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Nosso coração é a nova tenda do encontro

COR LITÚRGICA: BRANCO

Santo Afonso Maria de Ligório – Memória | Terça-feira


Naquele tempo, Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!” Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifadores são os anjos. Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: O Filho do Homem enviará os seus anjos e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; e depois os lançarão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”. (Mt 13,36-43)

Para nossa reflexão no dia de hoje, iremos usar também a primeira leitura proposta para este dia, que está em Êxodo 33, 7-11. Nessa passagem é descrito um dos momentos mais interessantes do antigo testamento, que eram os momentos de encontro entre Moisés e o Senhor, na chamada “tenda de reunião”.

Ao lermos esta perícope percebemos alguns detalhes interessantes, vamos elencar alguns como exemplo: a tenda está erguida fora do acampamento; o povo acompanhava com os olhares; o Senhor falava com Moisés, assim como um homem fala com seu amigo. Pois bem, o fato da tenda está erguido fora do acampamento deve-se a traição daquele povo ao Senhor, eles continuavam com o seu coração duro “cerviz dura”, com práticas idólatras que demonstravam a falta de confiança em Deus.

É justamente por essa razão que Moisés vai até a tenda, para suplicar por este povo teimoso, que troca o amor do seu Senhor que os tirou do cativeiro, por falsos deuses que pedem sacrifícios e ouro em troca de favores. A atitude das pessoas, em sair de suas tendas e olhar para o caminhar de Moisés que vai ao encontro do Senhor, revela um distanciamento que vai além da estrutura espacial, ela começa no coração.

Sem dúvida, eles sabiam que estavam errados, que estavam traindo ao seu Senhor, porém ao mesmo tempo não davam um passo em direção a “tenda da reunião”, a vergonha do seu pecado os afastavam e impediam de realizarem um encontro, impediam a aproximação, mas assim como não basta saber das coisas divinas, também não basta olhar, não basta está presente, é necessária uma relação profunda e sincera. A cena de Moisés falando com o Senhor, como um homem fala com seu amigo, muito mais do que ao questionamento se ele olhava ou não para sua face, é a expressão de sua intimidade com o Senhor, de sua relação. Quão profundo é a frase “assim como se fala a um amigo”.

Para fazermos uma ligação ao Evangelho de hoje, faremos uso apenas do primeiro versículo e do trecho final Mt 13, 36.39. Percebemos um movimento que nos faz recordar a primeira leitura, Jesus deixa a multidão (Moisés deixa o acampamento) e Jesus foi para a casa (Moisés entra na tenda). Jesus é o novo, perfeito e definitivo mediador entre o Pai e a humanidade, por isso seus discípulos aproximam-se dele e lhe pede para explicar a parábola, muito semelhante ao que Moisés fazia, pois era ele que trazia a mensagem do Divino para o acampamento, mas agora com Jesus, é o próprio Deus que revela sua mensagem, sem interlocutores.

O que necessitamos apenas é sermos aquilo que os discípulos de Jesus e Moisés conseguiram ser: amigos. Agora a tenda da reunião é sobretudo o nosso coração! Apesar de nossa cabeça dura, apesar de nossas idolatrias aos deuses modernos como o consumismo, as vaidades, o midiático, o dinheiro, que nos prometem as mesmas coisas que prometera aos passados: sucesso, prestígio, prazeres incontáveis, fama, poder… Talvez aquele povo com Moisés até tenha ouvidos as prescrições, até tenha ouvido, mas não guardou, e muitos deles foram como o joio: vazios, sem fruto.

É bem provável também que caímos nesta cilada e alguns momentos deixemos de acolher as sementes do Filho de Deus, para nos enganarmos com as sementes lançadas pelo inimigo, nos distanciando do Senhor, fazendo-nos desacreditar do seu Reino, dando ouvidos e espalhando mentiras, calúnias, ódio e violência, sinais visíveis de quem está muito longe do Senhor.

Sobre vós desça a bênção do Deus Todo-poderoso. Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!


Pe. Gutembergue Lacerda

Sacerdote da Diocese de Afogados da Ingazeira

Vigário Paroquial da Paróquia de São José / São José do Belmonte

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