COR LITÚRGICA: VERDE
26º Domingo do Tempo Comum
Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: “Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi. O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?” Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”. Então Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”. (Mt 21,28-32)
VIVENDO A PALAVRA
“Que vos parece”? (Mt 21,28)
Amados leitores, estamos iniciando o mês de outubro, mês em que a Igreja nos convida a refletir sobre a importância de nos tornarmos missionários do Senhor, propagadores da Boa Nova do Reino. Nossa missão, não se limita em somente levar algo ao outro, pois no exercício da missão é comum descobrirmos algo no outro que nos faz crescer.
Jesus ensinava a todos os que o ouviam através de parábolas, as quais tinham um sentido que não permitia engano, uma vez compreendido, permitia que entendessem as mensagens de comportamento que ele lhes queria transmitir.
O Evangelho de hoje nos adverte sobre o perigo que corremos quando ficamos somente na interpretação da palavra de Deus, e não a trazemos para a nossa vida. Conhecer a palavra de Deus, e não vivê-la, é conhecer a verdade e optar pela mentira.
Era o que acontecia com os líderes religiosos do tempo de Jesus, eles conheciam bem as escrituras, mas não viviam o que pregavam, colocavam pesados fardos nos ombros das pessoas, e eles mesmos, ficavam somente no discurso, não viviam o que falavam.
Jesus desmascara as autoridades da época dizendo: “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no reino dos céus.” Ele falava de um povo excluído, vistos por eles, como pecadores, ouviram a pregação de João Batista e se converteram, endireitando suas vidas, enquanto que estes líderes não deram crédito a pregação de João Batista, não buscaram a conversão.
Para despertar nestes líderes e hoje em nós, é importante uma revisão de vida. Jesus conta mais uma parábola, a dos dois filhos convocados pelo pai a trabalhar na vinha.
Essa narrativa é contada como crítica aos sacerdotes e anciãos do povo, que permaneciam insensíveis à pregação de João Batista. Então, o primeiro filho corresponde as pessoas que respondem afirmativamente ao apelo de Deus, só da boca para fora, sem interioridade. Seu “sim” permanece na teoria, sem converter-se em ações concretas de amor e justiça.
O segundo filho é símbolo de quem responde com uma negação verbal ao apelo divino, mas repensando sua resposta, submete-se a vontade do Pai.
Ao lermos a parábola, não temos a menor dificuldade em responder a indagação colocada por Jesus: qual dos dois filhos fez a vontade do pai? Na verdade, não existe resposta diferente da que deriva do próprio relato sobre o comportamento dos filhos.
Jesus faz uma pergunta que somente comportava uma resposta para a seguir transpô-la ao comportamento dos sacerdotes e anciãos do povo, que agiam tal como o filho que prometeu fazer, mas não fez o que o pai lhe ordenara. Como o dito popular hoje em dia, A CARAPUÇA CAIU BEM NA SUA CABEÇA, e eles próprios a colocaram sobre suas cabeças com a resposta que haviam acabado de dar.
Mas não podemos imaginar que Jesus tenha agido assim de forma desleal, criando-lhes uma armadilha embaraçosa para os humilhar. Nada disso, pois foi outro meio de tentar abrir-lhes os olhos, e um meio que sempre foi muito eficiente. Jesus inclusive os alertou para que prestassem atenção, pois antes da parábola pediu o parecer que teriam a propósito do assunto: “Que vos parece? Um homem tinha dois filhos …”.
Eles também sabiam perfeitamente que a parábola tinha como referência a pessoa de Deus, figurado na pessoa do pai. É que a Deus eles deviam respeito, assim como os filhos da parábola deviam respeito ao pai, e não há melhor maneira de agir com respeito do que atender a vontade de Deus, tanto quanto neste mundo um filho honra seu pai ao agir como ele deseja.
Eles conheciam as escrituras e a desobediência de Adão e Eva, ou seja, não precisariam da parábola para se corrigir. Entretanto, ao invés de se aterem obedientemente à Lei de Deus, portanto, a respeitar a vontade do Pai Celeste, afastavam-se dela com as regras que haviam sido adicionadas ao longo do tempo, criadas pelas chefias e impostas aos humildes, escondendo a verdade divina.
Jesus quis, portanto, colocar-lhes ao claro como se comportavam com os mais sábios, usurpando o que apenas a Deus compete, pois somente Ele tem a verdade absoluta e pode transmiti-la aos homens, e não a têm aqueles cuja função neste mundo é apenas a de compreender, ensinar e aplicar o que vem de Deus. Na verdade, a advertência que os anciãos do povo e os sacerdotes receberam não foi devido apenas a serem desobedientes, pois também foi porque agiam como se fossem o próprio Deus.
Feliz mês de Outubro e um ótimo domingo!
Rosa Amélia
Catequista da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira

