Search

Quase 9 milhões de brasileiros de 18 a 29 anos não concluíram a escola, mostra Censo Escolar 2023

Ministro Camilo Santana e o presidente do Inep, Manuel Palacios, em apresentação dos dados do Censo Escolar 2023 — Foto: Ana Clara Alves/g1

Os dados do Censo Escolar da Educação Básica 2023, divulgados nesta quarta-feira (22) pelo Ministério da Educação (MEC), mostram que 8,8 milhões de brasileiros de 18 a 29 anos não terminaram o ensino médio e não frequentam nenhuma instituição de educação básica.

Considerando todas as faixas etárias, são 68.036.330 cidadãos sem a escolarização básica no país.

O levantamento anual traz dados sobre as escolas, os professores, os gestores e os alunos das redes pública e privada do Brasil, da creche até a Educação Para Jovens e Adultos (EJA). Por meio desses dados, o governo identificar os atuais problemas (como evasão escolar em determinada faixa etária) e formular políticas públicas mais certeiras.

Os seguintes fatores sinalizam um alerta para que brasileiros continuem fora da escola:

Na EJA, o número de adultos matriculados caiu 7% de 2022 a 2023.

O ensino médio é “campeão” de evasão escolar, afirma o ministro da Educação, Camilo Santana. De acordo com o Censo, de 2020 a 2021, 7% dos alunos do 1º ano desistiram dos estudos e 4,1% foram reprovados.

Segundo os especialistas, a reprovação é um dos fatores que levam o aluno a abandonar a educação básica. Em 2022, após o fim das políticas de aprovação automática adotadas por estados na pandemia, os índices de retenção voltaram a crescer. Nos anos finais do ensino fundamental (5º ao 9º ano), 7,9% dos estudantes foram reprovados, e no ensino médio, 13,4%.

Em 2023, no 6º ano do ensino fundamental, 15,8% dos estudantes não tinham a idade adequada (porque foram reprovados, por exemplo, ou porque abandonaram o colégio em algum período). Esse é mais um fator que pode aumentar o risco de, futuramente, o jovem interromper os estudos.

“Não queremos deixar ninguém para trás. Queremos reverter a tendência de o jovem precisar ir para a EJA lá na frente”, diz Santana.
Ele reforçou que esse é o objetivo do Programa Pé-de-Meia, que dará um incentivo financeiro para os alunos de baixa renda que estiverem matriculados no colégio.

Para Ivan Gontijo, gerente de políticas educacionais da ONG Todos Pela Educação, a necessidade de ingressar no mercado de trabalho, a estrutura defasada do “antigo” ensino médio e as lacunas de aprendizagem são outros fatores que levam o jovem a sair precocemente da escola.

“A discussão de por que abandonaram os estudos tem muita a ver com a experiência que tiveram no colégio. As taxas de evasão são maiores no 1º ano, exatamente quando o aluno começa outro ciclo e encontra mais disciplinas, mais professores e um currículo muito grande”, afirma Gontijo.

“O novo ensino médio [já em vigor] tem muitos problemas e precisa ser ‘reformado’, mas é importante que essa flexibilidade curricular seja mantida.”

Compartilhe:

Deixe um comentário