COR LITÚRGICA: ROXO
4ª Semana da Quaresma | Quinta-feira
Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: “Se eu der testemunho de mim mesmo, meu testemunho não vale. Mas há um outro que dá testemunho de mim, e eu sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro. Vós mandastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade. Eu, porém, não dependo do testemunho de um ser humano. Mas falo assim para a vossa salvação .João era uma lâmpada que estava acesa e a brilhar, e vós com prazer vos alegrastes por um tempo com sua luz. Mas eu tenho um testemunho maior que o de João; as obras que o Pai me concedeu realizar. As obras que eu faço dão testemunho de mim, mostrando que o Pai me enviou. E também o Pai que me enviou dá testemunho a meu favor. Vós nunca ouvistes sua voz, nem vistes sua face, e sua palavra não encontrou morada em vós, pois não acreditais naquele que ele enviou. Vós examinais as Escrituras, pensando que nelas possuís a vida eterna. No entanto, as Escrituras dão testemunho de mim, mas não quereis vir a mim para ter a vida eterna! Eu não recebo a glória que vem dos homens. Mas eu sei que não tendes em vós o amor de Deus. Eu vim em nome do meu Pai, e vós não me recebeis. Mas, se um outro viesse em seu próprio nome, a este vós o receberíeis. Como podereis acreditar, vós que recebeis glória uns dos outros e não buscais a glória que vem do único Deus? Não penseis que eu vos acusarei diante do Pai. Há alguém que vos acusa: Moisés, no qual colocais a vossa esperança. Se acreditásseis em Moisés, também acreditaríeis em mim, pois foi a respeito de mim que ele escreveu. Mas se não acreditais nos seus escritos, como acreditareis então nas minhas palavras?” (Jo 5,31-47)
O compromisso de todos os cristãos é «ser testemunhas de Jesus», encher a vida «com aquele gesto» que foi típico de João Batista: «indicar Jesus».
O próprio Jesus que fala claramente: «Vós enviastes mensageiros a João e ele deu testemunho». Hoje, frisamos «a vocação de João: ser testemunha». Uma vocação que se tornou ainda mais compreensível por alguns exemplos concretos.
João «era a lâmpada». Ele era a lâmpada, mas não a luz, o facho que indicava onde estava a luz, lâmpada que indica onde está a luz, dá testemunho da luz». Do mesmo modo, João «era a voz», a ponto que ele mesmo «diz de si: “Eu sou a voz que brada no deserto”». Mas não era a Palavra, de facto «ele era a voz que dá testemunho da Palavra, indica a Palavra, o Verbo de Deus. Era apenas voz».
E assim o Batista que «era o pregador da penitência» diz claramente: «Depois de mim virá outro que é mais forte do que eu, ao qual não sou digno de atar as sandálias. E este vos batizará no fogo e no Espírito Santo».
Enfim, a «Lâmpada que indica a luz, voz que indica a Palavra, pregador de penitência e “batizador” que indica o verdadeiro “batizador” no Espírito Santo».
João «é o provisório e Jesus é o definitivo». João é o provisório que indica o definitivo». Mas «a grandeza de João» consiste precisamente neste ser provisório, neste seu «ser para». Um homem «sempre com o dedo ali», a indicar outro.
João «é grande», porque «se põe sempre de lado». Ele é grande porque «é humilde e toma o caminho do abaixar-se, aniquilar-se, o mesmo que tomará Jesus em seguida». E também nisto «oferece um grande testemunho: abre aquele caminho da aniquilação, do esvaziamento de si mesmo» que foi o de Jesus.
«Grande João!». Um grande que, acrescentou, se tivéssemos que o representar numa pintura, deveríamos simplesmente desenhar um dedo que indica.
Palavras do Santo Padre, o Papa Francisco.


