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População de Gaza está desesperada por comida, diz diretor da ONU

Um alto funcionário do setor de ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou neste sábado (9/12) que grande parte da população da Faixa de Gaza está passando fome à medida em que os conflitos armados na região continuam.

Carl Skau, vice-diretor do Programa Mundial de Alimentos da ONU, disse que apenas uma fração dos suprimentos necessários conseguiu entrar em Gaza. Segundo ele, 9 em cada 10 pessoas não conseguem comer todos os dias na área.

As condições em Gaza tornaram as entregas de alimentos “quase impossíveis”, disse Skau. “As pessoas estão desesperadas por comida”.

Por outro lado, Israel afirma que deve continuar os ataques aéreos a Gaza para “eliminar o Hamas e trazer os reféns israelenses para casa.”

O porta-voz das Forças de Defesa de Israel, o tenente-coronel Richard Hecht, afirmou à BBC que “qualquer morte e dor de um civil é dolorosa, mas não temos alternativa”.

“Estamos fazendo tudo o que podemos para entrar o máximo possível na Faixa de Gaza”, disse Hecht.

O movimento dentro e fora de Gaza tem sido fortemente proibido desde 7 de outubro, quando membros do Hamas romperam a fronteira fortemente vigiada do perímetro de Israel. Segundo o governo de Israel, 1,2 mil pessoas foram mortas na ação.

Em resposta, Israel fechou as suas fronteiras com Gaza e começou a lançar ataques aéreos no território, e também restringiu as entregas de auxílio das quais a população civil de Gaza depende para sobreviver.

O Ministério da Saúde, que é controlado pelo Hamas, afirma que Israel matou mais de 17,7 mil habitantes de Gaza durante sua campanha de retaliação, incluindo mais de 7 mil crianças.

Apenas a passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, está aberta, permitindo que quantidades limitadas de ajuda humanitária cheguem a Gaza.

Nesta semana, Israel concordou em abrir a passagem de Kerem Shalom, em Gaza, nos próximos dias – mas apenas para a inspeção de caminhões de ajuda humanitária.

Inicialmente, os caminhões iriam então para Rafah para chegar em Gaza.

Carl Skau, da ONU, afirmou que “não estava preparado para o medo, o caos e o desespero” que ele e a sua equipe de assistência encontraram durante sua viagem a Gaza nesta semana.

Segundo ele, havia “confusão em armazéns, pontos de distribuição com milhares de pessoas desesperadas e famintas, supermercados com prateleiras vazias e abrigos superlotados com banheiros cheios.”

A pressão internacional gerou um cessar-fogo temporário de sete dias em novembro, o que permitiu que alguns suprimentos entrassem na Faixa de Gaza, mas o programa de alimentação da ONU insiste que agora “é necessária uma segunda passagem de fronteira para satisfazer a demanda”.

Nove em cada dez famílias em algumas áreas passam “o dia inteiro sem qualquer alimento”, segundo Skau.

Habitantes de Khan Younis, no sul de Gaza, uma cidade agora cercada em duas frentes por tanques israelenses, dizem que “a situação é terrível.”

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