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Jovem morto por leoa foi preso e internado em hospital psiquiátrico no Recife antes do incidente

Gerson de Melo Machado, jovem de 19 anos morto após entrar na jaula de uma leoa no Parque Arruda Câmara(Bica), em João Pessoa-PB

Nas duas ocasiões, Gerson, que era conhecido como “Vaqueirinho”, foi internado no Hospital Ulysses Pernambuco (HUP), localizado no bairro da Tamarineira, Zona Norte do Recife.

O HUP é, atualmente, a única emergência psiquiátrica 24 horas de Pernambuco e possui 115 leitos de internação de curta permanência para adultos em grave sofrimento mental.

Gerson tinha transtornos mentais diagnosticados tardiamente e lutava por reconhecimento e cuidado devido do estado, segundo a conselheira tutelar Verônica Oliveira. Ela o acompanhou dos 10 aos 18 anos no Conselho Tutelar de Mangabeira, e viu de perto uma vida marcada por abandono e vulnerabilidade social até o seu triste fim.

A reportagem da Folha de Pernambuco localizou no sistema do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) os dados de duas audiências de custódia referentes a prisões em flagrante de Gerson no mês de outubro, sendo a primeira no dia 16 e a segunda no dia 26.

Em ambos os casos, ele foi liberado pela Justiça e encaminhado para o hospital psiquiátrico no Recife para receber tratamento adequado.

O que chama a atenção, no entanto, é que o período entre o primeiro processo de detenção, liberação e internação para a segunda prisão e admissão no hospital foi de apenas 10 dias. Veja a cronologia abaixo.

Na primeira prisão, Gerson foi detido em flagrante em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, pela 2ª equipe de Plantão de Prazeres.

Em audiência de custódia no dia 16, ele teve liberdade concedida pela juíza Idiara Buenos Aires Cavalcanti, da 3ª Vara Criminal da Comarca de Jaboatão dos Guararapes. Nos autos do processo, ela detalhou que Gerson “estava em crise e não tinha condições de responder às perguntas formuladas”, e que ele precisou ser retirado da sala da sessão.

Com isso, ficou determinado que Gerson teria liberdade concedida porque não havia indicativos de que poderia “causar embaraços à instrução criminal ou evadir-se do distrito da culpa”.

“O autuado deverá ser conduzido pelo policiamento responsável pela condução da área, ao Hospital Ulysses Pernambucano, a fim de que receba o tratamento adequado, ressaltando que do ponto de vista jurídico o autuado se encontra em liberdade, ficando, evidentemente, a critério da equipe médica do hospital, assim como da equipe de avaliação e de medidas terapêuticas aplicáveis à pessoas com transtorno mental em conflito com a lei, analisar a medida médica adequada”, diz trecho da decisão.

A Justiça também determinou que, uma vez restabelecida a situação de Gerson, deveria ser vista a viabilidade “de serem reatados os vínculos familiares”.

Apenas 10 dias após a primeira prisão, soltura e internação no Hospital Ulysses Pernambucano, Gerson passou por mais uma audiência de custódia. Dessa vez, ele havia sido preso em flagrante no Recife pela Central de Plantões da Capital (Ceplanc).

Dessa vez, a juíza Gisele Vieira de Resende, da 10ª Vara Criminal da Capital, conduziu a audiência de custódia e seguiu a mesma linha da decisão anterior, da Justiça de Jaboatão dos Guararapes.

Ficou determinado na audiência que Gerson seria solto e encaminhado novamente para o Hospital Ulysses Pernambucano. A equipe de assistência social da unidade médica ficou responsável por entrar em contato com os familiares do jovem, em João Pessoa, no endereço que ele mesmo informou.

Não constam nos autos do TJPE os motivos das prisões em flagrante de Gerson no Recife e em Jaboatão dos Guararapes. A Folha de Pernambuco procurou a Polícia Civil em busca das informações, mas, até a publicação da matéria, não recebeu retorno.

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