote da Diocese de Afogados da Ingazeira

Vigário Paroquial da Paróquia de São José / São José do Belmonte

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