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Na homilia deste domingo, dom Paulo Jackson conclama os homens a romperem a cultura do feminicídio

Arcebispo de Olinda e Recife, dom Paulo Jackson Nóbrega

No domingo em que se celebra o Dia Intrnacional das Mulheres, o arcebispo de Olinda e Recife, dom Paulo Jackson Nóbrega, aproveitou a missa do Terço dos Homens, no Santuário da Mãe Rainha, em Olinda, e apontou os homens como os responsáveis para dar um basta nos casos de feminicídio.

É algo que grita aos céus, e essa cultura da violência contra a mulher infelizmente se perpetua, e passa de geração a geração. Por isso é importante dizer isso aqui, num santuário cheio de homens que vieram em peregrinação para louvar a mãe de Deus: Queridos homens, vocês são responsáveis – nós todos somos responsáveis – por dar um basta e cortar de modo pleno e definitivo essa cultura de morte e de violência que se perpetua“, cravou dom Paulo Jackson.

Em 2025, o Brasil registrou um aumento recorde nos casos de feminicídio. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país tevem 1.568 mulheres vítimas de feminciídio, um aumento de 4,7% em relação a 2024, quando houve 1.450 casos.

Pernambuco também notificou casos alarmantes e superou a taxa nacional. Segundo a Secretaria de Defesa Social do Estado,, 88 mulheres foram assassinadas no estado em 2025, simplesmente por serem mulheres, um aumento de 14% comparado ao ano anterior, que teve 76 casos.

Às vezes são coisas simples que começam com piadas, com brincadeiras, com um gesto agressivo dentro de casa. Homens que são tão inseguros, são incapazes de lavar uma xícara, lavar um copo, são incapazes de colaborar com a mulher nas lidas da casa, nas labutas cotidianas da casa, se nós não modificarmos essa cultura, os pais perpetuam para os filhos a cultura da morte e da violência“, bradou o arcebispo, em um santuário Mariano.

Dom Paulo Jackson observou que a humanidade passa por um momento de degeneração, em que os homens têm medo da masculidade e perderam a noção da masculinidade, enquanto outros querem ser tão masculinos que se tornam machistas, agressivos e violentos.

Nem uma coisa, nem outra, minha gente. Nós precisamos de homens maduros, serenos, bem resolvidos afetivamente, psiquicamente e espiritualmente. Homens que tenham clareza da sua identidade, da sua masculinidade, mas não tenham masculinidade tóxica, doentia, perversa, violenta e agressiva, homens que se inspiram em Maria Santíssima, como modelo de mulher, como modelo de humanidade nova e redimida pela graça de Deus“, clamou.

O arcebispo lembrou que Jesus Cristo era um homem maduro, sereno, tranquilo e relacionava-se com crianças, mulheres, rapazes, velhos, homens. Destacou que no nível de maturação psicoemocional de Jesus não havia espaço para agressividade, para violência. Ressaltou que ele era um pastor que acolhia, amava e dava uma palavra de esperança a todos, especialmente às mulheres sofridas e exploradas.

Homens, pelo amor de Deus, voltem para casa com um novo olhar. Voltem para casa dizendo ‘Jesus, eu quero me converter do meu machismo que ao longo dos séculos guardei no coração, que culturalmente vai sendo transmitido de geração em geração‘”, apelou.

Dom Paulo Jackson acrescentou ser esse um dos caminhos para que a Região Nordeste e o estado de Pernambuco não estejam entre os principais índices de violência, sobretudo de feminicídios.

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