COR LITÚRGICA: ROXO
2ª Semana da Quaresma | Segunda-feira
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos”. (Lc 6,36-38)
Caros irmãos e irmãs em Cristo, várias e belas parábolas sobre a misericórdia são encontradas no Evangelho de Lucas, daí porque ele é considerado o evangelista da misericórdia de Deus. Ele destaca a misericórdia como atributo de Deus sendo que Jesus recomenda que sejamos misericordiosos como o Pai é misericordioso, uma prática concreta da misericórdia é o amor.
Jesus exclui a figura do inimigo, a qual remete para atitudes excludentes, que respaldam a violência e a disputa do poder. A misericórdia nos é apresentada ao mesmo tempo verdadeira e transparente na sua simplicidade que difunde compaixão solidariedade, compaixão, ternura e perdão, atitudes que traduzem o amor regenerador de Deus.
Antiga e sempre nova, a misericórdia de Deus se pode entender em outras palavras sob três pontos: bem-aventurança, profecia e terapia. Como bem-aventurança, a misericórdia aproxima o Reino de Deus das pessoas, e as pessoas do Reino de Deus. É prática que dignifica o ser humano: tanto quem a dá, quanto quem a recebe. Está repleta de gratuidade e alegria, como disse Jesus: “Felizes os misericordiosos, pois alcançarão misericórdia” (Mt 5,7).
A Igreja deve ser sempre sacramento da misericórdia de Deus no mundo, pois cada cristão é chamado a ser testemunha praticante da misericórdia, o que nos leva ao caminho da santidade. O único caminho a ser percorrido, deve ser o do amor misericordioso. Deixemos de lado a indiferença, os julgamentos, as críticas infundadas, a inveja e o ciúme, pois temos necessidade de sermos mais complacentes, perdoando e vivendo a nossa existência no amor, o que nos permite que conservemos a identidade de discípulos missionário de Jesus, sendo reconhecidos como filhos do mesmo Pai.
As obras de misericórdia têm eficácia curadora: socorrem nossa humanidade ferida pelo pecado e pelo desamor, restaurando em nós a imagem do Cristo glorioso, para que suas feições resplandeçam na nossa face, na face da Igreja, na face de toda a humanidade redimida.
Se o amor é a qualidade essencial de Deus; a misericórdia é este mesmo amor exercitado para com a criatura humana, revelando a qualidade ativa de Deus. Assim, a misericórdia se mostra muito mais na experiência do dia a dia, do que na conceituação teológica, catequética ou espiritual. E ainda que tal experiência se revista de beleza, o lar da misericórdia não é o discurso e nem explicações.
Neste tempo da Quaresma, a misericórdia de Deus se traduz em resgate, cura, abrigo, libertação, sustento, proteção, acolhida, generosidade e salvação – tão marcantes na caminhada do Povo de Deus.
Fátima Oliveira
Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira
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O dia, ou melhor, a semana começa bem com esta reflexão.