COR LITÚRGICA: BRANCO
São Domingos, presbítero – Memória | Terça-feira
Alguns fariseus e mestres da lei, vindos de Jerusalém, foram ter com Jesus e perguntaram: “Por que os teus discípulos transgridem a tradição dos líderes religiosos? Pois não lavam as mãos antes de comer!” Jesus chamou para junto de si a multidão e disse: “Ouçam e entendam. O que entra pela boca não torna o homem impuro; mas o que sai da sua boca, isto o torna impuro”. Então os discípulos aproximaram-se dele e perguntaram: “Sabes que os fariseus ficaram ofendidos quando ouviram isso?” Ele respondeu: “Toda a planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada pelas raízes. Deixem-nos; eles são guias cegos. Se um cego conduzir outro cego, ambos cairão num buraco”. (Mateus 15, 1-2.10-14)
Caríssimos irmãos, hoje a liturgia da Palavra nos coloca diante de duas histórias bem interessantes, uma com Moisés e outra com Jesus. A primeira delas é retirada do livro dos Números 12, 1-13. Nesta perícope, lemos a cena de quando os irmãos de Moisés contestaram e murmuraram contra ele e contra o Senhor, por conta do seu casamento com uma Etíope: “Acaso o Senhor falou só através de Moisés? Não falou, também, por meio de nós?”.
Deus está no meio deles como amigo e protetor de Moisés. Entre os grandes homens há tropeços, mexericos e ciúmes, ninguém está livre. Aarão e Maria mostram-se incapazes de julgar Moisés na sua grandeza de eleito de Deus, pelo simples fato de se ter casado com uma etíope, um sinal também de julgamento pela nacionalidade da mulher. Parece que eles esqueceram que há poucos dias eram escravos no Egito, e que ainda são um povo sem terra. Seu orgulho e arrogância falam mais alto. Mas Deus defende Moisés! Com um juízo tão severo quanto sincero, Deus fala de Moisés, seu amigo e confidente, na tenda da reunião: “Falo com ele frente a frente, à vista e não por enigmas; ele contempla a imagem do Senhor!”.
Como é bonita essa relação de Moisés com o Senhor, e ainda, a escritura testemunha que ele era o mais humilde na terra, talvez, por isso que ele ganhou atenção de Deus… Ele tem predileção por corações humildes, e essa será a nossa chave de ligação com o Evangelho de hoje Mt 15, 1-2.10-14. Coloquemos no lugar dos irmãos de Moisés, aqueles que, justamente, se intitularam como “herdeiros da lei”, que detinham o poder de interpretar e aplicar a lei, que por Moisés foi deixada. Os fariseus e mestres da lei reclamavam ser os oficiais representantes da vontade de Deus, mas seus corações tão cheios de normas, preceitos e arrogâncias, impediam que vissem para onde a lei apontava de verdade: para dentro de cada pessoa.
Jesus com sua sutileza ensina aqueles homens que a verdadeira impureza não está no mundo exterior, mas que vem de dentro do coração. Nós podemos também algumas vezes nos confundir com nossas práticas exteriores, sejam elas devocionais ou até mesmo caritativas, e termos a falsa ilusão de estarmos, por conta disso, mais puros e corretos que outros, contudo, deveríamos também nos perguntarmos por quais motivos fazemos e se tais práticas melhoram a nossa vida e, principalmente, a vida de outros, pois como Jesus disse: “é o que saí de nossa boca que nos torna impuros”.
O que tem saído de nós?
O que tem saído de nós? Do que temos nos nutrido espiritualmente? Sim! Isso também importa, só podemos dar aquilo que temos, e temos aquilo que buscamos… As nossas aparências (aquilo que demonstramos), sejam elas sinceras ou forçadas, verdadeiras ou falsas, não só podem nos enganar, mas, principalmente, podem nos revelar. Revelar que precisamos equilibrar melhor o nosso interior e nosso exterior, revelar que precisamos nos desfazer de certas aparências para assumir quem de fato somos, para buscarmos aquilo que deveríamos ser, para aquilo que Deus nos criou.
Sobre vós desça a bênção do Deus Todo-poderoso. Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!
Pe. Gutembergue Lacerda
Sacerdote da Diocese de Afogados da Ingazeira
Vigário Paroquial da Paróquia de São José / São José do Belmonte


