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Desabamento de duas pontes na BR-319 afeta transporte em RR e AM e compromete abastecimento

Com trechos da BR-319 interditados, após o desabamento de duas pontes – uma no dia 28 de setembro e outra no sábado (8), o transporte terrestre em Roraima e em parte do Amazonas está comprometido. A situação já prejudica o transporte de cargas, comprometendo o abastecimento de alimentos perecíveis, como carne e peixes, e de outros produtos.

Isolados por terra, Roraima e Amazonas dependem da rodovia federal para acessar outras regiões do país fora do eixo Norte. Entenda como é feita essa ligação e o papel das demais rodovias federais que cortam o Amazonas.

A BR-319 está interditada há 11 dias, desde que a ponte sobre o Rio Curuçá desabou, deixando quatro mortos, 14 feridos e, pelo menos, um desaparecido. Bombeiros do Amazonas chegaram a retirar dez veículos da água, incluindo um rolo compressor e uma carreta.

Menos de duas semanas depois, a ponte Autaz Mirim também desabou na BR-319. A estrutura desmoronou poucas horas após ser interditada. Segundo o Governo do Amazonas, não há feridos.

Conforme levantamento da Associação de Amigos e Defensores da BR-319, atualmente, o Amazonas conta com cinco rodovias federais:

BR-210
BR-174
BR-307
BR-230 (Transamazônica)
BR-317

Nessa lista, a BR-319 é considerada a principal ligação do Amazonas com o restante do país. É também por ela que Roraima se liga aos demais estados da federação. “Hoje, dois estados não estão ligados ao resto do país: Roraima e Amazonas”, enfatizou o presidente da associação, André Marsílio ao g1.

Problemas de transporte deixam produtos mais caros em RR e AM
Para o presidente da Associação de Amigos e Defensores da BR-319, as dificuldades de transporte de cargas entre Roraima e Amazonas encarecem os alimentos.

“Produtos perecíveis que poderiam chegar muito mais rápido nos supermercados, na mesa do trabalhador, e poderiam chegar muito mais baratos, porque o transporte de carga de produto perecível acaba deixando o produto final mais caro por causa do frete”, disse André Marsílio.

Ele cita carne, verduras, frutas e peixes. “Quando esses produtos perecíveis vêm por balsa, eles custam um valor, e quando eles vêm pela rodovia, é um outro valor”, afirmou.

De acordo com Marsílio, no verão, quando os rios da Amazônia secam – restringindo a navegação – grande parte dos alimentos são transportados pelas rodovias 174 e 319. “Não apenas produtos perecíveis. São transportados gás natural, minerais, como potássio e suvinita”‘, destacou.

O Dnit informou que possui um Plano Nacional de contagem de tráfego (PNCT). “Que realiza as contagens de tráfego permanente baseadas na instalação de equipamentos de contagem de tráfego em que o volume de veículos que passa em determinado ponto da rodovia será contabilizado e classificado. Além disso, são medidos parâmetros como Peso Bruto Total (PBT), Peso por Eixo, Distância entre eixos e Velocidade Instantânea do veículo”. O órgão não especificou quais modelos de veículos de cargas transitam pela BR-319.

Em nota, o Governo do Amazonas informou que o Comitê de Resposta Rápida, montado no dia 28 de setembro quando houve o desabamento da primeira ponte na BR-319, segue acompanhando a situação nas pontes sobre os rios Curuçá e Autaz Mirim. “E já estuda medidas emergenciais para evitar o desabastecimento dos municípios afetados pela interdição da rodovia”, diz o texto.

De acordo com o Estado, o comitê pediu a apresentação de Planos de Contingências, para os municípios atingidos, da Amazonas Energia e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O governo estadual afirma que a solicitação visa “garantir a prestação de serviços à população”.

O Governo do Amazonas disse, ainda, que está à disposição do Dnit, “para apoiar o órgão federal em tudo o que for necessário para reestabelecer o tráfego no local o mais breve possível”. O governo repetiu que o Dnit é o responsável pela BR-319.

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