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Rosa Weber: atos em 8/1 marcaram ‘resistência da democracia’ contra ‘investida autoritária’

Rosa Weber

Um ano após os atos golpistas do 8 de janeiro, a ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber afirmou ao GLOBO que a data marcou a “resistência da democracia” contra uma “investida espúria, autoritária e obscurantista”. A ministra aposentada teve posição de destaque na reação às invasões às sedes dos Três Poderes A magistrada atuou para unificar os esforços das autoridades e viabilizar a recuperação do prédio da Corte.

— Visto pelo retrovisor de 2024, o 8 de janeiro de 2023, o Dia da Infâmia, como o defini, projeta-se como marca indelével da resistência da democracia constitucional brasileira à investida espúria, autoritária e obscurantista contra o Estado Democrático de Direito assegurado na Constituição Cidadã de 1988 — afirmou a ex-presidente do STF, que se aposentou em setembro.

Quando o ataque às sedes dos três Poderes estava em andamento, em 8 de janeiro de 2023, Rosa entrou em contato com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), relatando que o Congresso já havia sido invadido e cobrando o fato do então secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, não estar em Brasília.

A primeira mensagem enviada por Rosa a Ibaneis foi às 15h25m: “Já entraram no Congresso”. O governador do Distrito Federal respondeu dois minutos depois: “Coloquei todas as forças de segurança nas ruas”. A então presidente do STF justificou o contato: “O Secretário de Segurança do DF está de férias, por isso o contato direto com o senhor”. Sob pressão, Ibaneis disse: ˜Estamos cuidando”.

Quando viu pela TV a cena da invasão ao STF, onde atuou por mais de 11 anos, Rosa foi às lágrimas. A ministra cogitou se dirigir ao edifício do tribunal durante a invasão, mas foi demovida da ideia por seus seguranças. Quando a situação estava sob controle, ela foi à Corte verificar a situação.

Ao lado de outros ministros, recebeu uma breve visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na parte de fora do Supremo, vandalizado pelos manifestantes. Naquele momento, Rosa assumiu o compromisso de que o plenário deveria ser restaurado na abertura do ano do Judiciário, que ocorreria em menos de um mês, no início de fevereiro.

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