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Santíssima Trindade: o Deus que caminha na vida e na história da humildade

COR LITÚRGICA: BRANCO

Santíssima Trindade | Solenidade | Domingo


Naquele tempo, Os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram. Então Jesus aproximou-se e falou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo”. (Mt 28,16-20)

Queridos irmãos e irmãs, vivemos neste Domingo a liturgia da Solenidade da Santíssima Trindade. Esta solenidade convida-nos a mergulhar no mistério de Deus e a contemplar o Deus que, sendo unidade, é família de três Pessoas em perfeita comunhão de amor. Por isso, chamamos-Lhe “Santíssima Trindade”. Por amor, Ele criou os homens e as mulheres; e, por amor, Ele convida-os a vincularem-se com essa comunidade de amor que é a família trinitária.

Santo Agostinho já escreva no século IV que nosso conhecimento diante do mistério Trinitária, é comparado a um copo de água retirado do mar, ou seja, é mínimo. Contudo a palavra chave para iniciarmos esse processo de compreensão “mínima”, é revelação. Porque nenhum homem descobriu a Deus. Diferente das religiões pagãs, aonde o homem cria a divindade lhe dar um novo, uma função específica e inclusive as divindades brigam entre si para demonstrar quem tem mais poder. O Deus judaico-Cristão, não. Ele é o “eu sou”, que vai se revelando paulatinamente na história da humanidade, através do seu projeto de amor profundo pela sua criação, que é recuperá-la a sua convivência.

É assim que deveríamos entender a primeira leitura de hoje, retirada do livro do deuteronomio. O escritor convida os leitores a investigarem quem mais teria feito tamanhas proezas por um povo. É através da história da humanidade, das quedas, dos encontros e desencontros, que vamos conhecendo a Deus.

Na segunda leitura, ouvimos a carta de Paulo aos Romanos, nesta carta Paulo lembra aquela comunidade que somos filhos adotivos de Deus, pelo amor filial de Jesus, que nos faz participar da sua família pelo batismo. Sendo o Espírito Santo aquela que nos anima a assumir o papel de filhos. E retoma ao projeto de Deus, ao dizer que somos herdeiros, herdeiros do céu, herdeiros da vida eterna, herdeiros do éden perdido, pois Cristo recupera o caminho para nós.

No Santo Evangelho, Jesus nos entrega a missão de levarmos essa notícia da herança a tantos outros irmãos e irmãs. Anunciar tudo que ouvimos, tudo que aprendemos com a certeza que Ele estará conosco até o fim. Neste relato ouvimos a ordem clara de Jesus a comunidade dos Apóstolos, que tudo começa no batismo em nome da Santíssima Trindade, porque a missão não é nossa, mas é do próprio Deus. Somos suas testemunhas, testemunhas da salvação, e com esse novo jeito de batizar, mostramos que somos disponíveis a participação da família de Deus.

Desejo a todos vocês que hoje escutam ou leem essa mensagem, que reflitam sobre seu batismo, sobre sua fé. Se conseguimos viver e demonstrar aquilo que intimamente acreditamos. Deus não é egoísta, não é sólida, é comunidade, é entrega, é presença. Estamos em um tempo marcado pelo incentivo ao inverso, e muitos cristãos vivem diferente daquilo que sua fé aponta. Ao fazer o sinal da Santíssima Trindade sobre nosso corpo, estamos dizendo pelo gesto que pertencemos a Ele. Mas será?


Pe. Gutembergue Lacerda

Sacerdote da Diocese de Afogados da Ingazeira

Vigário Paroquial da Paróquia de São Sebastião / Iguaracy – PE

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