
Após o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmar estar pronto para negociações de paz diretas com o presidente russo, Vladimir Putin, e propor juntamente com vários líderes europeus um cessar-fogo mútuo de 30 dias, Moscou rejeitou a proposta desta ‘imposição’.
O Kremlin disse hoje que a trégua de 30 dias proposta por Kiev e lideranças europeias são feitas e atreladas com ameaças de novas sanções, caso não declare um cessar-fogo. “São inadmissíveis. A linguagem dos ultimatos é inaceitável. Não se pode falar com a Rússia com essa linguagem”, disse o porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov.
Zelensky aceitou se reunir pessoalmente com Putin, na próxima quinta-feira, na Turquia, sob a condição de se iniciar um cessar-fogo hoje. O presidente norte-americano, Donald Trump, instou Zelensky a aceitar imediatamente a proposta do presidente russo de negociações diretas entre Moscou e Kiev. “Penso que podem sair coisas boas dessa reunião. Tenha a reunião agora. O presidente Putin da Rússia não quer um acordo de cessar-fogo com a Ucrânia, mas quer se reunir na quinta-feira, na Turquia, para negociar um possível fim do banho de sangue. A Ucrânia deve concordar com isso, imediatamente. Considero que pelo menos eles serão capazes de determinar se um acordo é possível ou não”, escreveu Trump na plataforma Truth Social.
A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Tammy Bruce, também anunciou que a posição dos EUA sobre a guerra da Rússia na Ucrânia continua a ser a de um cessar-fogo imediato, uma vez que a principal prioridade continua sendo pôr fim aos combates.
Enquanto isso, diversos países europeus decidiram que vão começar a preparar sanções adicionais e massivas contra a Rússia se não houver um cessar-fogo na Ucrânia até ao final desta segunda-feira (12). “O relógio está a contar, ainda temos algumas horas até ao final do dia, e se o cessar-fogo não estiver em vigor até lá, a parte europeia irá pôr em curso os preparativos para as sanções”, anunciou um porta-voz do governo da Alemanha.
Casa atingida na região de Donetsk na UcrâniaVladimir Putin, Presidente da Rússia Volodymyr Zelensky, Presidente da Ucrânia Primeiro Ministro britânico Keir Starmer, Presidente da França Emmanuel Macron e o Presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky depois de visitar a Catedral de Santa Sophia em Kyiv
Também o Reino Unido e as chancelarias da França, Alemanha, Itália, Polônia e Espanha, mais um representante da União Europeia discutiram como apoiar ainda mais a Ucrânia contra a Rússia, na reunião em Londres. “Discutimos a forma de intensificar os esforços europeus para apoiar a Ucrânia na sua defesa contra a guerra da Rússia de agressão. A Ucrânia deve estar confiante na sua capacidade de continuar a resistir com sucesso à agressão russa com o nosso apoio”, diz a declaração conjunta.
O Ministro das Relações Exteriores britânico, David Lammy, acrescentou que Putin deve levar a sério as conversações de paz. “Mas se não for um momento de seriedade por parte de Putin, os líderes europeus estão preparados”, pontuou.
A responsável pelos negócios estrangeiros da União Europeia, Kaja Kallas, avaliou que a Rússia quer claramente a guerra. “Devem ser estabelecidas tréguas porque não pode haver conversações sob fogo. Queremos ver que a Rússia também quer a paz. São precisos dois para querer a paz, é preciso apenas um para querer a guerra e vemos que a Rússia quer claramente a guerra”, disse Kallas.
Pequim também se pronunciou sobre um possível encontro entre Putin e Zelensky, reforçando que o governo chinês apoia todos os esforços que possam conduzir à paz na Ucrânia. “Esperamos que as partes envolvidas continuem a usar o diálogo e as negociações para chegar a um acordo de paz justo, duradouro e vinculativo que seja aceitável para todas as partes envolvidas”, disse Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.


