
A Presidência da República determinou, em abril, a troca da estampa do cartão do Auxílio Brasil para incluir a bandeira nacional, principal símbolo usado pela campanha à reeleição de Jair Bolsonaro (PL).
“Comunico novo leiaute de cartão do PAB [Programa Auxílio Brasil], definido pela Presidência da República, em anexo”, diz ofício de 5 de abril enviado pelo Ministério da Cidadania para a Caixa Econômica Federal, responsável pela produção e emissão dos cartões. O anexo continha um novo modelo do cartão, estampado com a bandeira.
Na época, o Ministério da Cidadania já tinha aprovado um cartão com fundo verde-escuro liso. Cerca de 20 mil unidades chegaram a ser produzidas e enviadas para beneficiários no Distrito Federal, em fase de teste.
A interferência da Presidência da República levou a Caixa a reformular o visual do cartão antes do início da emissão em massa. Desde junho, quase 7 milhões de unidades foram distribuídas — o equivalente a cerca de um terço dos beneficiários.
O cartão do Bolsa Família — programa extinto por Bolsonaro em novembro de 2021, depois de 18 anos em vigor, para dar lugar ao Auxílio Brasil — tinha fundo amarelo neutro, sem nenhuma alusão a símbolos usados pelo PT, como a cor vermelha.
Além de usar a bandeira em sua campanha, Bolsonaro já estimulou apoiadores a ostentarem o símbolo. “Hoje, o povo identifica a bandeira comigo, com os nossos candidatos pelo Brasil, com as pessoas de bem”, disse Bolsonaro no início de setembro, em live nas redes sociais.
“A bandeira está conosco e vamos continuar com ela. Eu faço um pedido agora, até as eleições: quem puder, compra uma bandeira e bota na porta de casa. Bote uma bandeirinha do Brasil no seu carro, para mostrar que você ama sua pátria e que você tem lado.”
Procurados por e-mail e telefone, a Presidência da República e o Ministério da Cidadania não se manifestaram.




