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Lira vislumbra reeleição tranquila na Câmara, enquanto Pacheco terá obstáculo no Senado

Favoritos para serem reeleitos aos postos de comando do Congresso Nacional, os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), vislumbram cenários positivos, mas um pouco diferentes faltando pouco mais de 20 dias para a disputa, marcada para 1º de fevereiro.

Na Câmara, Lira fez um dos movimentos políticos mais importantes do fim de 2022, saindo do espectro bolsonarista para o entorno do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que praticamente selou a sua reeleição ao cargo.

No Senado, Pacheco sempre se manteve mais distante do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais próximo a Lula, conta com o apoio de partidos expressivos e também é favorito, mas pode enfrentar a concorrência do ex-ministro bolsonarista Rogério Marinho (PL-RN), político com bom trânsito político entre seus pares.

A escolha dos novos presidentes da Câmara e do Senado ocorre logo após a posse no novo Congresso Nacional, que será marcada por uma baixa renovação e uma manutenção, em linhas gerais, da atual divisão de força partidária. Houve ainda um reforço tanto do núcleo radicalizado do bolsonarismo como da esquerda, mas nem um nem outro chegam perto de serem majoritários.

Lula tem repetido em vários de seus discursos a necessidade de ter uma sólida base no Congresso, já que a esquerda reúne apenas cerca de um quarto das duas Casas. Para isso, se acertou com Lira e distribuiu nove ministérios a MDB, PSD e União Brasil —embora nessa última legenda a negociação não tenha ainda nem chegado perto de assegurar uma adesão robusta dos parlamentares.

Devido a essas negociações, Lira terá o apoio do PT à sua reeleição e não vislumbra nenhuma candidatura de peso contra a sua —deputados podem se lançar de forma avulsa, sem apoio de seus partidos, mas as chances de vitória nesses casos são muito remotas.

O apoio à reeleição de Lira envolve também um acerto prévio de divisão entre os partidos dos demais cargos de comando na Câmara e das presidências das comissões temáticas.

O PT deve pleitear espaço de relevância caso decida não só apoiar Lira, mas integrar formalmente seu bloco eleitoral. O presidente da Casa, no entanto, já acertou previamente essa divisão entre as grandes legendas, incluindo o PL de Bolsonaro (que só ficaria de fora do rateio caso a ala bolsonarista lance um candidato concorrente).

Ou seja, espaços de relevância para o partido de Lula na Mesa e nas comissões dependerão de alguma grande legenda abrir mão ou da intervenção de Lira.

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