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Vem, Senhor Jesus e perdoa os nossos pecados!

COR LITÚRGICA: ROXO

2ª Semana do Advento | Segunda-feira


Um dia Jesus estava ensinando. À sua volta estavam sentados fariseus e doutores da Lei, vindos de todas as aldeias da Galileia, da Judeia e de Jerusalém. E a virtude do Senhor o levava a curar. Uns homens traziam um paralítico num leito e procuravam fazê-lo entrar para apresentá-lo. Mas, não achando por onde introduzi-lo, devido à multidão, subiram ao telhado e por entre as telhas o desceram com o leito no meio da assembleia diante de Jesus. Vendo-lhes a fé, ele disse: “Homem, teus pecados estão perdoados”. Os escribas e fariseus começaram a murmurar, dizendo: “Quem é este que assim blasfema?” Conhecendo-lhes os pensamentos, Jesus respondeu, dizendo: “Por que murmurais em vossos corações? O que é mais fácil dizer: ‘teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘levanta-te e anda’? Pois, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder de perdoar pecados — disse ao paralítico — eu te digo: levanta-te, pega o leito e vai para casa”. Imediatamente, diante deles, ele se levantou, tomou o leito e foi para casa, louvando a Deus. Todos ficaram fora de si, glorificavam a Deus e cheios de temor diziam: “Hoje vimos coisas maravilhosas!” (Lc 5,17-26)

Queridos irmãos e irmã em cristo, neste tempo do advento, tempo de espera vigilante, refletindo o Evangelho de hoje, que nos apresenta alguns elementos que norteiam a Palavra de Deus a nós dirigida. Jesus ao ver o paralítico se sensibiliza e o olha dizendo: Teus pecados estão perdoados”. A cura do corpo é uma dádiva, a saúde física é um bem precioso que devemos conservar. Mas Jesus nos ensina que mais importante é a saúde do coração, a saúde espiritual, que deve estar sempre protegida.

Há uma palavra de Jesus que pode nos ajudar: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. Será que estamos acostumados a pensar no perdão de nossos pecados, de nossos erros? Muitas vezes achamos que não somos merecedores do perdão de Deus. “Será que tenho de pedir perdão a Deus por alguma coisa?” precisamos ter a humildade de reconhecer que somos frágeis pecadores e assim isso faz que que nossa fé enfraqueça, se dilua. Essa força de profecia que Jesus tem quando vai ao essencial.

Hoje Ele fala a cada um de nós: “Eu quero perdoar os teus pecados”. Vendo-lhes a fé, curou o paralítico, sendo acusado de blasfêmia, por estar perdoando os seus pecados, mas a sua resposta é clara e objetiva. É uma coisa simples que Jesus nos ensina quando vai ao essencial. O essencial é a saúde plena: do corpo e da alma. Cuidemos bem da saúde do corpo, mas também da saúde da alma. E vamos àquele Médico que pode nos curar, que pode perdoar pecados. Jesus veio para isso, deu sua vida para isso. Vem Senhor, Jesus e cura os males da humanidade.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

Jesus, ensina-nos a orar 

COR LITÚRGICA: ROXO

1ª Semana do Advento | Segunda-feira


Naquele tempo, quando Jesus entrou em Cafarnaum, um oficial romano aproximou-se dele, suplicando: “Senhor, o meu empregado está de cama, lá em casa, sofrendo terrivelmente com uma paralisia”. Jesus respondeu: Vou curá-lo”. O oficial disse: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado. Pois eu também sou subordinado e tenho soldados debaixo de minhas ordens. E digo a um : ‘Vai!’, e ele vai; e a outro: ‘Vem!’, e ele vem; e digo ao meu escravo: ‘Faze isto!’, e ele faz”. Quando ouviu isso, Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: “Em verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé. Eu vos digo: muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reino dos Céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó”. (Mt 8,5-11)

Irmãos e irmãs. A Igreja vivencia intensamente este tempo de espera de atitude vigilante e exige de nós que nos preparemos para a vinda do Senhor. Assim, precisamos estar atentos e vigilantes, vivendo e refletindo a sua Palavra.

O Evangelho do dia de hoje nos traz um grande exemplo de fé e humildade. O oficial romano, também chamado de centurião, sendo responsável por cem soldados, exercia importante cargo na sociedade e vai em busca de Jesus pedir ajuda para seu empregado. Diante de tudo isso, desapega-se de seus status social para discretamente pedir que venha em socorro do seu empregado que está enfermo. Mesmo não pertencendo à raça de Israel, ele demonstra uma grande fé, acreditando que Jesus é o enviado do Pai e pode curar todos os males.

Jesus não só atende aquele Oficial, mas fica impressionado com sua fé, fazendo até elogios, pois o centurião é o primeiro do grupo de pagãos que se converte, entrando para formar a nova família de Deus.

Rezamos sempre, mas nem sempre rezamos o suficiente, ou convenientemente. Nem sempre Deus aceita nossas orações pois, nós muitas vezes nem nos apercebemos que nossas súplicas chegam até ele. É preciso orar com o coração para que Deus nos escute e nos atenda. A preocupação pelo servo doente, faz o oficial, num gesto de humildade, mas ousado implora a Jesus a cura do seu empregado.

Sentia-se totalmente inadequado: não era judeu, era um oficial do odiado exército de ocupação que se diz indigno que Jesus entre em sua casa. É a frase que também repetimos em todas as vezes que participamos da Liturgia Eucarística. Dialogar com Deus é uma graça: não somos dignos dela, não temos o direito de a reivindicar, mas Jesus é a porta que nos abre para este diálogo com Deus.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

“Mas a viúva, na sua pobreza, ofertou tudo quanto tinha para viver”

COR LITÚRGICA: VERDE

34ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira


Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos e viu pessoas ricas depositando ofertas no tesouro do Templo. Viu também uma pobre viúva que depositou duas pequenas moedas. Diante disso, ele disse: “Em verdade vos digo que essa pobre viúva ofertou mais do que todos. Pois todos eles depositaram, como oferta feita a Deus, aquilo que lhes sobrava. Mas a viúva, na sua pobreza, ofertou tudo quanto tinha para viver”. (Lc 21,1-4)

Amados irmãos e irmãs em Cristo, Rei do Universo.

Um gesto simples, que todo nós fazemos, depositar a oferta no cesto. Mas, nem sempre as intenções e orações são os mesmos. Jesus ficava a observar com a capacidade que tinha de perceber as intenções do nosso coração, assim como ficou atento ao gesto daquela viúva, que com muita simplicidade depositou o que tinha.

A novidade apresentada por Jesus contempla mais o gesto desta mulher do que o gesto dos ricos, porque colocou em jogo não o que sobrou, mas aquilo que serve para viver e não qualquer sobra. É preciso autenticidade entre o que fazemos e como fazemos. Jesus bem conhecia as pessoas e tinha razão quando afirma que os ricos ofertam aquilo que já não precisam, e aí está a diferença entre o rico e a pobre viúva que dá tudo quanto tinha para viver.

Hoje, como sempre as pequenas coisas, os pequenos gestos, são muitas vezes ignorados, parecem sem importância. Pelo fato de essas coisas pequenas passarem desconhecidas, a sua retidão de intenção está garantida: com elas não procuramos o reconhecimento dos outros, nem a glória humana. Só Deus descobre o que se passa no nosso coração, assim como Jesus se deu conta da generosidade daquela mulher, pois ela não declarou a sua situação, talvez até sentiu vergonha, pela insignificância da sua oferta, perante o olhar dos ricos. Porém a sua generosidade mereceu o elogio de Jesus. O desprendimento da viúva pobre é uma grande lição para nós, que muitas vezes agimos como os ricos, fazendo questão de mostrar a todos o que fazemos, cobrando um reconhecimento por nossas ações.

Mas nada disso terá valor se só dermos “daquilo que nos sobra”, sem amor e sem espírito de generosidade, sem nos oferecermos a nós próprios. Ninguém consegue ser cristão autêntico, se se não tiver a capacidade de entregar tudo o que tem nas mãos de Deus. É bem certo: se somos generosos com Deus, muito mais o será Ele conosco.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

A tua fé te salvou

COR LITÚRGICA: VERDE

33ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira


Quando Jesus se aproximava de Jericó, um cego estava sentado à beira do caminho, pedindo esmolas. Ouvindo a multidão passar, ele perguntou o que estava acontecendo. Disseram-lhe que Jesus Nazareno estava passando por ali. Então o cego gritou: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” As pessoas que iam na frente mandavam que ele ficasse calado. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!”  Jesus parou e mandou que levassem o cego até ele. Quando o cego chegou perto, Jesus perguntou: “Que queres que eu faça por ti?” O cego respondeu: “Senhor, eu quero enxergar de novo”. Jesus disse: “Enxerga, pois, de novo. A tua fé te salvou”. No mesmo instante, o cego começou a ver de novo e seguia Jesus, glorificando a Deus. Vendo isso, todo o povo deu louvores a Deus. (Lc 18,35-43)

Irmãos e irmãs em Cristo Jesus.

A Palavra de Deus a nós dirigida no dia de hoje, nos apresenta o cego Bartimeu, que nos dá um testemunho de muita fé, manifestada com uma incrível simplicidade diante de Cristo. Ele é persistente e não se intimida diante da repreensão das pessoas que mandam ele que ele se cale. Nos dá uma grande lição de fé e Jesus na sua infinita misericórdia do filho de Deus, ouve aquele indigente que implora por uma cura.

É tão proveitoso para a nossa alma sentir-nos indigentes! O fato é que o somos, mas, infelizmente, poucas vezes o reconhecemos de verdade. Bartimeu não tem vergonha de se sentir assim. Quantas vezes, em muitas ocasiões, a sociedade, a cultura do politicamente correto querem fazer-nos calar. Quantas vezes nos seria útil repetir a mesma exclamação de Bartimeu!: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim”!

Bartimeu não tem vergonha de se sentir assim. Vale a pena insistir, mesmo diante da reprovação dos outros, porque Jesus, sempre está a escutar os indigentes, os pobres, os mais necessitados. Por mais confusão causada à nossa roda. A confiança simples, sem preconceitos, de Bartimeu desarma Jesus e rouba-lhe o coração: “Mandou que lhe trouxessem o cego e (…) perguntou-lhe”: “Que queres que eu te faça?” Perante tanta fé, Jesus não anda com rodeios! E Bartimeu também não: “Senhor, que eu veja!”. Dito e feito: “Vê! A tua fé te salvou”. Assim, a fé daquele homem é muito mais forte e através dela consegue ser ouvido e curado.

Ele é tudo; Ele dá-nos tudo. Então, que outra coisa podemos fazer perante Ele, senão uma resposta de fé? E esta resposta de fé equivale a deixar-se encontrar por este Deus que —movido pelo afeto de Pai— nos procura sempre. Deus não se impõe, mas passa frequentemente muito perto de nós: aprendamos a lição de Bartimeu e … Não o deixemos passar sem que nos escute!


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

Senhor, aumentai nossa fé

COR LITÚRGICA: VERDE

32ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira


Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “É inevitável que aconteçam escândalos. Mas ai daquele que produz escândalos!  Seria melhor para ele que lhe amarrassem uma pedra de moinho no pescoço e o jogassem no mar, do que escandalizar um desses pequeninos.  Prestai atenção: se o teu irmão pecar, repreende-o. Se ele se converter, perdoa-lhe.  Se ele pecar contra ti sete vezes num só dia, e sete vezes vier a ti, dizendo: ‘Estou arrependido’, tu deves perdoá-lo”. Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!” O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria”. (Lc 17,1-6)

AMADOS IRMÃOS E IRMÃS EM CRISTO JESUS:

Jesus é muito forte ao afirmar o castigo para quem provoca escândalo, principalmente em relação às crianças: “Seria melhor para ele que lhe amarrassem uma pedra de moinho no pescoço e o jogassem no mar, do que escandalizar um desses pequeninos”. Ai de quem causar mal uma criança. O castigo será inevitável.

Precisamos, antes de tudo sermos coerentes com a nossa prática cristã. O verdadeiro e autêntico cristão vive essa coerência e evita o escândalo. Não conseguiremos convencer os outros só com palavras, mas o testemunho da coerência cristã entrará no coração das pessoas, pois será esse testemunho que trará inquietação ao coração na qual o Espírito Santo atua. A igreja pede de nós coerência e fidelidade ao Projeto de Deus.

A prática da correção fraterna – que tem uma dimensão evangélica – é uma prova sobrenatural de carinho e de confiança.” Agradeça-o quando a receberes, e não deixes de a praticar com aqueles com quem convives» Somos todos pecadores, mas todos temos a capacidade de pedir perdão. Jesus nunca se cansa de perdoar! Devemos ter a humildade de pedir perdão: “Senhor, não fui coerente aqui. Perdão!” Seguir na vida com coerência cristã, com o testemunho de quem acredita em Jesus Cristo, que sabe que é pecador, mas que tem a coragem de pedir perdão quando está errado e que tem tanto medo do escândalo. Que o Senhor conceda essa graça a todos nós.

A fé é o que nos move a sermos coerente com a nossa vivência cristã, pois a fé é um estado de ânimo. Quem age com fé, consegue realizar grandes obras, pois a vida cristã só é autêntica, quando sedimentada pela fé. Nos diz São Inácio de Antioquia: Quem age com fé consegue coisas assombrosas, assim a expressa o Senhor ao dizer: «Se tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria» (Lc 17,6).

Que nos deixemos conduzir pela fé, para que possamos ser seus propagadores e coerentes com aquilo que pregamos. Confiar em Cristo, acolhê-lo, deixa-lo transformar as nossas vidas, torna possíveis as coisa humanamente impossíveis.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos

Segunda-feira, 31ª Semana do Tempo Comum


Naquele tempo, dizia Jesus ao chefe dos fariseus que o tinha convidado: “Quando tu deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos. Pois estes poderiam também convidar-te e isto já seria a tua recompensa. Pelo contrário, quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”. (Lucas 14,12-14)

Meus irmãos, minhas irmãs, em Nosso Senhor Jesus Cristo.

No Evangelho do dia de hoje, Jesus nos ensina o verdadeiro sentido da generosidade que deve caracterizar a hospitalidade, quando ele diz: “Quando ofereceres uma ceia, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. Serás feliz porque eles não podem retribuir-te” (vv. 13-14). É o sentido da gratuidade, sem estar interessado em reconhecimento, recompensa ou o oportunismo.

Nesse sentido, Jesus mais uma vez demonstra a preferência pelos mais necessitados, os pobres, os excluídos, que são os escolhidos do Reino de Deus. Esta é a mensagem fundamental do Evangelho de hoje, que consiste em fazer opção preferencial pelos humilhados e assim, Ele torna-se voz de tantos que vivem marginalizados e excluídos da sociedade: os famintos, os refugiados, os derrotados da vida, descartados dos direitos fundamentais da pessoa humana, como consequência da prepotência, da disputa de poder. Assim, o serviço aos irmãos torna-se testemunho de um amor incondicional visível ao amor de Cristo.

O cristão move-se no mundo como uma pessoa comum, mas o fundamento do trato com os seus semelhantes não pode ser nem a recompensa humana nem a vanglória, pois devemos procurar antes tudo seguir o exemplo de Jesus, sem pretender outra recompensa que a do Céu. “Pelo contrário, quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos! Então serás feliz, pois estes não têm como te retribuir! Receberás a recompensa na ressurreição dos justos”.

Que Jesus, manso e humilde de coração nos ajude a sermos generosos, fugindo da tendência do egoísmo, nos colocando sempre a serviço de uma igreja que está do lado dos que mais necessitados, praticando sempre a fraternidade e a solidariedade.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

E a multidão inteira se alegrava com as maravilhas que Ele fazia

COR LITÚRGICA: VERDE

30ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira


Naquele tempo: Jesus estava ensinando numa sinagoga, em dia de sábado. Havia aí uma mulher que, fazia dezoito anos, estava com um espírito que a tornava doente. Era encurvada e incapaz de se endireitar. Vendo-a, Jesus chamou-a e lhe disse: ‘Mulher, estás livre da tua doença.’ Jesus colocou as mãos sobre ela, e imediatamente a mulher se endireitou, e começou a louvar a Deus. O chefe da sinagoga ficou furioso, porque Jesus tinha feito uma cura em dia de sábado. E, tomando a palavra, começou a dizer à multidão: ‘Existem seis dias para trabalhar. Vinde, então, nesses dias para serdes curados, mas não em dia de sábado.’ O Senhor lhe respondeu: ‘Hipócritas! Cada um de vós não solta do curral o boi ou o jumento, para dar-lhe de beber, mesmo que seja dia de sábado? Esta filha de Abraão, que Satanás amarrou durante dezoito anos, não deveria ser libertada dessa prisão, em dia de sábado?’ Esta resposta envergonhou todos os inimigos de Jesus. E a multidão inteira se alegrava com as maravilhas que ele fazia. (Lc 13,10-17)

Irmãos e irmãs, em Jesus Cristo. O Evangelho de hoje nos apresenta um milagre diferente dos demais, pois geralmente, são as pessoas que procuram Jesus, mas o episódio de hoje é Jesus quem vê aquela mulher que há muito tempo, sofria doente, encurvada pelo tempo e a chama. Isso tem um efeito surpreendente, porque nos leva a compreender que é Jesus que nos rodeia, toma conhecimento do nosso sofrimento, das nossas angústias e dores, da nossa incapacidade de “levantar o olhar”.

Muitas vezes perdemos também a capacidade de rezar, amar, esperar, mas Jesus sempre vem a nós, nos procurar, buscar onde quer que estejamos. A doença que atormentava a mulher lhe permitia olhar somente para o chão, fixar-se sobre algo que não conseguia sentir Deus. Sendo assim, muitas vezes nem percebemos a graça que acontece na nossa vida. Precisamos nos libertar dessas correntes que nos afasta de Jesus, tornarmos livres para ouvir o seu chamado.

Cabe a nós decidir se queremos atender o chamado de Jesus, ou ficarmos presos a nossas paranoias. A mulher do Evangelho crê em Jesus e não se importa o que as outras pessoas pensam a esse respeito. Estas coisas perturbam também o que temos solidificado em nós. É aquela parte de nós que censura tudo o que é gratuito, porque pensamos que podemos comprar tudo. O amor verdadeiro é gratuito. Peçamos ao Senhor que nos chame e nos liberte de todo mal. A todo momento somos chamados a seguir Jesus e o seu discipulado: Escutemos o seu chamado!


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

Somos ricos diante de Deus?

COR LITÚRGICA: VERDE

29ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira


Naquele tempo, alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: “Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo”. Jesus respondeu: “Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?” E disse-lhes: Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”. E contou-lhes uma parábola: “A terra de um homem rico deu uma grande colheita. Não tenho onde guardar minha colheita’. Então resolveu: ‘Já sei o que fazer! Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita!’ Mas Deus lhe disse: ‘Louco! Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?’ Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus”. (Lc 12, 13-21)

Meus irmãos em Cristo, Jesus nos apresenta a cena na qual um homem que se levanta do meio da multidão pede a Jesus para resolver uma questão de herança de família, que Jesus seja o juiz. Só que Jesus na sua imensa sabedoria de Filho de Deus, o convoca a abandonar a ganância e a sede de possuir bens, dando-lhe uma lição através da parábola do rico insensato, que acredita na felicidade adquirida através dos lucros e dos bens que acumulou.

O rico diante desse posicionamento, põe em risco a sua alma, levando em consideração três pontos: os grandes bens acumulados, os anos que ele vai passar, apenas desfrutando do que lucrou e por fim, a tranquilidade e segurança que esses bens vão lhe assegurar. O que Jesus lhe diz, anula todos esses projetos, lembrando da efemeridade da vida, chamando-o de louco, por colocar acima de tudo a riqueza, sem lembrar que a riqueza maior para o homem é ganhar a salvação. De que adianta ao homem juntar tantos bens, se vai perder a vida? Jesus apresenta-lhe uma prestação de contas de uma vida cheia de ambição e ganância, sem a presença de Deus.

Assim, a conclusão da parábola apresentada pelo evangelista é de uma eficácia surpreendente. Supõe uma advertência através da qual somos chamados a olhar para o horizonte que nos espera. Daí porque, os bens que acumulamos só tem valia quando sabemos partilhar com os mais necessitados, pois o acúmulo de riquezas nos faz afastar de Deus.

Quantas pessoas que, materialmente têm tudo, são infelizes, pobres de espírito, miserável e inseguros?

Diante do exposto, Jesus nos convida a reconhecer que as riquezas acorrentam o nosso coração e nos desvia do verdadeiro e valioso tesouro que está no céu. A certeza da morte anula toda forma de segurança que os bens aparentemente podem assegurar.

Reflitamos sobre a mensagem que a Palavra de Deus nos apresenta, nesta segunda feira.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

De que sinais nós precisamos para a nossa conversão?

COR LITÚRGICA: VERDE

28ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira


Naquele tempo, quando as multidões se reuniram em grande quantidade, Jesus começou a dizer: “Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas. Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração. No dia do julgamento, a rainha do Sul se levantará juntamente com os homens desta geração e os condenará. Porque ela veio de uma terra distante para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Salomão. No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão. Porque eles se converteram quando ouviram a pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas”. (Lc 11,29-32)

Irmãos em Cristo, a Palavra de Deus hoje nos é dirigida, como um alerta para um mundo que vive de inseguranças mediante guerras, mortes e violência.

Jesus que chama o povo de Israel “geração má”, aquela que não quer aceitar Jesus como o Filho de Deus, a quem Ele nega um sinal do céu, mas apenas um sinal de Jonas para os ninivitas, que se converteram e fizeram penitência, ao reconhecer que Deus é amor

Na Carta apostólica “Porta Fidei”, o Papa diz que “o Ano da Fé é convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo”. Ou seja, trata-se de mais uma oportunidade que Deus nos concede para orientar nossa vida segundo sua vontade e seu plano de salvação.

Em Nínive, os habitantes – até o rei! – fizeram jejum e vestiram roupas ásperas, invocando a misericórdia de Deus. Mesmo os animais ficaram sem a ração de costume. De algum modo, a figura de Jonas sinalizara aos ninivitas a urgência da crise, a premência da conversão, a singularidade daquele momento.

Quando veio Jesus Cristo – muito maior que Jonas! (cf. Lc 11,32) -, também ele devia ser percebido como o máximo sinal da parte de Deus: uma oportunidade extrema de salvação. Mesmo ao ressurgir, ao terceiro dia, como Jonas, continuou e continua repelido e rejeitado pelos homens do Templo, pelos guardas da Lei. Acolhido apenas por pecadores e prostitutas, guerrilheiros e velhos pescadores, os publicanos e a ralé desqualificada…

E nós? De que sinais ainda necessitamos? Uma Terceira Guerra mundial? Um conflito atômico? Outra epidemia além do Ebola, da Aids e da gripe aviária, da COVID 19? Mais alguns tsunamis? Mais 2 bilhões de famintos? Tantos outros furacões, terremotos? Não quero dizer com isso que esses fenômenos são “castigo” de Deus. Mas sinais suficientes para buscar em Deus um sentido para nossa vida. E já conhecemos muito bem resultado de uma existência sem Deus.

Quanta tristeza e devastação vive aquele povo de Israel, vítima da violência da guerra, que acaba sempre destruindo tudo e sobretudo, atinge os mais vulneráveis, as crianças, os idosos e tantos outros.

O Evangelho de hoje, nos traz uma mensagem muito atual, quando Jesus se sente rejeitado pelo seu povo e inverte a situação afirmando que serão os ninivitas e a rainha do sul, estrangeiros que manifestarão a sua fé, dando um testemunho para os incrédulos, que não escutam a Palavra do Messias, aquele que é o único caminho de salvação.

Fiquemos atentos aos sinais dos tempos.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

Anjos todos do Senhor, bendizei o Senhor; cantai a sua glória, louvai-o eternamente

COR LITÚRGICA: BRANCO

Santos Anjos da Guarda – Memória | Segunda-feira


Naquela hora, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus”. (Mt 18,1-5.10)

Jesus depara-se com uma discussão entre os discípulos, sobre qual seria o maior dentre eles. No nosso dia-a-dia, nas redes sociais, sempre surgem comentários sobre quem é mais, quem é o maior, a importância e o valor das pessoas. Esta lógica só humana produz. Esta lógica só humana produz, frequentemente, desejo de vitória, de ser reconhecido, apreciado, correspondido, e a falta de paz, quando estes reconhecimentos não chegam., frequentemente, desejo de vitória, de ser reconhecido, apreciado, correspondido, e a falta de paz, quando estes reconhecimentos não chegam.

A resposta de Jesus a estes pensamentos -até mesmo comentários- dos discípulos, lembra o estilo dos antigos profetas. Antes das palavras estão os gestos. Jesus «pegou uma criança, colocou-a perto de si» (Lc 9,47). Depois vem o ensinamento: «aquele que entre todos vós for o menor, esse é o maior» (Lc 9,48).

Porque custa tanto aceitar o outro com suas potencialidades, sem pensar na competitividade que está presente hoje, em nossa vida. Sempre tem alguém querendo se sobressair às custas de outras pessoas, muitas vezes até impedindo que o outro ocupe um lugar. Se aceitamos uns aos, dando oportunidade para que ele também cresça e ocupe um espaço. Se assim fizéssemos, teríamos mais paz interior e trabalharíamos com mais serenidade e alegria. Esta atitude é também a fonte de onde brota a alegria, ao ver que outros trabalham bem por Deus, com um estilo diferente.

Precisamos mudar nossas atitudes e isso facilita-nos a ter o coração aberto para todos e crescer na paz, na alegria e na gratidão do nosso, mas sempre assumindo o nome de Jesus, sendo um pequeno, pois Jesus ao tomar uma criança e coloca-la no meio deles revela a simplicidade e a pequenez, que deve ser a conduta do discípulo missionário.

Hoje a Igreja celebra a memória dos Santos Anjos. Na história da salvação, Deus confia aos anjos o encargo de proteger os patriarcas, seus servidores e todo o povo eleito, conforme exprime o Salmo 90, próprio desta liturgia. Confiemos aos cuidados dos anjos da guarda todas as pessoas, principalmente as nossas crianças.

Abençoada semana a todos!


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira

O cristão deve ser luz para o mundo!

COR LITÚRGICA: VERDE

25ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira


Naquele tempo, disse Jesus à multidão: “Ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama; ao contrário, coloca-a no candeeiro, a fim de que todos os que entram vejam a luz. Com efeito, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto; e tudo o que está em segredo deverá tornar-se conhecido e claramente manifesto. Portanto, prestai atenção à maneira como vós ouvis! Pois a quem tem alguma coisa, será dado ainda mais; e àquele que não tem, será tirado até mesmo o que ele pensa ter”. (Lc 8,16-18)

Precisamos ser luz para iluminar a escuridão que assola o mundo. É uma missão nobre e bela, essa de ser luz na escuridão, levar luz a quem precisa de claridade. Essa luz que recebemos de Jesus e devemos não guardá-la para nós, mas propagá-la, levar ao mundo o que recebemos como prêmio de Jesus.

Se o cristão deixar essa luz apagar, a sua vida não terá sentido, será apenas um cristão só no nome, que deixa a luz apagar a sua chama dentro de si. A lâmpada acesa é o sinal vivo da presença de Deus na nossa vida. É Ele que nos dá essa luz e nós devemos leva-la aos outros. Esta é a nossa vocação: ser luz no mundo.

O texto do Evangelho de hoje está em sintonia com o Sermão da Montanha, quando Jesus diz:” Vós sois a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas”. Que a vossa luz brilhe diante dos homens, para que as vossas obras sejam vistas, para a glória do Pai que está nos céus. Eis a vocação do cristão! Ser luz para os irmãos!

Abençoada semana a todos!


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira

Senhor, não sou digno de que entreis em minha casa

COR LITÚRGICA: VERDE
24ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira


Naquele tempo, quando acabou de falar ao povo que o escutava, Jesus entrou em Cafarnaum. Havia lá um oficial romano que tinha um empregado a quem estimava muito, e que estava doente, à beira da morte. O oficial ouviu falar de Jesus e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedirem que Jesus viesse salvar seu empregado. Chegando onde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: “O oficial merece que lhe faças este favor, porque ele estima o nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga”. Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizerem a Jesus: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa. Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente ao teu encontro. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado. Eu também estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Se ordeno a um: ‘Vai!’, ele vai; e a outro: ‘Vem!’, ele vem; e ao meu empregado ‘Faze isto!’, e ele o faz”. Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Virou-se para a multidão que o seguia, e disse: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”. Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde. (Lc 7,1-10)

O Evangelho de hoje vem nos falar de serviço, pois apresenta-nos dois servos, de quem pode-se tirar lições relevantes: o servo do centurião que é curado por Jesus e o próprio centurião , que está a serviço do Imperador, que pede a Jesus para não vir à sua casa, por se achar indigno e pecador. É um gesto de fé e humildade por parte do centurião que, geralmente era muito odiado pelo povo, mas o cerne do Evangelho nos apresenta um homem que, apesar de ser um oficial do império romano, tem um coração bom e é estimado pelos judeus que intercedem por ele, dando um testemunho de que tem o espírito humilde, sinal de grande fé, quando pronuncia as palavras “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa. Nem me julguei digno de ir ter contigo; também tenho os meus superiores a quem devo obediência”.

Essas palavras deixam Jesus impressionado pela humildade e mansidão do centurião, que poderia ter se valido da sua autoridade, para convencer com insistência Jesus a curar o seu servo. Em vez disso, assume uma postura discreta, não levanta a voz e comporta-se conforme o estilo de Deus que é “manso e humilde de coração”.

Com efeito Deus que é amor, remete esse amor ao ponto se se colocar a serviço, sendo benevolente, misericordioso, sofre com nossos erros e sempre disponível, procura o caminho para nos ajudar a sermos pessoas melhores, dando esse exemplo, pois mansidão e humildade devem ser os traços do cristão, que, seguindo o exemplo de Jesus serve aos irmãos com amor paciente e misericordioso incansavelmente.

A resposta de Jesus sintetiza a mensagem do Evangelho de Lucas, que fica impressionado com tamanha fé, cura o empregado do centurião tomado pela misericórdia: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”. Assim, a mensagem do Evangelho de hoje, são estímulos para vivermos, segundo os princípios de Deus, deixando-nos inebriar pela fé, humildade e misericórdia!

Abençoada semana a todos!


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira

Estende a tua mão

COR LITÚRGICA: VERDE
23ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira


Aconteceu num dia de sábado que Jesus entrou na sinagoga, e começou a ensinar. Aí havia um homem cuja mão direita era seca. Os mestres da Lei e os fariseus o observavam, para ver se Jesus iria curá-lo em dia de sábado, e assim encontrarem motivo para acusá-lo. Jesus, porém, conhecendo seus pensamentos, disse ao homem da mão seca: “Levanta-te, e fica aqui no meio”. Ele se levantou, e ficou de pé. Disse-lhes Jesus: “Eu vos pergunto: O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?” Então Jesus olhou para todos os que estavam ao seu redor, e disse ao homem: “Estende a tua mão”. O homem assim o fez e sua mão ficou curada. Eles ficaram com muita raiva, e começaram a discutir entre si sobre o que poderiam fazer contra Jesus. (Lc6,6-11)

A mão é inseparável da ação. Muitas vezes, a Bíblia pede que Deus erga seu braço, levante sua mão, isto é, entre em ação. Braços cruzados, mãos encolhidas, ao contrário, demonstram a acomodação, a inatividade, a inércia de quem não se compromete e não quer tomar parte na ação. O Evangelho de hoje, narra um episódio bem conhecido e diz que, antes de curar o “homem de mão seca”, um deficiente físico, Jesus o convida a participar de sua própria cura: a mão estendida é o gesto de quem participa da ação. No mínimo, concorda com ela.

Santo Ambrósio de Milão nos chama a atenção sobre a importância de sair da zona de conforto, do pequeno mundo de nossos interesses, e estender a mão ao próximo: “Estende-a muitas vezes, a favorecer ao teu próximo; defende de toda injúria aquele que vês sofrer sob o peso da calúnia, estende também tua mão ao pobre que te pede; estende-a também ao Senhor, pedindo-lhe o perdão dos teus pecados: é assim que tu deves estender a mão, é assim que se cura”.

O encontro com Jesus Cristo nos leva a um estilo de vida dinâmico, quando saímos de nós mesmos na direção do outro. Após conviver com Cristo, o discípulo é enviado às aldeias e cidades, praças e encruzilhadas, para anunciar que o Reino está próximo. Sua missão não se extingue na pregação: “Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, de graça dai!” (Mt 10,8.)

Logo na abertura da Gaudium et Spes, a Constituição dogmática sobre a Igreja no mundo de hoje, o Concílio Vaticano II ensinava: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias do homem de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade humana que não encontre eco no seu coração”. (GS, 1.)

É uma distorção grave imaginar que a mensagem cristã seja algo desencarnado, uma trilha para o céu, que nada tem a ver com as realidades terrestres. Ao contrário, nosso “céu” é moldado com o barro nosso de cada dia. Se assim não fosse, o próprio Filho de Deus não se teria encarnado, trabalhado com as mãos, convivendo asperamente com nossa humana realidade.

Quando chegou sua hora, também ele estendeu suas mãos. Deixou-se prender. Deixou-se crucificar. E nós? Estenderemos nossa mão?

Que neste mês da Bíblia, saibamos ler a Palavra de Deus, a partir de uma leitura orante, para que possamos compreendê-la e ela possa penetrar no nosso coração transformando a nossa conduta, o nosso pensamento e sobretudo, as nossas ações, que sejam sempre em favor dos que mais precisam. AMÉM!


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira

O Espírito do Senhor me ungiu para proclamar a boa nova aos pobres

COR LITÚRGICA: VERDE

22ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira


Naquele tempo, veio Jesus à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, e levantou-se para fazer a leitura. Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor”. Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?” Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”. E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o Sírio”. Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até o alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho. (Lc 4,16-30)

A palavra de Deus é atual, viva e eficaz. (…) Jesus começa dizendo assim: «Hoje cumpriu- se esta escritura. A profecia de Isaías datada de séculos, antes de Jesus, mas Ele pelo poder do Espírito, torna-a atual e, sobretudo, leva-a ao cumprimento, indicando o modo de receber a Palavra de Deus: hoje. Não como uma história ultrapassada, mas hoje ela fala ao nosso coração. Os conterrâneos de Jesus ficavam impressionados com a sua palavra, mas inebriados pelos preconceitos, não acreditam nele, pois percebem o jeito diferente dele ensinar dos outros mestres e que em Jesus há algo mais que eles nas suas limitações não conseguem identificar. Jesus é ungido pelo Espírito.

Às vezes acontece que os nossos os nossos ensinamentos se tornam vazios. Muitas vezes não temos a força pois as nossas palavras são genéricas, abstratas, não comovem a alma nem converte a vida do povo. Porque falta a força do Espírito e é isso que Jesus dá um grande significado. O poder do Espírito nos dá a inspiração certa para dizer a Palavra na hora certa. Sem a unção do Espírito a Palavra de Deus empobrece, apega-se aos moralismos, aos preconceitos e aos conceitos equivocados, fora do tempo e descontextualizados, desfocada da realidade, na qual estamos inseridos. O caminho é Jesus. Precisamos experimentar o hoje de Jesus para transmitir o seu nome aos outros.

Jesus seguiu o seu caminho ungido pelo Espírito e cumpriu fielmente a sua missão. E nós nos deixamos seduzir pelo Espírito, para renovar as nossas forças e nossas esperanças de um mais justo, solidário e fraterno?

Abençoada semana a todos!


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira

O que vale mais? A oferta ou o altar que santifica a oferta?

COR LITÚRGICA: BRANCO

Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja – Memória | Segunda-feira


Naquele tempo, disse Jesus: “Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós fechais o Reino dos Céus aos homens. Vós, porém, não entrais, nem deixais entrar aqueles que o desejam. Aí de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós percorreis o mar e a terra para converter alguém, e quando o conseguis, o tornais merecedor do inferno, duas vezes pior do que vós. Ai de vós, guias cegos! Vós dizeis: ‘Se alguém jura pelo Templo, não vale; mas, se alguém jura pelo ouro do Templo, então vale!’ Insensatos e cegos! O que vale mais: o ouro ou o Templo que santifica o ouro? Vós dizeis também: ‘Se alguém jura pelo altar, não vale; mas, se alguém jura pela oferta que está sobre o altar, então vale!’ Cegos! O que vale mais: a oferta, ou o altar que santifica a oferta? Com efeito, quem jura pelo altar, jura por ele e por tudo o que está sobre ele. E quem jura pelo Templo, jura por ele e por Deus que habita no Templo. E quem jura pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que nele está sentado”. (23,13-22)

Nesta segunda-feira, dia 28 de agosto fazemos memória de Santo Agostinho, santo e doutor da Igreja, que foi um filósofo, escritor, bispo e importante teólogo cristão do norte da África durante a dominação romana. Suas concepções sobre as relações entre a fé e a razão, entre a Igreja e o Estado dominaram toda a Idade Média. Foi o primeiro filósofo a refletir sobre o sentido da história, mas tornou-se acima de tudo o arquiteto do projeto intelectual da Igreja Católica. Santo Agostinho, conhecido também como Agostinho de Hipona, nasceu em Tagaste, na cidade da Numídia (hoje Argélia), no norte da África, região dominada pelo Império Romano, no dia 13 de novembro de 354.

Iniciou seus estudos em Tagaste, em seguida, foi para Madaura, onde iniciou os estudos de retórica. Lia e decorava trechos de poetas e prosadores latinos, entre eles Virgílio e Terêncio. Estudou música, física, matemática e filosofia.

Entre 397 e 398, Agostinho se dedica a escrever “Confissões”, em que narra a juventude e sua conversão, quando revela os caminhos da fé em meio às angústias do mundo Sob a influência de Santo Ambrósio converteu-se ao Cristianismo. Em 387, retorna definitivamente para Tagaste onde se dedica à vida monástica. Em seguida, vende a propriedade deixada pelo pai e distribui o dinheiro entre os pobres.

Conserva apenas uma pequena porção de terra, onde, ao lado dos amigos Alípio e Ovídio, funda o primeiro mosteiro agostiniano. Em 391 é sagrado sacerdote em Hipona, região provinciana do Império Romano. Em 396 é sagrado bispo auxiliar de Hipona, onde se tornou um dos pilares da teologia católica.

Hoje, recordando Santo Agostinho, o Evangelho apresenta Jesus que faz um alerta aos doutores, os escribas e fariseus, a respeito da suas atitudes: «Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, pois percorreis mares e terras para fazer um só prosélito; e, quando o conseguis, fazeis dele um filho do inferno duas vezes pior do que vós mesmos». Essas pessoas, reduziam a Lei, o dogma, a uma ideologia: “Deve-se fazer isto, isso e aquilo” … Uma religião de prescrições, e com isto tiravam a liberdade do Espírito. A perfeição do caminho para seguir Jesus era a rigidez: “Há que fazer isto, isso, aquilo…”. Essas pessoas, esses doutores “manipulavam” as consciências dos fiéis, e ou tornavam-se rígidos… ou iam embora. a rigidez não é do Espírito bom, porque questiona a gratuidade da redenção, a gratuidade da ressurreição de Cristo. (…) A morte e a ressurreição de Cristo são gratuitas. Não se pagam, não se compram: são um dom!

Somos perseverantes na fé, praticando a caridade, o bem? Ou somos hipócritas e falsos testemunhos? Nossas palavras e ações devem ser marcadas pela verdade e pela unidade e fidelidade a Cristo. Devem ser atitudes de quem deseja contribuir para que os outros creiam e sigam os ensinamentos de Jesus.

Abençoada semana a todos!


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira