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Mais de 30 cidades do Rio Grande do Norte vivem uma onda de violência desde a última terça-feira (14). Provocados por facções criminosas que fazem exigências sobre as condições dos presídios, os ataques no estado ocorrem pela quarta vez desde 2016.
Para a antropóloga e pesquisadora Juliana Melo, a situação alarmante no Rio Grande do Norte é consequência da precariedade nas prisões.
“O sistema prisional como um todo é um grande barril de pólvora prestes a estourar”, afirma Juliana. “Séries de direitos estão sendo privados, e isso gera uma tensão.”
As ordens teriam partido de dentro da Penitenciária de Alcaçuz, a maior unidade prisional do estado, motivadas por exigências não atendidas como aparelhos de televisão e visitas íntimas. Juliana ainda relata denúncias de maus-tratos às famílias e suspensão da entrega de itens de alimentação e higiene.
“Vejo que esses ataques são um tiro no pé dos próprios presos, na medida que a gente vai ter um regime mais duro”, diz. “Dentro de um estado violador, a violência acaba sendo uma estratégia que faz com que as pessoas comecem a pensar no sistema prisional.”
Ainda segundo Juliana, o efeito do tratamento precário à população carcerária brasileira – a terceira maior do mundo – é o fortalecimento das organizações criminosas.
“As facções se aproveitam das misérias prisional”, diz.





