O otimismo que embalava os opositores de Recep Tayyip Erdogan antes do primeiro turno, há duas semanas, estancou diante do desempenho do presidente turco nas urnas e do apoio do terceiro candidato, o ultradireitista Sinan Ogan.
A campanha de desinformação empreendida com vigor pelo governo faz dele o favorito no segundo turno neste domingo (28).
Há 20 anos no comando do país, Erdogan assegurou o controle da mídia e usa os meios necessários para difamar seu adversário, Kemal Kilicdaroglu, que lidera a coalizão de seis partidos opositores e pela primeira vez, reuniu as condições para derrubá-lo.
Embora tenha ficado 5 pontos atrás do presidente no primeiro turno, a oposição obteve o melhor desempenho em duas décadas de primazia do chamado sultão turco na vida política do país.
A empreitada de falácias esquentou a campanha. Como atestou o International Press Institute, houve um “nível sem paralelo de desinformação organizada” nestas eleições.
Uma gravação, comprovada como falsa, com imagens pinçadas de um site pornô, tiraram o candidato Murrahem Ince da disputa, às vésperas do primeiro turno.
A propaganda enganosa que mais chamou a atenção foi um vídeo exibido durante um comício de Erdogan, em que um dos líderes do banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) oferecia apoio a Kilicdaroglu.
O presidente perguntou à multidão se votaria num candidato respaldado por uma organização terrorista, reforçando, assim, a mensagem de que a oposição é branda com o terror e mantém vínculos com o movimento curdo.
A ONG Teyit, que se dedica à verificação de fatos, desmascarou a gravação como uma montagem de vídeos separados e editados como um só. Kilicdaroglu, por sua vez, entrou com uma ação de difamação contra o presidente, pedindo US$ 50 mil pela exibição do vídeo.






