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Portal oficial do Vaticano relata as últimas horas do papa Francisco

 (Foto: Armend NIMANI / AFP)

“Obrigado por me trazer de volta à praça” de São Pedro, disse o papa Francisco ao seu enfermeiro por incentivá-lo a ter um último encontro com a multidão a bordo do papamóvel no domingo, horas antes de sua morte.

O portal oficial da Santa Sé, Vatican News, publicou nesta terça-feira (22) as palavras que o primeiro pontífice latino-americano da História dirigiu ao seu fiel enfermeiro pessoal, Massimiliano Strappeti, no Domingo de Páscoa.

Após a tradicional bênção “urbi et orbi” da sacada da basílica de São Pedro, Francisco fez um passeio inesperado a bordo do veículo papal entre os milhares de fiéis reunidos para celebrar a Páscoa.

Mas antes do trajeto, ele perguntou ao seu enfermeiro: “Acredita que eu posso fazer?”. Strappetti o tranquilizou e o papa percorreu durante quase 15 minutos a praça, abençoando vários bebês no caminho.

Segundo o Vatican News, o jesuíta argentino descansou durante a tarde em seu apartamento na residência de Santa Marta no Vaticano, antes de jantar de maneira tranquila.

Mas na segunda-feira, por volta das 5h30 (0h30 de Brasília), surgiram os primeiros sinais de mal-estar. Mais de uma hora depois, depois de falar com seu enfermeiro, entrou em coma e faleceu às 7h35 no horário local (2h35 de Brasília).

“Não sofreu, tudo aconteceu rapidamente, dizem aqueles que estiveram ao seu lado nos últimos momentos”, relata o Vatican News, baseado nos depoimentos das pessoas presentes.

“Uma morte discreta, quase repentina, sem longas esperas, nem grande clamor para um papa que sempre manteve sua saúde em grande segredo”, acrescenta o portal oficial.

O funeral de Jorge Mario Bergoglio acontecerá no sábado, na presença de uma multidão de fiéis e líderes estrangeiros, antes da convocação de um conclave para escolher seu sucessor.

“Um homem cheio de Deus, que falou ao mundo com o coração”, diz dom Limacêdo sobe Papa Francisco

Na manhã desta segunda-feira (21), o bispo diocesano de Afogados da Ingazeira, Dom Limacêdo Antônio, concedeu entrevista ao programa Rádio Vivo, da Rádio Pajeú, para comentar a morte do Papa Francisco, anunciada durante a madrugada. A notícia, que pegou o mundo de surpresa, foi recebida com pesar e profunda reflexão pelo bispo, que destacou a relevância histórica e espiritual do pontífice argentino.

Para Dom Limacêdo, a partida de Francisco, justamente no período da Oitava de Páscoa, carrega um forte simbolismo. “Um homem pascal, que carregou a cruz com Cristo e ressuscita com Ele. Sua morte neste tempo tem algo a dizer a todos nós”, afirmou.

O bispo recordou momentos marcantes do pontificado, como a primeira decisão de Francisco após ser eleito, quando viajou a Lampedusa, na Itália, para celebrar uma missa em memória de imigrantes mortos tentando atravessar o mar Mediterrâneo. O altar, montado com restos de embarcações naufragadas, foi para Dom Limacêdo um gesto concreto da compaixão e compromisso social do Papa. “Ali ele refletiu sobre o Gênesis, sobre a pergunta que Deus faz: ‘Onde está o teu irmão?’. Francisco sempre viveu essa resposta”, lembrou.

Dom Limacêdo ressaltou ainda o papel do Papa como reformador e profeta para o mundo. “Ele reformou a Igreja, abriu debates antes considerados intocáveis, enfrentou desafios internos com coragem e mostrou que a Igreja precisa escutar o clamor do povo, das famílias, da juventude, dos marginalizados”, disse.

Ao ser questionado sobre os desafios do próximo pontífice, Dom Limacêdo avaliou que será fundamental dar continuidade ao caminho sinodal proposto por Francisco. “A sinodalidade é a essência da Igreja, a capacidade de ouvir e dialogar. Francisco enfrentou isso com coragem, e será necessário alguém que dê continuidade ao que ele iniciou”, declarou.

Destacando o contexto social e político turbulento em que Francisco assumiu o papado, em meio à ascensão de extremismos e retrocessos sociais. Dom Limacêdo refletiu: “Foi exatamente nesse momento difícil que Deus enviou um profeta. Francisco será lembrado não só como Papa da Igreja Católica, mas como profeta para o mundo inteiro. Sua palavra não falava só para os católicos, falava para todos”.

O bispo também recordou o momento histórico vivido durante a pandemia, quando o Papa, sozinho na Praça de São Pedro, dirigiu-se à humanidade. “Ele disse: ‘Vocês não estão sós’. E naquele momento sentimos que também estávamos com ele. Essa sintonia dos filhos com o pai é inesquecível”, disse.

Por fim, Dom Limacêdo ressaltou a coragem do Papa ao promover a inclusão e abrir discussões sobre temas delicados dentro da Igreja. “Ele tocou em questões profundas: a inclusão dos homossexuais, dos casais em segunda união, o debate sobre o diaconato feminino. Ele dizia: ‘Vamos estudar, ouvir, caminhar juntos’. Francisco foi, acima de tudo, um homem cheio de Deus, cheio do Espírito Santo, que falava com o coração e com isso alcançava todos”, concluiu.

Cardeais já foram convocados para o conclave, diz arcebispo brasileiro

Cardeais já foram convocados para o Conclave, diz arcebispo brasileiro

O cardeal brasileiro Paulo Cezar Costa, que vai participar do conclave, disse que os responsáveis por escolher o sucessor do papa Francisco já receberam a convocação para ir a Roma.

“Recebemos hoje uma convocação do Colégio Cardinalício”, disse Dom Paulo. Ele afirmou que haverá uma reunião amanhã. “Pediram para ir a Roma porque o Papa vai ser sepultado. Amanhã tem uma primeira reunião que deve definir um pouco uma agenda.” As declarações ocorreram em entrevista à GloboNews.

Dom Paulo é arcebispo de Brasília. Ele explicou que, na primeira etapa do conclave, todos os cardeais participam, mas só que tem menos de 80 anos têm direito a voto. “Cada cardeal tem um um tempo para falar, onde as principais questões da humanidade ou da vida da igreja são tratadas. Ali já começa, de certa forma, a definir o perfil de um futuro papa.”.

O cardeal falou sobre a expectativa para a escolha do novo papa. “Eu acho que a tendência seria um papa conciliador, pelo perfil do colégio cardinalício”, opinou.

Após a morte do papa, os cardeais eleitores devem esperar quinze dias completos para dar início ao conclave. O prazo foi estipulado pela “Universi Dominici Gregis”, uma Constituição Apostólica publicada por João Paulo 2º em 1996, que trata das normas para a vacância da Sé Apostólica e a eleição do Romano Pontífice.

Conclave terá 135 cardeais votantes, e 108 deles foram escolhidos por Francisco. Entre eles, sete brasileiros, incluindo o arcebispo Dom Paulo.

Para ser eleito, um cardeal precisará de pelo menos dois terços dos votos. Os cardeais não têm direito de se abster nem de votar em si mesmos.

Papa Francisco pregava paz, harmonia e fraternidade, diz Temer

Michel Temer em despedida ao Papa Francisco | Michel Temer e… | Flickr

O ex-presidente Michel Temer (MDB) lamentou, nesta segunda-feira (21), a morte do papa Francisco e celebrou seu legado.

“O mundo perdeu o papa. Francisco pregava paz, harmonia e fraternidade. Fica o seu exemplo”, disse Temer.

Temer se encontrou com Francisco em 2014, ainda quando era vice-presidente. Junto do senador Renan Calheiros (MDB), que presidia a Casa Legislativa, representou o Brasil na missa de canonização do Padre José de Anchieta, dirigida pelo papa no Vaticano.

Última homenagem ao papa: corpo de Francisco será levado para Basílica de São Pedro, na quarta-feira

Igrejas da Arquidiocese de Passo Fundo fazem homenagens e missas ao Papa  Francisco | Passo Fundo

O Vaticano anunciou que o corpo do papa Francisco será levado para a Basílica de São Pedro, em Roma, na manhã desta quarta-feira (23) para que fiéis possam prestar a última homenagem ao papa. Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, morreu aos 88 anos nesta segunda-feira (21).

Segundo o Vaticano, a morte foi causada por um acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.

Ele será enterrado na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, em vez da Basílica de São Pedro. A última vez que isso aconteceu foi em 1903, com o enterro do papa Leão XIII.

Francisco tinha 88 anos e ficou 12 anos à frente da Igreja Católica.

A morte de Francisco coloca a Igreja Católica em um período conhecido como “Sé vacante”. Durante esta fase, o Vaticano dá início aos preparativos para o funeral do pontífice e para a escolha de um novo líder.

Com a morte do papa, agora a Igreja passa a ter uma espécie de governo temporário. Parte dos religiosos que compõe a cúpula do governo do Vaticano perde suas as funções, e decisões urgentes ficam a cargo de um Colégio dos Cardeais.

Durante a Sé vacante, que é o período em que os católicos ficam sem um papa, o camerlengo conduz os trabalhos da Igreja e prepara a transição de governo. Ele também ajuda a organizar o Conclave, que elegerá um novo líder. Atualmente, o cargo é ocupado pelo cardeal irlandês Kevin Joseph Farrell.

Antes disso, no entanto, a Igreja seguirá uma série de ritos, com destaque para as cerimônias fúnebres de Francisco.

Padre Marcelo Rossi lamenta morte do papa: “Saudades sim, tristeza não”

Padre Marcelo Rossi fala sobre exposição no início da vida pública e de  depressão: 'Achava frescura' | Famosos | gshow

Papa Francisco, uma voz dos pobres que reformulou a Igreja Católica, faleceu aos 88 anos nesta segunda-feira (21). O anúncio da morte do pontífice foi feito pelo cardeal Kevin Farrell, Camerlengo do Vaticano.

A notícia da morte do papa Francisco provocou profunda tristeza entre líderes religiosos e fiéis em todo o mundo. No Brasil, o padre Marcelo Rossi expressou seu lamento por meio de um vídeo em suas redes sociais.

Em uma mensagem emocionada, padre Marcelo Rossi compartilhou sua fé e saudade do pontífice, referindo-se a ele como “nosso filho papa Francisco”. “Segunda da oitava da Páscoa, soubemos na madrugada que nosso filho papa Francisco faleceu, ele fez a sua Páscoa”, declarou o padre.

Em sua mensagem, padre Marcelo Rossi convocou os fiéis à oração e à comunhão, seguindo o exemplo da Virgem Maria. “Oremos com a Sávia Maria pedindo a Deus que nos fortaleça”.

O padre enfatizou a importância da fé e da esperança neste momento de luto. “Com a Virgem Maria, em comunhão, em oração, saudades sim, tristezas não, muita fé no coração, encobre-o com a nossa igreja. Amém”, concluiu padre Marcelo Rossi, transmitindo uma mensagem de consolo e união à comunidade católica.

O padre Júlio Lancellotti, conhecido por seu trabalho com a população de rua, também expressou seu pesar e destacou o legado de misericórdia e compaixão do papa Francisco. “Que todos nós tenhamos sempre presente o legado do papa Francisco. Francisco, o misericordioso”, relatou o padre.

“O papa Francisco escolheu um belo dia para morrer ”, diz Odilo Scherer

D. Odilo Scherer: seria muita pretensão dizer "estou preparado"

O arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, lamentou a morte do papa Francisco, em uma celebração especial nesta segunda (21), na capital paulista.

Ao abrir a celebração, Dom Odilio relembrou o rito católico Pascal e ao falar sobre morte e vida, disse que Francisco morreu em uma data bela ao cristianismo.

“Se eu pudesse falar, assim, o papa Francisco escolheu um belo dia para morrer, a segunda-feira da Páscoa. A morte está redimida. Assim como faz a igreja em todo mundo, queremos levar a nossa oração, o nosso sufrágio ao papa Francisco”.

Mais cedo durante coletiva de imprensa, Odilo comentou sobre o legado do papa e afirmou que o cardeal agiu “com êxito ao combate de chagas morais dentro da igreja”, ao comentar as investigações sobre pedofilia e abusos no clero.

Arcebispo de São Paulo, dom Odilio Scherer é um dos postulantes ao novo papado, porém, ele minimizou a possibilidade.

Em entrevista disse que a igreja irá escolher o melhor, independentemente de posições ou grupos ideológicos.

A respeito da postura inclusiva que Francisco teve durante seu regime, Odilio afirmou que o papa não foi progressista e nem conservador, somente “cumpriu o evangelho”.

O papado em números: 1º Francisco, 2º líder mais velho da Igreja e 900 novos santos

Papa Francisco acena a fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano, em foto de 21 de outubro de 2015 — Foto: Alessandro Bianchi/Reuters

O papa Francisco, que morreu nesta segunda-feira (21), conseguiu feitos importantes em seus quase 12 anos de papado. À frente da Igreja Católica desde 2013, Francisco foi eleito no segundo dia de conclave, como substituto de Bento XVI.

Veja os números do papado de Jorge Maria Bergoglio, o Francisco:

Francisco tomou posse em 2013
Morreu aos 88 anos
Foi o 2º líder mais velho da história da Igreja Católica
Foi o papa de número 266
1º a usar o nome Francisco
1º papa latino-americano
1º jesuíta no posto
Criou 900 novos santos
Visitou mais de 60 países ou territórios
Escreveu 3 encíclicas: Lumen Fidei, em 2013; Laudato Si, 2015, e Fratelli Tutti, em 2020
1º papa a abordar os temas das mudanças climáticas

Trajetória de Francisco

Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, ficou conhecido pelo seu perfil carismático e pelas reformas que promoveu na Igreja Católica. Ao longo da carreira, antes de ser papa, o argentino também estudou química e trabalhou como professor. Relembre a trajetória dele.

Em 13 de março de 2013, durante o segundo dia do conclave para eleger o substituto de Bento XVI, Bergoglio foi escolhido como o novo líder – inclusive contra sua própria vontade, segundo ele mesmo admitiu.

Mas a carreira no catolicismo foi uma escolha própria do argentino. Formado em Ciências Químicas e professor de Literatura, o religioso, filho de imigrantes italianos, acabou se dedicando aos estudos eclesiásticos.

O perfil jovial e descontraído do religioso fez com que ele se tornasse uma opção popular entre os colegas cardeais e uma escolha ideal para a Igreja, que vivia um de seus momentos mais delicados.

‘Muita cachaça, pouca oração’: relembre piada do papa sobre brasileiros

Papa brinca sobre situação do Brasil: 'muita cachaça e pouca oração' | O  TEMPO

Conhecido pelo seu perfil carismático, o papa Francisco fez uma piada que repercutiu entre os brasileiros em 2021.

Ao caminhar pelo pátio de San Damaso, no Vaticano, o pontífice foi abordado pelo padre João Paulo Souto Victor, de Campina Grande (PB), que pediu orações para seus conterrâneos. “Santo padre, reze por nós, brasileiros”, disse João Paulo.

Sorrindo, Francisco respondeu com piada: “Vocês não têm salvação. É muita cachaça e pouca oração”.

A brincadeira foi relembrada por internautas nas redes sociais nesta segunda-feira (21), após a morte de Francisco, aos 88 anos.

“Ele não mentiu”, disse uma usuária. “Ele era muito fofo! 🥰”, comentou outra.

Outro vídeo do papa Francisco que voltou a repercutir nesta segunda-feira é do dia em que ele se irritou ao ser puxado por uma mulher no Vaticano, em 2019.

O vídeo mostra que Francisco reagiu bruscamente ao ser puxado e bateu duas vezes na mão da mulher, visivelmente incomodado, na tentativa de se desvencilhar. No dia seguinte, ele pediu desculpas pelo “mau exemplo”.

‘Os sinos tocaram e tudo começou a fechar’, relata brasileira que estava na Basílica de São Pedro na hora da morte do papa

Os sinos tocaram e tudo começou a fechar', relata brasileira que estava na  Basílica de São Pedro na hora da morte do papa | Minas Gerais | G1

A esteticista mineira Morgana Oliveira está de férias em Roma e foi surpreendida com a morte do papa Francisco no momento em que ela fazia uma visita à Basílica de São Pedro, no Vaticano — o maior e mais importante edifício católico do planeta, onde as missas mais importantes do calendário religioso são realizadas.

Em entrevista ao g1, Oliveira relata que os sinos da Basílica começaram a tocar e o local foi rapidamente esvaziado e fechado para visitação. Não houve anúncio da morte do pontífice, e ela só descobriu após checar as notícias pelo celular.

“Tinha muita gente. De repente, os sinos começaram a tocar. Todo mundo estava em visitação e começou a fechar tudo: as zonas de visitação, a cúpula. Assim que a gente saiu, depois dessa confusãozinha que teve para encerrar a visitação, vimos que tinha passado trinta minutos da notícia que o papa tinha falecido”, relembrou Morgana.

Isso tudo aconteceu no início da manhã, por volta das 7h30 no horário local de Roma e do Vaticano. A esteticista conta que escolheu ir esse horário por ser mais vazio para visitação.

“Não fiz vídeos na hora que os sinos tocaram porque a gente estava fazendo a visitação, tudo começou a fechar, os visitantes começaram a sair e foi meio caótico, acabei não fazendo”, completou.

Derrame é a provável causa de morte do papa Francisco, diz imprensa italiana

Derrame é a provável causa de morte do papa Francisco, diz imprensa italiana  - Folha PEO papa Francisco morreu nesta segunda-feira, 21, conforme divulgou o Vaticano ainda durante a madrugada. A causa da morte teria sido um derrame, segundo noticiou o jornal italiano Corriere Della Sera.

“Um derrame seria a causa da morte do papa Francisco. Nas próximas horas, a Santa Sé emitirá comunicado oficial indicando a causa da morte”, conforme o periódico.

Outro jornal italiano, o la Repubblica, também aponta a mesma causa para o falecimento do pontífice, que tinha 88 anos.

O argentino morreu menos de um mês após deixar o hospital, onde ficou internado para tratar de uma pneumonia bilateral.

Um dia antes da morte, ele apareceu em público no Vaticano em uma missa de Páscoa, quando fez a última saudação aos fiéis.

”Francisco foi o papa da esperança”, diz arcebispo de Olinda e Recife

 (Larissa Aguiar/DP Foto)

“Nós o entregamos como oblação, como dom de Deus. Ele sempre foi e é de Deus.” Foi com essas palavras de fé e esperança que Dom Paulo Jackson, arcebispo de Olinda e Recife, reagiu à notícia da morte do Papa Francisco, ocorrida na madrugada desta segunda-feira (21), logo após o Domingo da Ressurreição.

Para o religioso, a despedida do pontífice argentino em meio ao tempo pascal tem um forte significado espiritual: “Está nos planos amorosos de Deus. Ele foi o papa da esperança e morreu no domingo da esperança.”

Com pesar pela perda, mas sobretudo com gratidão pela trajetória do líder da Igreja Católica, Dom Paulo destacou a dimensão profética de Francisco. “Ele teve ao coração dois grandes temas: os migrantes e a paz. Não esqueçamos que sua primeira visita foi à ilha de Lampedusa, em defesa dos migrantes. E lutou insistentemente pelo fim das guerras, acreditando no diálogo como caminho”, disse.

O arcebispo ressaltou também o enfrentamento firme do Papa diante das crises internas da Igreja, como os abusos sexuais e a transparência econômica do Vaticano. “Ele não fugiu dos temas difíceis. Enfrentou com coragem. E, ao mesmo tempo, trouxe uma nova imagem de Igreja: simples, pobre, samaritana, em estado permanente de missão.”

Para o arcebispo, Francisco, que foi o primeiro Papa latino-americano, será lembrado não apenas pelas reformas e posicionamentos sociais, mas também por sua humanidade. “Tinha o bom humor como marca. Era o papa do sorriso aberto. Um homem de grande espiritualidade, mas também profundamente humano”, declarou Dom Paulo, que esteve com o pontífice pela última vez em fevereiro deste ano.

Próximo papa

Ao comentar as expectativas sobre o futuro da Igreja, Dom Paulo evitou especulações sobre o perfil do sucessor. “O importante é que seja um homem de Deus, guiado pelo Espírito Santo. O carisma pessoal de cada papa é secundário diante da missão maior, que é a unidade da Igreja. Nós amamos o Papa, quem quer que seja, porque é ele quem exerce esse ministério da unidade”.

Sobre a possibilidade de um Papa brasileiro — ou mesmo pernambucano — o arcebispo foi direto: “Não temos cardeais pernambucanos. O próximo Papa será escolhido entre os cardeais. Quem virá, nós não sabemos, mas confiamos que será alguém iluminado para conduzir a Igreja pelos caminhos do Evangelho.”

Mesmo em meio à comoção, a mensagem que Dom Paulo deixa aos fiéis é de paz e confiança: “Francisco não gostaria que ficássemos lamentando ou chorando. Ele quer ser lembrado com alegria, com esperança. Sua vida inteira foi um testemunho do Cristo ressuscitado.”

Dom Paulo embarca nos próximos dias para um retiro espiritual na Terra Santa. “Vou à Galileia, lugar onde Jesus começou seu ministério. Francisco era homem do silêncio, do discernimento, da oração. Sonhava os sonhos de Deus. Que agora, em Deus, interceda por todos nós.”

Raquel Lyra e João Campos lamentam morte do papa: ”Maior líder global do nosso tempo”

Papa Francisco morreu em seu apartamento da residência de Santa Marta, diz  Vaticano | Mundo: Diario de PernambucoA governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), lamentaram a morte do papa Francisco nesta segunda-feira (21). O pontífice morreu nesta madrugada, aos 88 anos, após enfrentar um quadro de pneumonia bilateral.

A chefe do Executivo estadual destacou que o mundo perde uma voz ativa na busca por igualdade social e na defesa dos direitos humanos. “Hoje é um dia muito triste para a comunidade católica e para todas as pessoas que acreditam no amor e na fraternidade como forças que movem nosso mundo”, declarou Raquel.

João Campos divulgou imagens de seu encontro com o papa em 2018. Ele definiu o argentino como “o maior líder global do nosso tempo”.

“Desde que assumiu como sumo pontífice, foi um exemplo de homem público, de religioso e, sobretudo, de ser humano que procurava fazer e propagar o bem. Seus atos falavam por si, deixando um legado que permanecerá vivo e irradiando o amor e seu incansável trabalho por justiça social”, comentou o prefeito.

Configura na íntegra as homenagens prestadas por Raquel Lyra e João Campos:

Raquel Lyra, governadora de Pernambuco

Hoje é um dia muito triste para a comunidade católica e para todas as pessoas que acreditam no amor e na fraternidade como forças que movem nosso mundo.

O falecimento do Papa Francisco nos deixa um vazio imenso. O mundo perde uma voz ativa na busca por igualdade social e na defesa dos diretos humanos.

Certamente ele agora está nos braços do Pai, ao lado de nosso senhor Jesus Cristo.

Da eternidade, tenho convicção, seguirá nos guiando e abençoando.

João Campos, prefeito do Recife

O Papa Francisco foi o maior líder global do nosso tempo. Desde que assumiu como sumo pontífice, foi um exemplo de homem público, de religioso e, sobretudo, de ser humano que procurava fazer e propagar o bem.

Seus atos falavam por si, deixando um legado que permanecerá vivo e irradiando o amor e seu incansável trabalho por justiça social.

Em vida, o Papa Francisco promoveu dignidade, solidariedade e esperança onde havia sofrimento.

Que possamos honrar sua memória, seguindo os ensinamentos de amor e união que ele deixou.

Papa escolheu nome ‘Francisco’ por influência de cardeal brasileiro

Papa Francisco morre aos 88 anos — Foto: Vaticano

O argentino Jorge Bergoglio foi o primeiro religioso latino-americano a se tornar papa, em 2013. E a escolha de “Francisco” como nome do então novo pontífice teve a influência de um “hermano” brasileiro: o cardeal Cláudio Hummes.

O papa Francisco morreu nesta segunda-feira (21), às 2h35 pelo horário de Brasília, 7h35 pelo horário local. Ele se recuperava de uma pneumonia bilateral que o deixou 38 dias internado em um hospital de Roma.

O argentino esteve por 12 anos à frente da Igreja Católica e deve ser lembrado pelo espírito acolhedor e pelas reformas que fez no Vaticano.

Em março de 2013, logo após ser eleito, o papa fez uma audiência no Vaticano com cerca de 6 mil jornalistas. Foi nesse dia que ele revelou o que o levou a escolher o nome “Francisco” e a importância do apoio de Cláudio Hummes.

Na eleição, eu tinha ao meu lado o arcebispo emérito de São Paulo, um grande amigo. Quando a coisa começou a ficar um pouco perigosa, ele começou a me tranquilizar. E quando os votos chegaram a dois terços, aconteceu o aplauso esperado, pois, afinal, havia sido eleito o papa“, contou.

Ele me abraçou, me beijou e disse: ‘Não se esqueça dos pobres’. Aquilo entrou na minha cabeça. Imediatamente lembrei de São Francisco de Assis.”

‘Queria uma Igreja pobre, e para os pobres’

Em 2013, o papa também falou sobre o legado de São Francisco de Assis, que era um homem pobre. Segundo ele, a escolha do nome também refletia a visão que tinha para a Igreja.

Eu queria uma Igreja pobre, e para os pobres“, disse, à época.

De fato, o mandato de Francisco foi marcado pela simplicidade e por um estilo de vida com muito menos privilégios do que seus antecessores. O papa sempre optou por vestes comuns e escolheu viver na Casa Santa Marta, uma residência mais modesta que o Palácio Apostólico do Vaticano.

Ao longo do tempo em que comandou a Igreja Católica, Francisco criticou o apego ao poder e cobrou que membros do clero tivessem uma vida mais simples e humilde.

E vocês, bispos e sacerdotes, peço zelo apostólico, peço pobreza, nenhum luxo, pobreza com o povo pobre de vocês, que está sofrendo. Deem o exemplo de pobreza e humildade. Ajudem os fiéis e o povo a se erguerem e a serem protagonistas de um novo renascimento“, afirmou, em 2020.

Líder palestino diz que papa Francisco foi um “símbolo de tolerância”

Líder palestino diz que papa Francisco foi um “símbolo de tolerância“ | CNN  Brasil

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, enviou suas condolências ao Vaticano após a morte do papa Francisco, a quem chamou de “símbolo de tolerância, amor e fraternidade”.

Em seu discurso na Praça de São Pedro no Domingo de Páscoa, um dia antes de sua morte, o Papa Francisco disse estar pensando “no povo de Gaza, e em sua comunidade cristã em particular, onde o terrível conflito continua a causar morte e destruição e a criar uma situação humanitária dramática e deplorável”.

Francisco, que há muito criticava a guerra de Israel contra o Hamas em Gaza, apelou às partes em conflito para “declararem um cessar-fogo, libertarem os reféns e ajudarem um povo faminto que aspira a um futuro de paz!

Durante a guerra, Francisco fez ligações noturnas ao Padre Gabriele Romanelli, pároco da Igreja da Sagrada Família em Gaza, onde cristãos e muçulmanos frequentemente buscaram refúgio dos bombardeios israelenses.

O Hamas também expressou suas “sinceras condolências” aos católicos de todo o mundo após a morte de Francisco.

Francisco era conhecido por suas posições significativas na promoção dos valores do diálogo entre religiões e na defesa da compreensão e da paz entre os povos, além de rejeitar o ódio e o racismo”, afirmou o Hamas em um comunicado.